11. cowboy like me
Codificada por:
Sol
Finalizada em: 31/05/2026
CAPÍTULO UM
sempre soube que a vida não era algo fácil e agradável. Mas, em dias como aquele, às vezes era difícil se lembrar.
Estava usando seu vestido Mac Duggal azul meia-noite esvoaçante, de costas nuas, longo, com decote V que deixava seus seios ao mesmo tempo tentadores e recatados, complementado com um bordado de contas e lantejoulas em formas de folhas. Deveria tê-lo vendido, assim como todas as outras coisas caras que Harry lhe dera, mas não conseguiu. Amava o vestido. E, sendo bem honesta, não conseguiria muito mais que trezentos dólares. Essa era sua desculpa para manter aquele agrado.
E era útil em noites como aquela. No Leilão Beneficente dos McNamaras, no Iate Clube, ela se mesclava com as outras mulheres elegantes, deslizando pela sala como se pertencesse ao lugar. Armada com seu Mac Duggal e um copo de champagne que valia mais do que o aluguel da primeira casa em que já morara, conseguia sorrir seu melhor sorriso e pertencer.
O que era importante, já que era sua primeira aparição pública solitária em alguns bons meses, em um local totalmente novo. Precisava mostrar que ainda pertencia àquele lugar, que ainda poderia conquistar o coração de algum homem bonito e charmoso.
E provavelmente herdeiro de três mansões.
As bebidas e a música acaloravam a festa na parte externa, na quadra de tênis (por sorte, de concreto) do clube, embora mal estivesse reconhecível com a tenda branca que cobria o local, de onde várias luzes amarelas estavam penduradas. Um estilo simples e elegante.
se posicionou em um canto, levando o champagne aos lábios. As bolhas fizeram cócegas, mas nem isso a distraiu de seu objetivo principal: encontrar um novo investimento. Pois, no fim do dia, era apenas isso que os homens eram para ela.
Seus olhos velozes vagaram pela festa, identificando rapidamente os homens comprometidos; os homens comprometidos, mas dispostos a tratarem bem uma amante; os homens comprometidos que dariam problemas à sua amante; os homens solteiros que não passariam de uma noite rápida; os homens solteiros que poderiam se apaixonar, raros espécimes; e os homens viúvos, geralmente os mais fáceis de serem conquistados.
Depois de uma análise rápida e minuciosa, conseguiu identificar um homem que se encaixava na última categoria. Se lembrava de ter estudado o nome dele dentre os possíveis convidados do leilão: Victor Levinski, cinquenta e quatro anos, mas aparência bem conservada do início dos quarenta, herdeiro de cinco filiais americanas da Ford, viúvo há um ano e três meses, sem filhos e nenhum impedimento para se deslumbrar. Nenhum escândalo na mídia, e um sorriso até que charmoso. Perto dos demais investimentos de , ele parecia uma joia rara.
Ele conversava com os McNamaras. A proximidade com os donos do evento também era um ótimo sinal, e o plano já se formava na cabeça da mulher. Olhar alguma peça em comum. Se fazer de confusa, mas interessada. Elogiar sua inteligência. Deixar as coisas correrem dali.
Levinski enfim se despediu dos McNamaras e começou a fazer o caminho para dentro da exposição do leilão. contaria até 27 (seu número da sorte) antes de segui-lo, para não parecer muito na cara.
Um. Dois. Três…
No treze, ele alcançou a porta. As pernas de formigavam para segui-lo, mas ela se forçou a permanecer no lugar.
Vinte e três. Vinte e quatro. Vinte e cinco.
Ela apoiou a taça do champagne, quase vazia, em uma mesa próxima, deixando os braços livres para quaisquer movimentos que pudessem ser necessários. Respirou fundo e olhou em volta para enfim entrar no salão.
Mas seus olhos e seu corpo travaram no lugar quando percebeu que um lindo jovem caminhava em sua direção.
evitava a atenção dos jovens. Geralmente, eram mais apaixonantes do que apaixonados, acalorados, capazes de tomarem decisões precipitadas e perigosas, que poderiam acabar mal para a pessoa com menos poder na relação — que era sempre ela.
Porém, havia algo de diferente naquele homem. Não era nenhum dos jovens ricos que eram potenciais convidados dos McNamaras, pelo menos nenhum dos estudados por (e ela havia pesquisado todos), porém era impossível não negar o corte do seu terno Armani, nem deixar de reparar em seu relógio Ômega de ouro com tiras de couro. Não ostentava muito além disso, mas as duas peças passavam o recado de que ele não queria ser ignorado.
E ele agora andava na direção de , que havia paralisado e esquecido de seu plano para alcançar Levinski.
— Acho que não me recordo do seu rosto por essa região — pontuou ele, apoiando o cotovelo casualmente ao lado da taça de champagne dela. — Está de mudança?
Era outro motivo dos jovens a irritarem. Eram espertos demais.
Ele olhava para o ponto oposto, onde uma banda tocava e alguns casais dançavam juntos. Mesmo assim, se sentia vulnerável com sua súbita atenção. Especialmente com sua pele marrom, seus cabelos escuros levemente ondulados e seus olhos que brilhavam amarelados naquele ambiente. Talvez fosse o homem mais bonito que ela já tivesse visto na vida.
E isso era terrível.
— Sim, uma amiga me convidou para conhecer a Califórnia — respondeu docemente , deixando de fora de onde viera.
Ainda sem encará-la, uma das sobrancelhas dele se ergueu.
— Amiga?
— Sim. Cat.
— Catherine McNamara?
Agora ele não havia conseguido não olhá-la, mas era quem fingia se distrair com a pista de dança.
— Sim. Somos amigas há certo tempinho.
Esse tempo era de exatas duas semanas, quando começou a propositalmente tentar acessar o ciclo de Catherine para conseguir maior acesso a esse tipo de evento, mas ele não precisava saber.
— Interessante. — Foi tudo o que ele se dignou a responder.
Mas estava intrigada demais para só deixar de lado. Por isso, ela o encarou, mesmo que isso tenha deixado suas pernas um pouco moles.
— E você? Já vive aqui há um tempo?
— Digamos que sou conhecido pela região há alguns anos.
— Mas não é daqui?
— Gosto de pensar que somos do mundo. Você não?
As respostas dele eram carregadas de evasivas, mas que se tornavam agradáveis com o toque certo de charme e sorrisos inocentes.
Técnicas que ela conhecia muito bem. Estreitou os olhos, tentando analisá-lo melhor. Nenhum anel com símbolo da família. Nenhum cordão que chamasse atenção. Perfume extremamente aceitável e conhecido por jovens adultos da idade dos dois. Sapatos que não eram da última coleção.
Mas havia o maldito Ômega em seu pulso direito, e isso deixava suas teorias inconclusivas.
— Você não me disse seu nome — perguntou a mulher, fingindo um sorriso inocente.
— E nem você me disse o seu.
Ela não queria manter aquele jogo por muito tempo, então abriu um pequeno sorriso calculado.
— Sou .
As sobrancelhas dele se ergueram de leve, captando algo.
— .
. O nome combinava com ele. Elegante, mas não extravagante. E, obviamente, sem nenhum sobrenome verdadeiramente relevante acompanhando.
Mas como ele conseguira aquele Ômega?
Talvez tivesse olhado por muito tempo para a mão dele sem perceber, porque o homem a estendeu prontamente.
— Dança comigo?
Ele sorria, porém, por mais que tentasse fingir inocência, havia um relance em seus olhos.
Algo que refletia em sua própria alma, como se reconhecesse um igual.
Todos os sinais que sua mente tentava ignorar se juntaram em uma grande placa neon impossível de ignorar: era exatamente igual a ela.
E ele também sabia.
O que significava que estava apenas jogando um tempo precioso fora, em algo que não daria nada positivo.
o encarou séria, e sacudiu a cabeça, sem tentar forçar mais sorrisos inocentes para ele.
— Dançar é um jogo perigoso que nós dois sabemos jogar. E não quero arriscar peças importantes em um campeonato que não me trará vitórias verdadeiras.
Pronto. Ali ele entenderia, recuaria e os dois não iriam mais trocar ideias e conversas fiadas. Era o que ela esperava. Mas talvez o tivesse subestimado, porque, quando ela jurou ter a vitória, ele utilizou uma arma terrível.
Ele riu. Verdadeiramente. Uma risada que chegou aos olhos dele, cheia de dentes brancos, embora um dos caninos fosse um pouco mais pronunciado. E o som daquela risada… atingia diretamente sua barriga, fazendo com que ela se revirasse.
Mal sinal.
— O que foi? — perguntou , mal-humorada.
— A senhorita me diverte. Não consegue aceitar uma dança inocente sem se preocupar com as consequências?
— Se fosse uma dança verdadeiramente inocente, talvez.
— Não vai saber as procedências até testar.
— E aí já estarei perdida, não?
O sorriso continuou no rosto dele, estampado como uma obra de arte da qual ela não conseguia desviar o olhar.
— Vamos, srta. . Me deixe celebrar sua chegada recente na cidade com uma dança, te garanto que isso não incomodará seus investimentos.
Um calor se espalhou por seu pescoço com a fala dele. Sim, ela sempre os chamara assim em sua cabeça, o que não dava a ele o direito de dizer isso em voz alta. Fazia-a parecer uma… interesseira. E ela não era só isso.
— Isso não foi muito educado, sr. .
— Peço mil perdões, a senhorita tem razão. Posso recompensá-la com uma dança?
Insistente e convincente. se perguntou se aquele Ômega não teria sido um presente de uma admiradora muito apaixonada, ela não duvidava da capacidade dele de conseguir aquilo, porque, quando viu, estava estendendo sua mão.
— Só uma.
Ele sorriu.
— Já valerá a noite inteira.
Ela bufou e revirou os olhos, fazendo uma risadinha sair da boca dele. estava se divertindo muito com aquilo.
Ele segurou a mão dela, e um choque percorreu o corpo dela. A banda começou a tocar uma música mais lenta, e pousou a mão quente nas costas nuas pelo vestido. sentiu o corpo inteiro se arrepiar com aquele mínimo contato, como se fosse novamente uma adolescente tola de doze anos que ainda acredita em amor.
— Apartamento ou casa?
, que ainda estava perdida nas sensações que o homem provocava nela, levantou a cabeça, completamente perdida.
— O quê?
— O que você prefere: apartamento ou casa? — repetiu .
Ela ficou surpresa com a pergunta tão idiota. Revirou os olhos, mas o toque nas costas e o choque a persuadiram a responder.
— Casa.
— O quê?! — Ele arregalou os olhos. — Mas é tão mais difícil de manter a limpeza! — exclamou ele, com a boca escancarada de surpresa.
— No meu mundo ideal, eu tenho uma empregada. — Ela deu de ombros.
— Mas e suas encomendas? Um porteiro é melhor.
— Eu contrato um segurança — replicou simplesmente. — Eu quero ter um jardim.
— Você pode ter um jardim em uma cobertura. Um andar somente seu do apartamento.
— Ou posso ter um jardim de verdade em uma casa. — Percebeu que ele estava pronto para contra argumentar, então ela foi mais rápida. — E se a luz acaba? Eu fico dependente de 20 lances de escada?
— Bom, no meu mundo ideal — ele reproduziu as palavras dela —, a luz nunca acaba.
— Acho que isso não acontece em nenhum mundo ideal. É somente impossível.
— Também é impossível pessoas como nós estarmos em locais como este, mas aqui estamos.
Ele piscou e rodopiou a mulher. ficou constrangida, sentindo-se levemente exposta por alguém saber sua verdade. O seu não pertencimento.
Mas ele não a denunciaria, ela sabia disso. Não só porque ele era um igual, mas seus olhos eram gentis demais para aquilo.
— Na sua casa ideal com jardim, segurança e empregada — continuou a conversa —, quais quartos da felicidade você teria?
— Como assim? — perguntou, sem perceber que estava dando trela para aquele homem doido.
— Você sabe. Quarto de meditação, estúdio de academia, quarto da costura, sauna, salão de dança, biblioteca… Qual luxo você teria em uma casa?
Ela não deveria ter pensado. Não deveria ter encarado os olhos dele, genuinamente curiosos, querendo escutá-la, querendo conhecê-la. estava tendo a primeira conversa em anos em que não fingia ser uma personagem, e aquilo era um perigo.
E a melhor coisa que já lhe acontecera há tempos. Por isso, ela se viu sussurrando.
— Um ateliê.
A princípio, falou tão baixo e a música estava tão alta que acreditou que ele nem ao menos havia a escutado. Mas o rosto dele se iluminou com um sorriso grande.
— Poderia ficar bem ao lado da minha sala de música.
ficou chocada com a resposta implicitamente atrevida, mas, antes que recuperasse as palavras e pudesse replicar, a música terminou. soltou a cintura dela, deixando um vazio gelado no lugar, e aproximou a mão dela de sua boca para depositar um beijo.
— Uma pena que meu limite era apenas de uma dança. Até uma próxima, , amante de casas.
E da mesma maneira súbita e charmosa que havia surgido, ele saiu, como se pertencesse ao lugar.
continuou na pista de dança, atordoada e assustada. Assustada porque demorou dez minutos inteiros para se lembrar de Victor Levinski. Porque bebeu outra taça de champagne sem se preocupar com a velocidade e com a etiqueta.
Porque estava arrependida de só permitir uma única dança a .
Estava usando seu vestido Mac Duggal azul meia-noite esvoaçante, de costas nuas, longo, com decote V que deixava seus seios ao mesmo tempo tentadores e recatados, complementado com um bordado de contas e lantejoulas em formas de folhas. Deveria tê-lo vendido, assim como todas as outras coisas caras que Harry lhe dera, mas não conseguiu. Amava o vestido. E, sendo bem honesta, não conseguiria muito mais que trezentos dólares. Essa era sua desculpa para manter aquele agrado.
E era útil em noites como aquela. No Leilão Beneficente dos McNamaras, no Iate Clube, ela se mesclava com as outras mulheres elegantes, deslizando pela sala como se pertencesse ao lugar. Armada com seu Mac Duggal e um copo de champagne que valia mais do que o aluguel da primeira casa em que já morara, conseguia sorrir seu melhor sorriso e pertencer.
O que era importante, já que era sua primeira aparição pública solitária em alguns bons meses, em um local totalmente novo. Precisava mostrar que ainda pertencia àquele lugar, que ainda poderia conquistar o coração de algum homem bonito e charmoso.
E provavelmente herdeiro de três mansões.
As bebidas e a música acaloravam a festa na parte externa, na quadra de tênis (por sorte, de concreto) do clube, embora mal estivesse reconhecível com a tenda branca que cobria o local, de onde várias luzes amarelas estavam penduradas. Um estilo simples e elegante.
se posicionou em um canto, levando o champagne aos lábios. As bolhas fizeram cócegas, mas nem isso a distraiu de seu objetivo principal: encontrar um novo investimento. Pois, no fim do dia, era apenas isso que os homens eram para ela.
Seus olhos velozes vagaram pela festa, identificando rapidamente os homens comprometidos; os homens comprometidos, mas dispostos a tratarem bem uma amante; os homens comprometidos que dariam problemas à sua amante; os homens solteiros que não passariam de uma noite rápida; os homens solteiros que poderiam se apaixonar, raros espécimes; e os homens viúvos, geralmente os mais fáceis de serem conquistados.
Depois de uma análise rápida e minuciosa, conseguiu identificar um homem que se encaixava na última categoria. Se lembrava de ter estudado o nome dele dentre os possíveis convidados do leilão: Victor Levinski, cinquenta e quatro anos, mas aparência bem conservada do início dos quarenta, herdeiro de cinco filiais americanas da Ford, viúvo há um ano e três meses, sem filhos e nenhum impedimento para se deslumbrar. Nenhum escândalo na mídia, e um sorriso até que charmoso. Perto dos demais investimentos de , ele parecia uma joia rara.
Ele conversava com os McNamaras. A proximidade com os donos do evento também era um ótimo sinal, e o plano já se formava na cabeça da mulher. Olhar alguma peça em comum. Se fazer de confusa, mas interessada. Elogiar sua inteligência. Deixar as coisas correrem dali.
Levinski enfim se despediu dos McNamaras e começou a fazer o caminho para dentro da exposição do leilão. contaria até 27 (seu número da sorte) antes de segui-lo, para não parecer muito na cara.
Um. Dois. Três…
No treze, ele alcançou a porta. As pernas de formigavam para segui-lo, mas ela se forçou a permanecer no lugar.
Vinte e três. Vinte e quatro. Vinte e cinco.
Ela apoiou a taça do champagne, quase vazia, em uma mesa próxima, deixando os braços livres para quaisquer movimentos que pudessem ser necessários. Respirou fundo e olhou em volta para enfim entrar no salão.
Mas seus olhos e seu corpo travaram no lugar quando percebeu que um lindo jovem caminhava em sua direção.
evitava a atenção dos jovens. Geralmente, eram mais apaixonantes do que apaixonados, acalorados, capazes de tomarem decisões precipitadas e perigosas, que poderiam acabar mal para a pessoa com menos poder na relação — que era sempre ela.
Porém, havia algo de diferente naquele homem. Não era nenhum dos jovens ricos que eram potenciais convidados dos McNamaras, pelo menos nenhum dos estudados por (e ela havia pesquisado todos), porém era impossível não negar o corte do seu terno Armani, nem deixar de reparar em seu relógio Ômega de ouro com tiras de couro. Não ostentava muito além disso, mas as duas peças passavam o recado de que ele não queria ser ignorado.
E ele agora andava na direção de , que havia paralisado e esquecido de seu plano para alcançar Levinski.
— Acho que não me recordo do seu rosto por essa região — pontuou ele, apoiando o cotovelo casualmente ao lado da taça de champagne dela. — Está de mudança?
Era outro motivo dos jovens a irritarem. Eram espertos demais.
Ele olhava para o ponto oposto, onde uma banda tocava e alguns casais dançavam juntos. Mesmo assim, se sentia vulnerável com sua súbita atenção. Especialmente com sua pele marrom, seus cabelos escuros levemente ondulados e seus olhos que brilhavam amarelados naquele ambiente. Talvez fosse o homem mais bonito que ela já tivesse visto na vida.
E isso era terrível.
— Sim, uma amiga me convidou para conhecer a Califórnia — respondeu docemente , deixando de fora de onde viera.
Ainda sem encará-la, uma das sobrancelhas dele se ergueu.
— Amiga?
— Sim. Cat.
— Catherine McNamara?
Agora ele não havia conseguido não olhá-la, mas era quem fingia se distrair com a pista de dança.
— Sim. Somos amigas há certo tempinho.
Esse tempo era de exatas duas semanas, quando começou a propositalmente tentar acessar o ciclo de Catherine para conseguir maior acesso a esse tipo de evento, mas ele não precisava saber.
— Interessante. — Foi tudo o que ele se dignou a responder.
Mas estava intrigada demais para só deixar de lado. Por isso, ela o encarou, mesmo que isso tenha deixado suas pernas um pouco moles.
— E você? Já vive aqui há um tempo?
— Digamos que sou conhecido pela região há alguns anos.
— Mas não é daqui?
— Gosto de pensar que somos do mundo. Você não?
As respostas dele eram carregadas de evasivas, mas que se tornavam agradáveis com o toque certo de charme e sorrisos inocentes.
