10. Don't Worry I'll Make You Worry

Codificada por: Lua ☾
Finalizada em: Abril/2026.


Capítulo Único

O trânsito de São Paulo avançava devagar demais para alguém que já estava impaciente por dentro. batucava os dedos no volante, o olhar fixo no farol vermelho à frente, mas sem realmente enxergar nada. A cidade seguia seu ritmo caótico ao redor – buzinas, luzes, gente apressada – e, ainda assim, tudo parecia distante e abafado. Porque a única coisa que ocupava sua mente era ela.



Soltou o ar pelo nariz, passando a mão pelo rosto, como se aquilo fosse suficiente para reorganizar os pensamentos, mas não era. Sabia que ela estaria lá naquela noite. Tinha visto o nome na lista de convidados dias antes, como quem não queria nada, mas, desde então, aquilo não tinha saído da cabeça dele. Faziam longos meses desde a última vez que estiveram no mesmo espaço, desde aquela noite. Eles não tinham desaparecido completamente um da vida do outro. Pelo contrário, trocavam mensagens esporádicas, faziam ligações inesperadas tarde da noite – sempre quando ela queria, claro. E ele sempre atendia. apertou a mandíbula, os dedos agora firmes demais no volante. Ele sabia exatamente o que aquilo era. Sabia o tipo de jogo que jogava e que, para ela, era fácil aparecer, bagunçar tudo e ir embora como se nada tivesse acontecido. E, mesmo assim, deixava, porque, desde aquela noite, nada mais parecia suficiente. Nenhuma outra mulher, nenhuma outra conversa, nada tinha o mesmo gosto. Era como se algo tivesse sido arrancado dele, ou, pior, substituído. E agora, todo o resto parecia oco. O farol abriu, mas demorou um segundo a reagir, perdido demais nos próprios pensamentos. Ele riu baixo, sem humor, finalmente pisando no acelerador.
— Ótimo… — murmurou para si mesmo. — Vai ser uma noite longa.
Mas, no fundo, ele já sabia. Não importava quanto tempo tivesse passado, ou o quanto ele tentasse se convencer do contrário. Bastava ela aparecer que ele estaria perdido de novo.
O evento já estava cheio quando chegou. Cumprimentou algumas pessoas pelo caminho, trocou sorrisos automáticos, respondeu a comentários que nem ouviu direito, mas seus olhos varriam o ambiente, como se estivesse procurando algo a mais. E a encontrou. estava do outro lado do salão, apoiada no bar, com um copo na mão e uma expressão tranquila demais para alguém que acabava de atravessar dois anos intacta na cabeça dele. Ela estava diferente, não só na aparência – embora fosse impossível ignorar. O vestido marcava o corpo com uma facilidade irritante, o cabelo caía de um jeito calculadamente despretensioso e o olhar era o mesmo, só que mais afiado, como se soubesse exatamente o que fazia. Ela virou o rosto lentamente, encontrando o olhar dele, como se já soubesse que estaria ali, e ergueu o canto da boca em um sorriso ladino. soltou uma risada baixa pelo nariz, passando a língua pelo lábio inferior, como se aquilo fosse ajudá-lo a manter o controle, e caminhou até ela sem desviar o olhar.
… achei que você tinha desistido de vir. — Disse ao parar ao lado dela, o tom leve demais para o que realmente estava acontecendo por baixo.
girou levemente o corpo na direção dele, analisando-o sem qualquer pudor.
— E perder isso? — Respondeu, os olhos descendo por ele antes de voltarem ao rosto. — Jamais.
O CEO arqueou uma sobrancelha, soltando um riso curto.
— Engraçado… pensei que você gostava mais de desaparecer.
Ela deu um gole na bebida, tranquila.
— Eu gosto, mas também gosto de voltar.
inclinou levemente a cabeça, aproximando um pouco mais.
— Continua com as mesmas manias, então.
o acompanhou no movimento, diminuindo a distância entre eles de propósito.
