Codificada por:
Sol
Finalizada em: 05/08/2025
PRÓLOGO
Não tive uma única notícia boa esta semana.
Meu dançarino principal se machucou, o lançamento do primeiro single da temporada vazou antes da hora, um vídeo meu de quando eu era uma adolescente (peculiarmente) apaixonada por Kurt Cobain foi parar no Tiktok e agora minha assessora pessoal estava me dando, o que eu diria ser, a pior notícia de todas:
– Garfield está dentro.
– Isso é algum tipo de código? Tem um gatinho por aqui em algum lugar?! – perguntei retirando os olhos da tela do celular, olhando pelo chão à procura do bichano que iria me proporcionar a dose perfeita de serotonina naquele momento.
Callie caiu na risada.
– Andrew Garfield, . – Estalou os dedos na frente do meu rosto como se quisesse me acordar de algum transe. – Para o seu vídeo clipe.
Não.
Não aquele Andrew Garfield.
Quais as chances de ser o mesmo Andrew Garfield que eu não queria ver na minha frente nem pintado de ouro?
– Sem chance. Me diz que existe outro Andrew Garfield na sua lista.
– Não existe outro Andrew Garfield, .
Merda.
– Um australiano de pele bronzeada? Um asiático de dentes perfeitos? Um americano de ombros largos? Um sueco de dois metros de altura?
– Não, . Apenas o britânico de altura mediana, aquele com olhos e cabelos comuns mas com a personalidade que cativa até o coração mais durão. – disse Callie com um suspiro ligeiramente apaixonado demais.
Eu não queria soar a adolescente mimada, mas... Que saco!
– Que tal o Joseph Quinn? Paul Mescal? Pedro Pascal? Literalmente qualquer um serve, Callie!
– Você está citando aleatoriamente o elenco de Gladiador II, ou...
– Michael B. Jordan, John David Washington, Adam Driver, Aaron Taylor Johnson, Evan Peters, Ross Lynch, posso ficar aqui o dia inteiro.
– Você está sendo dramática, Andrew é lindo, carismático, topou de primeira e ficou bem animado em trabalhar com você.
Bufei irritada.
É claro que eu tinha poder sobre a minha própria agenda e sobre os trabalhos aprovados, todavia ter aquelas informações sobre Andrew, que ele queria trabalhar comigo, fazia os pelinhos da minha nuca se arrepiarem. E se...? E se aquilo ali fosse verdade e eu finalmente pudesse me vingar dele pelo que ele fez comigo há alguns anos?
Usá-lo feito um fantoche.
Mostrar quem eu havia me tornado.
– Tudo bem. Acho que eu posso estar exagerando um pouco. – respirei fundo, mostrando que aquilo não me abalava. Aquele maldito...
– Qual foi o babado? Não entendi nada!
– Houve uma situação há alguns anos, foi uma besteira.
– O que aconteceu?
– Ele foi meio babaca comigo, deixa pra lá, ele provavelmente nem deve se lembrar... – tentei soar despreocupada.
Eu faria ele lembrar...
Meu dançarino principal se machucou, o lançamento do primeiro single da temporada vazou antes da hora, um vídeo meu de quando eu era uma adolescente (peculiarmente) apaixonada por Kurt Cobain foi parar no Tiktok e agora minha assessora pessoal estava me dando, o que eu diria ser, a pior notícia de todas:
– Garfield está dentro.
– Isso é algum tipo de código? Tem um gatinho por aqui em algum lugar?! – perguntei retirando os olhos da tela do celular, olhando pelo chão à procura do bichano que iria me proporcionar a dose perfeita de serotonina naquele momento.
Callie caiu na risada.
– Andrew Garfield, . – Estalou os dedos na frente do meu rosto como se quisesse me acordar de algum transe. – Para o seu vídeo clipe.
Não.
Não aquele Andrew Garfield.
Quais as chances de ser o mesmo Andrew Garfield que eu não queria ver na minha frente nem pintado de ouro?
– Sem chance. Me diz que existe outro Andrew Garfield na sua lista.
– Não existe outro Andrew Garfield, .
Merda.
– Um australiano de pele bronzeada? Um asiático de dentes perfeitos? Um americano de ombros largos? Um sueco de dois metros de altura?
– Não, . Apenas o britânico de altura mediana, aquele com olhos e cabelos comuns mas com a personalidade que cativa até o coração mais durão. – disse Callie com um suspiro ligeiramente apaixonado demais.
Eu não queria soar a adolescente mimada, mas... Que saco!
– Que tal o Joseph Quinn? Paul Mescal? Pedro Pascal? Literalmente qualquer um serve, Callie!
– Você está citando aleatoriamente o elenco de Gladiador II, ou...
– Michael B. Jordan, John David Washington, Adam Driver, Aaron Taylor Johnson, Evan Peters, Ross Lynch, posso ficar aqui o dia inteiro.
– Você está sendo dramática, Andrew é lindo, carismático, topou de primeira e ficou bem animado em trabalhar com você.
Bufei irritada.
É claro que eu tinha poder sobre a minha própria agenda e sobre os trabalhos aprovados, todavia ter aquelas informações sobre Andrew, que ele queria trabalhar comigo, fazia os pelinhos da minha nuca se arrepiarem. E se...? E se aquilo ali fosse verdade e eu finalmente pudesse me vingar dele pelo que ele fez comigo há alguns anos?
Usá-lo feito um fantoche.
Mostrar quem eu havia me tornado.
– Tudo bem. Acho que eu posso estar exagerando um pouco. – respirei fundo, mostrando que aquilo não me abalava. Aquele maldito...
– Qual foi o babado? Não entendi nada!
– Houve uma situação há alguns anos, foi uma besteira.
– O que aconteceu?
– Ele foi meio babaca comigo, deixa pra lá, ele provavelmente nem deve se lembrar... – tentei soar despreocupada.
Eu faria ele lembrar...
CAPÍTULO 1
Na noite em questão, não dormi bem. Rolei na cama por diversas horas, olhava no relógio ao lado, e sempre marcava o mesmo horário. Em determinado momento, optei por deixar as cobertas de lado e fazer um chá que me ajudasse a dormir e tirasse Andrew Garfield da minha mente.
Como seria o momento em que nos víssemos? O que eu faria? Poderia dar um chute forte no meio das pernas dele, fazendo com que ele sentisse muita dor, caísse deitado no chão e resmungando palavras que eu nunca iria entender. Um sorriso brotou em meus lábios enquanto bebia do líquido quente, que me ajudaria a dormir.
E foi o que aconteceu. Acordei com meu despertador tocando, nem lembrava de quando havia pegado no sono. O desliguei com um toque na tela do celular e me deitei de barriga para cima, focando o teto por longos segundos e ativando a Alexa a fim que ela me passasse meus compromissos do dia.
Optei por passar na Starbucks e comprar um copo de café, grande e quente. Só aquilo faria com que a minha manhã fosse aproveitável, pois finalmente estaria acordada e de bom humor. No carro, enquanto ingeria o líquido, momentos com aquele ator passavam pela minha mente. O que havia acontecido, tinha sido há muito tempo, mesmo assim, como ele ousava ter sido tão babaca comigo?
Coloquei o copo do café no local correto do painel, entre os bancos e virei a direção com o intuito de entrar no estacionamento dos estúdios, no entanto uma buzina ecoou em meus ouvidos e virei o rosto para entender o que acontecia.
– Que merda!
Meus olhos se arregalaram ao ver Andrew e imediatamente ao passo que minhas mãos suaram envolta do volante, meu coração disparou. Engoli seco e semicerrei os olhos, levei o pé ao acelerador e coloquei o automóvel para dentro, chegando na vaga de sempre em questão de segundos e pisei no freio.
– Que merda, que merda, que merda, que merda!
Apoiei minha testa no volante, fechei os olhos com força e apertei o local com as minhas mãos, ao me afastar um pouco, percebi meus dedos levemente brancos e os soltei, a fim que o sangue voltasse a circular. Dois toques no vidro do meu carro fizeram com que eu me sobressaltasse e dei um grito com os olhos arregalados.
– ? Tá tudo bem?
Era uma voz diferente, virei meu rosto e vi meu produtor parado ao lado do carro com o cenho franzido e me olhando com uma expressão confusa, engoli, mesmo com a garganta seca e meneei a cabeça. Pigarreei e apertei o botão para abrir o vidro.
– Oi. Está. Está tudo bem. – Respondi baixo e mais uma vez pigarreei. – Você chegou cedo.
– São 9 horas. – o vi dar de ombros e depois uma risadinha. – Vou entrar. Você vem?
– Preciso fazer uma ligação, coisa rápida. Já entro. – sorri abertamente, ainda sentindo meu coração palpitar em meu peito.
Fui deixada sozinha e fechei meus olhos, respirei fundo e me aconcheguei mais no banco do automóvel. Que merda estava acontecendo? Primeiro eu passava a madrugada acordada, pensando nesse babaca, sem conseguir dormir e agora eu o via por aí? Não. Não mesmo.
Pelo menos ele não está aqui.
Com esse pensamento caminhei para dentro do local, com passos decididos. Segurei mais firmemente na alça da minha mochila, como se estivesse entrando pela primeira vez em uma escola diferente para começar o ano letivo no meio do ano. E quantas vezes passei por isso. Inúmeras. Engoli seco, com meu coração batendo forte em meu peito e continuei a andar pelo enorme corredor.
Avistei a porta que deveria entrar, no entanto um barulho nas minhas costas chamou a minha atenção. Parei de andar, e me virei, não vendo nada. Ok, eu precisava de mais café. E talvez um hamburguer gigantesco no almoço com muito bacon. Ao voltar pra frente, meu corpo se esbarrou em alguém, e levantei meu rosto a fim de pedir desculpas imediatamente.
Era ele.
Engoli seco.
– !
E com aquele maldito sotaque.
Minhas mãos apertaram de forma intensa a alça da mochila e por alguns segundos apenas o encarei. Sem saber o que dizer. Com meu coração batendo forte, pigarreei.
Da distância que estava do corpo dele, podia sentir o cheiro do seu perfume. E estranhamente me lembrava de quando senti pela última vez.
– Garfield. – Minha voz saiu num sussurro.
– Você chegou agora?
Por mais que ele fosse alto, eu usava saltos e consegui espiar por cima do seu ombro e logo voltar a minha atenção para seu rosto, por mais que eu não quisesse isso. Balancei a cabeça rapidamente e abri a boca pra falar.
– Você... hm, está bem?
Fitei seu rosto. Seu sorriso estava lá. O maldito sorriso.
– Bem. E você? – joguei a pergunta, não que estivesse muito interessada.
O rapaz a minha frente fez o mesmo que eu, balançou a cabeça e senti que ele estava sem saber como usar as palavras diante daquele encontro inesperado.
Tá, iriamos nos encontrar de qualquer forma, tendo em vista que trabalhariamos juntos. Mas eu poderia ter me preparado psicologicamente? Sim.
Lembranças do dia seguinte depois do ocorrido brotaram na minha mente, e algo invadiu meu coração. E a vontade era de chutar no meio das pernas dele e fazer com que ele sentisse, de acordo com qualquer homem, a maior dor sentida por eles.
Com essa imaginação tive que segurar um sorriso que teimava em brotar nos meus lábios.
– Preciso ir.
Não dei nenhuma satisfação, não precisava, na verdade. No mesmo instante, um barulho insuportável começou, e após alguns segundos, percebi que era meu celular tocando. Quase agradeci mentalmente ao ver o nome de uma das minhas melhores amigas no visor, ainda em passos ligeiros, abri uma conversa com ela, entrei em uma porta qualquer, e respondi uma mensagem dizendo que assim que desse, ligaria para ela.
A sala em que eu havia me enfiado era a sala do zelador, tinha esfregões, vassouras, baldes e várias prateleiras com produtos de limpeza, papeis toalha e papeis higiênicos, o cheiro forte de água sanitária invadiu minhas narinas mas aquilo não me incomodou.
Encostei minhas costas em uma prateleira e deslizei até o chão ainda respirando com dificuldade.
Como, em nome de Deus, aquela criatura podia mexer tanto comigo? Uma mulher tão poderosa e decidida como eu não podia baixar a guarda para um homem tão ridiculamente sedutor como Andrew Garfield. Não. Aquilo não podia acontecer, e mesmo assim me vi em frangalhos quando ouvi sua risada e meu maior ponto de fraqueza foi ver como ele estava lidando bem com tudo ao nosso redor. Era como se ele nem lembrasse o que havia feito, era como se nunca tivesse existido uma fagulha incendiária de química entre nós.
Não que isso importe.
Não importa o que houve, o que importa é que eu serei superior a isso.
Respirei fundo diversas vezes, como minha psicóloga me ensinou: cheira a flor, assopra a vela.
Ela disse que era um ensinamento para crianças com ansiedade, mas que ninguém nunca falou que apenas crianças podiam utilizar do método, e se aquilo me tranquilizava, eu estava pouco me fodendo se era para crianças ou não.
Cheira a flor, assopra a vela.
Cheira a flor, assopra a vela.
Cheira a flor, assopra a vela.
Por mais que eu tenha passado a noite praticamente em claro, remoendo conversas, pensando em interações futuras e imaginando mil motivos para odiar qualquer palavra que Andrew falasse, nada havia me preparado para revê-lo pessoalmente. O olhar meigo, o sorriso que podia para um quarteirão, os cabelos sedosos e as mãos. Deus do céu, eu tenho uma tara por mãos. E as mãos daquele Homem-Aranha de araque eram de ajoelhar no milho e rezar por todos os santos divinos que desenharam aquela proporção digna de Fibonacci.
De repente, me assustei com o barulho da porta abrindo e estiquei o pescoço para ver quem era. Eu podia lidar com o zelador, se ele me expulsasse dali. Porém eu, definitivamente, não podia lidar com os cabelos castanho-claros que eu vi fechando a porta atrás de si.
Andrew encostou a porta com delicadeza, quase como se estivesse fugindo de alguém, suspirou alto e apoiou as belas mãos nos batentes, baixando a cabeça e respirando fundo algumas vezes.
Observei a cena atenta, em um silêncio mortal que me fez até prender a respiração, do local onde eu estava, e com a pouca iluminação da sala que não tinha janelas, era pouco provável que ele me visse ali.
– Se recomponha, Garfield. – Ele sussurrou para si.
Se recompor? Do quê? O maluco mal tinha iniciado o dia e já estava precisando cheirar a flor e assoprar a vela como eu. Quem diria, hein? Que belo dia para ser psicólogo de famosos.
– Ela está ali. Na dela. Não tem motivos pra ficar assim. – Ele falava pausadamente, como se a velocidade de entrega das palavras fosse algo crucial para o entendimento da sentença.
Ele estava falando de mim?
– É um trabalho como qualquer outro. Você só precisa se desculpar. Você só precisa assumir a culpa do que aconteceu antes e seguir em frente. – Continuou ele com seu monólogo.
Pedir desculpas? Não!
Eu quero brigar, quero te esculachar. Não quero ser superior e fingir que nunca aconteceu, quero drama como a canceriana que sou. Quero cuspir no prato que comi e fazer você suplicar por perdão. Preferencialmente de joelhos. Não quero uma desculpinha esfarrapada.
– Foi por isso que você aceitou esse trabalho, Andrew. Para se desculpar e seguir em frente. – Sua respiração estava controlada, qualquer mínimo movimento seu era milimétricamente medido, mesmo que ele estivesse em um ambiente fora dos holofotes. Mesmo que achasse que estava sozinho.
Ele ergueu a cabeça e passou as mãos pelo rosto.
– Mesmo que você saiba que não fez nada. Ela ainda acha que você fez.
Aquela frase me pegou desprevenida e quase esbarrei na prateleira onde os rolos de papel higiênico estavam organizados em pilhas altas. Tapei a boca para que minha respiração não me denunciasse ali, não agora que o monólogo estava ficando bom.
Era feio estar ouvindo conversa alheia? Sim.
Mas será que era tão feio assim, levando em consideração que o assunto era eu?
– Você só precisa relaxar. Conversar com ela. Gravar os takes necessários e ir embora.
Ele realmente achava que seria assim fácil?
– Você vai sair daqui, vai procurá-la, colocar tudo a limpo e pronto. Não importa o quão bonita ela esteja, e nem o quanto ela te desestabiliza. Isso acaba hoje.
Ele abriu a porta assim que terminou a frase e saiu, fechando-a logo depois. Me deixando ali com meus pensamentos intrusivos que queriam mata-lo lentamente ao mesmo tempo em que queriam enfiar o nariz na curva do seu pescoço.
Aguardei um tempo em silêncio atrás da porta, até perceber que a barra estava limpa e saí de lá de fininho.
– , até que enfim! Onde você se meteu? – perguntou Callie, porém nem esperou que eu abrisse a boca para responder. – Não interessa, vai lá colocar o seu figurino, as coisas têm que ser rápidas, Andrew está com a agenda bem apertada.
– Ótimo, mais um motivo para contratarmos o Dylan O’brien.
Callie me olhou feio com as sobrancelhas franzidas.
– Noah Centineo? – sugeri erguendo os ombros e ela soltou uma risada.
– Não estamos em 2015, .
– Timothée Chalamet, então. Está decidido. – dei meu melhor sorriso, vendo-a rolar os olhos para cima.
– Você não vai querer arrumar briga com Kylie Jenner, acredite em mim.
– Evan Peters?
– Ariana Grande pensou nisso primeiro.
– Aaargh! Tá bom, desisto. Andrew Garfield então.
