Independente do Cosmos🪐
Finalizada em: 28/02/2026
III
— You wear the same jewels that I gave you
As you bury me
As you bury me
A carruagem preta e fechada seguia à frente do cortejo, puxada por dois garanhões negros adornados com longas plumas que tremulavam ao menor sopro de vento. O brasão, pintado discretamente na lateral envernizada, refletia a luz pálida daquela manhã enevoada em Drury Lane impossibilitando que a jovem dama conseguisse visualizá-lo.
observava o desfile de carruagens com estranha inquietação Não conseguia lembrar-se da manhã, muito menos de a quem deveria estar prestando condolências, mas tinha plena convicção de que se tratava de alguém deveras importante. Havia tantas carruagens Se encontravam alinhadas uma após a outra, as rodas rangendo sobre a pedra úmida, os cocheiros trajando luto. Cavalheiros de cartola inclinavam a cabeça enquanto as damas escondiam os rostos sob véus de crepe. Nenhum olhar, porém, se voltava para ela.
“Devem se encontrar deveras consumidos pela dor”, creu, acompanhando o avanço lento do cortejo.
A igreja de St. Clement erguia-se adiante, severa e cinzenta contra o céu enevoado, e o sino dobrava em intervalos graves e compassados. Cada badalada parecia atravessá-la, vibrando onde seu peito deveria doer, mas sentia a apenas a apatia dominá-la.
Então, um dos cavalos estacou abruptamente, os olhos escuros do animal, fixando-se nela. Não através dela, assim como a alta sociedade presente ali, mas nela.
O relincho foi alto, inquieto, rasgando o silêncio respeitoso da procissão. O segundo garanhão agitou-se em resposta, as plumas negras tremendo violentamente. A carruagem oscilou sobre as pedras irregulares enquanto o cavalariço puxava as rédeas com força, murmurando ordens firmes e nervosas.
O cavalo não desviava o olhar.
deu um passo atrás, confusa, quase ofendida. Nunca, em toda a sua vida, um cavalo havia se sentido tão inquieto em sua presença.
— Quieto, maldito — rosnou o cocheiro, lutando para conter o animal que ainda arfava, as narinas dilatadas, como se farejasse algo invisível.
A janela lateral da carruagem principal abriu-se com um ruído seco e uma cabeça surgiu para fora.
Os cabelos escuros, impecavelmente alinhados, reluziam sob a luz pálida da manhã. O rosto mantinha a compostura ensaiada da aristocracia, mas havia uma rigidez nova em seus traços.
.
Lorde Ravensmere.
O luto vestia-o com elegância quase ostentosa – a casaca negra de corte perfeito moldava-lhe os ombros, o tecido fino absorvendo a luz em vez de refleti-la. A gravata estava presa por um alfinete discreto, porém de evidente valor: uma safira profunda cercada por pequenos diamantes.
Ela conhecia aquela pedra.
Não era parte do brasão oficial dos Ashbourne, mas pertencera à sua coleção pessoal, usada nos grandes eventos da alta sociedade.
No punho, preso a abotoaduras de ouro trabalhado, havia outro detalhe familiar: pequenas pérolas incrustadas, iguais às de um antigo colar guardado na ala leste da casa. Não eram relíquias públicas da linhagem, mas joias íntimas da família.
Objetos que jamais deveriam ter deixado seus aposentos sem ela. Era impraticável que não se lembrasse de dar-los a .
Logo a ele.
Ravensmere sempre se vestira bem – o suficiente para jamais despertar comentários. Mas costumava rir dos excessos da temporada, dizendo preferir investir em terras e acordos sólidos a desperdiçar libras com carruagens reluzentes ou joias “supérfluas”.
Agora, contudo, exalava luxo.
Havia um brilho novo em sua postura, uma segurança polida. O tecido de sua casaca era mais fino. As luvas, de couro macio recém-adquirido. Até mesmo o corte do cabelo parecia mais meticuloso.
E atrás dele, visível pela abertura da janela, o interior da carruagem.
Estofados de veludo escuro, ainda rígidos de tão novos. Acabamentos dourados nas molduras internas. O brasão de Ravensmere bordado com fios mais ricos do que ela jamais vira. A carruagem era nova.
Muito nova.
Não restava traço da contenção que ele tantas vezes pregara.
Uma sensação estranha comprimiu-lhe o peito. Não poderia categorizá-la como dor, mas sim como um vazio que ameaçava transformar-se em compreensão.
Os olhos de percorreram a rua. Passaram por ela como se não fosse nada, como se sequer existisse, e seguiram adiante.
Sem reconhecimento.
Sem hesitação.
Como se ela jamais tivesse estado ali.
O cavalo tornou a relinchar, inquieto, antes de finalmente ceder às rédeas.
A janela fechou-se.
O cortejo voltou a avançar.
permaneceu imóvel à margem de Drury Lane, enquanto as carruagens deslizavam lentamente além dela, uma após a outra.
Algo naquele silêncio estava errado.
