Revisada por: Calisto
Finalizada em: 13/01/2026
CAPÍTULO ÚNICO
Porque essas paredes nunca cairão
Eu só quero que o mundo saiba
Que o que temos é inquebrável”
Boom! — Simple Plan
Algumas luas após o casamento, Wylde nem sequer pestanejava ao ouvir a porta do quarto bater com tamanha força. Não eram raras as vezes em que o príncipe retornava aos aposentos compartilhados fora de si, enfurecido e incapaz de aguentar o que o mundinho Targaryen, repleto de mágoas familiares, lhe oferecia. Apesar de a corte ser algo novo para ela, sempre esteve acostumada a se esforçar para não se importar com as imposições do mundo sobre si — afinal, nascera mulher. Portanto, não demorou muito para se habituar ao local e às demandas e, com o tempo, percebeu que tinha um pouco do que faltava ao seu marido.
O príncipe Aemond Targaryen tinha um temperamento forte e caótico, e os problemas pareciam persegui-lo desde a infância. Aos olhos de , seis anos mais velha, a pouca idade revelava um jovem garoto em sua fúria descontrolada, carente da estabilidade que apenas a experiência dela poderia suprir. Ele não desejara esse casamento tanto quanto ela e, mesmo que tivessem se conhecido apenas no dia da união, ambos cumpriram tudo o que lhes fora imposto. Era um bom arranjo para os dois lados, afinal de contas. era filha de Jasper Wylde — o Mestre das Leis do reino — com a terceira de suas quatro esposas; e Aemond era um príncipe Targaryen. Não era como se pudesse subir mais do que isso.
Ainda sentada em frente à lareira, a mulher tirou os olhos das páginas antigas e manchadas do livro, e desviou-os para a tempestade ambulante que era o marido. Aemond havia aberto o cinto da espada e o jogado no chão sem cerimônias. Ele levou a mão aos cabelos prateados em um claro movimento de frustração e escorou as costas contra a porta como se algo profano pudesse entrar a qualquer momento se ele saísse dali. Baixou a trança com força, só para garantir. Estresse e irritação pareciam percorrer suas veias e emanar de seu corpo.
— O que aconteceu, meu… bem? — Fechou o livro em seu colo. Iria chamá-lo de “meu amor”, mas talvez fosse um pouco cedo demais para usar esse rótulo.
Aemond olhou para ela, como se apenas então se desse conta de sua presença.
— Meu bem…? — repetiu devagar, um sorrisinho irônico tomando seu rosto. — Essa é nova.
— Se não gostou do apelido, posso mudar. — Observou conforme ele se afastava da porta. A raiva parecia irradiar de cada um seus poros, e sabia que logo tudo explodiria e respingaria nela. — E você não respondeu à minha pergunta.
O garoto sacudiu a cabeça. Não estava com disposição para toda aquela calma vinda de sua esposa. Precisava extravasar a raiva, descontar em alguma coisa… qualquer coisa. Parou ao lado da poltrona em que Wylde se sentava. Estava agora a uma distância em que poderia tocá-la, mas apenas a perscrutou de cima.
— Qual foi sua pergunta mesmo… meu bem? — perguntou, por fim.
— Perguntei-lhe o que aconteceu. — Colocou o livro de lado sem ousar tirar os olhos do marido, que erguia-se sobre ela. — Quero saber o que ou quem te deixou tão bravo a ponto de você entrar em nossos aposentos se desfazendo das coisas com tamanha raiva.
O príncipe Aemond estendeu a mão e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela, permitindo que os dedos esbarrassem de leve em sua pele. A mulher nem sequer se mexeu. Não o temia, de fato, mesmo ele estando naquele estado. E ele meio que gostava disso.
— Todo mundo — sibilou entredentes. — Todo mundo é tão irritante. Parece que ninguém tem nem sequer um pingo de juízo na cabeça.
— Certo… A falta de juízo deles é o suficiente para te deixar tão irritado assim? — Ela envolveu seu pulso, como se o mero toque pudesse acalmar uma raiva que chegava cada vez mais perto do ponto de ebulição. — Porque, quando você entrou aqui e jogou o cinto da espada no chão, parecia que estava mais do que pronto para matar alguém.
— Eu poderia matar um deles — disse.
— Ah, eu aposto que sim — respondeu. — Principalmente sua mãe e seu irmão, imagino. Mas, se eu puder fazer um pedido especial, acrescente meu pai à lista.
— Ele já está, mas não é hora para brincadeiras, — resmungou.
— Eu pareço estar brincando? — Olhou bem para ele. Quando dizia respeito a ela, Aemond nunca tinha certeza. E isso mexia com ele.
— Certo. A falta de juízo deles está me deixando louco há meses, como bem sabe. — Ele segurou seu queixo e a fez olhar para cima, para ele. — E você está absolutamente correta sobre a parte de matar alguém. Estou tão furioso que poderia matar todas as pessoas nessa fortaleza maldita.
— Até eu, meu amor? — Ela, enfim, usou o apelido que queria.
— Não, você não. — Ele soltou seu queixo e acariciou sua mandíbula. — Nunca você.
— Obrigada, eu acho. — sorriu. — Mas está tudo bem, sabia? Às vezes eu também quero matar todo mundo.
Aquilo lhe arrancou uma risadinha suave.
— Quem diria que me casei com uma mulher que consegue lidar com a minha raiva? — Pressionou a ponte do nariz e fechou o olho por um momento. — Me perdoe, amor, por ter entrado aqui como um louco.
