Codificada por:
Sol
Finalizada em: 13/04/2026
CAPÍTULO ÚNICO
— O que é que você tá fazendo aqui? — arregalou os olhos grandemente enquanto eu me sentava no assento vago ao lado dele.
Eu sabia que a reação dele seria exatamente essa. Arregalar os pequenos olhos até que eles estivessem grandes o suficiente para parecerem duas bolinhas de gude. Eu sabia que ele não esperava me ver ali naquele trem, naquele dia, naquele horário… Na verdade eu sabia que ele não esperava me ver naquela vida mais.
A nossa história era complicada.
— Estou indo para Seul, assim como você! — Dei de ombros enquanto me sentava ao lado dele no trem.
Olhei ao redor e então um pequeno sorriso, tímido, brotou em meus lábios.
— Você reservou o trem noturno por um motivo… Para você poder sentar aí nesta dor. — desviou os olhos dos meus, encarando a janela. — Multidões agitadas ou o silêncio dos adormecidos, você não tem certeza de qual é pior.
Não era uma pergunta. Eu o conhecia feito a palma de minha mão.
Aquilo era uma constatação.
Cruel, mas uma constatação.
— Vai fazer o que em Seul? — A voz dele soou tão distante quanto seus olhos. — Já sei. Vai ao noivado do Sunghoon e da Yuna?
Mesmo que ele não pudesse ver, eu assenti enquanto me ajeitava na poltrona, jogando a mesma levemente para trás. A viagem não seria muito longa.
— Vou. E estava pensando em ver você, sua família. Será que é de bom tom?
Vi o pomo de Adão dele se mover enquanto ele engolia seco.
— Apesar de tudo ter desmoronado quando você me deixou, eles ainda tem carinho por você, .
Ouvi-lo dizer meu nome depois de tanto tempo fez meu estômago revirar.
— Você contou para sua família por um motivo. Claro que você não conseguiu guardar. — Balancei a cabeça e me atrevi a olhar para ele pelo reflexo na janela. — Sua irmã esbanjou na garrafa, agora ninguém está comemorando. Adivinhei?
abaixou a cabeça e fechou os olhos.
— Adivinhou. Você pode visitá-la na clínica se quiser, tenho certeza que ela vai adorar ver você.
E então nos olhamos pela primeira vez naquela noite. Eu vi os olhos dele brilharem em lágrimas, e eu quis abraçá-lo, mas ao invés disso, apenas levei minha mão de encontro a dele.
Nossa pele se tocou e eu senti um arrepio percorrer minha espinha.
— Porque eu soltei sua mão enquanto dançávamos. Deixei você aí parado. Devastado no patamar… problemas insignificantes. — Balancei a cabeça sentindo minha garganta fechar e os olhos marejarem. — O anel da sua mãe no seu bolso, Minha foto na sua carteira…
balançou a cabeça em negativa, os olhos se enchendo ainda mais de água.
— Seu coração era de vidro, eu deixei cair! Problemas insignificantes…
segurou as lágrimas na garganta, eu vi. Olhou para cima e apertou minha mão.
— Não vamos falar disso, por favor.
Eu assenti, acatando o pedido dele.
— Como está a ? — Perguntei, fingindo interesse genuíno, mas meu peito doía ao perguntar dela.
— Você não quer mesmo saber, não precisa fingir que se interessa pelo meu namoro, .
Uma gargalhada sincera saiu da garganta dele e eu finalmente sorri abertamente, apertando outra vez a mão dele.
— Você está coberto de razão. Mas como está a faculdade? Medicina não é para os fracos .
Ele suspirou pesadamente e entrelaçou os dedos nos meus.
— Não. Os dias têm sido intensos com a minha residência, e todos os dias eu me questiono até que ponto estou fazendo essa faculdade por mim, e até que ponto estou apenas realizando um sonho dos meus pais.
Eu subi os olhos para o nariz pontudinho dele, eu costumava enchê-lo de beijos ali…
Engoli seco.
O peito apertou de saudades.
A conversa aos poucos foi se tornando banal, até que ele adormeceu. Com a mão grudada na minha, como antigamente.
