Capítulo Um
Don't know if I'm ready, oh
I can feel it like the waves crashing down
I know I need to reach up not to drown
Heavy – Emblem3
encarou aquela imensidão azul como se fosse a última vez que a veria.
E, de certa forma, realmente era.
Parecia que não veria toda aquela extensão tão cedo, não quando seus pais estavam à beira do divórcio e sua única opção era escolher com qual dos dois ficar.
Os últimos dias estavam sendo difíceis.
Não conseguia olhar para sua mãe como antes, muito menos tinha forças para chamá-la de tal forma, tão afetivamente. , seu irmão, agia da mesma maneira, mas com o pai. O garoto estava chateado por não ter mais o homem em quem havia se inspirado desde pequeno. Hector aparentava se sentir culpado por ter levado a família àquele ponto e sempre estava discutindo com Norah, a mãe deles.
Mas ela também não parecia cooperar.
soube que algo estava errado desde então, mas teve certeza quando viu Norah chorando baixinho enquanto assistia a um filme qualquer no enorme sofá da sala. Tinha perdido o sono e até chegou a perguntar o que havia acontecido. Norah se limitou a erguer o olhar assustada e, num sussurro, pediu para que a filha voltasse a dormir, repetindo que não precisava se preocupar.
Mas se preocupou.
E também.
Eles passaram vários dias calados, presos na mesma rotina monótona. Hector fazia hora extra boa parte da semana, claramente para evitar ficar em casa. Sua expressão nunca era das melhores e, quando finalmente chegava, fazia sua refeição em silêncio, evitando ao máximo qualquer interação. até tentava puxar conversa, mas não tinha sucesso.
e já haviam desistido de consertar algo que só seus pais poderiam resolver.
Na tarde anterior, ao chegarem em casa, encontraram Hector sentado na sala com Norah. Ambos pareciam exaustos e as olheiras profundas de sua mãe se destacavam. Seus pais pediram que se sentassem nas poltronas de canto e começaram a falar sobre viagens, mudanças e outros assuntos tediosos.
Sem entender muito bem toda a baboseira que saía de suas bocas, olhou para o irmão. parecia ter caído em si, sua respiração oscilava. Ela queria segurar sua mão mais do que tudo, mas ele estava longe, então permaneceu ali parada, encarando os pais.
Norah olhou para Hector e soltou um suspiro pesado. Então, Hector falou de uma vez, tão rápido que parecia ter ensaiado cada palavra.
Os dois estavam decididos.
Realmente iam seguir rumos diferentes. Já haviam entrado com o pedido de divórcio. levantou e os encarou. Seus olhos azuis brilhavam em lágrimas, e seus lábios pareciam querer dizer algo, mas ele apenas se virou e saiu pisando firme até o quarto. permaneceu estática, com o olhar fixo no vão entre os dois à sua frente.
— Você entende, querida? — ouviu a voz da mãe um pouco distante, como um eco. Balançou a cabeça, ausente, quase como se estivesse no piloto automático. Olhou para Hector, esperando qualquer explicação a mais, mas nem um olhar reconfortante conseguiu ver em seu rosto. A única coisa que lhe restava era seguir para o quarto, assim como havia feito.
Seus dedos percorreram o cabelo molhado enquanto respirava fundo, sentindo a maresia encontrar sua pele ainda com resquícios da água salgada.
Deixou que alguns grãos de areia voassem em seu rosto, sem se preocupar com isso, considerando tudo o que acontecia.
Os olhos escuros da garota observavam o mar mais uma vez antes de se levantar, ainda sentindo a nostalgia pesar em seu peito.
Retirou a prancha fincada na areia e a ajeitou debaixo do braço, decidida a voltar para casa de uma vez por todas, independentemente do que fosse acontecer no final daquele dia. O fim de tarde continuava exageradamente quente, deixando à mostra o céu colorido.
havia mostrado a beleza dessas tardes na praia e, desde então, não conseguia voltar sem tirar os olhos do céu.
Caminhou poucos metros até avistar sua casa, e o som da vizinhança começou a se tornar mais presente, mesmo que raramente fosse silenciosa. Os motores dos carros costumavam ser uma trilha sonora naquele bairro de São Francisco.
Já tinha se acostumado.
