Revisada por:
Nyx
Finalizada em: 05/08/2025
ATO I
“It was so nice throwing big parties
Jump into the pool from the balcony
Everyone swimming in a champagne sea”
And there are no rules when you show up here
Bass beat rattling the chandelier
Feeling so Gatsby for that whole year”
Jump into the pool from the balcony
Everyone swimming in a champagne sea”
And there are no rules when you show up here
Bass beat rattling the chandelier
Feeling so Gatsby for that whole year”
— Aquela você era boa demais para esse mundo… durou pouco. Mas foi épica.
Os olhos castanhos dele penetraram na minha alma quando finalmente me encararam ao se sentar no sofá. Aquilo era uma coisa que definitivamente nunca mudava em : a profundidade de seu olhar.
Os olhos dele eram como cair de um penhasco em queda livre, sem saber o que esperaria lá embaixo para amortecer a queda. Se rosas ou espinhos. Era como escutar canções tristes que você insiste em ouvir, porque mesmo doendo, alivia.
Ou como um segredo bem guardado… ou como promessas não ditas, das quais você nunca tem certeza se estão lá ou não.
E nós dois éramos uma mistura disso tudo… quedas livres, tragédias, promessas…
— As festas eram enormes mesmo… — Eu pausei por alguns instantes voltando meu pensamento para as grandes festas que eu organizava nos primeiros períodos da faculdade.
Eu me vi de novo naquela cobertura lotada, luzes coloridas estourando no teto, o som pulsando alto o suficiente para fazer o coração vibrar. Pessoas dançando, rindo, mergulhando na piscina com roupa e tudo, como se o amanhã fosse um boato distante. Copos erguidos, cigarros acesos, promessas ao vento. E no meio do caos, sempre havia ele.
. Encostado em alguma parede, com um copo na mão e aquele olhar cortante. Sempre observando, sempre calado demais pra quem tinha tanto dentro de si. Ele nunca era o mais barulhento da sala, mas era o mais impossível de ignorar.
E de alguma forma, sempre terminávamos no mesmo canto da festa. Às vezes com as mãos entrelaçadas por baixo da mesa, às vezes com os olhares colidindo como faíscas antes do incêndio. Teve noite em que ele me puxou para o quarto no meio da confusão, só pra me beijar como se estivesse tentando apagar um incêndio dentro dele. Teve outra em que ele sussurrou no meu ouvido, com a voz rouca de álcool e desejo:
— Eu odeio te querer tanto assim.
Pisquei os olhos afastando com toda a força em meu ser aquelas lembranças e encarei o nada, cruzando as pernas no sofá:
— Eu era boa nisso… — sussurrei para mim mesma, quase sem perceber. — Em fingir que não doía.
Meus olhos voltaram para ele. ainda estava ali, no sofá, como se não tivesse passado tempo nenhum. Como se ainda fôssemos os mesmos.
Mas não éramos. Não totalmente.
E ainda assim… havia aquele olhar.
Aquele olhar que me fazia querer cair de novo.
Mesmo sabendo que a queda sempre termina em dor.
🫀🫀🫀
“So why'd you have to rain on my parade? I'm shaking my head and locking the gates.”
— O que você quer? O que está fazendo aqui? — Me levantei subitamente, sendo atingida por uma onda de sanidade crua e completa.
Os olhos de se arregalaram mínima e discretamente, mas eu percebi a surpresa, o espanto com a minha repentina atitude. Como o peito dele subiu e desceu mais rápido, o leve umedecer nos lábios, a língua passando rapidamente por lá.
Eu o conhecia há anos. E bem demais. E esse era o problema.
— Senti sua falta. Por isso eu vim, …
Ouvir o apelido que só ele me chamava vindo assim, tão de repente, numa tentativa de me desarmar me fez vacilar por um segundo. Só um. Mas foi o suficiente.
Foi como abrir uma janela numa noite fria e deixar o vento invadir o peito. Como se, de repente, tudo o que eu lutei para esquecer voltasse comprimido naquela única palavra: .
Minhas mãos tremeram, imperceptivelmente. Mas não pra ele. sempre soube ler os detalhes. Sempre foi bom em enxergar onde doía, mesmo quando eu fingia que não.
— Não faz isso. — pedi, a voz mais baixa do que eu gostaria. — Não usa esse apelido como se nada tivesse acontecido. Como se você não tivesse me deixado segurando os cacos sozinha.
O silêncio que veio depois foi quase cruel. Como uma pausa longa demais entre duas notas de uma música que a gente ainda não sabe se quer continuar ouvindo.
Ele abaixou os olhos por um instante, e quando voltou a me encarar, havia algo ali. Algo entre culpa e saudade. Entre desejo e arrependimento.
— Eu vim porque… não consigo mais fingir que está tudo bem sem você. E porque eu sei que fui um covarde. Mas se eu tiver uma chance… uma mínima que seja, eu não vou embora dessa vez.
— Você sempre vai embora, . — sussurrei. — É isso que você faz. Você entra, bagunça tudo e depois some. E eu? Eu fico aqui tentando reconstruir com o que sobra.
Dessa vez, os olhos dele realmente vacilaram. E por um momento, só por um, eu quis acreditar que ele sentia. Que talvez, só talvez, ele estivesse voltando por algo real.
Mas quando se trata de nós dois… o real sempre vem misturado com o impossível.
— Vai embora. — Bradei. Firme, cerrando os punhos, a raiva me inundando. — Vai embora agora.
— … — Ele chamou enquanto se levantava e vinha em minha direção. — Nós somos amigos … porque está fazendo assim?
Eu dei alguns passos para trás, tentando me esquivar de mais aquela tentativa dele de me ludibriar e acabar com o equilíbrio que agora eu tinha. Minhas costas foram de encontro com a grande cristaleira repleta de bebidas que eu tinha no canto da sala.
Senti o gelado dos vidros invadirem meus sentidos mesmo sobre o tecido da cacharel que eu usava para esconder qualquer vestígio de pele que pudesse aparecer nas vistas dele.
Logo ele estava totalmente de pé, na minha frente, seu reflexo cobrindo o meu com as luzes baixa da sala, o olhar cravado no meu.
ergueu uma das mãos, levando-a até meu rosto, cobrindo toda minha bochecha. O toque dele era morno, familiar. A palma áspera contra a minha pele me fez fechar os olhos por um segundo — maldito instinto. Um segundo em que meu corpo se lembrou de tudo: das noites em claro, dos beijos urgentes, do modo como ele sabia exatamente onde me tocar para me fazer esquecer do mundo. Mas eu não podia esquecer. Não dessa vez.
Abri os olhos com força, sentindo as lágrimas queimarem a linha da pálpebra, e agarrei o punho dele com firmeza, afastando sua mão do meu rosto como se estivesse retirando um peso invisível.
— Não faz isso. — minha voz falhou no começo, mas logo reencontrei o tom. — Você não tem o direito de me tocar como se ainda fosse seguro. Como se ainda fosse seu lugar.
Ele abriu a boca, talvez pra dizer algo, mas eu não deixei.
— Vai embora, . — repeti, mais alto, a voz embargada de um choro que eu me recusei a deixar cair. — Vai embora agora! Antes que eu volte a ser aquela idiota que acreditava nas suas meias verdades!