Callie soltou uma risada, empurrando meu ombro na direção de onde eu deveria ir, e atendeu o celular que tocou em sua mão.
– Achei ela. Está indo para o camarim agorinha. – me fuzilou com o olhar, não me dando outra opção que não fosse ir para aquela tortura.
Como seria o momento em que nos víssemos? O que eu faria? Poderia dar um chute forte no meio das pernas dele, fazendo com que ele sentisse muita dor, caísse deitado no chão e resmungando palavras que eu nunca iria entender. Um sorriso brotou em meus lábios enquanto bebia do líquido quente, que me ajudaria a dormir.
E foi o que aconteceu. Acordei com meu despertador tocando, nem lembrava de quando havia pegado no sono. O desliguei com um toque na tela do celular e me deitei de barriga para cima, focando o teto por longos segundos e ativando a Alexa a fim que ela me passasse meus compromissos do dia.
Optei por passar na Starbucks e comprar um copo de café, grande e quente. Só aquilo faria com que a minha manhã fosse aproveitável, pois finalmente estaria acordada e de bom humor. No carro, enquanto ingeria o líquido, momentos com aquele ator passavam pela minha mente. O que havia acontecido, tinha sido há muito tempo, mesmo assim, como ele ousava ter sido tão babaca comigo?
Coloquei o copo do café no local correto do painel, entre os bancos e virei a direção com o intuito de entrar no estacionamento dos estúdios, no entanto uma buzina ecoou em meus ouvidos e virei o rosto para entender o que acontecia.
– Que merda!
Meus olhos se arregalaram ao ver Andrew e imediatamente ao passo que minhas mãos suaram envolta do volante, meu coração disparou. Engoli seco e semicerrei os olhos, levei o pé ao acelerador e coloquei o automóvel para dentro, chegando na vaga de sempre em questão de segundos e pisei no freio.
– Que merda, que merda, que merda, que merda!
Apoiei minha testa no volante, fechei os olhos com força e apertei o local com as minhas mãos, ao me afastar um pouco, percebi meus dedos levemente brancos e os soltei, a fim que o sangue voltasse a circular. Dois toques no vidro do meu carro fizeram com que eu me sobressaltasse e dei um grito com os olhos arregalados.
– ? Tá tudo bem?
Era uma voz diferente, virei meu rosto e vi meu produtor parado ao lado do carro com o cenho franzido e me olhando com uma expressão confusa, engoli, mesmo com a garganta seca e meneei a cabeça. Pigarreei e apertei o botão para abrir o vidro.
– Oi. Está. Está tudo bem. – Respondi baixo e mais uma vez pigarreei. – Você chegou cedo.
– São 9 horas. – o vi dar de ombros e depois uma risadinha. – Vou entrar. Você vem?
– Preciso fazer uma ligação, coisa rápida. Já entro. – sorri abertamente, ainda sentindo meu coração palpitar em meu peito.
Fui deixada sozinha e fechei meus olhos, respirei fundo e me aconcheguei mais no banco do automóvel. Que merda estava acontecendo? Primeiro eu passava a madrugada acordada, pensando nesse babaca, sem conseguir dormir e agora eu o via por aí? Não. Não mesmo.
Pelo menos ele não está aqui.
Com esse pensamento caminhei para dentro do local, com passos decididos. Segurei mais firmemente na alça da minha mochila, como se estivesse entrando pela primeira vez em uma escola diferente para começar o ano letivo no meio do ano. E quantas vezes passei por isso. Inúmeras. Engoli seco, com meu coração batendo forte em meu peito e continuei a andar pelo enorme corredor.
Avistei a porta que deveria entrar, no entanto um barulho nas minhas costas chamou a minha atenção. Parei de andar, e me virei, não vendo nada. Ok, eu precisava de mais café. E talvez um hamburguer gigantesco no almoço com muito bacon. Ao voltar pra frente, meu corpo se esbarrou em alguém, e levantei meu rosto a fim de pedir desculpas imediatamente.
Era ele.
Engoli seco.
– !
E com aquele maldito sotaque.
Minhas mãos apertaram de forma intensa a alça da mochila e por alguns segundos apenas o encarei. Sem saber o que dizer. Com meu coração batendo forte, pigarreei.
Da distância que estava do corpo dele, podia sentir o cheiro do seu perfume. E estranhamente me lembrava de quando senti pela última vez.
– Garfield. – Minha voz saiu num sussurro.
– Você chegou agora?
Por mais que ele fosse alto, eu usava saltos e consegui espiar por cima do seu ombro e logo voltar a minha atenção para seu rosto, por mais que eu não quisesse isso. Balancei a cabeça rapidamente e abri a boca pra falar.
– Você... hm, está bem?
Fitei seu rosto. Seu sorriso estava lá. O maldito sorriso.
– Bem. E você? – joguei a pergunta, não que estivesse muito interessada.
O rapaz a minha frente fez o mesmo que eu, balançou a cabeça e senti que ele estava sem saber como usar as palavras diante daquele encontro inesperado.
Tá, iriamos nos encontrar de qualquer forma, tendo em vista que trabalhariamos juntos. Mas eu poderia ter me preparado psicologicamente? Sim.
Lembranças do dia seguinte depois do ocorrido brotaram na minha mente, e algo invadiu meu coração. E a vontade era de chutar no meio das pernas dele e fazer com que ele sentisse, de acordo com qualquer homem, a maior dor sentida por eles.
Com essa imaginação tive que segurar um sorriso que teimava em brotar nos meus lábios.
– Preciso ir.
Não dei nenhuma satisfação, não precisava, na verdade. No mesmo instante, um barulho insuportável começou, e após alguns segundos, percebi que era meu celular tocando. Quase agradeci mentalmente ao ver o nome de uma das minhas melhores amigas no visor, ainda em passos ligeiros, abri uma conversa com ela, entrei em uma porta qualquer, e respondi uma mensagem dizendo que assim que desse, ligaria para ela.
A sala em que eu havia me enfiado era a sala do zelador, tinha esfregões, vassouras, baldes e várias prateleiras com produtos de limpeza, papeis toalha e papeis higiênicos, o cheiro forte de água sanitária invadiu minhas narinas mas aquilo não me incomodou.
Encostei minhas costas em uma prateleira e deslizei até o chão ainda respirando com dificuldade.
Como, em nome de Deus, aquela criatura podia mexer tanto comigo? Uma mulher tão poderosa e decidida como eu não podia baixar a guarda para um homem tão ridiculamente sedutor como Andrew Garfield. Não. Aquilo não podia acontecer, e mesmo assim me vi em frangalhos quando ouvi sua risada e meu maior ponto de fraqueza foi ver como ele estava lidando bem com tudo ao nosso redor. Era como se ele nem lembrasse o que havia feito, era como se nunca tivesse existido uma fagulha incendiária de química entre nós.
Não que isso importe.
Não importa o que houve, o que importa é que eu serei superior a isso.
Respirei fundo diversas vezes, como minha psicóloga me ensinou: cheira a flor, assopra a vela.
Ela disse que era um ensinamento para crianças com ansiedade, mas que ninguém nunca falou que apenas crianças podiam utilizar do método, e se aquilo me tranquilizava, eu estava pouco me fodendo se era para crianças ou não.
Cheira a flor, assopra a vela.
Cheira a flor, assopra a vela.
Cheira a flor, assopra a vela.
Por mais que eu tenha passado a noite praticamente em claro, remoendo conversas, pensando em interações futuras e imaginando mil motivos para odiar qualquer palavra que Andrew falasse, nada havia me preparado para revê-lo pessoalmente. O olhar meigo, o sorriso que podia para um quarteirão, os cabelos sedosos e as mãos. Deus do céu, eu tenho uma tara por mãos. E as mãos daquele Homem-Aranha de araque eram de ajoelhar no milho e rezar por todos os santos divinos que desenharam aquela proporção digna de Fibonacci.
De repente, me assustei com o barulho da porta abrindo e estiquei o pescoço para ver quem era. Eu podia lidar com o zelador, se ele me expulsasse dali. Porém eu, definitivamente, não podia lidar com os cabelos castanho-claros que eu vi fechando a porta atrás de si.
Andrew encostou a porta com delicadeza, quase como se estivesse fugindo de alguém, suspirou alto e apoiou as belas mãos nos batentes, baixando a cabeça e respirando fundo algumas vezes.
Observei a cena atenta, em um silêncio mortal que me fez até prender a respiração, do local onde eu estava, e com a pouca iluminação da sala que não tinha janelas, era pouco provável que ele me visse ali.
– Se recomponha, Garfield. – Ele sussurrou para si.
Se recompor? Do quê? O maluco mal tinha iniciado o dia e já estava precisando cheirar a flor e assoprar a vela como eu. Quem diria, hein? Que belo dia para ser psicólogo de famosos.
– Ela está ali. Na dela. Não tem motivos pra ficar assim. – Ele falava pausadamente, como se a velocidade de entrega das palavras fosse algo crucial para o entendimento da sentença.
Ele estava falando de mim?
– É um trabalho como qualquer outro. Você só precisa se desculpar. Você só precisa assumir a culpa do que aconteceu antes e seguir em frente. – Continuou ele com seu monólogo.
Pedir desculpas? Não!
Eu quero brigar, quero te esculachar. Não quero ser superior e fingir que nunca aconteceu, quero drama como a canceriana que sou. Quero cuspir no prato que comi e fazer você suplicar por perdão. Preferencialmente de joelhos. Não quero uma desculpinha esfarrapada.
– Foi por isso que você aceitou esse trabalho, Andrew. Para se desculpar e seguir em frente. – Sua respiração estava controlada, qualquer mínimo movimento seu era milimétricamente medido, mesmo que ele estivesse em um ambiente fora dos holofotes. Mesmo que achasse que estava sozinho.
Ele ergueu a cabeça e passou as mãos pelo rosto.
– Mesmo que você saiba que não fez nada. Ela ainda acha que você fez.
Aquela frase me pegou desprevenida e quase esbarrei na prateleira onde os rolos de papel higiênico estavam organizados em pilhas altas. Tapei a boca para que minha respiração não me denunciasse ali, não agora que o monólogo estava ficando bom.
Era feio estar ouvindo conversa alheia? Sim.
Mas será que era tão feio assim, levando em consideração que o assunto era eu?
– Você só precisa relaxar. Conversar com ela. Gravar os takes necessários e ir embora.
Ele realmente achava que seria assim fácil?
– Você vai sair daqui, vai procurá-la, colocar tudo a limpo e pronto. Não importa o quão bonita ela esteja, e nem o quanto ela te desestabiliza. Isso acaba hoje.
Ele abriu a porta assim que terminou a frase e saiu, fechando-a logo depois. Me deixando ali com meus pensamentos intrusivos que queriam mata-lo lentamente ao mesmo tempo em que queriam enfiar o nariz na curva do seu pescoço.
Aguardei um tempo em silêncio atrás da porta, até perceber que a barra estava limpa e saí de lá de fininho.
– , até que enfim! Onde você se meteu? – perguntou Callie, porém nem esperou que eu abrisse a boca para responder. – Não interessa, vai lá colocar o seu figurino, as coisas têm que ser rápidas, Andrew está com a agenda bem apertada.
– Ótimo, mais um motivo para contratarmos o Dylan O’brien.
Callie me olhou feio com as sobrancelhas franzidas.
– Noah Centineo? – sugeri erguendo os ombros e ela soltou uma risada.
– Não estamos em 2015, .
– Timothée Chalamet, então. Está decidido. – dei meu melhor sorriso, vendo-a rolar os olhos para cima.
– Você não vai querer arrumar briga com Kylie Jenner, acredite em mim.
– Evan Peters?
– Ariana Grande pensou nisso primeiro.
– Aaargh! Tá bom, desisto. Andrew Garfield então.
Callie soltou uma risada, empurrando meu ombro na direção de onde eu deveria ir, e atendeu o celular que tocou em sua mão.
– Achei ela. Está indo para o camarim agorinha. – me fuzilou com o olhar, não me dando outra opção que não fosse ir para aquela tortura.
CAPÍTULO 2
O vídeo clipe da música End Game seria algo simples e intimista, algo que eu mesma solicitei ao meu grupo de marketing e produção, o enredo era de um casal que brigava e estava saturado, porém não se separavam pois no fundo ainda se amavam. Uma vibe meio A História de um Casamento com Love the way you lie (sem a parte de agressão).
A correria geral era para lançar o vídeo clipe o quanto antes, já que a música tinha vazado com uma semana de antecedência do lançamento. A estreia seria com aqueles vídeos que contém apenas a letra da música, depois de tocar algumas vezes nas rádios, aí sim seria o lançamento do vídeo clipe, que poderia ter sido feito com outra pessoa com a agenda mais livre, com tempo, precisão e qualidade. Mas tudo foi por água abaixo com o vazamento. Agora eu estava enfiada num camarim minúsculo, de um estúdio escondido em Los Angeles para gravar um vídeo todo em um mesmo lugar, com um ator que eu não queria.
Como a vida é bela...
Sentada no camarim, com meu celular em mãos, respondia mais uma mensagem da minha melhor amiga Rachel. A cabeleireira cuidava das minhas madeixas e a maquiadora pedia a todo momento para que eu olhasse pra cima a fim de passar um pouco de corretivo embaixo dos meus olhos. Eu sabia bem o motivo por estar com olheiras.
– Não anda dormindo bem? – a maquiadora me perguntou sorridente.
Suspirei, deixei o aparelho sobre o meu colo e fiz um bico quase infantil.
– O vazamento me deixou bem ansiosa e ter que fazer esse clipe as pressas também. Normalmente fazemos essas gravações com toda calma do mundo, mas aqui estou eu, escondida em um lugar em Los Angeles para que ninguém saiba o que está acontecendo. Sem falar que meu parceiro é um idiota.
Um riso brotou nos lábios de Olivia, minha cabelereira.
– Ele é tão gato.
– Igualmente idiota. – falei em um sussurro, da mesma forma que ela, e rimos.
Olhei para o espelho e elas faziam milagres. Ninguém ia saber que passei a noite em claro ou que eu estava preocupada em atuar ao lado de Andrew Garfield em um clipe que com toda certeza seria exibido ao redor do planeta. Esse pensamento fez com que um frio se apossasse do meu estomago.
O camarim era pequeno, com apenas duas cadeiras. Um bom espelho. Um sofá no lado esquerdo, e ao fundo uma mesa para comes e bebes, sem falar em geladeira para manter a temperatura das bebidas, era uma das minhas poucas exigências.
– Antes de você passar o batom, posso beber um pouco de água, Liv?
– Claro. – uma Olivia sorridente se afastou, indo em direção ao frigobar.
– Digam por favor que ela está pronta! – Callie entrou no camarim, com seus fones de ouvido, prancheta em uma das mãos e na outra um walkie-talkie.
– Quem? – perguntei ao receber a garrafinha de água gelada em mãos.
Callie me olhou e semicerrou os olhos, se aproximou mais um pouco de mim e suspirou.
– Promete não me dar trabalho hoje?
– E quando foi que prometi isso em vida desde que você me conhece? – indaguei após beber um gole e arqueei as sobrancelhas.
– Isso me preocupa, . Olha, se der tudo certo, sairemos daqui hoje ainda, com esse clipe praticamente gravado e poderemos comer uma pizza.
Fechei a garrafa após beber mais um gole e respirei fundo.
– Eu sou tão barata assim que você me compra com pizza?
Rindo e negando com a cabeça, Callie olhou para uma das meninas ali.
– Liv, leva as maquiagens, vamos precisar retocar durante o clipe. Vem, vamos! – ela foi indo em direção a porta.
- Hm, as cenas de beijo? – Olivia nos olhou sorridente e se aproximou para ajeitar tudo que precisaria levar.
– Não existem cenas de beijo. Nada no plural. Existe cena de selinho, apenas. E vai ser bem rápido. – me levantei e as olhei – Se depender de mim vai durar menos do que um segundo. Podem cronometrar. – levantei um dos dedos ao começar a andar.
Todas riram do que eu havia dito, mas o que era tão engraçado? As encarei por longos segundos e comecei a seguir Callie para fora dali.
A verdade é que meu coração batia forte em meu peito e eu sabia bem o motivo de tudo isso.
Absolutamente nada me prepararia para ficar cara a cara com aquele ser, e tudo que ele causava em mim. Mesmo ouvindo seu monólogo pouco convincente de que ele estaria nervoso em minha presença, mesmo que eu tivesse presenciado aquele momento de fraqueza, aquilo não mudava o fato de que Andrew Garfield não era quem dizia ser, não era aquele cara bonzinho do qual todos pintam na internet, o cara fofo e divertido que flertava inocentemente com entrevistadoras... Não. Andrew Garfield tinha feito tudo o que pode para entrar em meu coração (e nas minhas calças) e no dia seguinte desapareceu sem deixar vestígios.
O maldito Andrew Garfield.
O maldito que fez tudo o que quis enquanto eu olhei aqueles olhos castanhos belíssimos achando que daquela vez ia ser diferente.
– Você conseguiu dar uma olhada no roteiro?
– Sim. – respondi Callie que me acompanhava até a área onde seriam as gravações.
O local alugado parecia um ginásio enorme, no centro da quadra haviam paredes levantadas de uma casa falsa, onde seriam gravadas as cenas de briga. Todo o cenário foi ideia do diretor que sempre trabalhava comigo, ele queria que a casa parecesse falsa de propósito para que conseguisse dar um charme especial no clipe. Tudo era em tom pastel, como uma casa de boneca e até a minha roupa parecia ter saído diretamente do filme da Barbie. Era a intenção, que o áudio e o visual gerassem uma dissonância esquisita, que a briga fosse real e o resto artificial.