Ela tentou acompanhar a primeira carruagem, apressando os passos.
Mas, por mais que se movesse, jamais diminuía a distância entre si e o veículo que liderava o cortejo.
Como se estivesse condenada a assistir.
E nunca a alcançar.
observava o desfile de carruagens com estranha inquietação Não conseguia lembrar-se da manhã, muito menos de a quem deveria estar prestando condolências, mas tinha plena convicção de que se tratava de alguém deveras importante. Havia tantas carruagens Se encontravam alinhadas uma após a outra, as rodas rangendo sobre a pedra úmida, os cocheiros trajando luto. Cavalheiros de cartola inclinavam a cabeça enquanto as damas escondiam os rostos sob véus de crepe. Nenhum olhar, porém, se voltava para ela.
“Devem se encontrar deveras consumidos pela dor”, creu, acompanhando o avanço lento do cortejo.
A igreja de St. Clement erguia-se adiante, severa e cinzenta contra o céu enevoado, e o sino dobrava em intervalos graves e compassados. Cada badalada parecia atravessá-la, vibrando onde seu peito deveria doer, mas sentia a apenas a apatia dominá-la.
Então, um dos cavalos estacou abruptamente, os olhos escuros do animal, fixando-se nela. Não através dela, assim como a alta sociedade presente ali, mas nela.
O relincho foi alto, inquieto, rasgando o silêncio respeitoso da procissão. O segundo garanhão agitou-se em resposta, as plumas negras tremendo violentamente. A carruagem oscilou sobre as pedras irregulares enquanto o cavalariço puxava as rédeas com força, murmurando ordens firmes e nervosas.
O cavalo não desviava o olhar.
deu um passo atrás, confusa, quase ofendida. Nunca, em toda a sua vida, um cavalo havia se sentido tão inquieto em sua presença.
— Quieto, maldito — rosnou o cocheiro, lutando para conter o animal que ainda arfava, as narinas dilatadas, como se farejasse algo invisível.
A janela lateral da carruagem principal abriu-se com um ruído seco e uma cabeça surgiu para fora.
Os cabelos escuros, impecavelmente alinhados, reluziam sob a luz pálida da manhã. O rosto mantinha a compostura ensaiada da aristocracia, mas havia uma rigidez nova em seus traços.
.
Lorde Ravensmere.
O luto vestia-o com elegância quase ostentosa – a casaca negra de corte perfeito moldava-lhe os ombros, o tecido fino absorvendo a luz em vez de refleti-la. A gravata estava presa por um alfinete discreto, porém de evidente valor: uma safira profunda cercada por pequenos diamantes.
Ela conhecia aquela pedra.
Não era parte do brasão oficial dos Ashbourne, mas pertencera à sua coleção pessoal, usada nos grandes eventos da alta sociedade.
No punho, preso a abotoaduras de ouro trabalhado, havia outro detalhe familiar: pequenas pérolas incrustadas, iguais às de um antigo colar guardado na ala leste da casa. Não eram relíquias públicas da linhagem, mas joias íntimas da família.
Objetos que jamais deveriam ter deixado seus aposentos sem ela. Era impraticável que não se lembrasse de dar-los a .
Logo a ele.
Ravensmere sempre se vestira bem – o suficiente para jamais despertar comentários. Mas costumava rir dos excessos da temporada, dizendo preferir investir em terras e acordos sólidos a desperdiçar libras com carruagens reluzentes ou joias “supérfluas”.
Agora, contudo, exalava luxo.
Havia um brilho novo em sua postura, uma segurança polida. O tecido de sua casaca era mais fino. As luvas, de couro macio recém-adquirido. Até mesmo o corte do cabelo parecia mais meticuloso.
E atrás dele, visível pela abertura da janela, o interior da carruagem.
Estofados de veludo escuro, ainda rígidos de tão novos. Acabamentos dourados nas molduras internas. O brasão de Ravensmere bordado com fios mais ricos do que ela jamais vira. A carruagem era nova.
Muito nova.
Não restava traço da contenção que ele tantas vezes pregara.
Uma sensação estranha comprimiu-lhe o peito. Não poderia categorizá-la como dor, mas sim como um vazio que ameaçava transformar-se em compreensão.
Os olhos de percorreram a rua. Passaram por ela como se não fosse nada, como se sequer existisse, e seguiram adiante.
Sem reconhecimento.
Sem hesitação.
Como se ela jamais tivesse estado ali.
O cavalo tornou a relinchar, inquieto, antes de finalmente ceder às rédeas.
A janela fechou-se.
O cortejo voltou a avançar.
permaneceu imóvel à margem de Drury Lane, enquanto as carruagens deslizavam lentamente além dela, uma após a outra.
Algo naquele silêncio estava errado.
Ela tentou acompanhar a primeira carruagem, apressando os passos.
Mas, por mais que se movesse, jamais diminuía a distância entre si e o veículo que liderava o cortejo.
Como se estivesse condenada a assistir.
