Capítulo 14
O som abafado dos passos no corredor me fez erguer o olhar para a porta, mas não havia ninguém ali. Suspirei, encostando a cabeça na parede fria da enfermaria enquanto terminava de ajustar minha jaqueta sobre o ombro. A asa direita, agora envolta em curativos e costurada com precisão quase obsessiva pelos médicos, permanecia dobrada em um ângulo desconfortável. Movê-la parecia uma ameaça constante aos pontos recém-feitos, e o aviso deles ainda ecoava na minha mente: Nada de voar até que esteja totalmente curado. Ou os pontos abrem.
Era como uma punição. Não voar era como cortar uma parte de mim, algo que sempre esteve lá, sempre foi minha arma, minha liberdade. Olhei para a asa esquerda, intacta, mexendo levemente como se quisesse lembrar ao meu corpo que ainda estava funcional, que poderia sair dali a qualquer momento — mas não do jeito que eu queria.
Levantei da cadeira com certa dificuldade, sentindo o peso do esforço físico da última missão ainda agarrado ao meu corpo. Cada passo era um lembrete de que a recuperação seria mais lenta do que eu gostaria, mas ao menos eu estava fora daquela maldita maca e longe das mãos de quem achava que sabia o que era melhor para mim.
A porta da enfermaria estava entreaberta, e a luz fraca do corredor me chamou a atenção. O ar ali fora era diferente, menos estéril, mais carregado de vozes e movimentação. A sensação de voltar ao centro da sede da gangue me trouxe de volta à realidade — ainda havia coisas para fazer, informações para entregar, decisões para tomar.
O peso na asa ferida era irritante, como se me lembrasse a cada segundo de que eu estava limitado. Mas o orgulho me fez endireitar a postura ao sair dali, mesmo com o incômodo constante. Eu podia estar ferido, mas nada me faria parecer menos do que sempre fui.
Enquanto eu andava pelos corredores da sede, cada passo parecia pesar mais do que o anterior. Talvez fosse o cansaço, ou talvez fosse a sensação incômoda de estar sendo observado. Não era uma novidade no território de Umbros, onde cada movimento era notado e possivelmente registrado. Assim que alcancei a sala dele, um dos membros da gangue me fez um sinal para entrar. Não era uma sugestão; era uma ordem.
A sala estava mergulhada em sombras, como de costume. Umbros estava em pé, próximo à janela coberta por cortinas pesadas. Sua silhueta alta e imponente era quase uma extensão da penumbra ao seu redor. Ele virou a cabeça levemente quando entrei, um pequeno sorriso surgindo em seu rosto.
— , finalmente — disse ele, com aquele tom que sempre parecia carregar mais significados do que as palavras em si.
Não respondi de imediato. Apenas cruzei os braços, ficando de frente para ele. Meu corpo ainda doía da missão, e a asa direita, mesmo dobrada, parecia pesar o dobro do normal. Ele me estudou em silêncio por um momento, seus olhos brilhando como dois pequenos faróis no escuro.
— Ouvi sobre sua última escapada — continuou Umbros, aproximando-se lentamente. — Parece que os Filhos da Luz têm um interesse peculiar em você. Mais do que eu esperava, na verdade.
Fiquei em silêncio, mas meu maxilar se contraiu. Ele continuou.
— Você é um alvo, . Essas asas… — Ele deu um passo para mais perto, seus olhos indo diretamente para elas. — Não são apenas únicas. São uma ameaça. Um símbolo do que eles desprezam. E, ao mesmo tempo, uma obra de arte. Quase… hipnotizantes.
Meu corpo enrijeceu com aquele elogio. Não era comum ele fazer comentários como aquele. Algo em seu tom me deixou desconfortável, mas permaneci quieto, deixando apenas um leve arqueamento de sobrancelha trair minha reação.
— Dentro desta sede, você está seguro — acrescentou Umbros, recuando alguns passos. — Ninguém entrará aqui sem a minha permissão. Mas, lá fora, você é um farol para os inimigos. E isso complica as coisas, não acha?
— Então, qual é o plano? — perguntei, minha voz finalmente quebrando o silêncio.
Umbros sorriu, mas não com diversão. Era o sorriso de alguém que já tinha tudo planejado.
— Você precisa ficar… discreto. Por enquanto, pelo menos. Não quero você participando de missões tão expostas. Aqui dentro, você é um recurso. Lá fora, você é um alvo ambulante. E eu cuido dos meus recursos com zelo.
As palavras eram diretas, mas havia algo no jeito que ele as disse que me fez franzir a testa. Ele não estava pedindo minha opinião, mas também não parecia apenas preocupado com minha segurança. Seus olhos voltaram para minhas asas antes de ele desviar, como se quisesse evitar prolongar o assunto.