— E você continua caindo nelas.
Ele riu baixo, balançando a cabeça.
— Você não mudou nada.
— Mentira… eu só fiquei melhor.
E foi ali que ele percebeu que, naquele jogo, ela definitivamente estava ganhando.
A noite foi avançando em camadas. até tentou acompanhar as conversas ao redor – negócios, campanhas, nomes que ele conhecia bem demais – mas sua atenção estava sempre dividida. não saía do seu campo de visão. Ela circulava com naturalidade, entrando e saindo das rodas de conversa, rindo no momento certo, falando com propriedade quando queria, mas sempre encontrando um jeito de voltar para perto dele. Em um dos grupos, alguém comentava sobre uma campanha recente, discutindo estratégias de engajamento. entrou no assunto com facilidade, falando com segurança, explicando pontos técnicos, o tipo de coisa que ele dominava.
— No final, o que segura é consistência… — disse, apoiando o copo na mão. — Não adianta viralizar uma vez e sumir depois.
— Nossa… — interrompeu, com um sorriso leve demais. — Que profundo.
Algumas pessoas riram. virou o rosto lentamente na direção dela, já esperando.
— Quer complementar?
Ela deu de ombros, tranquila.
— Não… só achei interessante você falando de consistência.
Ele estreitou os olhos, tentando entender onde ela queria chegar com aquilo.
— Engraçado isso vindo logo de você.
— O que quer dizer, ? — A cantora virou o rosto para o lado, como se estivesse genuinamente confusa.
Mas não respondeu – não com palavras. Apenas ergueu o copo em um brinde silencioso, sem desviar o olhar dela. Mas foi o suficiente para entender, enquanto os outros continuavam alheios à conversa silenciosa dos dois. Horas depois, o grupo finalmente começou a se dispersar. Pessoas indo embora, outras se perdendo pela pista, o bar ficando menos disputado. E, como se fosse inevitável, eles acabaram sozinhos novamente. apoiou o cotovelo no balcão, olhando para frente por um instante antes de falar:
— Você treinou durante esse tempo pra ficar assim?
— Assim como?
— Insuportável.
Ela virou o rosto devagar, arqueando a sobrancelha.
— Sempre fui. Mas, desde o nosso último… encontro, você continua aqui… perto. — O silêncio de foi a resposta que ela precisava para continuar. — Falando nisso, soube que você tá morando numa cobertura por aqui…
soltou um riso curto, balançando a cabeça.
— Deixa eu adivinhar, minha mãe contou pra sua?
— E ela tava super animada. Mas, se não me falha a memória… — inclinou levemente a cabeça, como se estivesse puxando do fundo da mente.
E sabia exatamente do que ela estava falando.
— A proposta ainda tá de pé.
não respondeu de imediato. Desceu os olhos pelo rosto dele, pelo pescoço, pelo peito… e voltou.
— É?
— É.
Ela mordeu levemente o lábio, como se pensasse.
— Não sei… — disse, finalmente, num tom leve demais para o que aquilo significava. — Depende.
— Depende de quê?
deu um meio sorriso, se afastando só o suficiente para criar um espaço entre os dois.
— Se ainda vale a pena.
E saiu andando devagar, sem olhar para trás, deixando-o parado ali, com a mente rodando rápido demais e o corpo ainda preso na presença dela. ficou alguns segundos parado onde estava, olhando na direção em que tinha sumido, como se ela fosse reaparecer com a mesma facilidade com que foi embora. Soltou o ar devagar, passando a mão pela nuca.
— Claro… — murmurou, mais para si mesmo do que para qualquer outra coisa.
Voltou para o bar e pediu outra bebida, fingindo prestar atenção em uma conversa que claramente não estava ouvindo. Mas sua mente não parava.

“Depende”

Depende do quê? Do momento? Dele? Dela? Ou era só mais um jogo?

