Autora Independente do Cosmos ✨
Atualizada em: 12/09/2025
MVP é uma honraria concedida ao jogador de melhor desempenho em uma competição, seja ela um campeonato inteiro, uma partida específica ou uma equipe.
já conhecia aquele roteiro de cor.
Em pé perto do vidro da sala VIP da equipe, seu olhar observador mirava todas as jogadas calculadas dos jogadores presentes em campo. À prova de som, a mulher não conseguia ouvir o barulho das torcidas, mas ela claramente enxergava todas as cores misturadas em branco e vermelho, denunciando o tom da marca dos dois times se enfrentando naquela noite eufórica de Champions: Arsenal contra o Real Madrid. O time inglês estava levando a melhor em campo, calando todos aqueles que acreditavam que eles seriam amassados pelo time espanhol, sempre o favorito do campeonato. O placar já estava em 4x0, mas embora a vitória do time inglês fosse um fato único a ser prestigiado por si só, não se importou com aquilo.
Ela estava mais interessada naquele que estava se consagrando o destaque da partida.
Seus olhos acompanharam os movimentos dele sem parar. Era ridículo o quanto ela nem sequer piscava, como se isso fosse fazê-la perder qualquer passe mínimo dele ou o menor dos seus movimentos. Ela não perdeu o primeiro gol dele. Um lance de falta perfeito que o fez marcar seu primeiro gol na posição. Foi tão perfeito que sequer parecia que ele nunca tinha feito aquilo. Pareceu ainda mais surreal quando, um tempo depois, ele repetiu a mesma goleada de antes, levando seu time à vitória e seu nome ao MVP da partida.
O espetáculo se engrandecia mais ainda por ser uma semifinal. O Arsenal não estava só levando a melhor da partida; eles estavam eliminando o Real Madrid da Champions League. E isso era um feito muito grande, algo que seria colocado na história da Champions, que seria lembrado por temporadas futuras.
ajeitou o crachá pendurado no pescoço, verificando que a partida já estava quase no fim. Não havia a menor chance de o Real Madrid conseguir virar os quatro gols do Arsenal em alguns minutos, ainda que o futebol fosse imprevisível àquele ponto, mas os desgastes dos jogadores em correr por noventa minutos em campo sem parar contribuíram para um cansaço que não os permitia operar milagres. Bastava o time espanhol aceitar a derrota e, de quebra, a eliminação.
Quando o cronômetro marcou os acréscimos, ela saiu da sala e desceu por uma escada que à levava ao térreo. Dali, fora das paredes cobertas à prova de som, a mulher conseguia ouvir a euforia ensurdecedora do estádio tremendo, os gunners explodindo em êxtase, comemorando a vitória implacável do seu time.
— A equipe está pronta? — questionou quando chegou perto da entrada do estádio.
Um homem segurando a câmera olhou para trás, abrindo um sorriso gentil e pequeno quando percebeu a presença dela. devolveu um sorriso mais discreto, sempre fingindo que não percebia o interesse do fotógrafo, mas o olhar malicioso de Jane, do outro lado, nunca a deixava esquecer. A agente de marketing da UEFA virou-se para a amiga, ignorando o olhar do fotógrafo, esperando que ela respondesse à pergunta.
— Tudo certo — Jane respondeu. Ela olhou para o relógio de pulso. — Vai acabar em 3… 2…
A contagem regressiva terminou quando o apito final soou dentro do campo. Jane sorriu e balançou a cabeça, porque ela sempre acertava a contagem específica do apito final. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Rick apareceu em seu campo de visão.
— foi eleito MVP — ele anunciou. — Preparem tudo.
Como se ela não soubesse que ele levaria aquele destaque.
