01. the 1
Revisada por:
Calisto
Finalizada em: 19/02/2026
PRÓLOGO
— But we were something, don't you think so?
Roaring twenties, tossing pennies in the pool
And if my wishes came true
It would've been you
Roaring twenties, tossing pennies in the pool
And if my wishes came true
It would've been you
sentou-se na mesa, um pouco cansada de tanto dançar, e olhou para os amigos com carinho. Lily estava linda de noiva, e James não conseguia tirar os olhos dela em momento nenhum da valsa.
Estava tudo lindo, mesmo que em uma cerimônia pequena na casa dos Potter: as flores brilhavam e o feitiço que aprendera de flocos de neve que nunca de fato tocavam o chão, o mesmo do Salão Principal, era um sucesso entre os outros sete convidados.
Ela se apoiou em uma das três mesas disponíveis para poder tirar os saltos, puxando o vestido vinho para cima. Um suspiro audível escapou de seus lábios quando seus pés enfim tocaram o chão, planos e inteiros.
— Está precisando de uma massagem?
se virou sorridente para a voz que falou bem perto de seu ouvido, encontrando o namorado a poucos centímetros de distância dela. Ela quase perdeu o fôlego com quão lindo ele estava (isso estava acontecendo frequentemente naquela noite).
— Não seria nada mal, Remus, mas ainda vamos dançar mais, então talvez seja melhor mais tarde.
— Proposta interessante. — Ele sorriu, ladino. — Mas, antes de dançarmos, que tal repormos as energias?
Do bolso do terno de segunda mão, ele tirou dois sapos de chocolate, estendendo um deles para ela.
— Aposto que dessa vez vem a Rowena — murmurou .
— Pois eu aposto no Beedle. De novo.
— Eu adoro as histórias do cara, mas já deu. — Ela franziu a testa, tirando um sorriso do rosto dele. Por sua vez, a testa dela se franziu mais. — O que foi?
— Você fica adorável assim. — Ele se inclinou para frente, depositando um beijo exatamente na ruga em sua testa, que imediatamente se desfez. — Vamos abrir. Aposto que o meu é… Dumbledore. Pronta?
— Pronta.
Os dois começaram a abrir juntos o pacote, mas as mãos de Remus, compridas, sempre foram mais ágeis. Por isso, ela escutou um suspiro antes que seu pacote estivesse aberto.
— Gregório, o Lambe-Botas. Pelo menos o chocolate está ótimo.
Antes que ela pudesse sentir muito por ele, seu pacote enfim abriu. E ela precisou ver apenas o reflexo de um diadema antes de soltar um grito, atraindo a atenção dos outros convidados.
— Eu tirei! Remus, eu enfim consegui a Rowena!
— Você conseguiu!
O sapo pulou pela festa, mas nem percebeu, se jogando nos braços do amado, que a girou no ar, ambos gargalhando. Como era bom compartilharem de pequenas e bobas alegrias. No meio da guerra, era disso que o mundo precisava.
— Não me diga. — A voz de Lily os atingiu no meio do abraço. — Você tirou a carta da Rowena.
— Tirei! — Ela se soltou do abraço para erguer a carta para a amiga, sorrindo largamente. Ao redor, os outros convidados começaram a rir.
— Aluado, tira a sua namorada pra dançar logo. A coisa mais animadora da noite da panterinha foi uma cartinha — zombou Sirius, usando seu velho apelido, girando Marlene nos braços.
Remus revirou os olhos para o amigo, mas tirou delicadamente a carta da mão de , apoiando-a na mesa junto com a própria, antes de abrir um sorriso tímido.
— Vamos?
De fundo, a música trouxa Somebody To Love começou a tocar. arquejou, era uma de suas músicas preferidas.
— Por favor!
Ela aceitou a mão de Lupin, enquanto ao redor Sirius puxava Marlene mais para perto, Lily retornava para James, Peter e Dorcas começavam a dançar, com as bochechas pegando fogo, e o senhor e a senhora Potter se aproximavam, sorrindo.
Aquela era a família não só de James Potter, mas de todos aqueles garotos. Inclusive do seu garoto.
A mão de Remus se encaixou perfeitamente na sua cintura, como já se encaixava desde que passaram nos N.O.M.s e assumiram enfim o namoro. Ela encostou a cabeça no peito dele, muito menor em comparação agora que tirara os saltos, e sentiu o coração dele bater, ritmado com o seu. Os dois começaram a girar, mais rápido que uma valsa, aproveitando aquela proximidade.
No meio da música, Remus afastou para deixá-la dar uma pirueta digna das telas de cinema trouxas. Quando voltou aos braços dele, a garota o encarou, com um sorriso maroto nos lábios.
— Será que não tem nenhum lugar onde eu possa te beijar? Você de terno está me enlouquecendo.
Ele soltou uma gargalhada, mas sua mão se fechou de forma possessiva na cintura dela, deixando-a mais animada.
— Vem, minha garota ansiosa. — Ele soltou a cintura dela apenas para poder conduzi-la pela mão.
achou que ele iria levá-la até o quarto de visitas em que sempre dormia quando visitava Sirius e James, mas ele a levou para a porta da casa, conduzindo-a para o quintal com piscina. A temperatura despencou sem o feitiço do interior e o frio de fim de novembro os atingiu, porém, antes que pudesse reclamar, o paletó dele pousou em seus ombros.
— Obrigada. — Ela sorriu, depositando um selinho na boca dele.
O que era para ser um beijo inocente, no entanto, se tornou um beijo real. Bom, para ser sincera, era exatamente o que queria desde o início: se perder nos lábios macios de Remus, sentir as mãos dele por baixo do paletó por todo o seu corpo. Uma das mãos viajou por seu cabelo loiro escuro, afastando as mechas que batiam na altura do ombro para acariciar o pescoço dela. Vergonhosamente, ela gemeu.
— Calma — disse seu namorado, rindo baixinho. — Temos que nos comportar. Estamos em um casamento, lembra?
— É verdade. Merda. Mas mais tarde…
— Mais tarde — confirmou, os olhos escurecendo um pouco, antes de pigarrear. — Está com sede?
— Um pouco.
Ele tirou a varinha do bolso da calça e, em um rápido movimento, duas das taças de vinho rosé que estavam na festa apareceram na mesinha da piscina. Os dois se aproximaram de lá, se sentaram na mesa e cada um pegou uma taça.
— Um brinde. A novos começos — disse .
— Embora nem tudo precise ser novo — falou Remus, encarando-a. — Espero que sejamos algo velho e duradouro.