Deu um gole mais longo do que o normal, apoiando o copo no balcão com um pouco mais de força do que precisava. Odiava o jeito como sempre deixava tudo em aberto, como ele sempre ficava tentando decifrar o que, para ela, parecia simples. E, pior, sabia que se ela dissesse “não”, ainda assim, ele ficaria, esperaria e atenderia quando o telefone tocasse de madrugada. Riu baixo, sem humor, passando a língua pelo lábio inferior.
— Eu tô ferrado.
O tempo passou arrastado depois disso, com mais tentativas frustradas de se distrair, até que, inevitavelmente, os olhos dele voltaram a procurá-la. estava perto da saída agora, conversando com alguém, mas já com aquele ar de quem estava prestes a ir embora. Ele pensou em deixar para lá e simplesmente ir embora, manter o mínimo de dignidade que ainda restava. Mas então ela riu de alguma coisa – o riso leve, solto, que ele conhecia bem demais – e foi o suficiente. Parou atrás dela, perto o bastante para que o perfume adocicado o atingisse. ainda estava de costas quando ele se inclinou levemente, aproximando o rosto do ouvido dela.
— Ainda não respondeu… — murmurou, a voz baixa, arrastada.
Ela não se virou de imediato, mas ele percebeu o pequeno sorriso surgindo.
— Eu respondi.
inclinou um pouco mais o rosto, quase encostando.
— Não, você complicou.
virou-se para encará-lo, os olhos brilhando com uma mistura irritante de diversão e desafio.
— E você tá aqui até agora tentando entender.
— Tô. Então facilita.
Ela o analisou por um segundo, como se estivesse decidindo algo importante, então deu um passo na direção dele, diminuindo a distância, a voz baixa o suficiente para só ele ouvir:
— Ainda tá de pé, né?
— Sempre esteve.
Ela sustentou o olhar por mais um instante e assentiu.
— Então vamos.
soltou o ar lentamente, como se nem tivesse percebido que estava prendendo a respiração até aquele momento, e um sorriso de canto surgiu, involuntário.
— Você é impossível.
— E você adora isso. — Ela já estava se afastando, pegando a bolsa, sem nem olhar para trás.
O trajeto começou em silêncio, como se tudo que tinha ficado suspenso durante a noite agora estivesse preso ali dentro do carro, ocupando espaço entre eles. dirigia com uma calma que não sentia, uma mão no volante e a outra apoiada na janela, os olhos fixos na rua, mas a atenção longe dali. estava no banco do passageiro, relaxada demais, com a janela semiaberta, o vento bagunçando levemente o cabelo, uma perna cruzada sobre a outra. O corpo todo transmitia despreocupação – como se não estivesse indo para o apartamento do cara com quem tinha uma história mal resolvida. Ela girava o celular entre os dedos, distraída, às vezes olhando a paisagem, às vezes lançando olhares rápidos para ele, que fingia não perceber.
— Você sempre fica quieto assim depois que consegue o que quer? — Perguntou, quebrando o silêncio com uma leveza irritante.
soltou um riso curto.
— Eu consegui? Você ainda não decidiu.
Ela virou o rosto na direção dele, um sorriso pequeno surgindo.
— Ah, eu já decidi.
— E? — apertou o volante por um segundo.
— Tô indo, não tô?
O silêncio voltou, a cidade passando em luzes borradas do lado de fora, o tempo escorrendo lento demais. Até que franziu levemente o cenho, puxando uma lembrança na mente. As piadas, os olhares, as indiretas, até o “depende”. Ela tinha passado a noite inteira brincando, vendo até onde ele ia. O CEO soltou uma risada baixa, sem humor, balançando levemente a cabeça.
— Você é inacreditável.
