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Autora Independente do Cosmos ✨
Concluída ✅


prólogo


"CONFLITOS NOS BASTIDORES DE ANIMAIS FANTÁSTICOS? FONTE ANÔNIMA REVELA QUE O CLIMA ESQUENTOU ENTRE O ATOR CALLUM TURNER E UMA FUNCIONÁRIA — E NÃO FOI DE UM JEITO BOM"


— Quem é ela?
A temida pergunta veio. estreitou os olhos e se considerou no direito de soltar um suspiro longo, muito longo mesmo, até seus ombros caírem murchando pouco a pouco depois de ouvir o título da matéria tendenciosa daquele tablóide ridículo ecoar em voz alta por sua melhor amiga. E agora Theodora estava com aquele sorriso no rosto, um que dizia a ele que não ia adiantar escapar de todas as perguntas que ela pretendia fazer a respeito. Ela ia querer saber tudo.
— Achei que você não acreditasse nos tablóides — ele optou por responder, pegando um atalho para ganhar tempo.
Theo deu de ombros e cortou um pouco da carne no seu prato, os dois sentados um de frente para o outro. Estavam almoçando juntos, finalmente tendo conseguido tempo entre seus horários para reservar uma mesa em um restaurante mais ao sul da cidade, que costumava ser bem mais tranquilo para receber pessoas famosas.
— E não acredito — ela respondeu, levando o garfo à boca, saboreando o bife. — Mas eu te conheço o suficiente para saber que tem um fundo de verdade, então, quem é ela?
Dessa vez, ele bufou e pegou seu copo de vinho, bebendo um gole. Não, dois. Dois eram suficientes para começar.
— Como está o Ben? — ele tentou enrolar. Em vão.
.
O ator inglês revirou os olhos e finalmente se rendeu.
— É só… alguém — ele respondeu. — Quem quer que seja essa fonte anônima, exagerou. Não teve clima nenhum e com certeza nada esquentou.
O sorriso de Theodora aumentou.
— Fala sério, nunca é só alguém. Por que está hesitando tanto em me contar?
— Porque ela me odeia.
— Como é?
Ele apertou os lábios e encarou a melhor amiga com o melhor olhar insatisfeito que podia dar, mas ele sabia que não tinha efeito nenhum sobre ela. Uma coisa curiosa sobre a Theodora, fora do seu papel usual de atriz, era que ela sabia ser uma pessoa muito persistente. nunca conseguia fazê-la desistir de arrancar informações dele, ainda mais se fosse para saciar uma curiosidade pessoal dela. E se os tablóides estavam publicando algo que o envolvia pessoalmente, nunca que ela ia deixar isso para lá.
— Você me ouviu — ele respondeu. — Ela me odeia.
Theodora soltou o talher ao lado do prato e estreitou os olhos na direção do melhor amigo, tomando um gole do seu próprio vinho, enquanto fingia analisar a informação que ele tinha acabado de soltar. Um tempo atrás, tinha sido ela vivendo algo dentro dos bastidores, algo que ultrapassava o profissional, e não se imaginou tendo uma conversa com vivendo uma situação semelhante, ainda que em contexto diferente. A mídia não estava publicando fofocas sobre a química deles nos bastidores do filme e muito menos insinuando que os dois dormiam juntos. Muito pelo contrário, estavam relatando — de um jeito duvidoso — um conflito entre e alguém que ela ainda não conhecia.
E não se envolvia em quase nada. Nada de escândalos, nada de polêmicas.
Seu nome era raramente citado nos tablóides britânicos. O Reino Unido o amava.
— Ah, estou custando a acreditar nisso — ela disse.
abriu um sorriso.
— Porque é impossível me odiar?
— Impossível não, mas difícil — ela respondeu, recebendo um chute em uma das pernas, vindo dele, por baixo da mesa que os separava. — Ei!
revirou os olhos e tentou voltar a focar em sua própria comida.
— O que você fez?
Ele balançou a cabeça, mastigando um pouco de massa italiana que tinha pedido.
— Agora você só tá abrindo a boca para me ofender.
— Deixa o drama para quando tiver atuando e me responde longo — Theo reclamou.
— Eu não fiz nada — ele se defendeu, lançando um olhar fuzilante para ela. — Exceto pelo fato de que eu meio que ameacei agredir o namorado dela.
?
O ator soltou um suspiro, suavizou sua expressão e tentou não demonstrar sua irritação com o ranger dos dentes ao lembrar.
— O cara é um babaca — ele se justificou. — Não que eu fosse realmente bater nele de verdade, só saiu da minha boca na hora. Eu acho que ela merece alguém definitivamente melhor.
Theodora arqueou uma sobrancelha.
— O quê? Tipo você?
Ele encarou a taça de vinho por um instante, lembrando que já tinha ouvido aquela pergunta antes.
— Não precisa ser eu, só… alguém mais decente.
— É, tipo você — Theodora insistiu.
respirou fundo e lançou um olhar na direção da mulher, seguido de um balançar de cabeça, quase dizendo-a silenciosamente “você é impossível”. Theodora não o julgava. Ela quase nunca fazia isso, na verdade, então ele se sentia confortável para dizer e contar qualquer coisa para ela.
Aquela situação poderia parecer incomum para ele estar envolvido, ele sabia, e sabia que ela sabia, mas não importava.
— Olha, , eu não sei de toda a história e qual é o seu envolvimento nisso — Theodora começou a dizer, mexendo um ombro e voltando a comer. — Mas você nunca se mete em uma situação sem um motivo. Mesmo que a situação em hipotético tenha um namorado babaca. Só… tome cuidado, tá bem? Você tem uma tendência incrivelmente irritante de nunca proteger seu próprio coração.
E era por isso que ele a amava. E por isso que era a sua melhor amiga.
Porque mesmo não contando nem um por cento de toda a história que levou à criação do título do tablóide, Theodora o conhecia o suficiente para saber o que estava em jogo sem precisar que ele falasse muita coisa: seu coração.

take 1


A funcionária em questão era a assistente de produção de Animais Fantásticos.
E talvez fosse seguro dizer que ela não odiava .
Quer dizer, ela não o odiava de verdade. achava aqueles boatos um exagero sem tamanho, originados de fofocas que não tinham nenhum fundamento válido. Ela precisava prezar por sua reputação profissional e não era bom ter o seu nome saindo em páginas de fofocas sobre celebridades, ainda que seu nome não tenha sido propriamente citado.
Por enquanto, ninguém sabia quem ela era. A tal fonte anônima ao menos teve a boa decência de não expor a sua identidade, mas isso era a única coisa positiva. Qualquer pessoa dentro daquele set não teria dúvidas que a funcionária citada na matéria tendenciosa era ela. E a fonte anônima precisava ser alguém de dentro para vazar algo sem a menor importância para o resto do mundo. Aquilo era pessoalmente entre e .
Até não ser mais.
Se ela entrasse nas redes sociais ou resolvesse ao menos se aventurar no X, ela leria os comentários a respeito da publicação. Teorias infundadas, questionamentos insensíveis, pessoas curiosas querendo saber o que rolou de verdade. E ela não poderia responder nada. Não se aprofundaria em uma fofoca e nem seria a responsável por aumentar os rumores do que estava acontecendo. Uma hora ou outra, iam acabar descobrindo quem ela era e já tinha problemas demais para lidar.
Respirando fundo, ela clicou no link que sua irmã tinha mandado e leu o primeiro parágrafo que estava escrito.