Técnicas que ela conhecia muito bem. Estreitou os olhos, tentando analisá-lo melhor. Nenhum anel com símbolo da família. Nenhum cordão que chamasse atenção. Perfume extremamente aceitável e conhecido por jovens adultos da idade dos dois. Sapatos que não eram da última coleção.
Mas havia o maldito Ômega em seu pulso direito, e isso deixava suas teorias inconclusivas.
— Você não me disse seu nome — perguntou a mulher, fingindo um sorriso inocente.
— E nem você me disse o seu.
Ela não queria manter aquele jogo por muito tempo, então abriu um pequeno sorriso calculado.
— Sou .
As sobrancelhas dele se ergueram de leve, captando algo.
— .
. O nome combinava com ele. Elegante, mas não extravagante. E, obviamente, sem nenhum sobrenome verdadeiramente relevante acompanhando.
Mas como ele conseguira aquele Ômega?
Talvez tivesse olhado por muito tempo para a mão dele sem perceber, porque o homem a estendeu prontamente.
— Dança comigo?
Ele sorria, porém, por mais que tentasse fingir inocência, havia um relance em seus olhos.
Algo que refletia em sua própria alma, como se reconhecesse um igual.
Todos os sinais que sua mente tentava ignorar se juntaram em uma grande placa neon impossível de ignorar: era exatamente igual a ela.
E ele também sabia.
O que significava que estava apenas jogando um tempo precioso fora, em algo que não daria nada positivo.
o encarou séria, e sacudiu a cabeça, sem tentar forçar mais sorrisos inocentes para ele.
— Dançar é um jogo perigoso que nós dois sabemos jogar. E não quero arriscar peças importantes em um campeonato que não me trará vitórias verdadeiras.
Pronto. Ali ele entenderia, recuaria e os dois não iriam mais trocar ideias e conversas fiadas. Era o que ela esperava. Mas talvez o tivesse subestimado, porque, quando ela jurou ter a vitória, ele utilizou uma arma terrível.
Ele riu. Verdadeiramente. Uma risada que chegou aos olhos dele, cheia de dentes brancos, embora um dos caninos fosse um pouco mais pronunciado. E o som daquela risada… atingia diretamente sua barriga, fazendo com que ela se revirasse.
Mal sinal.
— O que foi? — perguntou , mal-humorada.
— A senhorita me diverte. Não consegue aceitar uma dança inocente sem se preocupar com as consequências?
— Se fosse uma dança verdadeiramente inocente, talvez.
— Não vai saber as procedências até testar.
— E aí já estarei perdida, não?
O sorriso continuou no rosto dele, estampado como uma obra de arte da qual ela não conseguia desviar o olhar.
— Vamos, srta. . Me deixe celebrar sua chegada recente na cidade com uma dança, te garanto que isso não incomodará seus investimentos.
Um calor se espalhou por seu pescoço com a fala dele. Sim, ela sempre os chamara assim em sua cabeça, o que não dava a ele o direito de dizer isso em voz alta. Fazia-a parecer uma… interesseira. E ela não era só isso.
— Isso não foi muito educado, sr. .
— Peço mil perdões, a senhorita tem razão. Posso recompensá-la com uma dança?
Insistente e convincente. se perguntou se aquele Ômega não teria sido um presente de uma admiradora muito apaixonada, ela não duvidava da capacidade dele de conseguir aquilo, porque, quando viu, estava estendendo sua mão.
— Só uma.
Ele sorriu.
— Já valerá a noite inteira.
Ela bufou e revirou os olhos, fazendo uma risadinha sair da boca dele. estava se divertindo muito com aquilo.
Ele segurou a mão dela, e um choque percorreu o corpo dela. A banda começou a tocar uma música mais lenta, e pousou a mão quente nas costas nuas pelo vestido. sentiu o corpo inteiro se arrepiar com aquele mínimo contato, como se fosse novamente uma adolescente tola de doze anos que ainda acredita em amor.
— Apartamento ou casa?
, que ainda estava perdida nas sensações que o homem provocava nela, levantou a cabeça, completamente perdida.
— O quê?
— O que você prefere: apartamento ou casa? — repetiu .
Ela ficou surpresa com a pergunta tão idiota. Revirou os olhos, mas o toque nas costas e o choque a persuadiram a responder.
— Casa.
— O quê?! — Ele arregalou os olhos. — Mas é tão mais difícil de manter a limpeza! — exclamou ele, com a boca escancarada de surpresa.
— No meu mundo ideal, eu tenho uma empregada. — Ela deu de ombros.
— Mas e suas encomendas? Um porteiro é melhor.
— Eu contrato um segurança — replicou simplesmente. — Eu quero ter um jardim.
— Você pode ter um jardim em uma cobertura. Um andar somente seu do apartamento.
— Ou posso ter um jardim de verdade em uma casa. — Percebeu que ele estava pronto para contra argumentar, então ela foi mais rápida. — E se a luz acaba? Eu fico dependente de 20 lances de escada?
— Bom, no meu mundo ideal — ele reproduziu as palavras dela —, a luz nunca acaba.
— Acho que isso não acontece em nenhum mundo ideal. É somente impossível.
— Também é impossível pessoas como nós estarmos em locais como este, mas aqui estamos.
Ele piscou e rodopiou a mulher. ficou constrangida, sentindo-se levemente exposta por alguém saber sua verdade. O seu não pertencimento.
Mas ele não a denunciaria, ela sabia disso. Não só porque ele era um igual, mas seus olhos eram gentis demais para aquilo.
— Na sua casa ideal com jardim, segurança e empregada — continuou a conversa —, quais quartos da felicidade você teria?
— Como assim? — perguntou, sem perceber que estava dando trela para aquele homem doido.
— Você sabe. Quarto de meditação, estúdio de academia, quarto da costura, sauna, salão de dança, biblioteca… Qual luxo você teria em uma casa?
Ela não deveria ter pensado. Não deveria ter encarado os olhos dele, genuinamente curiosos, querendo escutá-la, querendo conhecê-la. estava tendo a primeira conversa em anos em que não fingia ser uma personagem, e aquilo era um perigo.
E a melhor coisa que já lhe acontecera há tempos. Por isso, ela se viu sussurrando.
— Um ateliê.
A princípio, falou tão baixo e a música estava tão alta que acreditou que ele nem ao menos havia a escutado. Mas o rosto dele se iluminou com um sorriso grande.
— Poderia ficar bem ao lado da minha sala de música.
ficou chocada com a resposta implicitamente atrevida, mas, antes que recuperasse as palavras e pudesse replicar, a música terminou. soltou a cintura dela, deixando um vazio gelado no lugar, e aproximou a mão dela de sua boca para depositar um beijo.
— Uma pena que meu limite era apenas de uma dança. Até uma próxima, , amante de casas.
E da mesma maneira súbita e charmosa que havia surgido, ele saiu, como se pertencesse ao lugar.
continuou na pista de dança, atordoada e assustada. Assustada porque demorou dez minutos inteiros para se lembrar de Victor Levinski. Porque bebeu outra taça de champagne sem se preocupar com a velocidade e com a etiqueta.
Porque estava arrependida de só permitir uma única dança a .
CAPÍTULO DOIS
observava o movimento do mar, engolindo em seco a cada maré. Os estabilizadores do iate eram ótimos, mas às vezes ainda se sentia como a garotinha assustada de 7 anos que tinha medo do mar porque nunca tivera acesso a aulas de natação.
Desviou os olhos do azul assustador, relanceando a mesa do bolo, cercada de funcionários que a ajeitavam. As fotos gigantescas de Catherine McNamara passando em um telão não deixavam dúvidas que a aniversariante era linda e gostava muito do rosto que seu cirurgião plástico havia lhe dado.
havia se afastado rapidamente da mesa das mulheres dizendo que queria aproveitar o ar da maresia, mesmo que lhe desse vontade de vomitar, porque precisava de uma chance para tentar se aproximar do ambiente onde os homens estavam jogando cartas. Precisava encontrar Victor Levinski.
Já havia se passado uma semana desde o leilão dos McNamaras, onde havia conseguido esbarrar em Victor e incentivá-lo a participar do leilão de um lindo brinco de pérolas de um distante parente da casa Windsor, incentivando-o a comprar para a mãe dele. Por um infortúnio (que ela já conhecia), a mãe dele já havia falecido, e ela se sentira tão constrangida e triste por ele que recebera os brincos de presente para que ela não se chateasse com o comentário que qualquer um poderia ter feito.
Então agora não tirava os brincos da orelha, percebendo-se dez mil dólares mais rica toda vez que se olhava no espelho.
Aquela havia sido uma única noite de interações. O que alguns dias poderiam fazer por ela?
Vestida com seu conjunto de colete e calça pantacourt de linho marfim com conchas azuis costuradas, ela andou com seus saltos finos até o andar de cima, fazendo sua melhor cara de perdida e inocente.
As vozes masculinas chegaram a ela antes que ela chegasse a eles. Ela encolheu os ombros de leve, para parecer um pouco assustada, antes de abrir a maçaneta. Alguns homens olharam na direção dela. Ela se deixou ser vista, deixou que percebessem sua presença, fingindo-se assustada enquanto identificava de canto de olho a posição de Victor. Infelizmente ele estava longe demais para parar sua conversa e prestar atenção na mulher doce e confusa que ela estava interpretando.
Um dos homens da mesa do baralho se levantou. Carl Campbell, casado, mas não do tipo muito fiel. Ele abriu um sorriso ao se dirigir a ela.
— Ora, mocinha, o que está fazendo aqui?
Forçando um biquinho, soltou um muxoxo.
— Esse definitivamente não é o banheiro.
Os homens ao redor de Campbell riram, encantados, e o homem continuou:
— Primeira vez em um iate, senhorita…?
— . E sim, talvez eu devesse ter insistido mais em conseguir um no Texas para ganhar prática. — Ela sacudiu a cabeça, envergonhada de si mesma.
Os homens riram mais uma vez, e Carl começou a caminhar na direção dela.
— Deixe-me levá-la de volta antes que acabe procurando o banheiro na cabine do capitão. Ou, Deus me livre, no bote salva-vidas.
Ela esperou as risadas logo depois e usou delas para ter tempo de raciocinar. Campbell não estava em sua lista de investimentos a longo prazo, não pretendia se envolver com ele, mas não seria nada mal conseguir um admirador que pudesse lhe enviar alguns mimos. Por isso, abriu um sorriso aliviado e grato.
— Obrigada pela gentilez-
— Campbell, não precisa abandonar seu jogo. Deixe que eu acompanhe a jovem.
O corpo de travou, e então derreteu, pelo simples fato de ouvir sua voz. Utilizara toda sua força de vontade para não ficar pensando na voz charmosa e no toque quente de , mas todo os pensamentos dos quais tentou tanto se esquivar haviam se materializado bem diante de si, na forma de um homem de calça e blusa de linho também, com alguns botões levemente abertos, provocadores.
Caramba, tinha que voltar à sua pose de perdida e não babar.
Campbell olhou para com os olhos estreitados, como se visse por baixo de sua fachada. Ou talvez por ele ser um dos únicos homens não brancos do local.
— Isso não será necessário, .
deveria ter ficado quieta. Deveria ter insistindo em ser levada pelo mais velho, ter se inclinado para perto dele, qualquer coisa. Mas agora que o ser que tentara evitar ao máximo estava em sua frente, ela não conseguia desviar o olhar.
— Eu não sabia que estava atrapalhando seu jogo, sr. Campbell. Me sentirei terrivelmente mal se perder por minha causa — sussurrou , abaixando a cabeça, mais envergonhada. — Eu só estou atrapalhando o senhor.
— Bobagem, srta. . Você nunca atrapalharia. — Ele sorriu bondoso para ela.
— Me conte — ela se aproximou dele, os olhos arregalados —, o senhor está perto de ganhar?
Ele soltou uma risada, e aproximou-se tanto que ela sentiu o cheiro do conhaque na boca dele.
— Tenho algumas cartas na manga, meu bem. Com certeza irei ganhar.
Um trapaceiro, era claro. Mas isso não importava pra inocente e impressionada .
— Então, por favor, fique no jogo e ganhe! Por mim.
Ela abriu um sorriso encorajador. De canto de olho, ela percebeu sorrindo, e sentiu as bochechas esquentarem de leve. Por sorte, isso ajudou para sua encenação.
Carl pigarreou e sorriu.
— Muito bem. Se você insiste.
— E me conte mais tarde da sua vitória, sim?
Ele voltou a se sentar na mesa com os companheiros, e não esperou nem mais um segundo antes de estender o braço para ela. Pateticamente, ela aceitou na mesma hora.
Passadas as portas fechadas que transpareciam apenas vislumbres das vozes graves que estavam em seu interior, abriu um sorriso.
— Deixe-me adivinhar. Você se “perdeu” procurando o banheiro.
— Não ouse julgar meus métodos — falou , a provocação logo fazendo-a se arrepender de ter escolhido a companhia de . Maldito rosto bonito.
— Não estou julgando. — Ele colocou a mão livre para cima em rendição. — Achei muito inteligente, embora tenha me confundido toda a situação com Campbell, jurei que seria Levinski o próximo.
Ele olhou diretamente para os brincos de pérola enfeitando as orelhas dela.
— Uma coisa não precisa anular a outra.
Ele assobiou.
— Então você gosta de brincar com o perigo.
— Gosto de estar aberta a possibilidades.
— Entendo. Jaguar ou Maserati?
travou no meio das escadas por um segundo, olhando-o confusa.
— Quê?
— Hm, não gosta muito de carros?
— Claro que gosto. — Ela voltou a descer as escadas devagar, sabendo que os saltos e o alto mar não eram exatamente melhores amigos entre si. — Mas não entendi o que quer me perguntando isso.
— Ora, não é óbvio? Quero saber se você prefere um Jaguar ou um Maserati.
Não era isso que ela queria dizer, e ele sabia, mas havia se desviado da pergunta. Por isso, ela apenas respirou fundo.
— Rolls Royce. Preto. Desses que parece que a rainha está sendo transportada.
soltou uma risada genuína.
— Não sabia que era monarquista.
— Não sou, mas toda menina já sonhou em ser princesa.
— Touché.
— E você?
— Ahn? — perguntou, prestando atenção no caminho.
— Qual você prefere?
a encarou, surpreso com a pergunta. Então ele desviou o caminho, levando-a perto da amurada.
— Um Bentley. Prateado.
Ela confirmou com a cabeça, aprovando o bom gosto.
— Então por que perguntou da Jaguar e Maserati?
— Queria testar se você era superficialmente fútil ou inteligentemente superficial.
Parabéns, você se provou parte da segunda opção.
Mas não respondeu, seus olhos fixos na beirada do iate, de onde eles se aproximavam. Sua barriga deu outra cambalhota.
E ela, que se orgulhava de não transparecer emoções, foi lida em segundos pelo homem ao seu lado.
— Medo do mar? — perguntou , a voz séria.
— Não sei nadar — confessou ela.
— Sabe, recomendo que não fique falando isso para as pessoas. Eu poderia te jogar desse navio e falar que foi um acidente.
Porém, totalmente contrário ao seu comentário, soltou a mão dela do braço dele apenas para segurá-la firmemente pela cintura.
— Apesar do seu medo, você pintaria um quadro com essa vista no seu ateliê?
se surpreendeu com a lembrança dele sobre a conversa da semana passada. Não que ela houvesse esquecido qualquer detalhe, se lembrava das palavras com uma precisão assustadora, mas não esperava o mesmo dele. Não esperava passar de um flerte momentâneo.
Segurando-se firmemente no tronco do homem, suspirou.
— Não gosto de pintar paisagens. Gosto de pintar pessoas.
Ele apertou a cintura dela mais forte, mas abriu um sorriso de lado ao olhar para ela.
— Não me diga que é uma artista de nus.
— Cala a boca. — revirou os olhos, mas continuou sorrindo. — Geralmente, eu gosto de pintar pessoas vestidas. Gostava — ela se corrigiu.
— Parou de pintar? — questionou .
— Eu não tinha dinheiro para manter os materiais — disse simplesmente. — E quando consegui o dinheiro, eu não tinha mais espaço na minha vida para encaixar um hobby tão bobo.
— Não acho bobo.
— Você me entendeu. — Ela o encarou, levantando uma sobrancelha.
Ele assumiu uma postura mais séria, olhando o horizonte.
— Eu entendi. — ficou em silêncio por um segundo. — Meu sonho sempre foi comprar uma guitarra. Uma Fender Stratocaster para ser mais específico. Então eu aceitei ir em um encontro e ser pago por isso, só para descobrir que, se eu quisesse dinheiro de verdade, teria que usar da grana para investir em mim mesmo.
Ela assentiu, sabendo que a história dele refletia muito bem a sua.
— E quando a grana de verdade chegou… meu pai ficou doente. E a Fender continuou nos meus sonhos.
Ele continuou olhando pro horizonte, e ela começou a se sentir segura demais naquele abraço. Propensa a ter deslizes.
— Se eu vendesse meu Mac Duggal, eu teria dinheiro para comprar o kit de tinta acrílica da Pébéo que eu sempre pedi pra minha mãe — murmurou . — Mas de que adianta pintar se nunca mais vou ter um vestido bom de verdade?
Ela cometeu o erro de desviar o olhar para o oceano, e as ondas fizeram arrepios subirem por seu braço. Ela agarrou o braço dele com força.
— É, chega de terapia de exposição por hoje. — Ela não sabia dizer se ele se referia ao medo dela do mar ou ao fato de ela ter confessado tantas coisas que nunca havia contado a ninguém.
continuou a segurando firme até afastá-la o suficiente da amurada. Ele voltou a oferecer o braço para ela e a conduziu rápido demais para o almoço das mulheres. Ela não queria se afastar dele, porém, quanto mais perto ela ficava daquele homem, mais sentia que estava se esquecendo de quem era.
Ou talvez na verdade estivesse se lembrando bem demais de um verdadeiro eu que não seria nem um pouco útil ali.
Quando abriu a porta para entrar, a conversa do almoço das mulheres parou, e todos os olhos se voltaram para ele. Era óbvio que, assim como a beleza dele afetava , as outras mulheres também sofriam do mesmo mal. Todas ficaram mais sorridentes e os risinhos se espalharam pelo ambiente.
— Boa tarde, senhoritas, desculpe incomodá-las, mas encontrei a srta. perdida no navio.
— É a primeira vez que ela pisa em um iate, pobre menina do sul — brincou Catherine McNamara, abrindo um sorriso doce na direção dele.
— Ainda bem que havia um homem tão cavalheiro como você a bordo — disse a sra. Campbell, e, pelo sorriso que ela abriu, entendeu porque o marido odiava tanto .
— Não quer se juntar a nós? — ofereceu Isis Ashworth.
— Infelizmente, como todo homem, tenho um intelecto simplório, e não conseguiria acompanhar o brilhante raciocínio de tantas mulheres ao meu redor.
O ambiente se encheu de risinhos novamente. olhou rapidamente para . Ele sorria e exibia aquele charme de sempre, mas ela identificou uma pequena ponta de algo naquele olhar só para ela.
Cansaço.
Ele voltou o olhar para o resto da sala e abaixou a cabeça educadamente, antes de se retirar, deixando com os sentimentos à flor da pele. Mas ela nem teve tempo de pensar a respeito, pois Catherine já a encaixava na mesa.
— Você precisa tomar mais cuidado. Não a deixarei sozinha na próxima vez — assegurou a “amiga”.