A mão dele apertou o volante de novo e, quando lançou um olhar rápido para , ela ainda estava olhando.
— Você ainda não entendeu, né? Eu só venho quando já decidi.
O carro seguiu pela avenida, diminuindo a velocidade à medida que se aproximava do prédio. encostou, desligando o motor, e os dois saíram. nem esperou, entrando direto no local, como se já soubesse o caminho. veio logo atrás, tentando manter o mínimo de normalidade enquanto passava pela portaria.
— Boa noite, seu Roberto. — Cumprimentou, num tom controlado demais para o que estava acontecendo poucos passos à frente.
— Boa noite, doutor . — O porteiro respondeu, sorrindo, o olhar curioso passando rapidamente por , que deu um cumprimento educado.
Ela parou por um segundo perto do elevador, fingindo mexer no celular, mas percebeu o pequeno sorriso no canto da boca. Ele apertou o botão do elevador, ficando perto o suficiente para sentir o calor do corpo dela.
— Você não perde tempo, né? — Murmurou, sem olhar diretamente.
— Com você? — Ela respondeu, quase sem mexer os lábios. — Nunca perdi.
As portas do elevador se abriram, eles entraram e, assim que elas se fecharam, virou de uma vez, segurando a cintura dela e a puxando contra o corpo, prensando-a contra a parede espelhada do elevador. soltou um pequeno suspiro surpreso, que cessou no segundo seguinte, quando ele a beijou. Ela respondeu na mesma intensidade, as mãos subindo rápido pelo pescoço dele, puxando-o ainda mais. O beijo era urgente, cheio de tudo o que tinham deixado acumulando. A mão dele apertou a cintura dela com força, subindo pelas costas, puxando-a ainda mais contra si, enquanto o corpo dela reagia automaticamente, encaixando no dele como se já conhecesse cada movimento. Até que o elevador parou antes da hora. Os dois mal tiveram tempo de se afastar direito. ainda estava perto demais, a respiração pesada, a mão presa na cintura dela, quando as portas se abriram e um vizinho entrou, falando algo no celular. virou o rosto na mesma hora, tentando conter o sorriso, ajeitando o cabelo como se nada tivesse acontecido. pigarreou baixo, passando a mão pela nuca e dando um passo para trás. O vizinho lançou um olhar rápido, decidindo ignorar a cena, mas o clima no elevador já havia ficado completamente desconfortável. A cantora mordeu o lábio, segurando o riso, e arriscou um olhar de lado para , que já estava olhando para frente com mandíbula travada, tentando recuperar o mínimo de controle.
— Controle exemplar. — Ela sussurrou, baixo o suficiente para só ele ouvir.
virou o rosto devagar, os olhos escuros de novo.
— Fica quieta… — murmurou de volta.
O elevador finalmente parou, as portas se abriram, e eles deram um “boa noite” rápido para o vizinho, que agiu como se nada tivesse acontecido. saiu primeiro e ela veio logo atrás, andando com calma demais pelo corredor, como se não tivesse acabado de ser prensada contra a parede segundos antes.
— É aqui. — Ele disse, já destrancando a porta do apartamento.
entrou primeiro, o olhar percorrendo o espaço com curiosidade genuína – sala ampla, iluminação moderna, tudo organizado demais, assim como ele.
— Então esse é o famoso apartamento. — Murmurou, dando alguns passos para dentro.
fechou a porta atrás deles, o som ecoando no silêncio.
— É. — Respondeu, seco demais.
Mas não estava com pressa. Ela caminhou pela sala devagar, passando a mão pelo encosto do sofá, observando os detalhes, como se estivesse realmente interessada.
— Bonito… bem a sua cara. Tudo no lugar.
soltou um riso baixo, sem humor, encostando-se na porta por um segundo.

