Tamanho da fonte: |


✮⋆˙Independente do Cosmos✮⋆˙
Última atualização: 24/05/2026

Por mais que eu tenha crescido a minha vida toda na frente das câmeras, eu não conseguia conter o nervosismo que se espalhava por todo o meu corpo enquanto eu esperava que Ellen me introduzisse para que eu pudesse dar minha entrevista. Eu já tinha participado de diversos talk shows – aliás, não era minha primeira vez naquele estúdio, já tinha participado de outras duas entrevistas com Ellen – mas era a primeira vez que eu estava ali sozinha, e era para falar sobre a minha carreira de cantora.
— E com vocês, a promessa inglesa que está causando histeria por todo o mundo. — Ellen fez uma pausa dramática e eu respirei fundo, era agora ou nunca. — .
Sorri abertamente e comecei a andar calmamente na direção da apresentadora. Ouvi os gritos animados da plateia e encarei as pessoas presentes ali, dei um aceno com a mão e voltei minha atenção para o caminho que fazia. Tudo o que eu não precisava era levar um tombo em rede nacional.
, é um prazer recebê-la novamente em meu programa. — Retribui o sorriso de Ellen e acomodei-me na poltrona de frente para ela.
— Você sabe que é só me chamar que eu venho. — Pisquei de modo maroto e ela riu. — Aliás, eu já estava morrendo de saudades da Califórnia.
— Quando foi a última vez que você pisou em solo norte-americano? — questionou.
— Quase um ano atrás, devido a um evento que minha mãe estava organizando — respondi simplesmente. Nos últimos meses eu estive tão concentrada no meu primeiro álbum que eu sequer pensava em qualquer outro assunto.
— Agora conte-me sobre você, da última vez que você esteve aqui, ainda era modelo. — Balancei a cabeça em concordância e observei o telão ao nosso lado mostrar algumas fotos minhas em desfiles. — Como foi largar sua carreira e ir para outra que praticamente não possui qualquer ligação? Exceto a fama, é claro.
— Não vou dizer que foi extremamente fácil, principalmente pelo fato de que eu desfilava desde os meus dezesseis anos, foram longos cinco anos seguindo os passos da minha mãe. — Não pude conter um suspiro, era inegável o quanto eu gostava de desfilar. — Sempre deixei explícito o quanto eu gostava do que eu fazia, mas não era algo me eu me via fazendo daqui a alguns anos.
— E como sua mãe reagiu? Sabemos o quão feliz Donna era por você seguir os passos dela. — Ellen arqueou a sobrancelha ao questionar.
— Diferente do que todos pensam, ela reagiu muito bem e me apoiou totalmente. — Sorri abertamente. — Minha mãe admitiu que queria sim, que eu fosse modelo até que eu me aposentasse das passarelas, mas que o maior desejo dela era que eu fosse tão feliz e realizada profissionalmente como ela.
— Não esperava isso de Donna — Ellen murmurou e arrancou algumas risadas da plateia. — Você sabia que não queria ser modelo, mas como e quando você descobriu que queria ser cantora?
— Bom, eu descobri isso em uma madrugada onde Cara e eu não estávamos nem um pouco sóbrias e resolvemos que iríamos no estúdio do Ralf, um amigo da Cara, e que gravaríamos uma música. — Admiti rindo, eu lembrava perfeitamente daquela noite e do quão loucas nós estávamos. — Nós gravamos uma música juntas e o Ralf me elogiou e perguntou se eu já tinha pensado em seguir a carreira musical.
— E você já tinha pensado?
— Não. — Ri ao ver a careta que Ellen fez. — Mas aí é que está, naquele momento eu achei que seria uma ótima ideia. Até hoje, essa foi a única decisão boa que eu tomei estando bêbada.
— Como foi todo o processo após isso? — questionou e eu suspirei fundo.