— Descanso, . Aproveite o tempo que tem aqui dentro. No momento certo, vamos colocar essas asas para trabalhar de novo. Mas, até lá, mantenha-se… apagado.
Esquisito. Muito esquisito. Todavia, precisava retornar ao meu dormitório.
Quando voltei ao dormitório, o lugar estava mergulhado em um silêncio reconfortante, quebrado apenas pelo som baixo da respiração de alguém que claramente não estava dormindo. Fechei a porta atrás de mim com cuidado, meus olhos capturando imediatamente a figura de , sentada na beirada da cama de baixo do beliche. A luz fraca da lâmpada no canto lançava sombras delicadas em seu rosto, destacando o tom quente de sua pele e os fios ruivos soltos que caíam em desalinho, como se tivessem sido desfeitos de propósito para provocar.
Ela estava de costas para mim, mas seus ombros tensos indicavam que ela sabia que eu estava ali. E então, como se sincronizados, nossos olhares se encontraram quando ela virou a cabeça lentamente para me encarar. Foi um daqueles momentos em que o mundo parecia parar por alguns segundos, deixando apenas nós dois, presos em um fio invisível que se esticava a cada segundo que passava.
Seus olhos brilhavam de um jeito que parecia desarmar qualquer defesa que eu ainda tentava manter. Havia algo neles… algo que fazia meu peito apertar e um calor familiar se espalhar por dentro de mim. Desejo, talvez. Ou provocação. Ou ambos. Ela não disse nada, mas o pequeno sorriso no canto dos seus lábios carregava uma mensagem clara, algo entre um desafio e um convite. O tipo de coisa que só ela sabia fazer com maestria.
Meus passos foram lentos enquanto avancei para o lado da minha cama, mas o peso do seu olhar ainda estava sobre mim. Era como se ela estivesse esperando por algo, uma palavra, uma reação… qualquer coisa. E, por Deus, eu queria dar isso a ela. Queria ir até onde ela estava, segurar seu rosto com minhas mãos e acabar com aquela tensão que parecia sufocar o ar ao nosso redor. Queria beijá-la. Queria senti-la, ainda mais depois de tudo o que havíamos passado juntos.
Mas eu sabia que se eu cedesse agora, não haveria volta. Não haveria freios. E, com ela, nada seria leve ou simples. Tudo era fogo, intensidade, caos. Então, me mantive firme, lutando contra a vontade quase insuportável de cruzar o pequeno espaço que nos separava.
Ela se mexeu, cruzando uma das pernas sobre a outra de forma quase distraída, mas meu olhar caiu para o movimento, me denunciando. Voltei meus olhos para os dela rápido demais, mas seu sorriso cresceu, como se soubesse exatamente o efeito que tinha sobre mim. Claro que sabia.
Ela inclinou a cabeça levemente para o lado, os olhos ainda presos nos meus, e por um momento, pareceu que ela ia falar algo, mas desistiu. O silêncio continuou a nos envolver, carregado, elétrico.
Apoiei as mãos na lateral da minha cama, deixando os dedos apertarem o metal frio enquanto tentava me ancorar no momento. Respirei fundo, mas mesmo isso parecia inútil. Ela estava ali, tão perto e, ao mesmo tempo, tão intocável.
“Controle, . Controle.” Eu me forcei a repetir mentalmente, enquanto desviava os olhos para qualquer outro ponto do quarto que não fosse ela. Mas, no fundo, sabia que já estava mais próximo de perder esse controle do que gostaria de admitir.
— Como está seu braço? — Decidi perguntar, olhando para ela com certa preocupação. — Aliás… obrigado por… por ter me ajudado.
não esperava por minha pergunta, talvez esperava por alguma provocação, ou algum deboche porque vi seu olhar suavizar após minha fala. Seu olhar desceu para seu braço que estava enfaixado, desde seu pulso até um pouco antes de chegar na junta do seu cotovelo.
— Bom, quase não sinto nada. — Sua voz saiu baixa, enquanto ela ainda olhava para ele. Então seu rosto se ergueu e seus olhos com um brilho suave se prenderam aos meus. — Esse agradecimento é meu, , eu que deveria agradecer por você ter nos tirado de lá. — Havia sinceridade em sua voz e algo a mais que não consegui identificar.
se levantou e veio para mais perto, seus olhos agora em minha asa machucada. Ela chegou perto, perto demais que minha asa boa se moveu minimamente com o calor dela.
— Posso ver… — pediu, baixo, e seu olhar encontrou o meu. — Como ela está?
Ela não esperou por uma resposta e senti seus dedos suaves e leves tocar nas penas da minha asa, como se estivesse falando algo através do seu toque, que só ela e minha asa entenderiam. Ela levou seu tempo, seus olhos presos em seus próprios movimentos.