— Obrigada. — Fingiu estar aliviada.
— Você poderia cair no mar — disse Maria Astor.
— Ou nos braços de um canalha, o que é pior — comentou Rosie Brixton.
— Mas se for um canalha como … vale a pena — Catherine replicou, e todas as mulheres da mesa deram risadas, das mais velhas às mais novas.
— Estou tão contente que ele terminou a faculdade de Direito em Harvard e retornou mês passado. As coisas estavam muito… monótonas sem ele — comentou a sra. Campbell.
Aquilo intrigou . Faculdade de direito? Em toda sua vida, uma formação em uma Ivy League era talvez o sonho mais inalcançável de todos. Como um homem que nascera um mero mortal como ela havia conseguido esse feito?
— Lembram de quando ele passou a noite dançando com Dora Blackwood no baile de Natal? Aquela mulher nunca mais foi a mesma — murmurou a sra. McNamara.
As histórias continuavam, cada mulher se relembrando de outro escândalo delicioso, como elas intitulavam, de . Todas eram sorrisos e falavam com propriedade como se o conhecessem mais do que só por fofocas. se perguntou se alguma delas fora perguntada sobre seu tipo de moradia ou de carro preferido.
Ela se assustou com a onda de ciúmes que subiu em seu peito ao pensar na possibilidade. Não, ela não podia se envolver, nenhum dos dois poderia oferecer o que o outro estava buscando. Aquele não era um amor pelo qual se pagava, era um que se sentia. E não podia se dar ao luxo de entregar seu coração gratuitamente para ninguém.
Nem se esse alguém fosse .
Desviou os olhos do azul assustador, relanceando a mesa do bolo, cercada de funcionários que a ajeitavam. As fotos gigantescas de Catherine McNamara passando em um telão não deixavam dúvidas que a aniversariante era linda e gostava muito do rosto que seu cirurgião plástico havia lhe dado.
havia se afastado rapidamente da mesa das mulheres dizendo que queria aproveitar o ar da maresia, mesmo que lhe desse vontade de vomitar, porque precisava de uma chance para tentar se aproximar do ambiente onde os homens estavam jogando cartas. Precisava encontrar Victor Levinski.
Já havia se passado uma semana desde o leilão dos McNamaras, onde havia conseguido esbarrar em Victor e incentivá-lo a participar do leilão de um lindo brinco de pérolas de um distante parente da casa Windsor, incentivando-o a comprar para a mãe dele. Por um infortúnio (que ela já conhecia), a mãe dele já havia falecido, e ela se sentira tão constrangida e triste por ele que recebera os brincos de presente para que ela não se chateasse com o comentário que qualquer um poderia ter feito.
Então agora não tirava os brincos da orelha, percebendo-se dez mil dólares mais rica toda vez que se olhava no espelho.
Aquela havia sido uma única noite de interações. O que alguns dias poderiam fazer por ela?
Vestida com seu conjunto de colete e calça pantacourt de linho marfim com conchas azuis costuradas, ela andou com seus saltos finos até o andar de cima, fazendo sua melhor cara de perdida e inocente.
As vozes masculinas chegaram a ela antes que ela chegasse a eles. Ela encolheu os ombros de leve, para parecer um pouco assustada, antes de abrir a maçaneta. Alguns homens olharam na direção dela. Ela se deixou ser vista, deixou que percebessem sua presença, fingindo-se assustada enquanto identificava de canto de olho a posição de Victor. Infelizmente ele estava longe demais para parar sua conversa e prestar atenção na mulher doce e confusa que ela estava interpretando.
Um dos homens da mesa do baralho se levantou. Carl Campbell, casado, mas não do tipo muito fiel. Ele abriu um sorriso ao se dirigir a ela.
— Ora, mocinha, o que está fazendo aqui?
Forçando um biquinho, soltou um muxoxo.
— Esse definitivamente não é o banheiro.
Os homens ao redor de Campbell riram, encantados, e o homem continuou:
— Primeira vez em um iate, senhorita…?
— . E sim, talvez eu devesse ter insistido mais em conseguir um no Texas para ganhar prática. — Ela sacudiu a cabeça, envergonhada de si mesma.
Os homens riram mais uma vez, e Carl começou a caminhar na direção dela.
— Deixe-me levá-la de volta antes que acabe procurando o banheiro na cabine do capitão. Ou, Deus me livre, no bote salva-vidas.
Ela esperou as risadas logo depois e usou delas para ter tempo de raciocinar. Campbell não estava em sua lista de investimentos a longo prazo, não pretendia se envolver com ele, mas não seria nada mal conseguir um admirador que pudesse lhe enviar alguns mimos. Por isso, abriu um sorriso aliviado e grato.
— Obrigada pela gentilez-
— Campbell, não precisa abandonar seu jogo. Deixe que eu acompanhe a jovem.
O corpo de travou, e então derreteu, pelo simples fato de ouvir sua voz. Utilizara toda sua força de vontade para não ficar pensando na voz charmosa e no toque quente de , mas todo os pensamentos dos quais tentou tanto se esquivar haviam se materializado bem diante de si, na forma de um homem de calça e blusa de linho também, com alguns botões levemente abertos, provocadores.
Caramba, tinha que voltar à sua pose de perdida e não babar.
Campbell olhou para com os olhos estreitados, como se visse por baixo de sua fachada. Ou talvez por ele ser um dos únicos homens não brancos do local.
— Isso não será necessário, .
deveria ter ficado quieta. Deveria ter insistindo em ser levada pelo mais velho, ter se inclinado para perto dele, qualquer coisa. Mas agora que o ser que tentara evitar ao máximo estava em sua frente, ela não conseguia desviar o olhar.
— Eu não sabia que estava atrapalhando seu jogo, sr. Campbell. Me sentirei terrivelmente mal se perder por minha causa — sussurrou , abaixando a cabeça, mais envergonhada. — Eu só estou atrapalhando o senhor.
— Bobagem, srta. . Você nunca atrapalharia. — Ele sorriu bondoso para ela.
— Me conte — ela se aproximou dele, os olhos arregalados —, o senhor está perto de ganhar?
Ele soltou uma risada, e aproximou-se tanto que ela sentiu o cheiro do conhaque na boca dele.
— Tenho algumas cartas na manga, meu bem. Com certeza irei ganhar.
Um trapaceiro, era claro. Mas isso não importava pra inocente e impressionada .
— Então, por favor, fique no jogo e ganhe! Por mim.
Ela abriu um sorriso encorajador. De canto de olho, ela percebeu sorrindo, e sentiu as bochechas esquentarem de leve. Por sorte, isso ajudou para sua encenação.
Carl pigarreou e sorriu.
— Muito bem. Se você insiste.
— E me conte mais tarde da sua vitória, sim?
Ele voltou a se sentar na mesa com os companheiros, e não esperou nem mais um segundo antes de estender o braço para ela. Pateticamente, ela aceitou na mesma hora.
Passadas as portas fechadas que transpareciam apenas vislumbres das vozes graves que estavam em seu interior, abriu um sorriso.
— Deixe-me adivinhar. Você se “perdeu” procurando o banheiro.
— Não ouse julgar meus métodos — falou , a provocação logo fazendo-a se arrepender de ter escolhido a companhia de . Maldito rosto bonito.
— Não estou julgando. — Ele colocou a mão livre para cima em rendição. — Achei muito inteligente, embora tenha me confundido toda a situação com Campbell, jurei que seria Levinski o próximo.
Ele olhou diretamente para os brincos de pérola enfeitando as orelhas dela.
— Uma coisa não precisa anular a outra.
Ele assobiou.
— Então você gosta de brincar com o perigo.
— Gosto de estar aberta a possibilidades.
— Entendo. Jaguar ou Maserati?
travou no meio das escadas por um segundo, olhando-o confusa.
— Quê?
— Hm, não gosta muito de carros?
— Claro que gosto. — Ela voltou a descer as escadas devagar, sabendo que os saltos e o alto mar não eram exatamente melhores amigos entre si. — Mas não entendi o que quer me perguntando isso.
— Ora, não é óbvio? Quero saber se você prefere um Jaguar ou um Maserati.
Não era isso que ela queria dizer, e ele sabia, mas havia se desviado da pergunta. Por isso, ela apenas respirou fundo.
— Rolls Royce. Preto. Desses que parece que a rainha está sendo transportada.
soltou uma risada genuína.
— Não sabia que era monarquista.
— Não sou, mas toda menina já sonhou em ser princesa.
— Touché.
— E você?
— Ahn? — perguntou, prestando atenção no caminho.
— Qual você prefere?
a encarou, surpreso com a pergunta. Então ele desviou o caminho, levando-a perto da amurada.
— Um Bentley. Prateado.
Ela confirmou com a cabeça, aprovando o bom gosto.
— Então por que perguntou da Jaguar e Maserati?
— Queria testar se você era superficialmente fútil ou inteligentemente superficial.
Parabéns, você se provou parte da segunda opção.
Mas não respondeu, seus olhos fixos na beirada do iate, de onde eles se aproximavam. Sua barriga deu outra cambalhota.
E ela, que se orgulhava de não transparecer emoções, foi lida em segundos pelo homem ao seu lado.
— Medo do mar? — perguntou , a voz séria.
— Não sei nadar — confessou ela.
— Sabe, recomendo que não fique falando isso para as pessoas. Eu poderia te jogar desse navio e falar que foi um acidente.
Porém, totalmente contrário ao seu comentário, soltou a mão dela do braço dele apenas para segurá-la firmemente pela cintura.
— Apesar do seu medo, você pintaria um quadro com essa vista no seu ateliê?
se surpreendeu com a lembrança dele sobre a conversa da semana passada. Não que ela houvesse esquecido qualquer detalhe, se lembrava das palavras com uma precisão assustadora, mas não esperava o mesmo dele. Não esperava passar de um flerte momentâneo.
Segurando-se firmemente no tronco do homem, suspirou.
— Não gosto de pintar paisagens. Gosto de pintar pessoas.
Ele apertou a cintura dela mais forte, mas abriu um sorriso de lado ao olhar para ela.
— Não me diga que é uma artista de nus.
— Cala a boca. — revirou os olhos, mas continuou sorrindo. — Geralmente, eu gosto de pintar pessoas vestidas. Gostava — ela se corrigiu.
— Parou de pintar? — questionou .
— Eu não tinha dinheiro para manter os materiais — disse simplesmente. — E quando consegui o dinheiro, eu não tinha mais espaço na minha vida para encaixar um hobby tão bobo.
— Não acho bobo.
— Você me entendeu. — Ela o encarou, levantando uma sobrancelha.
Ele assumiu uma postura mais séria, olhando o horizonte.
— Eu entendi. — ficou em silêncio por um segundo. — Meu sonho sempre foi comprar uma guitarra. Uma Fender Stratocaster para ser mais específico. Então eu aceitei ir em um encontro e ser pago por isso, só para descobrir que, se eu quisesse dinheiro de verdade, teria que usar da grana para investir em mim mesmo.
Ela assentiu, sabendo que a história dele refletia muito bem a sua.
— E quando a grana de verdade chegou… meu pai ficou doente. E a Fender continuou nos meus sonhos.
Ele continuou olhando pro horizonte, e ela começou a se sentir segura demais naquele abraço. Propensa a ter deslizes.
— Se eu vendesse meu Mac Duggal, eu teria dinheiro para comprar o kit de tinta acrílica da Pébéo que eu sempre pedi pra minha mãe — murmurou . — Mas de que adianta pintar se nunca mais vou ter um vestido bom de verdade?
Ela cometeu o erro de desviar o olhar para o oceano, e as ondas fizeram arrepios subirem por seu braço. Ela agarrou o braço dele com força.
— É, chega de terapia de exposição por hoje. — Ela não sabia dizer se ele se referia ao medo dela do mar ou ao fato de ela ter confessado tantas coisas que nunca havia contado a ninguém.
continuou a segurando firme até afastá-la o suficiente da amurada. Ele voltou a oferecer o braço para ela e a conduziu rápido demais para o almoço das mulheres. Ela não queria se afastar dele, porém, quanto mais perto ela ficava daquele homem, mais sentia que estava se esquecendo de quem era.
Ou talvez na verdade estivesse se lembrando bem demais de um verdadeiro eu que não seria nem um pouco útil ali.
Quando abriu a porta para entrar, a conversa do almoço das mulheres parou, e todos os olhos se voltaram para ele. Era óbvio que, assim como a beleza dele afetava , as outras mulheres também sofriam do mesmo mal. Todas ficaram mais sorridentes e os risinhos se espalharam pelo ambiente.
— Boa tarde, senhoritas, desculpe incomodá-las, mas encontrei a srta. perdida no navio.
— É a primeira vez que ela pisa em um iate, pobre menina do sul — brincou Catherine McNamara, abrindo um sorriso doce na direção dele.
— Ainda bem que havia um homem tão cavalheiro como você a bordo — disse a sra. Campbell, e, pelo sorriso que ela abriu, entendeu porque o marido odiava tanto .
— Não quer se juntar a nós? — ofereceu Isis Ashworth.
— Infelizmente, como todo homem, tenho um intelecto simplório, e não conseguiria acompanhar o brilhante raciocínio de tantas mulheres ao meu redor.
O ambiente se encheu de risinhos novamente. olhou rapidamente para . Ele sorria e exibia aquele charme de sempre, mas ela identificou uma pequena ponta de algo naquele olhar só para ela.
Cansaço.
Ele voltou o olhar para o resto da sala e abaixou a cabeça educadamente, antes de se retirar, deixando com os sentimentos à flor da pele. Mas ela nem teve tempo de pensar a respeito, pois Catherine já a encaixava na mesa.
— Você precisa tomar mais cuidado. Não a deixarei sozinha na próxima vez — assegurou a “amiga”.
— Obrigada. — Fingiu estar aliviada.
— Você poderia cair no mar — disse Maria Astor.
— Ou nos braços de um canalha, o que é pior — comentou Rosie Brixton.
— Mas se for um canalha como … vale a pena — Catherine replicou, e todas as mulheres da mesa deram risadas, das mais velhas às mais novas.
— Estou tão contente que ele terminou a faculdade de Direito em Harvard e retornou mês passado. As coisas estavam muito… monótonas sem ele — comentou a sra. Campbell.
Aquilo intrigou . Faculdade de direito? Em toda sua vida, uma formação em uma Ivy League era talvez o sonho mais inalcançável de todos. Como um homem que nascera um mero mortal como ela havia conseguido esse feito?
— Lembram de quando ele passou a noite dançando com Dora Blackwood no baile de Natal? Aquela mulher nunca mais foi a mesma — murmurou a sra. McNamara.
As histórias continuavam, cada mulher se relembrando de outro escândalo delicioso, como elas intitulavam, de . Todas eram sorrisos e falavam com propriedade como se o conhecessem mais do que só por fofocas. se perguntou se alguma delas fora perguntada sobre seu tipo de moradia ou de carro preferido.
Ela se assustou com a onda de ciúmes que subiu em seu peito ao pensar na possibilidade. Não, ela não podia se envolver, nenhum dos dois poderia oferecer o que o outro estava buscando. Aquele não era um amor pelo qual se pagava, era um que se sentia. E não podia se dar ao luxo de entregar seu coração gratuitamente para ninguém.
Nem se esse alguém fosse .
CAPÍTULO TRÊS
A mansão dos Campbell era um local certamente impressionante. A parte externa, que poderia ter cinco mansões ocupadas, exibia brinquedos de todos os tipos, além de várias barraquinhas de comidas: pipoca, algodão doce, pizza, japonês. Havia tudo do bom e do melhor na comemoração de cinco anos da filha mais nova do casal.
havia sido convidada e recebia olhares constantes de Carl Campbell, mas decidiu se manter próxima de Catherine até Victor Levinski chegar na festa. Cercada então do ciclo de amizades de McNamara, ela sorria e soltava alguns poucos comentários enquanto as meninas conversavam.
— Meus pais querem ir para Paris de novo nesse verão — reclamou Rosie Brixton. — Acabamos de voltar de lá e fomos há dois anos. Se é pra ser clichê, que seja Santorini.
— Mas não durante o período de férias, que fica cheio de todo tipo de gente — comentou Maria Astor, recebendo vários comentários de concordância.
— Pelo menos temos uma ilha privativa, isso torna bem mais agradável — replicou Brixton.
— Papai está querendo que eu vá para a Suíça passar um mês conhecendo a filial de lá. Que não fica em Lugano. — Catherine revirou os olhos. — Não poderia ter um ano pior.
— Nem um país. Nem pra ser Alemanha.
— Sem graça também. — Catherine cortou Brixton. — O que fazem lá além de beber?
— Miami deveria ser o foco da nossa próxima viagem — comentou Leah Yoshikawa. — Por que não marca seu aniversário de 27 anos lá, Cat?
— Porque não sou tão sem graça. O Lago de Como é bem melhor.
— E você, ? — perguntou Astor, a voz docemente venenosa. — Qual lugar você escolheria?
fingiu pensar na questão.
— Sou fã da França. Concordo que Paris é clichê, mas nada se compara a Saint-Tropez.
— Saint-Tropez? Que destino romântico da sua parte — disse Brixton, com as sobrancelhas levantadas.
— Mas é porque você não conhece a vida noturna de lá.
— É verdade! Tina Washington fez a despedida de solteira dela lá, e foi explêndida — comentou Yoshikawa, animada.
Com isso, a atenção foi desviada de , que internamente agradeceu aos céus (e, infelizmente, a Harry, que a levara na viagem de Saint-Tropez, deixando com que ela tivesse ao menos uma referência de viagem rica pelo resto da vida).
Depois de um tempo, ela conseguiu se desvencilhar das meninas, que foram para dentro da casa. continuou na parte externa, encarando as crianças brincando e sujando roupas mais caras do que ela jamais teria. Mas era uma visão bonita, porque os pequenos ainda agiam igual gente, ainda não haviam sido corrompidos.
Seu olhar desviou para a barraca de algodão doce. Como ela queria um pequeno pedaço daquilo. Lembrava até hoje quando a filha da patroa da sua mãe oferecera um pedaço do algodão doce dela, o doce enchendo sua boca fora a melhor sensação que ela já havia tido. Até depois da festa sua mãe lhe dar uma surra, dizendo para nunca mais aceitar nada da menina.
— Por favor, pegue logo o algodão doce, já está de dar pena.
piscou, despertando das emoções, e deu de cara com novamente, com aquele sorriso de canto. Naquele dia, ele usava um perfume cítrico que a deixou com vontade de enfiar o nariz no pescoço dele. E depois lamber.
Com o pescoço vermelho (maldito efeito que ele causava), ela se virou para ele, sua voz extravazando a irritação que seu rosto não poderia mostrar.
— Você está maluco?
— Não, mas você está desesperada por algodão doce. E para chamar a atenção de Victor Levinski. Fala sério, pernas amostra? Está já precisando usar armas tão perigosas?
— Não sabia que minhas pernas o desagradam — comentou , apenas para se livrar da vontade de puxar o vestido para baixo.
— Ah, mas não me desagradam, muito pelo contrário. Por isso eu disse que são tão perigosas — disse, e sorriu largamente.
— Pelo visto, você também está desesperado então. — Ela apontou para a blusa aberta e a bermuda curta, desviando do assunto para não processar como a temperatura de seu corpo havia subido. — Está atrás de quem? Sra. Campbell?
