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Sol
Finalizada em: 05/08/2025
CAPÍTULO ÚNICO
Don’t blame me, love made me crazy.
If it doesn’t, you ain’t doin’ it right.
— Taylor Swift, Don’t Blame Me.
If it doesn’t, you ain’t doin’ it right.
— Taylor Swift, Don’t Blame Me.
O jantar de apresentação do elenco estava quase no fim quando ela finalmente o viu. Talvez a culpa fosse da euforia, da emoção, ou das luzes piscantes e sua miopia — e como sempre, estava sem seus óculos. Mas a silhueta dele era inconfundível em qualquer lugar onde estivesse.
O salão do hotel era amplo, elegante, iluminado por luzes quentes e vozes incessantes. A equipe do filme se reunia para o início do novo projeto: uma adaptação ousada, orçada em milhões, com rostos famosos e sangue novo na direção.
Ela, especificamente.
, 28 anos, roteirista mais jovem da produtora. Era vista como brilhante, obstinada, um furacão criativo em vestidos sóbrios e saltos firmes. Brasileira, talentosa e completamente fora da curva. Estava no controle de tudo — figurino, estética, narrativa, para tudo ficar perfeitamente alinhado com o livro — até ele chegar.
Tom Hiddleston. O homem que ela tinha amado, tocado, beijado, deixado meses antes.
Ele apareceu com o mesmo charme de sempre: terno escuro perfeitamente alinhado, olhar calmo e doce, além daquele sorriso educado que escondia um universo de coisas que ela conhecia bem demais. A sensualidade que ele escondia por baixo daquela roupagem de gentleman, era algo reservado a poucas mulheres. E teve a chance de conhecê-lo. Por inteiro.
Eles não se viam há três meses. Afinal, desde que ele revelou, com culpa contida, que tinha dois filhos, informação quase que omitida da mídia. Desde que ela — imatura, assustada, dividida entre o desejo e o pavor de crescer rápido demais — o bloqueou de todas as formas possíveis. Física e digitalmente, apagou-o como se o que viveram não houvesse sido real.
E agora ali estavam, no mesmo hotel, no mesmo projeto. Como a porra de uma maldita ironia do destino.
O produtor começou a apresentar os nomes, um a um, apontando respectivamente.
— … , a roteirista visionária deste longa — ele fez uma breve pausa antes de prosseguir. — E Tom Hiddleston, nosso aclamado diretor!
Os aplausos vieram. O olhar dele a encontrou no meio da multidão, em que finalmente se deram conta de que tudo aquilo era mais do que real. E desde então, Tom não desviou seus olhos azuis da brasileira nem por um segundo.
***
Ela precisava de ar. Ou de álcool. Ou talvez, pegar o próximo voo. Mas optou em conversar com sua melhor amiga.
Mandou algumas mensagens para Caroline, mas a amiga não respondeu. ficou tensa. Ficariam hospedados ali por alguns dias durante as gravações e seria inevitável deixar de interagir com ele. Thomas seria o diretor, então era importante que ela estivesse alinhada com o homem para fidelizar detalhes do roteiro.
Aquele projeto era uma das suas maiores ambições, um filme de terror aclamado de uma saga consagrada. Seria uma temática interessante, já que nunca havia trabalhado no âmbito, e por isso, jamais imaginou que poderia encontrá-lo neste tipo de projeto. Thomas era mais cult, com exceção da sua ilustre participação no universo Marvel.
Claro que Michael Waldron, seu parceiro no roteiro, era muito amigo de Tom, mas ela não imaginou que ele poderia indicar o amigo para o posto — e o mais velho ter, porventura, aceitado. Não era de seu perfil mergulhar em projetos daquela temática e durabilidade. E decerto, aquela era a parte mais preocupante para . Três meses praticamente confinada naquele hotel, em uma pequena cidade da Inglaterra, tendo que, casualmente, conviver com seu ex-namorado possivelmente ressentido. Quer dizer, pelo menos foi o que sua assessoria disse.
A mais nova fora em direção ao bar do hotel, em passos lentos, sentando-se em frente ao balcão. Não era um lugar muito grande, mas a decoração em madeira antiga denunciava a sofisticação do local. Haviam pouquíssimas pessoas ali, o que facilitava para ficar mais à vontade e relaxar.
Quando o cordial barman lhe cumprimentou de forma lisonjeira, ela pediu um vinho branco e se sentou num canto mais escuro. Quando o rapaz lhe serviu, ficou olhando o líquido girar na taça, tentando ignorar os flashbacks do verão em Florença — da voz dele em seu ouvido, da maneira como ele tocava sua pele como se estivesse tentando decorá-la. Em como sua língua trilhava caminhos pecaminosos e sussurrava perversidades…
Ah, maldição.
pegou o celular quando o aparelho vibrou, agradecendo aos céus por ter sua lembrança perversa interrompida. Talvez fosse o período fértil falando, afinal de contas. No entanto, quando viu o nome da melhor amiga brilhar na tela do smartphone, respirou fundo.
— Você sempre gostou de vinho branco. Algumas coisas nunca mudam.