Ele brilhou na partida e ainda levou o próprio time à vitória, garantindo a vaga para a próxima fase do campeonato, mas nada disso foi o suficiente para preparar para os próximos passos do seu trabalho. Ela é quem entregaria o troféu. Um protocolo que ela com certeza sabia de cor, às vezes fazia tudo no automático, mas daquela vez, era diferente. A mulher respirou fundo, ajustou a postura e assistiu quando a equipe de mídia começou a correr para posicionar o backdrop e os fotógrafos se reuniam, se empurrando em posições que garantissem a eles o melhor ângulo das fotos.
— Aqui.
Jane apareceu bem na sua frente, estendendo o troféu que ela deveria entregar ao jogador inglês. pegou com as duas mãos, sentindo o peso, algo a se concentrar, para esquecer as batidas erradas do seu coração com a expectativa de estar frente a frente com de novo. Em dias de jogos, eles quase sempre se esbarravam pelos corredores. Ele também fazia questão de cumprimentá-la no meio de dezenas de pessoas, destacando o seu sorriso atencioso, o olhar sempre demorando nela muito mais do que o normal.
Eles nunca tinham parado, de fato, para conversar. Tudo o que existia entre eles eram aquelas pequenas interações, insuficientes, mas que impregnou em ambos uma atração física involuntária, inocente, crescendo sem que os dois percebessem.
— Obrigada, Jane — murmurou, aumentando o seu sorriso.
— Por que está nervosa? — Jane disparou, uma sobrancelha erguida. — Você já fez isso, tipo, mil vezes.
franziu o nariz, encarando a amiga com uma expressão que Jane considerou um pouco indecifrável.
— Não estou nervosa.
Jane olhou para baixo, indicando a perna de balançando de um jeito frenético. A mais nova sempre achava engraçado que nunca percebia os próprios sinais de nervosismo, o que mostrava que ela fazia aquilo inconscientemente.
A agente de marketing seguiu o olhar da mais nova e bufou, parando de balançar a perna quando percebeu.
— Não estou nervosa — voltou a garantir, frisando. Balançou a cabeça só o suficiente para afastar os fios de cabelo para trás. E então, tentando fugir do olhar analítico da amiga e mudar de assunto, completou: — Como eu tô?
Jane olhou para ela por um instante longo demais, mas decidiu deixar o assunto guardado para depois. sabia que não ia conseguir fugir das suas perguntas minuciosas, mas só o fato de Jane não ter disparado todas ali já era um alívio. Ela não precisava de um interrogatório quando estava prestes a entregar o troféu de player of the match ao cara que fazia seu coração dar uma batida fora do tom.
— Tá gostosa. Vai lá.
riu, balançando a cabeça; ajeitou o blazer mais uma vez e saiu, deixando Jane para trás. Ela se colocou no seu lugar de sempre, esperando o jogador inglês aparecer. Tudo ao seu redor estava agitado demais, mas se havia uma coisa que estava acostumada nos bastidores da UEFA era a agitação. A euforia acompanhava todo mundo, sempre andando lado a lado com a correria do trabalho de cada um, exercendo a sua função para que tudo e cada coisa funcionasse no seu devido lugar.
E um segundo depois, em seu momento de distração, apareceu na sua frente.
Bem na sua frente, dois palmos mais alto que ela.
prendeu a respiração por um momento, esquecendo tudo ao seu redor, seu campo de visão focando somente em uma coisa, somente nele, na forma como o uniforme do time estava colado ao seu corpo, manchado de grama, terra e suor, parecendo um lembrete visual do seu esforço na partida. O olhar dele mirou nela por uma fração de segundo, o canto dos lábios se erguendo em um sorriso discreto antes de virar e posar para as câmeras. Foi só quando teve noção da sua realidade e pigarreou baixinho, assumindo a sua postura profissional.
— Parabéns — ela disse, mantendo o tom de voz neutro e profissional. Os músculos das bochechas se contraíram só um pouquinho para devolver o mesmo sorriso discreto.
estendeu o troféu com as duas mãos, sempre seguindo o protocolo. aceitou com um meio sorriso que nunca alcançava seus olhos nas fotos, como se fosse proposital, mas era sempre diferente vê-lo sorrindo ao vivo.