– Quer ajuda para treinar as falas?
Por sorte, sempre fui uma boa aluna no clube de teatro da escola, por mais que não fosse o meu foco principal, sempre me identifiquei bem com as artes cênicas, então gravar algumas falas e atuar uma briga com uma pessoa que eu realmente queria brigar era um ótimo modo de relembrar os bons tempos de escola.
Tempos estes em que eu não me preocupava com um certo par de olhos castanhos que me observavam de longe, assim que pus meus pés no ginásio.
– Não precisa, Callie. Está tudo certo. – suspirei.
– Você vai ficar bem? – Callie era uma boa amiga, era muito profissional, mas eu sabia que ela se preocupava o suficiente para saber que toda aquela situação estava me incomodando.
– Acho que sim.
Ela assentiu e seguiu seu caminho, me deixando sentada na cadeira que tinha o meu nome, logo atrás das telas que mostrariam o resultado das gravações, de um lado havia uma cadeira escrito “James - Diretor” e do outro lado uma cadeira escrito “Andrew Garfield”.
Rezei em silêncio para que eu não fosse incomodada naquele momento com a presença ilustre do meu parceiro de cena, mas parece que não rezei com fé o suficiente, já que percebi uma pessoa sentando ao meu lado. Fingi não notar enquanto mexia no celular sem vontade alguma. Meu coração deu um pulo quando seu perfume me alcançou, e percebi ele estalando os dedos antes de puxar ar entre dentes antes de finalmente falar algo.
– Podemos conversar?
– Não sei se quero conversar com você, Andrew. – Não tirei os olhos do celular.
– Por favor. Eu sinto que te devo uma explicação, você nunca me deu a chance de explicar. – Eu sentia seus olhos grudados em mim, queimando minha pele.
– Algumas coisas não precisam de explicação, elas só são como são.
Ele bufou.
– ...
– Andrew... – suspirei, virando o rosto na sua direção. – Você não me deve nada, você é um adulto que tomou uma decisão. Eu fiz a mesma coisa, estamos bem.
– Isso é “estar bem” para você? Puts, fico imaginando o que é estar brigado com você, então... – Ele riu sem a menor graça e passou as mãos pelo cabelo, nervoso.
– Não precisa perder tempo imaginando coisas sobre mim. Não somos amigos, não temos nada em comum e não precisa pedir desculpas, Garfield. As coisas não podiam estar melhores entre nós.
O assunto morreu quando James, o diretor, se aproximou de nós com animação. Ele explicou como queria que as coisas funcionassem entre nós e se animou com o clima meio pesado entre mim e Andrew, dizendo que era exatamente aquele tom que ele queria no clipe. Mal sabia ele que o clima de velório era real e não atuação.
James nos levou até a sala principal da casa falsa, nos apresentou rapidamente ao pessoal da equipe e nos posicionou, mostrando nossas marcas no chão, os locais em que a câmera se moveria e o timing da briga, explicou que apenas uma parte do diálogo seria gravada com o microfone do estúdio. O resto não teria áudio, já que estávamos gravando um vídeo clipe musical, e não um filme.
Eu amava trabalhar com James, era meu terceiro clipe com ele no comando. Ele era assertivo, decidido e tinha um gosto que combinava com o meu, nossos brainstorms eram sempre ótimos e as ideias andavam sempre de mãos dadas. Era como se eu fosse a sua musa.
Assim como Tim Burton tinha Johnny Depp.
Como Nolan tinha Michael Caine.
Como Scorsese tinha DiCaprio.
Ele também nos mostrou qual seria o diálogo que apareceria no clipe e como nos moveríamos no set por toda a casa falsa. O clipe seria falsamente feito em uma tomada só, como se tudo acontecesse em plano-sequência, onde alguns jogos de câmera. É claro que aquele tipo de gravação tinha que ter muito ensaio e muita coreografia, mas naquele ambiente fechado, com os profissionais certos e como apenas eu e Andrew estaríamos em cena, sem nenhuma passagem de tempo falsa, era como treinar uma coreografia em duas horas.
Andrew e eu ouvimos tudo com toda a concentração do mundo, não ousei olhar na sua direção uma mísera vez, porém confesso que senti meus olhos queimando minha pele em alguns momentos, era difícil manter a compostura mas me mantive firme.
– Dez minutos e a gente começa, tudo bem? – James finalizou com a pergunta, mas nem se deu ao trabalho de esperar a resposta.
– ... – Andrew me chamou mais uma vez. Suspirei fundo.
– O que foi, Andrew?
– Eu realmente acho que a gente devia conversar antes de fazer isso... – Ele não desviou o olhar, ou deu algum sinal de insegurança. Ele foi sério e direto, com as mãos atrás do corpo e o peito ligeiramente estufado. Não foi a pose que me balançou, foi o sotaque.
– Bom, você tem dez minutos. – Cruzei os braços e ergui as sobrancelhas, deixando toda aquela conversa para ele. Eu não queria conversar, quem queria era ele, logo...
– Aqui
– Andrew, você quer ir para um local mais reservado? – Não aguentei e usei meu tom mais irônico, no entanto eu não gostava muito disso.
– Não, mas... você quer que as pessoas saibam? Você contou a elas o que aconteceu entre a gente? – o ator sussurrou e me segurei para não revirar os meus olhos.
– Você quer realmente usar os seus 10 minutos discutindo se as pessoas sabem ou não que dormimos juntos, que foi ótimo, e no dia seguinte você me deixou sozinha? Sem uma ligação, uma mensagem de texto, ou qualquer coisa?
Dei um passo em sua direção.
– Espera! – Ele pediu ao levantar um dos dedos e acompanhei aquele gesto – Não sabia que havíamos combinado de namorar. Casar ou algo do tipo. Nós saímos na noite anterior, jantamos juntos, nos divertimos e dormimos juntos. Você queria que eu...tudo bem, poderia sim falado com você pela manhã. E o que mais? – seu cenho franziu e passei a língua pelos lábios – O que mais?
– Se você não sabe é por que não deveríamos ter dormido juntos, não acha? – Sussurrei entre os dentes com meu coração na boca e a vontade de bater nele.
– Parece que eu não sou a única pessoa que não sabe. Você também não sabe. Combinamos de ser algo sem compromisso e você parece querer me cobrar de uma situação que não condiz... – Andrew usou o mesmo tom que eu.
O fitei por longos segundos e os olhos dele estavam grudados nos meus. Minha respiração ofegante e o coração na boca. Engoli seco e dei um passo pra trás. O perfume dele entrava pelas minhas narinas e fazia com que eu me lembrasse da tal noite que discutíamos.
– Estão prontos?
Pisquei algumas vezes, ouvindo a voz de James um pouco distante e levantei o meu rosto, respirando fundo e concordando com a cabeça. Teria que gravar com esse idiota agora. Mas se tem alguém que é capaz de tudo, esse alguém é você, .
– Em suas marcas... – Ouvi a voz de James dizer no alto-falante. – Maysee, solta a música... – O tic-tac do marcador de tempo, me fez acordar de um devaneio profundo e dei de cara com os olhos de Andrew me observando. – Ação.
– Tomada 1. – O som da claquete estava sincronizado com o último clique do marcador de tempo e a intro da minha música ressonou pelos alto-falantes do ginásio.
A câmera desceu por um cabo com leveza enquanto Andrew abria a porta da casa para mim. Estávamos em cena.
– Não é possível que isso seja tão ruim. – disse ele com uma entonação indignada.
– Não é ruim, é péssimo Norman, nunca me senti tão humilhada na vida. – respondi entrando na casa pelo espaço que ele abriu. De soslaio, vi um homem desacoplando a câmera do cabo com agilidade e entrando na casa conosco, como um fantasma. As falas não tinham muito significado, eram apenas para que tivéssemos palavras para dizer e um modo de marcar o que fazer no momento certo. Por exemplo, cada vez que a palavra baby era dita no roteiro, Andrew devia me tocar.
– Humilhada, baby, sério? – Ele acariciou meu ombro e desci o rosto para sua mão que logo foi retirada como se eu estivesse em brasa.
– Sim, Norman, humilhada! Ou você gostaria de ter passado por aquilo? – Me alterei de propósito, gesticulando com as mãos.
– Não, é claro que não... Não é isto que eu estou dizendo é que... – Ele baixou os olhos.
– É o que?
– É que eu estou gostando de outra pessoa, Camille. – Ele ergueu os olhos castanhos em minha direção e algo dentro de mim se arrepiou com aquela frase. Pisquei algumas vezes, a câmera quase socada no meu rosto.
– Você o quê? – A decepção em minha voz era palpável.
– E-eu não quis que acontecesse, foi algo que veio sem esperar. – Nós andávamos em sincronia em cena, quando ele dava um passo para frente, eu dava um passo para trás, como uma valsa perfeitamente ensaiada.
– Uma encomenda chega sem esperar, Norman, talvez um bebê, até um gatinho encontrado no lixo, mas isso? Isso não é vir sem esperar, isso é maldade maquiada de traição.
– Baby... – Sua mão tocou a lateral do meu rosto, fazendo um carinho suave com o dedão em minha bochecha. Me deixei levar pelo toque e fechei os olhos. Esse era o segredo do plano-sequência, nem sempre saía como o planejado, mas podia ter um ótimo resultado. Tenho certeza de que aquela merda de química que fiquei evitando o dia inteiro, agora estava queimando na tela de James. – Eu nunca te traí, nunca faria isso com você. Eu te amo.
Abri os olhos, e o rosto de Andrew estava tão perto que eu podia ver as ruguinhas nos cantos dos seus olhos e as pintinhas salpicadas em sua pele corada pelo sol. Merda.
– Não. Você não me ama, nunca me amou, ou não estaria gostando de outra pessoa. – Me afastei repentinamente empurrando seus ombros. O câmera se afastou de nós para pegar o plano de longe. Minha música tocava embalando nossos passos sincronizados.
– Nunca mais fale isso, Camille! Porra, eu te amo, eu te amo, eu te amo desde que te vi pela primeira vez naquele café chique lendo um livro duvidoso, desde que você riu para mim pela primeira vez, nossa, eu nem me lembro mais como é o som da sua risada! – Sua voz se alterou, alta, áspera. Ele gesticulou com maestria todas as emoções que saíram da explosão inicial até chegar na risada, onde ele mesmo riu com suavidade massageando as têmporas. A sua risada era o marco de que eu devia sair da sala.
– Não, Norman, você não vai fazer isso comigo. – Dei as costas à ele e segui até o pequeno corredor que dava para o quarto do casal. Ele me seguiu, e o câmera também. Percebi o câmera tirando a câmera de nós e filmando o guarda-roupas e a cama perfeitamente alinhada.
– E corta! – A voz de James soou e a música pausou. Saí do personagem suspirando alto e saí do local, indo até minha cadeira. – Dez minutos pessoal.
Alguém me entregou uma garrafa de água e Olivia veio dar algumas batidinhas com um pincel de maquiagem em meu nariz.
– Está ótimo, . Uau. Você andou fazendo aulas de atuação? – James me elogiou com os olhos brilhando e eu bebi um gole da água.
– Quem me dera, James, não estou tendo tempo nem de comer o que eu gosto, quem dirá estudar.
– Você é um talento bruto, meu bem. Aproveite isso. – Ele me mostrou a cena na pequena tela que estava a nosso dispor e fiquei realmente impressionada com as atuações. Andrew conduzia a cena, ele era a estrela sem sombra de dúvidas, mas eu estava fazendo um bom trabalho, com toda certeza.
– Posso ...
Observei Andrew ao meu lado e ele parecia querer um pouco de água, pois fez um gesto com as mãos que queria beber algo. Por alguns segundos segurei a garrafinha em minhas mãos mais firmemente, mas logo ofereci a ele.
– Pode ficar com a minha. – Era a primeira vez naquele dia que queria sorrir diante dele, não sei o que havia acontecido nos últimos minutos comigo.
? É realmente você?
– Podemos dividir pra você não ficar sem? – Andrew pegou a garrafa, já a abrindo.
– Não é como se ela fosse a última garrafinha de água do planeta Terra, Andrew. – Dei uma risadinha e observei o rapaz fazer o mesmo diante dos meus olhos.
Travei nele. O que havia de errado comigo?
A cena durou segundos, literalmente segundos, mas o filete de água que escorreu pelo canto da sua boca, descendo pela bochecha e correndo em direção ao pescoço fez com que eu prendesse a respiração por alguns segundos. Meu coração errou as batidas, e fiquei com a boca seca.
Tanto que, quando Andrew me ofereceu a garrafa, peguei ligeiramente e bebi alguns goles sem me importar que a boca dele também tinha estado no mesmo local.
– Meu Deus... – Murmurei após o liquido descer gelado pela minha garganta e uma careta rápida se formar em meu rosto.
– Tudo bem?
Por que o sotaque dele tinha que ser tão bom? Por que qualquer coisa que ele falava era extremamente sexy aos meus ouvidos? Por que meu corpo se arrepiava todas as vezes?
Apenas meneei a cabeça e dei um sorriso fechado, me afastando dele e indo para um canto qualquer do local. A verdade é que eu precisava ficar um pouco longe de Andrew senão nos próximos minutos não iria ser capaz de responder por mim.
Ao me aproximar de uma das cadeiras, me sentei com as pernas bambas. Havia muitas dessas pelo local onde gravávamos, e tentei por um instante colocar os meus pensamentos em ordem.
– !
Me sobressaltei e levei a mão até o peito, quase deixei a garrafinha cair e contive um gritinho.
– Tá tudo bem? – Era Olivia.
– Sim.
– Você não sabe mentir. Conta.
Suspirei dramática levando minhas mãos até as têmporas massageando o local, o que fez ela sorrir.
– Meu problema tem nome e sobrenome.
– Ah, acho que já sei então. – disse ela, indicando Andrew que conversava com James atrás da tela. – Mas não consigo entender como aquele homem pode ser um problema.
– Não é tão simples quanto eu gostaria.
– Talvez você esteja sendo muito dura com a situação, você é motherfucker , vai lá e controla esse jogo.
– Tempo acabou pessoal, Andrew e em suas marcas.
Conversar com Olivia me ajudou a colocar minha cabeça nos eixos.
Entrei no set sendo seguida por Andrew, fui até onde nossa primeira cena terminou e fiz um pequeno exercício para entrar no personagem e até onde tínhamos ido com o script.
O câmera se posicionou exatamente onde havia parado e esperamos a contagem. O marcador de tempo iniciou o tiquetaquear.
– Tomada 2. – Só agora percebi que tinha outro cara lá atrás de nós apenas para marcar a claquete na câmera.
– Ação!
– Fazer o que, Camille? – Ele segurou meu braço com domínio.
– Não toque em mim! Tenho nojo de você. – Retirei o braço com rapidez, fazendo-o me olhar desacreditado.
– Não fale assim, baby. – Ergueu a mão e tocou meu rosto. Retirei sua mão e empurrei seus ombros.
– O que você quer, Norman? Que eu te aceite de braços abertos para sempre? Você está amando outra pessoa e quer que eu faça o que? Que eu te abrace e diga que vai ficar tudo bem? Seja homem e peça divórcio.
– Eu nunca disse que estava amando outra pessoa.
– Não, mas foi o que eu entendi. Pare de se fazer de pobre coitadinho, esse relacionamento está fadado ao fracasso desde que iniciou. Não precisa ser um expert para entender o que está rolando aqui.
Aquelas palavras mexiam com o meu interior de maneira esquisita. Será que ele sentia o mesmo?
– O que está rolando aqui, Camille? – Ele estava calmo, sua voz baixou um tom e fez os pelinhos do meu braço se arrepiarem.
– Você que tem que me dizer, Norman.
Norman, ou Andrew, fixou os olhos em minha boca, deu um passo para frente e eu dei um passo para trás, entrando no banheiro do quarto.
O câmera filmou a reação dele, que agarrou os cabelos irritado e veio até o banheiro atrás de mim.
– Eu... – Ele perdeu a fala quando me viu tirando o cardigã que me cobria e levei as mãos ao cabelo para retirar os grampos que prendiam meu cabelo. Aquilo não estava no roteiro, mas imaginei que poderia ser algo que um casal faria, já que a cena iniciou em eles chegando em casa. Sussurrei um trecho da música me olhando no espelho enquanto ele tentava se ainda me observava. I wanna be your endgame. Eu não sabia dizer se ele havia esquecido a fala, mas se ele não fizesse algo logo, James ia cortar a cena e teríamos que iniciar tudo do começo.
Ele levou a mão até o centro das minhas costas, subindo lentamente e encaixou-a e minha nuca. Meu corpo despertou sensações que eu não sentia há muito tempo.
– O que você... – Tentei perguntar, mas seus lábios interromperam minha sentença unindo-se aos meus no momento exato em que o refrão da minha música iniciou. Foi algo simples, apenas duas bocas se tocando e nada mais, mas foi o suficiente para que meu peito subisse e descesse com tanta força que me deixou envergonhada. Seus lábios se separaram dos meus e seus olhos me fitaram por tempo demais.
– Me desculpe. – Sua mão ainda repousava em minha nuca e não consegui pensar em nada, já que não sabia se aquele pedido era de Norman ou de Andrew. Só sei que no segundo seguinte eu uni nossas bocas de novo. Estava pouco me preocupando se naquele momento estava beijando Norman ou Andrew, eu só precisava de mais toque físico, de mais contato, de mais arrepios.