E nunca a alcançar.
I
— 'Cause I loved you, I swear I loved you
Till my dying day
Till my dying day
O Hyde Park estava em seu auge naquela tarde.
Carruagens alinhavam-se ao longo da Rotten Row, reluzindo sob o sol dourado que escapava entre as copas das árvores. Cavalheiros montados exibiam seus melhores animais, inclinando levemente o chapéu para damas acomodadas em carruagens abertas. O ar misturava perfume, couro recém-polido e o murmúrio constante de conversas calculadamente casuais.
Era primavera e, em poucas semanas, Londres alcançaria o ápice da Temporada Social, a época do ano que outrora aguardara com ansiedade quase infantil.
Durante anos sonhara com seu debute formal e com a apresentação à rainha. Imaginara salões iluminados, convites disputados, olhares admirados. Contudo, a morte prematura de seu pai, o Conde de Wycliffe, mergulhara-a em um luto profundo que adiara tais aspirações. Ela debutara discretamente pouco antes da perda, e, em questão de meses, vira o primo assumir o título e tornar-se seu tutor legal, conforme ditavam as convenções.
A temporada seguinte passara como um borrão silencioso.
Antes de deixar o campo e regressar à cidade naquele ano, prometera a si mesma que não permitiria que a vida continuasse suspensa.
Casar-se-ia.
E, ao que tudo indicava, seus planos não seriam frustrados.
Não no que dependesse de Blackwood, o Visconde de Ravensmere.
Caminhavam lado a lado pela alameda bem delineada. Cumprimentavam conhecidos com a medida exata de cordialidade, trocando breves palavras quando necessário. A dama de companhia de seguia poucos passos atrás, próxima o suficiente para preservar a reputação da jovem, mas distante o bastante para conceder-lhes a ilusão de privacidade.
— Londres parece mais ruidosa a cada primavera — comentou , observando uma carruagem recém-chegada, excessivamente ornamentada.
sorriu de leve.
— Não é ruído, minha lady. É expectativa. — Seus olhos percorreram o movimento ao redor com atenção quase analítica. — Nesta época do ano, todos desejam algo.
Ela inclinou a cabeça.
— E o que deseja Vossa Senhoria?
A pergunta soou leve, quase brincalhona, mas havia intenção por trás dela.
sustentou o olhar dela por um instante longo demais para ser considerado casual.
— Antes de qualquer resposta, desejo algo mais simples — disse, com suavidade controlada. — Que me chame de . Não nos tornamos amigos ao longo dessas semanas?
O coração de acelerou de maneira traiçoeira. Sentiu o calor subir-lhe ao rosto e não duvidava de que um rubor delicado lhe tingia as faces.
A lembrança veio-lhe quase de imediato: o beijo roubado nos Vauxhall Gardens, sob a luz vacilante das lanternas coloridas. Fora breve, escandalosamente breve, e ainda assim suficiente para alterar algo dentro dela. Recordava-se da sensação vertiginosa, do choque inicial seguido por uma onda inesperadamente doce, e do sorriso que ele lhe dirigira depois, satisfeito e seguro de si.
Desde então, continuara a chamá-lo de Lorde Ravensmere, como exigia a prudência, mesmo após aquele episódio nos jardins. Mas sabia que algo mudara naquela noite. Algo silencioso, irreversível.
O pedido parecia pequeno.
Apenas um nome, um abandono da formalidade.
Ainda assim, havia uma intimidade nascendo. Uma proximidade que não podia mais ser desfeita.
— — repetiu ela, experimentando o nome com cuidado. Soava diferente fora de sua mente, onde o pronunciara tantas vezes. Mais real. — E o que deseja ?
Um sopro de vento percorreu a alameda, erguendo levemente a fita de seu chapéu. Ele observou o movimento antes de voltar os olhos para ela, agora mais sérios.
— Estabilidade — respondeu, afinal, em tom mais baixo. — Algo que permaneça quando o brilho da temporada se desfizer… quando os salões se esvaziarem e restar apenas aquilo que foi construído com intenção.
As palavras não tinham pressa.
sorriu, tocada pela sobriedade da resposta. Não era a ambição ruidosa que ouvira de tantos outros pretendentes, nem promessas exageradas de devoção murmuradas sob lustres cintilantes. Havia contenção nas palavras dele — e, talvez por isso mesmo, soavam mais verdadeiras.
Era estabilidade que ela aprendera a desejar.
Estabilidade… e um amor capaz de consumi-la.
permaneceu em silêncio por alguns passos, como se ponderasse algo.
— Contudo — disse por fim, voltando-se para ela com um brilho calculado nos olhos —, o que me deixaria extremamente feliz seria se me concedesse a honra de acompanhá-la ao teatro daqui a dois dias.
Ela o fitou, surpresa e satisfeita.
— Ao teatro?
— O Theatre Royal, em Drury Lane. — A voz dele carregava entusiasmo contido. — Estão anunciando uma encenação de Hamlet. A temporada mal começou, mas acredito que não poderia haver ocasião mais apropriada.