Porra, só podia ser brincadeira.
sequer precisou olhar para trás. O sotaque britânico era sensual, ainda mais quando pronunciado pela sua voz. Ela sentiu o vestido curto e apertado ficar ainda menor, cruzando as pernas. Sentia o olhar do mais velho queimando em sua pele, como sempre fazia.
Thomas, por sua vez, estava praticamente hipnotizado. Lembrou-se de uma vez que havia tirando aquele mesmo vestido em um iate. No meio do mar, ele a despiu da seda que usava e a tomou como ele. Por várias vezes, sem nenhuma testemunha.
— E você sempre gostou de fazer comentários óbvios.
Tom soltou um riso breve e amargo. Sentou-se ao lado da mais nova, revelando uma roupa nova, diferente da que utilizou no jantar mais cedo. olhou em sua direção, de soslaio, contemplando-o. Ele vestia uma roupa casual, diferente dos seus usuais ternos e blazers; a camisa de linho deixava seus músculos evidenciados, ao passo que o perfume amadeirado projetava por suas narinas.
O cheiro dele ainda era alucinante. Aquilo era uma maldição mesmo.
— Três meses sem nenhuma palavra. Só o silêncio.
Ela fechou os olhos por mais tempo do que deveria. Estava tão tensa e nervosa que não queria sequer olhar em seus olhos. Ela apertou suas pernas, que estavam cruzadas, e mexeu na taça de vinho, impaciente. Era como se o bar a sua volta não existisse, nem os barmans ou a música de fundo. As luzes piscantes, que normalmente a irritavam, não significavam nada. Só o som da respiração dele e seu cheiro envolvendo suas narinas.
— Você queria o quê? Uma carta?
Ela não gostava de soar irônica, mas estava estressada. Thomas a conhecia o suficiente para saber que aquele era o modus operandi de . Ela era mais ofensiva quando estava ansiosa, e costumava fugir quando ficava nervosa.
Os devaneios de foram interrompidos quando o funcionário por detrás do balcão serviu whiskey em um copo para Hiddleston, que sequer havia reparado no momento em que ele fizera o pedido. Apesar do nervosismo dela, ele parecia tranquilo, antes de tomar um gole da bebida e não poupar a dureza em suas palavras.
— Queria qualquer coisa que não fosse um bloqueio em todas as redes sociais e o fim mais covarde da história. — ele fez uma pausa, dando outro gole. — Achei que você fosse melhor do que isso.
Ela se virou pra ele, finalmente. estava furiosa, finalmente. Como se não bastasse todos os seus receios, agora ele queria discutir a relação com ela, ali. A mais nova cerrou as mãos em punho, segurando a taça de vinho com mais força do que o necessário.
— Escuta, William — enfatizou seu segundo nome, ao qual carinhosamente sempre se referiu ao mais velho. — Eu não sou covarde. Eu fui completamente honesta. Eu não estava pronta pra lidar com o pacote completo que era você.
O olhar de Hiddleston permaneceu impassível. Ele engoliu em seco, bebendo o resto de sua bebida amarga, que desceu rasgando e queimando sua garganta. Deixou o copo liso em cima da mesa antes de prosseguir, encarando-a com os olhos azuis e gélidos.
— Ah, claro… porque sumir sem dizer uma palavra é mesmo uma postura muito madura, não é?
Ela apertou os lábios. Ele estava ofensivo, um pouco passivo-agressivo. Aquilo não era o comum de Tom, pelo menos, não o que conhecera. Mas era a primeira vez que estavam naquelas circunstâncias, afinal.
— Você não entende.
— Claro que entendo. — ele soou irônico, o que não era muito usual de sua personalidade. — Você me desejava. Mas se entregar de verdade? Isso exigia mais coragem do que você tinha.
O peito dela se apertou, em mágoa, despeito e raiva. Haviam tantos sentimentos no misto que sentira, que apenas lhe direcionou uma resposta:
— Vai se foder, Tom.
se levantou com raiva, jogou uma gorjeta no balcão, pegou a bolsa e saiu andando pelo saguão como se o salto não doesse seus pés. Por mais sofisticado que parecesse um Louboutin, estava acabando com seus pés naquele momento.
Impacientemente, ela apertou o botão do elevador, que abriu com prontidão. Ela adentrou o pequeno cubículo, aproveitando que não havia ninguém por perto, e apertou o botão do seu andar com pressa, bufando com a demora das engrenagens da porta. E para o seu completo desespero, quando as portas quase se fecharam, uma mão a impediu, fazendo com que Thomas também adentrasse o local.
O ar entre eles era denso; havia mágoa e conflitos mal resolvidos. Os olhos dela brilhavam de fúria, ainda doloridos com as palavras que ouvira há pouco. Os dele, de mágoa e desejo contido. Muito desejo, de ambas as partes, diga-se de passagem.
Ela congelou, levemente incomodada com a proximidade de ambos. Conforme o elevador passou a subir, Thomás se aproximou devagar, as mãos nos bolsos, e o rosto inclinado em direção a .
— Você desapareceu, me bloqueou, me deixou cheio de perguntas. — ele respirou fundo. — Mas mesmo assim… eu só pensava em você. Eu só penso em você.