A mulher abaixou as mãos, mantendo-as na frente, em uma postura discreta. Era sempre uma falta de educação sair bruscamente depois que entregava o troféu, mas mesmo que quisesse fazer isso, seus pés jamais lhe obedeceram. E ela sempre ficava para a parte inicial das fotos.
— Obrigado — ele respondeu, a voz rouca e exausta, vibrando mais do que o necessário nos ouvidos de . — Mais um para a estante de coleções.
Os flashes das câmeras estouraram, cegando os dois por alguns segundos. Fazia parte da sua função manter a composição da imagem e realizar uma entrega eficiente. Depois de posar ao lado dele entregando o troféu, a expressão sempre calculada, ela se afastou só alguns passos para não sair nas fotos que estavam tirando dele sozinho. Ela assistiu ele posar com o troféu pequeno ao lado do backdrop azul da UEFA. Quando os fotógrafos se dispersaram pouco tempo depois, não perdeu tempo em olhar de volta para ela.
Foi como se os dois estivessem sozinhos ali, mesmo com centenas de pessoas ao redor, que não prestavam atenção neles. passou a língua pelo lábio, contendo a vontade de morder a pele. A formalidade era como um véu fino rodeando os dois e ela se perguntou como seria rasgar ele.
— Você nunca sorri para as fotos — ele disse, a observação honesta pegando-a de surpresa.
— Ah, eu… — Ela coçou a bochecha, tentando relaxar os ombros. — Costume, acho.
Deu de ombros, buscando uma casualidade que também não estava acostumada em seu ambiente de trabalho. Na verdade, sua função específica ali geralmente não a deixava tão próxima dos jogadores. Ela estava sempre por trás dos bastidores, o único contato sendo no momento da entrega do troféu MVP, mas mesmo isso era de uma formalidade pura com qualquer jogador.
não conseguia entender, racionalmente falando, porque com era tão diferente. Suas mãos não suavam tanto quanto naquele instante.
— Espero que eu não tenha te deixado desconfortável por sorrir tanto — ele brincou. — Não devo ter contrastado com a sua seriedade.
Ela evitou rir, mas não conseguiu, o som escapando do fundo da sua garganta.
— Você acabou de destruir o meio-campo do Real Madrid. Me deixar desconfortável por sorrir demais é o menor dos seus problemas.
Foi a vez dele rir, o som vibrando pelo corpo inteiro de , o canto dos olhos dele quase fechando com os seus lábios repuxados em um sorriso tão cruelmente sincero.
— Então você presta atenção nos jogos.
Ela arqueou uma sobrancelha, colocando as duas mãos para trás do corpo, dando espaço para um assistente passar por eles.
— É o meu trabalho — apontou o óbvio.
— E quando não é trabalho? Ainda assiste?
Geralmente, evitava ter como hobby algo que também era o seu trabalho. A pergunta tinha uma resposta que estava bem na ponta da sua língua, mas ela não se sentiu muito inclinada a confessar que assistia as partidas que ele jogava. Bastava uma substituição tirando-o do campo que ela desligava a TV.
Mesmo assim, ela não teve a oportunidade de responder o que quer que fosse. Um dos assessores do Arsenal surgiu de repente, chamando-o para a entrevista pós-jogo que sempre acontecia. assentiu e, ao passar pela mulher, inclinou-se apenas o suficiente para murmurar de modo que só ela ouvisse:
— Se fizer parte do seu trabalho, espero que esteja por perto na final.
engoliu a seco.
Ele se afastou, deixando-a no mesmo lugar de antes, estática, assistindo-o ir embora. Ela sentiu falta do peso do troféu pequeno em suas mãos, um fantasma de um toque que nunca sentiu.
