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Autora Independente do Cosmos ✨
Atualizada em: 20/07/2025

amistoso, convite e lesão


— Achei que fosse precisar consolar você mais uma vez.
Bruno sorriu ao me observar parada perto da entrada que levava ao vestiário masculino; eu estava encostada contra a parede, com os braços cruzados e um sorriso nos lábios, como se estivesse esperando-o ali propositalmente. Enquanto ele não aparecia, eu cumprimentava todos os seus colegas de seleção que passavam direto por mim a caminho do vestiário. Eu podia, claro, tê-lo encontrado ainda no ginásio, mas estava tumultuado demais e sempre preferia um lugar mais calmo.
Principalmente quando era uma multidão cercada de fãs do levantador; eu simplesmente preferia me manter afastada, enquanto ele era recepcionado por outras mulheres, dando-as a atenção devida, como um bom e excelente ídolo.
— Só posso ganhar um consolo se perder alguma partida? — ele rebateu, com humor.
Arqueei as sobrancelhas.
— É isso que significa consolar — expliquei, com uma expressão óbvia.
Ele crispou os lábios, como se tivesse sido pego, e parou na minha frente, imitando a minha posição ao encostar-se contra a parede também. Eu podia ver que ele se sentia um pouco cansado depois de uma partida demorada, mas aparentemente, ele nunca se cansava de me dar um pouco de atenção.
— Que bom que você conseguiu vir — ele disse.
Não contive o sorriso que surgiu nos meus lábios; um sincero, que explicava que eu estaria em qualquer outro lugar que ele pedisse.
— Claro. Você sabe que eu prefiro quando o campeonato começa, de fato, e que não tenho muita paciência para amistosos, mas você insistiu tanto... — provoquei.
Ele tentou beliscar a minha bochecha levemente.
— Vamos, não seja tão modesta — replicou, enquanto eu tentava me afastar do seu toque. — Estava morrendo de saudade de mim também.
Revirei os olhos, incapaz de discordar daquele bendito fato. A última vez que eu o vi tinha sido no baile da Vogue, ainda no Rio, em que perdemos quase o tempo inteiro da festa se escondendo juntos em um banheiro do terceiro andar. É claro que eu sentia falta dele.
— Não tenho como mentir, tenho? — rebati, fingindo fazer pouco caso.
Bruno balançou a cabeça, desdenhando o meu gesto e adotou uma expressão suave no rosto.
— Quanto tempo pode ficar?
Descruzei os braços, mostrando o meu pulso esquerdo e o pé direito enfaixados, como se aquela já fosse uma resposta.
— O tempo que eu quiser, na verdade — respondi, soltando um suspiro de lamentação. — Estou fora de campeonatos e treinos pelos próximos dois meses e meio.
Não era algo com que eu estava feliz, mas aconteceu. Eu não podia me forçar a continuar treinando e correr o risco de piorar as lesões e, consequentemente, acabar com a minha carreira na ginástica. Eu precisaria obedecer, a contra gosto, o médico.
— Como você conseguiu duas lesões ao mesmo tempo? — Bruno questionou, como se duvidasse da minha capacidade de me manter sã.
Deixei os ombros caírem, acompanhado de um suspiro derrotado.
— Não foi ao mesmo tempo, espertinho — retruquei. — Minha perna já estava ruim de uma lesão anterior, mas eu não comentei nada com ninguém. Me forcei a continuar treinando, mas algum movimento piorou a dor da lesão e acabei caindo em cima do meu pulso e tcharam! Outra lesão de brinde.
Ele me encarou.
— Que proeza impressionante, — ironizou.
Não era muito comum que ele fosse irônico, mas como sua melhor amiga, eu estava acostumada.
— É, pois é.
— Já que isso significa tempo livre para você, o que pretende fazer?
Bruno passou o braço pela testa, uma mania que ele tinha, visível principalmente dentro da quadra, o tempo todo limpando o suor da pele. Era justamente por isso que ele usava mangas longas pretas por debaixo do uniforme da seleção. O movimento quase me distraiu, meus dedos coçando para tocá-lo.
— Eu não sei, voltar para Recife, talvez — respondi, meio vaga.
Eu realmente não tinha planejado o que faria no meu tempo livre. Deveria estar acostumada com férias forçadas daquela maneira, uma vez que não era a primeira vez que eu tinha lesões, mas eu nunca planejava nada.
— Venha comigo — Bruno soltou.
Pisquei meus olhos, meio surpresa com o convite repentino. Engoli a seco e assumi uma expressão confusa, esperando mais dois homens passarem por nós dois para falar.
— O quê?
Ele umedeceu os lábios antes de responder. Sua linguagem corporal me avisou que ele estava confiante e que não era a primeira vez que pensava sobre o assunto.
— A Liga das Nações vai começar — finalmente explicou; mas aquilo era óbvio, eu já sabia. — Você pode me acompanhar nas partidas do campeonato. Assistir a todos os jogos. Ficar comigo.
A última frase teve efeito: meu coração disparou como um idiota e precisei disfarçar para que ele não percebesse que tinha me afetado. Era terrível começar a agir daquela maneira, e o pior de tudo: eu não sabia por que agia daquela maneira.
— Ah, não sei se é uma boa ideia — respondi, coçando a minha bochecha.
Não era uma boa ideia por inúmeros motivos, mas, estranhamente, não consegui pensar em nenhum que me impedisse de aceitar o seu convite.
Ele não pareceu abalado. Se aproximou de mim o suficiente para tocar o meu braço, acariciando a minha pele, como sempre fazia. A intimidade palpável entre nós era uma coisa que eu gostava muito. Não havia como ficar desconfortável perto daquele homem; era só mais um dos inúmeros motivos pelo qual ele se tornou o meu melhor amigo.
— O campeonato não dura muito tempo e você ainda volta a tempo de passar uma temporada com a sua família — argumentou, na tentativa de me convencer. — Fique essa semana aqui em Brasília e, antes de seguir para a próxima fase, em Bulgária, você pode me dar uma resposta.
Eu não precisaria de uma semana para decidir. Não tinha orgulho de afirmar que bastava ele me presentear com o sorriso de sempre e eu aceitava qualquer coisa para passar um tempo restante ao seu lado. Mas eu não disse aquilo.
Ao invés disso, sorri e acenei, concordando com a sua condição.
E, desde então, já lamentava pelos conflitos internos que iriam me acompanhar quando se tratava dele.




Continua...


nota estrelada da autora: Tenho essa fanfic há muito tempo na minha cabeça e na minha gaveta, então tenho um carinho ENORME por ela. espero que finalmente eu tenha a oportunidade de finalizar ela aqui e que vocês gostem tanto quanto eu de embarcar nessa jornada. um beijão estrelado e até a próxima!💫

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