Autora Independente do Cosmos ✨
Atualizada em: 27/12/2025
Virginia, EUA - horário desconhecido
VÉSPERA DA VÉSPERA DE NATAL
SE ORGULHAVA DE MUITA COISA NA SUA VIDA, mas estar à beira de um surto não era uma delas. Ela sentiu a mão tremer contra o volante do carro, desejando estar segurando uma taça de vinho tinto que pudesse apagá-la na próxima hora seguinte, só para não ter que pensar nos seus problemas. Ou melhor, nos casos inacabados que, uma hora ou outra, acabava lhe tirando a paz.
Em dias nublados e frios como aquele, quando tudo no dia tinha sido uma merda completa, ela parava para se questionar como foi tão fácil seguir a carreira de agente do FBI sem pesar todos os contras. Não havia uma resposta certa e, de qualquer modo, ela não se arrependia da escolha. Tinha sido só um dia ruim.
Dias ruins costumavam acontecer com frequência na sua vida muito antes de decidir ser uma agente especial.
A mulher respirou fundo e finalmente decidiu sair do carro, já estacionado dentro da garagem da casa. Ali dentro estava menos frio, mas mesmo assim, quando chegou na sala, ela ligou o aquecedor e tirou a jaqueta do corpo, livrando-se dos sapatos. O cabelo já estava amarrado em um coque alto. Ela ficou parada perto do sofá por um instante, como se estivesse decidindo o que fazer em seguida: podia preparar um banho quente que iria relaxá-la; ou podia ir direto para a cozinha e atacar a pizza fria que tinha sobrado do dia anterior, quando não queria cozinhar. Enquanto ainda pensava, seu celular tocou do bolso do casaco, despertando a sua atenção. buscou o aparelho e, verificando o nome na chamada, não hesitou em atender a ligação.
— Você sabe que horas são? — cumprimentou com uma voz arrastada que indicava seu cansaço.
Ela passou uma mão pela nuca, esfregando a pele, a outra mão segurando o celular contra a orelha esquerda. Na verdade, a agente não tinha ideia de que horas eram, mas sabia que estava tarde o suficiente para ninguém com bom senso ligar para outra pessoa, a não ser que fosse uma emergência. Mas sabia que não era.
— Não importa a hora, , você sempre atende — sua irmã respondeu do outro lado da linha.
Ela quase riu. Incapaz de tomar uma decisão quanto ao banho ou comida, ela desistiu e se jogou contra o sofá.
— Justo — murmurou, concordando. — O lado bom de ter insônia.
Puxando a almofada para o meio das pernas, ela se aconchegou mais ainda contra o sofá.
— Você fala isso como se fosse uma coisa boa.
— Atender ligações em horários impróprios ou ter insônia? — questionou, meio confusa.
Do outro lado da linha, sua irmã mais velha respirou fundo, mas não se importou com a piadinha. sempre sabia do que ela estava falando, mas tinha aquela mania irritante de se desviar do assunto.
— Mesmo tendo um dia merda, é impressionante como você consegue manter o bom humor.
— Isso não é bom humor — replicou, bufando. Ela abriu a boca para continuar argumentando, mas desistiu. — Ah, merda… O que você quer, Trisha?
Houve um momento de silêncio seguido da pergunta. A agente não insistiu para que a irmã respondesse. O silêncio significava que Trisha estava decidindo se responderia à pergunta sinceramente ou se continuaria enrolando mais um pouco. Por fim, ela optou pela primeira opção.
— Vou me casar, — avisou, com um tom de voz contido. — Sei que pode parecer repentino para você…
— Não é.
— …Mas eu e Kyle estamos pensando nisso há algum tempo. E eu sei que as coisas estão uma merda para você, pelo menos no trabalho, mas eu também não queria esconder esse momento da minha vida. Não quero que o fato de eu estar feliz compartilhando isso seja…
se remexeu contra o sofá, sentindo-se, de repente, um pouco egoísta. Tudo que sua irmã estava dizendo era que considerou esconder o seu casamento para que ela não se sentisse deslocada ou algo do tipo, principalmente por causa do fiasco que estava a sua vida, mas nada daquilo era culpa de Trisha. sempre deixou claro que o fato dela reclamar de algumas partes da sua vida não significava que Trisha não podia compartilhar suas próprias coisas com ela.
— Tris, pare, sério — interrompeu, levantando-se do sofá, sentindo a necessidade de tomar um café bem quente agora. — Olha só, você é minha única irmã e alguém que eu vou amar minha vida toda. Você não devia estar hesitante em me mostrar que está feliz pra caralho, só porque estamos em momentos diferentes da vida. Desculpa por sempre estar despejando toda a minha merda em você, mas isso não me impede de estar feliz por você estar noiva, Tris.
A mais nova soltou o ar pela boca, depois de despejar todas aquelas palavras. Que droga, ela esperava que sua irmã mais velha entendesse aquilo de uma vez por toda e parasse com aquela besteira. andou até a cozinha, mas um barulho vindo do lado de fora chamou a sua atenção.
— Você aprova? — Trisha perguntou, finalmente.
— Porra, não sou sua mãe — revirou os olhos, mas havia um resquício de humor no tom da sua voz. — Não tenho que aprovar nada, mas se minha bênção é tão importante para você, vá em frente. O Kyle é o cara mais sortudo por ter te encontrado.
Ela ouviu a risada da irmã, tentando continuar prestando atenção no que a mais velha começou a falar, enquanto se aproximava da janela da sala. Ela afastou a cortina, olhando para o lado de fora, verificando se havia alguma coisa errada, mas estava tudo deserto. Era um bairro tranquilo e não havia ninguém no jardim ou perto. O barulho não devia ter sido nada demais, mas quando estava prestes a continuar o seu caminho em direção à cozinha, um objeto no chão, perto da porta, chamou a sua atenção.
— ? — sua irmã chamou, a voz parecendo distante.
Alguém tinha jogado um polaroid por debaixo da sua porta. O coração de disparou instantaneamente e ela engoliu a seco. Se fosse o que ela estava pensando, não era nada bom. Ela se aproximou, pegando o polaroid entre os dedos, analisando o conteúdo da foto.
— Puta que pariu.
— ?
Ela não respondeu. Sua mão tremeu em alerta, enquanto seus olhos continuaram analisando a foto do polaroid. Era uma garota jovem, como as vítimas anteriores, amarrada e amordaçada, os olhos embaçados de lágrimas.
— Trisha, eu te ligo depois! — avisou, sem dar tempo da sua irmã se despedir, encerrando a ligação.
Meio atrapalhada, ela procurou o número decorado na discagem rápida, esperando que o homem atendesse.
— ? — O homem atendeu no quinto toque, a voz meio incerta. — É você?
No espaço em branco do polaroid, havia uma data escrita em vermelho. Vinte e cinco de dezembro de dois mil e vinte e cinco. Ainda era dia vinte e três.
A data indicava o dia da morte da vítima da foto. tinha menos de 48 horas para impedir que aquilo acontecesse.
— Ele voltou.
Continua...
Acho que eu já nem levo crédito mais por dizer que não vou mandar coisa em andamento, então, anyway, espero que gostem! 💫
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