Ele agarrou minha cintura com força, me puxando tão para perto quanto podia, e minha cabeça foi para outra dimensão quando mergulhei meus dedos em seus cabelos sedosos e o cheiro do seu perfume me nocauteou.
Andrew me beijava como se estivesse com fome, minha música nos embalava e senti uma pontinha de desespero quando ouvi uma voz ao fundo dizer:
– Corta!
Separamos nossas bocas com rapidez, saltando para longe um do outro. Os olhos de Andrew dançaram pelo meu rosto, tentando unir qualquer tipo de informação que eu pudesse ter deixado ali como um rastro de um sentimento que eu não falava, e pude notar seu peito subindo e descendo com força também.
– Posso saber o que aconteceu lá? – James queria entender a situação, já que não haveria beijo no clipe.
– É que...
– Nós só... – Eu e Andrew iniciamos ao mesmo tempo.
Seu olhar caiu sobre mim e tentei disfarçar ao engolir seco. O gosto dele estava na minha boca e seu cheiro impregnado na minha narina. Observei James se levantar e de forma rápida chegar até nós dois.
– Acha que ficou bom?
Foi a minha vez de olhar de soslaio Andrew ao meu lado. De alguma forma os lábios dele se encontravam inchados e seu rosto levemente corado, aquilo fez com que meu corpo se arrepiasse.
– Ficou perfeito.
Ao ouvi-lo falar aquelas palavras arqueei uma das sobrancelhas.
– Venham aqui! – James pediu de um jeito sério, e saiu andando na nossa frente, de volta a sua cadeira.
Uma última olhada em Andrew e comecei a andar em passos firmes. Mesmo não sentindo as minhas pernas nenhum pouco firmes no chão, no entanto, continuei a andar. Chegando ao lado da cadeira dele, com as câmeras disponíveis, o diretor pediu que a parte em que nós nos beijamos fosse exibida.
Um calor instantâneo subiu pelo meu pescoço e levei uma das mãos até a região tentando disfarçar, pigarreei e foquei no que via diante dos meus olhos. Não poderia negar. Eu e Andrew tínhamos sim muita química. E teria que assumir para Callie que escolhê-lo não foi uma má ideia. A forma como eu e ele nos beijávamos era feroz, mas ao mesmo tempo suave. Era nítido que ambos desejávamos o que acontecia.
E isso era péssimo.
Fiz um bico rápido ao olhar para James.
– Precisamos mudar alguma coisa?
– Me diz você. – o diretor me olhou.
Abri a boca para responder, mas nada saiu.
– Eu acho que está do jeito que você queria. – Andrew murmurou ao olhar para James. – Ou há algo que podemos mudar?
Queria tanto que aquela conversa acabasse. Comecei a sentir uma leve dor de cabeça se iniciar e levei uma das minhas mãos até as têmporas, a massageando.
Conhecia James e sabia que não precisaríamos mudar nada. O clipe era perfeito do início ao fim, e o melhor foi que conseguimos gravá-lo em plano sequência e tudo havia sido feito em um dia apenas. Pela correria que foi, pelo tempo que tínhamos e o prazo que nos foi dado, o clipe tinha sido um perfeito sucesso. Haveriam poucas edições, eu provavelmente teria que filmar um detalhezinho ou outro no pós-produção, mas com certeza o principal estava perfeito.
A correria geral era para lançar o vídeo clipe o quanto antes, já que a música tinha vazado com uma semana de antecedência do lançamento. A estreia seria com aqueles vídeos que contém apenas a letra da música, depois de tocar algumas vezes nas rádios, aí sim seria o lançamento do vídeo clipe, que poderia ter sido feito com outra pessoa com a agenda mais livre, com tempo, precisão e qualidade. Mas tudo foi por água abaixo com o vazamento. Agora eu estava enfiada num camarim minúsculo, de um estúdio escondido em Los Angeles para gravar um vídeo todo em um mesmo lugar, com um ator que eu não queria.
Como a vida é bela...
Sentada no camarim, com meu celular em mãos, respondia mais uma mensagem da minha melhor amiga Rachel. A cabeleireira cuidava das minhas madeixas e a maquiadora pedia a todo momento para que eu olhasse pra cima a fim de passar um pouco de corretivo embaixo dos meus olhos. Eu sabia bem o motivo por estar com olheiras.
– Não anda dormindo bem? – a maquiadora me perguntou sorridente.
Suspirei, deixei o aparelho sobre o meu colo e fiz um bico quase infantil.
– O vazamento me deixou bem ansiosa e ter que fazer esse clipe as pressas também. Normalmente fazemos essas gravações com toda calma do mundo, mas aqui estou eu, escondida em um lugar em Los Angeles para que ninguém saiba o que está acontecendo. Sem falar que meu parceiro é um idiota.
Um riso brotou nos lábios de Olivia, minha cabelereira.
– Ele é tão gato.
– Igualmente idiota. – falei em um sussurro, da mesma forma que ela, e rimos.
Olhei para o espelho e elas faziam milagres. Ninguém ia saber que passei a noite em claro ou que eu estava preocupada em atuar ao lado de Andrew Garfield em um clipe que com toda certeza seria exibido ao redor do planeta. Esse pensamento fez com que um frio se apossasse do meu estomago.
O camarim era pequeno, com apenas duas cadeiras. Um bom espelho. Um sofá no lado esquerdo, e ao fundo uma mesa para comes e bebes, sem falar em geladeira para manter a temperatura das bebidas, era uma das minhas poucas exigências.
– Antes de você passar o batom, posso beber um pouco de água, Liv?
– Claro. – uma Olivia sorridente se afastou, indo em direção ao frigobar.
– Digam por favor que ela está pronta! – Callie entrou no camarim, com seus fones de ouvido, prancheta em uma das mãos e na outra um walkie-talkie.
– Quem? – perguntei ao receber a garrafinha de água gelada em mãos.
Callie me olhou e semicerrou os olhos, se aproximou mais um pouco de mim e suspirou.
– Promete não me dar trabalho hoje?
– E quando foi que prometi isso em vida desde que você me conhece? – indaguei após beber um gole e arqueei as sobrancelhas.
– Isso me preocupa, . Olha, se der tudo certo, sairemos daqui hoje ainda, com esse clipe praticamente gravado e poderemos comer uma pizza.
Fechei a garrafa após beber mais um gole e respirei fundo.
– Eu sou tão barata assim que você me compra com pizza?
Rindo e negando com a cabeça, Callie olhou para uma das meninas ali.
– Liv, leva as maquiagens, vamos precisar retocar durante o clipe. Vem, vamos! – ela foi indo em direção a porta.
- Hm, as cenas de beijo? – Olivia nos olhou sorridente e se aproximou para ajeitar tudo que precisaria levar.
– Não existem cenas de beijo. Nada no plural. Existe cena de selinho, apenas. E vai ser bem rápido. – me levantei e as olhei – Se depender de mim vai durar menos do que um segundo. Podem cronometrar. – levantei um dos dedos ao começar a andar.
Todas riram do que eu havia dito, mas o que era tão engraçado? As encarei por longos segundos e comecei a seguir Callie para fora dali.
A verdade é que meu coração batia forte em meu peito e eu sabia bem o motivo de tudo isso.
Absolutamente nada me prepararia para ficar cara a cara com aquele ser, e tudo que ele causava em mim. Mesmo ouvindo seu monólogo pouco convincente de que ele estaria nervoso em minha presença, mesmo que eu tivesse presenciado aquele momento de fraqueza, aquilo não mudava o fato de que Andrew Garfield não era quem dizia ser, não era aquele cara bonzinho do qual todos pintam na internet, o cara fofo e divertido que flertava inocentemente com entrevistadoras... Não. Andrew Garfield tinha feito tudo o que pode para entrar em meu coração (e nas minhas calças) e no dia seguinte desapareceu sem deixar vestígios.
O maldito Andrew Garfield.
O maldito que fez tudo o que quis enquanto eu olhei aqueles olhos castanhos belíssimos achando que daquela vez ia ser diferente.
– Você conseguiu dar uma olhada no roteiro?
– Sim. – respondi Callie que me acompanhava até a área onde seriam as gravações.
O local alugado parecia um ginásio enorme, no centro da quadra haviam paredes levantadas de uma casa falsa, onde seriam gravadas as cenas de briga. Todo o cenário foi ideia do diretor que sempre trabalhava comigo, ele queria que a casa parecesse falsa de propósito para que conseguisse dar um charme especial no clipe. Tudo era em tom pastel, como uma casa de boneca e até a minha roupa parecia ter saído diretamente do filme da Barbie. Era a intenção, que o áudio e o visual gerassem uma dissonância esquisita, que a briga fosse real e o resto artificial.
– Quer ajuda para treinar as falas?
Por sorte, sempre fui uma boa aluna no clube de teatro da escola, por mais que não fosse o meu foco principal, sempre me identifiquei bem com as artes cênicas, então gravar algumas falas e atuar uma briga com uma pessoa que eu realmente queria brigar era um ótimo modo de relembrar os bons tempos de escola.
Tempos estes em que eu não me preocupava com um certo par de olhos castanhos que me observavam de longe, assim que pus meus pés no ginásio.
– Não precisa, Callie. Está tudo certo. – suspirei.
– Você vai ficar bem? – Callie era uma boa amiga, era muito profissional, mas eu sabia que ela se preocupava o suficiente para saber que toda aquela situação estava me incomodando.
– Acho que sim.
Ela assentiu e seguiu seu caminho, me deixando sentada na cadeira que tinha o meu nome, logo atrás das telas que mostrariam o resultado das gravações, de um lado havia uma cadeira escrito “James - Diretor” e do outro lado uma cadeira escrito “Andrew Garfield”.
Rezei em silêncio para que eu não fosse incomodada naquele momento com a presença ilustre do meu parceiro de cena, mas parece que não rezei com fé o suficiente, já que percebi uma pessoa sentando ao meu lado. Fingi não notar enquanto mexia no celular sem vontade alguma. Meu coração deu um pulo quando seu perfume me alcançou, e percebi ele estalando os dedos antes de puxar ar entre dentes antes de finalmente falar algo.
– Podemos conversar?
– Não sei se quero conversar com você, Andrew. – Não tirei os olhos do celular.
– Por favor. Eu sinto que te devo uma explicação, você nunca me deu a chance de explicar. – Eu sentia seus olhos grudados em mim, queimando minha pele.
– Algumas coisas não precisam de explicação, elas só são como são.
Ele bufou.
– ...
– Andrew... – suspirei, virando o rosto na sua direção. – Você não me deve nada, você é um adulto que tomou uma decisão. Eu fiz a mesma coisa, estamos bem.
– Isso é “estar bem” para você? Puts, fico imaginando o que é estar brigado com você, então... – Ele riu sem a menor graça e passou as mãos pelo cabelo, nervoso.
– Não precisa perder tempo imaginando coisas sobre mim. Não somos amigos, não temos nada em comum e não precisa pedir desculpas, Garfield. As coisas não podiam estar melhores entre nós.
O assunto morreu quando James, o diretor, se aproximou de nós com animação. Ele explicou como queria que as coisas funcionassem entre nós e se animou com o clima meio pesado entre mim e Andrew, dizendo que era exatamente aquele tom que ele queria no clipe. Mal sabia ele que o clima de velório era real e não atuação.
James nos levou até a sala principal da casa falsa, nos apresentou rapidamente ao pessoal da equipe e nos posicionou, mostrando nossas marcas no chão, os locais em que a câmera se moveria e o timing da briga, explicou que apenas uma parte do diálogo seria gravada com o microfone do estúdio. O resto não teria áudio, já que estávamos gravando um vídeo clipe musical, e não um filme.
Eu amava trabalhar com James, era meu terceiro clipe com ele no comando. Ele era assertivo, decidido e tinha um gosto que combinava com o meu, nossos brainstorms eram sempre ótimos e as ideias andavam sempre de mãos dadas. Era como se eu fosse a sua musa.
Assim como Tim Burton tinha Johnny Depp.
Como Nolan tinha Michael Caine.
Como Scorsese tinha DiCaprio.
Ele também nos mostrou qual seria o diálogo que apareceria no clipe e como nos moveríamos no set por toda a casa falsa. O clipe seria falsamente feito em uma tomada só, como se tudo acontecesse em plano-sequência, onde alguns jogos de câmera. É claro que aquele tipo de gravação tinha que ter muito ensaio e muita coreografia, mas naquele ambiente fechado, com os profissionais certos e como apenas eu e Andrew estaríamos em cena, sem nenhuma passagem de tempo falsa, era como treinar uma coreografia em duas horas.
Andrew e eu ouvimos tudo com toda a concentração do mundo, não ousei olhar na sua direção uma mísera vez, porém confesso que senti meus olhos queimando minha pele em alguns momentos, era difícil manter a compostura mas me mantive firme.
– Dez minutos e a gente começa, tudo bem? – James finalizou com a pergunta, mas nem se deu ao trabalho de esperar a resposta.
– ... – Andrew me chamou mais uma vez. Suspirei fundo.
– O que foi, Andrew?
– Eu realmente acho que a gente devia conversar antes de fazer isso... – Ele não desviou o olhar, ou deu algum sinal de insegurança. Ele foi sério e direto, com as mãos atrás do corpo e o peito ligeiramente estufado. Não foi a pose que me balançou, foi o sotaque.
– Bom, você tem dez minutos. – Cruzei os braços e ergui as sobrancelhas, deixando toda aquela conversa para ele. Eu não queria conversar, quem queria era ele, logo...
– Aqui
– Andrew, você quer ir para um local mais reservado? – Não aguentei e usei meu tom mais irônico, no entanto eu não gostava muito disso.
– Não, mas... você quer que as pessoas saibam? Você contou a elas o que aconteceu entre a gente? – o ator sussurrou e me segurei para não revirar os meus olhos.
– Você quer realmente usar os seus 10 minutos discutindo se as pessoas sabem ou não que dormimos juntos, que foi ótimo, e no dia seguinte você me deixou sozinha? Sem uma ligação, uma mensagem de texto, ou qualquer coisa?
Dei um passo em sua direção.
– Espera! – Ele pediu ao levantar um dos dedos e acompanhei aquele gesto – Não sabia que havíamos combinado de namorar. Casar ou algo do tipo. Nós saímos na noite anterior, jantamos juntos, nos divertimos e dormimos juntos. Você queria que eu...tudo bem, poderia sim falado com você pela manhã. E o que mais? – seu cenho franziu e passei a língua pelos lábios – O que mais?
– Se você não sabe é por que não deveríamos ter dormido juntos, não acha? – Sussurrei entre os dentes com meu coração na boca e a vontade de bater nele.
– Parece que eu não sou a única pessoa que não sabe. Você também não sabe. Combinamos de ser algo sem compromisso e você parece querer me cobrar de uma situação que não condiz... – Andrew usou o mesmo tom que eu.
O fitei por longos segundos e os olhos dele estavam grudados nos meus. Minha respiração ofegante e o coração na boca. Engoli seco e dei um passo pra trás. O perfume dele entrava pelas minhas narinas e fazia com que eu me lembrasse da tal noite que discutíamos.
– Estão prontos?
Pisquei algumas vezes, ouvindo a voz de James um pouco distante e levantei o meu rosto, respirando fundo e concordando com a cabeça. Teria que gravar com esse idiota agora. Mas se tem alguém que é capaz de tudo, esse alguém é você, .
– Em suas marcas... – Ouvi a voz de James dizer no alto-falante. – Maysee, solta a música... – O tic-tac do marcador de tempo, me fez acordar de um devaneio profundo e dei de cara com os olhos de Andrew me observando. – Ação.
– Tomada 1. – O som da claquete estava sincronizado com o último clique do marcador de tempo e a intro da minha música ressonou pelos alto-falantes do ginásio.
A câmera desceu por um cabo com leveza enquanto Andrew abria a porta da casa para mim. Estávamos em cena.
– Não é possível que isso seja tão ruim. – disse ele com uma entonação indignada.
– Não é ruim, é péssimo Norman, nunca me senti tão humilhada na vida. – respondi entrando na casa pelo espaço que ele abriu. De soslaio, vi um homem desacoplando a câmera do cabo com agilidade e entrando na casa conosco, como um fantasma. As falas não tinham muito significado, eram apenas para que tivéssemos palavras para dizer e um modo de marcar o que fazer no momento certo. Por exemplo, cada vez que a palavra baby era dita no roteiro, Andrew devia me tocar.
– Humilhada, baby, sério? – Ele acariciou meu ombro e desci o rosto para sua mão que logo foi retirada como se eu estivesse em brasa.
– Sim, Norman, humilhada! Ou você gostaria de ter passado por aquilo? – Me alterei de propósito, gesticulando com as mãos.
– Não, é claro que não... Não é isto que eu estou dizendo é que... – Ele baixou os olhos.
– É o que?
– É que eu estou gostando de outra pessoa, Camille. – Ele ergueu os olhos castanhos em minha direção e algo dentro de mim se arrepiou com aquela frase. Pisquei algumas vezes, a câmera quase socada no meu rosto.
– Você o quê? – A decepção em minha voz era palpável.
– E-eu não quis que acontecesse, foi algo que veio sem esperar. – Nós andávamos em sincronia em cena, quando ele dava um passo para frente, eu dava um passo para trás, como uma valsa perfeitamente ensaiada.
– Uma encomenda chega sem esperar, Norman, talvez um bebê, até um gatinho encontrado no lixo, mas isso? Isso não é vir sem esperar, isso é maldade maquiada de traição.