— E ser dividido em um milhão de pedacinhos depois de ela confessar a traição para o marido? Não, muito obrigada.
— Então quem é?
Ele não respondeu nada, mas olhou para a parte do jardim onde as mães estavam sentadas embaixo de sombrinhas. seguiu o olhar e quase cuspiu.
— A sra. McNamara?
— Já deve ter percebido o quanto ela me acha charmoso. Especialmente agora que o marido dela chegou no viagra.
não deveria ter rido, especialmente de forma tão aberta, mas ela não se segurou. Olhou em volta e percebeu que estavam atraindo vários olhares para si.
— Estamos chamando muita atenção, temos que parar com essas conversinhas constantes — falou , em voz baixa. — Obrigada pela conversa, mas tenho que ir. — Ela virou de costas.
— Espera! — ele a chamou, e ela travou no lugar. Sem conseguir se conter, ela virou para trás.
— O quê?
— Ostras ou caviar?
— Está brincando comigo? — ralhou , baixinho. — Você não entendeu que você pode comprometer minha reputação?
— Eu só fiz uma pergunta. — Ele soou levemente triste e a encarou com seus olhos cor de mel. Aquilo a balançou um pouco.
— Não podemos conversar aqui, você entende? — ela falou, mais suave dessa vez. — Por favor, não posso estragar isso.
A voz dela saiu um pouco mais desesperada do que ela devia soar. Ele olhou nos olhos dela, agora sério, e respirou fundo.
— Eu entendo. — Ele estendeu a mão e pegou uma taça de vinho na bandeja de um garçom que passava rapidamente. — Aqui, leve isto pelo menos para se lembrar de mim.
— Obrigada. — Ela aceitou a taça, e algo pinicou sua mão. Antes que ela comentasse qualquer coisa, ele se virou e foi embora.
levou a taça aos lábios e observou o que mais tinha sido depositado em sua mão. Seu coração errou uma batida quando ela identificou o objeto.
Um cartão. Um cartão com o número pessoal de . Um sorrisinho se abriu em seu rosto, mas ela se forçou a guardar o cartão na bolsa.
Voltou para dentro da casa e se inseriu novamente na conversa de McNamara e companhia, embora sua mente fervilhasse de vontade de olhar o cartão. Se forçou a beber o vinho e dar risadinhas na hora certa. Até quando Victor Levinski se aproximou do grupo e a elogiou, ela teve que se segurar para não desviar o olhar, os pensamentos em outro lugar. Ela caminhou com ele pela festa, elogiou-o, falou dos quadros da casa que mais a encantavam, escutou-o exibir seus conhecimentos, tudo em modo automático. Até quando ele disse que estava ansioso em vê-la novamente, ela só agiu da maneira mais protocolar possível.
Levinski não era um homem ruim. Na verdade, era um dos homens mais gentis nos quais ela já havia investido. Mas o cartão queimava através da bolsa e da roupa, deixando suas mãos ansiosas para digitar o número. Depois de suportar uma hora, ela avisou às meninas que precisava ir ao toilette e se retirou, contando os passos para não serem rápidos demais.
Já no lindo banheiro da casa, com as mãos tremendo, ela pegou o cartão e o próprio celular, salvando o número como “ ”. Sentindo o coração palpitar, ela digitou e redigitou a mensagem três vezes antes de enviar.
O celular dela tremeu e ela o pegou, ansiosa.
:
Finalmente! Vamos dar o fora daqui?
Eu te arrumo uma comida.
Ela abriu um sorriso involuntário. Que homem maluco.
Três horas a mais do que eu gostaria.
Ela não conseguiu evitar a risada. Ele era terrível, e a fazia ter vontade de segui-lo em qualquer maluquice. Há tempos ela não se sentia tão… viva.
Ostras ou caviar?
Responde, por favor
Confia em mim!
Excelente gosto
Sabia que você era uma mulher sábia
Estou saindo agora
Me encontra em 15 minutos na entrada da mansão
Eu serei a BMW azul marinha
Cada informação nova dele a surpreendia. Formado em Harvard e com uma BMW? Talvez eles não fossem tão iguais assim.
Ele não havia dito o que ela ganharia, mas tinha a impressão que seria algo bom. Sua mente estava viajando para algumas recompensas impróprias demais, e ela teve que sacudir os pensamentos para longe.
Quinze minutos. Ela precisava tolerar aquela fachada por quinze minutos.
fazia aquilo com naturalidade há anos, porém, desde que conhecera , ela estava se lembrando mais de si mesma, o que deixava a tarefa de mentir bem mais desafiadora.
Ela saiu do banheiro e voltou para a conversa das mulheres. Porém, por mais que se esforçasse, não processava uma única palavra dita por elas. Ou talvez nem estivesse se esforçando mais, já que estava preocupada em contar até 900, uma vez que ficar conferindo a hora levantaria suspeitas.
Seu coração começou a acelerar em 800, e ela teve que se segurar para não acelerar a contagem, ansiosa.
Em 856, ela fingiu receber uma ligação e se afastou das meninas. Em 888, ela já havia atravessado um pedaço do gramado. Em 897 ela já conseguia ver a BMW azul perto, e os números foram esquecidos em sua cabeça.
Os vidros eram escuros, o que era ótimo, já que ninguém veria o motorista e reconheceria com quem ela estava indo embora. Nem mesmo ela conferiu, apenas deu a volta e entrou no banco do passageiro.
Ela sentiu o cheiro do perfume cítrico antes de ver de fato, mas, quando olhou para ele, ele tinha um sorriso de canto iluminando seu rosto.
— Você veio.
— Eu vim. Mas estou esperando minha recompensa.
soltou uma gargalhada.
— Não se preocupe, eu não esqueci sua recompensa.
E começou a dirigir, se afastando da mansão. Na verdade, ele começou a se afastar das mansões em geral. Eles logo caíram em uma avenida principal, cercada pela loucura de um cotidiano comum.
— Para onde estamos indo? — perguntou , curiosa.
— Você verá.
E seguiu dirigindo, até que ele enfim começou a desacelerar e dar seta. Ao ver aonde estavam chegando, deixou uma gargalhada sair.
— Não sei se conhece esse grande e renomado restaurante, mas, diante da sua escolha de comidas, achei que poderia ser de seu interesse.
continuou dirigindo devagar pelo drive-thru do McDonalds até parar ao lado da janela da atendente. Ele abriu a janela do lado dele.
— Boa tarde. Eu gostaria de um Big Mac com batata grande e uma coca zero de 700 ml.
— E a sua namorada? — perguntou a atendente, com cara entediada.
— Ah! É claro! Meu amorzinho — ele se virou para ela todo sorrisos —, o que você vai querer.
revirou os olhos, mas teve que segurar a risada. Pensou em corrigir a mulher, mas se não o havia feito, corrigi-los só os fariam parecer idiotas (o que eles provavelmente já eram).
— Um McChicken com batata média. E um milkshake de chocolate.
pagou, apesar da insistência de de dividirem. Eles seguiram em frente para buscarem o pedido no próximo guichê.
— Você devia ter corrigido ela — falou , com os braços cruzados, olhando para frente.
— E estragar uma perfeita história de amor? Ela ficaria desolada!
Na mesma hora, o pedido dos dois foi entregue. seguiu para dentro do estacionamento e parou, abrindo o embrulho e distribuindo o que era de cada um.
— Um brinde a não estar comendo caviar — falou , batendo de leve o hambúrguer no dela.
— Eu brindo a isso também.
abriu o próprio embrulho e deu uma grande mordida no hambúrguer. O gemido que escapou de sua boca foi acidental e sincero. Estava saindo com Catherine e companhia há tanto tempo, e antes disso morara com Harry e seu cozinheiro, que havia se esquecido do gosto de uma comida com microplásticos e possíveis contaminações. Era deliciosa.
— Eu não sei se te agradeço ou te crucifico. Como eu volto a comer salada Caeser depois de ser lembrada do paraíso?
— Pensando nos brincos de pérolas que vem junto disso.
— Você tem um ponto — concordou. — Mas meu estômago não vai aceitar facilmente. — Ela provou um gole do milkshake e quase chorou de felicidade.
— Simples. É só começar a escapar mais de festas comigo.
O estômago dela se revirou, num misto de emoções.
— As pessoas começariam a perceber.
— Te prometo que sou especialista em ser discreto.
— É? Pois eu ouvi todas as senhoras comentando sobre sua dança com Dora Blackwood. Não sei se discrição é seu forte.
— No caso, meu trabalho naquela ocasião era fazer Dora ser vista, e o meu bom cumprimento me fez ganhar essa belezinha aqui. — Ele deu dois tapinhas no banco do carro. — Mas quando não quero que ninguém veja… — se aproximou lentamente. — Eu te garanto. Ninguém vai saber.
Ela piscou, desnorteada com a proximidade, e só voltou a respirar quando ele se afastou para continuar comendo seu hambúrguer. Por Deus, ela dormira com mais homens do que podia contar nos dedos dos pés e das mãos juntos, por que ficar tão abalada com um canalha charmoso?
Mas também seria tão ruim se permitir ficar com ele discretamente? Talvez aquele estresse todo perto de não fosse nada mais do que tesão acumulado. Talvez assim ela conseguisse voltar a focar melhor no seu objetivo e, um sabendo o que o outro queria, não teria ciúmes envolvido.
deu mas um gole no milkshake antes de responder.
— Tá bom.
se virou para ela, as sobrancelhas franzidas.
— O quê?
— Tá. Vamos sair. Ninguém precisa saber, e a gente tem uma folga desse fingimento. Uma pausa terapêutica antes de voltar para nossos objetivos.
— Pera. — Ele piscou algumas vezes. — Você está aceitando sair comigo?
— Achei que você era inteligente e já tinha sacado que sim.
— , eu não faço nada com uma mulher até que ela diga a palavra “sim”.
Um arrepio subiu pelo corpo dela ao ouvir aquilo. Era a primeira vez que ele a chamava pelo nome, e tinha sido uma sensação bem gostosa. Especialmente associada ao que ele havia dito.
A mulher pigarreou, voltando a pegar uma batata frita.
— Certo. Então… estamos combinados.
— Estamos combinados.
Eles voltaram a comer o lanche, mas agora a mão de repousava na coxa de . O calor na perna dela se manteve até quando ela já estava de volta na própria casa alugada, se revirando de noite.
havia sido convidada e recebia olhares constantes de Carl Campbell, mas decidiu se manter próxima de Catherine até Victor Levinski chegar na festa. Cercada então do ciclo de amizades de McNamara, ela sorria e soltava alguns poucos comentários enquanto as meninas conversavam.
— Meus pais querem ir para Paris de novo nesse verão — reclamou Rosie Brixton. — Acabamos de voltar de lá e fomos há dois anos. Se é pra ser clichê, que seja Santorini.
— Mas não durante o período de férias, que fica cheio de todo tipo de gente — comentou Maria Astor, recebendo vários comentários de concordância.
— Pelo menos temos uma ilha privativa, isso torna bem mais agradável — replicou Brixton.
— Papai está querendo que eu vá para a Suíça passar um mês conhecendo a filial de lá. Que não fica em Lugano. — Catherine revirou os olhos. — Não poderia ter um ano pior.
— Nem um país. Nem pra ser Alemanha.
— Sem graça também. — Catherine cortou Brixton. — O que fazem lá além de beber?
— Miami deveria ser o foco da nossa próxima viagem — comentou Leah Yoshikawa. — Por que não marca seu aniversário de 27 anos lá, Cat?
— Porque não sou tão sem graça. O Lago de Como é bem melhor.
— E você, ? — perguntou Astor, a voz docemente venenosa. — Qual lugar você escolheria?
fingiu pensar na questão.
— Sou fã da França. Concordo que Paris é clichê, mas nada se compara a Saint-Tropez.
— Saint-Tropez? Que destino romântico da sua parte — disse Brixton, com as sobrancelhas levantadas.
— Mas é porque você não conhece a vida noturna de lá.
— É verdade! Tina Washington fez a despedida de solteira dela lá, e foi explêndida — comentou Yoshikawa, animada.
Com isso, a atenção foi desviada de , que internamente agradeceu aos céus (e, infelizmente, a Harry, que a levara na viagem de Saint-Tropez, deixando com que ela tivesse ao menos uma referência de viagem rica pelo resto da vida).
Depois de um tempo, ela conseguiu se desvencilhar das meninas, que foram para dentro da casa. continuou na parte externa, encarando as crianças brincando e sujando roupas mais caras do que ela jamais teria. Mas era uma visão bonita, porque os pequenos ainda agiam igual gente, ainda não haviam sido corrompidos.
Seu olhar desviou para a barraca de algodão doce. Como ela queria um pequeno pedaço daquilo. Lembrava até hoje quando a filha da patroa da sua mãe oferecera um pedaço do algodão doce dela, o doce enchendo sua boca fora a melhor sensação que ela já havia tido. Até depois da festa sua mãe lhe dar uma surra, dizendo para nunca mais aceitar nada da menina.
— Por favor, pegue logo o algodão doce, já está de dar pena.
piscou, despertando das emoções, e deu de cara com novamente, com aquele sorriso de canto. Naquele dia, ele usava um perfume cítrico que a deixou com vontade de enfiar o nariz no pescoço dele. E depois lamber.
Com o pescoço vermelho (maldito efeito que ele causava), ela se virou para ele, sua voz extravazando a irritação que seu rosto não poderia mostrar.
— Você está maluco?
— Não, mas você está desesperada por algodão doce. E para chamar a atenção de Victor Levinski. Fala sério, pernas amostra? Está já precisando usar armas tão perigosas?
— Não sabia que minhas pernas o desagradam — comentou , apenas para se livrar da vontade de puxar o vestido para baixo.
— Ah, mas não me desagradam, muito pelo contrário. Por isso eu disse que são tão perigosas — disse, e sorriu largamente.
— Pelo visto, você também está desesperado então. — Ela apontou para a blusa aberta e a bermuda curta, desviando do assunto para não processar como a temperatura de seu corpo havia subido. — Está atrás de quem? Sra. Campbell?
— E ser dividido em um milhão de pedacinhos depois de ela confessar a traição para o marido? Não, muito obrigada.
— Então quem é?
Ele não respondeu nada, mas olhou para a parte do jardim onde as mães estavam sentadas embaixo de sombrinhas. seguiu o olhar e quase cuspiu.
— A sra. McNamara?
— Já deve ter percebido o quanto ela me acha charmoso. Especialmente agora que o marido dela chegou no viagra.
não deveria ter rido, especialmente de forma tão aberta, mas ela não se segurou. Olhou em volta e percebeu que estavam atraindo vários olhares para si.
— Estamos chamando muita atenção, temos que parar com essas conversinhas constantes — falou , em voz baixa. — Obrigada pela conversa, mas tenho que ir. — Ela virou de costas.
— Espera! — ele a chamou, e ela travou no lugar. Sem conseguir se conter, ela virou para trás.
— O quê?
— Ostras ou caviar?
— Está brincando comigo? — ralhou , baixinho. — Você não entendeu que você pode comprometer minha reputação?
— Eu só fiz uma pergunta. — Ele soou levemente triste e a encarou com seus olhos cor de mel. Aquilo a balançou um pouco.
— Não podemos conversar aqui, você entende? — ela falou, mais suave dessa vez. — Por favor, não posso estragar isso.
A voz dela saiu um pouco mais desesperada do que ela devia soar. Ele olhou nos olhos dela, agora sério, e respirou fundo.
— Eu entendo. — Ele estendeu a mão e pegou uma taça de vinho na bandeja de um garçom que passava rapidamente. — Aqui, leve isto pelo menos para se lembrar de mim.
— Obrigada. — Ela aceitou a taça, e algo pinicou sua mão. Antes que ela comentasse qualquer coisa, ele se virou e foi embora.
levou a taça aos lábios e observou o que mais tinha sido depositado em sua mão. Seu coração errou uma batida quando ela identificou o objeto.
Um cartão. Um cartão com o número pessoal de . Um sorrisinho se abriu em seu rosto, mas ela se forçou a guardar o cartão na bolsa.
Voltou para dentro da casa e se inseriu novamente na conversa de McNamara e companhia, embora sua mente fervilhasse de vontade de olhar o cartão. Se forçou a beber o vinho e dar risadinhas na hora certa. Até quando Victor Levinski se aproximou do grupo e a elogiou, ela teve que se segurar para não desviar o olhar, os pensamentos em outro lugar. Ela caminhou com ele pela festa, elogiou-o, falou dos quadros da casa que mais a encantavam, escutou-o exibir seus conhecimentos, tudo em modo automático. Até quando ele disse que estava ansioso em vê-la novamente, ela só agiu da maneira mais protocolar possível.
Levinski não era um homem ruim. Na verdade, era um dos homens mais gentis nos quais ela já havia investido. Mas o cartão queimava através da bolsa e da roupa, deixando suas mãos ansiosas para digitar o número. Depois de suportar uma hora, ela avisou às meninas que precisava ir ao toilette e se retirou, contando os passos para não serem rápidos demais.
Já no lindo banheiro da casa, com as mãos tremendo, ela pegou o cartão e o próprio celular, salvando o número como “ ”. Sentindo o coração palpitar, ela digitou e redigitou a mensagem três vezes antes de enviar.
:
Oi. Aqui é .
O celular dela tremeu e ela o pegou, ansiosa.
:
Finalmente! Vamos dar o fora daqui?
Eu te arrumo uma comida.
Ela abriu um sorriso involuntário. Que homem maluco.
:
Não podemos ir embora. Só estamos aqui há 3 horas.
Três horas a mais do que eu gostaria.
Ela não conseguiu evitar a risada. Ele era terrível, e a fazia ter vontade de segui-lo em qualquer maluquice. Há tempos ela não se sentia tão… viva.
:
Se eu aceitar ir embora, o que eu ganho em troca? .
Ostras ou caviar?
:
É isso que eu ganho?
Perguntinhas de teste de personalidade?
Acho que vou ficar na festa
Responde, por favor
Confia em mim!
:
…
Odeio os dois, como por obrigação
Prefiro um hambúrguer
Excelente gosto
Sabia que você era uma mulher sábia
Estou saindo agora
Me encontra em 15 minutos na entrada da mansão
Eu serei a BMW azul marinha
Cada informação nova dele a surpreendia. Formado em Harvard e com uma BMW? Talvez eles não fossem tão iguais assim.
Ele não havia dito o que ela ganharia, mas tinha a impressão que seria algo bom. Sua mente estava viajando para algumas recompensas impróprias demais, e ela teve que sacudir os pensamentos para longe.
Quinze minutos. Ela precisava tolerar aquela fachada por quinze minutos.
fazia aquilo com naturalidade há anos, porém, desde que conhecera , ela estava se lembrando mais de si mesma, o que deixava a tarefa de mentir bem mais desafiadora.
Ela saiu do banheiro e voltou para a conversa das mulheres. Porém, por mais que se esforçasse, não processava uma única palavra dita por elas. Ou talvez nem estivesse se esforçando mais, já que estava preocupada em contar até 900, uma vez que ficar conferindo a hora levantaria suspeitas.
Seu coração começou a acelerar em 800, e ela teve que se segurar para não acelerar a contagem, ansiosa.
Em 856, ela fingiu receber uma ligação e se afastou das meninas. Em 888, ela já havia atravessado um pedaço do gramado. Em 897 ela já conseguia ver a BMW azul perto, e os números foram esquecidos em sua cabeça.