Os bastidores de Animais Fantásticos podem não estar sendo tão mágicos quanto o público imagina. De acordo com informações divulgadas por uma fonte anônima, o ator britânico, , que interpreta Teseu Scamander, teria protagonizado um desentendimento acalorado com uma funcionária da equipe técnica durante as gravações do terceiro filme da franquia…


Antes que pudesse terminar de ler tudo, foi interrompida por uma ligação de vídeo da sua irmã. respirou fundo, se ajeitou melhor na cama e aceitou a ligação, encontrando o rosto familiar do outro lado.
— Nossa, , você tá acabada — sua irmã disse, assim que a imagem de apareceu no centro da sua tela. — Já te disse como deveria estar cuidando dessas olheiras!
A mais velha revirou os olhos.
— Oi para você também, Gina.
Gina balançou a cabeça do outro lado. Como seu foco não era a saúde de beleza da sua irmã mais velha, ela resolveu ignorar aquele tópico temporariamente e focar no motivo que a levou a fazer aquela ligação. Ela se sentou de maneira mais ereta na cama e se concentrou exclusivamente na tela de vídeo com a imagem da sua irmã deitada, usando o pijama mais folgado do mundo, mas que ela dizia ser confortável. tinha gostos opostos ao de Gina, que quase sempre tentava se acostumar com as diferenças.
— Então, quer me contar como é que o clima entre você e o gostoso do esquentou? — Gina disparou, com um sorriso.
gemeu de desgosto e se virou para o outro lado da cama, coçando um olho. Ela quase sempre odiava como a sua irmã era tão antenada nas páginas de fofocas e completamente imersa nas redes sociais, mas como uma jornalista, sua função praticamente era se inteirar sobre tudo. Ela mergulhava naquilo com orgulho, sempre se destacando em saber coisas que não tinha ideia que estava acontecendo — Como Theodora Lavoie e Ben Barnes terem assumido um romance fora das telas, ou que um jogador do Real Madrid foi flagrado traindo a esposa, ou que o livro favorito dela teve os direitos comprados e ia ganhar uma adaptação — não porque não quisesse saber, mas porque constantemente não tinha tempo.
Seu trabalho como assistente de produção a deixava exausta por boa parte do tempo. Quando não estava trabalhando, tentava compensar as horas mal dormidas ou tirar o atraso da leitura do livro atual, isso tudo quando não estava com o namorado.
— Não teve clima nenhum — respondeu . — E não esquentou nada. Você, como jornalista, deveria saber que fontes anônimas nem sempre são seguras.
— Mesmo assim, eu tenho que admitir que essa manchete foi uma fofoca das boas. Não rolou nada mesmo?
Uma coisa sobre a Gina é que ela era uma mulher curiosa. A um nível irritante, se lembrava, e quando sua curiosidade não era saciada, Gina ficava insuportável.
— Não.
Gina bufou do outro lado. observou como a expressão dela mudava para a mesma que ela fazia desde criança, a que estava prestes a acusá-la de alguma coisa.
— Mentirosa — acusou, apontando um dedo em riste para a tela, a testa franzida. — Toda fofoca tem um fundo de verdade. Quer me contar logo ou quer que eu vá atrás da fonte anônima e descubra? Você sabe que consigo fazer isso.
A assistente de produção mordeu a parte interna da bochecha, pensando na ameaça sutil que sua irmã mais nova acabou de lhe fazer. Mas Gina tinha razão, ela sabia. Claro que ela conseguiria fazer aquilo, ela conseguia tudo o que era do seu interesse e, naquele momento, a vida da sua irmã mais nova era do seu principal interesse.
respirou fundo. Uma, duas, três vezes. Estava arrependida agora de não ter decidido abrir aquela garrafa de vinho que tinha comprado na promoção do mercado da esquina há duas semanas. Ela podia encerrar a ligação com um clique e se livrar daquilo, mas nada compensava o inferno que viveria depois com Gina mandando mil mensagens em todas as suas redes sociais.
Então ela respirou fundo de novo.
— Eu te odeio tanto, Gina — ela decretou, balançando a cabeça, ajustando a sua posição para ficar mais confortável na cama. — Mas tudo bem, sua pilantra chantagista, eu vou te contar o que aconteceu…

