Autora Independente do Cosmos ✨
Atualizada em: 14/06/2026
Ela tentou respirar, com certa dificuldade, mas tudo o que conseguiu foi sentir um gosto metálico. Talvez tivesse sido burrice ter fugido tão desesperadamente daquela forma, mas não pensou que teria outra oportunidade de realizar tal feito. Não havia tempo de planejar tudo detalhadamente e, mesmo assim, planejar não era exatamente o seu forte.
Foi graças à sua impulsividade que finalmente teve coragem de romper o selo de lealdade que seu próprio pai a fez jurar que teria com um homem que não seguia os mesmos princípios que ela. não conseguia nem mesmo encontrar motivos razoáveis ou justificáveis que a fizesse entender porque seu pai apoiava um homem tão cruel e tirano, cujo único objetivo era ter o poder para si.
Nada de bom vinha de um poder egoísta.
Por isso, fugiu. Depois da eleição fracassada que Grindelwald não conseguiu ser escolhido para liderar os bruxos, seu pai ficou furioso. Em silêncio, todos os seguidores de Grindelwald estavam se reunindo lentamente, erguendo-se das trevas para recuperar a derrota que tinham sofrido. sempre observava tudo em silêncio e, por seu pai fielmente acreditar que sua lealdade era verdadeira, o acompanhava em quase tudo.
Mas não naquela noite.
Como todo mundo, assistiu a eleição acontecer. Viu Grindelwald ser desmascarado e, em seguida, soube de sua fuga. Com o golpe que sofreram, a jovem bruxa pensou que aquela era uma ótima oportunidade de finalmente ir atrás de sua liberdade.
Ela tentou implorar para seu pai que ficasse fora daquilo daquela vez. Que aproveitasse a fuga de Grindelwald para cortar laços com o bruxo e mudasse de lado, ainda dava tempo, mas tudo o que ela recebeu do seu pai foi um olhar nada agradável.
— . — A voz dele soou dura. Parecia que sabia o que ela estava prestes a fazer.
Então, sem pensar, ela explodiu uma parede inteira do esconderijo em Praga com um feitiço improvisado e começou a correr. Ele demorou a entender o que tinha acontecido, mas quando entendeu, ordenou que seus homens fossem atrás dela. lutou contra eles, correndo em meio às árvores da floresta escura, ofegante e destemida.
E, ainda assim, morreu de medo de que não desse certo.
No meio daquilo tudo, tentou aparatar em fragmentos três vezes seguidas, errando as coordenadas todas as vezes até despencar no telhado de uma cervejaria abandonada em Berlim. Alguma parte de suas costas doía e ela não conseguia contar quantos ferimentos existentes tinha em seu corpo, mas teve uma leve consciência de que estava perdendo sangue.
Tentou levantar.
Sua mente a sabotou, a voz dura de seu pai soando como uma voz de general sempre soava para uma filha recebendo uma bronca, e seu coração esmagou contra o próprio peito, como se a traição estivesse voltando contra si. Seu pai nem sempre fora assim, ela lembrava.
Talvez tudo tenha mudado com a morte da sua mãe. Ainda assim, não era um motivo justificável para uma mudança tão brusca. A única outra alternativa era que ele não tinha mudado, mas sempre fora assim.
não voltaria. Ela não queria voltar.
Mesmo que isso significasse morrer ali, naquele telhado sujo, com a gola do casaco encharcada e o braço esquerdo pendendo num ângulo errado. Ela considerava a morte melhor do que ser peça no jogo de um tirano. Fosse ele seu pai ou Grindelwald.
Fracassando em se levantar, puxou a varinha quebrada do bolso. Só restava um terço dela, mas ainda emitia faíscas prateadas. Um último aviso, pensou. Mandem alguém. Por favor.
Mas, antes que pudesse conjurar qualquer feitiço, escutou o som de passos e depois uma voz alta ecoar ordens.
— Atrás dela!
Ignorando toda a dor e a poça de sangue que se encontrava no telhado sujo, levantou-se, gemendo baixinho. Olhou para baixo e encontrou os seguidores de Grindelwald.
franziu o cenho. Não deveria ter sido encontrada tão facilmente e em um local tão específico quanto a que estava no momento. O pai tinha contado para os leais sobre a sua fuga e a tornou um alvo, compartilhando a sua localização.