— Como um bom caldeirão de poções — sacaneou .
— Como uma aliança.
se engasgou no vinho, levantando os olhos para ele, que permanecia mortalmente sério. Ele não estaria falando de…?
— O que você quer dizer?
— Não estou fazendo um pedido, relaxa. Eu seria bem mais romântico. — Os dois riram, sentindo o peito desacelerar aos poucos. — Mas é algo que eu gostaria, casar com você. Mesmo que eu ainda vá fazer meus vinte anos, acho que James e Lily têm razão. Não sabemos o que o futuro nos espera, né?
— Eu sei. Mas, apesar da guerra, às vezes eu sinto que tudo isso é um tanto… intocável. Como se ninguém pudesse de fato morrer.
— E tomara que você esteja certa — sussurrou Remus, baixinho, seu rosto assumindo um semblante triste. — Sempre achei que eu ficaria sozinho, por ser quem sou. Era o que eu merecia. Mas agora eu tenho tudo, e não quero perder nada disso. Não quero perder você.
— Ah, Remus… — A emoção nos olhos dele fez com que os dela lacrimejassem. — E você não vai me perder. Nunca.
Os olhos de brilharam, tendo subitamente uma ideia. E como era impossível para Remus não ler seu rosto como um livro, ele inclinou a cabeça, curioso.
— No que pensou?
Ela pegou a varinha no bolso do vestido e, com um feitiço simples, atraiu duas moedas trouxas de sua bolsinha, colocando uma delas na mão esquerda de Remus.
— Vamos fazer um pedido.
Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso.
— Não temos nenhuma daquelas fontes de desejo que você me falou.
— Não importa. A piscina pode ser nossa fonte. — A mão vazia se juntou com a mão vazia dele, apertando-a com força. — Vamos, faça um pedido e jogue a moeda.
— Tá bom. — Ele sacudiu a cabeça, achando graça. — Eu…
— Não me conte! Tem que ser segredo pra se realizar.
— Ok, ok! — Ele fechou os olhos e pensou por alguns segundos, antes de abri-los novamente. — Pronto.
Então, fechou os próprios olhos. O que queria? O fim da guerra? O bem de seus amigos? Sobrinhos fofos? Que seus pais não fossem mortos por serem trouxas? Ela queria tanto… Mas, sentindo a mão de Remus na sua, ela ficou certa de sua decisão.
Eu quero que, se for certo, sejamos nós dois juntos para sempre.
Com um sorriso nos lábios, abriu os olhos.
— Pronta. Três…
— Dois…
— Um! — falaram em uníssono.
Poucos instantes depois, as duas moedas respingaram água antes de afundarem completamente até o fundo. Remus e se olharam, sorrindo, ambos sem saber o desejo um do outro, ambos torcendo para que o próprio se realizasse.
PARTE I
— I guess you never know, never know
And it's another day waking up alone
And it's another day waking up alone
acordou de sobressalto, quase caindo da cama. Colocou a mão no peito, tentando acalmar a própria respiração.
Havia sonhado com ele.
Demorou para se localizar naquele local que não parecia sua casa nem seu quarto em Hogwarts, lembrando depois que havia alugado um quarto no Caldeirão Furado para se preparar para a volta às aulas. Isso fez sua memória despertar com força. Pegou um relógio e percebeu que já estava em cima da hora se quisesse chegar com tranquilidade para pegar o expresso de Hogwarts.
Trocou de roupa correndo, tentando ignorar as memórias do sonho. Ele viajando a Escócia, algo que haviam pensado várias vezes em fazer no futuro. Ele com uma nova namorada, linda e perfeita.
Mas ele não estava ali. E já não estava ali há mais de uma década, era isso que ela precisava se lembrar.
Nem comprou o café da manhã, decidida a comer no trem, e pagou rapidamente Tom, antes de correr com seu malão para o ponto de ônibus mais próximo. Todo dia primeiro ela precisava ser lembrada do quão horrível era ela ter medo de aparatar.
Por sorte, o ônibus chegou às 10:35, deixando-a com tempo de sobra. Desceu no ponto junto com várias outras pessoas, todas carregando malas grandes como a sua, exceto que ela tinha na manga um feitiço para deixar seus pertences mais leves. Já na calçada, virou-se para trás para agradecer o motorista, quando, pela segunda vez no dia, se sobressaltou.
Era ele. Ali no ponto de ônibus.
Exceto que não era, porque fechou os olhos e, quando os abriu, não havia ninguém ali. O maldito sonho ainda a estava assombrando.
Entrou na grande estação e andou até encontrar as plataformas 9 e 10, passando pela parede com naturalidade. Há anos, essa era sua rotina no dia primeiro.
Do outro lado, o expresso já soltava fumaça, enquanto vários alunos embarcavam. Alguns acenavam e abriam sorrisos conforme ela passava. Não era uma professora muito conhecida na escola, uma vez que Aritmancia não era obrigatória, mas isso tornava tudo melhor: seus poucos e fiéis alunos estavam ali por vontade própria, e isso deixava a aula muito mais leve — ou o mais leve que uma aula de Aritmancia poderia ser, com todos os cálculos numéricos envolvidos.
Por sorte, ela conseguiu uma cabine vazia e teve tempo suficiente de, durante a viagem, ler um novo romance trouxa que comprara há duas semanas. Ela só percebeu o passar do tempo quando foi forçada a acender as luzes da cabine, a noite tomando o lado de fora. E levou um grande susto quando todas se apagaram.
Por sorte, a situação foi rapidamente resolvida (uma invasão de seres encapuzados, de acordo com Logan Prindes, que ela logo entendeu como dementadores atrás de Black) e a viagem prosseguiu tranquilamente.
Assim que o trem parou, usou sua autoridade de professora para desviar dos alunos e sair primeiro, encontrando um querido amigo logo na saída.
— Hagrid! Como você está?
— ! Tudo certo, tudo certo, e você?
— Bem, descansei bastante nas férias. — Ela sorriu. — E Canino?
— Medroso e comilão como sempre. Ah, tenho que ajudar as crianças, mas tenho uma grande novidade para você.
— Mal posso esperar!
Ela se despediu dele e se sentou em uma das carruagens. Um dos testrálios encarou seus olhos, demonstrando doçura apesar de sua aparência mórbida.
— Olá, amigo. Pronto para nos deixar em Hogwarts?
Alguns alunos subiram na carruagem junto com ela e, então, os testrálios partiram, levando-os em direção ao grande castelo. Perto da entrada, ela encontrou a professora McGonagall esperando os alunos do primeiro ano.