uma semana antes
set de filmagem — local desconhecido


Naquele dia específico, saiu de casa usando meias de pares diferentes.
Ela não prestou muita atenção, a correria do dia a dia influenciando na sua pressa de se arrumar em tempo recorde para não se atrasar. Não ajudava muito também que ela não estava dormindo muito bem, os horários de gravações não costumavam ser fixos, então toda sua rotina estava mudada em prol da produção do filme.
Mas as meias diferentes eram o menor dos seus problemas naquele dia.
Algumas horas depois do trabalho ter tido início, eles fizeram uma pausa para analisar alguns pontos do roteiro e deixar os atores da cena descansarem por alguns minutos, antes de voltarem a gravar a continuação. Ela conseguiu respirar um pouco, avistando Eddie Redmayne e conversando do outro lado da sala. Tentando não olhar muito, ela se virou, carregando uma pasta fina nas mãos, tentando aproveitar o tempo do intervalo para buscar um café e descansar um pouco os pés. Não tinha sentado sequer por um minuto inteiro desde que havia chegado, alguém sempre solicitando algo.
Mas não conseguiu dar mais do que três passos antes que alguém a chamasse, um tom furioso que ela reconhecia bem. Virando-se na direção do dono da voz, ela encontrou o produtor executivo apontando uma pasta de papéis grossos na sua direção, como se estivesse exigindo algo, os óculos caindo para a ponta do seu nariz, a expressão enrugada.
— ele a chamou, parando na frente dela. — Pode me explicar como isso aconteceu?
ficou confusa.
— Ah, desculpa — ela disse, encarando-o. — Explicar o que exatamente, senhor?
O mais velho fechou a cara.
— Isso é inadmissível — resmungou o produtor executivo. — Uma locação como Doune Castle não se perde assim! Quem é que estava cuidando disso?
Ele esticou a pasta na direção dela, que a pegou. sentiu seu estômago revirar com o que ele tinha acabado de dizer e, procurando entender melhor se ouviu certo mesmo, ela abriu a pasta e procurou a origem do problema que ele estava acusando.
A assistente engoliu a seco.
O local, que era famoso e prestigiado por produções afora, que deveria ter sido reservado para as cenas externas do Ministério da Magia, havia sido bloqueado por outra produção, algum seriado histórico que não teria problemas em assumir a data vaga, já que o contrato com o estúdio nunca fora assinado. Tinha sido difícil conseguir a data que queriam e agora… Tudo desmoronou por água abaixo.
— Eu… — murmurou, perdida, tentando entender o que diabos tinha acontecido.
Aquela tarefa caiu em seu colo como sua responsabilidade e ela até tinha criado uma ponte com a pessoa responsável pela reserva, mas Martin, seu namorado e diretor principal do filme, interviu para fechar a papelada, garantindo a assinatura do contrato final, alegando que queria avaliar alguns detalhes criativos de seu interesse antes de finalmente aprovar a reserva.
Mas segundo aqueles papéis, Martin nunca assinou e extrapolou o prazo.
Os papéis do contrato tinham ficado na mesa dele por semanas. Semanas, porra.
Um erro como aquele custava muito, impactando o orçamento e atrasando o cronograma de gravação.
Tentando se recompor, umedeceu os lábios, ajeitou a própria postura e fechou a pasta. Antes que pudesse abrir a boca para se explicar, Martin foi mais rápido, surgindo de algum lugar atrás dela, o ar frio e seguro de sempre entrando em cena. Ela sentiu um toque muito vago na base das suas costas e virou a cabeça ligeiramente na direção dele.
Ótimo.
Ele mesmo se explicaria.
— Deve ter sido algum erro de produção, Charles — Martin disse, pegando-a de surpresa ao notar que ele estava terceirizando a culpa. — A é responsável por confirmar as reservas, mas tenho certeza que deve ter tido algum mal-entendido.
quase se engasgou.
Ela não podia acreditar no que estava ouvindo, no que estava acontecendo bem diante dos seus olhos. A decepção se espalhou por cada poro do seu corpo, sendo jogada como a única culpada por um erro que não tinha cometido, mas quem diabos ia dar credibilidade à uma assistente, que tinha aquilo como função, e não ao diretor, muito mais velho e experiente demais para cometer um erro tão mesquinho como aquele?
Eu? — ela ecoou.
Martin então, finalmente, olhou para ela. Um olhar rápido e afiado, um que ela conhecia muito bem o significado: não ouse abrir a boca aqui.
— Sim, docinho — ele respondeu, o apelido soando completamente inapropriado para a ocasião, carregado de falso carisma. — É seu trabalho garantir que essas coisas estejam alinhadas, lembra? Com a correria, nós entendemos que você talvez tenha confundido os prazos.
trincou os dentes, contendo uma vontade enorme de gritar com ele. Queria acusá-lo bem ali mesmo, dizer que a culpa era dele, que ele quem negligenciou a porra dos prazos, que ela tinha tanto ficado no seu pé para ele resolver, mas que, no fim, não serviu para nada. Ele a distraía com beijos e carícias e o contrato sempre ficava para depois. Qual era a dificuldade de segurar a porra de uma caneta e rabiscar o nome em um papel?
Nenhuma, ela pensou.
— Nós podemos… — ela tentou dizer, sendo interrompida.
— Charles, nós vamos resolver — Martin garantiu.
O produtor bufou, puxando a pasta das mãos de de um jeito nada delicado. Ela tentou manter a compostura impecável, tendo consciência de que estava sendo alvo de todos os olhares das pessoas presentes ali, assistindo tudo em primeira mão.
Não era o primeiro erro dele que ela o acobertava. O problema era que estava se tornando um padrão repetitivo.
— É bom mesmo, Martin, porque isso impacta direto no orçamento e cronograma — Charles respondeu, indignado. — Vai atrasar nossas gravações em, no mínimo, uma semana.
Ele olhou para o casal, murmurou algo inaudível, balançou a cabeça e saiu resmungando algo sobre ele resolver o problema sozinho. sentiu o corpo inteiro esquentar, sentindo-se minimamente humilhada. Ela olhou para Martin, que abriu um sorriso discreto e ousou se aproximar, buscando tocá-la no braço.
Não. desviou, o som quase inaudível, mas foi o suficiente para ele entender a recusa.
Ela respirou fundo e se virou, deixando-o para trás, no centro de tudo, inabalável. A mágoa era visível no rosto dela, mas Martin nunca se importaria o suficiente para perceber. Para ele, suas ações quase nunca tinham consequência e ele sempre a rebaixava a uma mera assistente, deduzindo-a a um erro comum.
Depois, ele chegava com flores.
