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Revisada por: Aurora Boreal 💫
Finalizada em: Maio/2025


Capítulo Único

era impossível de ignorar. Desde o momento em que seu nome explodiu nas paradas, o Brasil inteiro se curvou ao seu carisma, voz marcante, presença magnética e personalidade afiada. Ela sabia o que causava, e adorava cada segundo disso. Entre capas de revista, turnês nacionais e manchetes recheadas de especulações, era o tipo de mulher que deixava um gosto forte, quente e inesquecível na boca. era seu completo oposto. Herdou a Estratégia aos 25 anos, quando o pai decidiu “passar o bastão”, mas ninguém duvidava que ele já comandava tudo nos bastidores havia muito tempo. Inteligente, ambicioso e reservado, construiu uma reputação impecável como um dos empresários mais influentes da nova geração. Considerado visionário, sério e quase intocável…

Exceto por .

Se conheciam desde sempre, circulando pelos mesmos eventos, jantares de gala e bastidores de um mundo onde influência valia mais do que afeto. Ela sempre soube como deixá-lo desconcertado. Bastava um comentário sussurrado, um olhar malicioso, ou uma provocação com um sorriso preguiçoso nos lábios. tentava manter a postura, mas era impossível negar que aquela mulher o afetava de um jeito que mais ninguém conseguia. Mesmo com suas namoradas perfeitamente entediantes, ele sempre acabava voltando, de um jeito ou de outro. E, agora, o destino tinha decidido brincar com eles mais uma vez. seria o novo rosto da campanha de uma marca de café premium e a Estratégia ficaria responsável por toda a criação e execução do projeto. Quem iria liderar a campanha?

.

Ela chegou à primeira reunião com vinte minutos de atraso, um vestido justo demais, salto alto e um par de óculos escuros que não escondiam o deboche em seu sorriso.
— Pronto pra mais uma dose, ? — perguntou, sem tirar os óculos. — Ou ainda não superou a última?
Ele não respondeu, encarando-a por tempo demais para ser educado. A verdade era simples: a última dose ainda queimava na memória como café recém-passado.

☕️ FLASHBACK ON – Alguns meses atrás… ☕️

O evento era uma daquelas noites de gala que costumava comparecer apenas por obrigação – traje preto, discursos longos, taças de champanhe e sorrisos forçados. Só que, naquela noite, havia algo – ou alguém – diferente. estava no palco, encerrando a cerimônia com uma apresentação surpresa. A luz dourada realçava o vestido justo, o batom vermelho e a forma como ela parecia cantar só pra ele. Os olhares se cruzaram algumas vezes, como sempre, mas havia algo a mais ali, que o deixava inquieto. Talvez fosse o fato de que havia terminado um relacionamento poucos dias antes, ou talvez o incômodo fosse o quanto sentia falta daquela provocação irritante que só ela sabia fazer. Quando a música acabou, desceu do palco devagar, agradecendo os aplausos, até os olhos encontrarem os dele mais uma vez, e apenas levantou uma sobrancelha, como se dissesse “vai continuar fingindo que não quer falar comigo?” não resistiu e, minutos depois, estava de frente a ela no salão principal.
— Vai me dar os parabéns ou vai continuar com essa cara de quem engoliu uma pedra de gelo? — provocou, com a voz baixa, íntima.
— Achei que estivesse ocupada demais cantando pra outro cara — ele rebateu, o tom mais áspero do que gostaria.
A mulher riu, um som leve, quase doce, que contrastava com o veneno por trás das palavras:
— Engraçado… pareceu que era você quem estava me assistindo de boca aberta.
— Você adora provocar, né? — Deu um passo mais perto.
— Só porque você adora ser provocado.
Foi o suficiente. No fim do evento, sem pensar direito, a seguiu, ouvindo apenas o som dos saltos ecoarem pelo corredor enquanto caminhava até o camarim.
— Vai entrar ou vai continuar fingindo que não sente nada? — murmurou ao abrir a porta e adentrar o cômodo, sem olhar para trás, e ele entrou, fechando a porta logo em seguida. — Terminou com a loirinha já?

— Não tô julgando. Acho bonitinho esse ciclo eterno de “vou fingir que você não existe” e depois me seguir até o camarim. — Se virou para ele e continuou: — Você é patético… finge que me odeia, mas não consegue ficar longe.
— Eu não te odeio… — respondeu, a voz tensa. — Só não consigo te ter.
deu um passo, depois outro, até finalmente estarem frente a frente.
— Isso nunca te impediu antes.
Ele tentou resistir, mas, quando ela encostou os dedos na gola de sua camisa, puxando-o para perto, tudo desabou. O beijo foi urgente, como se tudo o que haviam reprimido por meses tivesse explodido ali, entre cabides, espelhos iluminados e o perfume dela impregnando o ar. segurou sua cintura como se quisesse manter o controle, mas riu contra sua boca.
— Não adianta tentar, . Comigo, você nunca vai ter o controle.
Ele não respondeu. Estava ocupado demais perdendo completamente o juízo.

☕️ FLASHBACK OFF ☕️

piscou, como se a lembrança tivesse invadido o presente sem pedir permissão. O gosto daquela última noite ainda estava ali: o perfume dela, a risada no escuro, os sussurros entre beijos e provocações. E agora aquela mulher estava bem ali, sentada ao seu lado na mesa da sala de reuniões da Estratégia, cruzando as pernas lentamente e encarando-o com um olhar que precedia o caos.
— Vai continuar me olhando assim ou já esqueceu como se fala? — provocou, tirando os óculos escuros e apoiando o queixo nas mãos.
— Se eu soubesse que a estrela da campanha era você, teria reconsiderado o contrato.
— Mentira, você teria assinado em dobro. — Ela rebateu com um sorriso curto. — Sua equipe sabe que eu vendo… e você também.
apertou a mandíbula. Não podia negar aquilo. era a escolha perfeita para a campanha: carismática, desejada, impossível de ignorar. A marca de café queria algo ousado, sensual, moderno e ela, definitivamente, era tudo isso. Mas tê-la ali, naquele ambiente que sempre esteve sob o controle dele, bagunçava tudo.
— Vamos ao que interessa. — Tentou retomar o tom profissional. — A campanha precisa ser ousada, mas sofisticada. Nada vulgar.
— Que pena… — mordeu o lábio inferior, provocando de novo. — Achei que você gostasse de um pouco de vulgaridade… de vez em quando.
O silêncio foi imediato e um membro da equipe pigarreou, tentando quebrar a tensão palpável que preencheu a sala. soltou o ar devagar, recostando-se na cadeira, os olhos ainda fixos nela.

sabia o que estava fazendo. E, pior: sabia que estava funcionando.

A reunião continuou entre propostas, apresentações de slides e sugestões de roteiro. A cantora participou pontualmente, lançando comentários certeiros quando necessário, mas sem nunca perder o ar debochado. tentava se concentrar nas ideias da equipe, mas era difícil com ela tão perto, inclinando o corpo levemente para frente, o perfume invadindo o ar e um sorriso que parecia saber demais. Quando, enfim, o último slide foi apresentado e os colaboradores começaram a se dispersar, ele levantou com firmeza e disse:
, pode ficar mais um minuto?
— Vai me dar uma bronca ou um convite indecente? — Ela arqueou uma sobrancelha, fingindo surpresa, mas não respondeu de imediato.
Esperou todos saírem, a porta se fechar e o silêncio se estabelecer na sala antes de cruzar os braços e encará-la com seriedade.
— Você precisa agir de forma mais profissional. Isso aqui é trabalho.
soltou uma risada leve, arrastada, como se aquilo fosse a coisa mais entediante que já ouvira.
— Uau, direto ao ponto… fiquei até sem fôlego.
— Não tô brincando — insistiu, agora mais sério. — Isso pode dar errado se você continuar misturando tudo.
— Pensei que curtia o meu humor distorcido.
— Eu tô conhecendo alguém e…
— Ah, claro… — ela o interrompeu, já se levantando com calma, pegando a bolsa com exagero dramático. — Outra modelo perfeitinha?
— Isso não é justo.
— O que não é justo é você fingir que é imune a mim quando sabemos que não é. — Deu dois passos na sua direção, parando perto o suficiente para que ele sentisse o perfume doce. — Pode colocar outra pessoa no seu carro, na sua cama, nas suas fotos bonitas de casal, mas você sabe… — ela inclinou o rosto levemente, com um sussurro quase cruel. — Só eu sei como te deixar louquinho… só eu sei exatamente onde te tocar… e só eu sei que você fica…
— Chega — a interrompeu, encarando-a. Havia tanto raiva quanto desejo em seu olhar e os dois sabiam disso.
se afastou, andando em direção a porta, mas, antes de sair, olhou por cima do ombro.
— Boa sorte com a campanha, . Vai precisar manter o foco.
Então saiu da sala com um sorriso enviesado no rosto. Não aquele que encantava plateias e vendia milhões de álbuns, mas um pequeno, satisfeito, que nascia quando ela sentia que ainda tinha o controle – porque, no fundo, sempre teve. podia tentar ser frio, manter aquela fachada de CEO centrado e inalcançável, mas conhecia os sinais o suficiente para saber que bastava um olhar, um toque, ou um sussurro no tom certo, que ele cedia. Podia desfilar com namoradas novas a cada semestre, posar sorridente para fotos em jantares chiques, alimentar os tabloides com aparências, mas, quando o mundo se calava e sobravam só os dois, era dela que ele – sempre – lembrava. não era iludida. Sabia que era teimoso, orgulhoso, previsível até. Mas também sabia de outra coisa: ele sempre acabava voltando. E ela sempre acabava querendo. Era cíclico. Tóxico, talvez. Um vício silencioso. Como cafeína: amargo, quente… necessário.
Passou a mão pelos cabelos e caminhou até o elevador com calma, ainda saboreando o resultado de suas provocações. Por mais que ele tentasse negar, esconder, ou lutar, sabia.
a desejava como ninguém… e isso a mantinha sempre por perto.