Os vidros eram escuros, o que era ótimo, já que ninguém veria o motorista e reconheceria com quem ela estava indo embora. Nem mesmo ela conferiu, apenas deu a volta e entrou no banco do passageiro.
Ela sentiu o cheiro do perfume cítrico antes de ver de fato, mas, quando olhou para ele, ele tinha um sorriso de canto iluminando seu rosto.
— Você veio.
— Eu vim. Mas estou esperando minha recompensa.
soltou uma gargalhada.
— Não se preocupe, eu não esqueci sua recompensa.
E começou a dirigir, se afastando da mansão. Na verdade, ele começou a se afastar das mansões em geral. Eles logo caíram em uma avenida principal, cercada pela loucura de um cotidiano comum.
— Para onde estamos indo? — perguntou , curiosa.
— Você verá.
E seguiu dirigindo, até que ele enfim começou a desacelerar e dar seta. Ao ver aonde estavam chegando, deixou uma gargalhada sair.
— Não sei se conhece esse grande e renomado restaurante, mas, diante da sua escolha de comidas, achei que poderia ser de seu interesse.
continuou dirigindo devagar pelo drive-thru do McDonalds até parar ao lado da janela da atendente. Ele abriu a janela do lado dele.
— Boa tarde. Eu gostaria de um Big Mac com batata grande e uma coca zero de 700 ml.
— E a sua namorada? — perguntou a atendente, com cara entediada.
— Ah! É claro! Meu amorzinho — ele se virou para ela todo sorrisos —, o que você vai querer.
revirou os olhos, mas teve que segurar a risada. Pensou em corrigir a mulher, mas se não o havia feito, corrigi-los só os fariam parecer idiotas (o que eles provavelmente já eram).
— Um McChicken com batata média. E um milkshake de chocolate.
pagou, apesar da insistência de de dividirem. Eles seguiram em frente para buscarem o pedido no próximo guichê.
— Você devia ter corrigido ela — falou , com os braços cruzados, olhando para frente.
— E estragar uma perfeita história de amor? Ela ficaria desolada!
Na mesma hora, o pedido dos dois foi entregue. seguiu para dentro do estacionamento e parou, abrindo o embrulho e distribuindo o que era de cada um.
— Um brinde a não estar comendo caviar — falou , batendo de leve o hambúrguer no dela.
— Eu brindo a isso também.
abriu o próprio embrulho e deu uma grande mordida no hambúrguer. O gemido que escapou de sua boca foi acidental e sincero. Estava saindo com Catherine e companhia há tanto tempo, e antes disso morara com Harry e seu cozinheiro, que havia se esquecido do gosto de uma comida com microplásticos e possíveis contaminações. Era deliciosa.
— Eu não sei se te agradeço ou te crucifico. Como eu volto a comer salada Caeser depois de ser lembrada do paraíso?
— Pensando nos brincos de pérolas que vem junto disso.
— Você tem um ponto — concordou. — Mas meu estômago não vai aceitar facilmente. — Ela provou um gole do milkshake e quase chorou de felicidade.
— Simples. É só começar a escapar mais de festas comigo.
O estômago dela se revirou, num misto de emoções.
— As pessoas começariam a perceber.
— Te prometo que sou especialista em ser discreto.
— É? Pois eu ouvi todas as senhoras comentando sobre sua dança com Dora Blackwood. Não sei se discrição é seu forte.
— No caso, meu trabalho naquela ocasião era fazer Dora ser vista, e o meu bom cumprimento me fez ganhar essa belezinha aqui. — Ele deu dois tapinhas no banco do carro. — Mas quando não quero que ninguém veja… — se aproximou lentamente. — Eu te garanto. Ninguém vai saber.
Ela piscou, desnorteada com a proximidade, e só voltou a respirar quando ele se afastou para continuar comendo seu hambúrguer. Por Deus, ela dormira com mais homens do que podia contar nos dedos dos pés e das mãos juntos, por que ficar tão abalada com um canalha charmoso?
Mas também seria tão ruim se permitir ficar com ele discretamente? Talvez aquele estresse todo perto de não fosse nada mais do que tesão acumulado. Talvez assim ela conseguisse voltar a focar melhor no seu objetivo e, um sabendo o que o outro queria, não teria ciúmes envolvido.
deu mas um gole no milkshake antes de responder.
— Tá bom.
se virou para ela, as sobrancelhas franzidas.
— O quê?
— Tá. Vamos sair. Ninguém precisa saber, e a gente tem uma folga desse fingimento. Uma pausa terapêutica antes de voltar para nossos objetivos.
— Pera. — Ele piscou algumas vezes. — Você está aceitando sair comigo?
— Achei que você era inteligente e já tinha sacado que sim.
— , eu não faço nada com uma mulher até que ela diga a palavra “sim”.
Um arrepio subiu pelo corpo dela ao ouvir aquilo. Era a primeira vez que ele a chamava pelo nome, e tinha sido uma sensação bem gostosa. Especialmente associada ao que ele havia dito.
A mulher pigarreou, voltando a pegar uma batata frita.
— Certo. Então… estamos combinados.
— Estamos combinados.
Eles voltaram a comer o lanche, mas agora a mão de repousava na coxa de . O calor na perna dela se manteve até quando ela já estava de volta na própria casa alugada, se revirando de noite.
CAPÍTULO QUATRO
O chá da tarde dos gatos na casa de Rosie Brixton não parecia acabar nunca. Tudo bem, era divertido acariciar o Balinês dela enquanto tomava o seu chá de amora — tinha até tirado uma foto com ele (embora tivesse certeza que ele teria feito bullying com Lola, sua gata laranja de infância), mas todos os seus pensamentos estavam em .
Ele estava em uma tarde com os homens, e ela sabia bem o que isso significava: prostitutas de luxo por toda a parte. Em algum momento, já fora ela. Sabia que era parte da vida que eles tinham que levar, mas uma queimação esquisita tomava seu corpo. Talvez hoje ele preferisse não escapulir com ela.
Estava pensando quando as promessas veladas feitas no carro se tornariam realidade. Aquele parecia um bom dia, mas talvez ele preferisse deixar para escapulir de um evento… menos interessante.
Ela acariciava o Balinês como se ele pudesse levar todas as suas dúvidas embora, mas talvez ela só ganhasse uma roupa cheia de pelos. Então seu celular vibrou.
:
Chego em 5 minutos.
O sorriso que abriu foi involuntário, e toda uma alegria tomou seu corpo, junto com uma expectativa. Tinha escolhido seu melhor vestido de dia, um vestido branco com o decote no limite de se tornar inapropriado, com uma lingerie de renda da mesma cor por baixo.
Ela achou uma maneira de devolver o Balinês educadamente para Rosie Brixton e inventar uma desculpa para ir embora. As meninas fingiram que sentiriam sua falta, e ela fingiu o mesmo.
Assim que saiu, andou um pouco para sair do alcance das câmeras de segurança e avistou: lá estava a BMW azul.
— Desculpa a demora — falou assim que entrou no banco do passageiro, fechando a porta atrás de si.
Quando se voltou para , ele acompanhava todo o seu corpo com os olhos, e parou especialmente onde um leve vislumbre do sutiã podia ser visto. Então, os olhos dele voltaram ao rosto dela, abrindo aquele sorriso de canto de sempre.
— Valeu a pena.
Era impressionante. era elogiada o tempo todo por homens que a enchiam de vestidos e beijos e viagens, mas os olhos de eram capazes de fazer mais do que tudo isso junto.
Não demorou muito para a mão de ir parar na coxa de enquanto a outra ficava no volante. Ela não conseguiu segurar o sorriso e ficou olhando pela janela, tentando disfarçá-lo.
Ela não sabia para onde ele iria levá-la, mas também não perguntou. Sentia medo de olhar para ele e acabar beijando-o sem se conter. Sentia-se patética nesse nível.
Eles dirigiram por 20 minutos, a mão de criando uma fogueira interna dentro de , até que enfim ele estacionou na garagem de um prédio. observou tudo. Não era um bairro ruim, mas com certeza estava distante dos McNamaras, Brixtons e Campbells. Porém, ela não podia negar, ainda era melhor que seu próprio prédio.
— Você mora aqui? — ela deixou escapar conforme saía do carro.
— É. Muita baixa qualidade pro seu gosto?
Ela virou pra ele, boquiaberta.
— Por que você tem uma BMW, um apartamento legal, um Ômega e um diploma em Harvard, e tudo o que eu ganho são vestidos?
Ele abriu um sorriso solidário para ela enquanto a guiava para o elevador.
— A culpa não é sua, e sim do público alvo. Sabe, eu nunca precisei mentir para nenhuma mulher sobre quem eu realmente sou: elas são espertas demais. Porém, se eu não parecer do meio delas, não serei convidado para eventos e não teremos chances de ficarmos juntos. Todas essas coisas — ele apontou para o elevador — não são em amor a mim. São para me disfarçarem para seus maridos, por isso elas investem na minha imagem.
— Ah.
Ele apertou o botão do décimo andar, e ela ficou ali refletindo sobre o que ele tinha falado. Então todas aquelas mulheres já conheciam sua reputação para além de charmoso, mas como quem ele de fato era — com quantas ali ele já havia ficado?
As portas do elevador se abriram e ele a conduziu para a porta do apartamento, a mão na base de sua coluna. Ela se lembrou da primeira vez em que eles se conheceram, quando sentiu o toque dele ali, pele com pele, e percebeu que estava fadada desde o início àquele momento.
abriu a porta do apartamento antes de se afastar e esticar um braço como um convite.
— Seja bem-vinda ao meu apartamento.
Ela entrou, reparando no bom gosto do lugar. Não era chique com paredes e chão brancos complementados com móveis pretos. Não, o chão era de taco, as paredes eram de um verde escuro e móveis de madeira se espalhavam pela sala de estar. O sofá branco com almofadas coloridas dava um charme junto com algumas plantas espalhadas, isso sem falar da longa mesa de jantar com cristaleiras a cercando, e janelas amplas iluminando a sala com a luz da tarde. Era um local lindo e aconchegante, diferente das mansões com pé direito gigantescos e escadarias enormes.
— Qual amante pagou a decoradora? — perguntou , ainda olhando ao redor, encantada.
— Na verdade, minha irmã é design. — Ele fechou a porta, jogando as chaves de casa em cima da mesa de jantar. — Ela fez isso de favor pra mim.
— Não sabia que você tinha uma irmã. — olhou ao redor, agora sua curiosidade tendo uma temática diferente. — Por acaso ela…?
— Sabe. É a única da família que sabe o que eu sou. — Ele se sentou no sofá e deu dois tapinhas ao seu lado, convidando a se sentar junto. — Quando meu pai estava doente e eu comecei a arrumar dinheiro pros remédios, eu consegui enganar meu pai, mas não minha irmã. Olga me colocou contra a parede e eu tive que contar, mas pelo menos ela me ajudou a sustentar a mentira.
— Deve ser legal ter uma pessoa na sua vida pra quem não mentir — comentou .
— Ajuda a manter a sanidade. — Ele deu de ombros. — Você não tem ninguém assim?
— Não, é que… Sempre foi só eu e minha mãe, mas ela faleceu quando eu tinha quinze anos, fui parar no abrigo. Perdi minhas amizades da escola e não consegui me conectar com mais ninguém desde então. — Ela abriu um sorrisinho amarelo. — Pesei o clima, né?
— Na verdade, você me deixou feliz. Acabou de dizer que sou o primeiro a te conhecer de verdade. — Ele sorriu para ela e segurou sua mão.
Ela abriu um sorriso verdadeiro dessa vez.
— É, acho que eu disse isso, não disse?
Ele apoiou a mão na coxa dela e deu dois tapinhas ali antes de se levantar, virando-se para com a mão estendida.
— Hora da pergunta do dia: vinho branco ou tinto?
— Essa é fácil: tinto. — Ela aceitou a mão dele.
— Resposta errada: a resposta certa é Heineken.
Ela soltou uma risada, pega de surpresa. Ainda com a mão junto a de , ela seguiu com ele para mais dentro do apartamento, até a cozinha, que é claro que também amou. Ele a conduziu para a bancada, onde a deixou sentada antes de pegar a cerveja na geladeira.
— Está gelada demais? — perguntou, passando a garrafa aberta para ela.
— Cerveja nunca é gelada demais — replicou ela, tomando um gole. — Hmm… deliciosa.
— Concordo — falou, olhando nos olhos de .
Ela entendeu a indireta e se inclinou para perto dele, entregando a cerveja enquanto o encarava nos olhos.
— Sei que já demos os primeiros goles, mas eu proponho um brinde.
— Diga. — elevou uma sobrancelha em curiosidade do que ela iria dizer, bebendo mais um gole da cerveja.
— Um brinde a transarmos com quem a gente realmente quer.
— Hm… então é por isso que acha que eu te chamei aqui? Pra transar com você? — brincou , provocando-a.
— Acho que não foi para jogarmos Uno — replicou ela, bebendo mais um gole da cerveja e a apoiando na bancada.
— Uma pena, Uno é realmente meu jogo favorito — implicou ele.
revirou os olhos. Ela estava tentando flertar com e ele ficava de brincadeira. Começou a afastar o corpo do homem, mas na mesma hora ele segurou firme em sua cintura e a aproximou rapidamente para beijá-la.
Finalmente, foi o que ela pensou quando os lábios dos dois se encontraram, chocando-se com intensidade. rapidamente aproveitou de sua posição na bancada para abrir as pernas e usá-las para puxar o quadril de em direção ao seu. Ambos gemeram com o contato.
A mão dele na cintura dela a apertou mais, enquanto a outra foi para o pescoço dela, enforcando-a de leve. sentiu que poderia gozar só com aquele beijo, o enforcamento e a fricção em sua intimidade. Sentia-se patética, não deveriam estar se beijando a nem cinco minutos e estava excitada como uma adolescente.
Ela guiou a mão dele que estava na cintura dela para sua coxa, exatamente para onde o vestido terminava. entendeu o recado e começou a subir a mão, enviando arrepios por todo o corpo dela. o sentiu sorrir durante o beijo, conforme ia brincando com a parte interna da coxa dela.
E ali ele ficou enquanto se beijavam. Sempre que ele se aproximava demais, se afastava de onde ela queria que ele a tocasse. Ele a manteve na expectativa, ainda a enchendo de beijos, apertando e relaxando a mão no pescoço, até que ela grunhiu, irritada.
Ele quebrou o beijo, aproximando-se de seu ouvido.
— O que foi? Está chateada? — sussurrou, mordiscando o lóbulo da orelha, antes de descer para lamber seu pescoço logo abaixo.
— Você sabe o que foi — ela resmungou, no meio de um gemido.
— Você quer que eu te toque aqui?
A mão dele passou de leve por cima da calcinha de renda dela, enviando pequenos choques elétricos por todo o seu corpo.
— Sim — ela respondeu, ofegante. — Óbvio que sim.
— Desculpa — ele disse, ainda lambendo o pescoço dela —, eu disse que não fazia nada com uma mulher até ela dizer a palavra sim.
Imediatamente, ele afastou a calcinha dela e enfiou dois dedos bem fundo. Ela soltou um meio gemido meio grito, abrindo-se ainda mais para ele, para que nada o impedisse de dar a ela exatamente o que queria. O dedão dele alcançou seu clitóris e começou a fazer círculos enquanto ele continuava com outros dois dedos se mexendo dentro dela.
Ela vergonhosamente não conseguia parar de gemer enquanto habilmente ia estimulando-a. Com as mãos desajeitadas com seu desejo, ela avançou para a calça dele, abrindo o botão e o zíper. Ela mais sentiu a cueca marcada do que viu, mas conseguiu se livrar dela, libertando o pau dele de uma vez.
estava molhada, desesperada para gozar, mas, naquela primeira vez, ela não queria gozar nos dedos dele.
— Eu quero você dentro de mim — ela murmurou, enquanto a mão dele ia do pescoço para a alça do vestido, que ele já cuidava de abaixar.
— Eu já não estou? — perguntou, enfiando os dedos com mais velocidade como que para lembrá-la. O corpo começou a se contrair, implorando por alívio.
— Não desse jeito. Eu quero seu pau dentro de mim — ela choramingou, enquanto a alça do sutiã se juntava à alça do vestido em seu cotovelo.
Ele abriu um sorriso e tirou os dedos de dentro dela. Ela mal teve um minuto para se sentir vazia.
— Tudo o que você quiser — ele sussurrou.
Habilmente, ele pegou a camisinha no bolso da calça caída, e colocou-a com a facilidade de quem já havia feito aquilo milhares de vezes. Propriamente protegido, não esperou nem mais um segundo e invadiu com tudo, ao mesmo tempo que sua boca voou em direção ao seio direito da mulher. Os dois gemeram alto com o encaixe, ele a deixara tão molhada que deslizava facilmente para dentro.
— Porra, você é gostosa demais — ele disse, ainda com o seio dela na boca, e as palavras vibraram contra o mamilo atiçando-a ainda mais.
— Você… você é delicioso.
Ela gemeu alto conforme ele acelerava o ritmo, ainda mantendo a outra mão no clitóris dela, pressionando enquanto metia nela. Com a língua circundando o mamilo, ela não achava que duraria muito tempo.
soltou o mamilo dela apenas para levar a perna direita dela para se apoiar em seu ombro esquerdo, fazendo a estocada ir ainda mais fundo. revirou os olhos, o calor acumulado no seu ventre a ponto de explodir. Não conseguia formular nenhuma palavra muito bem, apenas sons incompreensíveis, mas que deixavam claro o que ela queria.
Atendendo sua vontade, acelerou o ritmo da estocada e dos dedos, voltando a estimular o mamilo direito dela, agora com a outra mão. Todos os estímulos juntos foram demais para a mulher, que soltou um gemido alto e sentiu o corpo explodir em um orgasmo.
Sua boceta apertou o pau de conforme ela se contraía, mas ele não parou de meter e estimulá-la, fazendo com que seu orgasmo durasse mais e a deixasse ainda mais sensível. Era quase insuportável sentir todo aquele prazer. não parava de se contrair, seus sentidos completamente embaralhados.
— Você é tão apertadinha… Tão gostosa gozando, dá vontade de te fazer gozar o dia inteiro — ele murmurou, soltando um gemido alto. — , se você ficar me apertando desse jeito, eu não vou durar muito.
Mas ele não parou de estimulá-la, e ela não parou de se contrair, então gozou com mais algumas estocadas, gemendo contra o pescoço dela.
O ritmo foi diminuindo até parar. Os dois tinham a respiração pesada, e ele cuidadosamente saiu de dentro dela, deixando alguns beijos em sua bochecha e seus cabelos antes de tirar a camisinha e jogar fora.
— Dessa vez foi rápido, mas na próxima vai ser melhor. E provavelmente numa cama — ele prometeu.
Seria patético admitir que aquele tinha sido o melhor sexo da vida de ? Provavelmente, então ela optou por sorrir e concordar enquanto tentava acalmar a respiração. Achava que, depois de transar com , ficaria mais tranquila e seguiria em frente com aquele desejo. Porém, agora que ela sabia como era delicioso estar com ele, temia adquirir uma obsessão pelo cara.