O peito dele subiu e desceu com força. E pela primeira vez, ele pareceu hesitar de verdade.
— Por favor… — acrescentei, mais baixo, mas não menos firme. — Me deixa em paz.
As palavras saíram carregadas, cruas, quase sussurradas, mas mais afiadas que qualquer grito. E pela primeira vez naquela noite… recuou meio passo.
Os olhos castanhos dele penetraram na minha alma quando finalmente me encararam ao se sentar no sofá. Aquilo era uma coisa que definitivamente nunca mudava em : a profundidade de seu olhar.
Os olhos dele eram como cair de um penhasco em queda livre, sem saber o que esperaria lá embaixo para amortecer a queda. Se rosas ou espinhos. Era como escutar canções tristes que você insiste em ouvir, porque mesmo doendo, alivia.
Ou como um segredo bem guardado… ou como promessas não ditas, das quais você nunca tem certeza se estão lá ou não.
E nós dois éramos uma mistura disso tudo… quedas livres, tragédias, promessas…
— As festas eram enormes mesmo… — Eu pausei por alguns instantes voltando meu pensamento para as grandes festas que eu organizava nos primeiros períodos da faculdade.
Eu me vi de novo naquela cobertura lotada, luzes coloridas estourando no teto, o som pulsando alto o suficiente para fazer o coração vibrar. Pessoas dançando, rindo, mergulhando na piscina com roupa e tudo, como se o amanhã fosse um boato distante. Copos erguidos, cigarros acesos, promessas ao vento. E no meio do caos, sempre havia ele.
. Encostado em alguma parede, com um copo na mão e aquele olhar cortante. Sempre observando, sempre calado demais pra quem tinha tanto dentro de si. Ele nunca era o mais barulhento da sala, mas era o mais impossível de ignorar.
E de alguma forma, sempre terminávamos no mesmo canto da festa. Às vezes com as mãos entrelaçadas por baixo da mesa, às vezes com os olhares colidindo como faíscas antes do incêndio. Teve noite em que ele me puxou para o quarto no meio da confusão, só pra me beijar como se estivesse tentando apagar um incêndio dentro dele. Teve outra em que ele sussurrou no meu ouvido, com a voz rouca de álcool e desejo:
— Eu odeio te querer tanto assim.
Pisquei os olhos afastando com toda a força em meu ser aquelas lembranças e encarei o nada, cruzando as pernas no sofá:
— Eu era boa nisso… — sussurrei para mim mesma, quase sem perceber. — Em fingir que não doía.
Meus olhos voltaram para ele. ainda estava ali, no sofá, como se não tivesse passado tempo nenhum. Como se ainda fôssemos os mesmos.
Mas não éramos. Não totalmente.
E ainda assim… havia aquele olhar.
Aquele olhar que me fazia querer cair de novo.
Mesmo sabendo que a queda sempre termina em dor.
— O que você quer? O que está fazendo aqui? — Me levantei subitamente, sendo atingida por uma onda de sanidade crua e completa.
Os olhos de se arregalaram mínima e discretamente, mas eu percebi a surpresa, o espanto com a minha repentina atitude. Como o peito dele subiu e desceu mais rápido, o leve umedecer nos lábios, a língua passando rapidamente por lá.
Eu o conhecia há anos. E bem demais. E esse era o problema.
— Senti sua falta. Por isso eu vim, …
Ouvir o apelido que só ele me chamava vindo assim, tão de repente, numa tentativa de me desarmar me fez vacilar por um segundo. Só um. Mas foi o suficiente.
Foi como abrir uma janela numa noite fria e deixar o vento invadir o peito. Como se, de repente, tudo o que eu lutei para esquecer voltasse comprimido naquela única palavra: .
Minhas mãos tremeram, imperceptivelmente. Mas não pra ele. sempre soube ler os detalhes. Sempre foi bom em enxergar onde doía, mesmo quando eu fingia que não.
— Não faz isso. — pedi, a voz mais baixa do que eu gostaria. — Não usa esse apelido como se nada tivesse acontecido. Como se você não tivesse me deixado segurando os cacos sozinha.
O silêncio que veio depois foi quase cruel. Como uma pausa longa demais entre duas notas de uma música que a gente ainda não sabe se quer continuar ouvindo.
Ele abaixou os olhos por um instante, e quando voltou a me encarar, havia algo ali. Algo entre culpa e saudade. Entre desejo e arrependimento.
— Eu vim porque… não consigo mais fingir que está tudo bem sem você. E porque eu sei que fui um covarde. Mas se eu tiver uma chance… uma mínima que seja, eu não vou embora dessa vez.
— Você sempre vai embora, . — sussurrei. — É isso que você faz. Você entra, bagunça tudo e depois some. E eu? Eu fico aqui tentando reconstruir com o que sobra.
Dessa vez, os olhos dele realmente vacilaram. E por um momento, só por um, eu quis acreditar que ele sentia. Que talvez, só talvez, ele estivesse voltando por algo real.
Mas quando se trata de nós dois… o real sempre vem misturado com o impossível.
— Vai embora. — Bradei. Firme, cerrando os punhos, a raiva me inundando. — Vai embora agora.
— … — Ele chamou enquanto se levantava e vinha em minha direção. — Nós somos amigos … porque está fazendo assim?
Eu dei alguns passos para trás, tentando me esquivar de mais aquela tentativa dele de me ludibriar e acabar com o equilíbrio que agora eu tinha. Minhas costas foram de encontro com a grande cristaleira repleta de bebidas que eu tinha no canto da sala.
Senti o gelado dos vidros invadirem meus sentidos mesmo sobre o tecido da cacharel que eu usava para esconder qualquer vestígio de pele que pudesse aparecer nas vistas dele.
Logo ele estava totalmente de pé, na minha frente, seu reflexo cobrindo o meu com as luzes baixa da sala, o olhar cravado no meu.
ergueu uma das mãos, levando-a até meu rosto, cobrindo toda minha bochecha. O toque dele era morno, familiar. A palma áspera contra a minha pele me fez fechar os olhos por um segundo — maldito instinto. Um segundo em que meu corpo se lembrou de tudo: das noites em claro, dos beijos urgentes, do modo como ele sabia exatamente onde me tocar para me fazer esquecer do mundo. Mas eu não podia esquecer. Não dessa vez.
Abri os olhos com força, sentindo as lágrimas queimarem a linha da pálpebra, e agarrei o punho dele com firmeza, afastando sua mão do meu rosto como se estivesse retirando um peso invisível.
— Não faz isso. — minha voz falhou no começo, mas logo reencontrei o tom. — Você não tem o direito de me tocar como se ainda fosse seguro. Como se ainda fosse seu lugar.
Ele abriu a boca, talvez pra dizer algo, mas eu não deixei.
— Vai embora, . — repeti, mais alto, a voz embargada de um choro que eu me recusei a deixar cair. — Vai embora agora! Antes que eu volte a ser aquela idiota que acreditava nas suas meias verdades!
O peito dele subiu e desceu com força. E pela primeira vez, ele pareceu hesitar de verdade.
— Por favor… — acrescentei, mais baixo, mas não menos firme. — Me deixa em paz.