☕️———————————☕️


O set estava montado em uma casa de arquitetura moderna, com janelas enormes, luz natural entrando em feixes suaves e um aroma de café fresco que preenchia o ar como parte da experiência sensorial que a marca queria transmitir. chegou cedo, o que, para os padrões dela, já dizia muita coisa. Vestia um roupão preto sobre a lingerie de seda marrom que usaria em uma das primeiras cenas. O conceito era simples: intimidade, café na cama, manhãs preguiçosas e sensuais… tudo cuidadosamente ensaiado para vender a ideia de desejo em goles lentos. Mas foi difícil manter o foco quando entrou, com camisa social branca, mangas dobradas, blazer jogado no ombro e celular na mão, falando com alguém da equipe de produção. Ela o observou de longe, escondida atrás de uma caneca cenográfica de café, enquanto os maquiadores faziam os últimos retoques.
— Todo mundo pronto? — ele perguntou, passando os olhos pela equipe até parar nela.
— Sempre pronta. — Sorriu, exageradamente doce. — E você, chefinho? Vai conseguir manter o profissionalismo?
— Engraçado você me perguntando isso. Mas eu estou aqui pelo trabalho, .
— Que fofo. — Ela deu um gole no café frio. — Vamos ver até quando.
A primeira cena era simples: deitada na cama, sorrindo para a câmera, enrolando-se nos lençóis enquanto o aroma do café parecia despertar mais do que só os sentidos. Voz em off, respiração leve, quase um sussurro. Mas estava atrás das câmeras, observando cada detalhe. E, quando jogou o cabelo para o lado e lambeu lentamente o lábio inferior, viu os olhos dele tremerem. No intervalo entre os takes, o CEO se aproximou com o tablet em mãos, fingindo revisar os trechos gravados.
— Será que você pode fazer com um pouco menos de… provocação? — Perguntou, só para ela.
— Isso foi provocação? — se inclinou, os olhos presos nos dele. — Eu nem comecei ainda. — Passou os dedos levemente em seu braço, como se limpasse um fiapo inexistente, fazendo-o recuar um passo, e sorriu, vitoriosa, indo até a bancada do buffet.
, posso te apresentar o Bernardo? — um dos produtores perguntou, pouco antes da próxima rodada de takes.
A cantora virou com um sorriso pronto, os olhos escondendo segundas intenções, e Bernardo estendeu a mão com segurança, o sorriso alinhado ao terno bem cortado. Ele era o representante da marca de café que estava financiando a campanha – um pouco mais velho, charmoso e, mais importante, completamente encantado por ela.
— É um prazer te conhecer, . Sou um grande fã do seu trabalho. Você trouxe exatamente a energia que a gente imaginava pra campanha.
— Fico feliz em ouvir isso — ela o cumprimentou com a mão, demorando um segundo a mais do que o necessário. — E eu adorei o conceito de vocês. Quente, envolvente, um pouco atrevido… bem a minha cara.
— Exatamente. — Bernardo soltou uma risada baixa. — Se precisar de qualquer coisa durante os dias de gravação, é só falar comigo diretamente, tá?
— Pode deixar, vou lembrar disso.
E ela já sabia como. Porque, no canto do set, fingia estar concentrado nas anotações do roteiro da campanha, mas seu olhar escapava de vez em quando na direção dos dois. virou o rosto o suficiente para encontrá-lo com o olhar, deu um sorriso perigosamente inocente e aceitou o café oferecido por Bernardo com charme, segurando a caneca com ambas as mãos como se fosse um presente precioso.
— Tá quente — ele avisou.
— Eu gosto assim. — Deu um gole, mantendo os olhos em , que desviou o olhar, apertando a mandíbula.
Continuaram conversando, Bernardo comentando como a luz realçava os traços dela, fazendo piadas que só ele ria, e … sempre sorria – do jeito que conhecia bem demais.
— Então você pretende lançar um álbum novo ainda esse semestre? — Bernardo perguntou, recostando-se na bancada do buffet enquanto a observava mexer o café.
— Talvez. Tenho algumas músicas prontas, outras inacabadas… mas acho que tudo flui melhor com boas inspirações. — Ela lançou um olhar breve ao CEO, que mantinha a cabeça baixa, fingindo revisar um cronograma que já sabia de cor.
Bernardo riu, claramente tomando aquilo como um sinal.
— Se precisar de um pouco mais de inspiração, me avisa. Posso ser surpreendentemente útil fora do ambiente de trabalho.
— É mesmo? Gosto de surpresas. — sorriu com um charme afiado.
ergueu os olhos com lentidão, encarando a dupla à distância. Sabia ler os olhos de como ninguém e, definitivamente, sabia que aquilo ali era uma jogada, um teatro montado só para ele… e que estava funcionando, porque todo o seu corpo fervia. Durante outra pausa na gravação, os dois se esbarraram sozinhos no corredor estreito do estúdio. Ele vinha saindo de uma ligação, ela voltava do camarim.
— Nova amizade? — perguntou, sem olhá-la diretamente, e ergueu uma sobrancelha.
— Bernardo? Ele é um cavalheiro. Coisa rara hoje em dia.
— Ele tem pelo menos dez anos a mais que você.
— Se for isso que tá te incomodando, posso perguntar a idade de outros admiradores meus.
— Você sabe o que ele quer.
— E você sabe o que eu quero? — Se aproximou, o sorriso suave contrastando com o fogo nos olhos. — Porque, se soubesse, não deixaria outro homem me trazer café enquanto você só me serve indiferença. — Passou por ele, o cheiro doce e quente ficando no ar, como se a própria presença tivesse gosto de provocação.
Horas depois, o set finalmente esvaziava. A equipe técnica começava a desmontar luzes e câmeras, enquanto os figurinos eram guardados às pressas. , ainda com maquiagem impecável, estava sentada no sofá do camarim com uma expressão cansada, mas satisfeita. Ouviu uma batida leve na porta entreaberta e entrou sem esperar convite, os olhos cruzando com os seus no espelho.
— Não tem mais ninguém aqui? — ele perguntou, apesar de já saber a resposta.
levantou os olhos lentamente, arqueando uma sobrancelha.
— Se estivesse cheio, você não teria entrado.
fechou a porta atrás de si e recostou-se nela, tentando parecer calmo, mas sua expressão o entregava.
— Só vim avisar que amanhã os horários vão ser os mesmos. Mas vai ser no campo, então vamos ficar numa pousada local e um dos carros da empresa vai te buscar.
— E precisava vir pessoalmente pra isso?
— Bernardo já foi? — ele ignorou a pergunta e ela sorriu, jogando os saltos de lado.
— Foi, mas não se preocupa… ele pediu meu número.
— E você deu?
— Por que se importa, ? Vai me dar um sermão agora? Falar sobre ética profissional enquanto segura os ciúmes nos dentes?
— Não é ciúmes — disse, rápido demais.
— Não? Então por que veio até aqui?
— Você tá fazendo isso de propósito.
fingiu não entender, levantando com calma e se aproximando.
— Fazendo o meu trabalho? Nossa, , que crime.
— Não. Você sabe o que tá fazendo comigo. Toda essa encenação, os sorrisos, as insinuações… tá me provocando.
Ela parou a poucos passos dele, inclinando a cabeça como se analisasse a própria obra-prima.
— E tá funcionando?
Ele riu, curto, amargo.
— Você adora brincar com isso, né?
— Talvez… — se aproximou um pouco mais, fazendo-o sentir seu perfume quente e doce, como um café recém passado. — Ou talvez eu só esteja cansada de você fingir que não sente nada quando, claramente, sente.
— Eu tô tentando seguir em frente, .
— Então por que voltou? — Sorriu de canto, sem desviar o olhar.
fechou os olhos por um segundo, como se aquilo doesse. Como se lutar contra o que sentia por ela fosse exaustivo.
— Porque você me enlouquece.
— Eu sei. É isso que me mantém acordada à noite. — passou por ele, pegando sua jaqueta pendurada na cadeira. — Boa noite, … dorme bem. — E, antes de sair, virou o rosto, com um sorriso preguiçoso no canto da boca. — Amanhã traga você o café. Quente, como eu gosto.
continuou parado, com o gosto dela ainda preso na garganta e o cheiro no ar. Sabia que aquela campanha seria um inferno.
Um prazeroso, provocante, inescapável inferno.
Entrou no carro e fechou a porta com força desnecessária. O silêncio ali dentro era quase sufocante, abafando o zunido da rua e o som do rádio que ele não havia se preocupado em desligar. Sua cabeça latejava. tinha o dom – ou a maldição – de se infiltrar em tudo – na pele, na memória, nos pensamentos que ele jurava ter enterrado. E, agora, com essa campanha, era como se ela estivesse em todos os lugares de novo. Apoiou os cotovelos no volante, fechando os olhos, e respirou fundo.

☕️ FLASHBACK ON – Continuação… ☕️

— Cê joga sujo pra caralho… — murmurou, com a voz grave e rouca, enquanto continuava a devorar a boca dela, descendo as mãos pelo corpo, até alcançar seu quadril e o apertar com força.
— Mas você adora quando eu jogo sujo… — sorriu, satisfeita, ciente de que tinha o poder de desmontá-lo completamente, e não havia nada que ele pudesse fazer a respeito. Ela arqueou o corpo, gemendo baixinho quando os lábios dele encontraram a pele macia de seu pescoço, depositando beijos molhados. — Acho que já tá na hora de tirar esse vestido… — Sua voz soou como um comando, fazendo-o perder o pouco autocontrole que restava.
— Com certeza.
As mãos de encontraram o zíper de seu vestido, abaixando a peça lentamente até cair sob seus pés, e ele a puxou pelos quadris, encurralando-a contra a parede. Reparou no sutiã preto que ela usava, a maneira como a pele era revelada, e não pôde conter um suspiro.
— Ficou sem palavras? — provocou com um sorriso malicioso, fazendo-o revirar os olhos.
— Você é irritante até quando tá sem roupa. — Soltou, enquanto suas mãos deslizavam pelas curvas do corpo dela, relembrando cada detalhe.
— Ainda assim você fica duro — ela murmurou, olhando para baixo ao perceber o volume na calça dele.
— Você sabe muito bem o que faz comigo.
— Na verdade não sei, terá que ser mais claro.
— Quer que eu seja mais claro do que isso?
— Acho que já tá na hora de tirar sua roupa também, garotão. — Deslizou a mão desde o peito até o volume dele, fazendo-o soltar um gemido abafado. Ele se livrou das roupas imediatamente, sabendo o quanto aquela visão a afetava, e voltou a se aproximar dela, encostando seus corpos novamente. — Gostoso…
— Acho que é a primeira vez que ouço você falando algo positivo sobre mim. — brincou, um sorriso malicioso se formando em seu rosto.
— Ah, não fique tão animado… se quiser mais disso vai ter que fazer por merecer. — Ela sorriu também, com uma expressão travessa.
— É assim, então? E o que exatamente eu tenho que fazer?
sabia exatamente as palavras para deixá-lo à beira da loucura.
— Me foder… com força — sussurrou em seu ouvido, e aquilo foi o suficiente para acender completamente o fogo dentro dele.
— Isso eu posso fazer.
a carregou até o sofá do camarim, se colocou entre as pernas dela, passeando as mãos pelas coxas, e a observou diante dele, pronto para se render completamente.

☕️ FLASHBACK OFF ☕️

O CEO voltou ao presente com um suspiro pesado, encostando a cabeça no banco. Estava conhecendo alguém agora… tentando ser o homem certo, alguém estável e previsível, que não fosse sugado por aquele furacão chamado . Mas, toda vez que a via, era como se o chão desaparecesse debaixo dos pés. Ela era tudo o que ele não conseguia controlar e, no fundo, talvez nem quisesse.