— Não tenho nada a perdoar. Sério. Na verdade, até gosto — admitiu e recebeu uma sobrancelha arqueada em um questionamento mudo. — Ah, não! Não é como se gostasse de te ver sofrer, é só que… São nesses momentos que eu meio que consigo te ajudar, te dar algum tipo de abrigo, mesmo que momentâneo. São nessas horas que nos sentimos como algo mais do que um casal que não teve escolha a não ser se casar.
Aemond soltou um suspiro e envolveu uma das mãos dela em um toque cálido e gentil.
— Eu nunca tinha encarado dessa forma — reconheceu —, mas você tem razão. É em momentos como este que não me sinto fazendo parte de um casamento forçado, e sim como uma pessoa que pode se apoiar na outra quando necessita.
— E você precisa de mim agora, não precisa? — levantou-se para ficar cara a cara com seu marido.
— Sim… — respondeu ao ver tanto preocupação quanto compreensão transbordarem dos olhos dela. — Preciso de você agora mesmo.
— Eu sei. — Ela tocou o rosto dele graciosamente. — Sabia desde o momento que passou por aquela porta.
— Você me conhece tão bem — murmurou, de olho fechado.
— E só te conheci algumas luas atrás, quando nos casamos. — Ela riu. — Sabia que eu achava que você não fosse gostar de mim por causa da diferença de idade? O comum é homens mais velhos se casarem com garotas mais jovens, não o contrário.
— Pois é. No começo, não gostei. — Aemond desviou o olhar por um momento, lembrando de como ficara incomodado ao saber que a mulher com quem se casaria era seis anos mais velha que ele.
— No começo… — repetiu . Havia gostado da escolha de palavras do seu príncipe.
— Sim, no começo. — Voltou a encará-la. — Achei que seria muito madura para mim, refinada demais.
— Bem, eu sou tudo isso, não sou? — Deu de ombros. — É exatamente por isso que sempre vem até mim.
— Sim, suponho que sim. — Deixou uma risada suave escapar. Não havia como negar a verdade naquelas palavras. — Há alguma coisa aí, algo que me faz querer me perder em você.
— Errado — corrigiu-o. — Você nunca se perderá em mim, Aemond, você vai se encontrar em mim.
— Está certa de novo, não está? — Fechou o olho e suspirou. — Estou sempre me encontrando em você e descobrindo que te desejo de maneiras que nem consigo explicar.
— Nunca pensei que pudesse vir a gostar de você sendo tão mais novo que eu — confessou ela. — Mas você é astuto, ambicioso e até charmoso, para falar a verdade. E agora estamos aqui, e eu até já aprendi algumas maneiras de te impedir de ter um colapso.
— Sério? — Aemond não foi capaz de esconder o sorriso. Sempre fora um tantinho arrogante e confiante demais. Os elogios de eram a música mais perfeita para seus ouvidos. — E como planeja me salvar do meu colapso iminente, amor?
— Já estou fazendo isso, caso não tenha percebido. — Piscou para ele. — Prefere algum outro jeito?
— Na verdade, não. Está funcionando muito bem. — Olhou bem para ela, tão próxima. — Mas já que mencionou, há, sim, outras maneiras.
— De fato, há. Muitas e muitas maneiras. — acariciou seu rosto e deslizou o polegar sobre seu lábio inferior. — O que você quer, meu amor?
— Você — sussurrou. — Eu quero você de todas as maneiras possíveis.
— Bem, você já me tem. — Fixou seus olhos no dele. — Me tem de todas as maneiras possíveis desde o começo.
— Não estou satisfeito. — Agarrou a cintura dela e puxou para ainda mais perto. — Quero mais. Preciso de mais de você.
— Posso ver. Posso sentir. — Envolveu o rosto dele com ambas as mãos. — Sabe que isso não vai fazer seu ataque de raiva passar, certo?
— Eu sei, mas não me importo. — Seus músculos se tensionaram. — Preciso de você, , preciso me perder em você.
— Eu já te disse uma vez! — Deu um tapa no rosto dele, sem muita força. — Você não se perde em mim, se encontra.
Seu olho queimou com um brilho quase selvagem, no entanto, ele não se moveu.
— Sim — reconheceu. — Eu me encontro em você, repetidamente. Você ilumina a escuridão em mim e me completa de um jeito que pensei que nem existia.
— Isso mesmo. — Sorriu para ele. — E eu me sinto completa quando consegue se encontrar em mim e ser você mesmo comigo.
— Tem razão. — Aemond a puxou para si em um abraço forte e enterrou o rosto no pescoço dela. — Só posso ser eu mesmo perto de você. É a única para quem posso mostrar minhas fraquezas e medos sem que me julgue por isso.
— O que significa que foi um longo caminho até chegarmos aqui. Muito longo. — Fechou os olhos e seus dedos traçaram um caminho na nuca dele como se fosse o mais importante mapa. — Em nossa primeira volta de lua juntos, quase não nos olhávamos, exceto quando tínhamos que cumprir nosso dever na cama.
— Era frio, não era? — Aemond riu baixinho. — Não foi fácil no começo, nem um pouco. Éramos apenas dois estranhos desajeitadamente cumprindo nossos deveres um para com o outro.
— Dois estranhos que, no início, não queriam estar um com o outro nem mesmo fisicamente — concordou. — E mais para a frente, superado a parte da falta de desejo, não queriam saber de conversas.
— Éramos tão teimosos — comentou em tom de diversão. — Ainda somos.
— Pois é! — Ela riu. — A primeira estranheza foi desaparecendo aos poucos porque eu comecei a me abrir para você quando vinha para a cama. Fisicamente…
— E depois emocionalmente, eu me lembro. Fiquei tão surpreso na primeira vez em que percebi que estava se entregando para mim de verdade — contou. — Não esperava que um dia aquilo aconteceria, que dirá tão facilmente.