— Eu estarei — sussurrou para si mesma, como se fosse uma promessa.
já não usava a mesma roupa de antes e nem nada que tivesse a logo da UEFA estampada em qualquer parte do corpo. Seu rosto estava mais suave, sereno, os ombros até um pouco mais relaxados. Os fios do cabelo estavam soltos em ondas perfeitas e um vestido preto moldava o seu corpo, um batom carmim pintando os seus lábios, completando o seu visual mais casual, ao invés daquela rigidez profissional que o seu trabalho exigia.
Ela não deveria estar ali.
Geralmente quase nunca comparecia a essas festas de comemoração que o time vencedor organizava depois da partida, algo privado só para pessoas selecionadas. Gente da comissão técnica do time, da mídia social, os jogadores e alguns funcionários da UEFA compunham o quadro privado de participação, mas embora quase sempre recebesse um convite, ela quase nunca ia. Não que não gostasse daquele tipo de ambiente; era só que, de alguma forma, ela tentava não se enfiar tanto no mundo daqueles jogadores, ao contrário de Jane, que fazia questão de aproveitar toda e qualquer oportunidade de se envolver com um jogador, independente de que time fosse.
Mas Jane insistiu em arrastá-la até ali. A amiga foi responsável, inclusive, pela sua produção e escolha da cor do batom. Disse que seus cabelos soltos a deixava duas vezes mais bonita, principalmente se ela sorrisse só um pouco mais. Ela tentou lutar contra o convite e a vontade de permanecer no quarto de hotel, enfiada em um pijama confortável enquanto assistia a alguma reprise de Friends, mas não dava para fugir muito de Jane.
— Vai querer beber o quê? — Jane perguntou ao seu lado.
O bar não estava cheio. O local era agradável, as luzes suaves, e estava cedo demais para estar lotado, mas um número considerável de pessoas já se encontrava presentes no local, a maioria com copos de bebidas na mão conversando entre si. não só conseguia ouvir o som melódico da música, como também os sussurros de vozes ecoando cada vez que passava perto de alguém até chegar à bancada do bar.
— Eu vou de… — Ela analisou suas opções, encarando a prateleira de garrafas de vidros, indecisa sobre o que queria naquela noite.
— Não diga coquetel — Jane interpôs, um olhar de julgamento direcionado à agente de marketing ao seu lado.
meio riu, meio bufou, revirando os olhos. Não entendia qual era o problema de Jane contra o coquetel, mas decidiu não optar por aquela bebida para começar. Talvez em algum momento, quando Jane estivesse distraída demais com algum jogador de 1,80 metro, ela se deliciasse sozinha com o coquetel.
— Por favor, faça as honras — disse, jogando a decisão para Jane.
Jane abriu um sorriso convencido de aprovação. quase se arrependeu, mas não ia voltar atrás. Ela só observou, em um silêncio julgador, a sua amiga pedir tequila, sal e limão para o barman. A língua de queimou ao lembrar o gosto daquilo, mas não de um jeito bom, considerando que seu gosto para álcool era sempre limitado.
— Você está interessada em me embebedar? — provocou, com um sorriso.
Jane mordeu a parte interna da bochecha, mexendo apenas um ombro em uma meia resposta.
— Estou interessada em te ver se divertindo — ela começou a dizer, olhando ao redor, o dedo em riste girando em um círculo discreto entre as duas, apontando para as pessoas presentes ali. — De preferência, com alguém daqui.
— Qual o seu problema em eu me divertir com gente de fora?
Jane reprimiu a vontade de revirar os olhos e, enquanto a bebida não chegava, virou de costas e se dispôs a encostar contra a bancada do bar, de modo que pudesse ter a visão privilegiada da pista.
— Fala sério, , olha o tanto de opções que você tem aqui. Não precisa de Tinder — Jane replicou, o tom de voz quase indignado. — Um jogador mais gostoso que o outro, e você é bonita, pode levar qualquer um deles para cama sem o menor esforço, vai por mim.
acreditava naquilo, claro. A fama dos jogadores sempre os precedia. Talvez fosse exatamente por isso que evitava quase sempre se envolver com qualquer um deles, embora não fosse tão rígida a ponto de não querer quebrar as próprias regras. Mas ela precisava saber como, quando e com quem valia a pena cruzar os limites.