— Seria uma honra — respondeu, com sinceridade.
aproximou-se um pouco mais, reduzindo a distância permitida apenas o suficiente para que o gesto permanecesse respeitável.
— Peço-lhe apenas uma coisa.
— E o que seria?
O olhar dele percorreu-lhe o rosto com intensidade serena.
— Que vá resplandecente. — Sua voz desceu um tom. — Desejo que seja uma noite inesquecível para nós dois.
O coração dela reagiu antes que a razão pudesse intervir. Seu sonho mais desejado estava prestes a tornar-se realidade.
— Nesse caso, não lhe darei motivos para arrependimento. Comparecerei com minhas melhores joias.
Algo cintilou nos olhos dele — rápido demais para ser plenamente interpretado.
— Não esperaria menos de Lady Ashbourne.
Após alguns instantes, ele acrescentou, como quem trata de assunto meramente formal:
— Amanhã, se me permitir, farei uma visita a seu primo. Creio que já é tempo de conduzirmos esta relação com a devida formalidade.
A respiração dela falhou por um segundo.
Ele falaria com seu tutor.
O passo seguinte.
— Agradeço-lhe pelo passeio, — disse, suavemente. — E pela companhia.
Ele inclinou a cabeça.
— Até o teatro, minha lady.
E, enquanto a dama de companhia se aproximava para anunciar o fim do encontro, não percebeu que, ao afastar-se, não olhou para ela novamente – mas para a fita de diamantes que brilhava discretamente em seus cabelos sob o sol da primavera.
Carruagens alinhavam-se ao longo da Rotten Row, reluzindo sob o sol dourado que escapava entre as copas das árvores. Cavalheiros montados exibiam seus melhores animais, inclinando levemente o chapéu para damas acomodadas em carruagens abertas. O ar misturava perfume, couro recém-polido e o murmúrio constante de conversas calculadamente casuais.
Era primavera e, em poucas semanas, Londres alcançaria o ápice da Temporada Social, a época do ano que outrora aguardara com ansiedade quase infantil.
Durante anos sonhara com seu debute formal e com a apresentação à rainha. Imaginara salões iluminados, convites disputados, olhares admirados. Contudo, a morte prematura de seu pai, o Conde de Wycliffe, mergulhara-a em um luto profundo que adiara tais aspirações. Ela debutara discretamente pouco antes da perda, e, em questão de meses, vira o primo assumir o título e tornar-se seu tutor legal, conforme ditavam as convenções.
A temporada seguinte passara como um borrão silencioso.
Antes de deixar o campo e regressar à cidade naquele ano, prometera a si mesma que não permitiria que a vida continuasse suspensa.
Casar-se-ia.
E, ao que tudo indicava, seus planos não seriam frustrados.
Não no que dependesse de Blackwood, o Visconde de Ravensmere.
Caminhavam lado a lado pela alameda bem delineada. Cumprimentavam conhecidos com a medida exata de cordialidade, trocando breves palavras quando necessário. A dama de companhia de seguia poucos passos atrás, próxima o suficiente para preservar a reputação da jovem, mas distante o bastante para conceder-lhes a ilusão de privacidade.
— Londres parece mais ruidosa a cada primavera — comentou , observando uma carruagem recém-chegada, excessivamente ornamentada.
sorriu de leve.
— Não é ruído, minha lady. É expectativa. — Seus olhos percorreram o movimento ao redor com atenção quase analítica. — Nesta época do ano, todos desejam algo.
Ela inclinou a cabeça.
— E o que deseja Vossa Senhoria?
A pergunta soou leve, quase brincalhona, mas havia intenção por trás dela.
sustentou o olhar dela por um instante longo demais para ser considerado casual.
— Antes de qualquer resposta, desejo algo mais simples — disse, com suavidade controlada. — Que me chame de . Não nos tornamos amigos ao longo dessas semanas?
O coração de acelerou de maneira traiçoeira. Sentiu o calor subir-lhe ao rosto e não duvidava de que um rubor delicado lhe tingia as faces.
A lembrança veio-lhe quase de imediato: o beijo roubado nos Vauxhall Gardens, sob a luz vacilante das lanternas coloridas. Fora breve, escandalosamente breve, e ainda assim suficiente para alterar algo dentro dela. Recordava-se da sensação vertiginosa, do choque inicial seguido por uma onda inesperadamente doce, e do sorriso que ele lhe dirigira depois, satisfeito e seguro de si.
Desde então, continuara a chamá-lo de Lorde Ravensmere, como exigia a prudência, mesmo após aquele episódio nos jardins. Mas sabia que algo mudara naquela noite. Algo silencioso, irreversível.
O pedido parecia pequeno.
Apenas um nome, um abandono da formalidade.
Ainda assim, havia uma intimidade nascendo. Uma proximidade que não podia mais ser desfeita.