As palavras saíram carregadas, cruas, quase sussurradas, mas mais afiadas que qualquer grito. E pela primeira vez naquela noite… recuou meio passo.
ATO II
Alguns dias depois…
Espalmei as mãos com força contra o peito dele, empurrando-o sem disfarçar a raiva que fervia em mim. Era como se cada toque meu gritasse um "fica longe". Meus dedos cravaram-se por um segundo no tecido da camisa, mas não era desejo — era ira. Ira por ele ter voltado, por achar que ainda podia me encarar daquele jeito, como se nada tivesse acontecido. Senti o peito dele subir e descer sob minhas palmas, e isso só me deixou ainda mais irritada. Como ele conseguia estar tão calmo enquanto eu estava explodindo por dentro?
Me afastei um passo, ainda com as mãos cerradas e o peito arfando. Eu ria. Um riso curto, seco, sem humor algum.
— Foi tão bom sermos amigos de novo... Lá estava eu, te dando uma segunda chance, mas você me apunhalou pelas costas enquanto apertava minha mão!
As palavras saíram cuspidas, afiadas. Meus olhos queimavam, mas não de lágrimas — de decepção. De raiva acumulada.
— E aí está o problema, . — continuei, sem dar tempo para ele reagir. — Amigos não tentam te enganar. Não te ligam no meio da madrugada pra brincar com a sua cabeça. Não dizem que sentem saudade enquanto estão do outro lado da cidade fazendo exatamente o que prometeram que não fariam.
O peito subia e descia rápido, como se eu estivesse tentando manter o controle, mas por dentro, eu já tinha perdido há muito tempo.
— E então, eu dei uma machadada em uma cerca remendada. — soltei num tom amargo. — Porque foi isso que você virou, . Uma tentativa remendada do que um dia foi. E eu? Eu fui burra o suficiente pra tentar passar por cima de novo.
Ele não disse nada de imediato.
A mandíbula dele travou, os olhos abaixaram por um instante e eu vi — vi o exato momento em que minhas palavras acertaram onde doía. sempre foi bom em se esconder atrás do silêncio, mas eu o conhecia o bastante pra decifrar até os silêncios dele.
Aquele meio segundo em que ele respirou fundo, desviando o olhar, foi o que me confirmou: eu tinha acertado.
Mas não me trouxe satisfação.
Ele levantou os olhos de novo, e havia algo neles que me desmontaria se eu deixasse. Um misto de culpa, orgulho ferido e uma tristeza que ele nem sabia nomear. Mas eu sabia. Eu sabia exatamente o que era: arrependimento. Só que era tarde demais.
— Você acha que foi fácil pra mim também? — ele murmurou, mas a voz saiu rouca, quebrada. Quase um sussurro, como se estivesse falando mais pra si mesmo do que pra mim.
— Não começa, . — cortei, antes que ele seguisse com mais uma daquelas falas vazias que soavam bonitas, mas não significavam nada. — Você teve todas as chances de fazer diferente. Todas. E ainda assim escolheu a covardia. Escolheu brincar com tudo o que a gente tinha.
Ele respirou fundo, os olhos fixos nos meus como se esperasse que eu recuasse. Mas eu não recuei.
— Você mentiu pra mim. — continuei, sentindo a voz embargar, mas me recusando a parar. — Disse que tava tudo bem, que podia lidar com a gente sendo só amigos de novo, que queria consertar as coisas… E no dia seguinte, tava lá, destilando veneno pros outros, jogando indiretas no grupo, minando a minha imagem para todo mundo, como se você fosse o único machucado nisso tudo.
Os olhos dele arregalaram levemente, mas não por surpresa — por exposição. Ele sabia que eu sabia. E agora não tinha mais pra onde correr.
— Mas não fui a única amiga que você perdeu recentemente, não é? — disparei, cruzando os braços. — Se ao menos você não fosse tão venenoso... se não tivesse essa mania de querer que todo mundo sangrasse só porque você sangra também… talvez ainda restasse alguém do seu lado.
O silêncio entre nós se transformou em um campo minado. O tipo de silêncio que grita. Que vibra no ar, feito uma corda esticada prestes a arrebentar.
— Você não faz ideia do que eu tava passando. — ele disse, enfim. A voz mais baixa, os olhos finalmente deixando transparecer a dor por trás da arrogância.
— E você não faz ideia do que causou. — rebati. — Não sabe quantas vezes eu me culpei. Não sabe das conversas que eu tive que fingir que não me atingiam. Dos olhares que vieram por sua causa. E tudo isso por quê? Porque você tava ferido e achou justo levar mais gente com você?
Ele balançou a cabeça, como se tentasse se defender de algo que nem ele conseguia explicar.
— Eu não queria...
— Mas fez. — interrompi. — E agora quer que eu acredite que mudou? Que tá arrependido? Arrependido de quê, ? De ter feito? Ou de ter sido pego?
Dessa vez, ele não respondeu. Porque a verdade, a verdade real e crua, era que ele ainda não sabia.
E eu… eu já estava cansada de esperar que soubesse.
Ele passou a mão pelo rosto, os dedos pressionando as têmporas como se aquilo pudesse impedir a verdade de afundar mais fundo.
— Eu errei, tá bom? — disse, enfim. A voz saiu mais alta, mais áspera, como se estivesse tentando tirar a culpa à força da própria garganta. — Eu me senti deixado de lado, jogado fora. E aí comecei a atacar antes que todo mundo me deixasse de vez. Foi estúpido, eu sei. Mas… foi isso.
Fiquei em silêncio por um instante, não porque não tinha o que dizer, mas porque meu corpo inteiro estava lutando pra conter a avalanche que ameaçava vir com tudo. A vontade de gritar, de chorar, de perguntar por que ele sempre fazia isso — transformar dor em veneno.
— Você não foi jogado fora. — falei baixo, firme. — Você foi amado. Por mim. Por eles. A gente te deu todas as chances, . Mas você só sabe existir se alguém estiver sangrando por sua causa.
Ele recuou como se eu tivesse o atingido fisicamente. Os olhos baixaram por um segundo, e o orgulho dele parecia enfim se partir em pedaços. Mas não era suficiente.
— Eu não sabia o que fazer com o que eu sentia por você… — ele continuou, a voz mais baixa agora, mais crua. — E quando percebi, já tinha passado do ponto. Já tinha machucado todo mundo. Você, principalmente. E juro… eu me odeio por isso.
— Se odeie então. — retruquei, sem piedade. — Mas não venha me pedir pra consertar o que você quebrou com as próprias mãos.
O silêncio voltou a se instalar. Mas dessa vez, era um fim. Um ponto final não dito, mas compreendido.
Ele me olhou por mais alguns segundos, como se esperasse que eu amolecesse, como se ainda houvesse um espaço por onde escorregar de volta. Mas não havia mais.
E no fundo, ele sabia.
Então, apenas assentiu, devagar, os olhos ainda fixos nos meus. Depois virou as costas e foi em direção à porta.
E eu fiquei ali. De pé. Firme. Rígida.
Mas por dentro, tudo doía.
Me afastei um passo, ainda com as mãos cerradas e o peito arfando. Eu ria. Um riso curto, seco, sem humor algum.