Eu não dormi a viagem toda. Fiquei pensando em quando éramos um casal, em como éramos felizes e eu estraguei tudo desistindo dele por causa da diferença de idade.
Meus olhos passearam por seu rosto bonito enquanto meu coração se desfazia em pontadas lentas, como se lembrasse que aquele já não era mais o meu lugar.
O dia amanheceu, e com ele Seul amanhecia junto, pela janela do trem. Aquele final de semana seria uma tortura.
🍾🍾🍾
— Dom Pérignon, você trouxe! — sorriu e ergueu a mão na minha direção. Demos um hi-five.
— E nenhuma multidão de amigos me aplaudiu! Só você.
— Os céticos de sua cidade natal chamaram isso de problemas insignificantes! — Ele deu um gole na cerveja que carregava nas mãos. — Não me deixaram fazer o discurso, acredita?
Ele ergueu as sobrancelhas, incrédulo e eu ri.
— Você tinha um discurso, você está sem palavras… — Ficamos em silêncio e eu umedeci os lábios, enxergando nos olhos dele aquela mesma tristeza de anos atrás. — O amor escapou do seu alcance, e eu não pude dar uma razão.
deu de ombros, bebendo mais um gole. Tentando disfarçar o óbvio.
— Problemas insignificantes.
🍾🍾🍾
— Quão eterno é o nosso grupo de amigos?
Perguntei enquanto me aproximava dele no sofá, me jogando a seu lado em seguida.
— Não acho que vamos dizer essa palavra de novo. Eu sabia que você seria a primeira a nos deixar. Depois Juliet, e agora Yuna e Sunghoon. Quem serão os próximos?
Meu coração murchou dentro do peito. Eu olhei para baixo e então encarei Sunghoon e Yuna abraçados, cantando Taylor Swift um pro outro no meio da pista de dança improvisada.
— E logo eles terão coragem de enfeitar os corredores que uma vez percorremos. — Silêncio. Agora Ineyop também observava os dois. — Acho que próximo é você.
Nos olhamos diretamente nos olhos.
— Eu? — Ele perguntou surpreso.
— Um pelo dinheiro, dois pelo show. — Contei nos dedos.
Silêncio. Continuamos os dois encarando Yena e Sunghoon que agora trocaram declarações de amor.
— Eu nunca estive pronta, então eu vejo você ir. Às vezes você simplesmente não sabe a resposta, até que alguém fique de joelhos e te pergunte.
As lembranças do dia em que ele me pediu em casamento e eu disse não vieram.
Amargas como fel.
Os olhos surpresos dele se enchendo de lágrimas com a minha resposta, os lábios se contraindo enquanto ele tentava entender o que estava acontecendo… meu vestido rodopiando no ar enquanto eu saia pelo salão, desnorteada.
O fim.
O nosso fim.
E ali estava ele passando pela mesma coisa de novo com …
— Ela teria sido uma noiva tão adorável! — Comentei, enquanto engolia o choro. — Que pena que ela é fodida da cabeça, disseram.
Me arrependi no minuto seguinte. Fechei os olhos com força e joguei a cabeça para trás, encostando-a no encosto do sofá cinza da casa de Yuna.
sorriu sem mostrar os dentes. Não disse nada, apenas continuou encarando Yuna e Sunghoon.
— Mas você encontrará a coisa real, em vez disso. Eu tenho certeza. Você encontrará ela. E vai ser incrível . Ela vai remendar sua tapeçaria que eu destruí. — Dei uma pausa rápida, umedecendo os lábios. — E segurar sua mão enquanto dança… Nunca te deixar aí parado, devastado no patamar…
Ele me encarou.
— Com problemas insignificantes… — Ele me interrompeu, levou o vinho aos lábios e eu continuei, dessa vez interrompendo-o de volta.
— O anel da sua mãe no seu bolso, a foto dela na sua carteira… — Meus olhos marejaram, e dessa vez eu não disfarcei. — Você não vai se lembrar de todos os meus problemas insignificantes.
Nossos narizes se encostaram e ele depositou um beijo em minha testa.
— Você não vai se lembrar de todos os meus problemas insignificantes também, . E eu nem quero isso. Vamos seguir em frente.
— Sem problemas insignificantes.