Um jantar caro e uma caixa de chocolate daquela loja italiana que custava uma fortuna.
Ela estava sempre pronta para brigar, mas desistia quando ele vinha representado de uma pomba branca sinalizando a paz. O desgaste não valia a pena, mas isso foi se arrastando de um jeito ácido, e o relacionamento virou apenas mais uma coisa da sua lista. Não era mais como antes, quando ainda tinha aquele encanto, o frio na barriga, a vontade de estar junto o tempo todo, os sorrisos sinceros quando se encontravam. Se tornou um relacionamento de conveniência. E o sexo nem estava sendo tão bom assim ultimamente, então porquê…
— Por que você ainda continua com esse cara? — ela ouviu uma voz atrás de si, seguindo-a pelo corredor que dava acesso ao lado de fora.
parou e se virou na direção do dono da voz, encontrando um com uma expressão indecifrável, caracterizado com a roupa de Teseus Scamander, de terno azul escuro, uma cor que combinava com os seus olhos claros e lindos.
Ela perdeu o fôlego por um instante.
— O quê?
engoliu a seco e se aproximou um passo. continuou exatamente onde estava.
— Por que você ainda continua com esse cara? — ele repetiu a pergunta, parecendo um pouco furioso. — Ele é um babaca, imbecil e manipulador. E tenho vontade de agredi-lo toda vez que o vejo…
Ele parou de falar. estava vidrada na sua reação, as sobrancelhas levemente arqueadas. Ela lembrou que ele estava perto o suficiente para ver toda aquela situação de perto, mas ela nunca imaginou, em hipótese alguma, que ele viria atrás dela, questioná-la daquela forma.
Quer dizer, quase sempre o evitava. a irritava de uma maneira que ele não tinha conhecimento, porque ele não tinha nada de odiável, muito pelo contrário. Ele era tão gentil que chegava a ser irritante. Tão bonito que podia ser considerado uma existência desonesta. Fazia questão de conversar com ela sobre qualquer coisa, mesmo que ela desse um jeito de sair depois, porque nunca podia ficar muito tempo perto dele sem sentir coisas inapropriadas por um colega de trabalho. Ainda mais sendo alguém comprometida.
Não importava que seu relacionamento estivesse uma merda, ainda era errado pensar em de qualquer forma que não fosse a apropriada.
— Vamos, — ele murmurou. — Não pode ser tão burra que não consiga ver que ele não te merece.
Ela se irritou com a escolha de palavras dele. Não que ele estivesse errado, só…
— Isso não é da sua conta — ela disparou.
riu sem humor.
— O erro foi dele, não foi? — o ator britânico perguntou. — E você o deixou jogar tudo nas suas costas…
se sentiu exposta. Um pouco surpresa também que ele tivesse notado aquilo, diferente de alguns olhares hostis que recebera no meio do caminho, de pessoas acreditando que o erro realmente tinha sido seu. A decepção escancarada no rosto do ator a irritou. Ele não tinha o direito de se sentir bravo sobre qualquer coisa, aquela situação não dizia respeito a ele de nenhuma forma.
Não é da sua conta, .
Ele jogou as mãos para cima.
— Tudo bem, talvez não seja! — disparou, tentando controlar o tom de voz. — Mas você não tem ideia de como eu queria que fosse. Quem sabe assim você finalmente enxergasse como deveria ser tratada.
A assistente engoliu a seco, o peito subindo e descendo mais rápido do que gostaria, a respiração tornando-se superficial. As palavras dele atingiram-na de uma maneira inesperada e ela queria perguntar por que ele se importava tanto.
— O Martin pode ter mil defeitos, mas… — tentou dizer, defendendo o impensável. Na verdade, ela não tinha ideia do porquê estava tentando defender o babaca do namorado. Era como se, de alguma forma, tentasse se defender de ter feito uma péssima escolha. Estava se sentindo mais atingida do que deveria com fazendo todas aquelas perguntas. Afinal, por que mesmo ela ainda estava com aquele cara?
Por que simplesmente não terminava de uma vez?
— Mas o quê, ? — ele a incentivou a continuar. — Eu duvido que você consiga pensar uma coisa boa sobre esse cara.
— Cale a boca! — ela se alterou, visivelmente irritada. — Você não tem ideia de como meu relacionamento é, não te dá o direito de sair falando qualquer coisa.
umedeceu os lábios e assentiu devagar, relaxando os ombros.
— A única coisa que eu sei é que você merece mais e está desperdiçando seu tempo e energia com uma pessoa que sequer te enxerga.
Sentindo seus olhos lacrimejarem, ela franziu o nariz e abriu um sorriso sem humor.
— E quem mais me enxergaria? — sussurrou, vulnerável. — Você?
Ele não respondeu.
Ela se aproveitou do silêncio, se virou para ir embora e o deixou para trás.

atualmente


— E aí saiu essa manchete ridícula com um título tendencioso — disse para a sua irmã, que ouviu tudo sem dizer uma palavra. — Que não tem nada a ver com o que realmente aconteceu.
Gina ficou tanto tempo em silêncio, na mesma posição, que a mais velha achou que a tela tinha travado. Ela tocou no celular, verificando a conexão da internet.
— Gina?
— Onde está o Martin agora?
deu de ombros. De todas as coisas que imaginou sua irmã perguntando depois de ter contado tudo, aquela não era a primeira.
— Não sei. — Deu de ombros. — Em alguma balada por aí.
Gina revirou os olhos, desgostosa com a resposta.
— Então não terminou com ele? — perguntou, esperando uma resposta que não veio. — Olha, eu entendo que você se irritou com o se metendo na sua vida sem ser especificamente nada seu, mas ele não tá errado, sabe? Não é a primeira vez que eu vejo você assumir um erro do Martin ou se diminuir por causa dele. E o seu sonho de ser roteirista, ?
Não é um sonho ambicioso, , a voz de Martin surgiu em sua mente.
Mas não queria ser ambiciosa, só queria realizar o seu sonho. Martin nunca entendeu e, sempre que ela tocava no assunto, ele fazia pouco caso. Como diretor, ele tinha muitos contatos e já tinha pedido uma vez que ele a ajudasse a conseguir realizar aquele sonho. Falar com alguém sobre como ela poderia conseguir a vaga concorrida no curso de Nova York, se ele poderia mandar seus roteiros para um contato importante atualizar, se ele poderia apoiá-la, mas tudo o que recebia era sempre um “verei isso depois”.
Um depois que nunca vinha.
— Ele ainda existe — ela sussurrou em resposta.
Gina sorriu, um sorriso melancólico.
— Eu te amo, — sua irmã declarou. — Mas o está certo, o Martin é babaca, imbecil e manipulador. Ele está te apagando e a que eu conheço nunca deixaria isso acontecer e nunca se acomodaria em um relacionamento que já não se cabe mais. Você merece mais.

