Independente do Cosmos🪐
Última Atualização: 24/05/2026colocou os brinquedos na estante e virou o corpo.
Segundos depois, ouviu uma risadinha contagiante que a fez sorrir mais do que de costume. estava ali, parado perto da porta da brinquedoteca com um sorrisinho travesso no canto dos lábios rosados.
— Oi, tia !
A chamou, não deixando de correr em direção aos braços da mulher que os abriu para abraçá-lo.
se abaixou para receber os bracinhos do garotinho, quase sendo contagiada pela felicidade dele.
Deixou o olhar cair sobre os cabelos dourados, os olhos azuis como o oceano e as bochechas vermelhinhas pelo frio que fazia nas ruas londrinas naquele dia.
Foi impossível não sorrir ao vê-lo ali. Entre os pequenos que frequentavam o local, era um dos seus favoritos, sempre sorrindo, mesmo cansado da rotina que tinha durante a semana.
E, mesmo sabendo exatamente de quem ele era filho, tentava ao máximo esquecer o fato de que o casal quase sempre aparecia na brinquedoteca para levar o filho.
Ambos em dias separados, claro.
se sentia um pouco desconfortável toda vez que ou iam buscar . Não que ela não gostasse deles, pelo contrário. Eram pessoas amigáveis, simpáticas, sempre agradecendo pelo cuidado com seu garotinho. Mas, tinha algo nas visitas que a deixava inquieta, alguma coisa que ela preferia não procurar saber e deixar que toda curiosidade fosse levada para longe na atenção que podia dar ao garotinho.
De longe, observou a cabelereira loira da sra. sumindo pela entrada da Fun4Kids e, como de costume, não se surpreendeu com aquilo. era uma modelo conhecida e parecia dar tudo de si pela sua carreira. Tanto que, poderia contar nos dedos quais os dias conseguiu trocar algumas palavras com a mulher, dando notícias de e suas atividades no lugar.
E , bom, parecia ainda mais ocupado que ela. Fazia parte de uma banda famosa, que era apaixonada, valia lembrar, e nas vezes que apareceu na brinquedoteca, veio carregado de fotógrafos e alguns seguranças.
Mas, por mais que admirasse de todas as formas, precisava admitir que sua ausência na vida de era decepcionante.
Respirou fundo.
Apesar de tudo, sabia que não era ela quem deveria julgar as decisões do casal.
Para ser sincera, só queria o melhor para , queria vê-lo feliz e amado, pois o garotinho merecia mais do que tudo. E não conseguia entender como alguém conseguia ser capaz de deixá-lo em segundo plano, como faziam.
— Ei, — passou os dedos pelos fios loiros do menino, os ajeitando. — Como foi seu dia? Se divertiu?
recuou um pouco, com os olhos azuis brilhando.
— Foi incrível, tia ! Teve uma caça ao tesouro na escola e eu encontrei um tesouro de verdade!
— Caramba, , que demais! — respondeu, na mesma animação. — Você é um explorador incrível, sabia?
— Eu sou, né?
Ela assentiu, deixando uma risadinha escapar.
deu uma última olhada para e saiu para brincar, outra vez. Dessa, com um sorriso nos lábios, o mesmo de quando viu sua tia quando chegou à brinquedoteca.
Continuou observando brincar por mais algum tempo, se deixando levar pelos próprios pensamentos. Apesar de todas as preocupações em sua mente, o sorriso radiante de conseguia amenizar qualquer que fosse a apreensão.
Ele merecia toda a felicidade do mundo e faria o possível para garantir que ele a encontrasse, mesmo que fosse só nas poucas horas que passava na brinquedoteca.
Ficou ali, o observando por mais alguns segundos até que Joanna se aproximasse, com a expressão séria provavelmente já adivinhando o que se passava na cabeça de .
— parece mais animado a cada dia que vê você aqui.
sorriu ao ouvir a amiga, sentindo o coração quase derreter.
Ela tinha uma conexão inegável com , e ver que ele ficava aliviado quando estava ali com ela, a deixava ainda mais contente.
— Ele é uma criança maravilhosa, né? — disse, com o olhar ainda fixo no garotinho. — Parece até que ele traz um brilho extra quando chega aqui.
— Seria ainda melhor se os pais dele vissem isso também. Não sabem o que estão perdendo por não passar mais tempo com o filho.
ficou quieta por meio segundo, sem saber o que pensar.
— Nós não sabemos como é a rotina deles, Jo. E não quero julgar ninguém também.
Joanna deixou os olhos caírem sobre . Claramente aquela era uma das coisas que mais admirava na amiga; a capacidade de simplesmente ignorar as preocupações maiores por conta dos pequeninos que brincavam ali, e isso incluía os assuntos ligados à seus pais.
só ignorava qualquer que fosse a questão que pudesse magoar ou decepcionar as crianças, diretamente.