— Ei, não foi tão fácil assim — resmungou em resposta. — Estava me incomodando pensar que esse casamento poderia ser apenas dever até o fim da minha vida. Eu queria um respiro, ao menos na parte física.
— Bem, foi mais cedo do que eu imaginava — falou. — E me pegou desprevenido.
— Exatamente como eu queria. — segurou a mão dele e o levou até a cama. — E então começamos a fazer do nosso jeitinho, você e eu. Enfim passamos a nos enxergar como mais do que marido e mulher atados ao dever, acho.
— Sim, começamos a nos ver como pessoas — concordou ao sentarem-se. — Começamos a nos permitir enxergar os pontos fracos e fortes um do outro, nossos defeitos e qualidades. E agora vemos um ao outro como muito mais do que apenas nossas posições de dever dentro do casamento.
— E isso me ajudou a me ver como uma pessoa também. — Ela subiu no colchão e se deitou. — Uma pessoa que pode ser mais do que apenas o papel que me impuseram, alguém que pode sentir, que merece sentir algo maior, uma mulher que pode ter desejos.
Aemond deitou-se também e virou-se de lado, apoiando a cabeça sobre a mão.
— Você é muito mais do que o papel que lhe deram, amor. — Ele colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. — Merece sentir, ter desejos, ser mais do que apenas uma peça em um esquema político.
— Pois é, mas foi por política que me mandaram direto para os seus braços. Acho que essa é a nossa ironia, não? — Ela riu, de leve. — Você também merece tudo isso, meu amor, você também. — Era o que queria dizer a ele desde o início. — Está cheio de raiva agora, não é? — Envolveu o rosto do príncipe nas mãos e puxou-o para perto, tascalhando-lhe um rápido e carinhoso beijo nos lábios. — Você é mais do que isso, Aemond, mais do que aquilo que a detestável da sua mãe quer que você seja.
— Tem razão — murmurou sem afastar o rosto; não ousaria. Wylde sempre parecia sábia em um grau maior do que era possível ser, mesmo com toda a experiência de seus seis anos de diferença de idade. — Eu sou mais do que a minha raiva, mais do que aquilo que Alicent quer que eu seja.
Chamar a mãe pelo nome sempre lhe dava a sensação de distanciamento dela, o que era bom. Era o máximo que conseguia. E a estranha sensação de alívio que lhe causava com certa frequência o fazia reunir mais coragem do que tinha.
— Você é o meu homem — sussurrou ela. — Isso é tudo o que precisa, Aemond, ser o meu homem. É aí que você precisa colocar a sua fúria… aqui. Pelos menos agora.
Aemond afastou brevemente seu rosto do dela, apenas para poder olhar em seus lindos e insinuantes olhos. Não precisava de mais palavras para entender o que aquilo significava.
— Farei isso, meu amor. — Assentiu enquanto afagava seus cabelos e escorregava a mão até o pescoço em um carinho afobado, intenso. — Eu colocarei toda a minha fúria aqui.
— Perfeito. Você se sentirá melhor, prometo. — deslizou o polegar sobre os deliciosos lábios dele. — Assim como eu me sentirei.
— Promete mesmo? — Sua voz saiu baixinha, mas suas mãos eram hábeis em deslizar sobre a túnica de dormir de sua esposa.
— Com todo o meu coração — garantiu. — Pegue o que precisar de mim, amorzinho.
— Tem certeza? — Desceu os lábios até o pescoço dela e deu uma leve mordida. — Você vai me dar tudo?
— Não posso te dar o que já é seu, posso? — Ela riu, e ele sentiu o peito apertar. Sabia que não havia mentiras ali. Wylde já era sua de todas as maneiras e em todos os sentidos possíveis.
— Você é minha, não é? , você é a melhor parte de mim. Talvez a única parte boa que eu tenho. — Beijou um dos lados de seu rosto enquanto sua mão acariciava o outro. — Cada parte de você é minha… e somente minha.
— Perfeita e inteiramente sua — sussurrou de volta. — Agora tire a roupa, amorzinho, eu quero ver o que é meu por direito.
Aemond sorriu ao se afastar rapidamente para se livrar de seus calçados e da roupa que parecia lhe apertar. abriu um sorrisinho de contentamento ao ver a luz das velas incidir sobre seu corpo pálido. Jamais se cansava dele, fosse do jeito que fosse. Ele ajoelhou-se entre suas pernas e deslizou as mãos por suas coxas enquanto a admirava.
Após algumas carícias, ele a fez se sentar na cama para que retirasse a túnica de dormir e expusesse seu corpo a ele como tantas vezes antes. Tudo isso em movimentos lentos, como se estivessem em um ritual sagrado. Talvez estivessem mesmo. abarcou o rosto dele com a mão. Gostava do toque, da conexão. Ambos gostavam. Quando estavam um com o outro, assim, não precisavam esconder nada. Podiam ser quem eram e quem nem sempre gostavam de ser. Estavam nus um para o outro em todos os sentidos.
Aemond a empurrou de volta contra o colchão com uma gentileza que quase não combinava com ele. Mas seus toques e apertos compensaram quando lhe deu um beijo tentador. Sua boca logo moveu-se para o pescoço de , alternando entre beijos e chupadas, do jeito que sabia que ela gostava. Desceu seus lábios pela clavícula, e depois pelo peito enquanto sua mão apertava-lhe o seio suavemente, apenas para provocar. Ele ergueu o olhar para capturar o dela. Aemond a queria. Precisava de Wylde como nunca precisou de ninguém em toda a vida. E era bom ver um pouco daquilo refletido nos olhos dela.