take 2


— Você devia tentar disfarçar um pouco, sabia? Está ficando meio esquisito encará-la tanto assim.
levantou os olhos na direção de Eddie, deixando os ombros caírem, mostrando o quão derrotado ele estava se sentindo naquele momento. Eddie sentou ao lado dele no pequeno degrau do trailer e o ator britânico voltou a olhar na mesma direção que estava olhando antes, seus olhos fixos em uma figura feminina com o rosto meio escondido pelo boné, repassando alguma coisa com dois estagiários e o cara que cuidava das câmeras de filmagem.
Fazia uma semana desde que se falaram. Uma semana que ele estava arrependido de tudo o que disse, da forma que disse, da forma com que se deixou levar pelas próprias emoções egoístas. Ele tinha ficado tão furioso com a cena que presenciara, custando a acreditar que aquele babaca deixou levar a culpa por um erro que ela não cometeu. Ficara ainda mais furioso ao lembrar que os dois não compartilhavam apenas um relacionamento profissional, mas pessoal, amoroso. E ele não entendia como uma mulher como ela aceitava um homem como aquele, que a jogava para cima dos lobos ao invés de defendê-la.
E, ao invés de guardar suas próprias frustrações para si, ele se viu indo atrás dela.
Então as coisas saíram do controle.
E agora, ela o odiava.
— Ela não te odeia — Eddie disse, fazendo olhar para ele, se questionando se o amigo estava lendo seus pensamentos agora. — O quê? Sua expressão de cachorrinho derrotado diz tudo.
— Também diz que eu sou um idiota esperançoso de torcer que ela tenha terminado o relacionamento?
Eddie balançou a cabeça, rindo discretamente da pergunta. Não tinha ideia de como se envolveu tanto naquela situação. Sabia que os dois, vez ou outra, compartilhavam o mesmo cenário em papéis diferentes, mas ela parecia sempre com pressa de ir para qualquer outro lugar longe dele, como se a presença do ator a deixasse nervosa. Toda a linguagem corporal dela indicava que ela não odiava , embora ele estivesse acreditando nisso veemente agora.
Eddie não podia culpá-lo.
Desde aquela cena infeliz e o que aconteceu entre os dois depois, segundo o que contou, estava evitando-o o dobro. Se precisasse falar com ele diretamente para resolver qualquer coisa da produção, ela mandava um estagiário em seu lugar. O clima tinha ficado um pouco pesado depois do erro de locação exposto, e agora ela parecia sempre séria, centrada, focada em um objetivo.
Soube que ela estava correndo atrás de consertar o atraso para evitar outros atrasos e o impacto no orçamento da produção do filme, mas estava sendo difícil conseguir uma data próxima da que tinham antes.
E ninguém a via interagindo muito com Martin.
— Se isso fizer de você um idiota, faz de mim também — Eddie respondeu, sincero, dando de ombros. — Aquele cara não me parece um bom… sujeito. Nem um namorado decente.
soltou o ar, aliviado.
Sentia-se um pouco menos idiota ao ver outra pessoa compartilhando a mesma opinião que a sua e ele teve a pequena impressão de que não eram as duas únicas pessoas a pensarem isso a respeito do relacionamento alheio, mas o cara era mesmo um babaca. Ele já era insuportável profissionalmente falando, não conseguia imaginar como era a convivência com ele pessoalmente.
— Bem, obrigado — disse. — É o que eu tentei dizer a ela da última vez.
— Você só não encontrou um jeito delicado de dizer isso — Eddie criticou. — Mas valeu a tentativa, caro amigo.
conteve a irritante vontade de revirar os olhos e se levantou. Ele precisaria gravar uma cena importante logo em seguida, mas sua mente estava uma bagunça, fervilhando sobre coisas que ele não tinha o controle, e precisava focar no texto do roteiro. Tinha todas as falas em mente, mas sua concentração estava falhando em todos os termos e ele temia esquecer alguma coisa e atrasar ainda mais a filmagem.
— Quer saber? Eu vou…
Theodora!
Eddie se levantou em um pulo, passando por , que se virou na mesma direção que o outro estava indo, achando que tinha escutado ele chamar o nome errado, mas seus olhos encontraram um Eddie abraçando uma Theodora sorridente. O ator britânico franziu o cenho, confuso, tentando entender a presença da melhor amiga no set de filmagem de um filme que ela sequer fazia parte.
— Oi, Eddie, é bom te ver — Theo cumprimentou, ainda sorrindo.
— O que você tá fazendo aqui? — indagou, com a mesma expressão confusa.
Não que ele não estivesse feliz de vê-la. Sempre era bom ter uma oportunidade de encontrar a melhor amiga, dada a agenda apertada e caótica dos dois, mas ela sequer tinha dito alguma coisa a ele. Nem mesmo disse que estava na cidade.
— Eu já fui melhor recebida por você, sabia? — ela reclamou, se afastando de Eddie só para ter o prazer de estapear levemente o braço do melhor amigo.
balançou a cabeça e a abraçou, sentindo os braços dela apertá-lo mais do que o necessário, só para irritá-lo.
— O Eddie me ligou e disse que você estava… — ela se esqueceu da palavra, soltou e virou o rosto na direção de Eddie. — Como é mesmo que você disse?
Prostrado.
— Isso aí — ela voltou a olhar para . — Eu tive que pesquisar o que significava prostrado porque eu pensei que fosse outra coisa, mas quando entendi que só significava que você estava desanimado pelos cantos…
— Eu não estou…
— … eu tive que vir, por que não? — ela continuou, mesmo quando ele a interrompeu.
— Você pegou um voo só para me ver? — Ele arqueou a sobrancelha.
— Não, o Ben tinha um evento importante e inadiável por aqui e resolvi acompanhá-lo — ela explicou. — Mas vamos falar de você. O que tá rolando?
coçou a bochecha, lançando um olhar meio mortal para o amigo do outro lado, que deu de ombros com a expressão mais serena do mundo, se esquivando de qualquer irritação ou indagação.
— É a — Eddie fofocou.
Theodora olhou de um para outro.
?
— A do tablóide.
— Ah, a que você disse que te odeia? — a canadense perguntou ao melhor amigo.
Ele só assentiu, tornando-se rapidamente o único e principal alvo da conversa. Então Eddie explicou sobre a pequena discussão, sobre o namorado babaca, que já tinha mencionado, e que, desde que isso tinha acontecido, os dois não tinham se falado ainda. não dava espaço e não fazia nada, aceitando as próprias impressões.
Quando Eddie terminou de contar, foi a vez de Theodora coçar a bochecha.
— Se está tão incomodado com tudo isso, por que não faz algo a respeito?
— Tipo o quê?
Ela revirou os olhos. Com muita vontade, só para ele perceber que estava sendo um idiota.
— Caramba, , você tinha mais atitude comigo.
levantou um dedo em riste, pronto para se defender, apontando dele para ela.
— Nossa situação era bem diferente disso — lembrou.
— Não, não é. — Ela negou com a cabeça e colocou as duas mãos nos ombros dele, encarando o rosto do melhor amigo bem de perto. — Olha só. Eu não acho que ela te odeia, precisa de mais do que você se intrometendo no relacionamento alheio para te odiar, mas também não foi legal você questionar as escolhas dela. Você pode começar pedindo desculpas.
— Theodora, ela está me evitando.
— Isso nunca te impediu de nada. E eu nunca vi você genuinamente interessado em alguém assim.
Ele franziu o nariz.
— E o que isso significa?
Antes que ela pudesse abrir a boca para responder, foram interrompidos por uma voz feminina.
— Sr. ?
reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Theodora assistiu a feição dele mudar completamente quando ele levantou os olhos na direção da voz feminina e, curiosa, se virou para ver quem estava chamando.
, por favor, só — ele insistiu, odiando vê-la tratá-lo tão formalmente como ela fazia no começo.
— Ah, essa é a… — Theodora ia dizendo, mas foi interrompida por um beliscão leve e discreto em suas costas, impedindo-a de falar. Isso foi o suficiente para atrair a atenção confusa da assistente. — Desculpe, eu sou a Theodora Lavoie.
Ela se apresentou com uma mão estendida na direção da assistente. reconheceu o nome e sorriu, tentando ignorar o clima e parado bem ali, olhando-a com aqueles olhos brilhantes e esperançosos, e ela tentou não se sentir tão desconfortável com toda a situação. Não estaria ali se não estivesse sendo minimamente obrigada, mas era o seu trabalho e cumpria ordens muito bem, ainda mais se fosse para evitar outro tipo de problema. Sua vida profissional já estava sendo difícil o suficiente para acumular mais alguma dificuldade.
Ela aceitou a mão da atriz canadense.
— se apresentou.
— É um prazer finalmente conhecer você — Theodora disse, com um sorriso simpático, desfazendo o aperto de mão de um jeito gentil.
— Finalmente?
Eddie segurou o riso. Era como assistir a uma peça de comédia romântica sendo um espectador vip.
— Você tá precisando de alguma coisa? — se apressou em perguntar, antes que Theodora abrisse a boca e falasse demais. Propositalmente, ela o colocaria em uma situação em que ele não queria se enfiar. Não agora. Não tão cedo.
— Theodora, que tal se eu te apresentar o resto do set? — Eddie resolveu intervir, tentando sugerir que os dois estavam sobrando ali e seria bom deixar os outros dois sozinhos, resolvendo-se.
A atriz olhou para ele, recebendo um olhar sugestivo, que compreendeu o que significava sem muito esforço. Ela deu uma tapinha em , se despediu, e foi andando em direção a Eddie.
— Só se eu ganhar spoiler do filme.
assistiu os dois irem embora, deixando-o sozinho com propositalmente. Ele crispou os lábios por alguns segundos, os ombros ficando tensos, sua atenção voltando para a assistente, parada bem diante dele, mas com uma longa distância segura, como se ela não confiasse ficar muito perto dele.
— Tivemos um problema com o figurino da próxima cena, precisamos que você venha comigo experimentar algumas opções com a equipe responsável — respondeu à pergunta dele, explicando o seu motivo de estar ali. Ele entendeu que não era vontade própria dela, então. Ela só estava fazendo o seu trabalho. — Nós podemos…?