— Eu tava pensando em cozinhar uma carne pra gente. Você gosta?
se virou para ele, só de blusa e agora com a cueca erguida, enquanto ela ainda estava uma bagunça. Mas ele a encarava como se ela fosse a coisa mais linda do mundo. Deixaria a sua preocupação para outro dia, porque não sabia quantas oportunidades de dias bons como aquele ela teria. Por isso, sorrindo, ela respondeu:
— Adoro.
Ele estava em uma tarde com os homens, e ela sabia bem o que isso significava: prostitutas de luxo por toda a parte. Em algum momento, já fora ela. Sabia que era parte da vida que eles tinham que levar, mas uma queimação esquisita tomava seu corpo. Talvez hoje ele preferisse não escapulir com ela.
Estava pensando quando as promessas veladas feitas no carro se tornariam realidade. Aquele parecia um bom dia, mas talvez ele preferisse deixar para escapulir de um evento… menos interessante.
Ela acariciava o Balinês como se ele pudesse levar todas as suas dúvidas embora, mas talvez ela só ganhasse uma roupa cheia de pelos. Então seu celular vibrou.
:
Chego em 5 minutos.
O sorriso que abriu foi involuntário, e toda uma alegria tomou seu corpo, junto com uma expectativa. Tinha escolhido seu melhor vestido de dia, um vestido branco com o decote no limite de se tornar inapropriado, com uma lingerie de renda da mesma cor por baixo.
Ela achou uma maneira de devolver o Balinês educadamente para Rosie Brixton e inventar uma desculpa para ir embora. As meninas fingiram que sentiriam sua falta, e ela fingiu o mesmo.
Assim que saiu, andou um pouco para sair do alcance das câmeras de segurança e avistou: lá estava a BMW azul.
— Desculpa a demora — falou assim que entrou no banco do passageiro, fechando a porta atrás de si.
Quando se voltou para , ele acompanhava todo o seu corpo com os olhos, e parou especialmente onde um leve vislumbre do sutiã podia ser visto. Então, os olhos dele voltaram ao rosto dela, abrindo aquele sorriso de canto de sempre.
— Valeu a pena.
Era impressionante. era elogiada o tempo todo por homens que a enchiam de vestidos e beijos e viagens, mas os olhos de eram capazes de fazer mais do que tudo isso junto.
Não demorou muito para a mão de ir parar na coxa de enquanto a outra ficava no volante. Ela não conseguiu segurar o sorriso e ficou olhando pela janela, tentando disfarçá-lo.
Ela não sabia para onde ele iria levá-la, mas também não perguntou. Sentia medo de olhar para ele e acabar beijando-o sem se conter. Sentia-se patética nesse nível.
Eles dirigiram por 20 minutos, a mão de criando uma fogueira interna dentro de , até que enfim ele estacionou na garagem de um prédio. observou tudo. Não era um bairro ruim, mas com certeza estava distante dos McNamaras, Brixtons e Campbells. Porém, ela não podia negar, ainda era melhor que seu próprio prédio.
— Você mora aqui? — ela deixou escapar conforme saía do carro.
— É. Muita baixa qualidade pro seu gosto?
Ela virou pra ele, boquiaberta.
— Por que você tem uma BMW, um apartamento legal, um Ômega e um diploma em Harvard, e tudo o que eu ganho são vestidos?
Ele abriu um sorriso solidário para ela enquanto a guiava para o elevador.
— A culpa não é sua, e sim do público alvo. Sabe, eu nunca precisei mentir para nenhuma mulher sobre quem eu realmente sou: elas são espertas demais. Porém, se eu não parecer do meio delas, não serei convidado para eventos e não teremos chances de ficarmos juntos. Todas essas coisas — ele apontou para o elevador — não são em amor a mim. São para me disfarçarem para seus maridos, por isso elas investem na minha imagem.
— Ah.
Ele apertou o botão do décimo andar, e ela ficou ali refletindo sobre o que ele tinha falado. Então todas aquelas mulheres já conheciam sua reputação para além de charmoso, mas como quem ele de fato era — com quantas ali ele já havia ficado?
As portas do elevador se abriram e ele a conduziu para a porta do apartamento, a mão na base de sua coluna. Ela se lembrou da primeira vez em que eles se conheceram, quando sentiu o toque dele ali, pele com pele, e percebeu que estava fadada desde o início àquele momento.
abriu a porta do apartamento antes de se afastar e esticar um braço como um convite.
— Seja bem-vinda ao meu apartamento.
Ela entrou, reparando no bom gosto do lugar. Não era chique com paredes e chão brancos complementados com móveis pretos. Não, o chão era de taco, as paredes eram de um verde escuro e móveis de madeira se espalhavam pela sala de estar. O sofá branco com almofadas coloridas dava um charme junto com algumas plantas espalhadas, isso sem falar da longa mesa de jantar com cristaleiras a cercando, e janelas amplas iluminando a sala com a luz da tarde. Era um local lindo e aconchegante, diferente das mansões com pé direito gigantescos e escadarias enormes.
— Qual amante pagou a decoradora? — perguntou , ainda olhando ao redor, encantada.
— Na verdade, minha irmã é design. — Ele fechou a porta, jogando as chaves de casa em cima da mesa de jantar. — Ela fez isso de favor pra mim.
— Não sabia que você tinha uma irmã. — olhou ao redor, agora sua curiosidade tendo uma temática diferente. — Por acaso ela…?
— Sabe. É a única da família que sabe o que eu sou. — Ele se sentou no sofá e deu dois tapinhas ao seu lado, convidando a se sentar junto. — Quando meu pai estava doente e eu comecei a arrumar dinheiro pros remédios, eu consegui enganar meu pai, mas não minha irmã. Olga me colocou contra a parede e eu tive que contar, mas pelo menos ela me ajudou a sustentar a mentira.
— Deve ser legal ter uma pessoa na sua vida pra quem não mentir — comentou .
— Ajuda a manter a sanidade. — Ele deu de ombros. — Você não tem ninguém assim?
— Não, é que… Sempre foi só eu e minha mãe, mas ela faleceu quando eu tinha quinze anos, fui parar no abrigo. Perdi minhas amizades da escola e não consegui me conectar com mais ninguém desde então. — Ela abriu um sorrisinho amarelo. — Pesei o clima, né?
— Na verdade, você me deixou feliz. Acabou de dizer que sou o primeiro a te conhecer de verdade. — Ele sorriu para ela e segurou sua mão.
Ela abriu um sorriso verdadeiro dessa vez.
— É, acho que eu disse isso, não disse?
Ele apoiou a mão na coxa dela e deu dois tapinhas ali antes de se levantar, virando-se para com a mão estendida.
— Hora da pergunta do dia: vinho branco ou tinto?
— Essa é fácil: tinto. — Ela aceitou a mão dele.
— Resposta errada: a resposta certa é Heineken.
Ela soltou uma risada, pega de surpresa. Ainda com a mão junto a de , ela seguiu com ele para mais dentro do apartamento, até a cozinha, que é claro que também amou. Ele a conduziu para a bancada, onde a deixou sentada antes de pegar a cerveja na geladeira.
— Está gelada demais? — perguntou, passando a garrafa aberta para ela.
— Cerveja nunca é gelada demais — replicou ela, tomando um gole. — Hmm… deliciosa.
— Concordo — falou, olhando nos olhos de .
Ela entendeu a indireta e se inclinou para perto dele, entregando a cerveja enquanto o encarava nos olhos.
— Sei que já demos os primeiros goles, mas eu proponho um brinde.
— Diga. — elevou uma sobrancelha em curiosidade do que ela iria dizer, bebendo mais um gole da cerveja.
— Um brinde a transarmos com quem a gente realmente quer.
— Hm… então é por isso que acha que eu te chamei aqui? Pra transar com você? — brincou , provocando-a.
— Acho que não foi para jogarmos Uno — replicou ela, bebendo mais um gole da cerveja e a apoiando na bancada.
— Uma pena, Uno é realmente meu jogo favorito — implicou ele.
revirou os olhos. Ela estava tentando flertar com e ele ficava de brincadeira. Começou a afastar o corpo do homem, mas na mesma hora ele segurou firme em sua cintura e a aproximou rapidamente para beijá-la.
Finalmente, foi o que ela pensou quando os lábios dos dois se encontraram, chocando-se com intensidade. rapidamente aproveitou de sua posição na bancada para abrir as pernas e usá-las para puxar o quadril de em direção ao seu. Ambos gemeram com o contato.
A mão dele na cintura dela a apertou mais, enquanto a outra foi para o pescoço dela, enforcando-a de leve. sentiu que poderia gozar só com aquele beijo, o enforcamento e a fricção em sua intimidade. Sentia-se patética, não deveriam estar se beijando a nem cinco minutos e estava excitada como uma adolescente.
Ela guiou a mão dele que estava na cintura dela para sua coxa, exatamente para onde o vestido terminava. entendeu o recado e começou a subir a mão, enviando arrepios por todo o corpo dela. o sentiu sorrir durante o beijo, conforme ia brincando com a parte interna da coxa dela.
E ali ele ficou enquanto se beijavam. Sempre que ele se aproximava demais, se afastava de onde ela queria que ele a tocasse. Ele a manteve na expectativa, ainda a enchendo de beijos, apertando e relaxando a mão no pescoço, até que ela grunhiu, irritada.
Ele quebrou o beijo, aproximando-se de seu ouvido.
— O que foi? Está chateada? — sussurrou, mordiscando o lóbulo da orelha, antes de descer para lamber seu pescoço logo abaixo.
— Você sabe o que foi — ela resmungou, no meio de um gemido.
— Você quer que eu te toque aqui?
A mão dele passou de leve por cima da calcinha de renda dela, enviando pequenos choques elétricos por todo o seu corpo.
— Sim — ela respondeu, ofegante. — Óbvio que sim.
— Desculpa — ele disse, ainda lambendo o pescoço dela —, eu disse que não fazia nada com uma mulher até ela dizer a palavra sim.
Imediatamente, ele afastou a calcinha dela e enfiou dois dedos bem fundo. Ela soltou um meio gemido meio grito, abrindo-se ainda mais para ele, para que nada o impedisse de dar a ela exatamente o que queria. O dedão dele alcançou seu clitóris e começou a fazer círculos enquanto ele continuava com outros dois dedos se mexendo dentro dela.
Ela vergonhosamente não conseguia parar de gemer enquanto habilmente ia estimulando-a. Com as mãos desajeitadas com seu desejo, ela avançou para a calça dele, abrindo o botão e o zíper. Ela mais sentiu a cueca marcada do que viu, mas conseguiu se livrar dela, libertando o pau dele de uma vez.
estava molhada, desesperada para gozar, mas, naquela primeira vez, ela não queria gozar nos dedos dele.
— Eu quero você dentro de mim — ela murmurou, enquanto a mão dele ia do pescoço para a alça do vestido, que ele já cuidava de abaixar.
— Eu já não estou? — perguntou, enfiando os dedos com mais velocidade como que para lembrá-la. O corpo começou a se contrair, implorando por alívio.
— Não desse jeito. Eu quero seu pau dentro de mim — ela choramingou, enquanto a alça do sutiã se juntava à alça do vestido em seu cotovelo.
Ele abriu um sorriso e tirou os dedos de dentro dela. Ela mal teve um minuto para se sentir vazia.
— Tudo o que você quiser — ele sussurrou.
Habilmente, ele pegou a camisinha no bolso da calça caída, e colocou-a com a facilidade de quem já havia feito aquilo milhares de vezes. Propriamente protegido, não esperou nem mais um segundo e invadiu com tudo, ao mesmo tempo que sua boca voou em direção ao seio direito da mulher. Os dois gemeram alto com o encaixe, ele a deixara tão molhada que deslizava facilmente para dentro.
— Porra, você é gostosa demais — ele disse, ainda com o seio dela na boca, e as palavras vibraram contra o mamilo atiçando-a ainda mais.
— Você… você é delicioso.
Ela gemeu alto conforme ele acelerava o ritmo, ainda mantendo a outra mão no clitóris dela, pressionando enquanto metia nela. Com a língua circundando o mamilo, ela não achava que duraria muito tempo.
soltou o mamilo dela apenas para levar a perna direita dela para se apoiar em seu ombro esquerdo, fazendo a estocada ir ainda mais fundo. revirou os olhos, o calor acumulado no seu ventre a ponto de explodir. Não conseguia formular nenhuma palavra muito bem, apenas sons incompreensíveis, mas que deixavam claro o que ela queria.
Atendendo sua vontade, acelerou o ritmo da estocada e dos dedos, voltando a estimular o mamilo direito dela, agora com a outra mão. Todos os estímulos juntos foram demais para a mulher, que soltou um gemido alto e sentiu o corpo explodir em um orgasmo.
Sua boceta apertou o pau de conforme ela se contraía, mas ele não parou de meter e estimulá-la, fazendo com que seu orgasmo durasse mais e a deixasse ainda mais sensível. Era quase insuportável sentir todo aquele prazer. não parava de se contrair, seus sentidos completamente embaralhados.
— Você é tão apertadinha… Tão gostosa gozando, dá vontade de te fazer gozar o dia inteiro — ele murmurou, soltando um gemido alto. — , se você ficar me apertando desse jeito, eu não vou durar muito.
Mas ele não parou de estimulá-la, e ela não parou de se contrair, então gozou com mais algumas estocadas, gemendo contra o pescoço dela.
O ritmo foi diminuindo até parar. Os dois tinham a respiração pesada, e ele cuidadosamente saiu de dentro dela, deixando alguns beijos em sua bochecha e seus cabelos antes de tirar a camisinha e jogar fora.
— Dessa vez foi rápido, mas na próxima vai ser melhor. E provavelmente numa cama — ele prometeu.
Seria patético admitir que aquele tinha sido o melhor sexo da vida de ? Provavelmente, então ela optou por sorrir e concordar enquanto tentava acalmar a respiração. Achava que, depois de transar com , ficaria mais tranquila e seguiria em frente com aquele desejo. Porém, agora que ela sabia como era delicioso estar com ele, temia adquirir uma obsessão pelo cara.
— Eu tava pensando em cozinhar uma carne pra gente. Você gosta?
se virou para ele, só de blusa e agora com a cueca erguida, enquanto ela ainda estava uma bagunça. Mas ele a encarava como se ela fosse a coisa mais linda do mundo. Deixaria a sua preocupação para outro dia, porque não sabia quantas oportunidades de dias bons como aquele ela teria. Por isso, sorrindo, ela respondeu:
— Adoro.
CAPÍTULO CINCO
cumpriu sua promessa e os dois transaram em sua cama. E no sofá. E no chuveiro. Também na pia do banheiro. E no carro. E voltaram para a cozinha. E cada vez parecia melhor que a outra. Se antes temia uma obsessão, agora tinha certeza que estava viciada.
Mas o problema não era se viciar no sexo. Era se viciar em cada quiz que ele fazia com ela (“gatos ou cachorros?”, tinha sido o último), a cada jantar que ele se propunha a cozinhar, cada episódio de The Office que eles passaram a ver juntos, cada elogio que ele fazia a ela. tinha certeza que não se apegaria a , afinal, quantos casinhos ela já havia tido? Mas agora parecia tão diferente, e ela tinha medo de refletir muito sobre.
Ela estava na festa do solstício de verão de Maria Astor, que estava mais para uma festa eletrônica ao pôr do sol. As meninas usavam coroas de flores que foram distribuídas pela mulher, contrastando com seus vestidos de marca. Aquela era uma festa para os jovens, geralmente com muito ecstasy, cocaína e ausência de viúvos para o gosto de , mas ela foi, porque também havia sido convidado.
Ela tentava dizer para si mesma que estava apenas adiando um pouquinho seu envolvimento com Victor Levinski, e que ir em um evento assim era importante para se enturmar com as mulheres mais jovens. A conexão com Catherine tinha aberto muitas portas para ela, que geralmente tinha que ficar mais à margem da sociedade, então ela tinha que aproveitar a chance de estar em maior contato com a alta sociedade.
E para ver em uma camisa branca de linho que deixava sua pele marrom brilhando ainda mais sobre o sol, parecendo um deus. Tinha que se conter para não secá-lo tão abertamente, já que o envolvimento dos dois acontecia às escondidas, mas estava cada vez mais difícil se manter longe dele.
E ela podia sentir o olhar de sobre ela também, passando por cada parte exposta de seu corpo pelo vestido de verão. Talvez mais tarde eles pudessem se encontrar num quarto, quando todos os outros convidados estivessem loucos demais para reparar.
Catherine e Rosie já estavam começando a ficar alterada, e tinha que fingir estar consumindo o mesmo que elas. Ela não podia se dar ao luxo de experimentar e se viciar, pois nunca conseguiria custeá-lo.
— Thomas me chamou para sair — contou Catherine, se referindo ao irmão de Maria Astor, que agora estava cercado por alguns amigos e admiradoras.
— Ele não é muito novinho para você? — julgou Brixton, fazendo uma careta.
— Isso não parecia te impedir ano passado quando vocês transaram — replicou McNamara.
teve que se conter para não se engasgar. As drogas com certeza estavam fazendo efeito. Rosie revirou os olhos.
— Eu tinha 23, você já está com 26. Já poderia ser mãe, e você sabe disso. Tá ficando desesperada, Catherine? — Brixton disse, sorrindo.
— Vai se foder, Rosie. A mãe aqui seria você se não tivesse feito aquele aborto.
— Foi uma lipo!
— É, pensa que tá enganando — Catherine exclamou, e reparou que suas pupilas estavam muito dilatadas. Podia estar se aproveitando da garota, mas não desgostava dela.
— Cat, você pode ir no banheiro comigo? — sussurrou .
— Não tente bancar a heroína, , quando você ta cheia de merda também.
O sangue de congelou. McNamara se virou para Brixton.
— Deixa a em paz.
— Talvez você não considerasse ela tão sua amiguinha se soubesse que ela também é uma prostitutazinha. — Brixton abriu um sorriso maldoso, os olhos arregalados com a alteração química. — Postei uma foto nossa nos stories e qual minha supresa quando uma amiga minha do Texas diz que reconheceu como a acompanhante de luxo de Harry Clay Ford, o herdeiro da companhia Ford?
começou a tremer. Catherine, que antes a olhava com gratidão, agora estava em choque.
— E você nem sabe a maior! — Brixton gargalhava. — Ele se apaixonou por ela, foi uma fofoca enorme! Estava pensando em se casar com ela e tudo, mas a família teve que intervir pra ele não levar um golpe.
— Para de inventar coisa — falou, revirando os olhos, tentando fingir que não estava colapsando.
— Sua puta, tá me chamando de mentirosa? Porque eu vi que saíram até foto dos dois quando a impresa seguiu Ford em sua viagem para Saint-Tropez.
— Vendendo seu corpo por dinheiro? O que faz alguém chegar a um nível tão baixo? — comentou McNamara com os olhos arregalados de cocaína e choque.
— E agora ela tá tentando fazer o mesmo com — sussurrou Brixton para McNamara, em tom obviamente mais alto para escutá-la.
já fora chamada de puta e coisas piores, mas ela esperava. Ali, cercada de vestidos bonitos, longe de seu passado, ela achou que estava salva, mas pelo jeito não. E era isso que estava a desestabilizando. Seu corpo começou a tremer.
Na mesma hora, as luzes se apagaram, sendo substituídas por lazers coloridos. O primeiro som da música eletrônica ressoou, e uma artista entrou no palco (porque óbvio que havia um palco). Catherine e Rosie sorriram.