– Baby... – Sua mão tocou a lateral do meu rosto, fazendo um carinho suave com o dedão em minha bochecha. Me deixei levar pelo toque e fechei os olhos. Esse era o segredo do plano-sequência, nem sempre saía como o planejado, mas podia ter um ótimo resultado. Tenho certeza de que aquela merda de química que fiquei evitando o dia inteiro, agora estava queimando na tela de James. – Eu nunca te traí, nunca faria isso com você. Eu te amo.
Abri os olhos, e o rosto de Andrew estava tão perto que eu podia ver as ruguinhas nos cantos dos seus olhos e as pintinhas salpicadas em sua pele corada pelo sol. Merda.
– Não. Você não me ama, nunca me amou, ou não estaria gostando de outra pessoa. – Me afastei repentinamente empurrando seus ombros. O câmera se afastou de nós para pegar o plano de longe. Minha música tocava embalando nossos passos sincronizados.
– Nunca mais fale isso, Camille! Porra, eu te amo, eu te amo, eu te amo desde que te vi pela primeira vez naquele café chique lendo um livro duvidoso, desde que você riu para mim pela primeira vez, nossa, eu nem me lembro mais como é o som da sua risada! – Sua voz se alterou, alta, áspera. Ele gesticulou com maestria todas as emoções que saíram da explosão inicial até chegar na risada, onde ele mesmo riu com suavidade massageando as têmporas. A sua risada era o marco de que eu devia sair da sala.
– Não, Norman, você não vai fazer isso comigo. – Dei as costas à ele e segui até o pequeno corredor que dava para o quarto do casal. Ele me seguiu, e o câmera também. Percebi o câmera tirando a câmera de nós e filmando o guarda-roupas e a cama perfeitamente alinhada.
– E corta! – A voz de James soou e a música pausou. Saí do personagem suspirando alto e saí do local, indo até minha cadeira. – Dez minutos pessoal.
Alguém me entregou uma garrafa de água e Olivia veio dar algumas batidinhas com um pincel de maquiagem em meu nariz.
– Está ótimo, . Uau. Você andou fazendo aulas de atuação? – James me elogiou com os olhos brilhando e eu bebi um gole da água.
– Quem me dera, James, não estou tendo tempo nem de comer o que eu gosto, quem dirá estudar.
– Você é um talento bruto, meu bem. Aproveite isso. – Ele me mostrou a cena na pequena tela que estava a nosso dispor e fiquei realmente impressionada com as atuações. Andrew conduzia a cena, ele era a estrela sem sombra de dúvidas, mas eu estava fazendo um bom trabalho, com toda certeza.
– Posso ...
Observei Andrew ao meu lado e ele parecia querer um pouco de água, pois fez um gesto com as mãos que queria beber algo. Por alguns segundos segurei a garrafinha em minhas mãos mais firmemente, mas logo ofereci a ele.
– Pode ficar com a minha. – Era a primeira vez naquele dia que queria sorrir diante dele, não sei o que havia acontecido nos últimos minutos comigo.
? É realmente você?
– Podemos dividir pra você não ficar sem? – Andrew pegou a garrafa, já a abrindo.
– Não é como se ela fosse a última garrafinha de água do planeta Terra, Andrew. – Dei uma risadinha e observei o rapaz fazer o mesmo diante dos meus olhos.
Travei nele. O que havia de errado comigo?
A cena durou segundos, literalmente segundos, mas o filete de água que escorreu pelo canto da sua boca, descendo pela bochecha e correndo em direção ao pescoço fez com que eu prendesse a respiração por alguns segundos. Meu coração errou as batidas, e fiquei com a boca seca.
Tanto que, quando Andrew me ofereceu a garrafa, peguei ligeiramente e bebi alguns goles sem me importar que a boca dele também tinha estado no mesmo local.
– Meu Deus... – Murmurei após o liquido descer gelado pela minha garganta e uma careta rápida se formar em meu rosto.
– Tudo bem?
Por que o sotaque dele tinha que ser tão bom? Por que qualquer coisa que ele falava era extremamente sexy aos meus ouvidos? Por que meu corpo se arrepiava todas as vezes?
Apenas meneei a cabeça e dei um sorriso fechado, me afastando dele e indo para um canto qualquer do local. A verdade é que eu precisava ficar um pouco longe de Andrew senão nos próximos minutos não iria ser capaz de responder por mim.
Ao me aproximar de uma das cadeiras, me sentei com as pernas bambas. Havia muitas dessas pelo local onde gravávamos, e tentei por um instante colocar os meus pensamentos em ordem.
– !
Me sobressaltei e levei a mão até o peito, quase deixei a garrafinha cair e contive um gritinho.
– Tá tudo bem? – Era Olivia.
– Sim.
– Você não sabe mentir. Conta.
Suspirei dramática levando minhas mãos até as têmporas massageando o local, o que fez ela sorrir.
– Meu problema tem nome e sobrenome.
– Ah, acho que já sei então. – disse ela, indicando Andrew que conversava com James atrás da tela. – Mas não consigo entender como aquele homem pode ser um problema.
– Não é tão simples quanto eu gostaria.
– Talvez você esteja sendo muito dura com a situação, você é motherfucker , vai lá e controla esse jogo.
– Tempo acabou pessoal, Andrew e em suas marcas.
Conversar com Olivia me ajudou a colocar minha cabeça nos eixos.
Entrei no set sendo seguida por Andrew, fui até onde nossa primeira cena terminou e fiz um pequeno exercício para entrar no personagem e até onde tínhamos ido com o script.
O câmera se posicionou exatamente onde havia parado e esperamos a contagem. O marcador de tempo iniciou o tiquetaquear.
– Tomada 2. – Só agora percebi que tinha outro cara lá atrás de nós apenas para marcar a claquete na câmera.
– Ação!
– Fazer o que, Camille? – Ele segurou meu braço com domínio.
– Não toque em mim! Tenho nojo de você. – Retirei o braço com rapidez, fazendo-o me olhar desacreditado.
– Não fale assim, baby. – Ergueu a mão e tocou meu rosto. Retirei sua mão e empurrei seus ombros.
– O que você quer, Norman? Que eu te aceite de braços abertos para sempre? Você está amando outra pessoa e quer que eu faça o que? Que eu te abrace e diga que vai ficar tudo bem? Seja homem e peça divórcio.
– Eu nunca disse que estava amando outra pessoa.
– Não, mas foi o que eu entendi. Pare de se fazer de pobre coitadinho, esse relacionamento está fadado ao fracasso desde que iniciou. Não precisa ser um expert para entender o que está rolando aqui.
Aquelas palavras mexiam com o meu interior de maneira esquisita. Será que ele sentia o mesmo?
– O que está rolando aqui, Camille? – Ele estava calmo, sua voz baixou um tom e fez os pelinhos do meu braço se arrepiarem.
– Você que tem que me dizer, Norman.
Norman, ou Andrew, fixou os olhos em minha boca, deu um passo para frente e eu dei um passo para trás, entrando no banheiro do quarto.
O câmera filmou a reação dele, que agarrou os cabelos irritado e veio até o banheiro atrás de mim.
– Eu... – Ele perdeu a fala quando me viu tirando o cardigã que me cobria e levei as mãos ao cabelo para retirar os grampos que prendiam meu cabelo. Aquilo não estava no roteiro, mas imaginei que poderia ser algo que um casal faria, já que a cena iniciou em eles chegando em casa. Sussurrei um trecho da música me olhando no espelho enquanto ele tentava se ainda me observava. I wanna be your endgame. Eu não sabia dizer se ele havia esquecido a fala, mas se ele não fizesse algo logo, James ia cortar a cena e teríamos que iniciar tudo do começo.
Ele levou a mão até o centro das minhas costas, subindo lentamente e encaixou-a e minha nuca. Meu corpo despertou sensações que eu não sentia há muito tempo.
– O que você... – Tentei perguntar, mas seus lábios interromperam minha sentença unindo-se aos meus no momento exato em que o refrão da minha música iniciou. Foi algo simples, apenas duas bocas se tocando e nada mais, mas foi o suficiente para que meu peito subisse e descesse com tanta força que me deixou envergonhada. Seus lábios se separaram dos meus e seus olhos me fitaram por tempo demais.
– Me desculpe. – Sua mão ainda repousava em minha nuca e não consegui pensar em nada, já que não sabia se aquele pedido era de Norman ou de Andrew. Só sei que no segundo seguinte eu uni nossas bocas de novo. Estava pouco me preocupando se naquele momento estava beijando Norman ou Andrew, eu só precisava de mais toque físico, de mais contato, de mais arrepios.
Ele agarrou minha cintura com força, me puxando tão para perto quanto podia, e minha cabeça foi para outra dimensão quando mergulhei meus dedos em seus cabelos sedosos e o cheiro do seu perfume me nocauteou.
Andrew me beijava como se estivesse com fome, minha música nos embalava e senti uma pontinha de desespero quando ouvi uma voz ao fundo dizer:
– Corta!
Separamos nossas bocas com rapidez, saltando para longe um do outro. Os olhos de Andrew dançaram pelo meu rosto, tentando unir qualquer tipo de informação que eu pudesse ter deixado ali como um rastro de um sentimento que eu não falava, e pude notar seu peito subindo e descendo com força também.
– Posso saber o que aconteceu lá? – James queria entender a situação, já que não haveria beijo no clipe.
– É que...
– Nós só... – Eu e Andrew iniciamos ao mesmo tempo.
Seu olhar caiu sobre mim e tentei disfarçar ao engolir seco. O gosto dele estava na minha boca e seu cheiro impregnado na minha narina. Observei James se levantar e de forma rápida chegar até nós dois.
– Acha que ficou bom?
Foi a minha vez de olhar de soslaio Andrew ao meu lado. De alguma forma os lábios dele se encontravam inchados e seu rosto levemente corado, aquilo fez com que meu corpo se arrepiasse.
– Ficou perfeito.
Ao ouvi-lo falar aquelas palavras arqueei uma das sobrancelhas.
– Venham aqui! – James pediu de um jeito sério, e saiu andando na nossa frente, de volta a sua cadeira.
Uma última olhada em Andrew e comecei a andar em passos firmes. Mesmo não sentindo as minhas pernas nenhum pouco firmes no chão, no entanto, continuei a andar. Chegando ao lado da cadeira dele, com as câmeras disponíveis, o diretor pediu que a parte em que nós nos beijamos fosse exibida.
Um calor instantâneo subiu pelo meu pescoço e levei uma das mãos até a região tentando disfarçar, pigarreei e foquei no que via diante dos meus olhos. Não poderia negar. Eu e Andrew tínhamos sim muita química. E teria que assumir para Callie que escolhê-lo não foi uma má ideia. A forma como eu e ele nos beijávamos era feroz, mas ao mesmo tempo suave. Era nítido que ambos desejávamos o que acontecia.
E isso era péssimo.
Fiz um bico rápido ao olhar para James.
– Precisamos mudar alguma coisa?
– Me diz você. – o diretor me olhou.
Abri a boca para responder, mas nada saiu.
– Eu acho que está do jeito que você queria. – Andrew murmurou ao olhar para James. – Ou há algo que podemos mudar?
Queria tanto que aquela conversa acabasse. Comecei a sentir uma leve dor de cabeça se iniciar e levei uma das minhas mãos até as têmporas, a massageando.
Conhecia James e sabia que não precisaríamos mudar nada. O clipe era perfeito do início ao fim, e o melhor foi que conseguimos gravá-lo em plano sequência e tudo havia sido feito em um dia apenas. Pela correria que foi, pelo tempo que tínhamos e o prazo que nos foi dado, o clipe tinha sido um perfeito sucesso. Haveriam poucas edições, eu provavelmente teria que filmar um detalhezinho ou outro no pós-produção, mas com certeza o principal estava perfeito.
CAPÍTULO 3
Caminhei em passos ligeiros em direção ao camarim como se minha vida dependesse disso. Assim que entrei, fechei a porta atrás de mim e respirei fundo. Corri até o frigobar, pegando uma latinha de Coca Cola e aquilo fez com que eu sorrisse depois de virar o líquido e deixar que descesse pela minha garganta, causando um desconforto momentâneo.
Deixei a latinha sobre a bancada, ao passo que a porta se abriu, e me senti pronta para deferir um palavrão para a pessoa. Ao ver que era Callie, suspirei e fiz uma careta.
– Você.
– O que aconteceu lá? – Ela se aproximou de mim.
– Não sei explicar. – Juntei as sobrancelhas.
– Como não sabe explicar?
– Não sei o que ele causa em mim. O que esse homem tem que ao mesmo tempo que quero matá-lo, quero beijá-lo, puxar o cabelo dele, passar a mão pelo seu peitoral, morder seu pescoço, derrubá-lo numa...
Parei de falar e fechei os olhos por alguns segundos.
– O que há de errado comigo, Callie? – Indaguei de forma desesperada.
Ela soltou uma risadinha.
– Sabe o que tem de errado com você? – Balancei a cabeça, esperando que ela continuasse. – Isso é tesão.
Revirei os olhos.
– Pelo Andrew? Você só pode estar de brincadeira.
– James quer comemorar. – Ela começou a andar pelo camarim.
– James gostou mesmo. Do clipe.
– Palavras dele, não minhas: “Foi um dos melhores que já gravei. Nunca vi um casal com tanta química”.
Aquela informação fez com que eu engolisse seco. Que merda.
– Ótimo.
– E tem mais: Andrew vai sair para comemorar conosco. Na sua pizzaria favorita.
Tá, eu só teria que aguentá-lo pelas próximas horas.
– Ele não estava com a agenda apertada?
– O compromisso dele amanhã é aqui em Los Angeles. – Callie não se abalou com meu comentário. – Vai, se organiza que eu passo aqui em 15 minutos pra te levar.
Meia hora depois, todo o crew do vídeo clipe estava se divertindo na minha pizzaria favorita. Margaritas, piñas coladas e champanhe para comemorar, uma mesa com mais de trinta colaboradores e eu acabei de frente para Andrew... James falava a todo instante o quanto havia gostado da nossa colaboração e agradecia a todos pela participação, já estava até cogitando uma continuação para o clipe, isso tudo e a única coisa que eu sentia era o calor subindo pelo meu pescoço quando percebia que Andrew estava me observando.
A frase de Callie ecoava em minha mente: Isso é tesão. Isso é tesão.
Céus, nada havia me preparado para aquela verdade tão avassaladora, não quando você está tão certa de que aquilo ali é balela. Tudo bem que Andrew é lindo, charmoso e educado. Nada me faria esquecer que ele me usou feito uma camisinha barata, mas então... Porque eu me sentia tão atraída? Tão... A mercê do seu olhar?
Comi alguns pedações de pizza e me senti renovada.
Talvez todo aquele pensamento estranho fosse só fome. É isso, é só fome.
Me levantei para ir ao banheiro e acabei dando de cara com ele saindo do banheiro masculino, eu nem havia percebido que ele não estava a mesa, não quando estava tão concentrada em minha fatia de pepperoni.
– Opa, desculpe. – disse ele quando nos esbarramos comicamente.
– Céus, você está em todo lugar. – resmunguei vendo-o unir as sobrancelhas, virando a cabeça para o lado feito um cachorrinho confuso.
– Como é?
– Você está em todos os lugares, Garfield, até quando eu tento fugir você está lá. – falei de maneira divertida e ele sorriu de maneira divertida.
– Talvez você só esteja pensando muito em mim, tipo quando um casal quer ter filhos e começa a ver bebês em todos os lugares. – Ergueu os ombros despretensiosamente. Ele estava... Flertando comigo?
– Talvez você só esteja me perseguindo feito um stalker, preciso me preocupar? – brinquei vendo-o sorrir. Aquela merda de sorriso delicioso.
– Você está ocupada agora?
– Sim, estou em um jantar com meus colegas de equipe e, na verdade, estou apurada para ir ao banheiro, se me der licença. – gesticulei indicando o banheiro feminino com as mãos. Andrew sorriu mais ainda, mas seus olhos se distraíram com alguém atrás de mim por um segundo.
– Oi, desculpe... Mas você poderia tirar uma foto comigo? – A voz feminina soou trêmula e ele ergueu as sobrancelhas comovido. – Sou uma grande fã.
– É claro, meu bem. – Abriu os braços para a garota o abraçar de vez. Ela ergueu o celular e tirou algumas selfies com ele, e antes de sair comovida, seus olhos pousaram em mim.
– AI. MEU. DEUS. – Ela abanou o rosto, os olhos brilhando em minha direção. – !
A garota pulou em meu pescoço e me abraçou com força o suficiente para me deixar no chão, eu dei o melhor sorriso que consegui mas aquele tipo de situação, às vezes, me deixava desconfortável, e essa era uma dessas situações.
– Sou sua maior fã do mundo! – Bateu várias selfies seguidas e, percebendo que estávamos no meio de uma conversa, saiu agradecendo.
Andrew notou que aquilo me deixou meio aérea pelo olhar preocupado que tomou conta do seu rosto, segurou a minha mão e me levou até o banheiro feminino.
– Você está bem?
– Sim, sim. É só que as vezes eu me sinto em uma situação extra-corpórea, não consigo entender a adoração que as pessoas tem em nós e isso me deixa em um limbo meio pensativo demais. Desculpe.
Ele me observou enquanto eu jogava um pouco de água no rosto. Sequei com papel toalha.