☕️———————————☕️


O sol ainda estava subindo quando os primeiros carros começaram a estacionar no topo da montanha. O cenário era digno de um filme: céu aberto, uma brisa leve dançando por entre as árvores e uma vista ampla da natureza, que se estendia até onde os olhos alcançavam. desceu do carro com óculos escuros, jaqueta de couro e um copo de café na mão – irônica, como sempre. chegou poucos minutos depois, de blazer escuro e olhar sério. Cumprimentou a equipe, conversou com o diretor de arte, mas seus olhos procuravam uma certa silhueta, mesmo que se recusasse a admitir. E, claro, ela estava com Bernardo.
— Esse lugar é incrível — disse o representante da marca, sorrindo ao ajudá-la a descer por uma pequena inclinação. — Você fica ainda mais fotogênica com essa luz natural. Difícil alguém competir.
— Você tem um bom senso estético, Bernardo — respondeu, olhando diretamente para o CEO, que passava ao lado naquele exato momento. — Talvez até melhor que alguns diretores de criação por aí. — Apesar dele fingir não ouvir, seus olhos endureceram, e a cantora mordeu o lábio inferior, satisfeita com o estrago.
Horas depois, estava posando com uma xícara de café nas mãos, sentada em uma pedra estrategicamente posicionada de frente para o vale. A produção pedia leveza, naturalidade – algo que sabia entregar de olhos fechados. Mas, naquele dia, ela estava se esforçando mais do que o necessário. Durante uma pausa, olhou para , que observava tudo de longe com os braços cruzados, e se aproximou devagar, com o mesmo figurino da cena: saia longa esvoaçante e camisa branca meio aberta, o cabelo solto de forma casual.
— Tá gostando da paisagem? — perguntou, encostando o copo de papel contra os lábios. — Ou é só da modelo mesmo?
— Eu vim trabalhar, .
— Ah, então você ainda se lembra disso? Porque ontem parecia mais ocupado tentando não me olhar.
Ele se aproximou um passo, mas parou ali mesmo.
— Eu já te disse… tô conhecendo alguém.
— Ah, é verdade. Esqueci. — Depois de uma pausa dramática, inclinou-se um pouco, a voz baixa, como se dividisse um segredo: — Deixa eu adivinhar… sorriso encantador, educada e absolutamente entediante?
Se afastou com um giro leve, o vento levando consigo seu perfume, enquanto ficou parado com as mãos nos bolsos, segurando um riso irônico. Porque, no fundo, ela estava certa. Era sempre o mesmo padrão: irritantemente educada, um sorriso de comercial de pasta de dente e absolutamente nenhuma ideia do que fazer quando ele abria um vinho tinto e colocava Foo Fighters para tocar. Sabia disso, assim como sabia que mulheres como vinham com um aviso de perigo pendurado no pescoço. Só que, de algum jeito, ele sempre acabava tropeçando na mesma curva – nela. Respirou fundo, tentando se concentrar no horizonte, na brisa, em qualquer coisa que não fosse o rastro que aquela mulher deixava. Sim, aquele lugar era lindo, mas o caos que trazia era muito mais intenso do que qualquer paisagem.


À noite, estava sentado em um restaurante caro de São Paulo, olhando para a taça de vinho sem prestar atenção. À sua frente, Camila, a mulher que ele estava “conhecendo melhor”, que definitivamente encaixava em seu padrão, falava sobre uma viagem à Toscana. Mas ele não conseguiu focar, nem por um segundo. Disfarçadamente, pegou o celular e deslizou pelo Instagram, vendo curtidas, notificações… até seu dedo parar automaticamente em um perfil: @. O primeiro story era um vídeo da paisagem no fim da gravação, mostrando o campo, o pôr do sol e a legenda “isso sim é um bom dia de trabalho”. O segundo mostrava parte do backstage, maquiadores rindo, alguém tirando fotos, ela fazendo graça com o figurino. Natural, linda e provocante, até quando não estava tentando. A última imagem era dela… na banheira da pousada. Apenas o topo dos joelhos à mostra, bolhas de espuma cobrindo o essencial, um copo de vinho numa das mãos e a legenda “relaxando depois de um dia intenso”. Nada explícito, nada direto, mas tudo naquela imagem gritava provocação. E o pior? Sabia que era para ele. Tentou voltar à conversa do jantar, mas a voz da mulher do outro lado da mesa soava distante, irrelevante. Ela havia feito aquilo de propósito. Abriu o story de novo – não conseguiu evitar – e respondeu.

: Cuidado pra não escorregar nessa banheira…
: Ou alguém vai ter que ir aí resgatar você.

: Acho que prefiro alguém que saiba exatamente como me tirar de lá.

: E como você quer que eu faça isso?

: Depende…
: Você quer me salvar ou me afundar de vez?


Ele soltou um riso seco, baixo. Apenas balançou a cabeça quando Camila perguntou algo sobre a sobremesa, ainda olhando para a tela, como se ela não estivesse ali. Recostou-se na cadeira, digitando com os dedos firmes.

: Você devia parar.

: E você devia ter saído correndo do meu camarim naquele dia…
: Mas, se bem me lembro, você demorou.
: Bastante.


Encarou a tela por vários minutos, sem escrever nada. Ela também não escreveu de volta, como se soubesse que haviam atingido um limite perigoso. Ele tentou voltar a atenção para Camila, que seguia falando animadamente sobre alguma galeria de arte, ou talvez fosse sobre o vinho – honestamente, tinha parado de ouvir há muito tempo, mas a tela piscou com uma nova mensagem.

: Boa noite, .
: Sonha comigo… ou tenta não sonhar.


Embaixo, um story privado. Era uma foto nova da banheira iluminada por velas, o contorno do pescoço dela entre sombras e vapor, o cabelo molhado e uma taça de vinho equilibrada na mão.
Artístico… discreto… insuportavelmente sensual.
A mulher do outro lado da mesa perguntou algo, mas ele nem ouviu. Só encarava a tela como se tivesse levado um soco no estômago, completamente à mercê. Empurrou o prato à frente, ajeitou a postura e respirou fundo, soltando uma risada abafada, incrédula, antes de resmungar:
— Ela vai acabar comigo…
— Disse algo, querido? — Camila ergueu uma sobrancelha e ele deu um sorriso falso.
— Nada. Só lembrei de uma coisa.

Mentira. estava pensando nela. Só nela. E sabia exatamente com quem iria sonhar naquela noite.

☕️———————————☕️


No terceiro dia de gravações, precisaram voltar ao mesmo local do dia anterior para gravar alguns takes novos. tinha dormido mal, ou melhor, mal tinha dormido. A imagem dela na banheira ainda dançava na memória como um feitiço inquebrável. A provocação final, o sorriso no canto dos lábios quando viu a mensagem e o maldito fato de que ele ainda teve que terminar o jantar com uma mulher que parecia cada vez mais irrelevante diante de tudo que era. Agora, cruzava o set com a expressão controlada, os passos firmes, como se conseguisse ignorar o furacão que carregava no peito.
Mas então a viu.
estava de costas, rindo de algo que Bernardo dizia, enquanto mexia na própria blusa, ajustando a gola, sem nem olhar para . Mas ela sabia que ele estava observando. E, quando finalmente virou, o encarou com um sorriso doce, quase inocente.
— Dormiu bem, chefinho? — perguntou, com a voz arrastada de quem conhecia cada camada da provocação.
— Perfeitamente.
— Que bom. Achei que pudesse ter tido… sonhos perturbadores. — Passou por ele, roçando os dedos de propósito em seu braço, e a boca próxima ao ouvido. — A propósito… a espuma da banheira era de baunilha e café. Achei apropriado pro tema da campanha.
fechou os olhos por um segundo, lutando contra a vontade insana de puxá-la de volta e lembrá-la que também sabia brincar. Mas ele era profissional, ou, pelo menos, estava tentando ser.
A sessão de fotos começou com sozinha, entre lavandas e luz natural. O vestido escolhido era de um tom quente, que contrastava com o verde do campo e fazia seus olhos brilharem. Ela era uma visão. Todos estavam hipnotizados, inclusive Bernardo, que não disfarçava. observava tudo ao lado, braços cruzados e a mandíbula travada, fingindo revisar o roteiro da campanha no tablet, mas não absorvendo uma única palavra. Os olhos presos nela, como sempre.
— Ela tem uma presença magnética, não tem? — A voz de Bernardo surgiu ao lado e ele ergueu uma sobrancelha, sem virar o rosto.
— Ela é boa no que faz.
— Boa seria um eufemismo… — Ele riu – o tipo de riso que odiava. — Se não fosse por essa diferença de idade… bom, digamos que eu já teria a convidado pra jantar. — apenas lançou um olhar lateral, frio, afiado, que fez Bernardo finalmente recuar com um sorriso sem graça. — Brincadeira, claro. Só admiração profissional.
Claro…
A sessão seguiu ao longo da manhã e tentou manter a postura firme de diretor da campanha. Estava sempre com o tablet em mãos, analisando os takes, alinhando decisões com a equipe criativa e mantendo tudo sob controle – exceto ela. A cada pausa, conversava com Bernardo, que parecia cada vez mais encantado. O fotógrafo sugeriu posições mais descontraídas para os próximos cliques e sentou sobre uma manta disposta entre as lavandas, com o cabelo preso de forma despretensiosa, alguns fios soltos moldando o rosto iluminado, e o café estrategicamente posicionado em uma bandeja rústica. Bernardo se aproximou com uma xícara e entregou o objeto como se fosse um presente, e riu de algo que ele disse, jogando a cabeça para trás – o som abafado pela distância, mas sentiu como se tivesse sido direcionada a ele. Uma das assistentes de produção se aproximou, com o celular na mão:
— Senhor , o pessoal da marca quer que você aprove a proposta final do roteiro do vídeo para o Reels da campanha. Pode vir até a van de edição?
— Claro — respondeu, tentando manter o tom neutro, mas, enquanto caminhava, seus olhos voltaram uma última vez para . Bernardo havia tocado de leve em seu ombro. Um toque inofensivo, talvez, mas que fez algo dentro dele explodir.