— Foi tão bom sermos amigos de novo... Lá estava eu, te dando uma segunda chance, mas você me apunhalou pelas costas enquanto apertava minha mão!
As palavras saíram cuspidas, afiadas. Meus olhos queimavam, mas não de lágrimas — de decepção. De raiva acumulada.
— E aí está o problema, . — continuei, sem dar tempo para ele reagir. — Amigos não tentam te enganar. Não te ligam no meio da madrugada pra brincar com a sua cabeça. Não dizem que sentem saudade enquanto estão do outro lado da cidade fazendo exatamente o que prometeram que não fariam.
O peito subia e descia rápido, como se eu estivesse tentando manter o controle, mas por dentro, eu já tinha perdido há muito tempo.
— E então, eu dei uma machadada em uma cerca remendada. — soltei num tom amargo. — Porque foi isso que você virou, . Uma tentativa remendada do que um dia foi. E eu? Eu fui burra o suficiente pra tentar passar por cima de novo.
Ele não disse nada de imediato.
A mandíbula dele travou, os olhos abaixaram por um instante e eu vi — vi o exato momento em que minhas palavras acertaram onde doía. sempre foi bom em se esconder atrás do silêncio, mas eu o conhecia o bastante pra decifrar até os silêncios dele.
Aquele meio segundo em que ele respirou fundo, desviando o olhar, foi o que me confirmou: eu tinha acertado.
Mas não me trouxe satisfação.
Ele levantou os olhos de novo, e havia algo neles que me desmontaria se eu deixasse. Um misto de culpa, orgulho ferido e uma tristeza que ele nem sabia nomear. Mas eu sabia. Eu sabia exatamente o que era: arrependimento. Só que era tarde demais.
— Você acha que foi fácil pra mim também? — ele murmurou, mas a voz saiu rouca, quebrada. Quase um sussurro, como se estivesse falando mais pra si mesmo do que pra mim.
— Não começa, . — cortei, antes que ele seguisse com mais uma daquelas falas vazias que soavam bonitas, mas não significavam nada. — Você teve todas as chances de fazer diferente. Todas. E ainda assim escolheu a covardia. Escolheu brincar com tudo o que a gente tinha.
Ele respirou fundo, os olhos fixos nos meus como se esperasse que eu recuasse. Mas eu não recuei.
— Você mentiu pra mim. — continuei, sentindo a voz embargar, mas me recusando a parar. — Disse que tava tudo bem, que podia lidar com a gente sendo só amigos de novo, que queria consertar as coisas… E no dia seguinte, tava lá, destilando veneno pros outros, jogando indiretas no grupo, minando a minha imagem para todo mundo, como se você fosse o único machucado nisso tudo.
Os olhos dele arregalaram levemente, mas não por surpresa — por exposição. Ele sabia que eu sabia. E agora não tinha mais pra onde correr.
— Mas não fui a única amiga que você perdeu recentemente, não é? — disparei, cruzando os braços. — Se ao menos você não fosse tão venenoso... se não tivesse essa mania de querer que todo mundo sangrasse só porque você sangra também… talvez ainda restasse alguém do seu lado.
O silêncio entre nós se transformou em um campo minado. O tipo de silêncio que grita. Que vibra no ar, feito uma corda esticada prestes a arrebentar.
— Você não faz ideia do que eu tava passando. — ele disse, enfim. A voz mais baixa, os olhos finalmente deixando transparecer a dor por trás da arrogância.
— E você não faz ideia do que causou. — rebati. — Não sabe quantas vezes eu me culpei. Não sabe das conversas que eu tive que fingir que não me atingiam. Dos olhares que vieram por sua causa. E tudo isso por quê? Porque você tava ferido e achou justo levar mais gente com você?
Ele balançou a cabeça, como se tentasse se defender de algo que nem ele conseguia explicar.
— Eu não queria...
— Mas fez. — interrompi. — E agora quer que eu acredite que mudou? Que tá arrependido? Arrependido de quê, ? De ter feito? Ou de ter sido pego?
Dessa vez, ele não respondeu. Porque a verdade, a verdade real e crua, era que ele ainda não sabia.
E eu… eu já estava cansada de esperar que soubesse.
Ele passou a mão pelo rosto, os dedos pressionando as têmporas como se aquilo pudesse impedir a verdade de afundar mais fundo.
— Eu errei, tá bom? — disse, enfim. A voz saiu mais alta, mais áspera, como se estivesse tentando tirar a culpa à força da própria garganta. — Eu me senti deixado de lado, jogado fora. E aí comecei a atacar antes que todo mundo me deixasse de vez. Foi estúpido, eu sei. Mas… foi isso.
Fiquei em silêncio por um instante, não porque não tinha o que dizer, mas porque meu corpo inteiro estava lutando pra conter a avalanche que ameaçava vir com tudo. A vontade de gritar, de chorar, de perguntar por que ele sempre fazia isso — transformar dor em veneno.
— Você não foi jogado fora. — falei baixo, firme. — Você foi amado. Por mim. Por eles. A gente te deu todas as chances, . Mas você só sabe existir se alguém estiver sangrando por sua causa.
Ele recuou como se eu tivesse o atingido fisicamente. Os olhos baixaram por um segundo, e o orgulho dele parecia enfim se partir em pedaços. Mas não era suficiente.
— Eu não sabia o que fazer com o que eu sentia por você… — ele continuou, a voz mais baixa agora, mais crua. — E quando percebi, já tinha passado do ponto. Já tinha machucado todo mundo. Você, principalmente. E juro… eu me odeio por isso.
— Se odeie então. — retruquei, sem piedade. — Mas não venha me pedir pra consertar o que você quebrou com as próprias mãos.
O silêncio voltou a se instalar. Mas dessa vez, era um fim. Um ponto final não dito, mas compreendido.
Ele me olhou por mais alguns segundos, como se esperasse que eu amolecesse, como se ainda houvesse um espaço por onde escorregar de volta. Mas não havia mais.
E no fundo, ele sabia.
Então, apenas assentiu, devagar, os olhos ainda fixos nos meus. Depois virou as costas e foi em direção à porta.
E eu fiquei ali. De pé. Firme. Rígida.
Mas por dentro, tudo doía.
ATO III
“This is why we can't have nice things, darling, because you break them. I had to take them away. This is why we can't have nice (nice things) things (baby), honey. Did you think I wouldn't hear all the things you said about me? This is why we can't have nice things.”
A porta se fechou com um clique baixo, quase gentil, em contraste com o caos que ele deixava para trás. Eu continuei ali, parada no meio da sala, como se meus pés estivessem enraizados no chão. O silêncio parecia maior agora. Mais pesado. Como se tivesse tomado conta de cada parede, de cada canto da minha respiração.
E então, o ar começou a faltar.
A raiva deu lugar a um vazio estranho, uma exaustão que me fez afrouxar os punhos e escorregar até o chão, encostada na mesma parede onde há pouco eu o tinha confrontado. A visão embaçou. As lágrimas que eu segurei com tanto esforço durante toda a discussão agora vinham com força. Quentes. Ácidas. Silenciosas.
Eu abracei os próprios joelhos, tentando me conter, tentando me convencer de que era melhor assim. Mas não importava quantas vezes eu repetisse, ainda doía.