– Não precisa pedir desculpas, eu é que preciso. – Ele me observava pelo grande espelho em frente à pia. – , eu sei que o que eu fiz foi errado, tá bem? Eu podia sim ter te dado uma explicação, ou ter, no mínimo falado algo com você, mas era um momento muito delicado nas nossas vidas. Você tinha recém estourado como artista revelação no Grammy, eu tinha acabado de sair das filmagens do último Homem-Aranha, teria que passar por entrevistas, por divulgações, e ainda tinha o lockdown e, sinceramente, não era o momento. Eu sei que eu podia ter dado uma explicação melhor, podia ter te ligado, mas... Não sei, na época me pareceu certo fazer o que fiz. E por isso, te peço desculpas.
Engoli a seco, sentindo toda a ansiedade que senti quando aquela estranha me agarrou fervilhar em minha pele se transformando em uma explosão de calor que fez minhas bochechas enrubescerem. As palavras deles ecoaram pelas paredes do banheiro e parece que esqueci como se respira.
– Tudo bem. – Ouvi minha voz esganiçada reproduzir no automático.
– Tudo bem? Estamos bem então?
– Claro. – Mais uma vez o piloto automático assumiu.
Seu sorriso amoleceu minhas pernas e me vi na necessidade de apoiar meu quadril na pia. Merda.
Aquele poder que ele tinha sobre mim... Era algo sobrenatural, era um manifesto das minhas entranhas. Uma química inegável, que dava de sentir, apalpar e respirar.
– Isso é... Isso é maravilhoso, . Obrigado! Posso te abraçar? – A pergunta me pegou desprevenida, sendo que, primeiro, tínhamos nos beijado há menos de duas horas e, segundo, era de uma sensibilidade ímpar o fato de ele pedir depois do que eu havia confidenciado sobre abraçar estranhos.
– É claro, idiota.
Seus braços em volta de mim. Seu cheiro me impregnando. Suas mãos me segurando.
Aquilo era certo em tantos níveis que me doía aceitar.
Afundei meus dedos em seus fios, sem pensar duas vezes. Eles eram sedosos, cheiravam bem e poderia ficar ali por horas. Pensava o mesmo sobre a forma como seus braços se encaixavam perfeitamente em meu corpo.
Minha mente começou a relembrar momentos que passamos juntos. Principalmente quando Andrew mantinha as mãos em meu quadril, e eu sentada em seu colo, encaixada com nossos corpos conectados. Os arrepios foram do fim das minhas costas até a nuca. Tentei disfarçar, mas o babaca me segurou mais firmemente.
Desci uma das minhas mãos pelas suas costas, não segurei o desejo eminente em usar as minhas unhas, mesmo por cima do tecido branco da camiseta. Ainda assim, notei o arrepiar do corpo dele contra o meu e segurei uma risadinha.
– É melhor irmos. – falei ao me afastar um pouco e sorri fechado no instante em que ele me olhou, seu rosto estava levemente corado. – Pedi pizza de calabresa e é capaz deles comerem sem mim.
Se ficasse mais um segundo encarando aquele rosto, eu o beijaria de novo. Não confiava em mim mesma. Não mesmo. Mordi meu lábio inferior, saindo dali em passos apressados, mas tentei não demonstrar muito. Ao chegar na mesa, a conversa era sobre filmes.
– Como estava o banheiro? – Callie me olhou e imediatamente entendi o seu tom.
– Ótimo. Quer dizer, normal. Normal. – neguei com a cabeça ao juntar as sobrancelhas, a encarando.
Andrew chegou logo depois de mim, e sabia que se alguém estava atento na mesa, notou isso. Tratei de pegar um pedaço da pizza de calabresa e colocar sobre o meu prato, mas antes dei uma mordida generosa, não querendo conversar naquele momento.
Entre sons de risadas, conversas paralelas e uma música ruim que tocava no ambiente, James perguntou a Andrew sobre seus próximos projetos e um brilho apareceu em seus olhos ao responder à pergunta. Tive que controlar um sorriso que quis brotar em meus lábios. Era bonito vê-lo falar de seu trabalho. Dava pra ver o amor que ele colocava em tudo que fazia.
Haja vista o clipe que gravamos juntos.
Enquanto bebia um pouco da Coca Cola que ainda restava em meu copo, podia sentir a maciez dos lábios dele nos meus. O gosto do beijo dele, somada a sua língua quente quando encostou na minha constatando a intensidade do beijo. Outro arrepio forte, dessa vez pelos do meu braço se eriçaram e agradeci mentalmente por usar um moletom quentinho.
Horas depois, me despedi de Callie com um aceno rápido com a mão, ao vê-la entrar em um dos táxis. Os ponteiros do meu relógio se encontravam no um, e soltei um suspiro baixo com isso. Los Angeles não dormia, no entanto, aquela região entraria em um sono profundo em alguns minutos.
– Quer companhia?
Com o punho fechado, me virei para o dono da voz pronta para socá-lo na jugular. Ouvi dizer que o local poderia deixar a pessoa atordoada. Meu pai era médico. Me ensinou desde pequena onde ficavam certos lugares do corpo humano importantes para um momento de autodefesa, se fosse necessário.
– Calma, sou eu, sou eu! – Andrew levantou as mãos ao falar mais alto.
– Andrew! Achei que você tivesse ido embora. – respondi entre os dentes ao encará-lo com o cenho franzido.
– Eu fui ao banheiro.
– Você vai ao banheiro demais, não acha?
– Tomei quase 2 litros de água, . Sabe quantos ml nossa bexiga comporta?
– Meu pai é médico. É claro que eu sei! – continuei com o mesmo tom. – De qualquer maneira, estou bem, obrigada.
Ele sorriu de lado, sabendo que eu não cederia tão fácil.
– Tudo bem então, vou nessa, já que a vista do meu quarto do Palace no vigésimo andar não vai se olhar sozinha. Até mais, .
Ele estava mesmo me dando uma dica de onde ele estava hospedado?
Soltei uma risadinha que não consegui segurar vendo-o entrar no táxi que havia chamado. Acenou de dentro do carro e retribuí vendo que meu motorista particular chegou logo depois.
A cama era minha pior aliada nesses momentos. Rolei de um lado para o outro, os lençóis quentes pareciam querer me expulsar, enquanto minha cabeça repassava tudo que havia acontecido naquele dia turbulento. O beijo nas câmeras e o abraço no banheiro sendo as cenas que mais se repetiam.
Merda. Merda. Merda.
Uma sensação de dejavù tomou conta de mim e quando percebi, já estava no banheiro tomando banho.
Maldito seja Andrew Garfield.
Segui até o Palace e consegui entrar no hotel com a facilidade que apenas um rostinho conhecido e dinheiro poderiam proporcionar. Até o número do quarto dele eu consegui.
Bati na porta três vezes, me amaldiçoando por ser tão fraca. Mas um Andrew com um sorriso despretensioso me atendeu, um sorriso que deu luz ao vazio existencial em que eu estava ao encarar aquela porta fechada à minha frente.
Nossos olhos se encontraram e mantiveram contato por tempo o suficiente, ele abriu espaço para eu entrar e quando abriu a boca para falar algo, levantei um dedo.
– Não fala nada. Não estraga o momento. – E uni nossas bocas mergulhando minhas duas mãos em seus cabelos.
Eu precisava daquilo, era surreal, era anormal, era uma necessidade. A boca dele tinha gosto de saudade, era de uma familiaridade peculiar que me fazia querer despi-lo agora mesmo. Eu queria suas mãos quentes em mim, queria seus lábios no meu pescoço. Queria seu gemido em meu ouvido. Meu corpo clamava pelo seu, suas digitais estavam impressas em minha alma.
Suas mãos agarraram minha cintura com força e domínio, um suspiro alto rasgou minha garganta quando elas subiram para minhas costas, me puxando tão para perto quanto era possível. Seus lábios me beijavam como se ele estivesse faminto, como se todo o resto pudesse explodir, como se eu fosse a última criatura viva do planeta. Andrew tinha esse negócio, uma intensidade avassaladora, algo que cativava quem conversasse com ele por mais de cinco minutos. Comigo não foi diferente, e pensar na possibilidade de que ele sentia o mesmo era de fazer as borboletas em meu estômago darem muitas voltas.
O mundo pareceu parar quando seus dedos ágeis passearam pela barra da minha blusa de algodão e tocaram minha pele. Desci minhas mãos de sua nuca e agarrei seus ombros largos ouvindo-o gemer contra minha boca. Nossas línguas tocavam-se com tanta naturalidade que nem parecia que haviam ficado tanto tempo distantes antes de hoje, cada uma explorando a outra com tanta destreza que era difícil dizer quem estava no comando.
Voltei uma de minhas mãos em sua nuca e fiquei na ponta dos pés para poder aprofundar o beijo, e aquilo pareceu despertar algo nele que me empurrou contra algo que percebi ser a parte de trás do sofá da sala da sua suíte. Sentei-me desajeitada naquele encosto e ele se encaixou entre minhas pernas separando nossas bocas. Encostou a testa na minha, suspirando audivelmente. Um sorriso perfeito brotou em seus lábios avermelhados e ele levou uma mão até o meu rosto, acariciando-o com calma enquanto sua respiração se acalmava.
– Tão linda. – disse apenas, levando a mão até minha nuca, fazendo-me fechar os olhos em êxtase. Meu ponto fraco. Amoleci o pescoço baixando toda a guarda e ele iniciou um caminho lento e tortuoso pela base de meu pescoço, levando os lábios até minha boca novamente.
O que se iniciou foi um beijo selvagem, minhas pernas enlaçaram sua cintura e nossas intimidades se tocaram e a única coisa que pensei foi: ainda há muitas camadas de roupa entre nós. Como se lesse minha mente, a mão de Andrew que estava em minha cintura subiu alguns centímetros trazendo junto minha blusa que fiquei feliz em separar nossos beijos para me livrar da peça. A boca de Andrew voou na direção de meu ombro recém descoberto com tanta voracidade que o impulso me fez perder o equilíbrio e ambos caímos rolando por cima do sofá e acabamos no chão.
Nossa gargalhada preencheu o ambiente por minutos. O tapete bege felpudo acolheu nossos corpos como se fosse para estarmos ali desde o começo.
– Você está bem? – Ele estava por cima de mim, ainda sorrindo docemente, levou uma mecha teimosa de meu cabelo para trás da orelha. Chacoalhei a cabeça sorrindo, vendo-o se perder em meu sorriso por um instante.
Eu ainda me recuperava dos risos quando uni nossas bocas novamente, me apoiando sobre um cotovelo. Aproveitei minha mão livre para ir erguendo sua blusa preta básica para cima, sentindo os músculos firmes de seu abdome sob meus dedos. Sua mão que estava novamente em minha nuca, me deixando tão firme quanto uma gelatina, desceu lentamente até meu seio, por cima do sutiã, fazendo-me soltar um gemido baixo de aprovação. Eu podia ter ido para lá sem sutiã, não sei onde estava com a cabeça.
Repartiu nossos lábios para tirar sua blusa, seus olhos me embriagavam como se fossem licor, doce, quente e forte, queimando minha pele por onde passavam. Eu tinha me esquecido como Andrew Garfield era gostoso, de uma beleza ímpar, de proporções quase difíceis de aceitar que eram reais.
– Você é real, ? – sua voz soava leve, entorpecida. Sua mão foi novamente ao encontro do meu rosto, seu dedão rodeou meus lábios devagar, seus olhos estavam vidrados em mim, e aproveitei o momento para lambê-lo e suga-lo, da melhor maneira que pude e o resultado foi o que eu queria. Andrew estava a mercê, estava na beira de um precipício querendo pular no mar desconhecido que eu era. Sua boca entreaberta e os olhos turvos de prazer denunciavam o quão excitado ele estava, se aquilo não fosse o bastante, o volume entre suas pernas terminava de dar a certeza de que eu precisava: Andrew Garfield queria aquilo tanto quanto eu.
Aquele era o momento.
O momento de eu me levantar e ir embora, deixando-o confuso e sozinho, do mesmo jeito que ele me deixou. Mas eu sabia, assim que meus olhos encontraram os seus atrás da porta deste apartamento, que eu não conseguiria ficar longe desses olhos castanhos nunca mais. Era como se seu corpo fosse ouro e eu fosse a porcaria do Smaug. Não tinha mais volta.
Rocei meus lábios nos dele ao diminuir a distância entre os nossos corpos, minha mão, que não parecia ter controle, adentrou a calça do seu pijama e mordi meu lábio inferior ao observar uma ofegada saindo dos seus lábios assim que meus dedos, passaram pelo seu pau, mesmo por cima do tecido. Não resisti em tomá-lo por inteiro, e fechei a minha mão fortemente.
– ...
A forma como ele gemeu meu nome fez com que meu corpo inteiro se arrepiasse. Chegou a doer, pois fechei os meus olhos, querendo repetir o ato para que ele falasse mais vezes. Grudei nossos lábios, mordendo a parte inferior dos lábios de Andrew ao passo que minha mão ainda fechada se movimentou para cima e para baixo no comprimento do seu membro.
Outra ofegada misturada com um gemido.
O calor crescente dominava meu corpo. Sabia que minhas bochechas poderiam estrar coradas e a minha nuca levemente molhada. Com certa dificuldade, tirei a minha mão do local no qual ela estava antes, e fiz um movimento rápido em colocá-la dentro da sua cueca. A mão de Andrew apertou a minha cintura fortemente ao mesmo tempo que eu voltava a massageá-lo, só que dessa vez era pele com pele.
Ainda deitados no chão, em uma posição pouco desconfortável, mas não me importava. Sabia que faria isso com ele em qualquer local desse quarto. Meu corpo precisava do dele, e julgando pelas suas reações, era recíproco.
– Andrew. – aproximei meus lábios do seu lóbulo, onde deixei uma mordida. Seu “Uhum” em resposta fez com que uma risadinha saísse entre os meus lábios – Podemos ir para a sua cama? O que eu quero fazer vai ser muito melhor lá.
Ele pareceu demorar alguns segundos para entender do que eu estava falando. Minha mão ainda se movimentava em seu membro, mas de forma lenta, aumentando gradativamente e parando, apenas para provoca-lo.
Recebi uma olhada em resposta, e notei como ele engoliu em seco, tentando tirar forças da profundeza para que pudesse se mover e sairmos dali. E foi o que aconteceu. No entanto, fui pega de surpresa quando Andrew passou os braços ao redor do meu quadril, me puxando pra cima. Passei os meus braços ao redor do seu pescoço, meus mamilos enrijecidos grudaram em seu peitoral, e por estarem sensíveis, fez com que uma ofegada saísse entre os meus lábios. Fomos dessa forma até o quarto, e nem consegui prestar atenção no quarto de hotel direito, pois Garfield me beijou em meu pescoço, e o idiota sabia exatamente qual era meu ponto fraco.
Em qual momento da minha vida eu havia confidenciado isso a ele?
Não importa. Uns centímetros abaixo da minha orelha, e seus dentes fincaram no local de forma delicada, e ao mesmo tempo rígida. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Meus olhos se fecharam, minhas unhas desceram pelas suas costas e um gemido mais alto saiu entre os meus lábios.
Fui deitada na cama, e passei minhas pernas ao redor do quadril dele. O querendo mais próximo a mim. Seus beijos desceram, chegaram na minha clavícula e ele foi delicado em deixar selinhos no local.
Suas mãos puxaram a peça que usava e levantei os braços a fim de facilitar isso. Lá estava ele, o sutiã. Meus pensamentos voltaram ao momento em que sai do hotel, por que não facilitei as coisas?
– No que você está pensando? – um selinho foi dado em meus lábios e eu poderia mentir, certo?
Seu corpo quente estava sobre o meu, sua ereção crescente no meio das minhas pernas, e meu corpo era como um vulcão prestes a entrar em erupção. Mesmo com nossos lábios roçando, dei um risinho e segurei uma ofegada assim que Andrew se moveu sobre mim.
– Tira a sua calça. Tira a minha. Quero sentir você. Muitas camadas. – Sussurrei tão rapidamente que mal entendi, mas ele entendeu.
Tanto que, foi questão de segundos para estarmos sem as nossas calças, apenas com as roupas intimas. E novamente ele se colocou na mesma posição de antes, e de um jeito que julguei espontâneo, fechei minhas pernas ao redor do seu quadril.
Minhas unhas estavam fincadas em suas costas, tentava de todas as maneiras não o machucar, o que era impossível. Precisava demonstrar de alguma forma o que sentia.
– Andrew – implorei.
Seu quadril entrou em movimentos lentos, para frente e pra trás. Mesmo por cima dos tecidos, que ainda nos separavam, a cabeça do seu membro batia, de forma perfeita, algo que eu imaginava que poderia ter sido calculado milimetricamente, no meu clitóris. A cada movimento seu, minha boceta se enxarcava. O tecido da minha calcinha estava grudento, eu podia sentir.
Gemi alto, não aguentando mais apenas arranhá-lo. Procurei pelos seus lábios com os olhos fechados, e assim que o encontrei, o beijei com avidez. Minha mão subiu até a sua nuca, entrelacei meus dedos em seu cabelo e o puxei, queria que ele entendesse como eu o desejava, e como o queria sem aquelas peças de roupa.
Nossas línguas buscavam contato a todo instante, Andrew mordeu meu lábio inferior de leve e foi a minha vez de iniciar movimentos do meu quadril contra o seu. Seu pau duro roçava na minha entrada, e pelos seus gemidos contidos, entendia que ele também se encontrava no limite, igual a mim.