E , de fato, sentia. Estava excitada, animada e até mesmo algo além disso. Algo que não conseguia nomear. Ou temia. Seu corpo pulsava por ele, seu coração batia por ele a ponto de explodir. Era tudo por ele, para ele, por esses momentos de vulnerabilidade em que ambos tinham um ao outro por inteiro.
Ela deixou um gemidinho escapar quando ele abocanhou o outro seio com uma mordidinha instigante. Quando olhou para o seu rosto outra vez, umedeceu os lábios, sem ousar tirar os olhos dele. Aemond amava vê-la daquele jeito, amava fazê-la ficar daquele jeito. Eram nesses momentos roubados que encontrava o maior refúgio em , onde podia ser vulnerável. E ela sabia disso. Seus olhares trocados diziam mais que tudo, mas Aemond conhecia sua esposa suficientemente bem para saber que ela sempre gostara de palavras.
— Você é tão linda — sussurrou. — Estou tão perto de me perder em você.
— De se encontrar, você quer dizer — corrigiu-o.
— Sim — admitiu, fechando os olhos. Era isso, não era? Ele sempre se encontrava nela, com ela, em cada toque, em cada momento vulnerável… Só era plena e verdadeiramente ele mesmo quando estava com ela. — Você está certa. — Voltou a beijar o corpo dela, mas parou para acrescentar: — Como sempre.
— Eu amo momentos assim, sabia? — Afagou os cabelos dele enquanto ele descia seus beijos mais e mais. — Os nossos momentos.
— Só nossos. — Beijou carinhosamente sua barriga e olhou para ela. — Eu os amo, também.
Eles trocaram um sorrisinho mínimo que dizia muito mais do que seu tamanho. Era a primeira vez que falavam sobre amar algo sobre o outro.
— Canalize sua raiva em mim de outro jeito, Aemond — exigiu. — Pegue o que precisar. Estou aqui por você, para você.
— Tem certeza disso, meu amor? — Ele cravou os dedos nos quadris dela. — A fúria é muita, eu não vou ser gentil.
— Toda vez que me diz isso, acaba sendo mais gentil do que em todas as outras. — riu, e ele acabou rindo também.
— Por que sempre tem de estar certa, ? — Ele revirou os olhos. — Eu acabo sendo muito mais gentil do que imagino quando você diz coisas assim.
— Exato. Você é o meu homem, não é, amorzinho? — provocou-o. — Então deixe-me ser sua mulher.
— Tem toda a razão — disse. Ele ia pegar dela tudo o que precisasse, ainda mais quando ela estava tão disposta a isso. — Você é a minha mulher, e eu vou te mostrar o quanto.
puxou o rosto do marido de volta até o seu e tascou-lhe um beijo selvagem, de aprovação. Então envolveu a mão dele e a direcionou para o meio das coxas.
— Estou pronta para você me mostrar — sussurrou sedutoramente.
Aemond tentou, mas não conseguiu reprimir o som que escapou-lhe a garganta quando a sentiu, mais do que pronta para ele.
— Sabe que eu nunca consigo resistir a você assim, toda corada e me desejando, falando essas coisas, fazendo essas coisas — murmurou contra a boca dela, que soltou um ofego quando ele deixou seus dedos brincarem contra a umidade dela apenas o suficiente para provocá-la e depois os tirou de lá, subindo-os para explorar seu corpo enquanto sua outra mão entrelaçava-se com a dela. — Você está me deixando louco, meu amor.
— E você está aprendendo direitinho comigo. — Ela riu. — Te deixar louco desse jeito é exatamente o ponto agora, não é?
— Maldita seja, sua provocadora! — Mordeu o lábio dela. — Você sabe bem o que está fazendo comigo.
— Claro que sei. — Sorriu, orgulhosa. — É por isso que você sempre volta correndo para os meus braços quando fica chateado, irritado, bravo…
Aemond olhou bem para o rosto de sua esposa. A mulher o conhecia tão bem que era impossível argumentar contra o que acabara de dizer. Na verdade, poderia até adicionar os momentos de frustração e inúmeras outras coisas à lista que ela enumerara. Wylde se tornara seu porto seguro, e era nela — e apenas nela — que encontrava conforto e alívio.
— Sim, eu admito. — Deslizou a mão pela coxa dela, em um toque terno. — Você é meu refúgio, minha fuga de todos esses sentimentos e emoções que me atormentam.
— Olhe para mim, Aemond. — Ela abarcou seu rosto com a mão. — Sendo sua esposa, fico feliz por poder ser a sua fuga perfeita.
— Isso! É isso que você é, meu amor, a minha fuga perfeita. — Acariciou suavemente sua bochecha. — Ah, , você não faz ideia do quanto eu preciso de você, do quanto anseio pelo seu conforto e seu toque. Você é a única capaz de me acalmar, de aliviar minha raiva, a minha ira e a minha dor.
— E sabe por que eu não tenho ideia do quanto, amorzinho? Porque você nunca me disse isso antes.
Seus músculos se retesaram em resposta ao comentário. Sabia que ela estava certa. Apesar de ter demonstrado vez ou outra por meio de ações, nunca havia posto em palavras o quanto ela significava para ele, o quanto precisava dela para além dos momentos em que dividiam a cama.
— Tem razão outra vez, meu amor, mas estou dizendo agora — explicitou. — Sou só um garoto feito de fogo e sombras, e você é uma mulher que carrega consigo uma luz suave e constante, perfeita para me iluminar e me fazer lembrar que posso ser mais do que apenas isso. Você é um farol no meio da tempestade que eu sou — declarou, sem tirar os olhos dela, temendo qualquer reação negativa de sua esposa. — Sei que nunca disse isso antes, mas não significa que não seja verdade.