A noite caiu sobre a montanha com um frio agradável e um céu limpo, pontilhado de estrelas. O grupo da campanha decidiu jantar num restaurante rústico perto do local de gravação e a mesa principal já estava tomada por parte da equipe. chegou alguns minutos depois, acompanhada de Bernardo, que claramente parecia satisfeito por estar ao lado dela.
— A gente devia comemorar o sucesso do dia — o homem disse, sorrindo. — Um vinho, talvez?
— Só se for dos bons — respondeu, mas, ao passar por , que estava falando com o diretor de arte, virou em sua direção. — Vai ficar pra revisar as fotos, ? Ou vai se juntar ao jantar dos adultos?
Ela sorriu e sentou-se à cabeceira da mesa, deixando uma cadeira vaga ao seu lado – e não por acaso. Bernardo foi se sentar ali, mas , com uma naturalidade afiada, puxou a cadeira antes.
— Por que não? Assim posso supervisionar a equipe de perto — disse, lançando um olhar breve a Bernardo, antes de se sentar ao lado dela.
O desconforto do outro homem foi imediato, disfarçado por um gole apressado de vinho. cruzou as pernas sob a mesa e se inclinou um pouco mais em direção a ele, como se fosse um jogo antigo entre os dois.
— Que honra ter você entre os meros mortais — provocou, em tom baixo. — Deve ser difícil manter o ar de profissionalismo o tempo todo, né?
— Eu me viro bem com o autocontrole — ele respondeu, virando a taça de vinho devagar. — Devia tentar, às vezes.
— Ah, mas onde estaria a graça nisso?
A conversa seguiu com a equipe toda animada, mas na ponta da mesa o clima era outro. Bernardo tentava puxar assunto com , comentando sobre os planos de marketing para os próximos meses, elogiando sua performance na campanha, propondo até ideias para um possível feat musical com o branding da marca. Mas ela só ria, agradecia com charme e, vez ou outra, jogava uma farpa sutil em , que a cada provocação respondia com sarcasmo e um olhar que escondia muito mais do que dizia.
— Você sempre atrai homens muito… dedicados, né? — o CEO comentou em voz baixa, quando Bernardo se levantou para atender uma ligação.
— E você sempre aparece pra lembrar disso — ela rebateu, mordendo levemente o lábio.
O que começou como um jogo logo virou guerra fria: olhares prolongados, respostas afiadas, sorrisos que beiravam o deboche. Ele sabia que ela estava se divertindo às suas custas. Cada palavra parecia minar sua paciência, seu controle, sua tentativa patética de manter distância. O jantar terminou em meio a risadas e despedidas preguiçosas. A noite já estava gelada e o ar úmido fazia com que a neblina começasse a subir pelas curvas da estrada próxima. se despediu rápido, alegando estar cansado, mas a verdade era que precisava sair dali antes que Bernardo conseguisse o que queria desde o início da campanha. Do outro lado do estacionamento, ajeitava o casaco nos ombros quando o homem apareceu ao lado dela, sorridente.
— Posso te levar de volta? — perguntou, com um charme ensaiado. — O carro da produção já foi.
A cantora hesitou por um segundo, como se tivesse consciência de que alguém a observava. , parado junto ao próprio carro, fingia mexer no celular, mas seus olhos estavam nela, que lançou um último olhar em sua direção, como se o desafiasse a impedi-la.
— Tá bom — cedeu, com um sorrisinho de canto, entrando no carro de Bernardo.
acompanhou o veículo se afastar até desaparecer pela estrada e entrou no carro, jogando o celular no banco do carona, irritado – com Bernardo, com , consigo mesmo.

Ela seria capaz de ir tão longe só para me provocar?
Ela quer mesmo aquele cara, ou só está testando até onde eu aguento fingir que não me importo?


Demorou para voltar à pousada, temendo esbarrar com os dois na recepção, ou pior, subindo para o quarto juntos. Quando chegou, tentou tomar um banho, ler alguns e-mails… mas nada adiantava. Até que, finalmente, pegou o celular, abrindo o Instagram quase como quem cometia um crime. @ havia postado. O primeiro story mostrava o quarto da pousada com algumas luzes indiretas acesas e uma xícara de café em cima da cômoda – uma óbvia referência à campanha. O segundo era um vídeo da paisagem da montanha à noite, com o som de grilos e o sussurrar do vento. O terceiro era ela… na banheira, novamente, só que dessa vez não havia espuma demais, nem um ângulo revelador. Apenas a silhueta dos joelhos dobrados, a pele molhada refletindo a luz quente do banheiro e o rosto de perfil, com um sorriso vago, como se risse de algo que só ela sabia. soltou um palavrão baixo, levando a mão ao rosto. Impossível aquilo ser coincidência. Era quase uma mensagem direta. Então, percebeu a música que tocava de fundo no story:

I can’t relate to desperation
My “give a fucks” are on vacation…


Ficou encarando a tela do celular como se pudesse arrancar alguma resposta, mas nunca facilitava. Ele digitou uma resposta no story… apagou… digitou de novo.

: Você não cansa?

E, antes que pudesse repensar, enviou. Não deu nem trinta segundos.

: De você? Jamais.

Ela respondeu, como se estivesse esperando. Soltou um riso amargo e passou a mão pelos cabelos. Era tortura… loucura… típico dela.

: Se queria me deixar maluco, conseguiu.

: Só queria te lembrar do que está perdendo…

: Ou do que ainda é meu?


Ela não respondeu, o que piorou tudo. largou o celular no sofá, caminhou até a janela e encarou a vista escura do campo, os dedos tamborilando no parapeito com impaciência. Agarrou a chave do quarto antes mesmo de pensar duas vezes e saiu, subindo as escadas da pousada com passos rápidos, o coração acelerado e a mente fervendo. Não sabia o que diria, muito menos o que faria. Só sabia que precisava vê-la – ela sabia disso também. Parou diante da porta do quarto dela e hesitou, respirando fundo. O corredor estava vazio, silencioso, exceto pelo som distante do vento lá fora. Levantou a mão para bater, mas, antes que o fizesse, a porta se abriu, revelando enrolada em um robe claro, os cabelos ainda úmidos caindo pelas costas e o rosto limpo, sem maquiagem. Mas o que mais o desarmou foi o olhar: provocante, como se dissesse “demorou”, com uma centelha de surpresa mal escondida.
— Que coincidência… — ela disse, encostando-se no batente da porta com um sorriso curto. — Vem sempre aqui?
estreitou os olhos, os lábios se curvando num quase sorriso.
— Você me chamou, .
— Eu só estava tomando banho. O resto é paranoia sua.
Ele se aproximou um passo e ela não se afastou.
— Você sabe o que está fazendo — murmurou, olhando-a de cima a baixo. — Sabe que esse joguinho… esse negócio de postar foto com legenda sugestiva, responder como se estivesse esperando… isso mexe comigo.
— E você acha que eu posto pensando em você? — a cantora rebateu, baixando o tom da voz. — Não se ache tanto, .
— Ah, por favor. — Ele riu, amargo. — Cê respondeu na mesma hora que eu te mandei mensagem, como se já estivesse esperando. E eu te conheço o suficiente pra saber que você adora me deixar no limite.
o olhou por um instante, o sorriso sumindo, e se afastou do batente, deixando a porta entreaberta.
— Então entra — disse simplesmente, fazendo-o travar.
— Isso é um convite?
— É um teste. Vamos ver se você vai passar ou não…
Seus olhos brilharam. Parte sua queria ir embora, bater à porta e fingir que ainda tinha controle, mas a outra… já estava dentro do quarto. Então entrou, fechando a porta atrás de si com um clique suave, e o silêncio caiu como um cobertor pesado. caminhou até a pequena mesa do quarto e pegou uma taça de vinho, tomando um gole com calma antes de se virar de novo.
— Você tá tenso…
— E você faz isso de propósito.
— Não é culpa minha se você fica assim só com um story. — Deu um passo mais perto. — Imagina se eu postasse a parte que você mais gosta.
prendeu a respiração. Aquilo… aquilo era sacanagem.
— Cuidado, … você não sabe até onde consigo ir quando me provoca desse jeito.
— Acho que sei, sim. — Ela caminhou em direção ao banheiro com passos lentos, enquanto ele a seguia com o olhar, parou na porta e virou o rosto por cima do ombro. — Sabe qual o seu problema? Você precisa relaxar… — disse com um sorriso enviesado, fazendo sua mente o trair, desbloqueando algumas lembranças que só pioravam aquela situação. — Aqui é perfeito pra isso… água quente, vista bonita, silêncio. Dá vontade de ficar horas lá dentro.
— E você quer que eu acredite que isso não foi um convite?
— Bom, eu vou terminar meu banho — respondeu, dando um passo para dentro do banheiro. — Fique à vontade para me acompanhar, se quiser.
A porta se fechou devagar com um clique suave que pareceu gritar no quarto silencioso e soltou um palavrão baixo, passando as mãos pelo rosto. O som da água caindo se misturou com a voz dela cantarolando alguma música, enquanto um aroma leve de alguma essência adocicada escapava pela fresta da porta. Então, caminhou até a porta e apoiou a mão na madeira, hesitando por meio segundo antes de girar a maçaneta. Assim que adentrou, o vapor tomou conta do banheiro, embaçando o espelho, a luz suave refletindo nas paredes de azulejo. A fatídica banheira já estava vazia, apenas com pequenas poças de água no fundo, e do outro lado, no box de vidro embaçado, ela estava de costas, os ombros nus e o cabelo colado à pele.
— Achei que você fosse embora… — disse, sem se virar.
— Você não queria que eu fosse. — deu um passo para dentro, sentindo o chão frio contrastar com o calor do ambiente, os olhos cravados nela. — Isso não é justo… você me provoca e depois se esconde atrás da porra de uma porta como se não soubesse o que faz.
virou ligeiramente o rosto, ainda de perfil.
— E quem disse que eu tô me escondendo?
Ele se aproximou mais, parando a centímetros do vidro.
— Abre a porta, .
Ela esticou o braço e deslizou o box, revelando-se completamente. Ainda assim, a fumaça da água quente e o ângulo protegiam parte do corpo, mas não o suficiente para manter qualquer resquício de controle. Seus olhos estavam escuros e o peito subia e descia pesadamente.
— Vai só ficar aí?
Ele deu um passo adiante, agora quase dentro do box. Um silêncio pesado caiu, como se até o som da água estivesse esperando o que viria a seguir.
— Se eu entrar, não vou mais conseguir fingir que é só um jogo.
— Então para de fingir.
encarou-a por mais um segundo… e entrou, a água escorrendo por suas roupas, colando o tecido à pele, mas não parecia se importar nem por um segundo. Seus olhos estavam fixos nos dela como se finalmente tivesse se permitido cruzar a linha – como se, naquele instante, nada mais importasse além de . Ela o observava com um sorriso de canto, os olhos brilhando com desafio e desejo.
— Você vai mesmo ficar todo molhado assim? — provocou, estendendo a mão até o colarinho da camisa dele, que a puxou pela cintura.
— Isso é culpa sua… sempre foi.
O primeiro beijo veio rápido, urgente, como se todos os olhares, toques e provocações acumuladas finalmente explodissem. Sua mão enroscou no cabelo molhado de com firmeza, enquanto a dela deslizou por dentro da camisa ensopada, sentindo o calor da pele dele sob o tecido frio. O toque dos seios contra seu peito coberto pelo tecido molhado era quase torturante. Ele podia sentir o formato deles pressionando-o, cada movimento enviando um impulso de pura excitação por seu corpo. Ela puxou a camisa pela gola, impaciente.
— Tira. — Sussurrou contra os lábios dele, que obedeceu, jogando a peça no chão encharcado sem se importar. O beijo se intensificou, os corpos se colando ainda mais. percorreu com os dedos a linha do abdômen dele, descendo devagar até o cós da calça. — Isso também vai ter que sair — disse, com um sorriso provocante.
arfou, as mãos firmes na cintura dela, os olhos cravados nos seus.
— Você gosta de ter o controle, né?
— Eu gosto de ver você perder o seu — respondeu, puxando a calça dele devagar.
E ele realmente havia perdido.
O resto das roupas caiu sem cerimônia, enquanto o vapor os envolvia como uma névoa quente. Naquele momento, não havia plateia, empresa, nem joguinhos. Apenas eles, molhados, ofegantes, insaciáveis… entregues. E, no fundo, sabia que, mesmo quando achava que estava no controle… no fim, era sempre ela quem vencia.