— Boa noite, professora McGonagall.
— Boa noite, professora . Fez boa viagem?
— Sim, obrigada por perguntar. Tive a sorte de não esbarrar em nenhum dementador. — Ela sorriu e pretendia seguir seu caminho quando ouviu a outra continuar:
— Recebi uma notícia de um dos novos professores do trem. Acredito que você ficará feliz com a contratação.
ficou confusa com a declaração, mas alguns alunos começaram a chegar, então ela subiu as escadas para o Salão Principal. Quando abriu as portas, tentou conter o suspiro: nunca iria se acostumar com aquela visão, a preferida em sua adolescência e agora na vida adulta.
Seguiu até a comprida mesa de madeira que ficava na outra extremidade e cumprimentou os demais professores que já aguardavam ali, inclusive Snape. Como ambos já trabalhavam juntos há oito anos, haviam aprendido a trocar palavras minimamente educadas pelo bem de seus empregos.
Os alunos começaram a chegar, e ela estava distraída quando Dumbledore chamou sua atenção.
— Professora , estava contando aos demais professores sobre as duas novas contratações que teremos esse ano. Um, é claro, já é conhecido de toda a casa. Sabe, com os esclarecimentos sobre a Câmara Secreta no ano anterior e a aposentadoria do Prof. Kettleburn, pensei que, logicamente, a escolha mais adequada para assumir essa função seria de Hagrid.
O sorriso de cresceu em seu rosto, surpresa da maneira mais alegre que poderia estar, não se deixando nem ao menos abalar com o pequeno resmungar de Snape. Então essa era a novidade que Hagrid queria lhe contar?
— Ah, professor Dumbledore, que novidade mais esplêndida!
— Concordo precisamente com este sentimento. — O diretor sorriu. — A nova contratação será uma novidade para o nosso cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas esse ano. Bom, não é uma novidade para todos. Naturalmente, você já conhece o…
Mas uma nova pessoa passando pelas portas chamou a atenção do diretor, que abriu um sorriso cálido.
— Prof. Lupin, estava agora mesmo falando de você.
A cabeça de se virou tão repentinamente em direção à porta que sentiu uma tonteira imediata. Era ele. Dumbledore não precisava ter dito seu nome, seria impossível não reconhecê-lo em seu coração.
Estava mais magro, ganhara cicatrizes extras no rosto, junto com um novo bigode. Seu rosto estava mais maduro e, se possível, ainda mais bonito, mesmo com as vestes de segunda mão. teve que piscar diversas vezes para ter certeza de que estava mesmo o vendo ali.
E de que ele, de fato, estava olhando para ela.
— Boa noite a todos. Sou o prof. Lupin, como Dumbledore anunciou a pouco.
Snape ficou visivelmente tenso, mas isso passou batido por , que não conseguia ver nada que não fosse aquele homem, e seu coração batia tão alto que impedia sua audição de funcionar corretamente.
Ele estava ali, em Hogwarts. Depois de doze anos, ele estava ali.
E ela teve que abrir um sorriso educado e fingir que tudo entre eles não havia significado nada.
havia conseguido evitar ao máximo o contato com Lupin, e vice-versa. Sentavam-se em lados opostos da mesa no Salão Principal (o que, infelizmente, a colocava perto de Snape), mal se encontravam nos corredores e, no máximo, trocavam acenos de cabeça caso se vissem na sala dos professores. Como se fossem apenas colegas de trabalho.
Como se ele não tivesse sido o amor da sua vida.
Mas naquele dia era diferente. Era Halloween, e os alunos sempre ficavam felizes no Halloween e, mesmo que o coração de doesse no peito, ela aproveitava aquela data com todos os outros.
Como se não houvesse sido o dia em que tudo havia mudado. E, para piorar, aquele ano teria três complementos especiais:
Era final de semana em Hogsmeade.
Remus Lupin estava em Hogwarts.
Sirius estava à solta.
Ainda era impossível para sua cabeça processar que Sirius havia matado quase duas dezenas de pessoas, incluindo seu melhor amigo e irmão, James, assim como Lily e Peter. A garganta de se fechava só de lembrar. Nada daquilo fazia sentido, mas ao mesmo tempo todas as provas apontavam para ele. E por isso, do dia para a noite, se viu sem ninguém.
Deixando as memórias de lado, a professora colocou roupas adequadas para sair um pouco e ajudar a vigiar os alunos, desculpa que criava para si mesma para poder comprar chocolates e tomar uma cerveja amanteigada — naquele dia em específico, talvez exigisse algumas doses de Whisky de Fogo. Porém, distraiu-se no caminho ao ver Harry saindo da sala do professor de Defesa Contra as Artes das Trevas — a sala de Lupin.
Imediatamente, seu coração doeu. Naqueles anos todos, nunca conseguiu uma abertura para se aproximar do garoto, mas podia perceber que ele estava começando a se aproximar de Lupin. Ao mesmo tempo que se sentia feliz por ele conseguir de alguma maneira se aproximar da memória dos pais, se sentiu frustrada porque ela esteve ali aquele tempo todo, sem sucesso.
E se Harry estava ali, era porque não tinha autorização para ir para Hogsmeade. E se James e Lily estivessem presentes, nunca o deixariam perder sua primeira experiência no vilarejo. Não, talvez James inclusive lhe sussurrasse sobre alguma passagem secreta sem que Lily visse.
O pensamento a fez sorrir. E, quando percebeu, estava parada na frente da porta de Remus.
Antes que pensasse demais e voltasse atrás, ela bateu na porta.
— Entre.
Quando escutou a voz de Remus, se arrependeu imediatamente, mas agora não podia mais voltar atrás. Então, respirou fundo e empurrou a porta de madeira.
— Olá, prof. Lupin. Desculpe incomodá-lo.
Remus olhou e piscou algumas vezes, como se não estivesse acreditando que ela estava realmente ali, mas logo se recompôs e pigarreou.
— Prof. . Sente-se, por favor.
Ela se sentou, embora seus olhos estivessem fixos no grindylow no canto da sala. Ele percebeu rapidamente a mudança do olhar dela.
— Ah. Acabou de chegar, será o próximo conteúdo que eles verão. Aceita um chá? Acabou de sair.
— Por favor. — Ela pegou no ar a caneca lascada voando em sua direção. Olhou para Remus, que a encarava como se tentasse entendê-la, e achou melhor se explicar. — Eu vi que Harry saiu da sua sala agora.