Passou pela pequena calçada que separava uma residência da outra e seguiu até a garagem, depositando a prancha em um canto qualquer. Não demorou muito para que logo estivesse subindo as pequenas escadas e adentrando a residência.
Quando colocou os pés no piso frio, sentiu o corpo estremecer ao ouvir algo quebrando.
pressionou os lábios e os olhos, procurando por alguém. Ainda que desejasse piedosamente que seu irmão aparecesse para explicar o que estava acontecendo, não encontrou ninguém ali.
— Estúpida! É isso o que você é! — Hector gritava.
A mais nova olhou para o corredor e viu Norah caminhando em direção à sala, com o rosto inteiramente vermelho.
— , saia daqui agora — O pai continuava a dizer, autoritário.
Ela franziu o cenho, ainda sem entender o que acontecia para que ambos estivessem tão exaltados daquele jeito. Percebendo sua confusão, Hector seguiu até onde a garota estava e agarrou seu braço com força.
O reflexo de tentar se soltar só a fez machucar ainda mais.
— Não a machuque, Hector! Por favor. Você vai deixar algum roxo — Norah mencionou, com a voz embargada.
Dessa vez, seu rosto, que antes estava avermelhado, agora estava imerso em lágrimas. Norah sempre fora tão bonita, com um sorriso vívido nos lábios. Doía demais vê-la daquele jeito, tão quebrada e sem vida.
— Cale a boca. Você acha mesmo que ainda vou te dar ouvidos? Que vou escutar uma vagabunda como você? — ele gritou.
Hector balançou seu braço mais uma vez e, antes que pudesse voltar a encará-lo, ouviu o barulho da porta dos fundos.
estava com os olhos fixos no pai, transbordando raiva e ódio. Hector a soltou e voltou a atenção para Norah. Isso fez com que tivesse a oportunidade de se aproximar de , examinando-a minuciosamente, como se procurasse algum outro machucado além do que estava visível em seu braço.
— Você tá bem? — perguntou.
balançou a cabeça, confirmando. O irmão passou as mãos pelo cabelo, tentando colocar seus pensamentos em ordem.
— Preciso que vá para o quarto agora, . Por favor.
— O que? Por quê? — o encarou, confusa.
Ele apenas balançou a cabeça, como se planejasse dar explicações mais tarde, e decidiu seguir suas instruções. Caminhou o mais rápido que pôde até a porta do quarto, mas antes de entrar, espiou. havia seguido até Hector e os dois estavam frente a frente.
O pai parecia estar à beira de perder a cabeça, o que acabou acontecendo.
Quando hesitou em falar com a mesma intensidade, um tapa certeiro acertou sua bochecha.
— O que pensa que está fazendo, imprestável?! — vociferou Hector, transbordando de raiva. manteve o olhar firme. — Não quero mais olhar para a sua cara. Não quero mais ver o filho desprezível que tenho dentro de casa. Você e ela — Apontou em direção a .
A garota colocou uma das mãos na boca, sentindo a garganta se fechar em um nó de angústia. Como ele podia ser tão cruel?
— Bêbado maldito — murmurou entre os dentes, enquanto Norah permanecia de pé, próxima aos dois, sem saber como reagir.
se virou, ignorando qualquer outra reação do próprio pai. Olhou para e, ao se aproximar, segurou seus braços delicadamente. Ela observou seu rosto, notando a marca roxa na bochecha esquerda.
O choro começava a se fazer presente dentro de .
— Arrume suas coisas. Pegue tudo o que puder. Nós vamos embora.
— , o que… Nós não… E a mamãe?
Ele segurou o rosto da irmã com as duas mãos. Seus olhos azuis pareciam querer dizer tanto, mesmo sem forças.
— Não questione, . Não quero e não aguento mais isso. E sei que você também não — ela engoliu em seco, tentando controlar as lágrimas. — Vamos sair desse lugar. De uma vez por todas.
assentiu. Mesmo com o coração apertado, resolveu não questioná-lo e entrou em seu quarto, olhando para todos os lados, se sentindo perdida tanto pelo que acontecia quanto dentro de si mesma.
A primeira coisa que avistou foi a mochila do colégio e decidiu pegá-la, colocando a maior quantidade de roupas que pudesse. Fez o mesmo com a mala de viagem, enchendo-a com os demais pertences que encontrava pela frente.