– Eu preciso sentir seu gosto. – Andrew rosnou rouco em meu ouvido, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. E dando essa notícia, desceu os lábios pelo meu queixo, alcançando o sutiã logo abaixo, o retirou com um clique. Vi estrelas quando sua língua rodeou meu mamilo, sugando-o com avidez. Meu corpo reagia a cada toque seu, fosse com as mãos, com a boca ou com seu pau. Depois de alguns minutos entretido com meus seios, ele seguiu os beijos por minha barriga e chegou em minha calcinha. Tocou o tecido úmido em movimentos circulares e meu corpo reagiu com espasmos catastróficos, um sorriso sacana surgindo em seus lábios vendo a cena. Do jeito que eu estava, bastaria uma lambida sua e o orgasmo viria.
Andrew desceu o tecido de minha calcinha devagar e tortuosamente, observando cada detalhe com seus olhos atentos. Xingou baixinho quando abriu minhas pernas com as mãos, posicionando-se confortavelmente ali como se fosse algo natural para ele, algo que fizéssemos todos os dias. De uma só vez, ele me penetrou com dois dedos e iniciou lambidas em meu clitóris, como se tivesse gastado toda a sua paciência fazendo o trajeto, agora ele queria me destroçar em pedaços e fazer um mosaico com o que restasse. A sensação era de puro êxtase, sentir sua língua em movimentos circulares no ponto exato de minha boceta era tudo o que eu precisava naquele momento, seus dedos entravam e saíam de dentro de mim com o ponto perfeito de equilíbrio entre velocidade e força. Me contorci embaixo do seu corpo, mal conseguindo conter gemidos que subiam pela minha garganta com uma facilidade incrível. Demorou poucos minutos para eu me desmanchar em pedaços, sentindo meu corpo latejar de tesão.
O puxei para mais um beijo, invertendo as posições, rebolei em cima do seu membro por cima da cueca, sentindo-o quente e pulsante. Merda, eu queria provoca-lo mais um pouco, mas eu mesma não estava mais aguentando. Suas mãos estavam posicionadas em minha cintura e segurei-as e levei até meus seios que necessitavam de atenção, enquanto o provocava usando a força de minhas coxas para fazer movimento de sobe e desce por cima de sua cueca.
Andrew suava, ergueu o tronco abocanhando um dos meus seios mais uma vez, suspirei agarrando seus cabelos e fechando os olhos, abraçando cada sensação, sua língua, suas mãos, seu pau abaixo de mim, apenas uma camada de tecido estava atrapalhando.
– Cueca. Tira. Agora. – gemi ofegante, feito uma mulher das cavernas.
Com pouquíssimo esforço, Andrew ergueu meu corpo e me colocou na cama.
– Camisinha. – explicou, provavelmente vendo minha cara de dúvida. Pegou o que precisava no armário onde sua mala estava posicionada e voltou com rapidez.
Tirou a peça que faltava, pôs a camisinha e veio em minha direção, lindo, firme, tão delicioso quanto eu me lembrava. Eu nunca enjoaria de ver aquele homem me olhando do jeito que ele me olhava naquele momento.
Andrew nada disse, posicionou-se entre minhas pernas com agilidade e me penetrou com voracidade, sem mais tempo a perder. Gememos ao mesmo tempo, com a primeira estocada forte e vi pontos branco em minha vista quando ele guiou seu pau para fora de mim e repetiu o processo cada vez mais rápido e cada vez mais forte, fazendo meu corpo reagir fora do meu controle, uni nossas bocas mesmo que os movimentos não favorecessem, eu necessitava da sua língua na minha, necessitava de todos os pedaços de Andrew em contato comigo, sua língua na minha, minhas mãos arranhando suas costas, meu peito em seu peito, minhas pernas enlaçando sua cintura para ajudar na movimentação, tudo perfeitamente conectado da maneira certa.
A sensação entorpecente crescia em meu peito e se espalhava por todo o meu corpo.
– , abre os olhos. – sussurrou ele em meu ouvido, ainda atolando seu pau em mim com tanta força que era difícil fazer meu cérebro discernir do que ele falava.
– O que...? – respondi entre suspiros roucos. Ele depositou beijos em meu pescoço e diminuiu a frequência das estocadas, me penetrando devagar, tão devagar que eu podia sentir cada sensação, cada veia do seu membro me massageando por dentro.
– Abre os olhos, quero te ver gozar.
Ele sabia que eu estava quase lá, sabia que eu estava pronta para pular do penhasco. Abri os olhos, vendo um Andrew com os cabelos molhados colando na testa, com um olhar de tesão tão intenso que fez meu interior se contorcer sobre seu pau, os espasmos me deixando tonta enquanto ele ainda se afundava em mim com tanta maestria que me fazia querer gritar, finquei minhas unhas em suas costas sentindo o orgasmo me atingir com força enquanto seus olhos me engoliam para dentro de sua alma.
Ele grunhiu quebrando nosso contato visual, apoiando sua testa em meu ombro, socando seu pau tão fundo que fazia meu corpo estremecer de prazer.
Ficamos ali naquela posição recuperando nossas respirações, Andrew uniu nossos lábios mais uma vez antes de desabar ao meu lado com a respiração pesada.
Por algum tempo, apenas encarei o teto. Depois, comecei a sentir meus olhos pesarem enquanto minha respiração se normalizava. Não fazia ideia de quanto precisava disso. A serotonina se dissipava pelo meu corpo em alta velocidade como se fosse um carro de Fórmula 1. Sem me segurar, um sorriso brotou em meus lábios.
– O que é isso? – o dedo de Andrew passeou pelos meus lábios e ameacei mordê-lo.
– Lábios. Nunca viu?
– É um sorriso, .
Passei a língua pelos lábios, e notei como o rosto dele estava corado, era adorável. O toquei de forma delicada, passeando com o dedo pelo nariz, depois a bochecha e sua barba por fazer.
– Fica.
Ele pediu num sussurro. E percebi que analisou a minha expressão, pois pisquei algumas vezes.
– Não vou a lugar nenhum. Prometo.
Sua mão veio até o meu rosto, onde ele deixou uma caricia delicada na minha bochecha. Colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e voltou a me acariciar com o dedão.
Deixei a latinha sobre a bancada, ao passo que a porta se abriu, e me senti pronta para deferir um palavrão para a pessoa. Ao ver que era Callie, suspirei e fiz uma careta.
– Você.
– O que aconteceu lá? – Ela se aproximou de mim.
– Não sei explicar. – Juntei as sobrancelhas.
– Como não sabe explicar?
– Não sei o que ele causa em mim. O que esse homem tem que ao mesmo tempo que quero matá-lo, quero beijá-lo, puxar o cabelo dele, passar a mão pelo seu peitoral, morder seu pescoço, derrubá-lo numa...
Parei de falar e fechei os olhos por alguns segundos.
– O que há de errado comigo, Callie? – Indaguei de forma desesperada.
Ela soltou uma risadinha.
– Sabe o que tem de errado com você? – Balancei a cabeça, esperando que ela continuasse. – Isso é tesão.
Revirei os olhos.
– Pelo Andrew? Você só pode estar de brincadeira.
– James quer comemorar. – Ela começou a andar pelo camarim.
– James gostou mesmo. Do clipe.
– Palavras dele, não minhas: “Foi um dos melhores que já gravei. Nunca vi um casal com tanta química”.
Aquela informação fez com que eu engolisse seco. Que merda.
– Ótimo.
– E tem mais: Andrew vai sair para comemorar conosco. Na sua pizzaria favorita.
Tá, eu só teria que aguentá-lo pelas próximas horas.
– Ele não estava com a agenda apertada?
– O compromisso dele amanhã é aqui em Los Angeles. – Callie não se abalou com meu comentário. – Vai, se organiza que eu passo aqui em 15 minutos pra te levar.
Meia hora depois, todo o crew do vídeo clipe estava se divertindo na minha pizzaria favorita. Margaritas, piñas coladas e champanhe para comemorar, uma mesa com mais de trinta colaboradores e eu acabei de frente para Andrew... James falava a todo instante o quanto havia gostado da nossa colaboração e agradecia a todos pela participação, já estava até cogitando uma continuação para o clipe, isso tudo e a única coisa que eu sentia era o calor subindo pelo meu pescoço quando percebia que Andrew estava me observando.
A frase de Callie ecoava em minha mente: Isso é tesão. Isso é tesão.
Céus, nada havia me preparado para aquela verdade tão avassaladora, não quando você está tão certa de que aquilo ali é balela. Tudo bem que Andrew é lindo, charmoso e educado. Nada me faria esquecer que ele me usou feito uma camisinha barata, mas então... Porque eu me sentia tão atraída? Tão... A mercê do seu olhar?
Comi alguns pedações de pizza e me senti renovada.
Talvez todo aquele pensamento estranho fosse só fome. É isso, é só fome.
Me levantei para ir ao banheiro e acabei dando de cara com ele saindo do banheiro masculino, eu nem havia percebido que ele não estava a mesa, não quando estava tão concentrada em minha fatia de pepperoni.
– Opa, desculpe. – disse ele quando nos esbarramos comicamente.
– Céus, você está em todo lugar. – resmunguei vendo-o unir as sobrancelhas, virando a cabeça para o lado feito um cachorrinho confuso.
– Como é?
– Você está em todos os lugares, Garfield, até quando eu tento fugir você está lá. – falei de maneira divertida e ele sorriu de maneira divertida.
– Talvez você só esteja pensando muito em mim, tipo quando um casal quer ter filhos e começa a ver bebês em todos os lugares. – Ergueu os ombros despretensiosamente. Ele estava... Flertando comigo?
– Talvez você só esteja me perseguindo feito um stalker, preciso me preocupar? – brinquei vendo-o sorrir. Aquela merda de sorriso delicioso.
– Você está ocupada agora?
– Sim, estou em um jantar com meus colegas de equipe e, na verdade, estou apurada para ir ao banheiro, se me der licença. – gesticulei indicando o banheiro feminino com as mãos. Andrew sorriu mais ainda, mas seus olhos se distraíram com alguém atrás de mim por um segundo.
– Oi, desculpe... Mas você poderia tirar uma foto comigo? – A voz feminina soou trêmula e ele ergueu as sobrancelhas comovido. – Sou uma grande fã.
– É claro, meu bem. – Abriu os braços para a garota o abraçar de vez. Ela ergueu o celular e tirou algumas selfies com ele, e antes de sair comovida, seus olhos pousaram em mim.
– AI. MEU. DEUS. – Ela abanou o rosto, os olhos brilhando em minha direção. – !
A garota pulou em meu pescoço e me abraçou com força o suficiente para me deixar no chão, eu dei o melhor sorriso que consegui mas aquele tipo de situação, às vezes, me deixava desconfortável, e essa era uma dessas situações.
– Sou sua maior fã do mundo! – Bateu várias selfies seguidas e, percebendo que estávamos no meio de uma conversa, saiu agradecendo.
Andrew notou que aquilo me deixou meio aérea pelo olhar preocupado que tomou conta do seu rosto, segurou a minha mão e me levou até o banheiro feminino.
– Você está bem?
– Sim, sim. É só que as vezes eu me sinto em uma situação extra-corpórea, não consigo entender a adoração que as pessoas tem em nós e isso me deixa em um limbo meio pensativo demais. Desculpe.
Ele me observou enquanto eu jogava um pouco de água no rosto. Sequei com papel toalha.
– Não precisa pedir desculpas, eu é que preciso. – Ele me observava pelo grande espelho em frente à pia. – , eu sei que o que eu fiz foi errado, tá bem? Eu podia sim ter te dado uma explicação, ou ter, no mínimo falado algo com você, mas era um momento muito delicado nas nossas vidas. Você tinha recém estourado como artista revelação no Grammy, eu tinha acabado de sair das filmagens do último Homem-Aranha, teria que passar por entrevistas, por divulgações, e ainda tinha o lockdown e, sinceramente, não era o momento. Eu sei que eu podia ter dado uma explicação melhor, podia ter te ligado, mas... Não sei, na época me pareceu certo fazer o que fiz. E por isso, te peço desculpas.
Engoli a seco, sentindo toda a ansiedade que senti quando aquela estranha me agarrou fervilhar em minha pele se transformando em uma explosão de calor que fez minhas bochechas enrubescerem. As palavras deles ecoaram pelas paredes do banheiro e parece que esqueci como se respira.
– Tudo bem. – Ouvi minha voz esganiçada reproduzir no automático.
– Tudo bem? Estamos bem então?
– Claro. – Mais uma vez o piloto automático assumiu.
Seu sorriso amoleceu minhas pernas e me vi na necessidade de apoiar meu quadril na pia. Merda.
Aquele poder que ele tinha sobre mim... Era algo sobrenatural, era um manifesto das minhas entranhas. Uma química inegável, que dava de sentir, apalpar e respirar.
– Isso é... Isso é maravilhoso, . Obrigado! Posso te abraçar? – A pergunta me pegou desprevenida, sendo que, primeiro, tínhamos nos beijado há menos de duas horas e, segundo, era de uma sensibilidade ímpar o fato de ele pedir depois do que eu havia confidenciado sobre abraçar estranhos.
– É claro, idiota.
Seus braços em volta de mim. Seu cheiro me impregnando. Suas mãos me segurando.
Aquilo era certo em tantos níveis que me doía aceitar.
Afundei meus dedos em seus fios, sem pensar duas vezes. Eles eram sedosos, cheiravam bem e poderia ficar ali por horas. Pensava o mesmo sobre a forma como seus braços se encaixavam perfeitamente em meu corpo.
Minha mente começou a relembrar momentos que passamos juntos. Principalmente quando Andrew mantinha as mãos em meu quadril, e eu sentada em seu colo, encaixada com nossos corpos conectados. Os arrepios foram do fim das minhas costas até a nuca. Tentei disfarçar, mas o babaca me segurou mais firmemente.
Desci uma das minhas mãos pelas suas costas, não segurei o desejo eminente em usar as minhas unhas, mesmo por cima do tecido branco da camiseta. Ainda assim, notei o arrepiar do corpo dele contra o meu e segurei uma risadinha.
– É melhor irmos. – falei ao me afastar um pouco e sorri fechado no instante em que ele me olhou, seu rosto estava levemente corado. – Pedi pizza de calabresa e é capaz deles comerem sem mim.
Se ficasse mais um segundo encarando aquele rosto, eu o beijaria de novo. Não confiava em mim mesma. Não mesmo. Mordi meu lábio inferior, saindo dali em passos apressados, mas tentei não demonstrar muito. Ao chegar na mesa, a conversa era sobre filmes.
– Como estava o banheiro? – Callie me olhou e imediatamente entendi o seu tom.
– Ótimo. Quer dizer, normal. Normal. – neguei com a cabeça ao juntar as sobrancelhas, a encarando.
Andrew chegou logo depois de mim, e sabia que se alguém estava atento na mesa, notou isso. Tratei de pegar um pedaço da pizza de calabresa e colocar sobre o meu prato, mas antes dei uma mordida generosa, não querendo conversar naquele momento.
Entre sons de risadas, conversas paralelas e uma música ruim que tocava no ambiente, James perguntou a Andrew sobre seus próximos projetos e um brilho apareceu em seus olhos ao responder à pergunta. Tive que controlar um sorriso que quis brotar em meus lábios. Era bonito vê-lo falar de seu trabalho. Dava pra ver o amor que ele colocava em tudo que fazia.
Haja vista o clipe que gravamos juntos.
Enquanto bebia um pouco da Coca Cola que ainda restava em meu copo, podia sentir a maciez dos lábios dele nos meus. O gosto do beijo dele, somada a sua língua quente quando encostou na minha constatando a intensidade do beijo. Outro arrepio forte, dessa vez pelos do meu braço se eriçaram e agradeci mentalmente por usar um moletom quentinho.
Horas depois, me despedi de Callie com um aceno rápido com a mão, ao vê-la entrar em um dos táxis. Os ponteiros do meu relógio se encontravam no um, e soltei um suspiro baixo com isso. Los Angeles não dormia, no entanto, aquela região entraria em um sono profundo em alguns minutos.
– Quer companhia?
Com o punho fechado, me virei para o dono da voz pronta para socá-lo na jugular. Ouvi dizer que o local poderia deixar a pessoa atordoada. Meu pai era médico. Me ensinou desde pequena onde ficavam certos lugares do corpo humano importantes para um momento de autodefesa, se fosse necessário.
– Calma, sou eu, sou eu! – Andrew levantou as mãos ao falar mais alto.
– Andrew! Achei que você tivesse ido embora. – respondi entre os dentes ao encará-lo com o cenho franzido.
– Eu fui ao banheiro.
– Você vai ao banheiro demais, não acha?
– Tomei quase 2 litros de água, . Sabe quantos ml nossa bexiga comporta?
– Meu pai é médico. É claro que eu sei! – continuei com o mesmo tom. – De qualquer maneira, estou bem, obrigada.
Ele sorriu de lado, sabendo que eu não cederia tão fácil.
– Tudo bem então, vou nessa, já que a vista do meu quarto do Palace no vigésimo andar não vai se olhar sozinha. Até mais, .
Ele estava mesmo me dando uma dica de onde ele estava hospedado?
Soltei uma risadinha que não consegui segurar vendo-o entrar no táxi que havia chamado. Acenou de dentro do carro e retribuí vendo que meu motorista particular chegou logo depois.
A cama era minha pior aliada nesses momentos. Rolei de um lado para o outro, os lençóis quentes pareciam querer me expulsar, enquanto minha cabeça repassava tudo que havia acontecido naquele dia turbulento. O beijo nas câmeras e o abraço no banheiro sendo as cenas que mais se repetiam.