A fala no presente a deixou boquiaberta. Eles tinham uma diferença de altura significativa, mesmo com os saltos altos da mais nova. recostou as costas nuas pelo vestido no espelho, tentando permanecer longe de Thomas. Ela não sabia do que seria capaz caso seus lábios encontrassem os dele naquela noite.
— Tom…
— Eu ainda te amo, porra. — ele rosnou. — E odeio isso. Odeio o quanto você ainda domina minha mente, mesmo não dando a mínima para mim.
Ela não pensou, não discutiu, nem resistiu. Aquela foi a deixa. o puxou pela camisa e beijou-o com lascívia. Nem mesmo Hiddleston aguardava essa reação da mais nova, boquiaberto em primeiro momento. Mas não demorou para que suas mãos dele agarrassem pela cintura, a empurrando-a ainda mais contra a parede do elevador. Os corpos colidiram como faíscas, urgentes, necessitados daquele toque negligenciado.
— Você não vai fugir dessa vez.
If you walk away
I’d beg you on my knees to stay
A porta do elevador se abriu, fazendo com que o ósculo se afrouxasse. As bochechas de ficaram vermelhos conforme a porta se abrira. Por alguma sorte divina, não havia ninguém no saguão, ao passo que ela apenas se desvencilhou de Hiddleston e saiu do elevador. O homem fez o mesmo, deixando o cubículo e seguindo-a.
Ele não se importava se perdesse o papel daquele projeto. Ele precisava tê-la, como uma droga viciante e entorpecente. Sentia que não havia nada mais no mundo que ele necessitasse além do toque da mais nova. Ela, por sua vez, tremia ao procurar o cartão magnético dentro da sua bolsa, dividida.
Mais do que nunca, ela não deveria transar com Thomas. Além de tudo, agora eles eram colegas de elenco. Provavelmente trabalhariam juntos e aquilo já seria difícil o suficiente. Ela sabia que caso cedesse naquele momento, dizer não seria talvez mais complicado.
Mas talvez ela não quisesse dizer não. Porque assim que a porta se abriu, ela puxou o mais velho para dentro, deixando-o prensado na parede. O beijo veio quase que automaticamente, urgente, violento, carregado de tudo o que ficou mal resolvido nos meses de ausência. Agora finalmente em um local privado o suficiente.
— Por favor, não fala nada — pede durante o beijo, retirando os saltos Louboutin. —, eu não quero pensar nas consequências. Eu só quero você.
— Seu pedido é uma ordem.
Ele a pressionou contra a cama, jogando-a levemente para trás com firmeza. Thomas retirou a camisa de linho com uma das mãos, fazendo com que suspirasse de tesão. Não havia calma ali. Havia uma urgência crua, uma necessidade de recuperar tempo e cicatrizes com intensidade.
O vestido, por sua vez, teve um destino menos gentil que a camiseta. O tecido de veludo foi parcialmente rasgado conforme Hiddleston deixou a mais nova nua. Um combustível ainda mais fervoroso parecia ter sido aceso assim que ele percebeu que a única coisa que ela usava por baixo, era uma calcinha minúscula e rendada.
Daquele tipo que ele costumava rasgar com os dentes.
— Porra, você nem imagina o quanto senti falta disso… — Ele praticamente rosnou, e ela sentiu o tremor subir da base da espinha.
Thomas retirou sua calça, mas sequer deu tempo de pensar. Se ajoelhou em direção ao seu ventre, retirando sua pequena calcinha. Um pequeno suspiro saiu de seus lábios assim que percebeu que a boca do mais velho iria saborear aquela região.
Sem nenhum tipo de aviso ou pudor, ele a lambeu. Sem aviso, sua língua tracejou os detalhes mais sensíveis de seu sexo, fazendo o a mais nova se contorcer na boca do mais velho. Era sensual, proibido, delicioso. Como todo sexo que eles faziam.
sentiu os olhos marejarem e segurou os cabelos levemente ondulados de Tom. Ela definitivamente não queria envolver seu coração naquilo, mas era tarde demais. Ela estava completamente nua para ele de novo, e não apenas fisicamente. Era inegável o quanto o seu corpo respondia aos estímulos que tinha com ele.
— William… — ela gemeu, fechando as pernas de forma brusca.
Mas isso não o impediu de levá-la ao ápice. Afinal, ele não poderia ignorar um pedido vindo daquela voz manhosa, enfatizando o apelido que apenas ela lhe direcionava. Seu nome do meio, William, ficava ainda mais doce entre os gemidos da brasileira.
Ela tremeu sobre os lábios do britânico, que chupou cada gota da sua área sensível. fechou as pernas em volta de sua cabeça, exausta e com a respiração ofegante.
Não tinha mais como voltar atrás.
Ela o puxou para um beijo, que foi correspondida com uma brutalidade e desejo imensuráveis. Thomas segurou em seus cabelos ondulados, colando seus corpos, enquanto se livrava da cueca, única peça do vestuário presente em seu corpo. As mãos dela dominaram o corpo dele, abrindo cada espaço que antes tinha sido fechado pela ausência.