— Ah. — Um sorriso se formou nos lábios de Remus. — Sim. Ele se tornou um garoto esperto.
— Você nem imagina. — O sorriso dele se espelhou no rosto dela. — É um apanhador espetacular, entrou no time já em seu primeiro ano. Também em seu primeiro ano, tivemos uma ameaça do próprio corpo docente e ele que o derrotou. Ano passado também, conseguiu salvar uma pobre aluna do monstro da Câmara Secreta. Dumbledore confidenciou para alguns poucos professores. — Ela baixou o olhar para a xícara de chá. — Ele é especial. É a cara de James. Mas os olhos…
— São de Lily — completou, os olhos perdidos em alguma memória. — Eles ficariam muito orgulhosos, não é?
Os olhos de ficaram subitamente marejados.
— Sim. — Uma lágrima desceu antes que ela percebesse. — Eles ficariam sim.
Remus e se encararam, e um milhão de palavras não ditas preencheram o ambiente, até que ela se sentisse sufocada.
Parecendo ainda capaz de ler cada uma de suas emoções, Lupin pigarreou.
— Snape passou aqui para me entregar a Poção do Acônito. Ele tem sido gentil e realizado a poção para mim em toda semana de lua cheia.
— Isso nem parece com ele — comentou .
— É, mas talvez ele de fato tenha mudado. — Remus abriu um sorriso, inclinando-se para frente. — Harry achou que ele estava tentando me envenenar.
Uma gargalhada irrompeu da garganta de sem que ela esperasse. Ela cobriu a mão com a boca, assustada, tentando se controlar, mas o riso continuava saindo.
— Garoto esperto — comentou a professora, entre risadas. — Mas Snape vive pegando no pé dele, é nítido pela forma que eles se olham.
— Ele ainda se ressente de Pontas, com certeza.
— E desconta na criança? Snape não cresce nunca!
— É, ele devia descontar em mim. Ele de fato pode ter envenenado minha poção depois que incentivei o menino Longbottom a transformar o bicho papão no Snape com as roupas da Sra. Longbottom.
Outra gargalhada escapou da boca de .
— Eu ouvi os alunos comentarem sobre isso! Ah, Remus, você é terrível!
O nome escapou de sua boca naturalmente, e ela logo se arrependeu, porém ele agiu com naturalidade, como se não tivesse escutado, o que aliviou o coração da professora.
O homem então puxou de uma de suas gavetas um de seus tesouros mais preciosos.
— Aceita um sapo de chocolate?
Um sorriso pequeno surgiu no rosto de , embora seu coração doesse com a familiaridade do gesto.
— Aceito. Em uma época em que estamos cercados de dementadores, é importante.
— Harry desmaiou no trem depois de encontrar um — contou o professor, com um semblante preocupado. — Fico imaginando que memória terrível o dementador pode ter trazido para ele.
— Provavelmente a mesma memória que nos assombra todos os Dias das Bruxas — falou, baixinho, sentindo seu coração se apertar mais.
Então, deixou a xícara inacabada na mesa e baixou os olhos para abrirem o chocolate.
Assim que o sapo pulou, ela viu a carta de Rowena Ravenclaw.
Que ela só havia tirado apenas uma única outra vez na vida, mesmo depois de todo esse tempo.
Se as coisas tivessem sido diferentes… será que eles também estariam em uma situação diferente?
saltou da cadeira, como se ela estivesse queimando, e deixou a carta cair no chão.
— Obrigada pela conversa, prof. Lupin, mas agora eu preciso ir.
— …
— Obrigada pelo chá. — Foi a última coisa que ela disse, antes de bater a porta.
A Firebolt de Harry se destacava no ar antes mesmo de a partida começar. ajeitou seu casaco fino, graças a Merlin o tempo estava aberto para o jogo contra a Corvinal. E lá estava ele, pronto para ter sua merecida vitória.
As torres arrebatadas de estudantes berravam naquele jogo que decidiria quem venceria a taça. Bandeiras balançavam conforme Lee Jordan narrava cada movimento do jogo (embora estivesse mais focado na Firebolt, recebendo diversas broncas de McGonagall).
No mesmo momento em que o apito de Madame Hooch soou pelo campo, uma pessoa chegou e se sentou ao seu lado.
— Desculpe atrapalhar. Demorei muito?
virou a cabeça subitamente para o lado, encontrando Remus bem ali, segurando uma barra de chocolates da Dedosdemel, os olhos cravados na Firebolt de Harry.
Ela o estivera evitando desde o Dia das Bruxas, sem nem ao menos lhe dirigir uma troca de olhares, mas ali estava ele agora, sentado ao seu lado e jogando perguntas como se nada tivesse ocorrido. E talvez não tivesse: não havia sido ele que começara a se questionar sobre o passado.
Por isso, ela se dignou a responder, sem tirar os olhos do campo.
— Você se atrasou.
— Culpado. Eu tinha perdido minha barra de chocolate.
E os dois se calaram para assistir ao jogo. sempre soubera como Harry era bom, mas, naquele dia em especial, ele estava excelente. O pomo parecia sempre tão perto de seu alcance…
Em um momento, o garoto avistou o pomo e mergulhou com tudo, sem perceber o balaço que foi jogado em sua direção. Por Merlin, aquilo poderia matá-lo, e ele continuava sem perceber. O balaço estava a apenas alguns centímetros de distância, e ela se viu agarrando a mão de Remus.
Quando Harry milagrosamente desviou, ela respirou fundo. Então, percebeu com muita vergonha, que ainda segurava a mão de Remus. Com o rosto pegando fogo, ela o soltou.
— Me desculpe, eu… fiquei nervosa.
— Você tem razão. Harry é excepcional. James com certeza iria se gabar de todo esse talento, acho que ele superou o pai.
— É, eu também acho. — sorriu, agradecida pela mudança de assunto. — Fico feliz que dessa vez esteja acompanhando o jogo.
— Eu precisava… Estamos treinando juntos, sabe? Ele me pediu para ensiná-lo o feitiço do patrono.
A arquibancada soltou um “uh!” coletivo quando Roger Davies quase marcou um gol, defendido por Oliver Wood.
— Feitiço do patrono? Que pedido inusitado.
— Não tanto. Por causa de… tudo, ele é muito mais afetado que os outros. — Remus ficou em silêncio, e achou que ele pararia por ali, mas então ele se virou para ela. — Ele disse que os ouve. Ouve James e Lily quando Voldemort os assassinou.