☕️———————————☕️


O estúdio era diferente dos cenários anteriores: fechado, com iluminação mais suave, paredes escuras e detalhes em madeira, criando uma atmosfera intimista e sofisticada. Haviam velas acesas em pontos estratégicos, como se a ideia fosse trazer não só aconchego, mas algo mais pessoal. E era isso que precisava transmitir: proximidade. Ela já estava se maquiando quando entrou na sala de direção, do outro lado do vidro. Usava uma camisa preta de botões, as mangas dobradas até o antebraço, o cabelo ainda um pouco bagunçado. Não parecia ter dormido muito bem – a cantora suspeitava que era por causa dela, ou do que os dois haviam feito na noite anterior. O mais curioso? Ele tinha ido embora sem dizer uma palavra. Ela acordou sozinha, como se nada tivesse acontecido, como se tivesse sido só mais um jogo. Mas ela conhecia bem demais para acreditar nisso. Do outro lado do vidro, ele se sentou, tentando parecer focado, mas os olhos, inevitavelmente, sempre voltavam para ela. ajeitou o microfone, respirou fundo e, com a equipe já posicionada, começou a cantar um trecho escolhido de última hora, mais suave, mais cru. Sua voz encheu o estúdio como uma confissão.

“You feel like a vacation, hit me like a shot of espresso…”

Ela não o olhou diretamente, mas sabia que estava ouvindo. A música não era apenas parte da campanha. Era um lembrete… um recado. E, quando terminou, o silêncio durou um segundo a mais do que deveria.
— Corta! — disse o diretor.
Tirou os fones devagar, o olhar finalmente cruzando com o dele através do vidro, e deu um sorriso torto, como se dissesse “lembrou agora por que vai acabar voltando?” desviou o olhar por um segundo, mas ela já sabia a resposta. Então, Bernardo apareceu ao seu lado com um copo de café da marca em mãos, elogiando sua performance, próximo demais. agradeceu, jogando o cabelo para o lado, mas os olhos, por um segundo, voltaram ao CEO, que agora estava de pé.

O resto do dia seguiu com uma calma forçada, quase ensaiada, como se todos estivessem participando de uma peça silenciosa em que era o único tentando convencer a si mesmo de que nada havia mudado. Permaneceu a maior parte do tempo na sala de controle do estúdio, passando orientações pontuais, observando os takes, interagindo com os diretores de imagem e a equipe de criação… profissional, frio, contido. Mas era só entrar em cena com o sorriso provocante de sempre que ele se traía – um músculo da mandíbula saltava, os dedos tamborilavam sobre a mesa e, às vezes, sequer percebia que havia prendido a respiração. Ela parecia ter acordado ainda mais confiante depois da noite anterior. Estava elétrica, leve, dona de si e de todo o ambiente. Durante um intervalo, enquanto Bernardo comentava algo ao pé de seu ouvido, soltou uma gargalhada exagerada, só para provocar, e , do outro lado do estúdio, fingiu – muito mal, por sinal – estar entretido em uma conversa sobre paleta de cores com uma das coordenadoras.
— Essa vibe intimista realmente destaca a artista — ela disse e ele apenas assentiu em resposta, o olhar focado em qualquer ponto que não fosse o jeito como cruzava as pernas enquanto ouvia Bernardo.
A equipe voltou ao trabalho e, quando passou ao seu lado para revisar um ajuste no roteiro, ela se aproximou devagar, como se fosse só mais uma conversa casual.
— Dormiu bem, chefinho? — perguntou, com um sorriso inocente.
— Como uma pedra — respondeu seco, evitando contato visual.
— Sério? Porque eu jurei que tinha escutado você sair no meio da madrugada… quase tropeçando na porta.
encarou o tablet em mãos, tentando ignorá-la.
— Foco no trabalho, .
— Eu tô focada… — ela respondeu, dando mais um passo e encostando levemente os dedos no braço dele. — Você que parece… distraído.
a olhou por um momento longo demais e se afastou, como se fugir dela fosse sinônimo de controle. Mas sabia que, por mais que ele tentasse agir como se nada tivesse acontecido, ela era sua única distração.


O estúdio se esvaziava aos poucos. A equipe recolhia os equipamentos, os assistentes ajustavam os últimos detalhes para o dia seguinte e ainda estava no camarim, trocando de roupa e removendo a maquiagem leve que usara nas cenas mais íntimas. se manteve distante o máximo que pôde. Só que o problema de se manter longe dela era que, quanto mais tentava, mais seu corpo parecia buscá-la. Ele precisava pegar um último material esquecido na parte de figurino – disse a si mesmo, apesar de saber que era um pretexto ridículo. Mas foi o suficiente para levá-lo até onde estava, usando agora um moletom folgado demais para o seu padrão – mesmo assim ele não conseguiu desviar os olhos. Ela o viu pelo espelho e sorriu, virando-se devagar.
— Tá perdido ou só fingindo que veio fazer alguma coisa?
— Vim buscar uns arquivos da equipe de figurino.
— Achei que ia continuar fingindo que nada aconteceu ontem.
— E o que exatamente você quer que eu diga, ? — Ele franziu a testa, forçando uma postura fria, e ela deu um passo à frente, com a calma de quem sabia exatamente o efeito que causava.
— Nada… só achei que, depois de tudo, você ao menos conseguiria me olhar nos olhos sem parecer que vai fugir a qualquer segundo.
— Não tô fugindo. Só… focando no trabalho.
— Ah, claro. Porque “trabalho” é o que você pensou quando me viu naquela banheira, né? Quando me viu tomando banho ontem… — Aproximou-se ainda mais, até quase roçar o peito dele. — Você pensou em planilhas, briefings, café...
— Para de brincar com isso, . — Ele cerrou os punhos, tentando manter a expressão neutra.
— Isso? Isso o quê, ? O que a gente tem? O que aconteceu no banheiro? Porque pra mim… — Ela se inclinou no ouvido dele. — Aquilo não parecia brincadeira.
sabia que se abrisse a boca, diria o que não devia, então achou melhor não responder. olhou em seus olhos mais uma vez antes de voltar a encarar o espelho, como se não tivesse acabado de incendiar o ambiente com meia dúzia de palavras, e ele saiu, sentindo a presença dela o seguir, como sempre.


estava jogada na cama do hotel em que havia sido realocada pela equipe da Estratégia com o celular em mãos, passando pelos stories dos amigos, atualizações aleatórias e memes de moda que sempre apareciam no seu feed. A gravação no estúdio tinha sido intensa, mas o que realmente a esgotava era a tensão constante com e o fato dele agir como se nada tivesse acontecido entre os dois. Foi quando rolou mais um pouco a tela e se deparou com um post de uma página de fofocas:

– o CEO desejado por todas – foi visto com novo affair em restaurante conceituado de São-Paulo.
O empresário parecia à vontade com uma loira misteriosa, com quem dividiu taças de vinho e sorrisos discretos.
Quem será a nova sortuda?


A cantora bufou e voltou um riso seco enquanto clicava para ver a foto borrada de com uma mulher. Ela estava com o celular em mãos, sorriso perfeito, cabelo arrumado na medida certa… impecável… entediante. O tipo exato que ele sempre escolhia.
— Claro… mais uma boneca Barbie na lista. — Revirou os olhos e travou a tela do celular, jogando o objeto de lado, como se aquele simples gesto pudesse impedir o que crescia em seu peito.
Não sentia ciúmes, mas achava… engraçado ver como ele ainda tentava manter essa ilusão de que mulheres como aquela eram o tipo certo. Como se repetir o padrão fosse ajudá-lo a esquecer o efeito que causava nele… como se fingir que podia viver longe de fosse apagar o jeito como tremia quando ela o tocava… o jeito como perdia o fôlego só de sentir seu cheiro. Ela sabia do poder que tinha sobre e que, por mais que ele corresse para os braços das “certinhas”, era nela que pensava quando as beijava… era com ela que ele sonhava. Porque absolutamente ninguém conseguia fazer com que perdesse o controle como ela fazia. E o mais irônico de tudo? Ele sabia disso também.
Voltou a pegar o celular, a curiosidade vencendo antes do orgulho, e clicou no perfil dele, que – como se adivinhasse que ela estaria fuçando – tinha postado uma foto no espelho, clássica e simples, mas impecável – a camisa social escura perfeitamente ajustada ao corpo, a calça alinhada, o relógio caro refletindo discretamente a luz do banheiro luxuoso do apartamento que ela conhecia bem. O rosto sério, a mandíbula travada e o olhar direto na lente só reafirmavam um fato: ele estava absolutamente (irritantemente) gostoso.

Foto de perfil
Descrição da imagem
Depois de um dia de trabalho…
Ela ficou encarando por tempo demais – o suficiente para se odiar um pouco por isso. sabia que era bonito, sabia o efeito que causava, mas sempre agia como se o controle estivesse ao seu lado. Ainda assim, era ele quem vivia correndo atrás… quem aparecia quando ela menos esperava – e mais queria… quem a seguia até o camarim… quem arrumava desculpas para estar por perto, mesmo jurando que “estava conhecendo alguém novo”.
Foi até a câmera. Cabelo molhado, ainda levemente ondulado, maquiagem levemente borrada ao redor dos olhos e uma camisa grande dos Foo Fighters, que deixava o ombro exposto e que iria reconhecer muito bem. Então, postou no feed e se jogou de volta na cama.

Foto de perfil
Descrição da imagem
pós-banho 🥱
Segundos depois, o celular vibrou sobre o travesseiro e várias notificações começaram a iluminar a tela escura. Ela só prestou atenção em uma:

@ enviou uma mensagem privada.