— Foi extremamente difícil — comentei sincera ao lembrar das diversas vezes que tinha pensado em desistir antes de sequer lançar meu primeiro albúm. — Eu realmente queria que desse certo e eu me esforcei extremamente para isso, fiz diversas aulas de canto e aprendi milhares de técnicas sobre minha voz, sobre composições e tudo mais. Eu fiquei pouco mais de um ano apenas me capacitando antes de começar a gravar meu primeiro álbum. Eu queria ser realmente conhecida pelo bom trabalho que eu estava disposta a fazer.
— E não foi isso que aconteceu? — Ri ironicamente e balancei a cabeça em sinal de negação.
— Já estava tudo preparado para eu lançar meu primeiro álbum de estúdio com a Lorax, afinal de contas eu não sei se teria descoberto minha vocação para a música sem um empurrãozinho do Ralf. — Sorri, afinal eu seria eternamente grata ao produtor por me mostrar que meu amor pela música ia muito além de apenas escutá-la. — Mas acabou saindo na mídia que eu estava mudando de ramo e então diversas gravadoras entraram em contato comigo.
— Mas isso não é algo ruim, ou é? — questionou visivelmente confusa e eu ri.
— Não. Tanto que quando eu recebi as ligações e os e-mails, eu quase pulei de felicidade. — Dei de ombros. — O problema foi que quando eu os questionei se eles tinham ouvido alguma demo, todas as respostas foram negativas e extremamente similares dizendo, “mas você é , filha de Donna , nada do que você faz é ruim”.
— Mentira?!
Neguei com um balançar de cabeça.
— Infelizmente é muito real. — Bebi um gole d’água da garrafinha que estava próxima a mim. — Eu fiquei muito triste e completamente revoltada. Eu estava me esforçando o máximo para ser reconhecida pelo o trabalho que eu estava fazendo. Não queria, e nem quero, conseguir as coisas de modos mais fáceis só pelo dinheiro que eu tenho ou pelo sobrenome que carrego. Eu quero ser reconhecida como uma boa cantora, se eu for.
— As coisas são complicadas, nós duas sabemos bem como o mundo da fama faz as coisas acontecerem. — Concordei com a cabeça. — Mas veja bem, The Beginning foi um sucesso total, principalmente como seu álbum de estreia. Ele ficou durante três semanas como #1 na Billboard pelo U.S e cinco semanas como #1 no U.K.
— Isso foi uma completa surpresa para mim, nunca que eu imaginei que meu primeiro álbum de estreia seria um sucesso nos Estados Unidos. — falei a verdade, devido a todo o patriotismo americano, eu não imaginava aquela conquista nem tão cedo. — Eu estava rezando para que eu conseguisse um bom público britânico, mas eu não esperava que eu conseguisse realizar minhas metas tão rápido.
— Eu fico muito feliz por você, você merece. — Sorri abertamente e agradeci Ellen, era extremamente realizador receber aqueles comentários. — Eu escutei o seu álbum, e ele é maravilhoso, mas você só tem uma música que fala sobre o amor e eu adoraria saber sobre quem ela fala.
— Unconditional é a única que fala abertamente sobre amor, mas diferente do que as pessoas pensam, ela não é sobre um relacionamento romântico. Na verdade, ela é dedicada à minha mãe. — Ouvi os murmúrios da plateia e ri baixo, sabia que as pessoas acreditam que ela era sobre um casal. — Ela sempre esteve ao meu lado e sempre me apoiou, e é exatamente sobre isto que a música fala, sobre o amor incondicional presente nessa relação.
— Donna gostou? — questionou e eu concordei com um balançar de cabeça.
— Ela chorou horrores na primeira vez que eu cantei para ela, mas eu me senti extremamente feliz por isso. — Admiti com um sorriso nos lábios ao lembrar da cena.
— Você consegue escolher apenas três músicas do seu álbum? — Mordi o lábio inferior e Ellen gargalhou. — Estou te dando uma colher de chá, , eu poderia pedir apenas uma.
— Certo, eu consigo. — Sorri nervosamente. — Não possuo uma ordem, mas as preferidas são Unconditional, Pretty Girl e Can’t Be Tamed.
— Cante o trecho de uma delas. — Ellen sorriu abertamente e eu arqueei a sobrancelha. — O público que ainda não ouviu seu álbum precisa ser instigado.
— Okay — respondi simplesmente e respirei fundo.