A verdade era que não conseguia raciocinar muito bem, e mesmo tentando focar no fato de que queria sair dali com ela o mais rápido possível, ainda conseguia ouvir a voz exaltada de sua mãe no outro cômodo. As discussões acaloradas entre seus pais faziam parecer que o mundo acabaria só pelas palavras que trocavam.
Pressionou os olhos, fechando-os com força.
Era demais para os dois.
Observou seu rosto rapidamente ao passar pelo espelho. Assim como sua mãe, ela também tinha grandes olheiras. A expressão cansada e sem o brilho de antes refletia a exaustão que sentia.
engoliu em seco, tentando evitar que os pensamentos ruins tomassem conta de sua mente naquele momento.
Colocou o restante dos objetos e pertences que achou necessários na mala. Antes de fechar o guarda-roupa, notou uma caixinha colorida onde costumava guardar recordações. Não demorou muito para pegá-la. Dentro, havia fotografias, um diário antigo e uma bolsinha preta onde guardava algumas economias. Decidiu colocá-la no fundo da mochila.
Antes de fechá-la por completo, avistou uma fotografia jogada ao fundo, um tanto amassada. Quando percebeu do que se tratava, sentiu o choro fraco se tornando presente.
Na foto, ela e estavam sorrindo. Norah a abraçava sorridente, e Hector tinha um dos braços em volta de seu irmão, também sorrindo. O dia estava bonito, e não pareciam ter nenhum problema para se preocupar.
Era só aparência.
Sentiu uma lágrima escorrer por sua bochecha e logo tratou de enxugá-la. Precisava urgentemente acabar com aquilo. não esperaria mais um minuto naquela casa.
E ela também não.
Fechou a mochila, colocando-a junto da mala branca. Como se pensasse o mesmo que ela, apareceu.
Ele entrou, a encarando.
— Precisamos sair agora — comentou. Ele tinha uma das mãos apoiada à porta. — Conseguiu pegar tudo?
— Não tudo, mas o necessário — respondeu ela, dando de ombros e caminhando em sua direção. — ?
Ele estava abrindo a porta do quarto quando a ouviu. Virou o rosto, preocupado.
— E a mamãe? — perguntou novamente, desta vez com a voz mais falha. Suspirou, passando uma das mãos nos cabelos claros. — Você sabe que ela não tem culpa e…
— ... — se aproximou, levantando uma das mãos até o rosto dela. Seus olhos mostravam que era seu último fio de esperança. A garota balançou a cabeça minimamente e ele a abraçou, se afastando em seguida. — Pegue as coisas e me espere. Eu já volto.
Ela o viu se afastar e colocou a mochila nas costas, se preparando para estar o mais longe possível da casa que costumavam chamar de lar. Notou boa parte dos cômodos em silêncio. Não era um bom sinal.
Decidiu ir até o corredor e logo viu vindo atrás, também com sua mochila, a mala e sua bolsa de academia.
Quando passou pela irmã, ambos seguiram até a sala. Hector se levantou de onde estava sentado, com o cenho completamente franzido. A expressão dele mudou. Antes entristecido e perdido, agora parecia furioso, e aquilo estava começando a assustá-la.
— Onde pensam que estão indo? — perguntou Hector, parando à frente deles. — Acabem com essa palhaçada agora e vão para o quarto. Os dois! — gritou, apontando para o corredor.
Norah não estava mais na sala, provavelmente trancada no quarto.
— Quem você pensa que é? — elevou a voz. — Você acha que pode chegar impondo uma ordem que não existe? Que nunca existiu?! — se aproximou de Hector. Ela sentiu seu corpo congelar, sem conseguir acreditar no que acontecia à sua frente. — Você nem mesmo tem sido um pai presente. Canalha! — gritou a última palavra. Segundos depois, o rosto de recebeu um soco pesado. Hector não havia digerido suas palavras para agir.
sentiu o coração apertar, dilacerar. Como ele podia?
parecia ter caído em si momentos depois, quando virou o rosto para encarar o pai novamente.
Ela desviou o olhar de seu irmão para Hector. O mais velho estava desnorteado.
retomou a postura, com o rosto inexpressivo.
— Espero que sinta orgulho disso, Hector — disse, e deu as costas logo depois.
pegou a mala caída no chão e levantou o olhar até ela, sem falar nada. Aquela era sua deixa para deixar claro que não aguentaria mais nada daquilo.