Depois de um tempo que eu não soube contar, tateei o celular que estava jogado no sofá. As mãos tremiam. Abri a tela. E, sem pensar duas vezes, toquei no nome dela:
"Mãe."
Ela atendeu no segundo toque.
“Filha? Tá tudo bem?” — a voz dela era calma, mas preocupada. Sempre tinha esse tom quando algo não estava certo — como se ela pressentisse.
Engoli em seco, e minha voz saiu falha, quase infantil:
“Mãe... você tá ocupada?”
“Claro que não, meu amor.” — respondeu de imediato. — “Aconteceu alguma coisa?”
Fechei os olhos, mordendo o lábio, tentando conter o choro que insistia em voltar com força.
“Não sei. Acho que só... precisava ouvir sua voz um pouco.”
Ela entendeu. Mãe sempre entende, mesmo quando a gente não diz.
“Tô aqui, . Fala comigo.” — disse baixinho, com aquela doçura firme que só ela sabia usar. — “O que foi que ele fez dessa vez?”
Eu respirei fundo, e o soluço escapou.
“Nada que já não tivesse feito antes... mas, por algum motivo, ainda dói.”
Silêncio do outro lado. Mas não era um silêncio vazio — era aquele tipo que abraça, mesmo à distância.
“Você é boa demais pra carregar o que não é seu, filha.” — ela disse enfim. — “Ele pode até ter te machucado, mas você ainda é luz. E isso ele nunca vai conseguir apagar.”
Fechei os olhos de novo, deixando aquelas palavras me envolverem como um cobertor.
“Obrigada, mãe… só precisava lembrar quem eu era. E você sempre me lembra.”
“Sempre vou lembrar. Sempre que você esquecer.”
Ficamos ali em silêncio por mais alguns segundos. Só ouvindo a respiração uma da outra. Só existindo. E por um momento, foi o suficiente.
Depois que desliguei, fiquei olhando pro teto da sala por alguns minutos, o celular ainda na mão, como se a voz da minha mãe estivesse pairando no ar, me protegendo. O coração ainda doía — não como uma pancada, mas como uma pressão constante, parecida com saudade.
E foi aí que a memória me pegou desprevenida.
Veio como uma brisa quente no meio do caos: eu e sentados no chão do meu antigo quarto, rindo de algo que só nós dois achávamos engraçado. A luz do abajur era fraca, amarelada, e ele passava os dedos devagar pelo meu tornozelo enquanto ouvia atentamente minha história mais idiota da semana, com aquele olhar que dizia “só você consegue me fazer esquecer do mundo.”
Lembrei da vez em que ele apareceu na minha porta às quatro da manhã só porque eu disse em tom de brincadeira que não conseguia dormir sem chocolate. Ele trouxe três tipos diferentes, uma blusa dele e o filme que eu mais gostava. Não falou muita coisa. Só se sentou ao meu lado, dividiu o cobertor comigo e me deixou deitar a cabeça no ombro dele. O mundo inteiro parecia respirar em silêncio naquela noite.
Lembrei das mãos dele entrelaçadas nas minhas durante um ataque de ansiedade que tive. Ele não disse “vai passar”, nem tentou consertar nada — ele só ficou ali, me ancorando com o silêncio e a presença. Apertou meus dedos toda vez que minha respiração falhava, como se dissesse: “ainda estou aqui.”
E nos beijos… ah, nos beijos. Havia uma entrega neles que não combinava com o jeito contido dele. Como se tudo o que ele nunca dizia com palavras, ele deixasse escapar nos toques, nos olhos fechados, nas mãos cravadas na minha cintura como se quisesse parar o tempo.
Por um instante, essas lembranças doeram mais do que a briga. Porque elas me lembraram de quem ele era quando ninguém estava vendo.
nunca foi só as palavras afiadas e o veneno mal direcionado.
Ele também foi silêncio que acalmava, toque que curava, presença que acolhia.
Fechei os olhos e deixei uma lágrima escorrer. Não era tristeza. Não completamente. Era... reconhecimento. Da nossa história. Do que foi bonito, apesar de tudo.
E, naquele instante, eu o perdoei.
Não com palavras. Não com um gesto.
Mas com a respiração mais leve. Com o peito menos apertado.
Porque às vezes, a única forma de seguir em frente é aceitar que houve amor. E que ele foi real. Mesmo que agora, só exista na memória.
E então, o ar começou a faltar.
A raiva deu lugar a um vazio estranho, uma exaustão que me fez afrouxar os punhos e escorregar até o chão, encostada na mesma parede onde há pouco eu o tinha confrontado. A visão embaçou. As lágrimas que eu segurei com tanto esforço durante toda a discussão agora vinham com força. Quentes. Ácidas. Silenciosas.
Eu abracei os próprios joelhos, tentando me conter, tentando me convencer de que era melhor assim. Mas não importava quantas vezes eu repetisse, ainda doía.
Depois de um tempo que eu não soube contar, tateei o celular que estava jogado no sofá. As mãos tremiam. Abri a tela. E, sem pensar duas vezes, toquei no nome dela:
"Mãe."
Ela atendeu no segundo toque.
“Filha? Tá tudo bem?” — a voz dela era calma, mas preocupada. Sempre tinha esse tom quando algo não estava certo — como se ela pressentisse.
Engoli em seco, e minha voz saiu falha, quase infantil:
“Mãe... você tá ocupada?”
“Claro que não, meu amor.” — respondeu de imediato. — “Aconteceu alguma coisa?”
Fechei os olhos, mordendo o lábio, tentando conter o choro que insistia em voltar com força.
“Não sei. Acho que só... precisava ouvir sua voz um pouco.”
Ela entendeu. Mãe sempre entende, mesmo quando a gente não diz.
“Tô aqui, . Fala comigo.” — disse baixinho, com aquela doçura firme que só ela sabia usar. — “O que foi que ele fez dessa vez?”
Eu respirei fundo, e o soluço escapou.
“Nada que já não tivesse feito antes... mas, por algum motivo, ainda dói.”
Silêncio do outro lado. Mas não era um silêncio vazio — era aquele tipo que abraça, mesmo à distância.
“Você é boa demais pra carregar o que não é seu, filha.” — ela disse enfim. — “Ele pode até ter te machucado, mas você ainda é luz. E isso ele nunca vai conseguir apagar.”
Fechei os olhos de novo, deixando aquelas palavras me envolverem como um cobertor.
“Obrigada, mãe… só precisava lembrar quem eu era. E você sempre me lembra.”
“Sempre vou lembrar. Sempre que você esquecer.”
Ficamos ali em silêncio por mais alguns segundos. Só ouvindo a respiração uma da outra. Só existindo. E por um momento, foi o suficiente.
Depois que desliguei, fiquei olhando pro teto da sala por alguns minutos, o celular ainda na mão, como se a voz da minha mãe estivesse pairando no ar, me protegendo. O coração ainda doía — não como uma pancada, mas como uma pressão constante, parecida com saudade.
E foi aí que a memória me pegou desprevenida.