— Não precisa agradecer também — respondi sobre seu agradecimento e soltei um suspiro com seu toque em minha asa. — Não está doendo mais, mas preciso ficar de molho até cicatrizar. Se eu voar, os pontos podem abrir — contei, olhando por cima do meu ombro, para a asa. — Umbros veio falar comigo agorinha — disse, em um tom mais baixo, voltando a olhar para a ruiva.
Ela ficou em silêncio por um tempinho, deslizando seus dedos entre as penas, mas sem encostar onde estava ferida e ouvi ela soltar o ar, voltando a ficar em minha frente, mas não tão perto como estava.
— Então se comporte e cuide bem dela — falou, baixinho, com um pequeno sorriso. — Ele deve estar puto — comentou, sua postura mudando. — Até achei que seria punida ou algo assim, mas até agora ninguém veio falar comigo.
Ela voltou a se sentar, voltando a ser a de sempre.
— Posso te dizer o mesmo, vê se para de correr atrás de confusão — rebati, estreitando meus olhos na sua direção. — Não estava puto, estava mais preocupado com as minhas asas do que eu mesmo. Foi bem esquisito até, achei que ele estivesse flertando com as minhas asas — brinquei, mas era a verdade. — Não acho que vão vir. Não somos prisioneiros aqui, pelo que eu saiba.
Subi no beliche, deitando de bruços por medo de deitar em cima da asa machucada e acabar a machucando ainda mais.
— Eu não corro atrás de confusão, ela que me ama e corre atrás de mim. — Bufou, se fingindo de ofendida. — Ah, pronto! Agora vou ter que disputar com Umbros pela atenção das suas asas? — O tom dramático estava em cada palavra, mas havia deboche também. — Talvez…
— Sei! — debochei e rolei os meus olhos. — Vai por mim que nessa você ganha fácil. O Umbros até que é gato, mas ele fala com elas como um stalker esquisito. — Esbocei uma careta.
Ouvi ela rir na cama de baixo, junto com uma movimentação, provavelmente estava se deitando também.
— Seus gostos são peculiares, . — Ainda podia ouvir o sorriso em sua voz. — Mas é bom saber que nessa eu ganharia. — Aquele tom convencido escorreu por suas palavras. — Será entediante não poder ganhar de você nas missões, . Vou ter que procurar outra pessoa para competir. — Sua voz baixa estava séria agora.
— Não são não, eu só não sou muito exigente — brinquei, dando um riso soprado. — Ganhar de mim? E desde quando a gente competiu desde quando chegamos aqui? Tá um tédio só colocarem você como dupla minha. — Usei meu tom entediado.
— Aparentemente, eu também não — provocou, mas seu tom era de brincadeira. — Mesmo sendo sua dupla, eu sempre quero ganhar — falou, simples, e podia imaginar ela dando de ombros. — Como você é o queridinho e favorito do Umbros, pode pedir para trocar você de dupla, então tudo pode ficar mais emocionante — sugeriu, em voz baixa.
— Filha da puta. — Ri um pouco mais e neguei com a cabeça. — Não tem como ganhar se estamos no mesmo time, — rebati, estalando a língua no céu da boca em implicância. — E quem vai te tirar das confusões que você arruma a não ser eu? — questionei no mesmo tom implicante.
— Filha da puta com orgulho — debochou, rindo também. — Você se prende aos detalhes, . — Tinha certeza que ela estava revirando aqueles olhos claros pelo tom da sua voz. — Tava demorando pra toda a sua presunção aparecer — falou, em um tom que beirava a irritação. — Eu me viro muito bem sozinha, é só você desgrudar de mim que você vai ver.
— Claro que é, não te vi reclamando do beijo — impliquei, mordendo meu lábio inferior. — Os detalhes que valem a pena — provoquei, mudando o tom, sorrindo de lado. — Sei que se vira bem sozinha, fazendo a confusão virar um caos.
— Não reclamei mesmo, quando eu reclamar, você vai saber — rebateu e sabia que ela estava sorrindo. — Você precisa saber que não tenho vergonha alguma de admitir quando gosto e quando quero mais. Sou uma filha da puta decidida, — provocou, em um tom mais malicioso. — Bom, depende de que detalhes estamos falando agora. — Ela ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse pensando nas minhas palavras. — Quanto maior, mais diversão e mais adrenalina…
— Que bom que não, porque eu também não tenho. E se você tivesse, seria no mínimo contraditório pra caralho — respondi no mesmo tom, sentindo o sorriso crescer em meus lábios. — Independente, eu gosto de detalhes — confessei, dando de ombros. — Maior a bagunça também…
— Seria, não é?! — Ouvi uma movimentação dela na cama de baixo e sua voz estava mais baixa agora. — Então aproveite eles — falou, como se não se importasse, mas sabia que ela estava com aquele sorriso no canto dos lábios. — Com certeza! — afirmou, rindo baixinho.