Isso tirou o ar de , que precisou piscar os olhos para afastar lágrimas que repentinamente começaram a se acumular em seus olhos.
— Pobre criança…
— Mas ele é determinado. Não quis parar a aula de jeito nenhum, acho que odeia se sentir vulnerável. Acho que ele comeu mais chocolate naquele dia do que no mês inteiro.
— Sorte a dele você ser justamente o professor que mais ama chocolate — zombou .
Naquele momento, no entanto, uma movimentação chamou atenção da plateia. Harry fez uma descida rápida, sendo acompanhado por Chang, apanhadora da Corvinal, mas logo mudou de direção, determinado. A plateia ficou tensa, na expectativa, sabendo o que estava vindo.
Até que três vultos pretos apareceram no chão. Julia franziu a testa.
— Aquilo são…?
— EXPECTO PATRONUM! — gritou Harry, derrubando as três figuras com uma rede prateada forte, figuras essas que definitivamente não eram dementadores.
E, logo em seguida, ele capturou o pomo.
— HARRY POTTER CAPTUROU O POMO DE OURO. GRIFINÓRIA VENCE A PARTIDA!
A maré vermelha se levantou, urrando em uma grande comemoração como se tivessem vencido a taça. A professora McGonagall pulou de seu assento, dividida entre a celebração e a irritação com os agora três alunos revelados no chão.
e Remus desceram da torre dos professores, acompanhados de McGonagall, para celebrarem com o time.
Quando Harry avistou Lupin, começou a disparar na direção dele com um sorriso. deu espaço para os dois, sorrindo, e foi parabenizar os alunos do time que ela conhecia. Pouco depois, Remus voltou sorridente para o lado de .
— Ele está tão orgulhoso do feitiço, mesmo descobrindo que foi Malfoy e os amigos. Afinal, ele ganhou a partida!
— Impressionante que as gerações mudam e os Malfoys continuam insuportáveis — sussurrou , depois se assustando ao perceber o que acabara de falar. — Mas se você contar a alguém que eu disse isso, pode dizer adeus ao seu segredo.
Remus soltou uma gargalhada.
— Seu segredo está seguro comigo. E acho difícil você me revelar antes de Snape. Ele me substituiu e fez questão de dar uma aula sobre lobisomens, acredita?
O sangue no rosto de desceu, deixando-a pálida, antes que ele voltasse com força para seu rosto, deixando-a furiosa.
— Como ele ousa?! Ofender um professor do próprio corpo docente que ele mesmo participa? Você precisa contar a Dumbledore!
— Fica tranquila, . — Ele colocou a mão no ombro dela. — Ele deve estar zangado por estar tendo que fazer minha poção.
— Mas isso é o mínimo!
— Não necessariamente. Eu não era exatamente gentil com ele.
— Isso foi na sua adolescência, Remus. Já se passaram quase duas décadas, nada justifica tentar expor algo que te colocaria à margem da sociedade depois de você conseguir um emprego tão bom.
Remus sorriu, olhando dentro dos olhos dela.
— Você fica tão bonita quando me defende.
ficou sem palavras, então afastou a mão dele que estava apoiada em seu ombro.
— Não ouse falar isso, não depois de tudo.
O semblante dele ficou triste.
— Me desculpe, . Por favor, não é justo te pedir que me desculpe pelo o que eu fiz com você, mas entenda: eu perdi meus quatro melhores amigos em um único dia.
— E eu perdi meus quatro melhores amigos e meu namorado.
— Eu deveria ter ido atrás de você, eu sei que a culpa é toda minha. — Ele abaixou a cabeça e suspirou. — Não posso voltar no tempo e refazer as coisas, mas posso me desculpar e pedir, com humildade, se eu poderia ser seu amigo. Nesse ano em específico, isso seria muito importante para mim.
estava prestes a dizer não, mas Remus voltou a erguer a cabeça e algo no olhar dele a quebrou. Diferente dela, ela sabia que Remus não tinha uma família lhe esperando em casa: sua verdadeira família havia se perdido na guerra, e não havia como mensurar essa dor.
Dor que pode te fazer agir irracionalmente e estava voltando à tona com Sirius Black à solta.
Julia soltou um suspiro, a irritação abrindo espaço para a pena.
— Tudo bem, somos todos adultos agora. Podemos ser amigos.
Ele abriu um grande sorriso, e a puxou para um abraço. O corpo de primeiro paralisou, mas então derreteu-se com a familiaridade do contato. Aquilo parecia tão… certo.
— Obrigada por aceitar ser minha amiga — sussurrou ele, de encontro ao cabelo dela. — Isso é muito mais do que eu mereço.
PARTE II
— I persist and resist the temptation to ask you
If one thing had been different
Would everything be different today?
If one thing had been different
Would everything be different today?
e Remus vinham se dando muito bem desde o dia da partida. Às vezes, se encontravam um na sala do outro para tomarem chá (geralmente acompanhado de chocolate), conversarem sobre a vida desde então, falar sobre os alunos (especialmente e sempre Harry) e de vez enquanto reclamarem de Snape.
Os dias corriam tranquilos, as provas aconteciam (a perspectiva de corrigi-las era o pior, Remus sempre que podia se gabava sobre suas provas práticas com notas na hora) e o tempo esquentava, a primavera em sua glória. Tudo parecia bem, apesar da preocupação constante com as duas invasões de Black sem ninguém saber como ele entrara, e estava começando a acreditar que as coisas poderiam acabar tranquilas naquele ano.
Mas então ela decidiu visitar Lupin e encontrou sua sala vazia. E, na sua mesa, um pedaço de pergaminho que ela conhecia muito bem.
Com as mãos tremendo, ela apontou a varinha para o pergaminho e sussurrou:
— Eu juro solenemente não fazer nada de bom.
Seus olhos não pareciam estar acreditando no que viam quando o pergaminho se abriu à frente com as clássicas palavras:
fornecedores de recursos para bruxos malfeitores,
têm a honra de apresentar
O MAPA DO MAROTO
Harry Potter. Ronald Weasley. Hermione Granger. Severo Snape. Remus Lupin.
Sirius Black.
Peter Pettigrew.
Ela agarrou o mapa, a varinha e saiu em disparada em direção ao Salgueiro Lutador.
Ao chegar lá, mesmo no anoitecer, encontrou um pedaço de tronco largado. Se aproximou com cuidado e o usou para pressionar o nó que paralisou a árvore por tempo suficiente para que ela entrasse na passagem secreta.