E quase como se fosse o destino querendo lhe mostrar que estava na hora de ultrapassar mais um limite, ela virou o rosto no mesmo instante em que passou pela porta do acesso VIP direto para a pista, acompanhado de um colega de time. O jogador inglês se juntou a um pequeno grupo, sem nenhuma bebida na mão, mas com um sorriso encantador no rosto, o casaco branco envolta do corpo realçando a sua beleza em contraste com os fios de cabelo muito bem penteados para trás.
Vermelho e branco realmente era a cor dele.
— …e também tem aquele italiano ali que… ?
A voz de Jane despertou a mulher dos próprios devaneios. Ela piscou os olhos e virou o rosto para , soltando um murmúrio questionador, sem ter nenhuma ideia do que Jane tagarelou no último minuto. Esperava que não fosse nada importante, mas considerando o contexto da conversa, com certeza não era.
— Você ouviu tudo o que eu acabei de falar?
coçou a bochecha, a língua umedecendo os lábios pintados.
— Não sei, algo sobre os jogadores? — ela arriscou.
Jane abriu aquele sorriso. balançou a cabeça, tentando impedir o que sairia da boca da amiga nos próximos segundos, mas não foi rápida o bastante para Jane mostrar que pegou-a no flagra quando não resistiu em dar uma última olhada no jogador inglês do outro lado.
— Tá caidinha pelo , né? — Jane provocou.
soltou um gemido de desgosto involuntário, de repente torcendo muito por aquela tequila. Não importava se a bebida descesse rasgando pela sua garganta, o ardor até seria muito bem-vindo diante daquilo.
Porque caidinha não era bem a palavra.
Ela sequer entendia toda a dimensão da atração que sentia por aquele homem. Não podia ser considerada normal, embora soubesse que era. Era super normal. Pessoas se atraíam uma pela outra o tempo todo.
— Eu não usaria essa palavra.
— Tudo bem, ele é um gostoso mesmo — Jane completou, virando-se de frente para a bancada do bar quando o barman chegou trazendo o pedido. Ela agradeceu, assistiu ele sumir novamente e empurrou o copo de até ela. — Eu posso fazer a ponte entre vocês dois e…
— Não estamos no ensino médio, Jane. — riu, pegando sua tequila. — E não falei que estava interessada em ficar com ele.
Jane olhou para a amiga com um pouco de descrença. Quando um movimento chamou a sua atenção, ela olhou rapidamente para , voltou a olhar para ela e pegou sua tequila, o limão e o sal, fazendo menção de se afastar.
— Bom, vai ter que dizer isso a ele você mesma, porque ele está vindo para cá — Jane avisou, se afastando. — Me manda mensagem qualquer coisa!
— Não… o quê?
Ela tinha levado o copo de tequila até a boca, mas o aviso de Jane a pegou de surpresa, o susto fazendo com que derrubasse um pouco do líquido alcoólico em seu vestido. Ela olhou para o estrago, mas deu pouca importância, procurando Jane com os olhos, que não estava mais perto de si, sumindo do seu campo de visão como um ponto se afastando cada vez mais. xingou baixinho e temeu olhar para o lado e encontrar quem desejava, entrando em conflito, mas ela não precisou esperar muito.
Ele parou bem ao lado dela, bem onde Jane estava segundos antes.
O cheiro do perfume dele foi a primeira coisa que ela sentiu, o aroma chegando primeiro que ele. Em seguida, ela engoliu a seco e, ainda inebriada pelo cheiro delicioso dele, reuniu coragem de encará-lo, o rosto nivelando ao dele, só para encontrá-lo com aquele sorriso nos lábios, que fazia seus olhos ficarem pequenos diante das suas bochechas se esticando daquela maneira.