— Aproveitar os detalhes… — murmurei, deixando minha cabeça cair para trás, os olhos presos no teto enquanto um sorriso lento se formava em meus lábios. — , você fala como se eu fosse do tipo que deixa algo passar.
Inclinei-me um pouco para o lado da cama, minhas asas movendo-se sutilmente com o peso do corpo, o suficiente para que ela soubesse que eu estava olhando diretamente para o espaço abaixo de mim.
— Só toma cuidado com essa bagunça — pedi, a voz mais séria.
— E você não é? — provocou, segurando um sorriso, quando seus olhos encontraram os meus. — Cuidado… — repetiu com a voz mais séria também — o que pode acontecer se eu não cuidar? Nada do que eu não vá merecer, — falou, como se não fosse nada, sua voz séria e sem emoção. — É inevitável não lidarmos com as consequências das nossas escolhas.
— Não, eu disse que gosto dos detalhes — respondi, umedecendo meus lábios. — Não é demais ter cuidado, . Sei que o caos é divertido, mas ter cuidado é algo que devemos ter ainda assim. É divertido até que ponto? — Torci os lábios.
— Então vou repetir, aproveite eles — falou baixo, mas ela ainda sorria.
Ela se mexeu na cama e se sentou, seu rosto sem expressão, seus olhos fundos e carregados de algo difícil de entender.
— Nem sempre tudo que eu faço é por diversão, . Não sou tola e nem uma garota patética como você aponta que sempre quer atenção, mas tudo bem, eu mesma criei a minha imagem e gosto de como todos me veem, mas, não, nem tudo tem a ver com diversão. — Seus olhos não desviaram dos meus e sua voz séria estava até fria.
— Nunca disse que você era tola ou patética, — respondi, meu tom mais baixo, mas sem hesitação. Me sentei na cama, minhas asas se ajeitando às minhas costas enquanto eu a encarava. — Você criou a imagem que quis, isso é verdade, e funciona bem, mas não pense que me engana.
Passei a mão pelos cabelos, prendendo o olhar nos dela, tão diretos que era quase impossível desviar.
— Eu sei que tem muito mais aí dentro — continuei, apontando para ela com um leve gesto de cabeça. — Você pode enganar todo mundo aqui, mas comigo é diferente. Eu vejo além da diversão, além do caos. E talvez… só talvez, você odeie isso. Ódio que eu veja algo que você esconde tão bem de todo mundo.
Inclinei um pouco para frente, mantendo meus olhos fixos nos dela, deixando que as palavras saíssem carregadas de certeza.
— Então, não precisa me repetir nada. Eu vou aproveitar, , porque não importa o quanto você tente, nunca vou olhar para você da mesma forma que os outros olham.
A ruiva sustentou o meu olhar, seu rosto ainda sem expressão alguma, ouvindo cada palavra que eu jogava nela e por fim, ela suspirou e voltou a deitar, quebrando o nosso contato intenso.
— Se não disse, logo diria. — Sua voz ainda sem emoção estava baixa. — Você está certo, eu odeio mesmo. Odeio o fato de você achar que existe mais quando não tem. — Ela virou seu rosto para mim, mas ela ainda vestia aquela máscara, e nem em seus olhos eu conseguia ver algo. — Pois deveria, e talvez no final verá que os outros sempre estiveram certos. — Ela desviou de novo o olhar e suspirou.
Cruzei os braços, encostando-me à parede enquanto a observava tentar se esconder atrás daquela máscara que usava tão bem. Meu maxilar travou por um instante antes de eu soltar o ar lentamente, tentando controlar a irritação que suas palavras sempre conseguiam despertar.
— Os outros não me interessam, , e o que eles acham menos ainda. — Minha voz saiu firme, sem espaço para dúvidas. — Eu confio no que vejo. E o que vejo é bem diferente dessa fachada que você insiste em mostrar.
Minha cabeça inclinou levemente para o lado enquanto eu continuava, sem tirar os olhos dela.
— Talvez você esteja certa, talvez eu esteja errado… mas, sinceramente? Não acho que você quer que eu desista de tentar enxergar o que está por trás disso tudo. Porque se quisesse, você já teria conseguido me afastar faz tempo.
Deixei meu olhar cair sobre ela uma última vez antes de me virar, sentindo que, por enquanto, não adiantaria insistir. Mas, no fundo, sabia que ela havia escutado cada palavra. podia esconder o que quisesse, mas algo dentro dela sempre reagia quando eu chegava perto demais.
O silêncio foi a única coisa que ouvi por uns longos minutos, e era evidente que ela estava repassando minhas palavras e também sabia que ela não iria falar mais nada, e foi bem isso.