— Sem problemas insignificantes.
Brindamos e ainda com os olhos marejados, sorrimos um pro outro.
Eu sabia que a reação dele seria exatamente essa. Arregalar os pequenos olhos até que eles estivessem grandes o suficiente para parecerem duas bolinhas de gude. Eu sabia que ele não esperava me ver ali naquele trem, naquele dia, naquele horário… Na verdade eu sabia que ele não esperava me ver naquela vida mais.
A nossa história era complicada.
— Estou indo para Seul, assim como você! — Dei de ombros enquanto me sentava ao lado dele no trem.
Olhei ao redor e então um pequeno sorriso, tímido, brotou em meus lábios.
— Você reservou o trem noturno por um motivo… Para você poder sentar aí nesta dor. — desviou os olhos dos meus, encarando a janela. — Multidões agitadas ou o silêncio dos adormecidos, você não tem certeza de qual é pior.
Não era uma pergunta. Eu o conhecia feito a palma de minha mão.
Aquilo era uma constatação.
Cruel, mas uma constatação.
— Vai fazer o que em Seul? — A voz dele soou tão distante quanto seus olhos. — Já sei. Vai ao noivado do Sunghoon e da Yuna?
Mesmo que ele não pudesse ver, eu assenti enquanto me ajeitava na poltrona, jogando a mesma levemente para trás. A viagem não seria muito longa.
— Vou. E estava pensando em ver você, sua família. Será que é de bom tom?
Vi o pomo de Adão dele se mover enquanto ele engolia seco.
— Apesar de tudo ter desmoronado quando você me deixou, eles ainda tem carinho por você, .
Ouvi-lo dizer meu nome depois de tanto tempo fez meu estômago revirar.
— Você contou para sua família por um motivo. Claro que você não conseguiu guardar. — Balancei a cabeça e me atrevi a olhar para ele pelo reflexo na janela. — Sua irmã esbanjou na garrafa, agora ninguém está comemorando. Adivinhei?
abaixou a cabeça e fechou os olhos.
— Adivinhou. Você pode visitá-la na clínica se quiser, tenho certeza que ela vai adorar ver você.
E então nos olhamos pela primeira vez naquela noite. Eu vi os olhos dele brilharem em lágrimas, e eu quis abraçá-lo, mas ao invés disso, apenas levei minha mão de encontro a dele.
Nossa pele se tocou e eu senti um arrepio percorrer minha espinha.
— Porque eu soltei sua mão enquanto dançávamos. Deixei você aí parado. Devastado no patamar… problemas insignificantes. — Balancei a cabeça sentindo minha garganta fechar e os olhos marejarem. — O anel da sua mãe no seu bolso, Minha foto na sua carteira…
balançou a cabeça em negativa, os olhos se enchendo ainda mais de água.
— Seu coração era de vidro, eu deixei cair! Problemas insignificantes…
segurou as lágrimas na garganta, eu vi. Olhou para cima e apertou minha mão.
— Não vamos falar disso, por favor.
Eu assenti, acatando o pedido dele.
— Como está a ? — Perguntei, fingindo interesse genuíno, mas meu peito doía ao perguntar dela.
— Você não quer mesmo saber, não precisa fingir que se interessa pelo meu namoro, .
Uma gargalhada sincera saiu da garganta dele e eu finalmente sorri abertamente, apertando outra vez a mão dele.
— Você está coberto de razão. Mas como está a faculdade? Medicina não é para os fracos .
Ele suspirou pesadamente e entrelaçou os dedos nos meus.
— Não. Os dias têm sido intensos com a minha residência, e todos os dias eu me questiono até que ponto estou fazendo essa faculdade por mim, e até que ponto estou apenas realizando um sonho dos meus pais.
Eu subi os olhos para o nariz pontudinho dele, eu costumava enchê-lo de beijos ali…
Engoli seco.
O peito apertou de saudades.
A conversa aos poucos foi se tornando banal, até que ele adormeceu. Com a mão grudada na minha, como antigamente.
Eu não dormi a viagem toda. Fiquei pensando em quando éramos um casal, em como éramos felizes e eu estraguei tudo desistindo dele por causa da diferença de idade.