— Vai começar o show da Charli!
— Ela já tocou lá em casa também, é boazinha — comentou Brixton, tentando parecer não ligar, mas com o rosto animado.
E as duas, que estavam se xingando há poucos tempo, saíram de perto para irem para perto do palco, já dançando, largando uma completamente quebrada, o corpo tremendo.
Estava acabado. Ela teria que se mudar de novo, voltar a ser uma acompanhante de luxo, isso se conseguisse já que pelo visto sua reputação tinha crescido.
Maldito Harry Clay Ford! Claro que o trabalho dela ela fingir que tinha carinho por ele, mas não era para ele se apaixonar de verdade, era para ser um desejo passageiro. Mas agora ela era uma vergonha nacional no mundo da alta sociedade, que tinha exigido intervenção de uma das famílias mais ricas do país. Era vista como uma interesseira e golpista, o que realmente era, mas agora aquilo estava exposto para os outros. Ela se sentia prestes a quebrar.
Então um braço familiar cobriu seu braço, puxando-a para seu corpo.
— Ei. O que houve? ?
A voz de foi a gota d'água. As lágrimas começaram a jorrar antes que ela pudesse se controlar, e sua visão ficou turva.
— Não… Não podem nos ver juntos — disse , ou tentou, já que a voz saiu engasgada de soluços.
— Vou tirar você daqui — falou , a voz grave e séria.
— Mas… vão nos ver saindo juntos.
Ele nem se importou com o que ela estava dizendo. Cobriu-a com o corpo dele, sustentando o corpo frágil dela até saíram da cobertura de Astor. Ela estava tão desestabilizada que mal reparou quando chegaram na BMW azul. abriu a porta do passageiro, ajudou-a a se sentar, colocou o cinto nela e depositou um beijo no topo da sua cabeça, antes de fechar a porta para dar a volta e entrar no assento do motorista.
Ele dirigiu como se sua vida dependesse daquilo. O trajeto até seu apartamento, que geralmente durava uns 20 minutos, tinha sido feito em menos de 10, enquanto chorava o tempo todo. lançava alguns olhares angustiados em sua direção sempre que ela soluçava, e aí pisava mais forte no acelerador.
Ele a sustentou para sair do carro, para entrar no elevador, e só a soltou quando a deixou sentada no sofá. deixou um pacote de lenços ao lado dela, então foi para a cozinha e voltou com um copo d’água. Ela começou a beber, entre soluços, mas as lágrimas não paravam de cair. apoiou o copo na mesa de centro e se sentou ao lado dela. Ele passou o braço por trás do ombro dela, e ela logo se jogou contra o peito dele, chorando tudo que ainda estava dentro dela.
Quando parecia que não haviam mais lágrimas a saírem de dentro dela, ela se afastou de novo, voltando a pegar o copo e alguns lencinhos. colocou a mão na sua coxa e ficou fazendo círculos de carinho.
— Quer me contar o que houve? — perguntou ele, a voz baixa e tranquila.
Ela assentiu, mas o bolo em sua garganta parecia impedir qualquer som de sair. tomou um gole de água.
— Elas… McNamara e Brixton… Elas sabem o que eu sou. — estava enganada. Definitivamente ainda tinha mais lágrimas para saírem de seus olhos. — Elas nunca mais vão falar comigo.
— Elas estavam drogadas, provavelmente nem vão se lembrar da conversa.
— Eu vou lembrar. E é questão de tempo até todo mundo saber.
Ele continuou o carinho na coxa, olhando-a com atenção.
— Como elas descobriram?
Agora a garganta dela estava realmente fechada. Não queria mesmo explicar pra ele, por mais que fosse a pessoa que melhor poderia entendê-la.
— Eu… Antes de vir pra cá, me envolvi com outra pessoa. Arrisquei demais. — Um soluço escapou. — Eu não era a pessoa que sou aqui, não tinha chance de frequentar esses eventos sociais, era só uma acompanhante de luxo. Mas ele se apaixonou, e começou a me levar pros lugares, até que a família teve que intervir para livrá-lo da interesseira golpista. Eu, caso não esteja claro.
— A notícia espalhou — ele deduziu.
— Brixton me reconheceu. É questão de tempo de, qualquer lugar que eu for, me reconhecerem. — caiu no choro de novo.
se aproximou e voltou a abraçá-la, afundando o rosto nos cabelos dela.
— Vamos dar um jeito nisso. Você vai ficar bem, eu prometo.
Ele ficou ali até que ela se acalmou e acabou adormecendo no abraço. Quando despertou, desnorteada, não estava mais ali ao seu lado, e a sala estava escura, o sol já havia ido embora. Ela se levantou, mole, e seguiu para dentro do apartamento, encontrando a luz da cozinha acesa. Lá dentro, estava de avental na frente da panela. Assim que a viu, ele soltou a colher de pau e foi na direção dela.
— Ei. — Ele segurou o rosto dela, analisando-a. — Como você está?
Ela deu de ombros, e ele deixou um beijo no topo da cabeça dela. se sentou na bancada, seu lugar de sempre.
— Que cheiro bom. Tá fazendo o quê? — perguntou ela, a voz fraca.
— Macarrão com molho de queijo e bacon.
— Meu favorito.
— Eu sei — disse, se virando com um sorriso para ela, tirando um sorrisinho dela também.
O macarrão logo ficou pronto e ele serviu um prato para cada um. Eles comeram em silêncio, e ela sentiu a comida quente preencher um pouco do espaço em seu corpo tão vazio.
Mesmo assim, não conseguiu comer tudo. Em algum momento ela abandonou o garfo e abaixou a cabeça.
— O que eu vou fazer?
Ele estendeu a mão e segurou a dela.
— Eu tava pensando um pouco enquanto você tava dormindo e pensei que talvez, nesse momento, a melhor coisa seja você ficar afastada da alta sociedade, deixar os rumores serem abafados.
— Eu não sei se consigo me manter se me afastar tanto assim — confessou. — As coisas que eu juntei já estão acabando, eu estava me aproveitando muito de McNamara enquanto não conseguia Levinski. E agora não vou conseguir mesmo.
— Não precisa se preocupar com isso, você pode ficar aqui — falou, com um sorriso.
— Não. De jeito nenhum. — Ela sacudiu a cabeça. — Não vou ser um fardo pra você.
— Você nunca seria um fardo pra mim — disse, sério, e depois abriu um sorriso. — Na verdade, facilitaria muito nossas maratonas de The Office, e você faria sempre aqueles brownies pra mim. Seriam só vantagens.
— Eu também lavo a louça muito melhor — ela comentou, com a voz baixinha.
— Viu? Essa casa implora por você! Eu sempre passo pano uma vez a mais por semana com você aqui.
— Aí é um problema de higiene seu.
— Que você me inspira a corrigir. — Ele sorriu, e segurou a mão dela. — Por favor, fica comigo.
Ele a estava chamando para ficar na casa dela, e não propriamente para ficar com ele, mas o coração dela acelerou com a possibilidade. estava cansada, perdida e não queria pensar muito no momento, e ele a fazia se sentir bem. Por isso, ela acabou assentindo.
— Sim. Eu vou ficar.
Mas o problema não era se viciar no sexo. Era se viciar em cada quiz que ele fazia com ela (“gatos ou cachorros?”, tinha sido o último), a cada jantar que ele se propunha a cozinhar, cada episódio de The Office que eles passaram a ver juntos, cada elogio que ele fazia a ela. tinha certeza que não se apegaria a , afinal, quantos casinhos ela já havia tido? Mas agora parecia tão diferente, e ela tinha medo de refletir muito sobre.
Ela estava na festa do solstício de verão de Maria Astor, que estava mais para uma festa eletrônica ao pôr do sol. As meninas usavam coroas de flores que foram distribuídas pela mulher, contrastando com seus vestidos de marca. Aquela era uma festa para os jovens, geralmente com muito ecstasy, cocaína e ausência de viúvos para o gosto de , mas ela foi, porque também havia sido convidado.
Ela tentava dizer para si mesma que estava apenas adiando um pouquinho seu envolvimento com Victor Levinski, e que ir em um evento assim era importante para se enturmar com as mulheres mais jovens. A conexão com Catherine tinha aberto muitas portas para ela, que geralmente tinha que ficar mais à margem da sociedade, então ela tinha que aproveitar a chance de estar em maior contato com a alta sociedade.
E para ver em uma camisa branca de linho que deixava sua pele marrom brilhando ainda mais sobre o sol, parecendo um deus. Tinha que se conter para não secá-lo tão abertamente, já que o envolvimento dos dois acontecia às escondidas, mas estava cada vez mais difícil se manter longe dele.
E ela podia sentir o olhar de sobre ela também, passando por cada parte exposta de seu corpo pelo vestido de verão. Talvez mais tarde eles pudessem se encontrar num quarto, quando todos os outros convidados estivessem loucos demais para reparar.
Catherine e Rosie já estavam começando a ficar alterada, e tinha que fingir estar consumindo o mesmo que elas. Ela não podia se dar ao luxo de experimentar e se viciar, pois nunca conseguiria custeá-lo.
— Thomas me chamou para sair — contou Catherine, se referindo ao irmão de Maria Astor, que agora estava cercado por alguns amigos e admiradoras.
— Ele não é muito novinho para você? — julgou Brixton, fazendo uma careta.
— Isso não parecia te impedir ano passado quando vocês transaram — replicou McNamara.
teve que se conter para não se engasgar. As drogas com certeza estavam fazendo efeito. Rosie revirou os olhos.
— Eu tinha 23, você já está com 26. Já poderia ser mãe, e você sabe disso. Tá ficando desesperada, Catherine? — Brixton disse, sorrindo.
— Vai se foder, Rosie. A mãe aqui seria você se não tivesse feito aquele aborto.
— Foi uma lipo!
— É, pensa que tá enganando — Catherine exclamou, e reparou que suas pupilas estavam muito dilatadas. Podia estar se aproveitando da garota, mas não desgostava dela.
— Cat, você pode ir no banheiro comigo? — sussurrou .
— Não tente bancar a heroína, , quando você ta cheia de merda também.
O sangue de congelou. McNamara se virou para Brixton.
— Deixa a em paz.
— Talvez você não considerasse ela tão sua amiguinha se soubesse que ela também é uma prostitutazinha. — Brixton abriu um sorriso maldoso, os olhos arregalados com a alteração química. — Postei uma foto nossa nos stories e qual minha supresa quando uma amiga minha do Texas diz que reconheceu como a acompanhante de luxo de Harry Clay Ford, o herdeiro da companhia Ford?
começou a tremer. Catherine, que antes a olhava com gratidão, agora estava em choque.
— E você nem sabe a maior! — Brixton gargalhava. — Ele se apaixonou por ela, foi uma fofoca enorme! Estava pensando em se casar com ela e tudo, mas a família teve que intervir pra ele não levar um golpe.
— Para de inventar coisa — falou, revirando os olhos, tentando fingir que não estava colapsando.
— Sua puta, tá me chamando de mentirosa? Porque eu vi que saíram até foto dos dois quando a impresa seguiu Ford em sua viagem para Saint-Tropez.
— Vendendo seu corpo por dinheiro? O que faz alguém chegar a um nível tão baixo? — comentou McNamara com os olhos arregalados de cocaína e choque.
— E agora ela tá tentando fazer o mesmo com — sussurrou Brixton para McNamara, em tom obviamente mais alto para escutá-la.
já fora chamada de puta e coisas piores, mas ela esperava. Ali, cercada de vestidos bonitos, longe de seu passado, ela achou que estava salva, mas pelo jeito não. E era isso que estava a desestabilizando. Seu corpo começou a tremer.
Na mesma hora, as luzes se apagaram, sendo substituídas por lazers coloridos. O primeiro som da música eletrônica ressoou, e uma artista entrou no palco (porque óbvio que havia um palco). Catherine e Rosie sorriram.
— Vai começar o show da Charli!
— Ela já tocou lá em casa também, é boazinha — comentou Brixton, tentando parecer não ligar, mas com o rosto animado.
E as duas, que estavam se xingando há poucos tempo, saíram de perto para irem para perto do palco, já dançando, largando uma completamente quebrada, o corpo tremendo.
Estava acabado. Ela teria que se mudar de novo, voltar a ser uma acompanhante de luxo, isso se conseguisse já que pelo visto sua reputação tinha crescido.
Maldito Harry Clay Ford! Claro que o trabalho dela ela fingir que tinha carinho por ele, mas não era para ele se apaixonar de verdade, era para ser um desejo passageiro. Mas agora ela era uma vergonha nacional no mundo da alta sociedade, que tinha exigido intervenção de uma das famílias mais ricas do país. Era vista como uma interesseira e golpista, o que realmente era, mas agora aquilo estava exposto para os outros. Ela se sentia prestes a quebrar.
Então um braço familiar cobriu seu braço, puxando-a para seu corpo.
— Ei. O que houve? ?
A voz de foi a gota d'água. As lágrimas começaram a jorrar antes que ela pudesse se controlar, e sua visão ficou turva.
— Não… Não podem nos ver juntos — disse , ou tentou, já que a voz saiu engasgada de soluços.
— Vou tirar você daqui — falou , a voz grave e séria.
— Mas… vão nos ver saindo juntos.
Ele nem se importou com o que ela estava dizendo. Cobriu-a com o corpo dele, sustentando o corpo frágil dela até saíram da cobertura de Astor. Ela estava tão desestabilizada que mal reparou quando chegaram na BMW azul. abriu a porta do passageiro, ajudou-a a se sentar, colocou o cinto nela e depositou um beijo no topo da sua cabeça, antes de fechar a porta para dar a volta e entrar no assento do motorista.
Ele dirigiu como se sua vida dependesse daquilo. O trajeto até seu apartamento, que geralmente durava uns 20 minutos, tinha sido feito em menos de 10, enquanto chorava o tempo todo. lançava alguns olhares angustiados em sua direção sempre que ela soluçava, e aí pisava mais forte no acelerador.
Ele a sustentou para sair do carro, para entrar no elevador, e só a soltou quando a deixou sentada no sofá. deixou um pacote de lenços ao lado dela, então foi para a cozinha e voltou com um copo d’água. Ela começou a beber, entre soluços, mas as lágrimas não paravam de cair. apoiou o copo na mesa de centro e se sentou ao lado dela. Ele passou o braço por trás do ombro dela, e ela logo se jogou contra o peito dele, chorando tudo que ainda estava dentro dela.
Quando parecia que não haviam mais lágrimas a saírem de dentro dela, ela se afastou de novo, voltando a pegar o copo e alguns lencinhos. colocou a mão na sua coxa e ficou fazendo círculos de carinho.
— Quer me contar o que houve? — perguntou ele, a voz baixa e tranquila.
Ela assentiu, mas o bolo em sua garganta parecia impedir qualquer som de sair. tomou um gole de água.
— Elas… McNamara e Brixton… Elas sabem o que eu sou. — estava enganada. Definitivamente ainda tinha mais lágrimas para saírem de seus olhos. — Elas nunca mais vão falar comigo.
— Elas estavam drogadas, provavelmente nem vão se lembrar da conversa.
— Eu vou lembrar. E é questão de tempo até todo mundo saber.
Ele continuou o carinho na coxa, olhando-a com atenção.
— Como elas descobriram?
Agora a garganta dela estava realmente fechada. Não queria mesmo explicar pra ele, por mais que fosse a pessoa que melhor poderia entendê-la.
— Eu… Antes de vir pra cá, me envolvi com outra pessoa. Arrisquei demais. — Um soluço escapou. — Eu não era a pessoa que sou aqui, não tinha chance de frequentar esses eventos sociais, era só uma acompanhante de luxo. Mas ele se apaixonou, e começou a me levar pros lugares, até que a família teve que intervir para livrá-lo da interesseira golpista. Eu, caso não esteja claro.
— A notícia espalhou — ele deduziu.
— Brixton me reconheceu. É questão de tempo de, qualquer lugar que eu for, me reconhecerem. — caiu no choro de novo.
se aproximou e voltou a abraçá-la, afundando o rosto nos cabelos dela.
— Vamos dar um jeito nisso. Você vai ficar bem, eu prometo.
Ele ficou ali até que ela se acalmou e acabou adormecendo no abraço. Quando despertou, desnorteada, não estava mais ali ao seu lado, e a sala estava escura, o sol já havia ido embora. Ela se levantou, mole, e seguiu para dentro do apartamento, encontrando a luz da cozinha acesa. Lá dentro, estava de avental na frente da panela. Assim que a viu, ele soltou a colher de pau e foi na direção dela.
— Ei. — Ele segurou o rosto dela, analisando-a. — Como você está?
Ela deu de ombros, e ele deixou um beijo no topo da cabeça dela. se sentou na bancada, seu lugar de sempre.
— Que cheiro bom. Tá fazendo o quê? — perguntou ela, a voz fraca.
— Macarrão com molho de queijo e bacon.
— Meu favorito.
— Eu sei — disse, se virando com um sorriso para ela, tirando um sorrisinho dela também.
O macarrão logo ficou pronto e ele serviu um prato para cada um. Eles comeram em silêncio, e ela sentiu a comida quente preencher um pouco do espaço em seu corpo tão vazio.
Mesmo assim, não conseguiu comer tudo. Em algum momento ela abandonou o garfo e abaixou a cabeça.
— O que eu vou fazer?
Ele estendeu a mão e segurou a dela.
— Eu tava pensando um pouco enquanto você tava dormindo e pensei que talvez, nesse momento, a melhor coisa seja você ficar afastada da alta sociedade, deixar os rumores serem abafados.
— Eu não sei se consigo me manter se me afastar tanto assim — confessou. — As coisas que eu juntei já estão acabando, eu estava me aproveitando muito de McNamara enquanto não conseguia Levinski. E agora não vou conseguir mesmo.
— Não precisa se preocupar com isso, você pode ficar aqui — falou, com um sorriso.
— Não. De jeito nenhum. — Ela sacudiu a cabeça. — Não vou ser um fardo pra você.
— Você nunca seria um fardo pra mim — disse, sério, e depois abriu um sorriso. — Na verdade, facilitaria muito nossas maratonas de The Office, e você faria sempre aqueles brownies pra mim. Seriam só vantagens.
— Eu também lavo a louça muito melhor — ela comentou, com a voz baixinha.
— Viu? Essa casa implora por você! Eu sempre passo pano uma vez a mais por semana com você aqui.
— Aí é um problema de higiene seu.
— Que você me inspira a corrigir. — Ele sorriu, e segurou a mão dela. — Por favor, fica comigo.
Ele a estava chamando para ficar na casa dela, e não propriamente para ficar com ele, mas o coração dela acelerou com a possibilidade. estava cansada, perdida e não queria pensar muito no momento, e ele a fazia se sentir bem. Por isso, ela acabou assentindo.
— Sim. Eu vou ficar.
CAPÍTULO SEIS
pegou a chave reserva para abrir o apartamento, encontrando-o vazio. estava no almoço dos Campbell, então ela aproveitou para ajeitar o próprio material de pintura.
Já fazia três meses que estava morando ali. Nas primeiras semanas, tinha ficado desanimada demais para fazer alguma coisa, mas depois ela decidiu arrumar um emprego para não ser um fardo. Começara como garçonete em um restaurante próximo, pegando os turnos noturnos de quinta a domingo. Pouco depois, ela encontrou um curso comunitário de artes visuais para fazer todas as manhãs. Em alguns meses, conseguiria uma formação mais segura e teria um plano B caso as coisas com não dessem certo.