O barulho da cama de baixo cortou o silêncio, a porta do armário dela batendo encheu o quarto escuro, seguido da batida forte da porta.
Os dias passaram como um borrão, cada um preenchido por rotinas que pareciam feitas sob medida para nos manter separados. No quarto, a presença constante de Nora era um lembrete incômodo de que momentos a sós entre mim e estavam fora de questão. Qualquer tentativa de contato era interrompida pelo barulho de alguma conversa aleatória ou pela insistência irritante de Nora em puxar assunto. Era quase como se o universo estivesse conspirando para manter uma distância segura entre nós.
No entanto, o verdadeiro desafio vinha durante os treinos. Umbros, com sua habilidade de manipular nossas vidas como peças em um tabuleiro, parecia decidido a testar meus limites. Ele havia designado dois treinadores novos para mim, homens com habilidades letais que deixavam claro desde o início que o objetivo não era apenas treinar – era me destruir e reconstruir de um jeito que nem eu mesmo reconheceria.
Os treinos eram brutais. As asas, meu maior trunfo, estavam fora de questão. Qualquer tentativa de usá-las resultava em um olhar severo ou em um golpe certeiro que me fazia lembrar por que estava ali. As lutas corpo a corpo eram intensas, e cada sessão deixava marcas em mim — olhos roxos, costelas doloridas, cortes que mal tinham tempo de cicatrizar antes de serem reabertos no próximo dia.
Meus músculos queimavam constantemente, e a dor se tornava um companheiro constante. A cada golpe que eu recebia, a cada queda no chão duro, sentia minha determinação se solidificar, como aço sendo forjado no calor e no impacto. Mas não era apenas o esforço físico que pesava; a sensação de estar sendo observado por Umbros, avaliado, fazia tudo parecer ainda mais sufocante.
, por sua vez, parecia ocupada com seus próprios treinos, e nossas interações limitavam-se a olhares rápidos quando passávamos um pelo outro nos corredores. Ela estava sempre cercada por outros, e o jeito como parecia focada em sua própria evolução era admirável, embora frustrante. Eu podia sentir que algo mudava nela, mas não tinha tempo — ou oportunidade — de entender o que era.
Ao final de cada dia, eu me arrastava de volta para o quarto, o corpo dolorido, as asas pesadas e o orgulho ferido. Entrar no quarto e vê-la lá, mesmo de relance, era o único momento que fazia o cansaço valer a pena. Ela sempre parecia atenta, seus olhos acompanhando meus movimentos, mesmo que suas palavras fossem breves e cheias de implicância. E mesmo assim, eu percebia algo diferente em seus olhares — como se ela soubesse que os treinos não eram apenas duros, mas exaustivos demais.
A distância entre nós parecia crescer, mesmo que ambos estivéssemos presos no mesmo espaço. Era uma tensão que se acumulava como uma tempestade, esperando o momento certo para explodir. Mas até lá, tudo o que eu podia fazer era resistir — aos treinos, à dor e à vontade insuportável de romper o silêncio entre nós.
O som dos golpes ecoava pela sala de treino enquanto eu observava de longe. estava no ringue, movendo-se com uma precisão que eu sabia que vinha de horas de prática e determinação. Suas mãos eram rápidas, seus chutes precisos, e havia algo quase hipnótico na forma como ela dominava cada movimento. Ela era um furacão de força e técnica, e todos ao redor pareciam saber disso.
Mas naquele momento, não me importava com os olhares ou com o que os outros pensariam. Eu estava cansado — cansado da distância, dos olhares rápidos e dos treinos exaustivos que me deixavam mais preso do que forte. Então, sem pensar muito, me aproximei do ringue. Ela estava de costas, mas eu sabia que sentiu minha presença assim que subi, meus passos firmes ecoando no chão de madeira.
— Não pega leve — disse, minha voz grave cortando o barulho dos golpes dela contra o saco de areia. Ela parou, girando o corpo para me encarar, surpresa estampada no rosto por um breve segundo. — Quero que venha com toda sua força.
Meus olhos encontraram os dela, desafiando-a sem precisar dizer mais nada. Eu sabia que estava invadindo o espaço dela, sabia que não era convidado ali, mas também sabia que, se alguém estava à altura de me empurrar ao limite, era .
Estiquei os braços, girando os ombros para aliviar a tensão acumulada dos treinos anteriores, mas sem tirar o olhar dela. Ela parecia medir minhas intenções, seus olhos claros brilhando com aquele misto de irritação e curiosidade que eu conhecia tão bem.
— Estou falando sério — continuei, subindo completamente no ringue. — Quero tudo. Sem piedade. Sem segurar.
Minha postura era firme, as asas ainda retraídas, protegidas pelas faixas que eu usava nos treinos. Por mais que elas fossem minha maior arma, esse momento não era sobre elas. Era sobre mim e ela. Sobre a tensão que vinha se acumulando entre nós e a necessidade de colocar tudo isso em movimento.