— Você tem razão, mas… Isso não é triste? — questionou. a olhou. — É difícil não ficar um pouquinho chateada vendo tão radiante aqui e sabendo que os pais não estão presentes pra presenciar isso.
balançou a cabeça, concordando.
— Eu sei, mas… O que importa é que estamos aqui pra ele, certo? E isso tem sido suficiente.
Joanna deixou o corpo descansar em uma das enormes almofadas coloridas e continuou a observar as crianças brincando ao redor delas.
Notou se divertindo, agitado, com os coleguinhas por perto e em como aquilo parecia deixar satisfeita só de ver.
— Ele parece estar se divertindo muito.
— Parece mesmo. Quase como se quisesse gastar todas as energias aqui — riu fraco, pegando uma bola plástica que havia sido jogada em sua direção, a devolvendo — É bom vê-lo assim.
— Acho que o mais legal nisso tudo é que, além de amar esse lugar, ele ama você. É incrível ver como vocês dois se entendem tão bem.
sentiu um calorzinho dentro do peito ao ouvir as palavras de Joanna. Se sentia ainda mais feliz em saber que era notável o quão cuidadosa e atenciosa ela era não só com , mas com as outras crianças também.
— Obrigada, Jo — agradeceu, erguendo o corpo. ajeitou o macacão que usavam como uniforme e olhou para a amiga. — Mas não é como se eu tivesse conseguido isso sozinha, né?
Deu uma piscadela.
Joanna sorriu, ainda levando na brincadeira. Sabia o quão era grata por toda sua ajuda na Fun4Kids. Mesmo tendo se conhecido na empresa, há poucos anos, tinham criado uma amizade para o resto da vida.
— Então juntas somos uma dupla imbatível.
Afirmou, arrancando uma gargalhada da mulher ao seu lado.
— Parece que sim — balançou a cabeça. — E essa dupla ainda tem muito o que fazer por hoje.
Joanna parou do seu lado, assim que se levantou e deixou um sorrisinho animado aparecer.
— Hora de colocar as crianças pra cansar!
Uma música tranquila tocava pelos cômodos da Fun4Kids quase como se não fosse perceptível para quem quer que estivesse ali. Ao redor, várias crianças brincavam espalhadas pelo chão forrado com tatame colorido e macio.
estava sentada no chão, da forma mais confortável possível e estava do seu lado, deitado de barriga para baixo, aparentemente concentrado em montar um Lego baseado em algum personagem da Disney, além de estarem cercados de blocos de construção e bonecos.
Só que, ao contrário de quando chegou, parecia um tanto cabisbaixo para o garotinho divertido que conhecia bem.
— Ei, , você tá quietinho aí. Tudo bem?
Ele continuou olhando para as minúsculas peças.
— Ah, tia … Eu tava pensando…
— Hm… Você estava pensando o quê? — perguntou, interessada.
O garotinho suspirou, deixando o olhar cair sobre rapidamente antes de voltar a focar nos brinquedos.
— É que... Tem hora que sinto falta de ter meus pais mais pertinho, sabe? Meus amigos falam que passam o tempo todo com os pais deles e eu…
pressionou os lábios e parecia forçar olhar para baixo, só para não ter que olhar para com seus olhinhos tão tristes.
E aquilo havia partido o coração de .
A mulher colocou uma das mãos em seu ombro.
— Tá tudo bem, . É normal sentir falta dos seus pais, principalmente quando você vê outras crianças com os delas. Mas você sabe que tem muitas pessoas aqui que te amam e cuidam de você, né?
— Eu sei, tia . Gosto muito de você. Gosto muito de brincar com você também.
Sorriu de canto.
sentiu o coração esquentar com as palavras sinceras de e ainda mais com o sorriso adorável que ele deu logo depois. Se abaixou para ficar na altura do garotinho e segurou suas mãos, com calma.
— E eu gosto muito de você também, . Brincar com você é sempre uma das melhores partes do meu dia, sabia?.
— Sério?
Perguntou, já segurando uma risadinha. Seus olhos azuis brilhavam.
Ela assentiu, sorrindo de canto.
— Claro que é. A gente sempre se diverte muito, você não acha? Ainda mais com esse tantão de brinquedo.
assentiu mais animado que antes.
— Obrigado, tia . É muito legal ficar aqui com você. E montar tooodo esse Lego com você — ele abriu os braços, o que fez a mulher rir só de ver como o simples o deixava extremamente feliz. — Você é uma das melhores tias do mundo, tia !
sorriu, se sentindo grata por ter momentos como aquele em seus dias. Amava o que fazia e conseguia amar ainda mais quando tinha crianças como junto dela.
— Não precisa agradecer, . Você também é muito especial pra mim.
O garotinho pareceu não ter ouvido muito bem a última frase já que voltou a se concentrar totalmente nas peças que se encaixavam.
o observou mais uma vez antes de se levantar e, assim que colocou os olhos no relógio, se deu conta de que logo já seria hora de ir para casa.