Ela olhou para o pai uma última vez. Seus olhos agora estavam vermelhos, mas nenhuma palavra saía de sua boca.
Sem pensar muito, seguiu até a porta da frente e, assim que pôde, alcançou o irmão no meio da rua. andava sem olhar para trás.
Decidido como nunca.
— Podemos pegar um ônibus para a estação. De lá conseguimos um trem que não vai demorar muito para chegar a Huntington — disse, ainda olhando para frente.
Ela só conseguia assentir.
Só então percebeu que sua visão começava a embaçar por causa de todos os sentimentos guardados em seu coração.
dobrou a esquina, onde algumas pessoas esperavam o transporte assim como eles fariam. Ele parou um pouco mais afastado do aglomerado, colocou a mala no chão e respirou fundo.
Respirou fundo uma, duas, três vezes. Parecia tentar controlar o furacão dentro de si.
A mais nova conseguia sentir seu coração tamborilar, quase como se pudesse ouvir as batidas claramente em seus ouvidos. Seu peito ardia e os olhos faziam o mesmo.
Já não era possível conter mais o soluço e, percebendo, se virou.
O semblante do garoto mudou na hora que se deu conta do que acontecia. Quase como se o desespero começasse a se tornar presente.
Sem dizer alguma coisa, ele se aproximou. E seus braços agarraram o corpo da irmã, em um afago que só conseguia proporcionar.
As lágrimas caíram ainda mais.
Sentiu os dedos do garoto caminhando por seus cabelos. Ele suspirou em seguida.
— Tudo bem. Tudo bem. Não precisa chorar, — afastou seu rosto e olhou em seus olhos. — Sempre vou estar aqui.
Ela deixou seus olhos o observarem. Do jeito que o conhecia, faria de tudo para mantê-los seguros.
Notou a lateral de seu rosto machucada, com um pequeno corte que sangrava. Não muito, mas sangrava, e aquilo era suficiente para que ela sentisse seu coração se despedaçando lentamente.
Sabia que não deixaria transparecer o quão magoado realmente estava e só havia deixado isso ainda mais claro quando tentou sorrir.
tentou sorrir, mesmo depois de tudo.
Ele continuou abraçando a irmã até que o ônibus chegasse. Esperaram que as demais pessoas entrassem no transporte e, ainda na calçada, sentiu o vento frio a abraçar, anunciando a noite que começava a cair.
Subiram no veículo, procurando um lugar vazio e distante para se sentarem. Ele se sentou e ela se aconchegou ao seu lado.
o olhou de canto. Sua expressão era preocupada, o semblante sério e pensativo. Seus olhos estavam atentos ao trânsito, mas ela sabia que sua mente estava um turbilhão de questionamentos.
Os mesmos que ocupavam a sua própria mente.
Era notável o quão sobrecarregado e cansado estava, e ela se sentia ainda mais culpada por isso. tinha que cuidar dela o tempo todo, mesmo que muitas vezes não quisesse ou precisasse.
Respirou fundo, desviando o olhar.
— ? — chamou.
Ele virou o rosto em sua direção. Ficou alguns segundos a observando e tentou sorrir outra vez, como se quisesse transparecer que tudo ficaria bem.
— O que foi?
Ela encostou a cabeça no apoio do assento acolchoado, tentando formular alguma frase que fizesse sentido.
continuava a observá-la, atento.
— Nós vamos ficar bem. Não é?
O rapaz deixou o ar escapar, pressionando os lábios. Seus olhos azulados, agora pareciam não ter tanta vida como costumavam ter, como se tivessem perdido o brilho, assim como os dela.
Sua feição estava pesada, demonstrando tamanha preocupação e inquietação.
E essa era uma das coisas que raramente conseguia ver em seu irmão; aflição.
colocou um de seus braços ao redor da garota, puxando-a para perto delicadamente, enquanto seus lábios depositavam um beijo na lateral de sua testa.
Seu polegar permanecia fazendo um carinho gentil em seu braço.
— Espero que sim, .
Alguns anos atrás…
A areia de Huntington Beach parecia pegar fogo, mas a única preocupação de era correr em direção ao mar enquanto puxava a manga da roupa de neoprene, ainda que suas bochechas estivessem sujas de protetor solar.