— Isso é seu jeito de querer mostrar o que vem aprendendo, ? — provocou com desdém, mas sutilmente sua postura mudou para ataque. — Você já não está machucado o suficiente, não? — Apontou com seu queixo para o corte no canto do meu lábio.
— Não, esse é o jeito de acabar logo com essa porra de tensão entre a gente — rebati sério, olhando em seus olhos. — Ou a gente se arrebenta logo nesse ringue ou… — Puxei o ar com força.
— É só vir e acabar com a tensão. Faça a sua escolha, eu não vou recuar — falou tão séria quanto eu, seus olhos intensos presos nos meus.
Respirei fundo e olhei em volta rapidamente, estava apenas nós dois naquele lugar. Apenas ela, eu e aquela maldita tensão.
O ringue parecia menor, apertado demais para conter o que estava prestes a acontecer. Cada passo que dei em sua direção foi carregado de uma intenção que não escondi, meus olhos presos nos dela, deixando claro que não haveria espaço para recuos ou dúvidas. Ela viu, percebeu, e permaneceu firme, exatamente como prometera. Aquilo só aumentou o calor que crescia no meu peito.
Quando cheguei a poucos centímetros dela, meu olhar desceu rapidamente para sua boca, antes de voltar aos seus olhos. Não hesitei. Minhas mãos deslizaram para sua cintura, segurando-a com firmeza, e, em um único movimento, a ergui. Suas pernas automaticamente se enroscaram em torno da minha cintura.
Eu a mantive contra mim, forte, decidido, sem me preocupar com quem estava ao redor. Minhas mãos apertaram suas coxas enquanto meu corpo inteiro se moldava ao dela.
Nossos olhares permaneceram conectados, cheios de desejo e um desafio mudo que ambos sabíamos que ninguém mais entenderia.
E então, sem aviso, capturei seus lábios com os meus. O beijo foi imediato, sem hesitação, e tão intenso quanto tudo entre nós sempre havia sido. Minha língua deslizou pela dela, explorando, exigindo, mostrando tudo o que eu vinha segurando por tanto tempo. Era impossível não deixar transparecer a urgência que me consumia, o desejo que havia crescido tanto que não podia mais ser contido. Meu corpo inteiro parecia sintonizado ao dela, e eu a segurava com tanta força que era como se estivesse garantindo que ela não fosse a lugar algum.
As mãos dela me seguraram com firmeza pela nuca, fazendo certa pressão como se me pedisse para não me afastar. Ouvi um suspiro ser solto entre meus lábios e ela devolveu o beijo com mais ânsia que eu, como se também não estivesse mais aguentando.
O beijo era um equilíbrio perfeito entre fome e intensidade, um duelo silencioso onde ambos se recusavam a ceder, mas ao mesmo tempo entregavam tudo de si. O calor dela contra mim era um combustível que me fazia querer mais, cada movimento nosso aprofundando algo que parecia maior do que qualquer palavra poderia explicar.
Quando finalmente rompi o beijo, foi apenas o suficiente para recuperar o ar e encarar seus olhos novamente. Minha respiração estava pesada, e eu sabia que a dela também. Segurei seu rosto com uma das mãos, passando o polegar pelo canto dos seus lábios, sem desviar o olhar.
— Isso — murmurei, baixo, mas firme. — Era exatamente o que eu precisava.
Os olhos dela desviaram dos meus para encararem meus lábios e ela passou a língua no meu dedo quando toquei seu lábio.
— E demorou por quê? — perguntou, voltando a me olhar nos olhos, aquele brilho malicioso e provocativo dominando suas íris claras. — Precisa melhorar nisso, Baby — acrescentou, lambendo seus lábios.
— Estava ocupado apanhando dos treinadores do Umbros — sussurrei com a voz rouca e mordi seu lábio inferior, puxando com meus incisivos até escaparem. — Melhorar em quê? Na demora? Para ser sincero fica até mais gostoso quando a vontade fica acumulada assim, sabia?
Tomei sua boca novamente, dando um beijo mais rápido, profundo e perdendo completamente o restinho de fôlego que ainda restava em meus pulmões. Minha mão de sua cintura desceu e a segurou pela bunda, onde apertei com certa força.
girou o beijo e lambeu toda a minha boca, devolvendo o beijo no mesmo ritmo, segurando minha nuca com força. Ela suspirou quando segurei ela diferente e então chupou meu lábio, afastando seu rosto.
— Porra, — resmungou contra meus lábios, passando sua língua entre eles. — O problema é que tá tudo acumulado demais — respondeu sobre minha fala anterior, seus olhos brilhando como chamas —, e resolver isso sozinha já não tá adiantando… não para mim, pelo menos.