Ela insistiu, quando ele não respondeu e nem deu algum indício de que faria isso.
— Sim, claro.
Sem falar mais nenhuma palavra, ela deu as costas e caminhou. entendeu aquilo como uma deixa para ele segui-la e foi o que fez. segurava uma pasta na mão, o crachá balançando no pescoço enquanto liderava o caminho até o elevador dentro do set. Sua respiração estava superficial; a ideia de estar tão perto dele novamente a deixava meio nervosa, um clima insuportável acompanhando os dois depois daquela discussão inútil.
Tá, tudo bem, serviu para que ela refletisse um pouco sobre o próprio relacionamento e entender que ele estava certo — embora, no momento, isso fosse a última coisa que ela quisesse admitir. E sua irmã só reforçou a opinião certa e fervorosa dele. Ela podia se considerar em uma situação muito incomum: quantos atores já se preocuparam o suficiente com o relacionamento de uma funcionária da equipe de filmagem de um filme que ele era protagonista?
Respirando fundo baixinho, ela atravessou o cenário montado de uma cena e andou direto na direção do elevador de carga. A sala de figurinos ficava no terceiro andar do prédio e o cronograma do dia já estava bastante apertado para lidar com mais um problema; alguém da equipe teria que dar um jeito de substituir a lacuna do figurino anterior.
entrou primeiro, logo em seguida. O espaço era um pouco apertado, então ficaram lado a lado, em silêncio, em uma distância muito, muito pequena mesmo, os ombros quase se tocando com uma diferença mínima de altura. Ela apertou o botão do andar e as portas se fecharam. A assistente juntou as duas mãos na frente do corpo, apertando os próprios dedos com uma força impressionante para conter a própria ansiedade.
, por outro lado, encarava as portas com uma concentração impressionante. Seus olhos o queiram trair e olhar para ela, mas ele não permitiu; já bastava o seu olfato permitindo o cheiro dela invadir por ele inteiro, um aroma doce, mas um doce suave, e não enjoativo. Ele pensou nas palavras de Theodora, de alguns minutos atrás, sobre ele fazer algo a respeito.
Pedir desculpas.
Tentar consertar aquela merda toda de situação que ele causou, querendo sair daquela zona de constrangimento e, talvez, só talvez, ela parasse de odiá-lo.
Mas antes que ele pudesse sequer pensar em elaborar um pedido de desculpas decente, aproveitando o momento em que ela estava perto dele, e não o evitando a todo custo, o elevador parou.
As luzes piscaram.
E então um solavanco curto fez com que os corpos dos dois se chocassem e, por instinto, a segurou, evitando que caísse no espaço pequeno do elevador. Por um momento, nada aconteceu. A luz meio apagou, mas ainda havia um resquício falhando, sem deixá-los totalmente no escuro, e a respiração de ambos estava no mesmo nível: lenta, entrecortada, como se respirar fosse um segredo que não queriam compartilhar.
pensou que nunca estivera tão perto dele daquela maneira. Seu coração batia tão rápido contra o peito que ela se sentiu constrangida de imaginar que ele estava sentindo aquilo e esperava que ele pensasse que não era por causa dele — embora fosse — mas sim por causa da situação em si.
As mãos quentes dele ainda estavam pousadas na base das suas costas, o tecido leve da camisa quase permitindo que ela sentisse o toque direto contra a sua pele, mas era só uma impressão. O mundo inteiro parecia demorar a passar ali, diante deles, no entanto, só se passaram alguns longos segundos até que ele abriu a boca, saindo do próprio transe para perguntar:
— Você está bem?
não estava muito diferente.
O calor subiu para suas bochechas, os olhos cristalinos brilhando na meia luz, enxergando-a como nunca enxergou. Sua pulsação acelerou.
E parecia tomar consciência do que tava acontecendo. Se afastou muito rápido, mas não conseguiu manter muita distância e, precisando de alguma coisa para manter sua mente longe dele, do seu toque inesperado, do seu perfume e da sua respiração, ela se virou para os botões e apertou freneticamente o botão de emergência. Não parecia funcionar. Nada ali parecia mais funcionar.
Estavam presos dentro do elevador de carga e nenhum deles sabia quanto tempo alguém demoraria a perceber que haviam duas pessoas presas ali dentro. Duas pessoas que não se falavam há mais de uma semana e agora, por ironia ou não do destino, eram obrigados a dividir um espaço sem ter a opção de fugir.
Não que fosse fugir. Ele parecia desesperadamente querer fazer o contrário. , por outro lado… parecia ter tornado o seu hobby favorito evitá-lo.
— Não está funcionando, — ele disse, suspirando.
A assistente parou de apertar o botão e bufou. Não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. De todas as pessoas do set que podia ficar presa ali dentro, era o último que ela escolheria. Era uma tortura.
Ela parou perto da porta, deixou os ombros caírem em uma clara derrota, aceitando que não tinha muito o que fazer a não ser esperar, e bateu a cabeça contra a porta de aço do elevador, fechando os olhos. Talvez ficasse em silêncio. Talvez fingissem que não estavam um com o outro ali. Talvez alguém notasse muito rápido que o elevador não funcionava e encontrariam um ator britânico e uma assistente de produção presos juntos.
Mas tinha outros planos.
— Desculpa.
nem sequer se mexeu.
— Não é culpa sua estarmos presos aqui — ela fez pouco caso. — Eu disse ao Tony que esse elevador está velho demais e que ia dar problemas…
— Não por isso — a interrompeu. — Por antes.
Ela se calou.
Desencostou a cabeça da porta de aço e se virou para ele. O ator estava encostado contra a parede do elevador, a meia luz refletindo o rosto dele de um jeito muito atraente e se odiou mais uma vez por achá-lo tão bonito. Era tão difícil fingir normalidade que ela não sabia como lidar.
Falava com todas as pessoas em todos os lugares, menos com ele.
Sorria para todo mundo e se sentia afetada com o sorriso dele. Achava-o gentil demais com as pessoas que paravam para falar com ele ou prestigiá-lo de alguma forma e ele nunca era rude.
Exceto com uma pessoa.
— Me desculpa por ter tido que seu namorado é um babaca, imbecil e manipulador — ele começou a dizer, cruzando os braços na altura do peito. — E por ter questionado suas escolhas, você tinha razão, não era da minha conta. Eu sinto muito mesmo.
Ela não disse nada.
Processou as palavras dele e, deixando os ombros relaxarem mais o seu corpo, decidiu ceder. Não queria tornar aquilo uma outra discussão desnecessária. Ela se encostou contra a parede bem ao lado dele, encarando a porta de aço.
— As circunstâncias daquela conversa não foram favoráveis, mas você não estava completamente errado — ela resolveu ser sincera. — Quando conheci o Martin, ele era um perfeito cavalheiro. Eu hesitava no começo por ele ser um cara mais velho, mas no fim, acho que ele também sabe como encantar.
Ela umedeceu os lábios secos. Os olhos de permaneciam nela o tempo todo, sem querer desviar nem mesmo por um segundo, ouvindo-a desabafar. Ele considerou a possibilidade de ela não aceitar o seu pedido de desculpas, pensando ter ultrapassado algum tipo de limite.
— Com o tempo, o relacionamento se tornou só uma rotina para mim — continuou. — Eu sabia que tinha algo errado, mas não percebi o quão ruim era. Para mim, parecia até um pouco normal. Mas ele continuava fazendo as mesmas coisas, com a desculpa de que seria melhor para mim, que eu tinha que entender que o que ele fazia era importante, que minhas ambições e planos deveriam vir depois. Você não era o único a se questionar porque eu ainda estava com ele, eu já tava fazendo isso.
Ela se sentiu um pouco vulnerável, mas não se importou. Aquele ao seu lado era , um homem gentil, divertido e leal, que se preocupou com ela quando não era nem mesmo uma obrigação sua, que sempre a fazia rir quando tinha a oportunidade, que fazia questão de ajudá-la com qualquer coisa, mesmo que ela o expulsasse para estudar os textos das suas cenas. Era o cara que sempre errava o seu pedido de chá e que a fazia sentir coisas inomináveis.
Era o cara que não podia ser seu.
— Eu já tava irritada com o lance do erro da locação, você escolheu um momento péssimo para me seguir e me fazer sentir ainda pior com seus questionamentos — ela confessou. — Sentia que eu tinha falhado em cada coisinha…
— Não era a minha intenção — ele interrompeu-a, se justificando apressadamente. — Eu também fiquei irritado por vê-lo jogando a responsabilidade do próprio erro para cima de você, .
Ela finalmente olhou para ele. E engoliu a seco.
Tentava se lembrar quando aquilo começou, quando foi que começou a achar ele tão bonito, a se atrair por ele, a gostar de estar perto dele, mesmo quando entendeu que era errado e passou a evitá-lo, gerando um pequeno mal entendido de que ela o odiava. se agarrou veemente a isso.
— Por que você se importa?
ficou surpreso com a pergunta. A garganta secou quase instantaneamente, uma pergunta que, até então, ele não tinha refletido uma resposta. Tudo em o atraía, cada pedaço dela parecia convidá-lo a estar mais perto, a ser mais presente, a desafiá-lo a fazê-la rir só para ouvir o som da sua risada.
Mas antes que pudesse responder, um barulho chamou a atenção dos dois e, um segundo depois, as portas do elevador se abriram.
— Vocês estão bem? — alguém perguntou.
e desviaram o olhar um do outro e viraram o rosto na direção do dono da voz. Ambos assentiram e a assistente saiu primeiro, meio sem saber em que prestar atenção, mal notando a pequena multidão que se formou do lado de fora, preocupados com os dois presos ali dentro.
Quando saiu logo em seguida, ela olhou para ele.
Vozes se sobressaíam, questionando coisas aos dois, que não prestaram atenção, concentrado um no outro, enquanto um milhão de coisas não ditas passavam bem diante deles.