Seu pai.
engoliu a seco e colocou a mão no bolso. Retirou de dentro o medalhão da sua mãe, que sempre carregava consigo, não importava para onde fosse. Seu pai sabia disso. Sabia que não existia a menor possibilidade dela tirar aquele medalhão em nenhuma hipótese e, por isso, usou a magia de rastreamento nele. Era assim que ele sabia onde ela estava.
Antes que pensasse sobre qualquer coisa, se deparou com dois seguidores no telhado, vindo em sua direção. fechou os olhos por um segundo, sendo obrigada a tomar uma decisão que partiria o seu coração. Quando abriu os olhos novamente, livrou-se do medalhão de sua mãe com lágrimas nos olhos e tentou correr antes que os seguidores a alcançassem.
Mas não conseguiu ir muito longe. Escorregou no próprio sangue, fazendo o telhado ceder. O resultado foi seu corpo indo direto de encontro à um chão sujo e empoeirado, perdendo a consciência por um instante. No entanto, ela não estava sozinha.
Não pelos seguidores de Grindelwald a seguindo como uma criminosa, mas por dois bruxos desconhecidos que estavam ali em uma missão pessoal. Os Scamander não tinham em mente que aquela pequena missão fosse se transformar em uma tentativa de resgate e o confronto contra os seguidores de um bruxo que estava em fuga e procurado por todos os Ministérios da Magia do mundo inteiro.
Porém, de alguma forma, acabaram ali.
Antes de despencar do telhado, Theseus, atento, percebeu a movimentação suspeita do lado de fora. Ele andou ligeiro até uma janela com os vidros quebrados e espiou, deparando-se com quatro homens se dispersando na rua. Um deles estava apontando para o telhado, gritando algo que ele não entendeu.
— Newt — ele sussurrou o nome do irmão mais novo, chamando a sua atenção. — São seguidores de Grindelwald.
Era possível reconhecer isso. Não que houvesse algo óbvio que entregassem os seguidores do bruxo, mas Theseus era um auror bastante experiente e reconhecia a postura daqueles seguidores como se eles fossem um só. Passou um tempo revirando o Ministério britânico atrás de muitos deles, afinal, antes de se juntar fielmente à guerra que prosperava no mundo bruxo.
— Como… — Newt estava prestes a formular uma pergunta, mas nunca terminou.
O som de algo caindo o interrompeu e os dois irmãos olharam na direção de onde vinha o barulho. Impulsivamente, Newt segurou sua mala com mais firmeza e tomou à frente do caminho, mesmo que Theseus sempre o instruísse a não sair assim. Ele deixou sua varinha de prontidão e seguiu o irmão mais novo até chegarem do outro lado do cômodo que, depois de uma boa varredura e arrumação das sujeiras de móveis quebrados, indicava que ali era um antigo salão.
Encontraram no meio do cômodo um corpo feminino caído e inconsciente. Os dois se aproximaram com cautela. Os fios ruivos estavam espalhados pelo rosto de , a bochecha com um novo corte. Newt percebeu o pano rasgado da sua camisa em seu ombro, encharcado de sangue, a mesma coisa seguindo para a lateral de sua barriga.
— Ela não parece estar com ele — Newt disse, depois de observar.
Theseus varreu os olhos pela figura feminina, as íris brilhando de pura desconfiança. Ele sempre tinha o bom senso — ou assim chamava — de nunca confiar de primeira em qualquer pessoa. Achava que sua atitude era justificável, considerando o cenário atual que alarmava o mundo bruxo.
— E não sabemos quem ela é — ele completou.
Newt olhou para ele rapidamente. Mesmo que quisesse, não teve tempo de argumentar nada. A porta da frente do local abandonado rangeu, denunciando o movimento de alguém. A julgar pelos homens que Theseus viu lá fora, só podia ser um deles.
— E se estiverem atrás dela? — Newt questionou.
Theseus travou a mandíbula.