Estaria o mapa errado? Peter Pettigrew estava morto, não? Assassinado por Sirius, que também estava ali… Com Remus. Não, ele não teria sido o responsável por permitir que Sirius entrasse no castelo, seria? As coisas não faziam o menor sentido conforme ela se embrenhava pelo corredor, até chegar à porta fechada onde ela entrara tantas outras vezes no passado.
respirou fundo, e a risada de Lily veio à sua cabeça. Ela entraria naquela porta e exigiria resposta. Mataria todos os responsáveis se fosse necessário. Com esse pensamento em mente, ela reuniu forças, ergueu a varinha e chutou a porta.
O barulho chamou atenção de todos ali. E ela viu Sirius, magro e destruído, uma sombra do garoto brilhante e destemido que havia sido, apontando uma varinha para um Peter Pettigrew em sua versão suja e mais velha. A varinha de tremeu, mas ela apontou-a para o assassino.
— Olá, Sirius. Espero que tenha passado bem seu tempo em Azkaban.
O rosto pálido e sombrio dele se abriu em um sorriso fraco.
— Olá, panterinha. O que você está fazendo aqui?
— Prof. ? — questionou Hermione, chocada.
— também é professora aqui — explicou Remus.
— Então é uma reunião da escola — zombou Sirius, apontando para Snape desacordado no chão. Os olhos da professora se arregalaram.
— Cale a boca!
— , espera… — começou a falar Lupin.
— Crianças, fiquem atrás de mim — exclamou a professora, se pondo na frente dos três e intercalando a varinha entre Lupin, Black e Pettigrew. — Vocês não vão tocar no Harry.
— Deixe-me explicar — recomeçou Remus.
— Não! Eu não acredito que você reganhou minha confiança para trair toda Hogwarts trazendo… Remus, ele matou James e Lily! — exclamou .
— Prof. , a senhora conheceu meus pais? — perguntou Harry, os olhos arregalados.
— Claro que sim. Panterinha e Aluado eram um belo casal — provocou Sirius de novo, empurrando Pettigrew, que choramingou.
— O quê?! Vocês dois, juntos?! — Rony exclamou, chocado, enquanto as bochechas de e Remus pegavam fogo.
— Vamos embora daqui. Como vou levar Snape? E Pettigrew, o que está…? — Ela sacudiu a cabeça. — Não tenho tempo para pensar nisso. Corram enquanto eu lido com eles!
— Não, professora! — Hermione se jogou na frente dela, as mãos erguidas. — O prof. Lupin tem razão, você precisa escutá-lo!
Aquilo paralisou . Hermione Granger era a sua aluna mais inteligente, tinha uma percepção avançada das coisas. Ou o poder de persuasão dos Marotos havia vencido seu bom senso, ou havia algo real ali a ser descoberto.
Olhou para as outras crianças. Para Harry, que parecia tranquilo na presença do assassino.
— Harry… Não sei se você entendeu, mas esse homem matou os seus pais.
— Eu também achava isso. Tive muita raiva dele, queria matá-lo eu mesmo — confessou o menino. — Mas… você precisa só ouvir.
Ainda estava dividida, mas então olhou para Pettigrew, amarrado e choramingando, e percebeu que não podia dizer que sabia a verdade.
Como se percebesse que ela estava cedendo, Remus pegou a própria varinha que estava na mão de Sirius e a apoiou perto de .
— Viu? Você está na vantagem. Só queremos conversar.
Então ela de fato parou. E ouviu a história toda.
Não soube em que momento tudo clicou em sua cabeça: a troca do guardião do segredo, a encenação de Pettigrew com um dedo faltando, combinando com a foto no jornal do rato da família Weasley sem um dedo — e morando há 12 anos com ele. As informações foram chegando em uma enxurrada na sua cabeça, sendo coisa demais a processar, mas fazendo todo o sentido do mundo.
Quando voltou a olhar para Peter, ela sentiu todo o nojo que passara sentindo de Sirius ser redobrado e redirecionado. Aquele rato não só havia entregado James e Lily, como havia feito com que Sirius fosse preso e culpado, com que perdesse os amigos. E ela ainda chorara no funeral de Pettigrew! Consolara a mãe dele.
— Seu verme… — murmurou a professora.
— , não fala assim… Nós éramos amigos — falou Pettigrew, quase que em guinchos.
Mas a única resposta que ele teve foi um cuspe na cara.
Ela então se virou para Sirius, vendo-o pela primeira vez com outros olhos: o irmão de Potter, padrinho de Harry e melhor amigo de Lupin, aquele que perdera tudo. Aquele que morreria para salvar seus amigos.
— Ah, Sirius! Me perdoe por duvidar de você!
— Tudo bem, panterinha. Você sempre foi desconfiada mesmo.
não soube dizer quem começou o abraço: ela ou Sirius. Mas, quando percebeu, ele a apertava como alguém que não tivera a chance de contato humano há muito tempo. E aquilo provavelmente era verdade.
Eles se afastaram de leve e ela segurou o rosto de Sirius nas mãos, com carinho.
— Os horrores que você passou… — Então, seu olhar se voltou para Remus. — Me desculpe — falou para ele. — Desculpe por acusá-lo de ser um traidor. Não fui melhor do que Snape. É por isso que ele está desacordado, não?
— Seu ódio o cegou para que ouvisse a verdade. Agora vamos. — Lupin pegou sua varinha de volta. — Harry tomou sua decisão: temos que voltar ao castelo e entregar Pettigrew aos dementadores.
Assim, Peter foi algemado a Rony e Remus, Snape foi conduzido no ar por Sirius, que andou junto com Harry. Hermione acabou ficando para trás com a professora, parecendo um pouco perturbada, mas firme.
Era um grupo de boas crianças. Fortes, inteligentes e determinadas. Sentiu a emoção preenchê-la ao pensar em como Lily ficaria feliz de ver que Harry tinha feito amizades verdadeiras assim.
E seu coração se encheu de mais esperança ao pensar que, talvez, as coisas de fato tivessem um final feliz. Com Pettigrew entregue, Sirius poderia ser inocentado. Talvez ela ganhasse outro amigo de volta.
Mas sua felicidade durou. Assim que pisaram fora dos túneis, a noite escura cheia de nuvens os recebeu, e, como se os esperassem, as nuvens se dispersaram, deixando a luz iluminá-los.
A luz da lua cheia.
O grupo inteiro congelou. E o corpo de Remus enrijeceu.
— Ah, não! — exclamou Hermione. — Ele não tomou a poção hoje à noite. Ele está perigoso.