O toque dele era firme, mas não sem reverência — como quem conhece e respeita, mesmo depois de ter sido ferido. Ela o queria de um jeito feroz, e ele retribuía com intensidade e fogo. Ele sabia como gostava do sexo: intenso e selvagem. E daria isso para ela o quanto quisesse.
Quando ele a penetrou, foi com força e intenção. Selvagem e cru. Como se cada estocada fosse uma pergunta antiga respondida com dor e prazer, sentindo ela completamente molhada por ter gozado para ele há poucos minutos. O gemido que saiu da boca de , contudo, a fez se esconder de vergonha. Suas bochechas queimaram vermelho intenso.
— Você é minha. Sempre foi. — Ele sussurrou, enterrando-se mais fundo e mais rápido. — E será.
— Eu sou. — Ela respondeu, com a voz quebrando entre os gemidos.
A mente de a condenou pelas palavras, mas ela sabia que não era em vão. Porra, não havia um segundo sequer que não havia pensado em William, mas… aquilo parecia tão certamente errado.
E ele, contudo, fazia tudo de forma invasiva em, demonstrando cada vez mais fome dela. Fome do tempo perdido, do que nunca haviam dito, do que ela levou embora quando sumiu sem olhar pra trás.
Cada estocada era deliciosamente precisa, como se ele quisesse marcar o caminho de volta dentro dela. arfou alto, os dedos cravando nos ombros dele enquanto o corpo arqueava sem controle. Molhada, sensível, recém-vinda de um orgasmo que só aumentava o desespero — ela mal conseguia respirar.
O som dos corpos colidindo ecoava no quarto escuro, o amanhecer pintando sombras suaves nas paredes, em contraste brutal com o ritmo impiedoso dele dentro dela.
Ela queria dizer que sentia muito, queria explicar. Mas sequer conseguiu balbuciar algo, pois William a virou de costas com um puxão firme pela cintura, fazendo-a arquear enquanto voltava a invadi-la com precisão.
— Não, não fala nada. — Ele grunhiu, um pouco ressentido. — Agora você vai sentir. Vai lembrar. Do que me fez. — Ele disse pausadamente, completamente excitado com tudo aquilo.
Ela choramingou ao sentir a profundidade da nova estocada. Mas nada conseguiu dizer, apenas gemeu, ao passo que ele puxou seu cabelo. Thomas beijou suas costas, combinando os movimentos com a gentileza de seus beijos nos ombros e pescoço.
— Eu… — a voz dela falhou.
— Fala. Eu quero ouvir. — Hiddleston disse em um sussurro.
reuniu o pouco de voz que tinha para lhe confidenciar:
— Eu ainda amo você.
Ele parou. Só por um segundo, incrédulo com a confissão. As mãos firmes em sua cintura, o peito subindo e descendo com raiva contida. Então ele se inclinou sobre ela, encaixando o corpo inteiro no dela enquanto sussurrava com a boca colada em sua nuca.
explodiu. Não teve tempo para racionalizar recebendo aqueles estímulos de seu antigo amante. O corpo tremeu, colapsando ao redor dele, gemendo com força enquanto tudo em seu interior desmoronava e se reconstruía ao mesmo tempo. Ele gozou logo depois, enterrado até o fim, soltando um gemido baixo e sensual no ouvido dela.
Os dois ofegantes. Suados. Em pedaços. E, mesmo assim, mais inteiros do que nunca. Porque finalmente, cederam ao amor que sentiam.
For you, I would cross the line
I would waste my time
I would lose my mind
They say: she’s gone too far this time
Quando Thomas despertou, o quarto ainda estava levemente escuro. As luzes da cidade filtravam pela janela, desenhando linhas prateadas no chão. O homem abriu os olhos sensíveis devagar, virando-se no colchão amassado.
O lado dela estava vazio.
Ouviu um leve som de passos. Sempre tivera um sono leve, então não era impressionante que ele estivesse acordado. Quando pousou seus olhos em , a mais nova já estava parcialmente vestida, parada na porta com os sapatos Louboutin na mão, tentando sair sem fazer barulho.
— Vai fugir de novo? — A voz dele saiu rouca, ainda pesada de sono.
Ela parou, mas não se virou. Os olhos pesaram, com culpa. Mesmo que aquele fosse o quarto dela, no fim das contas, ela daria um jeito de não se sufocar com aquela situação. só precisava pensar. Odiava tomar decisões por impulso.
— Eu só… achei que era melhor assim.
Tom esfregou o rosto, sentando na cama. Os músculos ainda doíam do que fizeram horas antes. Talvez fosse a idade? Ele não sabia dizer. Naquele estado de estupor, a única coisa que sabia, era do desejo que tinha pela brasileira.
— Fica. — disse, andando em passos lentos em sua direção.
virou o rosto, só o suficiente pra que ele visse seus olhos na penumbra. Havia algo ali — talvez culpa, talvez saudade. Talvez só cansaço.; mas ela não disse nada. Ambos se encararam. O contraste dos olhos azuis com os olhos âmbar pareciam ainda mais sensuais naquele quarto escuro. Mas não respondeu em palavras. Não seria o suficiente para ele. Apenas beijou seus lábios devagar antes de colocar a mão sobre a maçaneta.