Mordeu o canto do lábio, o coração acelerando com uma mistura irritante de antecipação e triunfo, e deslizou o dedo na tela devagar, quase como se saboreasse o momento. A mensagem era curta:

: Bela blusa.

Era a banda favorita dele. definitivamente sabia e exatamente por isso tinha escolhido aquela blusa – e por ter saído da casa dele uma vez sem devolvê-la. Digitou sem pensar:

: Gostou? Foi um presente de alguém com muito bom gosto.

: Não lembro de ter te dado uma das minhas camisas favoritas de bom grado.

: Você me deu várias coisas de bom grado naquela noite.
: A blusa veio como um brinde.

: Tá querendo me enlouquecer?

: Só tô me secando do banho😇

: Você é impossível.

: E você, previsível…
: Aparece quando eu quero.

: Sempre sabe quando me chamar, sem dizer uma palavra.

: Dorme bem, .


Só para ver se ele conseguiria. Aquele definitivamente era o jogo dos dois: insinuações, mensagens tardias, provocações e desejos nunca saciados o suficiente. Ele resistia, ela provocava; ele tentava manter o controle, ela o puxava pra perto com meia frase. E o mais engraçado era que, por mais que jurasse que ela o deixava maluco, também se sentia assim. Só que nunca deixava transparecer – não primeiro. Colocou o celular de lado, desligou a luz e se afundou no travesseiro, mas o sorriso no rosto ainda estava intacto.

☕️———————————☕️


O salão estava impecável. Lustres pendiam do teto com cristais que refletiam as luzes quentes, criando um brilho dourado suave em cada canto. Mesas de madeira escura contrastavam com arranjos de flores em tons terrosos e xícaras ornamentadas com a logo da marca de café. No fundo, uma banda tocava alguns instrumentais de músicas famosas, criando uma atmosfera elegante e envolvente. chegou em grande estilo, como sempre – um vestido preto de seda que abraçava suas curvas com perfeição, uma fenda que revelava parte da perna com cada passo e um batom vermelho que parecia ter sido escolhido a dedo para provocar. Caminhava com a confiança de quem sabia o efeito que causava. Foi recepcionada por um dos diretores da marca, tirou algumas fotos para a imprensa e cruzou o salão com uma taça de espumante na mão, cumprimentando alguns convidados conhecidos. Ela estava ocupada demais observando a decoração para notar quando entrou, mas ao se virar para olhar em direção à entrada principal seus olhos o encontraram. E, como sempre, ele estava impecável – terno preto bem ajustado, camisa social aberta no colarinho, cabelo perfeitamente desalinhado e um olhar que misturava tédio e desejo. Ao lado dele, vinha uma mulher loira, alta, com um vestido simples e elegante. O tipo de mulher que qualquer mãe aprovaria – e que ela sempre achava sem graça. Com um sorriso de canto, virou-se para o garçom que passava:
— Me vê algo mais forte? — pediu, os olhos ainda fixos na entrada.
, por sua vez, circulava pelo salão com seu habitual charme contido. Ao seu lado, Camila sorria, gentil, educada, o tipo de companhia que agradava a investidores e repórteres. A cada novo aperto de mão ou elogio sobre a campanha, ele acenava com um sorriso polido, fingindo estar super interessado no assunto, mas seus olhos varriam o ambiente, procurando algo – ou melhor, alguém.

E então viu .

Era impossível não notá-la. Impossível não se perder naquela imagem. pigarreou, ajeitou o colarinho da camisa e, como se fosse movido por impulso – ou provocação –, guiou Camila em sua direção.
… — disse ao se aproximar, o tom perfeitamente – quase – neutro. — Que bom te ver.
… — Ela desceu o olhar lentamente pelo corpo dele, sem pressa. — Sempre um prazer… visual.
— Oi! Sou a Camila. — A moça estendeu a mão, simpática. — É um prazer finalmente conhecer você. fala bastante sobre o projeto.
retribuiu o gesto, mantendo o olhar no CEO.
— Que fofo. Ele realmente sabe ser um homem de negócios.
arqueou uma sobrancelha e Camila, alheia a troca de farpas secreta dos dois, sorriu.
— A campanha está incrível. Sua performance nos teasers está maravilhosa, .
— Ah, obrigada. Faço o possível pra causar um impacto — ela respondeu com um sorriso sugestivo que o fez limpar a garganta.
Nesse momento, um fotógrafo da imprensa se aproximou.
! ! Vocês podem vir aqui um instante para algumas fotos da campanha?
Camila se afastou educadamente e os dois assentiram, seguindo lado a lado e se posicionando em frente às câmeras. Mas, à medida que os flashes aumentavam, a distância segura que haviam estabelecido no começo diminuía, um toque leve no braço acontecia aqui, um sussurro quase inaudível ali.
— Sua acompanhante é encantadora… — disse, entre sorrisos. — Você tem mesmo um tipo.
— E você ainda se diverte com isso.
— Sempre — respondeu, inclinando-se levemente para que os ombros se encostassem. — Principalmente quando você finge que não liga.
O fotógrafo capturou o momento exato em que os olhares dos dois se cruzaram, intensos e íntimos. Depois, sugeriu que se aproximassem mais, para “mostrar a química da campanha”. A cantora obedeceu sem hesitar, deslizando o braço pelo de até que seus corpos quase se tocassem. Seu perfume subiu de leve, doce e quente, o suficiente para confundir os sentidos dele.
— Cê tá um pouco tenso… — sussurrou, o olhar ainda fixo nas câmeras. — Será que é o flash… ou a minha presença?
O CEO sorriu sem mostrar os dentes – o sorriso que usava quando estava por um fio.
— Acho que é o café da campanha. Me deixa agitado.
soltou uma risadinha baixa e provocante, virando levemente o rosto em direção ao dele, como se fosse beijar sua bochecha, mas parando milímetros antes.
— Jura que é só o café?
não respondeu de imediato, passeando os olhos pelo rosto dela, demorando nos lábios e, finalmente, encarando seus olhos.
— Você sabe exatamente o que está fazendo, né?
— Sei… e adoro ver você tentando resistir.
Ele mordeu levemente o interior da bochecha e desviou o olhar, tentando manter o controle a qualquer custo.
— Uma hora você vai passar do ponto e cruzar a linha errada.
— E você vai fazer o quê? Me punir? — O clique da câmera os fez se afastar um pouco, apenas o bastante para disfarçar que havia algo ali prestes a explodir. se recompôs, voltando à pose mais formal, enquanto continuava com o mesmo sorriso malicioso nos lábios. — A propósito, adorei a Camila. Ela parece tão calma… equilibrada. Tudo que você precisa — soltou, com uma voz doce demais para ser inocente.
— Você continua achando que sabe o que eu preciso.
— Ah, , eu não acho… eu sei. — Ela virou para sair assim que o fotógrafo anunciou o fim das fotos, mas, antes de dar o primeiro passo, olhou por cima do ombro, os olhos faiscando. — E acho que você também sabe.
ficou ali, parado por alguns segundos, os dedos cerrando-se discretamente ao lado do corpo. Nada nela era sutil, mas o que despertava nele? Era quase cruel.
A música ambiente havia mudado para algo mais suave, um jazz moderno que preenchia o salão com uma aura de sofisticação. estava perto do balcão, bebericando o vinho enquanto conversava com uma das influenciadoras convidadas. Seus olhos, porém, desviavam de vez em quando para a pista de dança – e para , que conversava com um executivo da empresa, com Camila pendurada no braço como se fosse parte do figurino. Foi quando Bernardo surgiu ao seu lado com o sorriso confiante de sempre.
— Sabe que ainda não te vi dançar hoje? — Ofereceu a mão à cantora, que ergueu uma sobrancelha, sem esconder o tom irônico.
— E você acha inaceitável, é isso?
— Inaceitável e trágico. A estrela da campanha precisa brilhar em todos os sentidos.
Ela riu, jogando o cabelo para o lado e lançando um olhar rápido em direção a , que, como esperado, a observava discretamente.
— Tudo bem… mas só se você me acompanhar direito, senhor representante da marca.
— Prometo que danço melhor do que pareço.
Bernardo a guiou para o centro da pista, segurando sua cintura com cuidado demais, como se ela fosse uma peça de porcelana. observava de longe as luzes suaves lançando reflexos dourados em seu vestido a mão fechada em um copo que já havia esvaziado fazia minutos. Tentava se manter no controle, ouvir a conversa ao seu redor, mas seus olhos não desgrudavam da maneira como sorria – especialmente quando ela lançava sorrisos que claramente não eram para Bernardo. A cada volta mais próxima do canto onde o empresário estava, ela virava um pouco o rosto, apenas o suficiente para que seus olhares se encontrassem – um jogo antigo, que ela sabia jogar muito bem.
— Você dança bem, . Quase me convence de que está se divertindo de verdade — o representante comentou, os olhos colando nos dela.
— Quem disse que eu não estou?
— Não sei… sua cabeça parece em outro lugar.
Ela sorriu, inclinando um pouco mais para perto, como se fosse contar um segredo.
— Talvez esteja mesmo. — Se preparou para o grand finale, rodando e parando com o olhar fixo em assim que a música terminou.
Um tempo depois, as luzes do salão se ajustaram, diminuindo aos poucos até que apenas o centro do palco fosse iluminado por um único feixe de luz suave. Um microfone elegante estava posicionado ali e a plateia se virou quase em uníssono quando o apresentador anunciou a atração principal da noite.
— Senhoras e senhores… com vocês, a estrela da campanha, !
Os aplausos ecoaram pelo salão, mas nem percebeu estar batendo palmas, o olhar cravado na mulher que se posicionava no centro, segurando o microfone com a familiaridade de quem havia nascido para aquilo. O problema era que nada sobre era simples. Era impossível não sentir quando ela estava por perto. Ela não era só bonita… era magnetismo puro… era presença. A música que começou a tocar era mais lenta e sensual, e ela não precisava se esforçar, sua voz preenchia o espaço com naturalidade. Seu olhar vagou com calma pelos convidados, até pousar em , sentado ao lado de Camila, que tentava dizer algo sobre a decoração do palco, mas percebeu que ele não a escutava. Não havia espaço para mais nada nos olhos dele além de . A primeira música terminou em aplausos calorosos, mas a cantora nem esperou muito antes de emendar com uma mais animada. O ritmo subiu, as luzes ficaram mais quentes e ela abandonou o microfone no pedestal, levando-o consigo enquanto começava a circular pelo salão. Girava, estendia a mão para cumprimentar algumas pessoas, fazia brincadeiras com convidados aleatórios. A certa altura, passou por , tão perto que o perfume doce e cafeinado invadiu seus sentidos como uma lembrança – ou uma tentação. não o olhou diretamente, não precisava. Sabia que ele estava assistindo e se contorcendo por dentro.
? — Camila finalmente pareceu notar, encarando-o de lado com o cenho franzido.
Mas seus olhos continuavam fixos em , como se cada nota da música prendesse um pouco mais da sanidade dele. No último verso, ela voltou para o palco com um rodopio perfeito e jogou um beijo no ar. O salão explodiu em aplausos e recostou na cadeira, a mandíbula tensa, os dedos batendo contra o joelho com impaciência. Assim que deixou o palco, com os aplausos ainda enchendo o salão, ela foi recebida por alguns produtores da marca, que a parabenizaram pelo desempenho. Mas, entre cumprimentos e flashes, seu olhar buscou – e encontrou – , parado mais ao fundo com Camila ao lado, visivelmente desconfortável. sorriu, tranquila, como se não tivesse acabado de incendiar o ambiente com sua performance, pegou uma taça de espumante de uma bandeja e caminhou entre os convidados, como se estivesse em casa. Ele, por outro lado, estava lutando contra os próprios impulsos.
— Você tá bem? — Camila perguntou, forçando uma risada. — Tá bem distraído desde que ela apareceu.
— O quê? — franziu o cenho, tentando parecer surpreso. — Tô só pensando no cronograma da semana.
A mulher riu de forma seca, descrente, mas, antes que a conversa pudesse continuar, já estava na frente dos dois.
— Camila, eu esqueci de falar que amei o seu vestido. Achei super delicado.
— Obrigada, . — Ela forçou um sorriso de volta. — Sua apresentação foi… energética.
— Ah, eu gosto de colocar o público pra sentir comigo. — Virou-se para . — E aí, gostou da música?