— — repetiu ela, experimentando o nome com cuidado. Soava diferente fora de sua mente, onde o pronunciara tantas vezes. Mais real. — E o que deseja ?
Um sopro de vento percorreu a alameda, erguendo levemente a fita de seu chapéu. Ele observou o movimento antes de voltar os olhos para ela, agora mais sérios.
— Estabilidade — respondeu, afinal, em tom mais baixo. — Algo que permaneça quando o brilho da temporada se desfizer… quando os salões se esvaziarem e restar apenas aquilo que foi construído com intenção.
As palavras não tinham pressa.
sorriu, tocada pela sobriedade da resposta. Não era a ambição ruidosa que ouvira de tantos outros pretendentes, nem promessas exageradas de devoção murmuradas sob lustres cintilantes. Havia contenção nas palavras dele — e, talvez por isso mesmo, soavam mais verdadeiras.
Era estabilidade que ela aprendera a desejar.
Estabilidade… e um amor capaz de consumi-la.
permaneceu em silêncio por alguns passos, como se ponderasse algo.
— Contudo — disse por fim, voltando-se para ela com um brilho calculado nos olhos —, o que me deixaria extremamente feliz seria se me concedesse a honra de acompanhá-la ao teatro daqui a dois dias.
Ela o fitou, surpresa e satisfeita.
— Ao teatro?
— O Theatre Royal, em Drury Lane. — A voz dele carregava entusiasmo contido. — Estão anunciando uma encenação de Hamlet. A temporada mal começou, mas acredito que não poderia haver ocasião mais apropriada.
— Seria uma honra — respondeu, com sinceridade.
aproximou-se um pouco mais, reduzindo a distância permitida apenas o suficiente para que o gesto permanecesse respeitável.
— Peço-lhe apenas uma coisa.
— E o que seria?
O olhar dele percorreu-lhe o rosto com intensidade serena.
— Que vá resplandecente. — Sua voz desceu um tom. — Desejo que seja uma noite inesquecível para nós dois.
O coração dela reagiu antes que a razão pudesse intervir. Seu sonho mais desejado estava prestes a tornar-se realidade.
— Nesse caso, não lhe darei motivos para arrependimento. Comparecerei com minhas melhores joias.
Algo cintilou nos olhos dele — rápido demais para ser plenamente interpretado.
— Não esperaria menos de Lady Ashbourne.
Após alguns instantes, ele acrescentou, como quem trata de assunto meramente formal:
— Amanhã, se me permitir, farei uma visita a seu primo. Creio que já é tempo de conduzirmos esta relação com a devida formalidade.
A respiração dela falhou por um segundo.
Ele falaria com seu tutor.
O passo seguinte.
— Agradeço-lhe pelo passeio, — disse, suavemente. — E pela companhia.
Ele inclinou a cabeça.
— Até o teatro, minha lady.
E, enquanto a dama de companhia se aproximava para anunciar o fim do encontro, não percebeu que, ao afastar-se, não olhou para ela novamente – mas para a fita de diamantes que brilhava discretamente em seus cabelos sob o sol da primavera.
II
— And you're cursing my name, wishing I stayed
Look at how my tears ricochet
Look at how my tears ricochet
A noite fora deveras espetacular.
A encenação de Hamlet deixara melancólica. Ainda assim, podia afirmar que não teria apreciado o teatro como apreciara, não fosse pela presença de ao seu lado. O camarote dos Ashbourne oferecia visão privilegiada do palco, seus cortinados pesados emoldurando o drama como se o mundo inteiro existisse apenas ali dentro.
Os Blackwood – e mesmo os antigos detentores do título de Ravensmere – jamais haviam sido conhecidos por grande apreço às artes. mencionara isso com um meio sorriso, quase como se pedisse desculpas por não ser detentor de tantas posses assim como a família dela apreciava ostentar.
Mas nada daquilo importava.
A atenção de estava presa a outra expectativa.
A proposta.
Se não naquela noite, em breve. Talvez na manhã seguinte…
Ela sentia no ar uma promessa tão concreta quanto os lustres de cristal acima de suas cabeças. Nem mesmo as tragédias shakespearianas eram capazes de nublar-lhe a felicidade prometida em seu futuro.
— Se permanecermos até o último ato, enfrentaremos uma fila interminável de carruagens — comentou , consultando o relógio de bolso com elegância estudada. — E prometi a seu primo que não demoraria a devolvê-la ao seio de seu lar. Importa-se se partirmos agora, pouco antes do desfecho?
negou suavemente.
Não estava verdadeiramente atenta à peça. Sua atenção estava inteiramente voltada para ele – para o modo como a luz das velas marcava-lhe o perfil, para a segurança com que conduzia cada gesto, para os sorrisos que lhe distribuía.
Se julgava prudente partir, ela não veria motivo para contestar.
Desceram pela escadaria lateral, evitando o fluxo principal que já começava a se formar nos corredores do Theatre Royal, Drury Lane. A dama de companhia seguia alguns passos atrás, envolta em xales escuros contra o frio da noite.