— Corram — sussurrou Black. — Corram. Agora.
— Não! — se lançou à frente do grupo. — Deixe-o comigo! Levem Pettigrew!
Mas eles não podiam, porque Pettigrew estava algemado a Lupin e Rony. Sirius se lançou para frente e agarrou Remus, atirando-o para trás, mas isso não impediu a transformação que se desenrolava.
— Diffindo! — apontou para as algemas, separando a de Remus do resto do grupo. — Leve-os, Sirius! Deixe-o comigo, ele…
Mas Lupin já tentava avançar em direção às crianças, e Sirius já havia se transformado no enorme cão preto, avançando na direção do lobisomem.
— Não! — berrou.
Então, seu corpo sofreu uma transformação que ela não sentia há muito tempo. Foi como vestir uma roupa da infância que parecia que não servia mais. Seus membros se esticaram, as garras substituindo suas unhas, os pelos crescendo e a postura se curvando. O focinho em seu rosto captava os cheiros melhor, e sua visão se clareou, feita para a noite.
Quando o lobisomem foi para cima do cão, , agora na forma de uma grande pantera negra, partiu para cima dele.
Me desculpe, ela pensou, enquanto mordia o braço de Remus, fazendo-o largar Sirius com um uivo alto.
O lobisomem arrancou-a de si, mas ela mordeu a mão dele de novo. Ela olhou para o cão Sirius e rosnou, torcendo para que ele entendesse que deveria ir embora. Os dois animais se encararam, antes que o cão preto enfim virasse de costas e corresse na direção das crianças.
Eles gritavam e conversavam, mas ela não conseguia entender nada, focada no grande monstro a sua frente. Monstro que, naquele momento, ela precisava esquecer que já amara. O lobisomem grunhiu, mas dessa vez conseguiu contra atacar, a garra se raspando na barriga de . Por sorte, ela conseguiu desviar, mas outro golpe veio logo em seguida na mesma direção. Quando a outra pata se fincou na sua barriga, dessa vez ela não conseguiu sair da frente. A dor imediatamente se espalhou pelo seu corpo, e ela ganiu alto. Tudo queimava, e sua visão começou a escurecer, mas ela precisava ganhar mais tempo para as crianças. Para Sirius.
Ela rosnou, e sua garra se fincou na perna dele, fazendo-o uivar de novo. Sangue escorria do seu corpo em uma quantidade assustadora. Tanta era a dor que ela mal processou como a atmosfera estava esfriando, focada em desviar de mais golpes e mantê-lo afastado. Mas, em algum momento, a lentidão em razão da ferida a fez ser capturada. O lobisomem conseguiu agarrá-la pelo pescoço e a jogou em direção a uma árvore.
Depois disso, tudo ficou preto.
despertou na manhã seguinte com dor, sentindo-se desnorteada. As luzes brancas da enfermaria a receberam, e ela piscou com força, a visão embaralhada. Quando passou a se sentir melhor, tentou se levantar da cama, apenas para soltar um grito involuntário com o esforço.
Madame Pomfrey apareceu na mesma hora, com a testa franzida.
— O que está fazendo? Não pode se levantar, você foi gravemente ferida!
— O… o quê? — perguntou, confusa. Então, levantou as cobertas e percebeu que suas roupas haviam sido substituídas por uma camisola hospitalar e algumas bandagens. As memórias da noite anterior começaram a voltar a sua cabeça e ela se sobressaltou. — As crianças! Como estão as crianças? E… e o prof. Lupin, e… Sirius Black e…
— Fique tranquila, as crianças foram liberadas agora a pouco! O prof. Lupin machucou apenas você, mas aqueles terríveis dementadores quase levaram o garoto Potter… E nem mesmo conseguiram matar Sirius Black, que escapou novamente! Sorte que o prof. Snape estava lá e salvou as crianças.
O tom de voz da enfermeira entregou que muita coisa no plano deles de inocentar Sirius e entregar Peter havia dado errado. Mas como? Suas mãos começaram a tremer sem que ela percebesse.
— Ah, querida, fique tranquila! Beba um chocolate quente e repouse, você precisa se recuperar dos ataques de um lobisomem, sim?
Mas nem o chocolate quente conseguiu alegrar a alma de . O que seria deles agora? O que seria de Sirius, para sempre um foragido injustiçado?
Ela se sobressaltou e saiu de seus pensamentos quando as portas da enfermaria se abriram, mas relaxou quando percebeu que era o diretor.
— Professor Dumbledore, ah, eu preciso falar com o senhor!
— Não se preocupe, vim aqui para falar com você, prof. . Papoula, poderia nos dar um instante?
— Claro, diretor.
A enfermeira se retirou e tentou se sentar na mesma hora para ficar mais apresentável, mas a dor a impediu.
— Recomendo que continue deitada, prof. . O prof. Snape a encontrou em uma situação bem delicada. Acredito que tenha tentado defender as crianças do lobisomem.
— Mas falhei. Nós falhamos. Diretor, há tanto que eu preciso lhe contar…
— Gostaria que ficasse tranquila quando lhe afirmo que Harry Potter já me esclareceu pessoalmente a situação e que acredito que Sirius Black seja inocente.
— Então temos que provar!
— Infelizmente, Peter Pettigrew fugiu ontem à noite, possivelmente para se reunir com Voldemort. Nossa sorte foi que as crianças conseguiram tirar Sirius daqui com vida, mesmo que não haja como provar seu envolvimento. — O diretor piscou, com um sorrisinho. — Para um homem condenado, reencontrar amigos, confiança e a própria vida já é um avanço.
— Mas isso não é justo — sussurrou a professora e sentiu uma lágrima escorrer dos olhos.
— As coisas nem sempre são justas. A morte de James e Lily, um menino órfão, a morte de tantos trouxas, condenações erradas, infelizmente isso faz parte da guerra, e talvez ela não tenha acabado como achávamos.
Eles escutaram três batidas na porta da enfermaria.
— Entre — disse Dumbledore.
Timidamente, Lupin colocou a cabeça para dentro da enfermaria, os olhos tristes.
— Desculpe, diretor, não sabia que o senhor já estava aqui.
— Bobagem, eu já estava de saída. Acho que a prof. gostaria muito de conversar com você, não é mesmo?
apenas assentiu com a cabeça, os olhos fixos nos de Remus. Quando o diretor enfim fechou a porta atrás de si na sua saída, o professor continuou distante, perto da porta.
— Venha cá. Eu não mordo — brincou .