Foi escolhida exatamente para você…

— A campanha é sobre café, não sobre… provocação.
Ela soltou uma risada baixa, inclinando-se levemente em sua direção.
— Ué, mas café também é quente, intenso… vicia.
Camila olhou de um para o outro e o silêncio que se instalou por um segundo disse tudo o que precisava ouvir. então pigarreou, tentando se recompor.
, será que a gente pode conversar um minuto? A sós?
— Claro, chefinho.
Os dois se afastaram até um canto mais reservado do salão e ele virou para encará-la, o maxilar travado.
— Você precisa parar com isso. Aqui não é o lugar pra esse tipo de coisa.
— Que tipo de coisa, ? Cantar? Dançar? Ser adorável? — Ela deu um passo mais perto.
— Provocar… — hesitou. O cheiro, a proximidade e a lembrança da noite anterior fizeram tudo o que queria dizer desaparecer de sua mente. — Porque, só pra deixar claro, não vai funcionar. Eu tô tentando…
— Ser o cara certo? Ficar com a garota certa? — Ela arqueou uma sobrancelha. — A Camila sabe que você foi correndo para o meu quarto um dia depois de jantar…
— Para com isso, . — a encarou, irritado, mas ela deu um sorriso quase carinhoso.
— Você quer que eu pare… ou só quer que eu pare na frente dela? Porque, quando estávamos nós dois no chuveiro e depois na minha cama, você não queria que eu parasse. Muito pelo contrário, você mandou eu rebolar mais rápido. — Ele não respondeu… e aquilo foi tudo o que ela precisava ouvir. — Vai voltar pra ela agora? Fingir que nada disso importa? — a olhou nos olhos por um longo instante. Qualquer tentativa de fuga era inútil. Ela o conhecia bem demais e sabia que ele estava se segurando por um fio. Então, se aproximou mais, encostando os lábios perto do ouvido dele. — Mas, como eu sou boazinha, vou te dar um descanso… por agora. — E saiu, deixando-o sozinho com a própria confusão e com Camila, que agora o observava de longe com uma expressão de quem não precisava de muitas palavras para entender o que estava acontecendo.
O salão já estava mais vazio quando pegou sua bolsa no camarim. A música agora era mais baixa e os últimos convidados se despediam aos poucos. Estava prestes a sair quando Bernardo apareceu ao lado, sorrindo com aquele ar confiante que ele nunca perdia.
— Quer uma carona até o hotel? — perguntou, casual, como se não tivesse passado metade da noite tentando mais do que apenas levá-la pra casa.
hesitou por um segundo, os olhos varrendo o salão em busca de um certo alguém. ainda estava ali, encostado no bar com um copo na mão e a expressão carregada. Camila havia ido embora minutos antes, depois de uma série de pedidos de desculpas sussurrados que ele mal conseguiu completar. havia notado o jeito que a moça saiu – sem graça, insegura e desconfiada. E ? Bom, agora a encarava como se cada escolha que ela fizesse fosse uma afronta pessoal.
— Tudo bem, aceito. — Sorriu para o representante.
Do outro lado, fechou os olhos por um segundo, frustrado.

Ótimo.

Quando os dois passaram ao seu lado, nem se deu ao trabalho de disfarçar o olhar. Ela estava sorrindo, dizendo alguma piadinha para Bernardo, mas os olhos estavam cravados nele. A porta se fechou atrás dos dois e ele ficou ali, parado, remoendo cada maldita emoção. A raiva latejava sob a pele… raiva por sempre acabar naquele ponto… por nunca conseguir seguir em frente… por desejar alguém que o tirava do eixo com um único olhar. Ela era exatamente como o maldito café daquela campanha: quente, viciante, perigosa. E, por mais que ele soubesse que deveria parar e que precisava se afastar, não conseguia. Nunca conseguiu.
Já no carro, recostou a cabeça no vidro, o olhar perdido na paisagem noturna de São Paulo, alheia a todo que Bernardo tentava puxar. Pegou o celular e abriu o Instagram. havia visualizado todos os stories. E ela sorriu – um daqueles que sempre escapava quando o assunto era ele, por mais que tentasse esconder. O representante estacionou na frente do hotel e se virou em sua direção, mas, antes que pudesse falar algo, ela já estava abrindo a porta.
— Boa noite, Bernardo. E obrigada pela carona.
— Vai dormir já? — Ele tentou, sorrindo de lado. — Podíamos subir e conversar mais um pouco.
— Acho que já conversei bastante por hoje. — Sorriu, gentil, e ele suspirou.
— Certo. Até depois, então.
Ela acenou e entrou no hotel, os saltos ecoando pelo saguão. Assim que chegou no quarto, jogou a bolsa no sofá e pegou o celular de novo. Abriu a câmera, tirou uma foto no espelho, sexy, mas discreta – exatamente no tom que ela sabia que o deixava maluco – e postou no feed.

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cheirinho de café ☕
Ainda no local da festa, , que havia jurado ignorá-la pelo resto da noite, recebeu a notificação assim que entrou no carro e, é claro, abriu. O veículo seguia devagar pelas ruas da cidade, mas ele mal registrava o caminho, os olhos fixos no celular, onde a foto recém-postada de ainda brilhava na tela. Deslizou o dedo para o lado, assistindo de novo… e de novo. Ela sabia exatamente como provocar, como se infiltrar nos pensamentos dele mesmo sem estar por perto. Passou a mão no rosto, irritado com a própria reação. Estava exausto, tenso, ainda sentindo o peso do olhar de Camila quando percebeu que ele não conseguia tirar os olhos de – porque não conseguia mesmo. Ela cantava e o mundo inteiro sumia… o provocava com gestos, com sorrisos, com palavras que ninguém mais percebia serem dardos bem mirados. encarou o celular pela centésima vez naquele minuto, a foto ainda ali, como um veneno doce que ele fazia questão de consumir de novo e de novo. Ela era um enigma cruel e ele sempre foi péssimo em resistir a enigmas assim. Por um segundo, considerou mandar o motorista mudar a rota até a casa dele e parar no hotel, subir até o quarto dela e dizer tudo o que estava preso na garganta – ou, talvez, nem dizer nada, só entrar e acabar com aquilo da única maneira que eles sabiam. Mas respirou fundo, fechou os olhos por um instante e jogou o celular no banco ao lado, tentando retomar o controle que sempre perdia quando se tratava dela.

Claro que ele não iria… talvez não fosse… talvez.