take 3


achou que se sentiria péssima se terminasse o namoro com Martin, mas ela sequer sentiu o peso da própria decisão. Na verdade, se fosse honesta consigo mesma, estava se sentindo aliviada. Parecia que um peso saiu das suas costas, um que ela não tinha consciência direta de que estava carregando.
Aquilo aconteceu em uma noite chuvosa, poucos dias depois da conversa com sua irmã, em que relatou a discussão com .
Martin tinha ido para o seu apartamento, trazendo uma sacola com pizza e vinho, que não chegaram a comer. Quando saiu do banho e o encontrou na sua cozinha, servindo as duas taças de vinho, ela não sentiu nada. Ele estava vestido e cheiroso e tinha uma expressão serena de quem nunca fazia nada de errado, mas a assistente se bastou com a atitude dele de não assumir o erro da locação, deixando o produtor executivo marcá-la como errada, o que, querendo ou não, prejudicava o seu trabalho, mas Martin não se importava.
Tá tudo bem, , você éuma assistente, e os assistentes erram muito, ele dizia, como se fosse justificativa suficiente para ela assumir os erros dele. Não foi a primeira vez, mas ela prometeu que seria a última. E cumpriu a sua promessa.
Terminou com ele bem ali, ainda de toalha de banho e os fios de cabelo molhados, dizendo a coisa mais comum do mundo em relação aos términos: não tá dando mais certo. Martin a olhou com um pouco de descrença. Como um bom manipulador, ele tentou fazer com que ela desistisse daquela tolice — palavras dele — que ele iria melhorar, que os dois podiam conversar. Tudo isso ele dizia se aproximando dela, tentando tocá-la, mas se afastava, reforçando que não queria mais aquele relacionamento.
Quando ele viu a certeza na expressão dela, entendeu que sua decisão não tinha volta. A expressão dele mudou completamente, a serenidade dando lugar a uma expressão contrariada, os lábios apertados em uma linha muito reta e fina, um claro sinal de que ele estava puto. Só que Martin podia ser tudo, mas não era agressivo, então ele voltou para a bancada da cozinha, colocou a caixa de pizza de volta na sacola, pegou a garrafa de vinho usada, disse que ela podia procurá-lo quando se arrependesse da decisão, e se foi.
Deixou apenas as duas taças de vinho servidas, que tomou sozinha depois. No dia seguinte, ela trocou a fechadura da porta e se livrou de todas as coisas que ainda tinha dele no seu apartamento, tirando todos os resquícios de sua presença. Por sorte, não era muita coisa, e ela não fez questão de devolver. Jogou tudo fora. Não servia nem para doação.
Nas semanas que se seguiram, ele encheu o celular dela de mensagens, que não respondeu. A frequência diminuiu e ele parecia estar aceitando melhor, ainda que tentasse falar com ela a qualquer custo no set de filmagem, mas só aceitava se o assunto fosse relacionado ao trabalho.
Ela não se sentiu mal. Não sentiu falta dele. Não quis mandar mensagens e nem chorou. Só se odiou por ter perdido tanto tempo da sua vida naquele relacionamento.
Por não ter corrido atrás do que queria, porque acreditava nele, acreditava que não era boa o suficiente para ser mais.
! — alguém gritou, em tom de aviso.
Mas ela não conseguiu desviar a tempo de ser atropelada por um Golden Retriever hiperativo que a reconheceu de longe. O cachorro a derrubou contra o chão, lambendo o seu rosto com uma animação pura e inocente, e ela riu, abraçando-o, questionando-se quando foi que ele cresceu tanto. Algum lugar das suas costas doeu, mas ela não se importou, sendo tão bem recebida daquela forma. Ela mal pisou dentro do abrigo.
— Oi, Pingo! — ela saudou, beijando o focinho dele.
Pingo balançou o rabo, animado, ainda em cima dela, sem pretensão nenhuma de largá-la.
— Você tá bem? — uma voz masculina, meio familiar, perguntou.
Ele tirou Pingo de cima da mulher, afastando o Golden para o lado, e se levantou, limpando as poeiras inexistentes da sua roupa. Quando ela levantou o rosto para agradecer a pessoa, seu sorriso congelou no rosto.
?
Não “sr. , ele notou. Ela estava chamando-o assim alguns dias atrás, mas parou quando ficaram presos juntos dentro de um elevador. As coisas melhoraram um pouco depois daquilo, mas ainda assim, eles não tinham conversado muito. As gravações se tornaram um caos, as madrugadas viraram dias, e no fim de tudo, todo mundo estava exausto do trabalho. A assistente sempre ia direto para casa, a fim de recuperar suas boas horas de sono e esconder suas olheiras.
Com o fim da primeira parte da gravação do filme concluída, o diretor deu dois dias de folga para a equipe descansar um pouco e recuperar as energias para a segunda parte da filmagem. Seria mais puxado, pois precisariam viajar para lugares específicos e finalmente conseguiu resolver o problema da locação do castelo. Ela praticamente passou uma semana inteira no celular, implorando e negociando por uma data próxima para que não atrasasse tanto o cronograma de filmagem e pudesse estar de acordo com a agenda dos atores.
Sem querer pensar em trabalho, aproveitou a sua folga para visitar o seu abrigo de animais favorito da cidade, que ela ajudava a manter desde a sua criação.
Aparentemente, alguém teve a mesma ideia que a sua.
— Oi, .
Ele parecia tão surpreso quanto ela. Pingo latiu, reclamando que ainda o segurava. O ator o soltou e Pingo correu de volta para dentro, se juntando a outros cães brincando na área de serviço.
— O que você tá fazendo aqui? — ela indagou, curiosa.
Ele estava vestido casualmente, com o cabelo para trás, mas alguns fios de cabelo rebeldes fora do lugar. Apenas uma calça jeans, uma camiseta branca e um tênis da mesma cor, o estilo simples e casual realçando a sua beleza. reparou que ela cortou um pouco o cabelo, os fios ondulados mais curtos do que da última vez que a viu de verdade, e ela usava um vestido amarelo de verão, contrastando com o dia cheio de nuvens.
— Eu faço parte de alguns programas comunitários — ele explicou. — Às vezes me voluntario para ajudar algum abrigo que esteja listado no programa e esse é um deles. Apoiar a causa animal é algo que eu sempre gostei. — Deu de ombros. — E você?
Ela entrou, acompanhada dele. O cheiro do lugar ainda era o mesmo, fazendo-a sentir nostálgica. assistiu quando os lábios dela se moveram em um sorriso genuíno.
— Também gosto de apoiar a causa animal — respondeu. — Ajudei a criar esse abrigo quando ele ainda parecia uma ideia impossível. Desde então, sempre que posso, apareço. É um dos meus lugares favoritos no mundo.
Ele conseguia ver a paixão dela por aquilo e sorriu, encantado.
Os dois andaram até chegar ao hall principal, onde estava rolando um evento, o local sendo decorado por diversos estandes, cada uma voltada para a causa animal. O objetivo do evento, além da adoção responsável, era conseguir arrecadar algum lucro para ajudar a manter o abrigo e os custos dos animais.
! — Uma mulher de estatura baixa apareceu, abraçando a assistente com um fervor impressionante. ficou ao lado, parado, as duas mãos no bolso da calça jeans. — Achei que nunca mais apareceria! Que saudades de te ver por aqui.
retribuiu o abraço.
— Desculpa, May, muito trabalho ultimamente.
May a soltou e balançou a cabeça, entendendo perfeitamente a justificativa. Ela reparou em ao lado e resolveu torná-lo foco da conversa. Como não era muito ligada ao mundo da fama e tinha um conhecimento muito pequeno sobre atores famosos, ela perguntou:
— Esse é o famoso Martin?
meio riu, um pouco sem graça.
— Não, May, esse é o — ela explicou, apresentando o ator. — Nós trabalhamos juntos.
estendeu a mão para May.
— Oi.
May aceitou, olhando para ele deslumbrada. não a julgou, entendendo perfeitamente o que ela deveria estar pensando.
— Oi, — May disse. Quando ela soltou a mão dele, se virou para . — Não sei como você consegue trabalhar com esse colírio para os olhos todos os dias. Eu o compararia a um deus.
riu e conteve um sorriso. Se havia algo sobre May que a gostava, era que ela não se importava de dizer as coisas na frente das pessoas, fossem boas ou ruins.
— Você sabe que ele está te ouvindo, né? Bem aqui. — A assistente apontou.
May deu de ombros. Ia abrir a boca para dizer algo, mas alguém chamou seu nome do outro lado do hall e ela revirou os olhos, seguido de um suspiro dramático.
— Eu preciso ir resolver alguma coisa, mas por favor, fiquem à vontade! — May exclamou, com um sorriso. — Você já é da casa, , conhece tudo. Fico feliz que finalmente tenha conseguido um tempo para nos visitar.
Ela se despediu da amiga com um beijo no rosto, com uma promessa de que voltaria para que elas conseguissem conversar direito, e se foi, deixando os dois ali. olhou para todos os lados e encontrou um estande de bebidas, esperando que tivesse um pouco de álcool.
— Quer beber alguma coisa?
a olhou de um jeito indecifrável.
— O Martin nunca vem aqui com você? — ele indagou.
A assistente de produção lambeu os lábios pintados de cor nude e mordeu a parte interna da bochecha. Nunca concluiu aquela conversa que tiveram no elevador e, embora ele pudesse ter extraído a informação do desabafo dela, nunca confirmou nada.
— Não, ele não se interessava — respondeu, dando de ombros. — E sim, o verbo no passado está correto. Terminei com o Martin há um tempo, .
Se fosse possível sentir fogos explodindo dentro de si, sentiria naquele momento. Ele conteve o entusiasmo com a notícia de transbordar por toda a sua expressão e, graças aos deuses, ele era um bom ator. A felicidade só explodia por dentro; por fora, a única reação que ele esboçou foi um sorriso curto e compreensivo e, entendendo que não queria falar sobre aquilo, visto que ela começou a sair andando atrás da bebida, ele não respondeu e não tocou no assunto.
Era suficiente para ele saber que ela finalmente se livrou daquele encosto que chamava de namorado. O alívio percorreu todo o seu corpo. O clima mudou instantaneamente.
— Oi, Leo — ele a ouviu cumprimentar a pessoa do outro lado da banca. — Alguma chance de ter bebidas alcoólicas?
Leo riu.
— Que sorte a sua, . A gerência liberou esse ano — ele avisou, achando graça de como ela suspirou aliviada. — Qual vai ser?
— A mesma de sempre, por favor. Para ele também. — Ela apontou para chegando ao seu lado.
Leo riu e preparou a bebida. O teor alcoólico era um pouco mais leve do que a maioria dos lugares, mas Leo adicionava uma dose a mais sempre que ela pedia. Naquele momento, precisava muito de um pouco de álcool, tanto para relaxar do estresse do trabalho quanto para acalmar os próprios nervos ao lado de .
Ele não estava disposto a deixá-la sozinha. E ela nem sabia se queria ser deixada em paz por ele, então deixou que ele ficasse por perto.
— Obrigada, Leo.
O homem mais velho do outro lado assentiu e entregou as duas bebidas para os dois.
— Vem comigo, vou te apresentar o lugar e a minha coisa favorita do mundo — ela convidou.
Ela bebeu um gole do copo, atravessou o Hall com o ator em seu encalço e chegaram ao enorme jardim. se lembrava de quando aquele jardim nem existia. Era só um espaço minúsculo com uma área de serviço bem pequena. Com o passar do tempo, foram ganhando visibilidade e conseguiram arrecadar o suficiente para comprarem um espaço mais adequado, principalmente com o número de animais sendo abandonados e abrigados por eles.
Ela cumprimentou todas as pessoas conhecidas pelo caminho até chegar onde queria. Parou na frente de uma sala, cuja porta era apenas um cercado pequeno e, dentro dele, dezenas de filhotes cachorrinhos. Seu coração se encheu de alegria ao avistá-los e, quando arrastou o cercado, se ajoelhou para receber todos eles, subindo em cima dela. sorriu com a cena, ainda do lado de fora.
Ela olhou para ele com o sorriso mais encantador que ele já vira.
— Você não vem?