Sorri de lado com sua afirmação, e desci meus lábios para seu queixo, lambendo-o com fervor até seus lábios, puxando o superior com a pontinha da minha língua.
— Você não precisa resolver isso sozinha… não mais — sussurrei, afundando mais meus dedos em sua bunda, e com certa agilidade e cuidado, nos deitei no tatame do ringue, ficando sobre ela. — Eu posso te ajudar com isso — sussurrei em seu ouvido e lambi seu lóbulo.
— Bom… quem sou eu para negar uma ajuda tão útil — sussurrou de volta, se esfregando em meu corpo como uma provocação.
Suas mãos seguraram meu rosto e lambeu meu queixo até meus lábios, chupando com certo cuidado o inferior por ter um pequeno corte, e então deslizou intensamente sua língua pela minha, como se estivesse provando minha boca pela primeira vez. Soltei um suspiro lento, deixando minha mão deslizar de sua cintura e passar por sua coxa, apertando sua pele quente exposta pelo short de treino que usava.
Desci meus lábios por sua pele gostosa, beijando e deixando mordidas fortes por toda a lateral de seu pescoço, parando na curvatura para lamber e chupar levemente, sem deixar marcas. Quando senti sua pele se arrepiar, desci para sua clavícula, onde esfreguei meus lábios e a barba por fazer. Minhas mãos apertaram suas coxas com mais forças e arrastei vagarosamente, mas de um jeito fodidamente apertado meu quadril sobre o seu.
— E eu posso ser uma ajuda muito útil mesmo, posso te ajudar de qualquer maneira — sussurrei contra sua pele, sorrindo ladino.
Deixei uma trilha de mordidas por toda sua pele levemente suada devido ao treino, e beijei seus seios por cima do tecido de seu top mesmo, descendo ainda mais e agora revezando entre beijos e leves chupões sua barriga, lambendo ao redor de seu umbigo.
Suas mãos estavam em meu cabelo, puxando eles cada vez que eu me abaixava mais. Os sons escapando por entre seus lábios entreabertos, ecoavam na sala vazia, como uma melodia harmoniosa e única. Seu corpo se arqueou buscando por mais contato da minha boca e suas mãos soltaram meus cabelos, para ela se apoiar em seus antebraços.
— Espero que dessa vez você não enrole tanto, ou vou ser obrigada a socar esse seu rostinho bonito. — As palavras saíram um pouco falhas e seu peito subia e descia de um jeito pesado.
Suas mãos seguraram meu rosto e ela me puxou para cima novamente, enlaçando minha cintura com suas pernas, deixando nossos quadris bem apertados. Ela mordeu meu queixo e lambeu meu maxilar, intercalando o que fazia.
Acabei rindo nasalado com o que disse, e fechei os meus olhos, me entregando aos seus toques. Suspirei de forma rouca, sentindo o quão quente ela estava me fazendo sentir, mesmo que fosse natural ao se tratar sobre ela. Subi minha mão esquerda apertando sua pele, sentindo meus dedos irem se afundando em sua carne macia conforme subia, trazendo um pouco o tecido fino de seu shorts. Apertei sua cintura quando minha mão passou ela, deixando um rastro magnético de calor ao passo que subia lentamente e fiz questão de apertar ainda mais a palma quando passou por um de seus seios, até parar em seu pescoço, onde o envolvi com minha mão e apertei levemente.
— Quem sabe eu não goste? — provoquei quanto ao soco, e arrastei meu quadril pelo dela novamente, sendo bruto e fazendo nossos corpos até se moverem juntos pelo tatame.
Então a prendi contra o tatame, e deixei uma mordida forte em seu lábio inferior, fazendo minha outra mão, que estava em sua coxa, subir da mesma forma como tinha feito antes, só que agora entre nossos corpos, e a apertei no meio de suas pernas, sentindo o quão quente e úmido estava o tecido do shorts.
Seu gemido foi longo, rouco e manhoso, e ela se impulsionou mais contra minha mão, se esfregando sem vergonha. Suas mãos me puxaram para um beijo louco, forte e cheio de tesão. Sua língua deslizava contra a minha como se quisesse se fundir, chupando ela e mordendo meu lábio.
Seus dedos desceram pelo meu pescoço e foram em meus ombros, e ela me arranhou com suas unhas, passando sua palma apertada em seguida como se quisesse aliviar o que havia feito. Ela gemeu novamente quando suas mãos alcançaram minhas asas e com toques mais sutis ela deslizou seus dedos por elas. Aquilo me arrepiou por completo, me fazendo gemer baixo e rouco também, e elas próprias tentarem se mover por causa do toque, mas elas estavam presas com aquele maldito laço.
— Eu sei que você vai gostar… — sussurrou sem fôlego quando parou o beijo, mordendo seu lábio.