— Estão atrás dela — afirmou, respondendo a pergunta do irmão mais novo como se fosse óbvio. — Que grande coincidência nos deparar com seguidores de Grindelwald e de repente uma desconhecida cai do teto toda machucada.
Vozes vinham de algum lugar dali. Nenhum dos dois conseguiu identificar o que estava sendo dito. Newt puxou sua varinha e a deixou de prontidão, olhando para o irmão mais velho rapidamente.
— Então sabe o que fazer.
Theseus fechou a expressão ao se dar conta do que aquilo significava. Newt apontou mais uma vez para o corpo de no chão e deu um passo para frente. Quando um homem alto invadiu aquela parte do cômodo e viu os irmãos Scamander perto do corpo de , atacou primeiro.
— Protego! — Newt se prontificou em lançar o feitiço de defesa.
Theseus murmurou algo inaudível, mas bastante irritado, e se prontificou em abaixar e puxar o corpo de , levantando-a. Manteve-a em seus braços e desviou de um feitiço, se protegendo atrás do irmão mais novo, que revidou.
Os dois correram pelo lado oposto, saindo por uma porta que outrora era a saída de emergência. Theseus segurou o corpo de com firmeza, ao mesmo tempo que dava um jeito de também segurar a sua varinha. Não esperava que precisasse usar; teria que confiar que seu irmão os protegeria.
Quando finalmente conseguiram chegar até a rua, deserta e quase enevoada, os três seguidores restantes já estavam ali. Os homens cercaram-os um de cada lado. Theseus bateu contra as costas de Newt, ouvindo o gemido de ecoar, ainda desacordada, sujando a manga de seu sobretudo escuro de sangue. Ela não era tão pesada, mas estava começando a ficar preocupado com os ferimentos da desconhecida.
— Devolvam a garota — um deles disse —, e ninguém se machuca.
Se havia algo que os irmãos Scamander não poderiam fazer era exatamente aquilo: confiar na palavra de um seguidor de Grindelwald. Eles eram desleais e nunca hesitavam em usar feitiços perigosos e proibidos, a única intenção sendo justamente machucar os outros. Não havia a menor possibilidade de um deles ceder àquela ameaça.
— Acho que sabem que nós não faremos isso — Newt disse.
Antes que Theseus pudesse dizer alguma coisa ao seu irmão sobre escapar daquela pequena emboscada, uma explosão de luz cercou os seguidores e, menos de um segundo depois, Theseus escutou-os gritar. Alguma coisa pequena e veloz derrubou os três homens no chão e jogou suas varinhas pra longe.
— O que é isso? — disparou.
Newt apenas se apressou em recolher a criatura de volta para a mala.
— Não queira saber — respondeu o irmão. Levantou a varinha e apontou para cada um dos seguidores em sequência. — Incarcerous.
As cordas conjuradas prenderam os seguidores caídos. Um deles urrou de raiva, lançando um olhar furioso para Newt, que não se importou.
— Vocês estão cometendo um erro! — ele esbravejou, o rosto quase completamente vermelho. — O General jamais vai deixar ela livre.
Theseus o encarou.
— Quem é o General?
Mas o homem apenas riu.
E, nos seus braços, tremeu, gemendo de novo. Newt olhou para ela, a mão estendida sobre sua testa, testando a temperatura do corpo dela.
— Theseus, não temos tempo — ele avisou ao irmão, interrompendo qualquer interrogatório que ele pudesse impor. Não havia como ele incorporar seu lado auror ali. — Acho que ela está entrando em choque.
Theseus hesitou.
Ele encarou o homem mais uma vez e depois olhou para a desconhecida em seus braços. Bastou apenas erguer o rosto para Newt pra tomar aquela decisão. Ele assentiu, seguindo o mais novo pelas ruas desertas, tentando não pensar no que tinha acabado de acontecer e em como aquela pequena missão pessoal tinha se tornado em uma coisa completamente diferente. Não tinha ideia no que tinham se metido.
Mas estavam prestes a descobrir.
Continua...
alerta: perigoso vicío de ficar escrevendo com Theseus Scamander!!! preciso de uma reabilitação urgente. te vejo na próxima
Beijos estrelados! 💫
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