— Espero que não tenha sido por minha culpa — foi a primeira coisa que ele disse, brincando, apontando para o vestido dela, agora um pouco molhado do líquido de tequila.
umedeceu os lábios, como se isso fosse realmente acalmar o seu sistema nervoso. Ela não disse nada por alguns segundos, mas seus olhos estavam nele, fixados no rosto dele, tentando não se distrair muito com o cheiro do perfume que ele exalava, um aroma incrivelmente prazeroso de sentir.
Ou talvez ela só estivesse atraída demais, então tudo nele, aos seus olhos, não teria defeitos.
O perfume podia ser doce, forte, puro álcool… não se importava.
— Não — mentiu, virando-se só o suficiente para o balcão, alcançando um pouco do guardanapo. — Foi da Jane.
Um xingamento baixinho saiu da sua boca, direcionado à sua amiga, mas ele não ouviu. passou o guardanapo na direção do líquido no vestido, mas não adiantou de muita coisa, então ela só desistiu e aceitou a derrota. O cheiro não estava tão forte. Os ombros dela cederam de frustração, no entanto, não durou muito.
— Foi só um contratempo — ecoou. — Isso não arruinou a sua beleza. Você está linda com esse vestido.
Graças a Deus, a iluminação daquele local não estava grande coisa, o que permitiu não deixar que o jogador visse as bochechas dela rosadas. não costumava ser tímida ou coisa do tipo. Era simplesmente ridículo a forma como ela reagia a ele.
— Obrigada, .
Ela tentou conter o sorriso, enquanto ele exibia o dele. Os dois se encararam em silêncio, como se não houvesse um mundo, uma pequena multidão ao redor deles, mal ouvia qualquer som que não fosse a sua respiração ou a sua pulsação acelerada. Seu sangue não tinha um pingo de álcool, mas parecia que ela tinha consumido uma grande porcentagem pela tontura que sentia. A sensação passava lentamente e ela observou os movimentos calculados do jogador quando ele se encostou contra a bancada do bar.
— Estou surpreso de te ver aqui — ele admitiu. — Pelo que me lembro, você quase nunca aceita comemorações privadas, certo?
A boca de se esticou em um sorriso, um pouco mais relaxada.
— Parece que alguém andou prestando atenção em mim — ela provocou, em tom de brincadeira.
esfregou o lábio com o polegar, dando de ombros de um jeito muito sutil, quase imperceptível, como se não se importasse de ter sido pego. Ele não estava ali para fugir de nenhuma confissão. Se permitisse, ele se debruçaria inteiro em confissões que jurou guardar para si mesmo, mas adoraria murmurar todos os seus pensamentos febris por cada parte da pele dela.
— É até um pouco vergonhoso admitir que eu meio que não tiro os olhos de você quando sei que está por perto — admitiu outra vez, pegando-a de surpresa pela confissão inesperada. Ela não saberia nem como começar a demonstrar o quanto aquilo era ridiculamente recíproco. — Presto atenção em você o tempo todo, .
Sustentando o olhar, não percebeu que ele sutilmente se aproximou. Tudo ao seu redor pareceu sumir, seu campo de visão sendo somente o jogador inglês que não pediu permissão para invadir os seus sonhos. Se perguntassem, a agente não saberia dizer como aquela atração começou; a princípio, parecia uma coisinha inocente, do tipo que só bastava achar o cara bonito, charmoso e pronto, era só seguir a sua vida.
Mas era bombardeada de conteúdos de o tempo todo. Nas redes sociais, principalmente, mas o Arsenal sempre se destacava nas vagas da Champions, o que oportunizava a presença dele fora do espaço virtual. E ela simplesmente não conseguia ignorar a presença dele. Nem se quisesse muito, porra.
— Estamos em público — foi tudo o que ela disse quando percebeu que ele estava próximo demais.