— Eu acredito em você. De verdade. E com o tempo, eu fui percebendo um pouco disso, com os gestos, as conversas. Mas só agora sei o quanto, e também sei como você me faz… — hesitou em completar a frase. Aemond, porém, notou que sua esposa estava com dificuldade para dizer algo muito importante; ele podia ver a luta em seus olhos. Ele mesmo já estivera nesse lugar tantas vezes.
— Como eu te faço o quê? — encorajou-a a continuar, exatamente como ela sempre fazia com ele.
— Sentir. — A palavra saiu arranhando sua garganta.
— E o que você sente? — perguntou com gentileza, mesmo já sabendo a resposta. — Diga-me, amor, o que eu te faço sentir?
— Sabe muito bem como me faz sentir, Aemond. No fim das contas, você me conhece. — Fechou os olhos e respirou fundo. — Acho que sabe o que sinto melhor do que eu mesma.
Aemond assentiu. Podia ver as emoções estampadas no rosto dela, o turbilhão de sentimentos que estava vivenciando naquele exato momento.
— Eu te conheço muito bem, não é? — comentou. Apesar de não estar se gabando, sentia um orgulho indescritível em seu peito.
— Mais do que qualquer outra pessoa — suspirou.
— Está certa, eu sei o que sente. E sabe por quê? Porque consigo ver nos seus olhos, na sua linguagem corporal, em como reage a mim e me protege. Posso ver em cada movimento seu. — Deslizou a mão levemente por sua clavícula em um carinho terno. — Você se sente exatamente como eu.
— E como se sente, marido? — enfim tornou a abrir os olhos para olhá-lo.
— Como nunca me senti antes — murmurou, seu coração batia forte no peito. — Sinto-me querido, necessário, desejado. Me sinto… protegido. Quando estou com você, meu coração maluco e estranho dispara, queima, e eu me sinto mais vivo. E quando fico sem você, me sinto perdido, vazio.
— Como se algo estivesse faltando — completou ela. — É isso... É isso que eles chamam de...?
— Amor? — sugeriu ele, quase como se fosse uma palavra estrangeira. Por mais que nunca tivesse dito isso em voz alta nem para si mesmo, o sentimento que nutria por só podia ser o amor em sua forma mais pura; algo que Aemond jamais acreditou ser capaz de sentir. — Sim, eu acho que é — admitiu. — E acredito que encontrei isso em você.
sorriu, não pôde evitar.
— E eu, em você. — Ela encostou a palma da mão no peito nu dele. — Nunca pensei que teria isso, nem com você, nem com ninguém.
— Eu também não. — Aemond cobriu a mão dela com a sua, se perguntando o quão bem ela podia sentir seu coração disparado. — Mas agora que tenho, jamais deixarei ir.
— Também não deixarei — prometeu.
deslizou a mão até a nuca de Aemond e seus longos cabelos prateados em um toque carinhoso. Então, com toda a gentileza do mundo, removeu-lhe o tapa-olho. Na primeira vez que Aemond o tirara na frente dela, se assustara ao ver o que havia por baixo. Nem mesmo a safira no lugar onde o olho deveria estar fora capaz de abrandar o choque inicial. Depois do acontecido, Aemond evitara tirá-lo na frente dela, e toda vez que cumpriam seu dever na cama, ele sempre o mantinha. Mas agora era diferente. Tinha que ser.
tocou no rosto de seu marido como se estivesse lidando com a coisa mais pura e frágil do mundo conhecido. Seus dedos gentis traçaram sua cicatriz como o mais precioso caminho de um mapa do tesouro. Aemond prendeu a respiração, seu olhar fixo em . Ele se sentia exposto demais, vulnerável demais, mas não recuou nem sequer uma respiração de distância. Sabia que podia confiar nela; no fim das contas, era na direção dela que corria quando as coisas ficavam ruins.
— Você… não tem mais medo — constatou ele, a voz carregada de surpresa. — Não acha isso horrível. Nem desvia mais o olhar.
— Não mais, amorzinho, não mais. — Ela depositou beijos em todo o rosto dele. — Sua cicatriz, seu olho perdido... Eles são parte de você, e eu gosto de cada pequena parte.
— ... — chamou, a voz embargada de uma emoção crua. — Ninguém nunca me aceitou como você. — Estendeu a mão e afagou-lhe os cabelos. — Ninguém jamais me olhou nem me tocou assim.
— Que bom, pois eu certamente ficaria com ciúmes, afinal, suponho que esse seja o significado de amar você. — Beijou os lábios dele com toda a calma. — Eu só queria olhar para você de verdade, como realmente é, enquanto me toma para você. Será a primeira vez.
— Você sempre me olhou com uma intensidade e desejo que ninguém mais demonstrou. — Escorregou a mão por seu corpo, descendo deliberadamente devagar, por mais que sua vontade fosse apressar tudo. — Desde a nossa noite de núpcias.
Ele a beijou apaixonadamente, e foi retribuído da mesma forma. Deslizou os dedos por sua coxa até chegar perto de sua umidade outra vez. Sabia que apenas algumas carícias bastariam para que ela voltasse a estar pronta para ele. Mas primeiro, acariciou um pouquinho mais a parte interna da coxa dela, local que era muito sensível. Uma bela maneira de provocá-la.
— No começo, te olhei assim porque você tinha um charme, e eu sabia que teria que viver o resto da vida com você, gostando ou não, então tentei o meu melhor. — Ela deixou escapar um suspiro quando Aemond subiu seu toque para aumentar seu prazer e prepará-la para ele. — Mas… Mas em algum momento, isso se tornou algo mais, algo que agora se transformou em amor.