Meus olhos passearam por seu rosto bonito enquanto meu coração se desfazia em pontadas lentas, como se lembrasse que aquele já não era mais o meu lugar.
O dia amanheceu, e com ele Seul amanhecia junto, pela janela do trem. Aquele final de semana seria uma tortura.
— Dom Pérignon, você trouxe! — sorriu e ergueu a mão na minha direção. Demos um hi-five.
— E nenhuma multidão de amigos me aplaudiu! Só você.
— Os céticos de sua cidade natal chamaram isso de problemas insignificantes! — Ele deu um gole na cerveja que carregava nas mãos. — Não me deixaram fazer o discurso, acredita?
Ele ergueu as sobrancelhas, incrédulo e eu ri.
— Você tinha um discurso, você está sem palavras… — Ficamos em silêncio e eu umedeci os lábios, enxergando nos olhos dele aquela mesma tristeza de anos atrás. — O amor escapou do seu alcance, e eu não pude dar uma razão.
deu de ombros, bebendo mais um gole. Tentando disfarçar o óbvio.
— Problemas insignificantes.
— Quão eterno é o nosso grupo de amigos?
Perguntei enquanto me aproximava dele no sofá, me jogando a seu lado em seguida.
— Não acho que vamos dizer essa palavra de novo. Eu sabia que você seria a primeira a nos deixar. Depois Juliet, e agora Yuna e Sunghoon. Quem serão os próximos?
Meu coração murchou dentro do peito. Eu olhei para baixo e então encarei Sunghoon e Yuna abraçados, cantando Taylor Swift um pro outro no meio da pista de dança improvisada.
— E logo eles terão coragem de enfeitar os corredores que uma vez percorremos. — Silêncio. Agora Ineyop também observava os dois. — Acho que próximo é você.
Nos olhamos diretamente nos olhos.
— Eu? — Ele perguntou surpreso.
— Um pelo dinheiro, dois pelo show. — Contei nos dedos.
Silêncio. Continuamos os dois encarando Yena e Sunghoon que agora trocaram declarações de amor.
— Eu nunca estive pronta, então eu vejo você ir. Às vezes você simplesmente não sabe a resposta, até que alguém fique de joelhos e te pergunte.
As lembranças do dia em que ele me pediu em casamento e eu disse não vieram.
Amargas como fel.
Os olhos surpresos dele se enchendo de lágrimas com a minha resposta, os lábios se contraindo enquanto ele tentava entender o que estava acontecendo… meu vestido rodopiando no ar enquanto eu saia pelo salão, desnorteada.
O fim.
O nosso fim.
E ali estava ele passando pela mesma coisa de novo com …
— Ela teria sido uma noiva tão adorável! — Comentei, enquanto engolia o choro. — Que pena que ela é fodida da cabeça, disseram.
Me arrependi no minuto seguinte. Fechei os olhos com força e joguei a cabeça para trás, encostando-a no encosto do sofá cinza da casa de Yuna.
sorriu sem mostrar os dentes. Não disse nada, apenas continuou encarando Yuna e Sunghoon.
— Mas você encontrará a coisa real, em vez disso. Eu tenho certeza. Você encontrará ela. E vai ser incrível . Ela vai remendar sua tapeçaria que eu destruí. — Dei uma pausa rápida, umedecendo os lábios. — E segurar sua mão enquanto dança… Nunca te deixar aí parado, devastado no patamar…
Ele me encarou.
— Com problemas insignificantes… — Ele me interrompeu, levou o vinho aos lábios e eu continuei, dessa vez interrompendo-o de volta.
— O anel da sua mãe no seu bolso, a foto dela na sua carteira… — Meus olhos marejaram, e dessa vez eu não disfarcei. — Você não vai se lembrar de todos os meus problemas insignificantes.
Nossos narizes se encostaram e ele depositou um beijo em minha testa.
— Você não vai se lembrar de todos os meus problemas insignificantes também, . E eu nem quero isso. Vamos seguir em frente.
— Sem problemas insignificantes.
— Sem problemas insignificantes.
Brindamos e ainda com os olhos marejados, sorrimos um pro outro.
FIM!
Nota da autora: Caso goste da história, deixe um comentário. Beijos :*