A distância era muito curta. Ela não conseguia mais sentir nenhum cheiro que não fosse o perfume dele exalando direto para as suas narinas, reivindicando o sentido para si. sentia que não conseguia raciocinar direito, os lábios secos, embora ainda pintados, os pelinhos dos seus braços levemente arrepiados.
tentou não rir, achando graça.
— Isso é um problema para você?
Era?, ela pensou.
Mas nenhuma resposta plausível vinha. Em algum lugar dentro do seu cérebro minúsculo, ela sabia que havia algo sobre não se envolver com jogadores e colegas de trabalho e se enquadrava em uma das suas regras — não tão rígidas —, mas ela pensou se seria mesmo tão ruim passar por cima daquilo. Um dos seus requisitos para quebrar suas próprias regras era o cara valer a pena. Muito a pena.
E … bem, ela não tinha dúvidas.
— Profissionalmente falando? — rebateu.
— Pessoalmente falando.
As coisas mudavam de ponto de vista, dependendo da resposta. E a dele atingiu um ponto que ela não estava esperando. Profissionalmente parecia sempre mais complicado, pessoalmente falando… era só uma escolha pessoal.
Ela olhou ao redor. Ninguém prestava atenção neles, reforçando a sensação de que o mundo parecia ter parado de orbitar ali, jogando-os em uma bolha própria só deles.
— Não acredito que você está flertando comigo aqui — disse, balançando a cabeça, voltando a olhar para ele.
piscou.
Ele quebrou mais um passo de distância, ousando, com a ponta dos dedos, dedilhar a pele do braço exposto dela. Um toque sutil, leve, quase íntimo. Não o suficiente, mas não exagerado.
— — ele chamou o nome dela em um murmúrio que a arrepiou. A diferença de altura não era gritante, mas ela precisava levantar o pescoço levemente para alcançar o rosto dele. Talvez precisasse ficar um pouco na ponta dos pés se quisesse alcançar os seus lábios. — Eu me pergunto o quão horrorizada você ficaria se conseguisse ler os meus pensamentos e descobrisse as coisas que eu penso sobre você. Que eu quero fazer com você. E elas não são nada inocentes.
sentiu a boca seca, o som da pulsação forte ecoando muito perto do seu ouvido. Ela agradeceu mentalmente que as outras pessoas estavam socializando e a parte do bar, a parte onde eles estavam, estava parcialmente vazia. Ninguém vinha pegar uma bebida e parava ali, sempre pediam algo e vazavam.
— Tipo o quê? — ela se viu perguntando, querendo saber.
Meu Deus, ela morreria para saber sobre cada um dos pensamentos dele. Sobre qualquer coisa que ele pensava sobre ela. Cada mínimo detalhe.
— Você quer que eu diga? Aqui?
Ela piscou os olhos duas vezes. Pensou sobre a resposta dele, se afastou dois passos e chamou o mesmo barman de antes, pedindo uma dose de tequila, que não demorou muito a ser servida. Ela precisava de um pouco de álcool, molhar um pouco a garganta, qualquer coisa que a desse coragem o suficiente para o que estava prestes a fazer. Ela tentou procurar Jane com o olhar, mas a amiga devia estar com a boca colada na de algum jogador italiano gostoso, como ela sempre costumava dizer. Ao contrário de , Jane nunca desperdiçava suas oportunidades e nunca negava os seus desejos.
Mas naquele instante, enquanto virava a dose de uma vez e agradecia ao barman, ela virou o rosto e olhou para , decidindo que ele não era uma oportunidade que deveria ser desperdiçada. Ele era um cara que ela desejava há algum tempo e se negava a ter qualquer coisa. A correr qualquer risco.
Naquela noite, ao invés de negar e enterrar os seus desejos, ela decidiu se entregar a eles.
— Não — finalmente respondeu a pergunta que ele fez. — Eu tenho uma proposta melhor. Eu quero que me mostre.
Continua...
nota estrelada da autora: Sem nota!
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