Ela ignorou e seguiu andando, como se estivesse em um tour particular.
— E a vista? — Continuou, indo em direção à janela. — Aposto que escolheu por causa disso. Você sempre gostou de ter uma boa visão das coisas.
Ele fechou os olhos por um instante e respirou fundo. Quando os abriu já estava indo até ela.
— Você veio conhecer o apartamento mesmo? — Perguntou, a voz já sem muita paciência.
virou o rosto lentamente, encostada na janela, o olhar encontrando o dele com uma calma irritante.
— Ué… você não me convidou pra isso?
riu, dessa vez sem disfarçar.
— Você sabe que não.
Ela deu de ombros, inocente demais.
— Então me convence.
Foi o suficiente. Ele cruzou o espaço restante em poucos passos, segurando a cintura dela e a puxando de volta, sem dar tempo para reação.
— Eu não tenho tempo pra isso hoje. — Murmurou contra a boca dela.
sorriu, o rosto a centímetros do dele.
— Engraçado… você esperou até agora.
Aquilo foi o suficiente para ele a beijar de novo, com mais urgência, como se aquela frase só tivesse servido de combustível. respondeu na mesma intensidade, subindo as mãos devagar pelo peito dele, sem pressa, como se estivesse testando até onde ele aguentava.
— Calma… — murmurou entre o beijo, quase sem fôlego. — Eu nem terminei de ver o lugar.
riu contra a boca dela, puxando-a mais para perto.
— Depois você vê.
— E se eu não gostar? — Provocou, já ofegante.
Ele a virou, pressionando-a contra a parede mais próxima, o corpo colado ao dela.
— Você já gostou.
mordeu o lábio, os olhos brilhando.
— Convencido.
— Realista.
Ela soltou um riso baixo, levando as mãos até a camisa dele e puxando-o de volta.
— Você continua péssimo em se controlar. — Murmurou, o tom baixo, provocador.
— E você continua fazendo questão de testar.
— Alguém precisa.
deslizou a mão pelas costas dela, subindo devagar, sentindo cada reação. fechou os olhos por um segundo, inclinando levemente o corpo na direção dele. Ele a beijou de novo, mais lento no início, como se quisesse sentir cada segundo antes de perder o controle completamente.
— Chega de conversa. — Murmurou contra a boca dela, pegando-a pela cintura sem esforço e fazendo-a soltar um pequeno suspiro surpreso enquanto a levantava.
riu baixo, envolvendo as pernas ao redor dele automaticamente, já puxando-o para mais um beijo.
— Impaciente. — Provocou, a voz rouca contra a pele dele.
— A culpa é sua. — Ele devolveu, sem fôlego e começou a andar direto pelo corredor, sem hesitar, como se já tivesse imaginado aquele caminho vezes demais.
A cada passo, o beijo se tornava mais intenso, as mãos explorando os locais já conhecidos do corpo dela. mal teve tempo de reagir antes de sentir o colchão contra as costas. caiu sobre ela no mesmo instante, o corpo ainda quente, a respiração descompassada batendo contra a pele dela.
— Você… — ele começou, entre um beijo e outro, a voz falhando no meio do caminho.
aproveitou a brecha para inverter levemente o jogo, puxando-o mais para perto, os dedos firmes na nuca dele.
— Eu o quê? — Sussurrou contra a boca dele, provocando.
soltou um riso baixo, sem humor, encostando a testa na dela por um segundo.
— Você sabe exatamente o que faz.
— Sei… e você continua vindo.
Ele não respondeu, porque, naquele momento, qualquer tentativa de negar seria ridícula. Desceu os lábios pelo maxilar dela, pelo pescoço, demorando mais do que antes, como se quisesse compensar cada segundo que tinham perdido. fechou os olhos, o corpo reagindo automaticamente, os dedos se fechando no cabelo dele.