— É, mas eu sim.
A professora ficou séria, entendendo logo qual sentimento se apossava dele.
— Não ouse fazer isso.
Remus ergueu a cabeça, encarando-a, confuso.
— O quê?
— Não ouse se culpar como uma maneira de se afastar de mim. A culpa não é sua, é de Pettigrew, inteiramente dele!
— Mas eu fui um tolo e saí da sala sem tomar minha poção.
— Assim como eu também saí em disparada assim que vi os nomes no mapa. Como você pode se culpar se estava em choque depois de ver o nome de Pettigrew no mapa, quando ele deveria estar morto?
— Mesmo assim…
— Não. Sem desculpas. Descobrimos uma enorme traição e quase perdemos mais um amigo. Chega de tentar me afastar. — Ela pegou a caneca. — Vem, por favor, eu tenho chocolate quente.
E abriu um sorriso, que aos poucos começou a se espelhar no rosto dele, até se aproximar e se sentar ao lado dela na cama, aceitando a caneca..
— Assim é difícil de negar.
Ela soltou uma gargalhada, mas parou quando sentiu dor no machucado. Tentou disfarçar, mas ele sempre a lia como um livro, não importava quanto tempo se passasse.
— Eu vim aqui não só para te pedir desculpas, mas para te contar algo.
Ela franziu a testa, percebendo que não era uma decisão boa, não pela expressão que ele fazia. Ainda assim, se manteve em silêncio e esperou que ele continuasse.
Remus tomou um gole do chocolate quente, como se ganhasse tempo, então soltou um suspiro.
— Eu me demiti.
Os olhos de saltaram de seu rosto.
— O quê?! Você não pode fazer isso, você é o melhor professor de Defesa Contra as Artes das Trevas que as crianças já tiveram, todas me falaram isso!
— Agradeço os elogios que eu não mereço. — Ele coçou a cabeça. — Mas, depois de ontem à noite, não acho que é o mais seguro para a escola.
— Isso é uma besteira, você só esqueceu da poção uma vez! A partir de hoje, eu me comprometo em lembrá-lo.
— Você sempre foi tão determinada. — Ele sorriu, olhando-a no fundo dos olhos, e ela sentiu o coração acelerar. — Mas não adianta. Achei melhor me retirar antes que as cartas dos pais comecem a chegar.
— Cartas? Por que chegariam cartas?
— Talvez Snape tenha deixado escapar para os alunos, acidentalmente, que eu sou um lobisomem — disse Remus, tranquilo, tomando mais um gole da caneca.
Mas estava longe de estar tranquila. Não, na verdade, seu corpo fervia.
— Snape. Ah, eu vou matá-lo com minhas próprias mãos! Ninguém o demite por ser um ex-comensal, mas você não pode trabalhar por ser um lobisomem? Dumbledore não vai permitir que te ataquem!
— Mas Dumbledore não merece ter que lidar comigo mais uma vez.
— Não fale assim — disse, fervorosa. — Não ouse falar de si mesmo como se fosse um fardo. Você é muito mais, merece muito mais.
Seu rosto ficou vermelho de raiva e suas mãos chegavam a tremer. Ela nunca permitiria que machucassem a pessoa que ela amava.
Porque aquela era a verdade. Mesmo após tanto tempo, ela ainda o amava, e aquilo era claro como o sol.
Talvez tão claro que Remus tenha lido sua expressão, e sua boca tenha se aberto em um pequeno “o”, antes de se abrir em um sorriso.
— O que foi? Por que você está sorrindo? — reclamou , nervosa.
— É que você fica linda me defendendo — falou Remus, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela.
— Você já falou isso antes — replicou, revirando os olhos para fingir que aquilo não mexia com ela.
Mas não adiantava tentar enganá-lo.
— É. Eu falei mesmo.
E se inclinou para beijá-la. Delicadamente, pois era como explorar um novo território, mas logo a familiaridade tomando conta. Com muito cuidado por causa de seus machucados, ele se inclinou mais, aprofundando o beijo.
— Prof. Lupin, por Merlin, saia de cima da minha paciente!
Os dois se afastaram com as bochechas vermelhas conforme Madame Pomfrey retornava à enfermaria, antes que começassem a rir baixinho.
— Me desculpe, eu já estou de saída. Só quis me despedir.
arregalou os olhos.
— Você já vai hoje?
— Eu preciso. Não quero ser risco para mais ninguém. — Ele sacudiu a cabeça.
Mas eles haviam acabado de se beijar. O que aquilo significava? Que era o fim? Que ele sumiria de novo? Não havia como confiar que ele não desaparecia mais uma vez, novamente levando seu coração junto.
Porém, Remus sabia ler seus olhos angustiados. Ele juntou as mãos dos dois e depositou um beijo nas palmas dela.
— Não vou cometer o mesmo erro dessa vez, eu vou me manter perto — sussurrou para que a enfermeira não ouvisse. — Me manterei perto de você, Harry e Sirius. Nunca mais vou fugir de quem eu amo.
O coração dela acelerou com a resposta, e seu rosto relaxou em um sorriso.
— Acho bom, senão vou mandar uma pantera atrás de você.
Ele gargalhou, sendo acompanhado por ela. Não queria soltá-lo, ainda não. Mas soltou as mãos dele mesmo assim.
Porque, dessa vez, ela confiava que ele iria voltar.
— Boa viagem.
— Obrigado. Te vejo nas suas férias.
Ela abriu um sorriso.
— Mal posso esperar.
E talvez as coisas pudessem ter sido diferentes antes, para que eles nunca tivessem se separados, sempre pudessem ter sido certos um para o outro. Mas estavam tendo uma nova chance, e ela não iria desperdiçá-la. Por isso, acenou em despedida conforme ele se retirou da enfermaria, sempre espiando e olhando para ela, e, quando a porta se fechou, ela soube que uma nova janela estava se abrindo em sua vida.
FIM!
Nota da autora: Obrigada por chegar até aqui! Apesar de amar esse álbum, eu não sabia nem que música escolher, apenas que queria muito escrever uma história com o Lupin!
Então, reescutando the 1, a ideia veio toda na cabeça. Reli os livros e me envolvi escrevendo essa história que passou a morar no meu coração, e que eu espero que encante vocês como me encantou!
Não se esqueçam de comentar! Beijinhos <3
Então, reescutando the 1, a ideia veio toda na cabeça. Reli os livros e me envolvi escrevendo essa história que passou a morar no meu coração, e que eu espero que encante vocês como me encantou!
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