Havia uma escolha a ser feita. Deixar o amor lhe consumir, custaria um preço muito alto, que ainda não sabia se estava disposta a pagar.
O salão do hotel era amplo, elegante, iluminado por luzes quentes e vozes incessantes. A equipe do filme se reunia para o início do novo projeto: uma adaptação ousada, orçada em milhões, com rostos famosos e sangue novo na direção.
Ela, especificamente.
, 28 anos, roteirista mais jovem da produtora. Era vista como brilhante, obstinada, um furacão criativo em vestidos sóbrios e saltos firmes. Brasileira, talentosa e completamente fora da curva. Estava no controle de tudo — figurino, estética, narrativa, para tudo ficar perfeitamente alinhado com o livro — até ele chegar.
Tom Hiddleston. O homem que ela tinha amado, tocado, beijado, deixado meses antes.
Ele apareceu com o mesmo charme de sempre: terno escuro perfeitamente alinhado, olhar calmo e doce, além daquele sorriso educado que escondia um universo de coisas que ela conhecia bem demais. A sensualidade que ele escondia por baixo daquela roupagem de gentleman, era algo reservado a poucas mulheres. E teve a chance de conhecê-lo. Por inteiro.
Eles não se viam há três meses. Afinal, desde que ele revelou, com culpa contida, que tinha dois filhos, informação quase que omitida da mídia. Desde que ela — imatura, assustada, dividida entre o desejo e o pavor de crescer rápido demais — o bloqueou de todas as formas possíveis. Física e digitalmente, apagou-o como se o que viveram não houvesse sido real.
E agora ali estavam, no mesmo hotel, no mesmo projeto. Como a porra de uma maldita ironia do destino.
O produtor começou a apresentar os nomes, um a um, apontando respectivamente.
— … , a roteirista visionária deste longa — ele fez uma breve pausa antes de prosseguir. — E Tom Hiddleston, nosso aclamado diretor!
Os aplausos vieram. O olhar dele a encontrou no meio da multidão, em que finalmente se deram conta de que tudo aquilo era mais do que real. E desde então, Tom não desviou seus olhos azuis da brasileira nem por um segundo.
Ela precisava de ar. Ou de álcool. Ou talvez, pegar o próximo voo. Mas optou em conversar com sua melhor amiga.
Mandou algumas mensagens para Caroline, mas a amiga não respondeu. ficou tensa. Ficariam hospedados ali por alguns dias durante as gravações e seria inevitável deixar de interagir com ele. Thomas seria o diretor, então era importante que ela estivesse alinhada com o homem para fidelizar detalhes do roteiro.
Aquele projeto era uma das suas maiores ambições, um filme de terror aclamado de uma saga consagrada. Seria uma temática interessante, já que nunca havia trabalhado no âmbito, e por isso, jamais imaginou que poderia encontrá-lo neste tipo de projeto. Thomas era mais cult, com exceção da sua ilustre participação no universo Marvel.
Claro que Michael Waldron, seu parceiro no roteiro, era muito amigo de Tom, mas ela não imaginou que ele poderia indicar o amigo para o posto — e o mais velho ter, porventura, aceitado. Não era de seu perfil mergulhar em projetos daquela temática e durabilidade. E decerto, aquela era a parte mais preocupante para . Três meses praticamente confinada naquele hotel, em uma pequena cidade da Inglaterra, tendo que, casualmente, conviver com seu ex-namorado possivelmente ressentido. Quer dizer, pelo menos foi o que sua assessoria disse.
A mais nova fora em direção ao bar do hotel, em passos lentos, sentando-se em frente ao balcão. Não era um lugar muito grande, mas a decoração em madeira antiga denunciava a sofisticação do local. Haviam pouquíssimas pessoas ali, o que facilitava para ficar mais à vontade e relaxar.
Quando o cordial barman lhe cumprimentou de forma lisonjeira, ela pediu um vinho branco e se sentou num canto mais escuro. Quando o rapaz lhe serviu, ficou olhando o líquido girar na taça, tentando ignorar os flashbacks do verão em Florença — da voz dele em seu ouvido, da maneira como ele tocava sua pele como se estivesse tentando decorá-la. Em como sua língua trilhava caminhos pecaminosos e sussurrava perversidades…
Ah, maldição.
pegou o celular quando o aparelho vibrou, agradecendo aos céus por ter sua lembrança perversa interrompida. Talvez fosse o período fértil falando, afinal de contas. No entanto, quando viu o nome da melhor amiga brilhar na tela do smartphone, respirou fundo.
Carolyne Myers
online
Porra, só podia ser brincadeira.
sequer precisou olhar para trás. O sotaque britânico era sensual, ainda mais quando pronunciado pela sua voz. Ela sentiu o vestido curto e apertado ficar ainda menor, cruzando as pernas. Sentia o olhar do mais velho queimando em sua pele, como sempre fazia.