Veio como uma brisa quente no meio do caos: eu e sentados no chão do meu antigo quarto, rindo de algo que só nós dois achávamos engraçado. A luz do abajur era fraca, amarelada, e ele passava os dedos devagar pelo meu tornozelo enquanto ouvia atentamente minha história mais idiota da semana, com aquele olhar que dizia “só você consegue me fazer esquecer do mundo.”
Lembrei da vez em que ele apareceu na minha porta às quatro da manhã só porque eu disse em tom de brincadeira que não conseguia dormir sem chocolate. Ele trouxe três tipos diferentes, uma blusa dele e o filme que eu mais gostava. Não falou muita coisa. Só se sentou ao meu lado, dividiu o cobertor comigo e me deixou deitar a cabeça no ombro dele. O mundo inteiro parecia respirar em silêncio naquela noite.
Lembrei das mãos dele entrelaçadas nas minhas durante um ataque de ansiedade que tive. Ele não disse “vai passar”, nem tentou consertar nada — ele só ficou ali, me ancorando com o silêncio e a presença. Apertou meus dedos toda vez que minha respiração falhava, como se dissesse: “ainda estou aqui.”
E nos beijos… ah, nos beijos. Havia uma entrega neles que não combinava com o jeito contido dele. Como se tudo o que ele nunca dizia com palavras, ele deixasse escapar nos toques, nos olhos fechados, nas mãos cravadas na minha cintura como se quisesse parar o tempo.
Por um instante, essas lembranças doeram mais do que a briga. Porque elas me lembraram de quem ele era quando ninguém estava vendo.
nunca foi só as palavras afiadas e o veneno mal direcionado.
Ele também foi silêncio que acalmava, toque que curava, presença que acolhia.
Fechei os olhos e deixei uma lágrima escorrer. Não era tristeza. Não completamente. Era... reconhecimento. Da nossa história. Do que foi bonito, apesar de tudo.
E, naquele instante, eu o perdoei.
Não com palavras. Não com um gesto.
Mas com a respiração mais leve. Com o peito menos apertado.
Porque às vezes, a única forma de seguir em frente é aceitar que houve amor. E que ele foi real. Mesmo que agora, só exista na memória.
ATO IV
Quatro meses depois…
A casa estava cheia outra vez. Aquela era a primeira festa que eu dava outra vez em anos. O som vibrava pelas paredes e pelo meu coração. Os meus amigos estavam todos lá, desde os mais antigos até os mais recentes.
Os amigos de estavam lá também…espalhados pela sala, pela varanda, alguns na beira da piscina, rindo alto e cantando junto com a playlist que parecia ter sido feita sob medida praquela noite.
Observei tudo de longe por um momento, com um copo na mão e um sorriso que ainda estava aprendendo a ser genuíno de novo.
. Engraçado como ele entrou na minha vida sem pedir licença.
Eu o conheci de um jeito despretensioso, numa livraria pequena que quase ninguém frequentava, dessas que cheiram a papel velho e silêncio confortável. Ele estava sentado no chão, entre duas estantes, com um livro de capa azul-marinho nas mãos. Lembro de ter tropeçado nele — literalmente — porque estava distraída demais olhando as prateleiras de cima.
— Desculpa, você tá bem? — ele perguntou, e foi só então que ergueu os olhos.
Aquele olhar foi diferente. Tranquilo. Curioso. Nada de julgamentos, nenhuma pressa. Era como se ele estivesse ali há horas só esperando que eu aparecesse.
Conversamos ali mesmo, no chão da seção de literatura contemporânea. Sobre autores que amávamos e finais que odiávamos. Ele me indicou um livro. Eu não li. Mas voltei lá uma semana depois, e menti que sim, só pra ver se ele ainda estava por lá.
E estava.
A partir dali, ele começou a surgir em momentos pequenos, mas constantes. Um café depois da aula, uma troca de mensagens sobre algum show aleatório, uma visita rápida com flores improvisadas — margaridas colhidas no jardim da mãe dele. era assim: leve, gentil, impossível de ignorar.
Ele chegou quando eu ainda estava remendando pedaços meus. E nunca tentou colar nada. Só ficou. E, aos poucos, eu fui me sentindo inteira por conta própria.
Agora, vendo ele sorrir do outro lado da sala, brincando com um dos meus amigos como se sempre tivesse feito parte daquilo tudo… eu soube. Havia vida depois do caos. Havia paz depois da tempestade.
E dessa vez, talvez eu estivesse pronta para algo novo.
Eu ainda o observava do outro lado da sala, quando os olhos dele me encontraram.
sorriu.
Aquele sorriso fácil, calmo, que sempre parecia dizer: “tá tudo bem, você pode respirar.”
Ele veio até mim, desviando das pessoas com uma leveza quase infantil, até parar na minha frente com aquele jeito meio desajeitado que me arrancava risos mesmo nos dias mais difíceis.
— Você tá bonita demais hoje. Vai acabar me dando trabalho com a concorrência. — brincou, ajeitando uma mecha solta do meu cabelo atrás da orelha.
Revirei os olhos, mas não consegui evitar o sorriso que cresceu no meu rosto.
— Concorrência? Aqui? Você trouxe os únicos homens que prestam nessa festa, inclusive. — retruquei, provocando.
Ele riu, inclinando o rosto em direção ao meu, os olhos fixos nos meus por um segundo mais longo do que o normal.
— Mesmo assim... não quero te dividir nem por brincadeira.
Aquela frase caiu com um calor gostoso no meu peito. Não era sufocante, não era exagerada. Era só ele sendo ele: direto, doce, verdadeiro.
Me aproximei um pouco mais, os dedos tocando de leve o colarinho da camisa dele, e então beijei-o.
Foi um beijo calmo. Quente. Seguro. Daqueles que não tentam provar nada, só existir. As mãos dele pousaram na minha cintura, sem pressa. E eu senti — por um segundo inteiro — que o tempo realmente podia parar ali.
Mas o tempo, claro, não parou.
Quando nos afastamos, rindo baixinho um do outro, meus olhos vagaram instintivamente pela sala... e então o vi.
.
Parado na entrada da varanda, meio encostado na moldura da porta, um copo na mão, o rosto meio na sombra. O olhar cravado em nós dois.
Ele não sorria. Não falava com ninguém. Só observava. Como um fantasma de outra vida. Um eco de tudo que já foi e que agora… já não era mais.
O coração apertou, mas foi diferente. Não era dor. Não era raiva. Era só o reconhecimento silencioso de um ciclo se fechando.
Porque, pela primeira vez, eu não me senti despedaçada ao vê-lo.
Me senti inteira.
E eu sabia que ele também estava sentindo isso.
A diferença é que agora… eu não era mais dele.
🫀🫀🫀
— Um empresário? — levou a champanhe aos lábios. — Finalmente alguém a sua altura não é? Já que eu sou apenas um músico… simples demais para uma grande advogada do ramo fiscal que nem você. Eu já deveria saber.
Inspirei fundo e pesadamente, sentindo meus músculos tensionar ao olhar nos olhos negros dele, me sugando como uma buraco negro.
Ainda mexia comigo. Mas não como antes.
— É, você já deveria saber. Sempre foi muito esperto, não é? Melhor que todo mundo aqui nessa sala. Mesmo sendo só um “simples músico”. — Fiz aspas com os dedos. — Life goes on , você mesmo sempre diz
Foi a minha vez de levar a champanhe aos lábios. Nossos olhares demorando tempo demais nos olhos um do outros.