— Mude a rota — disse de repente para o motorista, a voz seca, urgente.
— Senhor? — O homem olhou pelo retrovisor.
Ele não pensou, só agiu. O peito apertado, o maxilar travado e a mente martelando uma única possibilidade: Bernardo.
— Mude a rota para esse hotel aqui. Agora. — Mostrou a localização no celular e o motorista apenas assentiu, seguindo para fazer o retorno. Quando estacionou em frente ao hotel, seu coração disparou ao ver o carro de Bernardo parado ali. — Filho da puta.
Saiu do carro antes mesmo que parasse completamente, os passos apressados, quase uma corrida, até o elevador, que parecia demorar uma eternidade, e então o corredor silencioso do andar dela. Prendeu a respiração ao parar diante da porta e bateu forte… de novo… e de novo – mais desesperado do que gostaria. Ele estava prestes a bater novamente quando abriu a porta, os olhos ainda com o delineado intacto, o batom só um pouco apagado e o vestido colado no corpo, tão provocante quanto horas atrás, como se tivesse saído do evento há minutos.
— Tudo bem, ? — O olhou com uma sobrancelha arqueada, como se não estivesse surpresa.
Ele não respondeu de imediato, os olhos correndo por ela, depois pelo quarto. Não havia nenhum sinal de Bernardo… nenhum paletó jogado na cadeira, copo de uísque, ou sapato masculino no canto do quarto. Mesmo assim, não relaxou.
— Você tá sozinha?
— Esperava outra coisa? — encostou o corpo na porta, cruzando os braços.
passou a língua pelos lábios, inquieto, olhando para dentro de novo.
— O carro dele ainda tá lá embaixo.
Ela sorriu, devagar, como se estivesse se divertindo com o caos interno que ele tentava esconder.
— Bernardo subiu só pra deixar o sobretudo que eu tinha esquecido no carro. Foi embora quase agora. Mas que gracinha, … você veio me salvar? — Ele não respondeu. Estava ocupado demais tentando não invadir o quarto de uma vez. — Você sempre se convence de que eu sou o problema, mas é você quem corre atrás de mim no meio da noite — ela provocou, abaixando um pouco a voz, mais macia, mais cortante. — Vai continuar parado aí?
a olhou por mais um segundo. Ele odiava que ela tivesse esse poder, mas odiava mais ainda que ela soubesse disso.
— Não sei… você vai me deixar entrar?
— E o que vai fazer se eu deixar? — inclinou levemente a cabeça, como se o analisasse, e os olhos dele se cravaram nos dela, quentes, incontroláveis.
— Tudo o que eu fiquei evitando desde que te vi nesse maldito vestido.
— Então entra.
Assim que cruzou a porta, a fechou atrás dele com calma. O quarto estava envolto em uma penumbra quente, a luz suave do abajur destacando as curvas de seu corpo. Ele deu um passo à frente, depois outro, e ela não recuou, como se soubesse exatamente o que estava prestes a acontecer.
— Você tem ideia do que eu passei desde que te vi dançando com aquele babaca? — rosnou, a voz mais baixa do que um sussurro.
— Foi só uma dança — ela provocou, erguendo o queixo. — Ou você achou que era mais?
— Você sabe que era mais. Tudo com você é mais.
Antes que pudesse responder, a puxou pela cintura com força e colou a boca na dela sem qualquer hesitação. O beijo foi bruto, urgente, como se o mundo inteiro pudesse desabar e ele ainda assim preferisse morrer ali, afogado nela. correspondeu com a mesma intensidade, os dedos agarrando a gola de sua camisa impecável, desfazendo os botões com pressa, quase raiva. Ele gemeu baixo quando sentiu as unhas arranhando seu peito e deslizou o vestido pelos ombros dela, descendo pelo corpo, até cair no chão.
— Você me deixa louco — murmurou contra a pele do pescoço dela, enquanto a encurralava contra a parede. — Você me destrói,
— Então me destrói de volta.
Os corpos colidiram como se precisassem daquilo para respirar. a ergueu com facilidade, as costas dela batendo levemente contra a parede enquanto ele tomava posse dela mais uma vez, como se não tivesse escolha, como se ela fosse a única coisa que ele precisava.
— Eu preciso de você. — As palavras soavam mais como um pedido desesperado do que um comando, mas sabia que era verdade. Podia sentir pela maneira como a tocava.
Ele a pressionou com mais força contra a parede, enquanto a boca continuava a deslizar pelo pescoço dela, mordiscando, chupando e beijando. As mãos passearam pela pele sensível das coxas da mulher, levantando-a ainda mais para que ela pudesse apoiar as pernas em volta de sua cintura. Em um movimento suave, ele conseguiu pegar o fecho do sutiã, deslizando para baixo e deixando-a ainda mais exposta.
— Gostosa… — soltou entre os beijos no pescoço, descendo os lábios para o colo dela.
Enquanto explorava um dos seios com a boca, a mão deslizou pelo corpo dela, até encontrar o outro, acariciando com ternura a pele sensível. Ela podia sentir o quão necessitado ele estava, cada toque carregando uma urgência, uma necessidade que parecia incontrolável.
… eu preciso de você… agora… — falou com a voz abafada e ele atendeu imediatamente o pedido, soltando-a e vasculhando os bolsos da calça.
Pegou com certa urgência uma camisinha em sua carteira e voltou a atenção para a cantora novamente, que já estava deitada na cama, completamente despida, o que só aumentou ainda mais o desejo que sentia. Se desvencilhou das roupas restantes rapidamente, enquanto ia para a cama, encarando-a com um olhar selvagem. Em segundos, já estava em cima dela, com os olhos escuros pelo desejo.
— Eu não vou ser devagar… — disse, enquanto colocava a camisinha, e voltou a distribuir beijos pelo corpo dela novamente, parando ao mordiscar o lóbulo da orelha, antes de murmurar com a voz rouca: — … não consigo ser, quando se trata de você.
— Eu não quero que seja… — respondeu, o olhar pegando fogo.
Depois de ouvir aquelas palavras, encaixou o membro na intimidade dela, começando com movimentos constantes e profundos. Sem preliminares. A sensação de estar dentro daquela mulher era como se finalmente estivesse em casa. Enterrou o rosto no pescoço dela, mordendo e beijando a pele quente, e o nome dela saiu de sua boca como se fosse uma reza, o único som que ele era capaz de formular naquele momento.
estava extasiada. Só ele sabia como deixá-la assim, entregue. A maneira como conhecia o seu corpo, como sabia exatamente o que fazer para provocar aquelas reações nela, era inebriante. Mas ela também conhecia o corpo dele como ninguém e sabia que, por mais que amasse estar no controle, não resistia quando ela assumia. E assim o fez, invertendo as posições e ficando por cima dele, ouvindo um grunhido como protesto – apesar de ter percebido o sorriso de canto que se formou nos lábios do homem.
— Qual é… — ele reclamou com a voz ofegante, mas claramente não fez nenhum esforço para retomar o controle – sempre adorou aquela visão. Arqueou as costas e suas mãos foram até o quadril da mulher, acariciando suavemente a pele macia, enquanto ela assumia o ritmo e o controlava exatamente como queria. — Você sempre tem que estar no controle, não é? — Suas mãos subiram pelo corpo dela com familiaridade, até chegarem aos seios, apertando-os com um gesto possessivo.
continuava se movendo, as mãos apoiadas no tronco dele, guiando o próprio corpo com precisão e sabendo exatamente o que precisava para provocá-lo ainda mais e o deixar à beira do limite. Amava ter o poder de fazê-lo se entregar completamente quando estavam assim, como se fosse a única coisa que queria, que precisava. Ela podia ver a adoração em seus olhos, a maneira que ele a olhava como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Diminuiu o ritmo por um momento, apenas para provocá-lo, percebendo que ele apertou mais os dedos em sua cintura, como se quisesse que ela fosse mais rápido novamente. Mas, em vez disso, continuou o movimento ritmado, aumentando a pressão só o suficiente para mantê-lo próximo à beira, mas não chegando ao limite. Podia senti-lo estremecendo embaixo dela. Era quase glorioso, ver como ficava vulnerável daquela maneira.
— Me diz… a Camila te faz ficar assim? Alguma delas já te fez ficar assim? — provocou com a voz baixa ao se inclinar perto do ouvido dele, suas palavras carregadas de possessividade o atingindo como um golpe.
apertou as mãos, os dedos afundando em sua cintura, como se quisesse mantê-la ainda mais próximo.
— Nenhuma delas.
diminuiu mais os movimentos, fazendo-o grunhir novamente. Chegava a ser irritante a maneira que ela era tão perita na arte de desarmá-lo com um simples gesto, mas ele não podia negar que adorava isso.
— Só eu te faço ficar assim… fala pra mim. — Lambeu o lóbulo de sua orelha e ele jurou que poderia gozar só com aquilo.
— Só você…
— Você é meu, . — A maneira como ela ronronou aquelas palavras contra seu ouvido foi o suficiente para enviar ondas de prazer pelo corpo do homem.
— Eu sou seu. — deu um sorriso satisfeito, voltando a aumentar o ritmo, e ele sentiu um alívio imediato. — Caralho… — gemeu entre dentes, quase desesperadamente. — Você… vai me matar. — Suas mãos correram novamente para o quadril dela, apertando-o com um toque possessivo enquanto ele se entregava completamente, tentando conter os gemidos, mas a maneira que ela se movia como se conhecesse cada ponto sensível, fazia-o esquecer qualquer tentativa. — … — murmurou com a voz rouca, quase como uma súplica.
— O quê? — ela perguntou, a voz surpreendentemente angelical em meio a tudo aquilo.
— Eu vou… — Aquilo foi o suficiente para ela entender.
Sorriu e acelerou os movimentos, aumentando ainda mais a intensidade dos prazeres que o percorriam e vendo em cada linha de seu rosto o quão próximo ele estava do limite, assim como ela.
— Está quase lá, amor? — perguntou de forma doce, quase inocente, apesar de saber exatamente o que estava fazendo ao provocá-lo.
Ela controlava tudo e aquilo era extremamente frustrante. A maneira como ele se entregava, o quão vulnerável estava… era quase insuportavelmente satisfatório. Ainda assim, por algum motivo, ele amava a sensação de depender completamente dela.
— Sim… — O jeito que a olhou com desejo, como se qualquer outra palavra que ele tentasse dizer fosse falhar, a fazia se sentir poderosa.
aumentou o ritmo novamente, sabendo que não levaria muito para que ele chegasse ao limite. Ela estava tão entregue quanto ele, não sendo capaz de controlar os gemidos que saíam de sua boca, o que despertou algo selvagem dentro de . Então, com um movimento súbito, inverteu suas posições novamente, colocando-a abaixo dele e inclinando-se mais próximo, colando os corpos novamente.
— Você é minha.
— Eu sou… sou sua. — sentiu quando o corpo de estremeceu com o limite e continuou se movendo, querendo prolongar aquele momento e levá-la além do extremo. — … — O som de seu nome saindo dos lábios dela em meio aos gemidos era extremamente sensual.
O orgasmo o atingiu como uma onda de puro êxtase, fazendo seu corpo estremecer, mas ele estava completamente dominado pelo desejo de prolongar aquele momento o máximo que pudesse.
… — murmurou, a voz rouca, enquanto continuava se movendo contra ela. — Eu sou viciado em você…
Depois de um tempo, os movimentos diminuíram, até finalmente pararem. permaneceu apoiado sobre ela, com a respiração ofegante, enquanto sentia a exaustão tomar conta, e estava embaixo dele, com a pele avermelhada e os olhos brilhando de satisfação. Passaram-se alguns longos instantes, enquanto se recuperavam naquela mesma posição, até finalmente se mover, deitando ao lado de , que estava com os lençóis puxados até a cintura, o cabelo bagunçado e a pele ainda quente. Ele apoiou um braço por trás da cabeça, encarando o teto como se procurasse respostas que já sabia.
— Você vai sair correndo de novo? — ela perguntou com a voz arrastada, quase preguiçosa, mas o olhar que lançou para ele era puro veneno.
soltou uma risada curta, cínica.
— Você quer que eu fique?
deu de ombros, os dedos deslizando distraidamente pelo peito dele.
— Eu só quero ver até onde vai o seu autoengano. Você vive tentando me apagar, mas sempre volta… igual agora.
— Você não faz ideia do que é tentar te esquecer. — Os olhos encontraram os dela. — Cada vez que eu tento seguir em frente, você aparece… com alguma provocação, algum olhar, alguma porra de story deitada numa banheira.
Ela soltou risada leve, quase satisfeita.
— A culpa não é minha se você tem zero autocontrole.
— A culpa é sua por se aproveitar disso. — ergueu a mão e segurou o queixo dela com os dedos, o toque firme, mas delicado. — Você é um vício desgraçado, igual ao café dessa campanha… eu sei que não deveria, sei que vai me destruir… mas ainda assim, eu sempre volto.
Ele se inclinou, colando a testa na dela, os olhos se fechando por um segundo, como se, por um momento, desejasse que aquilo fosse simples… que ela fosse simples.
— Então volta… — respondeu, quase sem voz, os lábios a um milímetro dos dele. — Mas não reclama da ressaca.
E então a beijou de novo, sem planos, sem garantias. Só a certeza do agora, da pele quente, do gosto dela ainda em sua boca.

Porque, no fim das contas, era inevitável. sempre voltava para .

Sempre.

FIM!

Nota da autora: Quando eu peguei essa música não fazia ideia do que fazer. Mas, depois de pensar (MUITO), consegui criar o plot e o casal perfeito. Espero que vocês concordem comigo e gostem da dinâmica dos dois, porque com certeza vai ter mais coisa deles futuramente. Só uma palavra: aguardem!