Não que não parecessem dar certo. Pelo contrário, tudo dava muito certo. era um cara incrível, e a rotina era extremamente agradável com ele, com os jantares, séries e um contando sobre o seu dia a dia. Ele parou de relatar os eventos da alta sociedade para não chateá-la, e ela ficou grata com aquele respiro. Sentia muita saudade dos luxos, mas tinha crises de ansiedade só de pensar em estar de volta no ambiente, dos olhares de julgamentos que ela tomava antes como apoio. Mas não podia contar que iria aturá-la e aceitar recebê-la para sempre, ele poderia se cansar dela. Talvez ainda estivesse só com pena de sua situação.
Ela colocou seu material no escritório compartilhado pelos dois: tomado por uma guitarra e partituras, mas com agora alguns quadros, aquarelas e tinta acrílica espalhados. Era o espaço dele, sendo tomado por pequenas partes dela. A sala já tinha dois quadros seus, que achou bonitos demais para não serem expostos.
Com fome, ela foi para a cozinha e começou a mexer na geladeira quando percebeu que uma nova mensagem havia chegado.
:
Já almoçou? Saí mais cedo e pensei
da gente almoçar juntos
Se arruma que passo aí em 15 minutos
Ela abriu um sorriso e foi para o quarto trocar a roupa manchada de tinta por um vestido fresco. Ela penteou o cabelo por cima e desceu do prédio. A BMW azul estava à vista, e ela já entrou direto no banco de passageiro. Na mesma hora, ele se inclinou para dar um selinho nela.
— Oi. Você tá linda — falou, sorrindo.
— Obrigada. E aí, vamos almoçar onde?
— Pensei no italiano perto da praia.
— Uau, é seu aniversário e eu esqueci? — brincou ela.
— Ou talvez tenha esquecido o seu. — Ele riu. — E aí, como foi seu dia?
— Tudo bem, hoje eu quase completei o meu quadro. Pietra estava nos mostrando uma técnica interessante na pintura de animais com texturas no pêlo. Acabei adicionando um gato no quadro para poder testar.
— Isso é um sinal de que eu tenho que adotar um gato? — Ele ergueu uma sobrancelha, abrindo um sorriso de canto.
— Entenda como quiser. — Ela deu de ombros, e os dois riram.
Não demorou para eles chegarem no restaurante e fazerem os pedidos. O dia estava bem aberto, ilustrando bem o fim do verão. olhou para fora, levemente temerosa que outra coisa pudesse chegar ao fim.
— Como foi no almoço com os Campbell?
— Tudo bem, o de sempre. Nada muito agradável, mas tive uma conversa boa com a sra. McNamara — ele disse, sorrindo.
sorriu de volta, mas seu estômago quase colocou seu almoço para fora. Estavam vivendo de maneira tão tranquila e feliz que ela quase se esqueceu que, no fundo, o objetivo dele era conquistar McNamara, porque ele era exatamente igual a ela: no final, ele só queria outro luxo como a BMW azul.
Depois disso, ela não conseguiu comentar muita coisa, enquanto tentava fingir estar bem. Tinham sido três meses muito bons, mas a verdade era uma só: estava, pela primeira vez na vida, apaixonada. E não ia aguentar se manter dentro daquela ilusão sendo que ele estava com outra mentalidade: e nem era culpa dele estar, era dela. Ela havia caído no golpe que ela aplicara tantas vezes.
Mas pelo menos ela iria embora bem. Contente por ter vivido um período bom da vida, por ter tido onde se acolher em um momento tão difícil. Poderia recomeçar em outro lugar. Tentar novamente conseguir o aluguel do seu antigo apartamento. Ir para outro restaurante trabalhar como lanchonete. Tentar outro curso de artes. Doeria deixar Pietra para trás tanto quanto deixar .
Ela despertou de seus pensamentos quando chamou o garçom para pagar a conta. Eles saíram para a praia para caminhar, mas era a primeira vez que só queria ir para casa, que nem sua casa era em primeiro lugar.
— Praia ou piscina? — perguntou .
Mesmo cabisbaixa, não conseguia se conter em respondê-lo.
— Piscina. Eu tive uma colega da escola que tinha e todo aniversário ela comemorava lá. Era muito legal.
— Maneiro. Mas como um cara da Califórnia, eu preciso ser a favor da praia.
— Mas a areia é meio incômoda.
— Aí você já está inventando argumentos, eu sei que você gosta da praia — ele comentou, segurando a mão dela.
— O que não significa que a areia não é incômoda. Você gosta de piscina e não gosta do cloro no seu cabelo.
— Touché — ele disse. — Você sempre tem as melhores respostas para minhas perguntas.
— Até a casa melhor que o apartamento?
— Seu argumento é justo. — Ele apertou a mão dela e a parou na praia, ficando um de frente para o outro. — , você está feliz?
— O que quer dizer? — perguntou, pensando se tinha deixado óbvio seu ciúme.
— Você tá morando num apartamento. Você preferia uma casa?
Ela não conseguiu se conter e revirou os olhos.
— , eu estaria morando na rua. Eu estou num apartamento melhor do que o meu antigo.
— É só isso que é melhor? — disse, fazendo sua famosa cara de coitado que já a convencera tantas vezes antes. O coração dela imediatamente suavizou.
— Sua comida também é boa.
— Só a comida? — Ele a puxou pela cintura e deixou um beijo no canto da sua boca. O sorriso dela aumentou.
— E outras coisas — ela respondeu. Era tão fácil fingir que tudo estava bem ali.
— Bom saber disso — ele falou, e a outra mão subiu para o rosto dela. — Sabe, eu queria tornar a proposta de você ficar lá em casa enquanto precisar por algo um pouco mais permanente.
O coração de errou uma batida.
— O que você quer dizer?
— Acho que estamos funcionando tão bem juntos. — Ele colocou uma mecha de cabelo dela que estava voando para trás da orelha. — Fico feliz que esteja trabalhando se você gosta, mas não quero que você trabalhe porque tem medo do que pode acontecer com você. Eu quero que você fique comigo, e não só em casa. Queria que a gente continuasse vivendo tudo o que a gente já vive, mas sem esse medo do que seria depois. Eu queria que a gente ficasse junto.
olhou para ele, confusa.
— Isso não faz sentido.
Agora ficou confuso. Seu sorriso apaixonado se desmanchou em uma cara de interrogação.
— O quê?
— Você não pode pedir pra ficar comigo e ficar com McNamara também! — exclamou, irritada, porque aquele pedido teria um “sim” como resposta qualquer outro dia, mas não naquele dia em que ele tinha encontrado outra mulher.
a olhou sério, então abriu um sorriso radiante.
— Você está com ciúmes!
— Óbvio que estou com ciúmes! — esbraveu ela. — Eu sei que não prometemos nada um ao outro, mas eu estou morando na sua casa! É claro que eu acreditei que a gente tinha alguma coisa!
— E é claro que a gente tem! — falou, sorrindo, se aproximando dela. — , eu não falei com a sra. McNamara por estar investindo nela, eu falei com ela porque ela me ajudou a encontrar um escritório de advocacia para começar a trabalhar. — Ele segurou as mãos dela. — Eu não quero mais a alta sociedade. Eu quero você. Desde o dia em que eu te vi e deixei de ir atrás de McNamara, eu só queria você. Você me deixou completamente fora de mim, e você foi a primeira coisa que eu quis pra mim que eu não poderia comprar com dinheiro.
— Então você me comprou com um apartamento, comida boa, alguns beijos e elogios? — ela brincou, um pouco emocionada.
— Não esqueça da BMW. E hoje eu aumentei a oferta com um gato.
— Desde que não seja um Balinês — ela replicou, tirando uma risada dele.
então se aproximou e deu um selinho nela.
— E aí? Você aceita ficar comigo?
fingiu pensar, embora seu coração batesse rápido.
— É. Acho que tá valendo a pena.
Ela se jogou e deu um beijo nele, abraçando-o pelo pescoço. Os dois ficaram juntos, e o toque parecia diferente: sem incertezas, sem tensão.
se afastou dela, espalhando selinhos por seu rosto.
— Sei que não consigo te dar tudo o que você sempre quis, mas eu prometo te fazer feliz. Eu posso ser seu segurança e seu faxineiro particular, já que não vai ter a casa.
Ela deu uma risadinha, mas sacudiu a cabeça em negação.
— Você é melhor do que qualquer coisa que eu pedi. Eu venderia todos os meus vestidos para ficar com você.
— Até o Mac Duggal?!
— Valeria a pena. — Ela sorriu e o beijou de novo.
se afastou depois de um tempo.
— Mas só pra constar você não precisa vender vestido nenhum, tá?
— Pode deixar. — Ela riu.
E não conseguiu parar de rir. Seu coração era tomado de alegria. Naquele mundo onde a única coisa que iluminava seus dias era um colar de diamantes, ela havia encontrado o amor, sem precisar fingir ser o que não era, sem precisar sentir que não pertencia. Porque ela e eram os dois lados da mesma moeda, e ele gostava dela da mesma maneira.
Era cedo dizer, mas ela torcia para que fosse para sempre. Ela, que sempre dava golpes para os outros se apaixonarem, estava vivendo aquilo que ela jurou que nunca sentiria de verdade.
E ela sentia que nunca mais sentiria de novo. Seria para sempre seu amor.
Já fazia três meses que estava morando ali. Nas primeiras semanas, tinha ficado desanimada demais para fazer alguma coisa, mas depois ela decidiu arrumar um emprego para não ser um fardo. Começara como garçonete em um restaurante próximo, pegando os turnos noturnos de quinta a domingo. Pouco depois, ela encontrou um curso comunitário de artes visuais para fazer todas as manhãs. Em alguns meses, conseguiria uma formação mais segura e teria um plano B caso as coisas com não dessem certo.
Não que não parecessem dar certo. Pelo contrário, tudo dava muito certo. era um cara incrível, e a rotina era extremamente agradável com ele, com os jantares, séries e um contando sobre o seu dia a dia. Ele parou de relatar os eventos da alta sociedade para não chateá-la, e ela ficou grata com aquele respiro. Sentia muita saudade dos luxos, mas tinha crises de ansiedade só de pensar em estar de volta no ambiente, dos olhares de julgamentos que ela tomava antes como apoio. Mas não podia contar que iria aturá-la e aceitar recebê-la para sempre, ele poderia se cansar dela. Talvez ainda estivesse só com pena de sua situação.
Ela colocou seu material no escritório compartilhado pelos dois: tomado por uma guitarra e partituras, mas com agora alguns quadros, aquarelas e tinta acrílica espalhados. Era o espaço dele, sendo tomado por pequenas partes dela. A sala já tinha dois quadros seus, que achou bonitos demais para não serem expostos.
Com fome, ela foi para a cozinha e começou a mexer na geladeira quando percebeu que uma nova mensagem havia chegado.
:
Já almoçou? Saí mais cedo e pensei
da gente almoçar juntos
:
Tô morrendo de fome, eu topo
Se arruma que passo aí em 15 minutos
Ela abriu um sorriso e foi para o quarto trocar a roupa manchada de tinta por um vestido fresco. Ela penteou o cabelo por cima e desceu do prédio. A BMW azul estava à vista, e ela já entrou direto no banco de passageiro. Na mesma hora, ele se inclinou para dar um selinho nela.
— Oi. Você tá linda — falou, sorrindo.
— Obrigada. E aí, vamos almoçar onde?
— Pensei no italiano perto da praia.
— Uau, é seu aniversário e eu esqueci? — brincou ela.
— Ou talvez tenha esquecido o seu. — Ele riu. — E aí, como foi seu dia?
— Tudo bem, hoje eu quase completei o meu quadro. Pietra estava nos mostrando uma técnica interessante na pintura de animais com texturas no pêlo. Acabei adicionando um gato no quadro para poder testar.
— Isso é um sinal de que eu tenho que adotar um gato? — Ele ergueu uma sobrancelha, abrindo um sorriso de canto.
— Entenda como quiser. — Ela deu de ombros, e os dois riram.
Não demorou para eles chegarem no restaurante e fazerem os pedidos. O dia estava bem aberto, ilustrando bem o fim do verão. olhou para fora, levemente temerosa que outra coisa pudesse chegar ao fim.
— Como foi no almoço com os Campbell?
— Tudo bem, o de sempre. Nada muito agradável, mas tive uma conversa boa com a sra. McNamara — ele disse, sorrindo.
sorriu de volta, mas seu estômago quase colocou seu almoço para fora. Estavam vivendo de maneira tão tranquila e feliz que ela quase se esqueceu que, no fundo, o objetivo dele era conquistar McNamara, porque ele era exatamente igual a ela: no final, ele só queria outro luxo como a BMW azul.
Depois disso, ela não conseguiu comentar muita coisa, enquanto tentava fingir estar bem. Tinham sido três meses muito bons, mas a verdade era uma só: estava, pela primeira vez na vida, apaixonada. E não ia aguentar se manter dentro daquela ilusão sendo que ele estava com outra mentalidade: e nem era culpa dele estar, era dela. Ela havia caído no golpe que ela aplicara tantas vezes.
Mas pelo menos ela iria embora bem. Contente por ter vivido um período bom da vida, por ter tido onde se acolher em um momento tão difícil. Poderia recomeçar em outro lugar. Tentar novamente conseguir o aluguel do seu antigo apartamento. Ir para outro restaurante trabalhar como lanchonete. Tentar outro curso de artes. Doeria deixar Pietra para trás tanto quanto deixar .
Ela despertou de seus pensamentos quando chamou o garçom para pagar a conta. Eles saíram para a praia para caminhar, mas era a primeira vez que só queria ir para casa, que nem sua casa era em primeiro lugar.
— Praia ou piscina? — perguntou .
Mesmo cabisbaixa, não conseguia se conter em respondê-lo.
— Piscina. Eu tive uma colega da escola que tinha e todo aniversário ela comemorava lá. Era muito legal.
— Maneiro. Mas como um cara da Califórnia, eu preciso ser a favor da praia.
— Mas a areia é meio incômoda.
— Aí você já está inventando argumentos, eu sei que você gosta da praia — ele comentou, segurando a mão dela.
— O que não significa que a areia não é incômoda. Você gosta de piscina e não gosta do cloro no seu cabelo.
— Touché — ele disse. — Você sempre tem as melhores respostas para minhas perguntas.
— Até a casa melhor que o apartamento?
— Seu argumento é justo. — Ele apertou a mão dela e a parou na praia, ficando um de frente para o outro. — , você está feliz?
— O que quer dizer? — perguntou, pensando se tinha deixado óbvio seu ciúme.
— Você tá morando num apartamento. Você preferia uma casa?
Ela não conseguiu se conter e revirou os olhos.
— , eu estaria morando na rua. Eu estou num apartamento melhor do que o meu antigo.
— É só isso que é melhor? — disse, fazendo sua famosa cara de coitado que já a convencera tantas vezes antes. O coração dela imediatamente suavizou.
— Sua comida também é boa.
— Só a comida? — Ele a puxou pela cintura e deixou um beijo no canto da sua boca. O sorriso dela aumentou.
— E outras coisas — ela respondeu. Era tão fácil fingir que tudo estava bem ali.
— Bom saber disso — ele falou, e a outra mão subiu para o rosto dela. — Sabe, eu queria tornar a proposta de você ficar lá em casa enquanto precisar por algo um pouco mais permanente.
O coração de errou uma batida.
— O que você quer dizer?
— Acho que estamos funcionando tão bem juntos. — Ele colocou uma mecha de cabelo dela que estava voando para trás da orelha. — Fico feliz que esteja trabalhando se você gosta, mas não quero que você trabalhe porque tem medo do que pode acontecer com você. Eu quero que você fique comigo, e não só em casa. Queria que a gente continuasse vivendo tudo o que a gente já vive, mas sem esse medo do que seria depois. Eu queria que a gente ficasse junto.
olhou para ele, confusa.
— Isso não faz sentido.
Agora ficou confuso. Seu sorriso apaixonado se desmanchou em uma cara de interrogação.
— O quê?
— Você não pode pedir pra ficar comigo e ficar com McNamara também! — exclamou, irritada, porque aquele pedido teria um “sim” como resposta qualquer outro dia, mas não naquele dia em que ele tinha encontrado outra mulher.
a olhou sério, então abriu um sorriso radiante.
— Você está com ciúmes!
— Óbvio que estou com ciúmes! — esbraveu ela. — Eu sei que não prometemos nada um ao outro, mas eu estou morando na sua casa! É claro que eu acreditei que a gente tinha alguma coisa!
— E é claro que a gente tem! — falou, sorrindo, se aproximando dela. — , eu não falei com a sra. McNamara por estar investindo nela, eu falei com ela porque ela me ajudou a encontrar um escritório de advocacia para começar a trabalhar. — Ele segurou as mãos dela. — Eu não quero mais a alta sociedade. Eu quero você. Desde o dia em que eu te vi e deixei de ir atrás de McNamara, eu só queria você. Você me deixou completamente fora de mim, e você foi a primeira coisa que eu quis pra mim que eu não poderia comprar com dinheiro.
— Então você me comprou com um apartamento, comida boa, alguns beijos e elogios? — ela brincou, um pouco emocionada.
— Não esqueça da BMW. E hoje eu aumentei a oferta com um gato.
— Desde que não seja um Balinês — ela replicou, tirando uma risada dele.
então se aproximou e deu um selinho nela.
— E aí? Você aceita ficar comigo?
fingiu pensar, embora seu coração batesse rápido.
— É. Acho que tá valendo a pena.
Ela se jogou e deu um beijo nele, abraçando-o pelo pescoço. Os dois ficaram juntos, e o toque parecia diferente: sem incertezas, sem tensão.
se afastou dela, espalhando selinhos por seu rosto.
— Sei que não consigo te dar tudo o que você sempre quis, mas eu prometo te fazer feliz. Eu posso ser seu segurança e seu faxineiro particular, já que não vai ter a casa.
Ela deu uma risadinha, mas sacudiu a cabeça em negação.
— Você é melhor do que qualquer coisa que eu pedi. Eu venderia todos os meus vestidos para ficar com você.
— Até o Mac Duggal?!
— Valeria a pena. — Ela sorriu e o beijou de novo.
se afastou depois de um tempo.
— Mas só pra constar você não precisa vender vestido nenhum, tá?
— Pode deixar. — Ela riu.
E não conseguiu parar de rir. Seu coração era tomado de alegria. Naquele mundo onde a única coisa que iluminava seus dias era um colar de diamantes, ela havia encontrado o amor, sem precisar fingir ser o que não era, sem precisar sentir que não pertencia. Porque ela e eram os dois lados da mesma moeda, e ele gostava dela da mesma maneira.
Era cedo dizer, mas ela torcia para que fosse para sempre. Ela, que sempre dava golpes para os outros se apaixonarem, estava vivendo aquilo que ela jurou que nunca sentiria de verdade.
E ela sentia que nunca mais sentiria de novo. Seria para sempre seu amor.
FIM!
Nota da autora: Sou apaixonada por esse álbum e essa história, era meu sonho conseguir escrever uma narrativa com ela, e eu consegui! Espero que vocês se divirtam lendo como eu me diverti escrevendo. Não deixe de comentar sobre o que achou! ❤️