Um sorriso estampava o rosto da garotinha ao ver o irmão e seu pai já dentro da água.
— , espere! — Norah gritou, indo atrás da filha que sequer ouvia seu chamado. — O protetor, minha linda.
Quando conseguiu alcançar a pequena, sorriu. A empolgação nos olhos da mais nova era notável.
— Vamos lá, rapidinho — disse, passando mais protetor solar no rosto da filha e ajustando a roupa de neoprene. — Agora sim, você está pronta. Mas lembre-se, fique sempre perto do papai e do , ok?
— Ok, mãe! — respondeu, praticamente pulando de alegria. Antes de se virar e ir em direção ao mar, abraçou Norah com força pela cintura.
Saltitou até a beirada faixa de areia e observou a distância onde Hector e estavam esperando. estava de pé em sua prancha, tentando manter o equilíbrio enquanto o pai o observava. O olhar sempre atento.
— E aí, pai?! O que acha? — exclamou, com um sorriso largo no rosto.
— Só precisa ajustar sua postura e… — Hector colocou a mão nas costas do garoto, o equilibrando. — Está ótimo, , Continue assim! Só mantenha o equilíbrio e vá com calma.
, com os olhos brilhando, correu pela água rasa até chegar perto dos dois. Se aproximou da prancha de , piscando para o irmão enquanto balançava os braços.
— Pai! ! Eu quero tentar também! — disse, se agitando pela empolgação.
Hector sorriu ao ver a filha e se aproximou para ajudar a se posicionar na prancha. fez uma careta fingindo indignação.
— Vamos lá, pequena surfista. Vamos ver o que você consegue fazer… — O homem disse, enquanto ajudava a garotinha a se equilibrar na prancha.
estava parado, observando sua irmã e seu pai atentos ao que faziam. Seu foco, no entanto, era em admirar Hector. Tinha orgulho de seu pai e queria ser como ele.
Também estava atento à irmã mais nova, com receio da mesma se machucar caso caísse.
Os três ficaram na água por um bom tempo em algumas tentativas de conseguirem algumas ondas, mesmo caindo na maior parte delas. Hector gargalhava ao admirar os dois filhos tentando manter o equilíbrio em cima da prancha de surf enquanto Norah, sentada na cadeira de praia, observava a cena com seus olhos brilhando.
A cena era para lá de especial.
Finalmente, após várias tentativas e muitas risadas, os três começaram a se dirigir de volta para a faixa de areia. A tarde estava se transformando em um final de dia incrível, com o sol começando a se pôr e a brisa trazendo a sensação de calma.
, ainda ofegante e sorridente, segurava a prancha com uma mão, mesmo com certa dificuldade e puxava o pai com a outra.
Já estava ao seu lado, rindo e sacudindo a água dos cabelos.
— Isso foi incrível! — exclamou a garotinha, olhando para Hector e com entusiasmo. — Eu adorei!
— Foi ótimo mesmo — concordou , dando um tapinha nas costas de Hector. — Você tá cada vez melhor, irmãzinha. E pai, você é o melhor instrutor de todos!
Quando chegaram à areia, Norah se aproximou, já com a toalha em mãos e a expressão carinhosa em seu rosto.
— Como foi? Aproveitaram bastante?
— Sim! — respondeu em um gritinho, ainda rindo. — Eu amo surfar! Mas sabe o que eu amo ainda mais, mamãe?
sorriu para a irmã, a olhando curioso.
Hector e Norah também tinham a mesma expressão.
— O que, querida? — Norah perguntou.
olhou para seus pais e para , seu sorriso se alargando ainda mais.
— Vocês!
deixou uma risadinha fraca, achando graça na reação da irmã mais nova. Não podia estar mais certo de que sentia a mesma coisa que ela.
Estar ali, com seus pais e irmã, era um dos melhores momentos do seu dia.
Hector se aproximou da filha, a pegando no colo e ouvindo seu grito eufórico.
— Ah, minha pequena — Hector mencionou, envolvendo em um abraço apertado. , como estava perto, também foi abraçado. — Vocês são o raio de sol dessa família.
sorriu ainda mais, rindo pelas brincadeiras do pai. abraçou Hector rapidamente, enquanto sentia um beijo em sua cabeça que Norah havia acabado de dar.
— Nós amamos vocês, crianças.