Ao deixarem a iluminação intensa da fachada, conduziu-a por uma transversal mais silenciosa.
— É um atalho — explicou, quando ela lançou um olhar curioso ao redor. — Evitaremos o tumulto. Como pode avistar, não somos os únicos antecipando a saída.
A rua era mais estreita, as casas altas projetando sombras compridas sobre as pedras irregulares. O som distante das carruagens e das vozes alegres tornava-se abafado ali.
Deram alguns passos, os sons ecoando na rua deserta e silenciosa.
Até deter-se abruptamente poucos segundos depois.
A mão foi ao bolso do colete.
— Maldição… — murmurou, franzindo o cenho com irritação convincente. — Creio que deixei meu relógio de bolso no camarote. Um descuido imperdoável.
virou-se para ele, surpresa.
— Seu relógio?
— Presente de família — respondeu, já recuando alguns passos. — Não demorarei. Peço-lhe que aguarde aqui, é questão de minutos.
Ele hesitou o suficiente para que o gesto parecesse relutante.
— Não avance pela rua — acrescentou, com um sorriso tranquilizador. — Retorno antes que possa sentir minha ausência.
E afastou-se com passos rápidos na direção do teatro.
permaneceu onde estava por alguns instantes, a respiração formando pequenas nuvens no ar frio da noite.
Foi então que percebeu que a dama de companhia já não se encontrava atrás deles. Provavelmente se atrasara na saída lateral do teatro, talvez retida pelo fluxo de criados e cocheiros. imaginou o desespero que a pobre senhora deveria estar sentindo ao perder de vista sua protegida — ainda mais em uma rua pouco movimentada.
A constatação trouxe-lhe um desconforto inesperado.
O beco parecia mais estreito agora.
Mais silencioso.
O pequeno temor que começava a se insinuar em seu peito fez com que reconsiderasse o pedido de . Ele dissera que aguardasse ali, mas talvez fosse mais sensato retornar à rua principal, onde as luzes do teatro ainda iluminavam a noite.
Ergueu discretamente as saias e deu alguns passos na direção de Drury Lane.
Foi quando uma sombra destacou-se da parede à esquerda.
Depois outra.
E uma terceira.
— Não há necessidade de pressa, milady — disse o primeiro homem, aproximando-se com um sorriso torto.
estacou, tornando-se ainda mais ciente do local ao qual se encontrava sozinha.
Os três avançaram de forma quase coreografada, bloqueando-lhe o caminho de volta.
O coração disparou.
— Saiam da minha frente — ordenou, com uma firmeza que não sentia.
O segundo homem inclinou a cabeça, o olhar descendo deliberadamente para o brilho em seu colo.
A safira profunda, cercada por pequenos diamantes, cintilava sob a luz esparsa da lua.
Era uma de suas jóias preferidas, de mais extremo valor, escolhida naquela noite porque pedira que fosse resplandecente.
Nos punhos, as delicadas pulseiras com pequenas pérolas incrustadas reluziam a cada movimento trêmulo.
E ainda havia o anel, os brincos, a corrente fina sob o manto.
estava muito ciente de tudo o que possuía e não se sentia inclinada em perder suas heranças para alguns ratos de rua.
— As joias, milady — exigiu o primeiro homem. — E a bolsa.
— Não — respondeu ela, recuando um passo. — Aconselho aos senhores irem embora. Meu acompanhante retornara a qualquer instante.
Um riso baixo ecoou entre eles.
O terceiro agarrou-lhe o braço com brutalidade.
gritou.
Um grito alto, agudo, rasgando a quietude da transversal.
Lutou como pôde, as unhas arranhando, o tecido de seu vestido rasgando sob mãos ásperas que a tocavam agressivamente. Tentaram arrancar-lhe o colar, mas ela segurou a corrente instintivamente.
— Soltem-me!
O brilho metálico surgiu rápido demais para que compreendesse.
A dor veio quente e súbita, abaixo das costelas.
O ar abandonou-lhe os pulmões.
Ela cambaleou, sentindo o mundo inclinar-se.
Outro golpe.
As mãos, agora trêmulas, tentaram conter o sangue que manchava o cetim claro.
Os homens, apressados pelo eco do grito, arrancaram-lhe as joias com violência. A safira desaparecendo, as pérolas partindo-se, o anel sendo puxado de seu dedo.
Passos ecoaram ao longe, mas ela já sabia que era tarde demais.
Seu corpo estava caindo.
— !
A voz de ecoou.
Os assaltantes fugiram pela outra extremidade do beco, sombras dissolvendo-se na escuridão que ameaçava consumir toda a vista da jovem.
surgiu correndo, a dama de companhia logo atrás, ofegante e horrorizada.
Ele caiu de joelhos ao lado dela sobre as pedras frias.
— Deus… não… — a voz falhou ao vê-la, ao notar a palidez mortal que começava a tomá-la e o sangue que a abandonava.