Não só ela, como também.
— Nos vemos na sexta!
Disse, para uma das crianças que se despedia arduamente ao passar pela saída da Fun4Kids, acompanhada por seus pais.
permanecia do lado da porta, observando cada uma delas ser recebida na saída.
Mesmo ainda de pé, observava sentado em um dos banquinhos na recepção, onde costumavam ficar esperando até que seus pais chegassem.
Percebeu que o garotinho já estava agasalhado e esperava pacientemente. Seu rosto tinha uma expressão tranquila, como se tivesse aceitado a falta dos seus pais sem questionar. E que, mais uma vez, estavam atrasados.
parecia já estar acostumado à rotina de esperar, como se fosse algo normal de acontecer, mas sabia que por trás da expressão tranquila, seus olhinhos brilhantes deixavam evidente como estava chateado.
Se perguntou o que sentia, sentado ali, vendo todas as outras crianças irem embora com seus pais, enquanto os seus pareciam sempre atrasados ou ausentes. Imaginou se ele se perguntava por que seus pais nunca chegavam na hora certa, ou se ele se preocupava se eles iriam mesmo buscá-lo.
Ela sentiu seus olhos arderem levemente. Não achava justo com o garotinho, da mesma forma que também não queria julgar seus pais sabe-se lá o porquê.
Respirou fundo.
Como cuidadora de , tinha a responsabilidade não só de cuidar dele enquanto estava na brinquedoteca, mas também de ser alguém confiável no seu dia a dia, ainda mais nos momentos em que seus pais não estavam por perto.
Justamente como aquele.
Suspirou de leve, se sentando do lado dele.
— Oi, . Tá com frio?
Os olhos azuis do garotinho se redirecionaram para ela.
— Não, tia. Até que tá bem quentinho aqui — abraçou o próprio corpo.
sorriu, achando graça na sua inocência.
— Que bom que tá se sentindo confortável.
Inevitavelmente, sentiu se aconchegando um pouco mais ao seu lado, dividindo o calor de seu casaco quentinho enquanto esperavam juntos.
E, antes que pudesse dizer mais alguma coisa, a porta da brinquedoteca se abriu novamente, deixando mais à mostra. notou o quão cansada ela parecia estar.
— Boa tarde, . Oi, !
— Boa tarde, .
respondeu, acenando. Sabia que não devia ser fácil para ela também. sorriu, sem mostrar os dentes e ficou em pé.
— Oi, mamãe.
— Sinto muito pelo atraso, meu amor. Prometo recompensar de alguma forma. Desculpe o atraso, , mais uma vez.
— Não se preocupe. Tá tudo bem. estava se divertindo muito, não é, ?
O pequeno assentiu rapidamente.
balançou a cabeça, agradecida.
— Fico feliz em saber. Obrigada por cuidar dele, . Até mais.
Se virou para ir embora, mas logo se apressou em abraçar a brinquedista rapidamente, antes de se despedir.
o abraçou apertado.
— Até logo, . Tenha uma boa noite com a mamãe.
sorriu, não só com os lábios, mas com os olhos também. Era lindo de se ver.
— Tchau, tia . Obrigado por brincar comigo.
Ela sentiu o coração apertar com o que ele havia dito. Ele não tinha que agradecer por algo tão pequeno como aquilo. Era o mínimo que poderia fazer.
Não só ela, mas seus pais também.
— Não precisa agradecer desde que eu te veja na sexta, hein?
Ele balançou a cabeça, assentindo animado e, com uma última olhada e aceno de , os dois se afastaram. Mesmo que a relação entre e fosse um tanto complicada, sabia que tinha amor ali, de algum jeito, mesmo sendo um tanto complexo de entender.
Quando finalmente passaram pela porta da saída, sentiu alguém parar do seu lado. Se virou até ver Joanna, com uma expressão pra lá de engraçada.
— Argh. Não consigo gostar dessa mulher.
— Joanna! — levou uma das mãos até a boca da amiga. As duas se entreolharam e começaram a rir. — Acho que ela só é um pouco incompreendida. Acontece.
— Incompreendida é uma palavra educada pra descrever . Mas sério, , eu fico me perguntando se ela tem algum tipo de emoção.
riu outra vez, sabendo que Joanna só imaginava o mesmo que muitos ali pensavam sobre .
Talvez até ela também.
— Não sei. E é melhor a gente não ficar falando disso agora, temos muito o que fazer antes de irmos embora. Tá vendo aquela sala? Você começa por lá.
— Eu?! — Joanna reclamou. — Ah. Tudo bem! Mas só porque você insistiu.
Deu uma piscadela, arrancando um sorrisinho de canto da amiga.
respirou fundo, pensando em antes de terminar de arrumar a brinquedoteca.
Talvez a confusão da família fosse maior do que pensava.