I can swear, I can joke
(Eu posso jurar, eu posso brincar)
I say what’s on my mind
(Eu digo o que está em minha mente)
If I drink, if I smoke
(Se eu bebo, se eu fumo)
I keep up with the guys
(Eu fico com os caras)
And you see me holding up my middlefinger to the world
(E você me vê levantando meu dedo do meio para o mundo)
Fuck your ribbons and your pearls
(Foda-se suas fitas e suas pérolas)
'cause I'm not just a pretty girl
(Porque eu não sou apenas uma garota bonita)



Cantei suavemente sem o auxílio dos instrumentos e omiti o palavrão, não falaria aquilo em um programa que passaria na televisão. Pretty Girl era uma das minhas músicas preferidas pelo simples fato de que ao cantar ela, eu liberava os sentimentos e pensamentos que me acompanhavam desde a minha adolescência. Tudo o que eu fui obrigada a guardar para mim, era completamente exposto naquela música. Afinal de contas, crescer no mundo da fama não era uma maravilha.


I'm more than just a picture
(Eu sou mais do que apenas uma foto)
I'm a daughter and a sister
(Eu sou uma filha e uma irmã)
Sometimes it's hard for me to show
(Às vezes é difícil para mim mostrar)
That I'm more than just a rumor
(Que eu sou mais do que apenas um rumor)
Or a song on your computer
(Ou uma música no seu computador)
There's more to me than people know
(Há muito mais de mim do que as pessoas sabem)