Thomas, por sua vez, estava praticamente hipnotizado. Lembrou-se de uma vez que havia tirando aquele mesmo vestido em um iate. No meio do mar, ele a despiu da seda que usava e a tomou como ele. Por várias vezes, sem nenhuma testemunha.
— E você sempre gostou de fazer comentários óbvios.
Tom soltou um riso breve e amargo. Sentou-se ao lado da mais nova, revelando uma roupa nova, diferente da que utilizou no jantar mais cedo. olhou em sua direção, de soslaio, contemplando-o. Ele vestia uma roupa casual, diferente dos seus usuais ternos e blazers; a camisa de linho deixava seus músculos evidenciados, ao passo que o perfume amadeirado projetava por suas narinas.
O cheiro dele ainda era alucinante. Aquilo era uma maldição mesmo.
— Três meses sem nenhuma palavra. Só o silêncio.
Ela fechou os olhos por mais tempo do que deveria. Estava tão tensa e nervosa que não queria sequer olhar em seus olhos. Ela apertou suas pernas, que estavam cruzadas, e mexeu na taça de vinho, impaciente. Era como se o bar a sua volta não existisse, nem os barmans ou a música de fundo. As luzes piscantes, que normalmente a irritavam, não significavam nada. Só o som da respiração dele e seu cheiro envolvendo suas narinas.
— Você queria o quê? Uma carta?
Ela não gostava de soar irônica, mas estava estressada. Thomas a conhecia o suficiente para saber que aquele era o modus operandi de . Ela era mais ofensiva quando estava ansiosa, e costumava fugir quando ficava nervosa.
Os devaneios de foram interrompidos quando o funcionário por detrás do balcão serviu whiskey em um copo para Hiddleston, que sequer havia reparado no momento em que ele fizera o pedido. Apesar do nervosismo dela, ele parecia tranquilo, antes de tomar um gole da bebida e não poupar a dureza em suas palavras.
— Queria qualquer coisa que não fosse um bloqueio em todas as redes sociais e o fim mais covarde da história. — ele fez uma pausa, dando outro gole. — Achei que você fosse melhor do que isso.
Ela se virou pra ele, finalmente. estava furiosa, finalmente. Como se não bastasse todos os seus receios, agora ele queria discutir a relação com ela, ali. A mais nova cerrou as mãos em punho, segurando a taça de vinho com mais força do que o necessário.
— Escuta, William — enfatizou seu segundo nome, ao qual carinhosamente sempre se referiu ao mais velho. — Eu não sou covarde. Eu fui completamente honesta. Eu não estava pronta pra lidar com o pacote completo que era você.
O olhar de Hiddleston permaneceu impassível. Ele engoliu em seco, bebendo o resto de sua bebida amarga, que desceu rasgando e queimando sua garganta. Deixou o copo liso em cima da mesa antes de prosseguir, encarando-a com os olhos azuis e gélidos.
— Ah, claro… porque sumir sem dizer uma palavra é mesmo uma postura muito madura, não é?
Ela apertou os lábios. Ele estava ofensivo, um pouco passivo-agressivo. Aquilo não era o comum de Tom, pelo menos, não o que conhecera. Mas era a primeira vez que estavam naquelas circunstâncias, afinal.
— Você não entende.
— Claro que entendo. — ele soou irônico, o que não era muito usual de sua personalidade. — Você me desejava. Mas se entregar de verdade? Isso exigia mais coragem do que você tinha.
O peito dela se apertou, em mágoa, despeito e raiva. Haviam tantos sentimentos no misto que sentira, que apenas lhe direcionou uma resposta:
— Vai se foder, Tom.
se levantou com raiva, jogou uma gorjeta no balcão, pegou a bolsa e saiu andando pelo saguão como se o salto não doesse seus pés. Por mais sofisticado que parecesse um Louboutin, estava acabando com seus pés naquele momento.
Impacientemente, ela apertou o botão do elevador, que abriu com prontidão. Ela adentrou o pequeno cubículo, aproveitando que não havia ninguém por perto, e apertou o botão do seu andar com pressa, bufando com a demora das engrenagens da porta. E para o seu completo desespero, quando as portas quase se fecharam, uma mão a impediu, fazendo com que Thomas também adentrasse o local.
O ar entre eles era denso; havia mágoa e conflitos mal resolvidos. Os olhos dela brilhavam de fúria, ainda doloridos com as palavras que ouvira há pouco. Os dele, de mágoa e desejo contido. Muito desejo, de ambas as partes, diga-se de passagem.
Ela congelou, levemente incomodada com a proximidade de ambos. Conforme o elevador passou a subir, Thomás se aproximou devagar, as mãos nos bolsos, e o rosto inclinado em direção a .
— Você desapareceu, me bloqueou, me deixou cheio de perguntas. — ele respirou fundo. — Mas mesmo assim… eu só pensava em você. Eu só penso em você.
A fala no presente a deixou boquiaberta. Eles tinham uma diferença de altura significativa, mesmo com os saltos altos da mais nova. recostou as costas nuas pelo vestido no espelho, tentando permanecer longe de Thomas. Ela não sabia do que seria capaz caso seus lábios encontrassem os dele naquela noite.