Aquilo foi o suficiente. Ele voltou para a boca dela, as mãos dele percorrendo o corpo dela com familiaridade.
— Alguns meses… — murmurou em algum momento, quase sem fôlego. — E você continua exatamente igual.
— Não… — ela sorriu. — Eu só fiquei pior.
Ele entrou nela de uma vez só, sem aviso, e ambos soltaram um gemido abafado. se entregou completamente, as unhas cravadas nas costas dele, os quadris se encontrando com os dele em um ritmo insistente. Cada estocada a fazia perder um pouco mais do controle. Ela arqueou as costas e ele aproveitou a oportunidade, mordendo a pele macia com força suficiente para deixar uma marca.
— Olha para mim. — Ele rosnou, a voz rouca de desejo, e forçou os olhos a se abrirem. desacelerou de repente, quase parando, e o contraste foi brutal. Ela gemeu de frustração, tentando mover os quadris para buscar o atrito. — Não… — sussurrou, beijando-a devagar. — Agora é do meu jeito.
E recomeçou, mas com movimentos lentos, que a preenchiam por inteiro. Era uma tortura deliciosa. sentia as ondas de prazer subindo, mais fortes do que antes, as pernas tremiam, o corpo todo suava, a respiração era curta e ofegante.
... eu... eu vou… — as palavras saiam em fôlegos curtos.
Ele não respondeu com palavras. Apenas aumentou a velocidade novamente, enquanto uma mão desceu até o clitóris dela, o polegar encontrando o ponto inchado e sensível e começando a movimentar-se em círculos firmes e rápidos. Foi o suficiente para o orgasmo atingi-la como um choque que percorreu cada nervo do seu corpo. sentiu o corpo dela estremecer sob o seu e, com um gemido final, desabou sobre ela, atingindo o ápice segundos depois. Eles ficaram assim por vários minutos, apenas o som de suas respirações tentando voltar ao normal preenchendo o quarto. Lentamente, rolou para o lado, o peito subindo e descendo devagar e o olhar preso nela como se ainda estivesse tentando entender como, depois de vários meses, tudo ainda era intenso. Um tempo depois, levantou da cama, completamente nua, atravessando o quarto como se não tivesse acabado de virar o mundo dele do avesso. acompanhou cada movimento sem disfarçar.
— Você sempre faz isso? — Murmurou, a voz ainda rouca. — Sai andando como se nada tivesse acontecido?
olhou por cima do ombro, um sorriso pequeno surgindo.
— O quê? Te desestabilizo e sigo a vida?
Ele soltou um riso baixo.
— Exatamente isso.
não respondeu, só continuou andando até a cadeira no canto do quarto, onde a camisa dele estava jogada, pegou o tecido entre os dedos, observando por um segundo antes de vestir, e deixando cair sobre o corpo dela. arqueou levemente a sobrancelha.
— Sério? Minha camisa favorita?
olhou para baixo, analisando.
— Foo Fighters? — Leu, passando a mão pelo tecido. — Não sabia que você tinha esse lado.
— Que lado?
— O de fã de banda que acha que tem profundidade emocional por causa de rock dos anos 2000. — Ela respondeu, completamente tranquila.
riu, passando a mão pelo rosto.
— Olha quem fala, a cantora de música pop genérica.
deu de ombros, ajeitando a camisa no corpo, que claramente ficava grande nela, e ainda assim, de algum jeito, só piorava a situação.
— Gostei. — Disse, simples.
a observou por um segundo a mais.
— Você fica gostosa nela.
A mulher sorriu de canto, como se já esperasse, e foi na direção dele, subindo na cama de novo, agora só com a camisa, o tecido roçando nas coxas, o olhar preso no dele. Ela se inclinou, apoiando as mãos ao lado do corpo dele, aproximando o rosto.
— Eu sei. — E o beijou, mais lento dessa vez. Quando se afastou, continuou perto demais, os olhos analisando os dele como se estivesse prestes a dizer algo importante. — Sabe qual é o problema?
já soltou um riso sem humor.
— Tenho até medo de saber.
inclinou a cabeça, os dedos brincando distraidamente com os fios de cabelo dele.
— Você acha que isso aqui muda alguma coisa.
— E não muda?
Ela sustentou o olhar por um segundo a mais, e então sorriu.
— Não se preocupe… — murmurou, suave demais. — Eu vou fazer você se preocupar.
Antes que ele pudesse responder, ela saiu de cima dele, se afastando de novo e pegando o celular como se nada tivesse acontecido. Como se aquilo tivesse sido só mais uma noite. ficou ali, processando. E entendeu, talvez tarde demais, que ela não ia ficar. Nunca ficava. E, mesmo assim, ele já sabia que quando ela resolvesse voltar ele deixaria… de novo.

FIM!

Nota da autora: Mais uma fic pra conta desse casal que eu amo tanto💜 Assim que eu analisei a letra, a primeira coisa que pensei foi neles. Espero que tenham gostado e não deixem de conferir as outras fics desses dois!! 07. Espresso e The first Shot