Tomou-a nos braços, erguendo-lhe o corpo com cuidado desesperado. O sangue já manchava-lhe as luvas.
— Fique comigo — implorou, a compostura aristocrática completamente despedaçada. — , olhe para mim.
Os olhos dela encontraram os dele, já enevoados, o rosto manchado pelo rastro de lágrimas.
A dama de companhia soluçava alguns passos atrás, chamando por ajuda.
apertou-a contra o peito, a testa colando-se à dela, como se pudesse impedir que a vida escapasse.
E então, em um sussurro quebrado, quase inaudível lhe confidenciou:
— Isso não era para acontecer… não era para você morrer.
A respiração dela tornou-se irregular.
— Eu sinto muito — murmurou ele, a culpa finalmente encontrando espaço em sua voz. — Eu sinto muito, . Fique aqui, fique comigo!
As mãos dele tremiam agora.
Esse não era o plano.
Não daquela forma.
Não com ela morrendo nos seus braços.
— … — repetiu, desesperado. — MALDIÇÃO, , FIQUE COMIGO.
Mas o olhar dela já começava a perder o foco.
E, pela primeira vez naquela noite, Blackwood, Visconde de Ravensmere, sentiu o peso absoluto de algo que não poderia desfazer.
Ela tombou nos braços dele, a última respiração abandonando seus lábios.
E o silêncio que se seguiu foi mais terrível do que qualquer tragédia encenada no palco naquela noite.
A encenação de Hamlet deixara melancólica. Ainda assim, podia afirmar que não teria apreciado o teatro como apreciara, não fosse pela presença de ao seu lado. O camarote dos Ashbourne oferecia visão privilegiada do palco, seus cortinados pesados emoldurando o drama como se o mundo inteiro existisse apenas ali dentro.
Os Blackwood – e mesmo os antigos detentores do título de Ravensmere – jamais haviam sido conhecidos por grande apreço às artes. mencionara isso com um meio sorriso, quase como se pedisse desculpas por não ser detentor de tantas posses assim como a família dela apreciava ostentar.
Mas nada daquilo importava.
A atenção de estava presa a outra expectativa.
A proposta.
Se não naquela noite, em breve. Talvez na manhã seguinte…
Ela sentia no ar uma promessa tão concreta quanto os lustres de cristal acima de suas cabeças. Nem mesmo as tragédias shakespearianas eram capazes de nublar-lhe a felicidade prometida em seu futuro.
— Se permanecermos até o último ato, enfrentaremos uma fila interminável de carruagens — comentou , consultando o relógio de bolso com elegância estudada. — E prometi a seu primo que não demoraria a devolvê-la ao seio de seu lar. Importa-se se partirmos agora, pouco antes do desfecho?
negou suavemente.
Não estava verdadeiramente atenta à peça. Sua atenção estava inteiramente voltada para ele – para o modo como a luz das velas marcava-lhe o perfil, para a segurança com que conduzia cada gesto, para os sorrisos que lhe distribuía.
Se julgava prudente partir, ela não veria motivo para contestar.
Desceram pela escadaria lateral, evitando o fluxo principal que já começava a se formar nos corredores do Theatre Royal, Drury Lane. A dama de companhia seguia alguns passos atrás, envolta em xales escuros contra o frio da noite.
Ao deixarem a iluminação intensa da fachada, conduziu-a por uma transversal mais silenciosa.
— É um atalho — explicou, quando ela lançou um olhar curioso ao redor. — Evitaremos o tumulto. Como pode avistar, não somos os únicos antecipando a saída.
A rua era mais estreita, as casas altas projetando sombras compridas sobre as pedras irregulares. O som distante das carruagens e das vozes alegres tornava-se abafado ali.
Deram alguns passos, os sons ecoando na rua deserta e silenciosa.
Até deter-se abruptamente poucos segundos depois.
A mão foi ao bolso do colete.
— Maldição… — murmurou, franzindo o cenho com irritação convincente. — Creio que deixei meu relógio de bolso no camarote. Um descuido imperdoável.
virou-se para ele, surpresa.
— Seu relógio?
— Presente de família — respondeu, já recuando alguns passos. — Não demorarei. Peço-lhe que aguarde aqui, é questão de minutos.
Ele hesitou o suficiente para que o gesto parecesse relutante.
— Não avance pela rua — acrescentou, com um sorriso tranquilizador. — Retorno antes que possa sentir minha ausência.
E afastou-se com passos rápidos na direção do teatro.
permaneceu onde estava por alguns instantes, a respiração formando pequenas nuvens no ar frio da noite.
Foi então que percebeu que a dama de companhia já não se encontrava atrás deles. Provavelmente se atrasara na saída lateral do teatro, talvez retida pelo fluxo de criados e cocheiros. imaginou o desespero que a pobre senhora deveria estar sentindo ao perder de vista sua protegida — ainda mais em uma rua pouco movimentada.
A constatação trouxe-lhe um desconforto inesperado.
O beco parecia mais estreito agora.