— Sei bem o que quer dizer — murmurou enquanto seus dedos continuavam as carícias entre suas coxas. — Houve um tempo em que pensei que te odiaria, que jamais me importaria com você de forma alguma. Mas eu estava errado.
— Tão, tão errado — disse ela antes de grunhir em protesto por ele ter parado de tocá-la. No entanto, entendeu tudo ao ver o olhar dele. A hora havia chegado. — Sabe de uma coisa, Aemond? Você sempre me olhou com essa intensidade que há em seu olho agora… mas agora não existe apenas desejo aí.
— Tem razão, meu amor. — Aemond posicionou-se entre as pernas dela, as mãos acariciando sua pele enquanto a puxava contra si. — Há mais agora. Muito, muito mais.
Ele penetrou-a devagar, sem nenhuma pressa, mesmo que seu corpo gritasse pelo contrário. Queria que fosse bom para ambos; desejava lhe dar tudo o que tinha, e ainda mais. Essa podia até ser a milésima vez, mas nunca fora tão bom antes. Era incrível como a sensação era diferente — tanto para Aemond Targaryen quanto para Wylde —, pois agora sabiam o que sentiam e o que o outro sentia, entendiam o amor que compartilhavam.
se deleitava com cada toque compartilhado entre seus corpos, cada movimento que aumentava seu prazer. Levou a mão até a dele e entrelaçou seus dedos. Paixão e desejo compartilhados estavam estampados nos rostos e olhos de ambos. Naquele instante, cada pequeno som dizia mais do que qualquer palavra poderia.
— Deuses, Aemond… — Ela cravou as unhas nas costas dele em uma carícia amorosa. — Tudo está tão melhor agora.
Um som rouco escapou da garganta dele em resposta ao toque e às palavras de prazer. Capturou seus lábios em um beijo feroz, voraz, como se estivesse reivindicando um território que pertencia a ele e apenas a ele.
— Está tudo tão bom, sim, amor — ofegou ele. — Você é tão boa.
Aumentou a força e a velocidade de suas investidas. Sua necessidade por consumia até a última pontinha de sua alma. Ele a queria, precisava dela por inteiro; mente, corpo e alma. Estava se perdendo nela e nunca, jamais, gostaria de voltar a ser como antes.
— Eu quero… — a voz de foi cortada por um pequeno gemido — viver assim… para sempre. Com este sentimento.
— Eu também, meu amor — disse de volta. — Quero ficar assim para sempre, enterrado em você, com você, me sentindo mais vivo do que nunca
— Para sempre sua fuga — declarou ela. — Meu amorzinho… meu único amor.
Aemond se inclinou e pressionou um breve beijo em sua boca.
— Para sempre minha fuga, meu único amor — repetiu em um sussurro quase inaudível. Seus corpos moviam-se em perfeita sincronia, e cada nova estocada enviava descargas de prazer por seu corpo. — Minha fuga perfeita.
— Aemond… — chamou o nome dele como se fosse um belo segredo, seus lábios se tocando com o atrito de seus corpos. — Eu amo você.
Seus músculos se retesaram e um arrepio lhe subiu à espinha. Era a primeira vez que dizia aquelas palavras com todas as letras, a primeira vez que qualquer um deles dizia. E de algum modo que ele pensou que não fosse capaz, aquilo aumentou seu prazer, suas emoções, seu… amor? A resposta estava ali há muito tempo, só fora idiota demais, ferido demais para perceber antes.
Aemond capturou os lábios dela em um beijo desesperado e apaixonado. Seu corpo agora se movia com um fervor renovado, mas jamais o deixava para trás nos movimentos. Ele sabia que estava quase chegando lá, mais perto do que nunca do ápice do prazer. Sabia que sua amada esposa também não estava longe. Podia sentir isso no modo como o corpo dela respondia aos seus movimentos, na maneira em como se movia em uma perfeita e caótica sintonia com ele. Mas também sabia que ela demoraria mais. Aprendera a notar cada pequeno sinal que sua esposa dava.
— Eu amo você — ofegou, os lábios ainda pressionados contra os dela. — Eu te amo, maldita seja!
Aquilo arrancou uma risada gostosa dela, e seu riso se misturou aos arfados e gemidos. Era música para os ouvidos de Aemond, sua canção preferida entre todas que já ouvira qualquer cantor entoar nessa cidade.
— Maldito seja você, marido. — Um sorrisinho encantador e sexy dançou em seus lábios. — Deixa sair, amorzinho, só se entregue ao momento. Pode se preocupar comigo depois.
— Tem certeza, amor? — ofegou. Ele estava tão, mas tão perto, e ouvi-la dizer… não, pedir para que se soltasse… — …
— Esse amor não vai acabar tão cedo, querido, e nem o fogo. — Ela emaranhou os dedos em seus cabelos prateados e sussurrou em seu ouvido: — Deixe-me ser sua fuga perfeita, Aemond. Uma canção que você nunca vai querer parar de ouvir.
O som que ele deixou escapar quando as palavras fizeram efeito fez fechar os olhos e sorrir em deleite.
— Você já é. Minha fuga perfeita, a única canção… — Seus movimentos tornaram-se mais erráticos e desesperados. — Mais tarde… Eu…
— Sim, você pode dar um jeito em mim depois — garantiu. — Prometo.
— … — ofegou. — Vai me deixar cuidar de você… depois.
— E sempre — acrescentou ela.
— Sempre — repetiu. A tensão em seu corpo agora era quase insuportável. — Eu preciso… Tem certeza?
Ela assentiu firmemente.
— Deixa sair, amorzinho.