— Tom…
— Eu ainda te amo, porra. — ele rosnou. — E odeio isso. Odeio o quanto você ainda domina minha mente, mesmo não dando a mínima para mim.
Ela não pensou, não discutiu, nem resistiu. Aquela foi a deixa. o puxou pela camisa e beijou-o com lascívia. Nem mesmo Hiddleston aguardava essa reação da mais nova, boquiaberto em primeiro momento. Mas não demorou para que suas mãos dele agarrassem pela cintura, a empurrando-a ainda mais contra a parede do elevador. Os corpos colidiram como faíscas, urgentes, necessitados daquele toque negligenciado.
— Você não vai fugir dessa vez.
I’d beg you on my knees to stay
A porta do elevador se abriu, fazendo com que o ósculo se afrouxasse. As bochechas de ficaram vermelhos conforme a porta se abrira. Por alguma sorte divina, não havia ninguém no saguão, ao passo que ela apenas se desvencilhou de Hiddleston e saiu do elevador. O homem fez o mesmo, deixando o cubículo e seguindo-a.
Ele não se importava se perdesse o papel daquele projeto. Ele precisava tê-la, como uma droga viciante e entorpecente. Sentia que não havia nada mais no mundo que ele necessitasse além do toque da mais nova. Ela, por sua vez, tremia ao procurar o cartão magnético dentro da sua bolsa, dividida.
Mais do que nunca, ela não deveria transar com Thomas. Além de tudo, agora eles eram colegas de elenco. Provavelmente trabalhariam juntos e aquilo já seria difícil o suficiente. Ela sabia que caso cedesse naquele momento, dizer não seria talvez mais complicado.
Mas talvez ela não quisesse dizer não. Porque assim que a porta se abriu, ela puxou o mais velho para dentro, deixando-o prensado na parede. O beijo veio quase que automaticamente, urgente, violento, carregado de tudo o que ficou mal resolvido nos meses de ausência. Agora finalmente em um local privado o suficiente.
— Por favor, não fala nada — pede durante o beijo, retirando os saltos Louboutin. —, eu não quero pensar nas consequências. Eu só quero você.
— Seu pedido é uma ordem.
Ele a pressionou contra a cama, jogando-a levemente para trás com firmeza. Thomas retirou a camisa de linho com uma das mãos, fazendo com que suspirasse de tesão. Não havia calma ali. Havia uma urgência crua, uma necessidade de recuperar tempo e cicatrizes com intensidade.
O vestido, por sua vez, teve um destino menos gentil que a camiseta. O tecido de veludo foi parcialmente rasgado conforme Hiddleston deixou a mais nova nua. Um combustível ainda mais fervoroso parecia ter sido aceso assim que ele percebeu que a única coisa que ela usava por baixo, era uma calcinha minúscula e rendada.
Daquele tipo que ele costumava rasgar com os dentes.
— Porra, você nem imagina o quanto senti falta disso… — Ele praticamente rosnou, e ela sentiu o tremor subir da base da espinha.
Thomas retirou sua calça, mas sequer deu tempo de pensar. Se ajoelhou em direção ao seu ventre, retirando sua pequena calcinha. Um pequeno suspiro saiu de seus lábios assim que percebeu que a boca do mais velho iria saborear aquela região.
Sem nenhum tipo de aviso ou pudor, ele a lambeu. Sem aviso, sua língua tracejou os detalhes mais sensíveis de seu sexo, fazendo o a mais nova se contorcer na boca do mais velho. Era sensual, proibido, delicioso. Como todo sexo que eles faziam.
sentiu os olhos marejarem e segurou os cabelos levemente ondulados de Tom. Ela definitivamente não queria envolver seu coração naquilo, mas era tarde demais. Ela estava completamente nua para ele de novo, e não apenas fisicamente. Era inegável o quanto o seu corpo respondia aos estímulos que tinha com ele.
— William… — ela gemeu, fechando as pernas de forma brusca.
Mas isso não o impediu de levá-la ao ápice. Afinal, ele não poderia ignorar um pedido vindo daquela voz manhosa, enfatizando o apelido que apenas ela lhe direcionava. Seu nome do meio, William, ficava ainda mais doce entre os gemidos da brasileira.
Ela tremeu sobre os lábios do britânico, que chupou cada gota da sua área sensível. fechou as pernas em volta de sua cabeça, exausta e com a respiração ofegante.
Não tinha mais como voltar atrás.
Ela o puxou para um beijo, que foi correspondida com uma brutalidade e desejo imensuráveis. Thomas segurou em seus cabelos ondulados, colando seus corpos, enquanto se livrava da cueca, única peça do vestuário presente em seu corpo. As mãos dela dominaram o corpo dele, abrindo cada espaço que antes tinha sido fechado pela ausência.
O toque dele era firme, mas não sem reverência — como quem conhece e respeita, mesmo depois de ter sido ferido. Ela o queria de um jeito feroz, e ele retribuía com intensidade e fogo. Ele sabia como gostava do sexo: intenso e selvagem. E daria isso para ela o quanto quisesse.