🎬


Duas horas e alguns copos de bebidas depois, se sentia um pouco corajosa. Os dois estavam sentados nos balanços do jardim, lado a lado. Os pés descalços da assistente batiam contra a areia no chão e tinha as bochechas um pouco coradas por causa das bebidas.
Não chegavam a estarem bêbados. Mas sentia-se levemente alterada. Os dois conversaram sobre coisas aleatórias quando estavam com os filhotinhos e ela não sabia o que sentir quando o assistia brincar com os menorzinhos. Era uma cena muito fofa e ela começava a se sentir patética por estar tão atraída por ele. Não sabia como parar, no entanto.
Ele também não ajudava muito quando a olhava daquela maneira que ela não conseguia decifrar e fazendo questão de estar por perto. Alguns convidados o reconheciam e ele não negava a atenção, mas depois lá estava ele, ao lado dela de novo, como se ali fosse sempre o seu lugar.
— Você não respondeu à minha pergunta — ela soltou, de repente.
franziu o cenho, virando o rosto para o lado, só para encontrá-la o olhando já.
— O quê?
— Por que você se importou tanto?
Ele engoliu a seco, entendendo o que ela estava querendo dizer agora. Ela se referia ao momento do elevador, onde perguntou a mesma coisa quando ele pediu desculpas por ter se metido na relação dela. Por ter tido que Martin não a merecia, embora fosse verdade e ela tivesse admitido isso.
— Por um tempo, eu te odiei mesmo, sabia? — ela confessou, pegando-o de surpresa. se balançou com mais rapidez, sem se importar de dizer aquelas coisas. — Mas não por qualquer motivo plausível ou coisa do tipo, mas porque eu odiava como você fazia eu me sentir. O que não era culpa sua, claro, já que você não podia adivinhar que eu te acho tão lindamente maravilhoso, gentil e que eu estou ridiculamente atraída por você.
— Não é ridículo — ele disse, rápido demais.
Tudo o que ela acabou de dizer fez com que o coração dele desse um salto digno de olímpiadas. Talvez conseguisse levar o ouro naquela categoria.
— É sim.
— Não, não é — ele insistiu, virando o corpo desajeitadamente para o lado, na direção dela. — Quer saber por que me importei tanto que você estivesse com um cara imbecil que não te valorizava? Porque eu também estava ridiculamente atraído por você. Ainda estou.
piscou os olhos, processando a reciprocidade.
Por tanto tempo pareceu errado nutrir aquele tipo de sentimento quando ainda estava comprometida, mesmo com os problemas do relacionamento, mas agora? Agora nada mais importava. Nada mais a segurava, a não ser a si mesma. Ou ele.
Mas mesmo que Theodora o tivesse mandado tomar cuidado e proteger seu próprio coração, estava colocando-o para jogo sem colete.
— Você perguntou quem ia te enxergar então, se não fosse ele, mas eu te enxergo há tanto tempo, , que você não tem ideia — ele continuou, a respiração alterada, vendo que ela não conseguia responder. — Você gosta de ler romances clássicos, está sempre carregando o Kindle consigo para ler quando tem uma hora livre no set. Detesta chá e café e sempre vai preferir água com gás, o que eu acho terrível, mas posso aceitar seu mau gosto. — Ela sorriu, como uma idiota. — E tem o sonho de ser roteirista.
Seus olhos ficaram pequenos de desconfiança.
— Como você sabe? — disparou, surpresa.
O ator deu de ombros.
— Já te disse, eu te enxergo.
Ela jamais se sentiu vista como naquele instante.
O sol já estava se pondo, deixando o céu alaranjado, iluminando as bochechas rosadas dele de um jeito adorável. Sem pensar, se levantou, dando um passo para o lado dele, parando bem na frente do ator, que não hesitou em colocar as mãos na sua cintura. Por um momento, os dois apenas ficaram se encarando, mil pensamentos passando pela mente de cada um individualmente com coisas um sobre o outro. Em algum lugar do mundo, fogos de artifícios estavam sendo estourados para fazer jus à toda vibração que sentiam dentro de si.
De algum jeito, ela conseguiu se encaixar no colo dele. Não sabia se o balanço ia sustentar os dois, mas a segurava com uma firmeza que ela jamais experimentara antes. Seus dedos tocaram o rosto dele, algo que queria fazer desde a primeira vez o que o vira.
— Você é tão lindo — sussurrou, dedilhando o contorno do seu rosto como se estivesse gravando cada partícula.
Ele riu.
— Vou te ensinar a se olhar no espelho e você vai entender o que é beleza.
Ela o mandou calar a boca com um shii, o polegar se arrastando por toda a extensão dos lábios dele. A expectativa era tão grande que parecia uma tortura para ele.
.
Mas mal ouviu o que ele disse. Sua mente estava vagando por cada traço do rosto dele, os dedos formigando com o contato quente da sua pele, seu coração pulsando muito rápido, muito forte. Ela desceu os olhos dos olhos dele para a boca.
Então fez algo que queria há muito, muito tempo.
Ela o beijou.
se derreteu em sua boca, o beijo iniciando lento, o primeiro contato para testar o território. O encaixe. Mas nada disso foi muito preciso, então ela se aprofundou, beijando-o com vontade, sendo retribuída igualmente da mesma maneira, a intensidade tomando conta dos dois de um jeito incapaz de parar. Ela segurou o rosto dele, enquanto as mãos dele apertaram sua cintura, como se tivesse medo de que tudo aquilo fosse um sonho miserável e que a qualquer momento ele fosse acordar.
Só pararam de se beijar devido a necessidade de respirar. Os lábios de ambos se refletiam por estarem vermelhos. Eles respiraram pesado e não tinham a intenção de saírem de perto, mas o som do rangido da corda fez sair do colo dele. resmungou.
— Para onde você vai? — ele perguntou quando viu ela pegar os sapatos que tinha deixado de lado para brincar com os pés descalços na areia.
Ela não podia simplesmente beijá-lo e ir embora. Deixá-lo ali, sonhando como um idiota, ainda sentindo o gosto dos lábios dela nos seus quase inchados. Com a esperança de torná-la sua de algum jeito.
sorriu.
— Pra casa. Sozinha — respondeu, dando de ombros. Os olhos brilharam com um pensamento surgindo. — A menos que você queira vir junto?
não pensou duas vezes.

Epílogo


Novo romance no ar? é flagrado com companhia misteriosa após rumores de climão nos bastidores

Parece que , 35, não está deixando o burburinho dos bastidores de Animais Fantásticos afetar sua vida social. Algumas semanas depois dos boatos de um suposto atrito com uma funcionária do set, o ator britânico foi visto deixando um restaurante famoso de Londres ao lado de uma mulher misteriosa. Enquanto alguns fãs especulam que pode se tratar de um novo romance, outros se apressaram a perguntar: afinal, quem é ela? Até agora, a identidade da acompanhante permanece um verdadeiro enigma.

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NO INSTAGRAM: Theodora provoca o melhor amigo, , sobre suposto affair
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Tapete vermelho de Animais Fantásticos: a estreia do novo filme revela quem é a mulher misteriosa que conseguiu conquistar o coração de

Mistério desfeito! Depois de semanas de especulações, o ator britânico de 35 anos surgiu radiante na pré-estreia do novo filme da franquia, em Londres, acompanhado da mulher que vinha intrigando fãs e imprensa. De vestido deslumbrante e sorriso discreto, (32) não desgrudou de durante toda a noite — e, em certo momento, os dois chegaram até a trocar olhares apaixonados diante dos flashes. Ainda não há confirmação oficial, mas os fãs já decretaram: está fora do mercado.

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FLAGRA: O momento em que e a misteriosa companhia foram vistos de mãos dadas nos bastidores do evento.


Fofos! e encantam a internet em abrigo para cães

Se no tapete vermelho eles já roubam a cena, fora dele o casal mostra que também tem um coração enorme. (35) e (32) foram flagrados neste fim de semana em um abrigo de cães em Londres, onde passaram horas brincando e ajudando nos cuidados com os animais resgatados.
As fotos, que rapidamente viralizaram nas redes sociais, mostram os dois de roupas casuais, rindo juntos enquanto seguravam filhotes no colo. Internautas não perdoaram: “Se eu não acreditava no amor, agora acredito”, comentou um fã no X (antigo Twitter).
O vídeo de tentando convencer a adotar um dos cães já soma milhares de visualizações, com fãs pedindo para que o ator “leve o filhotinho pra casa e faça dele a terceira estrela da família”.

FIM!

Nota da autora: Quem quase reputou sinceramente foi eu. A vida me derrubou demais para não me deixar escrever esse versefic MAS EU CONSEGUI. não do jeito que eu queria ou planejei, mas consegui, e é o que importa, né? amo muito essa faixa e espero ter feito just à ela. ela é uma continuação indireta de 06. Bed Chem, o primeiro versefic do site, cujo link você encontra abaixo. Beijos estrelados e até a próxima! 💫

06. Bed Chem