Os olhos dele eram como cair de um penhasco em queda livre, sem saber o que esperaria lá embaixo para amortecer a queda. Se rosas ou espinhos.
— Sua felicidade deveria ser a minha felicidade… — Ele balançou a cabeça em negativa, os olhos finalmente deixando os meus. — Porque é tão difícil?
Engoli a champanhe e segurei o queixo dele, obrigando-o a me encarar outra vez.
— Espalhar boatos sobre mim ou sobre nós dois outra vez não vai estragar tudo . Não dessa vez! O é diferente. Ele é o cara mais incrível que á conheci depois de você. Eu mudei . Aquela velha morreu aqui dentro de mim, e precisa morrer dentro de você também.
— Não gosta mais de mim, mesmo? — Ele soltou uma risada nervosa, seca, aquelas que se solta pelo nariz, em descrença. — Eu não balanço nadinha aí dentro de você?
Ele segurou meu pulso e levou minha mão até seu peito.
— Porque matar você aqui dentro de mim, dói. E eu não acredito que você realmente não sinta nadinha aí dentro de você também. Te conheço o suficiente para saber que não me arrancou daí.
Ele entrelaçou nossas mãos uma na outra, o coração dele batendo rápido embaixo da palma de minha mão… e eu umedeci os lábios. Meus olhos lacrimejaram, e eu busquei toda a força que ainda restava no pouco que havia sobrado da antiga, aquela que o amava.
— Eu gosto muito de você . Mas não te amo mais. Não consigo mais amar você. Não dá… Você me destruiu. Não se pode amar algo que te destrói por dentro e o me ensinou isso.
Eu o vi abaixar a cabeça outra vez, desviando os olhos do meus. Sua mão largado a minha, e caindo na lateral do corpo.
Eu o segurei pelo colarinho da camisa.
— Não quero destruir você também, que nem você fez comigo. Precisa me deixar ir.
— Acho que você já foi. Não, foi?
Eu balancei a cabeça deixando as lágrimas rolarem silenciosas por meu rosto, mas as limpando logo em seguida.
— Um brinde? — Ele ergueu a taça na direção da minha, chamando a atenção de todos na sala para nós dois. Inclusive de .
Eu pigarrei, afastando de vez qualquer choro preso na garganta. Era um momento de renovação, de felicidade, de vida nova.
— Um brinde aos meus amigos de verdade, eles não ligam para "Ele-disse, ela-disse". E outro para o meu amor, ele não está lendo do que estão me chamando ultimamente.
Eu o vi sorrir e balançar a cabeça, erguendo a taça. Depois com a cabeça baixa, ele começou sua caminhada em minha direção.
— Porque o meu amor é lindo como um sonho, andando com a cabeça baixa, é na minha direção que ele está caminhando, garotas! Então chame do que quiser, é. Chame do que quiser chamar!
O som da taça de batendo na minha ecoou mais do que eu gostaria. Alguns risos surgiram aqui e ali, nervosos. Outros brindaram por educação. E ... me olhava como se tivesse entendido tudo, até o que não foi dito.
A taça ainda nas minhas mãos tremia levemente, mas eu me mantive firme. Respirei fundo e ergui o rosto, deixando que a luz da sala me banhasse por inteiro. Pela primeira vez em muito tempo, eu não estava me escondendo de ninguém — nem de mim mesma.
Quando enfim chegou até mim, ele não perguntou nada. Não precisou.
Ele apenas me abraçou pela cintura, com aquele jeito tranquilo e firme que era só dele, e me puxou devagar para perto, depositando um beijo leve na minha têmpora.
— Tá tudo bem? — ele murmurou, a boca ainda encostada na minha pele.
Assenti com a cabeça, segurando o olhar dele com delicadeza.
— Tá sim... agora tá.
Ele sorriu. Um daqueles sorrisos que não precisam ser largos para serem reais. E foi assim que ele me levou para dançar — no meio da sala, no meio de todo mundo, sem música específica, sem ensaio. Só nós dois, os olhos grudados um no outro, e a certeza de que eu estava, enfim, no lugar certo.
De longe, vi se afastar. Sozinho. Como uma nota final que se perde no ar depois que a música acaba. Mas ao contrário de antes… eu não senti culpa. Nem dor. Senti apenas um fim necessário.
Era isso. Um ciclo se fechando.
A música mudou. Uma batida mais animada tomou conta da sala. Meus amigos riam, brindavam, dançavam. A festa havia recomeçado. A vida também.
E eu estava viva.
Inteira.
, sim. Mas uma nova versão dela. Mais forte. Mais consciente. Mais dona de si.
Eu encostei a cabeça no ombro de e fechei os olhos por um segundo, deixando meu corpo se embalar por aquela dança.
Os amigos de estavam lá também…espalhados pela sala, pela varanda, alguns na beira da piscina, rindo alto e cantando junto com a playlist que parecia ter sido feita sob medida praquela noite.
Observei tudo de longe por um momento, com um copo na mão e um sorriso que ainda estava aprendendo a ser genuíno de novo.
. Engraçado como ele entrou na minha vida sem pedir licença.
Eu o conheci de um jeito despretensioso, numa livraria pequena que quase ninguém frequentava, dessas que cheiram a papel velho e silêncio confortável. Ele estava sentado no chão, entre duas estantes, com um livro de capa azul-marinho nas mãos. Lembro de ter tropeçado nele — literalmente — porque estava distraída demais olhando as prateleiras de cima.
— Desculpa, você tá bem? — ele perguntou, e foi só então que ergueu os olhos.
Aquele olhar foi diferente. Tranquilo. Curioso. Nada de julgamentos, nenhuma pressa. Era como se ele estivesse ali há horas só esperando que eu aparecesse.
Conversamos ali mesmo, no chão da seção de literatura contemporânea. Sobre autores que amávamos e finais que odiávamos. Ele me indicou um livro. Eu não li. Mas voltei lá uma semana depois, e menti que sim, só pra ver se ele ainda estava por lá.
E estava.
A partir dali, ele começou a surgir em momentos pequenos, mas constantes. Um café depois da aula, uma troca de mensagens sobre algum show aleatório, uma visita rápida com flores improvisadas — margaridas colhidas no jardim da mãe dele. era assim: leve, gentil, impossível de ignorar.
Ele chegou quando eu ainda estava remendando pedaços meus. E nunca tentou colar nada. Só ficou. E, aos poucos, eu fui me sentindo inteira por conta própria.
Agora, vendo ele sorrir do outro lado da sala, brincando com um dos meus amigos como se sempre tivesse feito parte daquilo tudo… eu soube. Havia vida depois do caos. Havia paz depois da tempestade.
E dessa vez, talvez eu estivesse pronta para algo novo.
Eu ainda o observava do outro lado da sala, quando os olhos dele me encontraram.
sorriu.
Aquele sorriso fácil, calmo, que sempre parecia dizer: “tá tudo bem, você pode respirar.”
Ele veio até mim, desviando das pessoas com uma leveza quase infantil, até parar na minha frente com aquele jeito meio desajeitado que me arrancava risos mesmo nos dias mais difíceis.