Quando ele a penetrou, foi com força e intenção. Selvagem e cru. Como se cada estocada fosse uma pergunta antiga respondida com dor e prazer, sentindo ela completamente molhada por ter gozado para ele há poucos minutos. O gemido que saiu da boca de , contudo, a fez se esconder de vergonha. Suas bochechas queimaram vermelho intenso.
— Você é minha. Sempre foi. — Ele sussurrou, enterrando-se mais fundo e mais rápido. — E será.
— Eu sou. — Ela respondeu, com a voz quebrando entre os gemidos.
A mente de a condenou pelas palavras, mas ela sabia que não era em vão. Porra, não havia um segundo sequer que não havia pensado em William, mas… aquilo parecia tão certamente errado.
E ele, contudo, fazia tudo de forma invasiva em, demonstrando cada vez mais fome dela. Fome do tempo perdido, do que nunca haviam dito, do que ela levou embora quando sumiu sem olhar pra trás.
Cada estocada era deliciosamente precisa, como se ele quisesse marcar o caminho de volta dentro dela. arfou alto, os dedos cravando nos ombros dele enquanto o corpo arqueava sem controle. Molhada, sensível, recém-vinda de um orgasmo que só aumentava o desespero — ela mal conseguia respirar.
O som dos corpos colidindo ecoava no quarto escuro, o amanhecer pintando sombras suaves nas paredes, em contraste brutal com o ritmo impiedoso dele dentro dela.
Ela queria dizer que sentia muito, queria explicar. Mas sequer conseguiu balbuciar algo, pois William a virou de costas com um puxão firme pela cintura, fazendo-a arquear enquanto voltava a invadi-la com precisão.
— Não, não fala nada. — Ele grunhiu, um pouco ressentido. — Agora você vai sentir. Vai lembrar. Do que me fez. — Ele disse pausadamente, completamente excitado com tudo aquilo.
Ela choramingou ao sentir a profundidade da nova estocada. Mas nada conseguiu dizer, apenas gemeu, ao passo que ele puxou seu cabelo. Thomas beijou suas costas, combinando os movimentos com a gentileza de seus beijos nos ombros e pescoço.
— Eu… — a voz dela falhou.
— Fala. Eu quero ouvir. — Hiddleston disse em um sussurro.
reuniu o pouco de voz que tinha para lhe confidenciar:
— Eu ainda amo você.
Ele parou. Só por um segundo, incrédulo com a confissão. As mãos firmes em sua cintura, o peito subindo e descendo com raiva contida. Então ele se inclinou sobre ela, encaixando o corpo inteiro no dela enquanto sussurrava com a boca colada em sua nuca.
explodiu. Não teve tempo para racionalizar recebendo aqueles estímulos de seu antigo amante. O corpo tremeu, colapsando ao redor dele, gemendo com força enquanto tudo em seu interior desmoronava e se reconstruía ao mesmo tempo. Ele gozou logo depois, enterrado até o fim, soltando um gemido baixo e sensual no ouvido dela.
Os dois ofegantes. Suados. Em pedaços. E, mesmo assim, mais inteiros do que nunca. Porque finalmente, cederam ao amor que sentiam.
I would waste my time
I would lose my mind
They say: she’s gone too far this time
Quando Thomas despertou, o quarto ainda estava levemente escuro. As luzes da cidade filtravam pela janela, desenhando linhas prateadas no chão. O homem abriu os olhos sensíveis devagar, virando-se no colchão amassado.
O lado dela estava vazio.
Ouviu um leve som de passos. Sempre tivera um sono leve, então não era impressionante que ele estivesse acordado. Quando pousou seus olhos em , a mais nova já estava parcialmente vestida, parada na porta com os sapatos Louboutin na mão, tentando sair sem fazer barulho.
— Vai fugir de novo? — A voz dele saiu rouca, ainda pesada de sono.
Ela parou, mas não se virou. Os olhos pesaram, com culpa. Mesmo que aquele fosse o quarto dela, no fim das contas, ela daria um jeito de não se sufocar com aquela situação. só precisava pensar. Odiava tomar decisões por impulso.
— Eu só… achei que era melhor assim.
Tom esfregou o rosto, sentando na cama. Os músculos ainda doíam do que fizeram horas antes. Talvez fosse a idade? Ele não sabia dizer. Naquele estado de estupor, a única coisa que sabia, era do desejo que tinha pela brasileira.
— Fica. — disse, andando em passos lentos em sua direção.
virou o rosto, só o suficiente pra que ele visse seus olhos na penumbra. Havia algo ali — talvez culpa, talvez saudade. Talvez só cansaço.; mas ela não disse nada. Ambos se encararam. O contraste dos olhos azuis com os olhos âmbar pareciam ainda mais sensuais naquele quarto escuro. Mas não respondeu em palavras. Não seria o suficiente para ele. Apenas beijou seus lábios devagar antes de colocar a mão sobre a maçaneta.
Havia uma escolha a ser feita. Deixar o amor lhe consumir, custaria um preço muito alto, que ainda não sabia se estava disposta a pagar.
FIM!
Nota da autora: Sem nota!