Sorri abertamente ao notar que algumas pessoas na plateia me acompanhavam na música e logo notei que minha visão estava embaçada de lágrimas. Ri fraco ao ver Ellen me encarando com a sobrancelha arqueada e dei de ombros. Bebi um pouco d’água e me acomodei no sofá, voltando a ficar de frente para Ellen.
— Essa é uma das poucas músicas do álbum que fala diretamente sobre você. — Concordei com a cabeça. — E você acha que conseguiu passar a mensagem que queria?
— Sim, eu espero que tenha conseguido passar, pois eu acredito que fui bastante explícita. Essa música é completamente sobre mim, eu cresci na frente das câmeras, tudo relacionado a mim é notícia e por causa disso, as pessoas acham que sabem perfeitamente quem eu sou. — Ri de modo irônico. — Pretty Girl fala a verdade sobre mim, que eu sou bem mais do que eles podem ver pelas revistas e sites, e que como qualquer pessoa eu tenho dias bons e dias ruins.
— Falando em músicas que você é explícita no que quer, acho que podemos falar rapidinho de Can’t Be Tamed. — O tom de fala de Ellen indicava que aquilo não era uma pergunta, eu já esperava que ela fosse citar aquela faixa. — A música chamou bastante atenção da mídia, e eu digo isso em todos os sentidos.
— Eu só acho que toda essa atenção, principalmente negativa, é pelo fato de que as pessoas idealizaram uma personalidade que não era minha. — Dei de ombros. — Agora minhas únicas preocupações são fazer música e ser completamente sincera nas letras que eu escrevo.
— Você foi muito criticada por essa música. — balancei a cabeça em concordância. — Principalmente por esse trecho em especial “Eu passo pelos caras como dinheiro voando em suas mãos. Eles tentam me mudar, mas percebem que não podem. E todo amanhã é um dia que eu não planejo. Se você vai ser meu homem, compreenda. Eu não posso ser domada”.
— Isso é quem eu sou e eu precisava deixar claro de uma vez por todas. Eu não sou uma mulher perfeita daquelas do comercial de margarina e muito menos finjo ser perfeita. Já tentei por longos anos ser o que a mídia me moldava, mas não sou mais assim — falei calmamente, ignorando a vontade que eu tinha de gritar ao falar daquilo. — Eu vi muitas análises sobre a letra da música e posso dizer com total propriedade que quase todas elas estão erradas. A música não fala sobre eu ser frígida ou aquela palavra com v, é apenas sobre o fato de que eu nunca vou me sujeitar a mudar quem eu sou para caber no molde perfeito e idealizado que a pessoa está disposta a me colocar. Eu sou livre, e se a pessoa gostar realmente de mim, ela precisa me aceitar como eu sou.
— Após a sua explicação, acredito que você esteja solteira. — Ellen me encarou com a sobrancelha arqueada e eu concordei com um balançar de cabeça. — Bom, então eu vou ser seu cupido.
— Eu não quero um namorado — respondi rapidamente e ouvi risos da plateia.
— Digamos então que você esteja a fim — Ellen respondeu simplesmente e eu dei de ombros, o programa era dela, não era como se eu pudesse mudar o que ela planejava. — O nome do jogo é “Quem deixaria domá-la?”
— Não — resmunguei rindo, já imaginava que algo assim viria. — Gostei da criatividade do nome, mas eu não seria domada.
— Vamos lá, você me entendeu. — Ellen piscou na direção da plateia. — No telão ao nosso lado irão aparecer dois homens e você só pode escolher entre um dos dois. Não é algo difícil.
— Tudo bem, vamos começar — falei conforme encarava a tela na minha frente que a produção me indicava. Pelo menos eu não teria que ficar sentada de modo desconfortável ao encarar o telão.
— Post Malone ou John Mayer?
— John Mayer — respondi sem pensar duas vezes.
— John Mayer ou The Weeknd?
— John Mayer. — Repeti a resposta.
— John Mayer ou Shawn Mendes?
— Shawn já é de maior? — questionei – mesmo que meu subconsciente gritasse que eu o escolheria ele sendo de maior ou não – , e a plateia riu.
— Sim, ele é. Mas mesmo que não fosse, aqui isso é só um detalhe. — Gargalhei ao ouvir a resposta de Ellen.
— Shawn — falei assim que parei de gargalhar.
— Shawn Mendes ou Luke Hemmings? — Tombei a cabeça para o lado, analisando as duas opções.
— Esta é realmente difícil, mas eu continuo com Shawn Mendes. — Dei de ombros e ri ao ver a expressão de Ellen.
— Eu estava conversando com o Shawn ontem mesmo, posso marcar um encontro entre vocês dois. — Balancei a cabeça negativamente ao ouvir os gritos da plateia e ri novamente.
— Olha, eu não reclamaria — admiti e os gritos aumentaram, fazendo Ellen rir.
— Shawn Mendes ou Zac Efron? — Ri abertamente ao ouvir Ellen frisando o nome de Zac, eu lembrava de tudo o que tive que ler após nossa interação na premiação da MTV e sobre o nosso suposto date.
— Shawn Mendes. — Gargalhei ao ver a expressão confusa de Ellen. — Me perdoa, Zac.
— Shawn Mendes ou Michael B. Jordan?
— Michael B. Jordan — respondi após alguns segundos, aquilo não era exatamente fácil de se escolher.
— Então adeus para Shawn? — questionou e eu concordei com um balançar de cabeça. — Michael B. Jordan ou Jake Gyllenhaal?
— Jake, com toda a certeza — respondi rapidamente e ri acompanhando Ellen. — Eu tenho uma queda por esse homem já tem um bom tempo.
— Jake Gyllenhaal ou ...
— respondi antes mesmo que Ellen terminasse a pergunta e recebi um levantar de sobrancelhas de forma questionadora.
— Você poderia ter esperado eu terminar — resmungou de forma brincalhona e eu ri. — Agora a final, Shawn Mendes ou ?
— decretei e ouvi a plateia gritar. — Mesmo sem querer ser domada, eu deixaria ele tentar me domar. Sem problemas.
— Eu gostaria de tentar. — A voz masculina soou rouca próxima ao meu ouvido e eu não contive o pulo na poltrona e o grito fino que ecoou pelo estúdio.
— Puta que pariu. — Emiti o único pensamento presente em minha mente ao me virar e encontrar ninguém menos que .
Ellen e a plateia gargalhavam do meu pequeno susto enquanto Liam estava apoiado na poltrona que eu ocupava e com o corpo inclinado em minha direção. Seus olhos estavam fixos em mim e um sorriso de lado estampava seus lábios. Respirei fundo e contei mentalmente até três, tentando me recompor do susto e aceitar que Liam Payne não só tinha escutado a besteira que eu tinha falado, como ele também respondeu. Ótima maneira de conhecer alguém que você possuía uma forte atração, resmunguei mentalmente.


Continua...


Nota da autora: desisto.

Confira minhas outras fanfics:
A Week In Bali [Liam Payne — Restritas — Shortfic]
Are You The One? [Originais — Restritas — Longfic]
Endless Winter [Mitologia — Restritas — Longfic]
Flames of Redemption [Mitologia — Restritas — Longfic]
I'll Never Let You Fall [Originais — Restritas — Shortfic]
Stone Eyes [Mitologia — Restritas — Longfic]
When Love's Around [Originais — Romance de Época — Shortfic]
Wings of Betrayal [Mitologia — Restritas — Longfic]


Barra de Progresso de Leitura
0%