— Você tá bonita demais hoje. Vai acabar me dando trabalho com a concorrência. — brincou, ajeitando uma mecha solta do meu cabelo atrás da orelha.
Revirei os olhos, mas não consegui evitar o sorriso que cresceu no meu rosto.
— Concorrência? Aqui? Você trouxe os únicos homens que prestam nessa festa, inclusive. — retruquei, provocando.
Ele riu, inclinando o rosto em direção ao meu, os olhos fixos nos meus por um segundo mais longo do que o normal.
— Mesmo assim... não quero te dividir nem por brincadeira.
Aquela frase caiu com um calor gostoso no meu peito. Não era sufocante, não era exagerada. Era só ele sendo ele: direto, doce, verdadeiro.
Me aproximei um pouco mais, os dedos tocando de leve o colarinho da camisa dele, e então beijei-o.
Foi um beijo calmo. Quente. Seguro. Daqueles que não tentam provar nada, só existir. As mãos dele pousaram na minha cintura, sem pressa. E eu senti — por um segundo inteiro — que o tempo realmente podia parar ali.
Mas o tempo, claro, não parou.
Quando nos afastamos, rindo baixinho um do outro, meus olhos vagaram instintivamente pela sala... e então o vi.
.
Parado na entrada da varanda, meio encostado na moldura da porta, um copo na mão, o rosto meio na sombra. O olhar cravado em nós dois.
Ele não sorria. Não falava com ninguém. Só observava. Como um fantasma de outra vida. Um eco de tudo que já foi e que agora… já não era mais.
O coração apertou, mas foi diferente. Não era dor. Não era raiva. Era só o reconhecimento silencioso de um ciclo se fechando.
Porque, pela primeira vez, eu não me senti despedaçada ao vê-lo.
Me senti inteira.
E eu sabia que ele também estava sentindo isso.
A diferença é que agora… eu não era mais dele.
Inspirei fundo e pesadamente, sentindo meus músculos tensionar ao olhar nos olhos negros dele, me sugando como uma buraco negro.
Ainda mexia comigo. Mas não como antes.
— É, você já deveria saber. Sempre foi muito esperto, não é? Melhor que todo mundo aqui nessa sala. Mesmo sendo só um “simples músico”. — Fiz aspas com os dedos. — Life goes on , você mesmo sempre diz
Foi a minha vez de levar a champanhe aos lábios. Nossos olhares demorando tempo demais nos olhos um do outros.
Os olhos dele eram como cair de um penhasco em queda livre, sem saber o que esperaria lá embaixo para amortecer a queda. Se rosas ou espinhos.
— Sua felicidade deveria ser a minha felicidade… — Ele balançou a cabeça em negativa, os olhos finalmente deixando os meus. — Porque é tão difícil?
Engoli a champanhe e segurei o queixo dele, obrigando-o a me encarar outra vez.
— Espalhar boatos sobre mim ou sobre nós dois outra vez não vai estragar tudo . Não dessa vez! O é diferente. Ele é o cara mais incrível que á conheci depois de você. Eu mudei . Aquela velha morreu aqui dentro de mim, e precisa morrer dentro de você também.
— Não gosta mais de mim, mesmo? — Ele soltou uma risada nervosa, seca, aquelas que se solta pelo nariz, em descrença. — Eu não balanço nadinha aí dentro de você?
Ele segurou meu pulso e levou minha mão até seu peito.
— Porque matar você aqui dentro de mim, dói. E eu não acredito que você realmente não sinta nadinha aí dentro de você também. Te conheço o suficiente para saber que não me arrancou daí.
Ele entrelaçou nossas mãos uma na outra, o coração dele batendo rápido embaixo da palma de minha mão… e eu umedeci os lábios. Meus olhos lacrimejaram, e eu busquei toda a força que ainda restava no pouco que havia sobrado da antiga, aquela que o amava.
— Eu gosto muito de você . Mas não te amo mais. Não consigo mais amar você. Não dá… Você me destruiu. Não se pode amar algo que te destrói por dentro e o me ensinou isso.
Eu o vi abaixar a cabeça outra vez, desviando os olhos do meus. Sua mão largado a minha, e caindo na lateral do corpo.
Eu o segurei pelo colarinho da camisa.
— Não quero destruir você também, que nem você fez comigo. Precisa me deixar ir.
— Acho que você já foi. Não, foi?
Eu balancei a cabeça deixando as lágrimas rolarem silenciosas por meu rosto, mas as limpando logo em seguida.
— Um brinde? — Ele ergueu a taça na direção da minha, chamando a atenção de todos na sala para nós dois. Inclusive de .
Eu pigarrei, afastando de vez qualquer choro preso na garganta. Era um momento de renovação, de felicidade, de vida nova.
— Um brinde aos meus amigos de verdade, eles não ligam para "Ele-disse, ela-disse". E outro para o meu amor, ele não está lendo do que estão me chamando ultimamente.
Eu o vi sorrir e balançar a cabeça, erguendo a taça. Depois com a cabeça baixa, ele começou sua caminhada em minha direção.
— Porque o meu amor é lindo como um sonho, andando com a cabeça baixa, é na minha direção que ele está caminhando, garotas! Então chame do que quiser, é. Chame do que quiser chamar!
O som da taça de batendo na minha ecoou mais do que eu gostaria. Alguns risos surgiram aqui e ali, nervosos. Outros brindaram por educação. E ... me olhava como se tivesse entendido tudo, até o que não foi dito.
A taça ainda nas minhas mãos tremia levemente, mas eu me mantive firme. Respirei fundo e ergui o rosto, deixando que a luz da sala me banhasse por inteiro. Pela primeira vez em muito tempo, eu não estava me escondendo de ninguém — nem de mim mesma.
Quando enfim chegou até mim, ele não perguntou nada. Não precisou.
Ele apenas me abraçou pela cintura, com aquele jeito tranquilo e firme que era só dele, e me puxou devagar para perto, depositando um beijo leve na minha têmpora.
— Tá tudo bem? — ele murmurou, a boca ainda encostada na minha pele.
Assenti com a cabeça, segurando o olhar dele com delicadeza.
— Tá sim... agora tá.
Ele sorriu. Um daqueles sorrisos que não precisam ser largos para serem reais. E foi assim que ele me levou para dançar — no meio da sala, no meio de todo mundo, sem música específica, sem ensaio. Só nós dois, os olhos grudados um no outro, e a certeza de que eu estava, enfim, no lugar certo.
De longe, vi se afastar. Sozinho. Como uma nota final que se perde no ar depois que a música acaba. Mas ao contrário de antes… eu não senti culpa. Nem dor. Senti apenas um fim necessário.
Era isso. Um ciclo se fechando.
A música mudou. Uma batida mais animada tomou conta da sala. Meus amigos riam, brindavam, dançavam. A festa havia recomeçado. A vida também.
E eu estava viva.
Inteira.
, sim. Mas uma nova versão dela. Mais forte. Mais consciente. Mais dona de si.
Eu encostei a cabeça no ombro de e fechei os olhos por um segundo, deixando meu corpo se embalar por aquela dança.
FIM!
Nota da autora: Espero que gostem da história, beijos :*