Mais silencioso.
O pequeno temor que começava a se insinuar em seu peito fez com que reconsiderasse o pedido de . Ele dissera que aguardasse ali, mas talvez fosse mais sensato retornar à rua principal, onde as luzes do teatro ainda iluminavam a noite.
Ergueu discretamente as saias e deu alguns passos na direção de Drury Lane.
Foi quando uma sombra destacou-se da parede à esquerda.
Depois outra.
E uma terceira.
— Não há necessidade de pressa, milady — disse o primeiro homem, aproximando-se com um sorriso torto.
estacou, tornando-se ainda mais ciente do local ao qual se encontrava sozinha.
Os três avançaram de forma quase coreografada, bloqueando-lhe o caminho de volta.
O coração disparou.
— Saiam da minha frente — ordenou, com uma firmeza que não sentia.
O segundo homem inclinou a cabeça, o olhar descendo deliberadamente para o brilho em seu colo.
A safira profunda, cercada por pequenos diamantes, cintilava sob a luz esparsa da lua.
Era uma de suas jóias preferidas, de mais extremo valor, escolhida naquela noite porque pedira que fosse resplandecente.
Nos punhos, as delicadas pulseiras com pequenas pérolas incrustadas reluziam a cada movimento trêmulo.
E ainda havia o anel, os brincos, a corrente fina sob o manto.
estava muito ciente de tudo o que possuía e não se sentia inclinada em perder suas heranças para alguns ratos de rua.
— As joias, milady — exigiu o primeiro homem. — E a bolsa.
— Não — respondeu ela, recuando um passo. — Aconselho aos senhores irem embora. Meu acompanhante retornara a qualquer instante.
Um riso baixo ecoou entre eles.
O terceiro agarrou-lhe o braço com brutalidade.
gritou.
Um grito alto, agudo, rasgando a quietude da transversal.
Lutou como pôde, as unhas arranhando, o tecido de seu vestido rasgando sob mãos ásperas que a tocavam agressivamente. Tentaram arrancar-lhe o colar, mas ela segurou a corrente instintivamente.
— Soltem-me!
O brilho metálico surgiu rápido demais para que compreendesse.
A dor veio quente e súbita, abaixo das costelas.
O ar abandonou-lhe os pulmões.
Ela cambaleou, sentindo o mundo inclinar-se.
Outro golpe.
As mãos, agora trêmulas, tentaram conter o sangue que manchava o cetim claro.
Os homens, apressados pelo eco do grito, arrancaram-lhe as joias com violência. A safira desaparecendo, as pérolas partindo-se, o anel sendo puxado de seu dedo.
Passos ecoaram ao longe, mas ela já sabia que era tarde demais.
Seu corpo estava caindo.
— !
A voz de ecoou.
Os assaltantes fugiram pela outra extremidade do beco, sombras dissolvendo-se na escuridão que ameaçava consumir toda a vista da jovem.
surgiu correndo, a dama de companhia logo atrás, ofegante e horrorizada.
Ele caiu de joelhos ao lado dela sobre as pedras frias.
— Deus… não… — a voz falhou ao vê-la, ao notar a palidez mortal que começava a tomá-la e o sangue que a abandonava.
Tomou-a nos braços, erguendo-lhe o corpo com cuidado desesperado. O sangue já manchava-lhe as luvas.
— Fique comigo — implorou, a compostura aristocrática completamente despedaçada. — , olhe para mim.
Os olhos dela encontraram os dele, já enevoados, o rosto manchado pelo rastro de lágrimas.
A dama de companhia soluçava alguns passos atrás, chamando por ajuda.
apertou-a contra o peito, a testa colando-se à dela, como se pudesse impedir que a vida escapasse.
E então, em um sussurro quebrado, quase inaudível lhe confidenciou:
— Isso não era para acontecer… não era para você morrer.
A respiração dela tornou-se irregular.
— Eu sinto muito — murmurou ele, a culpa finalmente encontrando espaço em sua voz. — Eu sinto muito, . Fique aqui, fique comigo!
As mãos dele tremiam agora.
Esse não era o plano.
Não daquela forma.
Não com ela morrendo nos seus braços.
— … — repetiu, desesperado. — MALDIÇÃO, , FIQUE COMIGO.
Mas o olhar dela já começava a perder o foco.
E, pela primeira vez naquela noite, Blackwood, Visconde de Ravensmere, sentiu o peso absoluto de algo que não poderia desfazer.
Ela tombou nos braços dele, a última respiração abandonando seus lábios.
E o silêncio que se seguiu foi mais terrível do que qualquer tragédia encenada no palco naquela noite.
FIM!
Nota da autora: Como já é normal de todo VF, eu peguei essa música imaginando um outro plot COMPLETAMENTE diferente, mas como sempre eu mudei nos 45 minutos do segundo tempo rsrs
A história ficou curtinha, mas espero que vcs tenham gostado!
A história ficou curtinha, mas espero que vcs tenham gostado!