E ele deixou. Entregou-se ao momento de máximo prazer e agarrou as coxas de com força. Não conseguia se desconectar dela de nenhuma maneira possível enquanto seu corpo liberava a tensão. E quando acabou, desabou sobre ela, ofegante e trêmulo, o corpo — assim como o dela — coberto de suor.
Sua preciosa jazia agora ao seu lado, toda corada e com um sorriso gracioso no rosto, mesmo que ainda não tivesse alcançado seu clímax. Ainda. Aemond só precisava de um instante para se recompor e então cuidaria dela, adoraria cada pequeno centímetro do jeitinho que ela merecia.
No entanto, para que não tivesse o prazer afastado de si, ele a acariciou preguiçosamente entre as coxas. O toque constante logo começou a arrancar pequenos suspiros dela. o dissera que o ritmo era o mais importante, então ele o manteve até que os suspiros viraram arquejos. Ela abriu os olhos e o fitou.
— Eu amo você, Aemond Targaryen. — Esticou-se para alcançar seus lábios e dar-lhe um beijo suave. — Prove-me, amorzinho — praticamente implorou. — Apenas me prove.
Ainda que não tivesse se recuperado totalmente, Aemond não pôde resistir ao pedido. Retribuiu o beijo e escorregou os lábios até o pescoço. Seus lábios e língua beijavam e lambiam a pele exposta da mulher que ele amava. A mulher que fora entregue para ele como uma peça em uma trama política. A mulher por quem acabara desenvolvendo amor, paixão, necessidade… tudo.
Ele beijou e deixou pequenos chupões na linha da clavícula, em seu peito e barriga enquanto sua mão ainda trabalhava para lhe dar prazer. Quanto mais sua boca descia pelo corpo dela, mais seus dedos intensificavam o contato. Cada toque, cada beijo, cada movimento era uma adoração ao corpo de . E então Aemond afastou a mão e beijou a parte interna das coxas dela uma, duas, três vezes. Ergueu o olhar para fitá-la enquanto seu hálito quente a acariciava. A mulher estremeceu e, em seguida, a boca dele estava nela.
não foi capaz de conter um gemido quando toda a expectativa se tornou realidade. Ela impulsionou os quadris contra a boca dele. Já estava quase lá. O próprio ato havia lhe dado grande parte do prazer. Aemond apertou as mãos nos quadris dela em resposta ao movimento ousado. Havia tempo que não faziam desse jeito, e agora ele a recompensava com seus lábios e língua enquanto ela o recompensava com os sons que deixava escapar enquanto ele a saboreava. Ela sempre fora receptiva, mas hoje, depois de tudo, parecia ainda mais ávida por seu toque. E ele amava isso.
Os beijos dele, seus dedos, seus toques, sua adoração. Deuses, era perfeito. Tão, tão perfeito que até se esquecia da diferença de idade. Ela estendeu as mãos e agarrou-lhe os cabelos quando sentiu seus quadris e pernas começaram a tremer. Ela estava tremendo, seus músculos se contorcendo. Ela amou. Ainda mais do que das outras vezes. Ele tinha aprendido bem. E agora ela estava se desfazendo por ele. Nada poderia ser melhor.
— Aemond… — arquejou baixinho. — Meu amorzinho…
Aemond sorriu, contente, apaixonado. Adorava sentir se contorcer toda sob ele, adorava ser a pessoa que lhe dava todo aquele prazer. Ele definitivamente a amava, agora sentia isso com toda fibra de seu ser.
— Meu amor… — Subiu o rosto até a barriga dela, depositou um beijo calmo ali e a olhou, como se esperasse por um comando.
— Vem aqui — chamou-o. — Venha se deitar ao lado da sua mulher.
Aemond obedeceu imediatamente, rolando para o seu lugar. Com o corpo praticamente colado ao dela, o rosto a centímetros, conseguia ver com facilidade que sua esposa ainda estava sentindo os efeitos que ele surtira sobre ela. Puxou-a, então, para mais perto e envolveu os braços ao seu redor. Beijou-lhe o pescoço de um jeito carinhoso, sem desespero, enquanto acariciava suas costas nuas em um carinho terno, quase habitual demais.
— Você é tão perfeita, — elogiou, suas palavras quase um sussurro.
— Não, não sou — respondeu, com um sorriso enorme. — Isso é só porque você está apaixonado por mim.
Aemond se afastou um pouco e ergueu a cabeça para encontrar seu olhar com um semblante sério, muito sério.
— Não estou cego de amor, esposa — disse ele. — Eu vejo você. Vejo de verdade, com defeitos e tudo. E amo cada parte sua, até mesmo as nem tão perfeitas. É por isso que você é perfeita para mim.
— É recíproco, marido. — Envolveu o rosto dele em suas mãos. — Amo cada partezinha.
Ele cobriu a mão dela com a sua, o polegar acariciando os nós dos dedos. Deixou-se levar pelo toque terno por um momento.
— Que bom. — Um leve sorriso surgiu em seu rosto. — Porque eu tenho muitos hábitos ruins.
— Você acha que eu não sei? — Ela riu. — Que bom que te fiz sentir melhor, amorzinho.
— Ah, , você fez muito mais do isso. Sempre faz. — Ele riu baixinho, um gosto estranho na língua por confessar esse tipo de coisa. — Você me fez esquecer tudo o que era ruim, tudo o que veio antes. E tudo o que senti foi… você. A melhor coisa.
— Ei, cuidado com as palavras doces — brincou ela. — Estou começando a me sentir um pouquinho estranha aqui.
— Ah, é? — Aemond abriu um sorrisinho de pura provocação. — Não aguenta uns elogios, amor?