Merda. Merda. Merda.
Uma sensação de dejavù tomou conta de mim e quando percebi, já estava no banheiro tomando banho.
Maldito seja Andrew Garfield.
Segui até o Palace e consegui entrar no hotel com a facilidade que apenas um rostinho conhecido e dinheiro poderiam proporcionar. Até o número do quarto dele eu consegui.
Bati na porta três vezes, me amaldiçoando por ser tão fraca. Mas um Andrew com um sorriso despretensioso me atendeu, um sorriso que deu luz ao vazio existencial em que eu estava ao encarar aquela porta fechada à minha frente.
Nossos olhos se encontraram e mantiveram contato por tempo o suficiente, ele abriu espaço para eu entrar e quando abriu a boca para falar algo, levantei um dedo.
– Não fala nada. Não estraga o momento. – E uni nossas bocas mergulhando minhas duas mãos em seus cabelos.
Eu precisava daquilo, era surreal, era anormal, era uma necessidade. A boca dele tinha gosto de saudade, era de uma familiaridade peculiar que me fazia querer despi-lo agora mesmo. Eu queria suas mãos quentes em mim, queria seus lábios no meu pescoço. Queria seu gemido em meu ouvido. Meu corpo clamava pelo seu, suas digitais estavam impressas em minha alma.
Suas mãos agarraram minha cintura com força e domínio, um suspiro alto rasgou minha garganta quando elas subiram para minhas costas, me puxando tão para perto quanto era possível. Seus lábios me beijavam como se ele estivesse faminto, como se todo o resto pudesse explodir, como se eu fosse a última criatura viva do planeta. Andrew tinha esse negócio, uma intensidade avassaladora, algo que cativava quem conversasse com ele por mais de cinco minutos. Comigo não foi diferente, e pensar na possibilidade de que ele sentia o mesmo era de fazer as borboletas em meu estômago darem muitas voltas.
O mundo pareceu parar quando seus dedos ágeis passearam pela barra da minha blusa de algodão e tocaram minha pele. Desci minhas mãos de sua nuca e agarrei seus ombros largos ouvindo-o gemer contra minha boca. Nossas línguas tocavam-se com tanta naturalidade que nem parecia que haviam ficado tanto tempo distantes antes de hoje, cada uma explorando a outra com tanta destreza que era difícil dizer quem estava no comando.
Voltei uma de minhas mãos em sua nuca e fiquei na ponta dos pés para poder aprofundar o beijo, e aquilo pareceu despertar algo nele que me empurrou contra algo que percebi ser a parte de trás do sofá da sala da sua suíte. Sentei-me desajeitada naquele encosto e ele se encaixou entre minhas pernas separando nossas bocas. Encostou a testa na minha, suspirando audivelmente. Um sorriso perfeito brotou em seus lábios avermelhados e ele levou uma mão até o meu rosto, acariciando-o com calma enquanto sua respiração se acalmava.
– Tão linda. – disse apenas, levando a mão até minha nuca, fazendo-me fechar os olhos em êxtase. Meu ponto fraco. Amoleci o pescoço baixando toda a guarda e ele iniciou um caminho lento e tortuoso pela base de meu pescoço, levando os lábios até minha boca novamente.
O que se iniciou foi um beijo selvagem, minhas pernas enlaçaram sua cintura e nossas intimidades se tocaram e a única coisa que pensei foi: ainda há muitas camadas de roupa entre nós. Como se lesse minha mente, a mão de Andrew que estava em minha cintura subiu alguns centímetros trazendo junto minha blusa que fiquei feliz em separar nossos beijos para me livrar da peça. A boca de Andrew voou na direção de meu ombro recém descoberto com tanta voracidade que o impulso me fez perder o equilíbrio e ambos caímos rolando por cima do sofá e acabamos no chão.
Nossa gargalhada preencheu o ambiente por minutos. O tapete bege felpudo acolheu nossos corpos como se fosse para estarmos ali desde o começo.
– Você está bem? – Ele estava por cima de mim, ainda sorrindo docemente, levou uma mecha teimosa de meu cabelo para trás da orelha. Chacoalhei a cabeça sorrindo, vendo-o se perder em meu sorriso por um instante.
Eu ainda me recuperava dos risos quando uni nossas bocas novamente, me apoiando sobre um cotovelo. Aproveitei minha mão livre para ir erguendo sua blusa preta básica para cima, sentindo os músculos firmes de seu abdome sob meus dedos. Sua mão que estava novamente em minha nuca, me deixando tão firme quanto uma gelatina, desceu lentamente até meu seio, por cima do sutiã, fazendo-me soltar um gemido baixo de aprovação. Eu podia ter ido para lá sem sutiã, não sei onde estava com a cabeça.
Repartiu nossos lábios para tirar sua blusa, seus olhos me embriagavam como se fossem licor, doce, quente e forte, queimando minha pele por onde passavam. Eu tinha me esquecido como Andrew Garfield era gostoso, de uma beleza ímpar, de proporções quase difíceis de aceitar que eram reais.
– Você é real, ? – sua voz soava leve, entorpecida. Sua mão foi novamente ao encontro do meu rosto, seu dedão rodeou meus lábios devagar, seus olhos estavam vidrados em mim, e aproveitei o momento para lambê-lo e suga-lo, da melhor maneira que pude e o resultado foi o que eu queria. Andrew estava a mercê, estava na beira de um precipício querendo pular no mar desconhecido que eu era. Sua boca entreaberta e os olhos turvos de prazer denunciavam o quão excitado ele estava, se aquilo não fosse o bastante, o volume entre suas pernas terminava de dar a certeza de que eu precisava: Andrew Garfield queria aquilo tanto quanto eu.
Aquele era o momento.
O momento de eu me levantar e ir embora, deixando-o confuso e sozinho, do mesmo jeito que ele me deixou. Mas eu sabia, assim que meus olhos encontraram os seus atrás da porta deste apartamento, que eu não conseguiria ficar longe desses olhos castanhos nunca mais. Era como se seu corpo fosse ouro e eu fosse a porcaria do Smaug. Não tinha mais volta.
Rocei meus lábios nos dele ao diminuir a distância entre os nossos corpos, minha mão, que não parecia ter controle, adentrou a calça do seu pijama e mordi meu lábio inferior ao observar uma ofegada saindo dos seus lábios assim que meus dedos, passaram pelo seu pau, mesmo por cima do tecido. Não resisti em tomá-lo por inteiro, e fechei a minha mão fortemente.
– ...
A forma como ele gemeu meu nome fez com que meu corpo inteiro se arrepiasse. Chegou a doer, pois fechei os meus olhos, querendo repetir o ato para que ele falasse mais vezes. Grudei nossos lábios, mordendo a parte inferior dos lábios de Andrew ao passo que minha mão ainda fechada se movimentou para cima e para baixo no comprimento do seu membro.
Outra ofegada misturada com um gemido.
O calor crescente dominava meu corpo. Sabia que minhas bochechas poderiam estrar coradas e a minha nuca levemente molhada. Com certa dificuldade, tirei a minha mão do local no qual ela estava antes, e fiz um movimento rápido em colocá-la dentro da sua cueca. A mão de Andrew apertou a minha cintura fortemente ao mesmo tempo que eu voltava a massageá-lo, só que dessa vez era pele com pele.
Ainda deitados no chão, em uma posição pouco desconfortável, mas não me importava. Sabia que faria isso com ele em qualquer local desse quarto. Meu corpo precisava do dele, e julgando pelas suas reações, era recíproco.
– Andrew. – aproximei meus lábios do seu lóbulo, onde deixei uma mordida. Seu “Uhum” em resposta fez com que uma risadinha saísse entre os meus lábios – Podemos ir para a sua cama? O que eu quero fazer vai ser muito melhor lá.
Ele pareceu demorar alguns segundos para entender do que eu estava falando. Minha mão ainda se movimentava em seu membro, mas de forma lenta, aumentando gradativamente e parando, apenas para provoca-lo.
Recebi uma olhada em resposta, e notei como ele engoliu em seco, tentando tirar forças da profundeza para que pudesse se mover e sairmos dali. E foi o que aconteceu. No entanto, fui pega de surpresa quando Andrew passou os braços ao redor do meu quadril, me puxando pra cima. Passei os meus braços ao redor do seu pescoço, meus mamilos enrijecidos grudaram em seu peitoral, e por estarem sensíveis, fez com que uma ofegada saísse entre os meus lábios. Fomos dessa forma até o quarto, e nem consegui prestar atenção no quarto de hotel direito, pois Garfield me beijou em meu pescoço, e o idiota sabia exatamente qual era meu ponto fraco.
Em qual momento da minha vida eu havia confidenciado isso a ele?
Não importa. Uns centímetros abaixo da minha orelha, e seus dentes fincaram no local de forma delicada, e ao mesmo tempo rígida. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Meus olhos se fecharam, minhas unhas desceram pelas suas costas e um gemido mais alto saiu entre os meus lábios.
Fui deitada na cama, e passei minhas pernas ao redor do quadril dele. O querendo mais próximo a mim. Seus beijos desceram, chegaram na minha clavícula e ele foi delicado em deixar selinhos no local.
Suas mãos puxaram a peça que usava e levantei os braços a fim de facilitar isso. Lá estava ele, o sutiã. Meus pensamentos voltaram ao momento em que sai do hotel, por que não facilitei as coisas?
– No que você está pensando? – um selinho foi dado em meus lábios e eu poderia mentir, certo?
Seu corpo quente estava sobre o meu, sua ereção crescente no meio das minhas pernas, e meu corpo era como um vulcão prestes a entrar em erupção. Mesmo com nossos lábios roçando, dei um risinho e segurei uma ofegada assim que Andrew se moveu sobre mim.
– Tira a sua calça. Tira a minha. Quero sentir você. Muitas camadas. – Sussurrei tão rapidamente que mal entendi, mas ele entendeu.
Tanto que, foi questão de segundos para estarmos sem as nossas calças, apenas com as roupas intimas. E novamente ele se colocou na mesma posição de antes, e de um jeito que julguei espontâneo, fechei minhas pernas ao redor do seu quadril.
Minhas unhas estavam fincadas em suas costas, tentava de todas as maneiras não o machucar, o que era impossível. Precisava demonstrar de alguma forma o que sentia.
– Andrew – implorei.
Seu quadril entrou em movimentos lentos, para frente e pra trás. Mesmo por cima dos tecidos, que ainda nos separavam, a cabeça do seu membro batia, de forma perfeita, algo que eu imaginava que poderia ter sido calculado milimetricamente, no meu clitóris. A cada movimento seu, minha boceta se enxarcava. O tecido da minha calcinha estava grudento, eu podia sentir.
Gemi alto, não aguentando mais apenas arranhá-lo. Procurei pelos seus lábios com os olhos fechados, e assim que o encontrei, o beijei com avidez. Minha mão subiu até a sua nuca, entrelacei meus dedos em seu cabelo e o puxei, queria que ele entendesse como eu o desejava, e como o queria sem aquelas peças de roupa.
Nossas línguas buscavam contato a todo instante, Andrew mordeu meu lábio inferior de leve e foi a minha vez de iniciar movimentos do meu quadril contra o seu. Seu pau duro roçava na minha entrada, e pelos seus gemidos contidos, entendia que ele também se encontrava no limite, igual a mim.
– Eu preciso sentir seu gosto. – Andrew rosnou rouco em meu ouvido, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. E dando essa notícia, desceu os lábios pelo meu queixo, alcançando o sutiã logo abaixo, o retirou com um clique. Vi estrelas quando sua língua rodeou meu mamilo, sugando-o com avidez. Meu corpo reagia a cada toque seu, fosse com as mãos, com a boca ou com seu pau. Depois de alguns minutos entretido com meus seios, ele seguiu os beijos por minha barriga e chegou em minha calcinha. Tocou o tecido úmido em movimentos circulares e meu corpo reagiu com espasmos catastróficos, um sorriso sacana surgindo em seus lábios vendo a cena. Do jeito que eu estava, bastaria uma lambida sua e o orgasmo viria.
Andrew desceu o tecido de minha calcinha devagar e tortuosamente, observando cada detalhe com seus olhos atentos. Xingou baixinho quando abriu minhas pernas com as mãos, posicionando-se confortavelmente ali como se fosse algo natural para ele, algo que fizéssemos todos os dias. De uma só vez, ele me penetrou com dois dedos e iniciou lambidas em meu clitóris, como se tivesse gastado toda a sua paciência fazendo o trajeto, agora ele queria me destroçar em pedaços e fazer um mosaico com o que restasse. A sensação era de puro êxtase, sentir sua língua em movimentos circulares no ponto exato de minha boceta era tudo o que eu precisava naquele momento, seus dedos entravam e saíam de dentro de mim com o ponto perfeito de equilíbrio entre velocidade e força. Me contorci embaixo do seu corpo, mal conseguindo conter gemidos que subiam pela minha garganta com uma facilidade incrível. Demorou poucos minutos para eu me desmanchar em pedaços, sentindo meu corpo latejar de tesão.
O puxei para mais um beijo, invertendo as posições, rebolei em cima do seu membro por cima da cueca, sentindo-o quente e pulsante. Merda, eu queria provoca-lo mais um pouco, mas eu mesma não estava mais aguentando. Suas mãos estavam posicionadas em minha cintura e segurei-as e levei até meus seios que necessitavam de atenção, enquanto o provocava usando a força de minhas coxas para fazer movimento de sobe e desce por cima de sua cueca.
Andrew suava, ergueu o tronco abocanhando um dos meus seios mais uma vez, suspirei agarrando seus cabelos e fechando os olhos, abraçando cada sensação, sua língua, suas mãos, seu pau abaixo de mim, apenas uma camada de tecido estava atrapalhando.
– Cueca. Tira. Agora. – gemi ofegante, feito uma mulher das cavernas.
Com pouquíssimo esforço, Andrew ergueu meu corpo e me colocou na cama.
– Camisinha. – explicou, provavelmente vendo minha cara de dúvida. Pegou o que precisava no armário onde sua mala estava posicionada e voltou com rapidez.
Tirou a peça que faltava, pôs a camisinha e veio em minha direção, lindo, firme, tão delicioso quanto eu me lembrava. Eu nunca enjoaria de ver aquele homem me olhando do jeito que ele me olhava naquele momento.
Andrew nada disse, posicionou-se entre minhas pernas com agilidade e me penetrou com voracidade, sem mais tempo a perder. Gememos ao mesmo tempo, com a primeira estocada forte e vi pontos branco em minha vista quando ele guiou seu pau para fora de mim e repetiu o processo cada vez mais rápido e cada vez mais forte, fazendo meu corpo reagir fora do meu controle, uni nossas bocas mesmo que os movimentos não favorecessem, eu necessitava da sua língua na minha, necessitava de todos os pedaços de Andrew em contato comigo, sua língua na minha, minhas mãos arranhando suas costas, meu peito em seu peito, minhas pernas enlaçando sua cintura para ajudar na movimentação, tudo perfeitamente conectado da maneira certa.
A sensação entorpecente crescia em meu peito e se espalhava por todo o meu corpo.
– , abre os olhos. – sussurrou ele em meu ouvido, ainda atolando seu pau em mim com tanta força que era difícil fazer meu cérebro discernir do que ele falava.
– O que...? – respondi entre suspiros roucos. Ele depositou beijos em meu pescoço e diminuiu a frequência das estocadas, me penetrando devagar, tão devagar que eu podia sentir cada sensação, cada veia do seu membro me massageando por dentro.
– Abre os olhos, quero te ver gozar.
Ele sabia que eu estava quase lá, sabia que eu estava pronta para pular do penhasco. Abri os olhos, vendo um Andrew com os cabelos molhados colando na testa, com um olhar de tesão tão intenso que fez meu interior se contorcer sobre seu pau, os espasmos me deixando tonta enquanto ele ainda se afundava em mim com tanta maestria que me fazia querer gritar, finquei minhas unhas em suas costas sentindo o orgasmo me atingir com força enquanto seus olhos me engoliam para dentro de sua alma.
Ele grunhiu quebrando nosso contato visual, apoiando sua testa em meu ombro, socando seu pau tão fundo que fazia meu corpo estremecer de prazer.
Ficamos ali naquela posição recuperando nossas respirações, Andrew uniu nossos lábios mais uma vez antes de desabar ao meu lado com a respiração pesada.
Por algum tempo, apenas encarei o teto. Depois, comecei a sentir meus olhos pesarem enquanto minha respiração se normalizava. Não fazia ideia de quanto precisava disso. A serotonina se dissipava pelo meu corpo em alta velocidade como se fosse um carro de Fórmula 1. Sem me segurar, um sorriso brotou em meus lábios.
– O que é isso? – o dedo de Andrew passeou pelos meus lábios e ameacei mordê-lo.
– Lábios. Nunca viu?
– É um sorriso, .
Passei a língua pelos lábios, e notei como o rosto dele estava corado, era adorável. O toquei de forma delicada, passeando com o dedo pelo nariz, depois a bochecha e sua barba por fazer.
– Fica.
Ele pediu num sussurro. E percebi que analisou a minha expressão, pois pisquei algumas vezes.
– Não vou a lugar nenhum. Prometo.
Sua mão veio até o meu rosto, onde ele deixou uma caricia delicada na minha bochecha. Colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e voltou a me acariciar com o dedão.
FIM!
Nota da autora: Esse versefic foi um desafio, e escrevê-lo com a Naya um prazer, espero que vocês tenham gostado. Quem sabe futuramente não vem mais aí?