— Bem, o que posso dizer? Não estou acostumada. — Umedeceu os lábios, como se o ato fosse capaz de esconder seu rosto iluminado e sorridente. — Mas talvez queira saber que tudo o que senti foi você, também.
O sorriso de provocação se tornou um sorriso suave, quase doce nos lábios de Aemond.
— Eu, com certeza, quero saber. Sempre. — Levou a mão ao rosto corado dela em um carinho sincero. — Porque você é tudo o que eu quero, tudo o que preciso.
— Eu gosto de saber disso, de saber que você reconhece a minha importância na sua vida.
— Mas já que apesar de amar palavras doces, você não sabe lidar muito bem com elas, tem algo sério que preciso perguntar. E, , seja sincera comigo — pediu baixinho. — Quero saber se ainda seria capaz de sentir o mesmo por mim, e se seu apoio ainda seria incondicional se eu, de fato, acabasse por matar alguém?
— Olha, Aemond, éramos dois estranhos há poucas luas, não? Mas acabei encontrando em você uma cumplicidade que jamais pensei que teria. — Ela sorriu para ele. — Por bem ou por mal, a resposta é sim. Tenho certeza de que ainda seria capaz.
— Isso me deixa… aliviado. — Suspirou. Depois de alguns longos segundos em silêncio, perguntou: — Você estava falando sério mais cedo, quando eu estava querendo matar todo mundo e você me disse para adicionar Jasper Wylde na lista?
— Você ainda me amaria se eu confirmasse que, de fato, gostaria de ver o meu pai morto? — rebateu, e pôde ouvir o perigo na risadinha que o príncipe deixou escapar.
— Eu provavelmente te amaria ainda mais — murmurou de volta, a mão na cintura dela apertando em aceitação total.
— Então você tem minha confirmação, não há razões para mentir. — Ela deslizou os dedos pelos longos cabelos dele em uma carícia encantadora. — E se a gente fugisse? — sugeriu de repente.
— Fugir? — O olho de Aemond se abriu mais e sua voz saiu em um sussurro quase conspirador. — E para onde iríamos, amor?
— Não sei. — Deu de ombros. — Para um lugar onde pudéssemos ficar juntos, só você e eu. Onde você não teria que lidar com todas essas coisas que te deixam louco, e poderia enlouquecer unicamente por mim.
O coração dele disparou a ponto de explodir com aquela simples ideia. Ele jamais havia considerado tal coisa antes, mas a ideia de fugir e se aventurar pelo mundo, só os dois… Isso fazia seu corpo formigar. Era como o vislumbre de uma liberdade que nunca permitira-se imaginar para si.
— Você…? — hesitou, condenando-se pela voz embargada de emoção. — Abriria mão de tudo por mim, ?
— Bem, eu não estaria abrindo mão de tudo, estaria? Minha vida após o casamento é com e para o meu marido. E eu me casei com você, amorzinho. — Encostou a palma em seu peito nu. — Sou seis anos mais velha, o que me fez passar a te chamar de “amorzinho”. E isso também significa que já vi a vida se esvair em tédio, amarras e dever. Será que não deveríamos nos recusar a desperdiçar os nossos anos? — Olhou bem para ele. — Temos tudo o que precisamos de nós mesmos e também um do outro. É você, meu amor, quem estaria deixando muito para trás: a corte, a idiota da sua mãe manipuladora, sua família como um todo, seu título de príncipe.
— Eu… — A ideia parecia tentadora demais, boa demais para ser verdade. — É isso que você realmente quer? Fugir comigo?
— Para ser sincera, quando toquei no assunto, não estava realmente considerando, foi mais uma ideia louca do momento. Mas agora… por que não? Ainda poderíamos viver nossa vida juntos, formar uma família… — Deu de ombros. — Você me conhece, eu sempre gostei de aventuras. Podemos nos aventurar pelo leste até cansarmos, e então encontramos um lugar para descansar e viver o resto de nossas vidas. O que poderia dar errado? Você tem o maior e mais velho dragão do mundo para nos proteger. E sim, sei que não serão apenas flores, mas…
A afeição invadiu Aemond por inteiro. O espírito aventureiro de sua esposa, sua disposição de jogar a cautela ao vento e se arriscar, fora uma das primeiras coisas que gostara nela. Ele sabia que nada na vida eram apenas flores, mas a ideia de ser livre, de estar com a mulher que amava e que o amava de volta, e voar com ela para longe no dorso de Vhagar… era um sonho que ele jamais se permitira ter.
— Não, não serão apenas flores — disse, por fim. — Mas seja o que for, poderá ser inteiramente… nosso.
— Nossa fuga perfeita — completou ela, como se fosse um novo voto de casamento.
Uma sensação de pura alegria o invadiu. A ideia de escapar de tudo junto dela, de deixarem tudo para trás, era uma fantasia que agora soava como um sonho quase realizado. Ele segurou o rosto dela entre suas mãos e prometeu:
— Nossa fuga perfeita.
— Eu te amo, Aemond, meu amorzinho — declarou ela. — E irei com você aonde quer que me leve.
— Eu também te amo, Wylde.
Ele a puxou para mais perto e a segurou com força em seus braços, o impacto das palavras ainda o atingia com uma força devastadora. Nunca pensou que um dia fosse ter alguém assim para ele. Aemond sabia que deveria estar refletindo sobre questões mais práticas, nas possíveis consequências de fugirem, nos perigos desconhecidos que os aguardavam… mas, naquele precioso momento, tudo em que conseguia pensar era nela e em todas as possibilidades que aquele amor esmagador e incontestável que encontraram um no outro trazia.
O que construíra com era algo pelo qual valia a pena deixar cada pequena coisa para trás. Ela valia a pena.
FIM!
Nota da autora: Sem nota!