Seus olhos estavam nebulosos de desejo e suas íris claras estavam escuras, brilhantes e intensas.
— Talvez… — provoquei com a mesma resposta e sorri de leve.
Subi minha mão apenas para adentrá-la em seu shorts, por baixo de suas peças, me fazendo suspirar contra seus lábios quando iniciei mais um beijo. Senti meus dedos deslizarem com certa facilidade dentre sua pele quente, úmida e extremamente deliciosa, resultando no meu próprio pau pulsando dentro da minha cueca. Esfreguei meus dedos por dentro dos grandes lábios, soltando mais um suspiro em sua boca ao senti-los mais molhados e os apertei com certa força no seu clitóris, aquela região de mais prazer dela, deixando-os se esfregarem com certa pressão.
— Porra, … — Gemeu contra meus lábios, soltando todo seu ar e voltando a me beijar.
Ela se esfregou mais em meu dedo, de um jeito que mostrou que ela estava querendo que eu continuasse, suas mãos ainda em minhas asas se moviam de um jeito que parecia deixá-la mais louca e, presa no momento. Mas então sua mão direita deslizou por meu braço, me apertando, até ela levar entre nosso meio também. ergueu minha camiseta e mesmo com uma mão, porque parecia se recusar a deixar de tocar minhas asas, e adentrou meu moletom, brincando com o elástico da minha cueca, em um tipo de tortura que a fez rir entre o beijo.
Mas logo ouvi mais um gemido seu quando ela me tocou, apertando meu pau com certa pressão, passando seu polegar pela fenda molhada e espalhando meu pré-gozo por toda a cabeça.
Soltei um grunhido apertado ao morder sua boca para descontar aquele tesão, conseguindo sentir como pulsei em sua mão e aquilo me tirou outro suspiro, mais rouco e falho. Brinquei com nossas bocas conforme deslizava meus dedos agora um pouco mais para baixo e a penetrei com eles, deixando que eles entrassem e isso me fez ficar ainda mais duro e excitado. Sorri levemente e extasiado contra sua boca e retirei meus dedos de dentro dela.
Seus olhos acompanharam cada provocação minha, e vi neles a aprovação pelos meus atos. Ela fez um biquinho quando tirei ambas suas mãos de mim, mas o sorriso malicioso ocupou espaço quando ela viu o que eu faria.
Afastei um pouco nossos rostos e a fiz assistir eu chupar meus dedos molhados, então mais um suspiro foi solto e dessa vez deixei que saísse mais alto que os demais. Meus olhos queimarem nos seus de um tesão incontrolável e absoluto. Levei minhas mãos até a barra de seu shorts e o puxei um pouco mais para baixo, junto de sua calcinha. Com certa dor de tortura, tirei sua mão do meu pau e dei uma lambida em seu dedo apenas para provocá-la. Deslizei meu corpo para baixo, dessa vez fazendo questão de marcar a pele de sua barriga com meus dedos, mas não demorei em nada para começar a lamber toda sua intimidade quente e ainda mais molhada, dessa vez me tirando um gemido mais alto e abafado. Explorei cada parte com a minha língua, lambendo de forma lenta, mas ao mesmo tempo intensa e forte.
Voltei a enfiar meus dedos novamente dentro dela, e agora usava minha língua para apertar e friccionar seu clitóris, sentindo-a pulsar em meus dedos, o que me fez começar a chupar aquela região e sugar com certa pressão.
— Gostosa demais, porra… — rosnei ao dar uma lambida intensa que pegou toda aquela região.
Suas mãos adentraram meus fios e ela os puxou com força enquanto se mexia embaixo da minha boca, gemendo cada vez mais alto quando eu passava minha língua em seu ponto sensível, e até apertando minha cabeça entre suas pernas, como se não quisesse que eu parasse o que estava fazendo. Ergui meus olhos quando senti uma mão sua soltar meus cabelos e adentrar seu top, puxando e esfregando o bico do seu seio, gemendo manhosa com toda a junção que estava acontecendo.
Senti até mesmo minha língua coçar de vontade de estar fazendo isso eu mesmo, mas descontei na forma como a fodia com meus dedos e a chupava com tanta dependência que sentia o quanto estava a deixando mais quente naquela região pela forma como a sugava intensamente. Meti meus dedos com mais ímpeto, usando força mesmo, sentindo quanto ela os apertava sempre que eles iam fundo. Comecei a esfregar freneticamente minha língua no seu clitóris, apertando-a conforme deslizava minha língua debaixo para cima.
Não resisti e subi a minha mão livre até seu outro seio, onde adentrei seu top também e o apertei com a mesma força que eu usava na outra mão, que meus dedos estavam praticamente sendo socados dentro dela. Deixei o mamilo rosado entre meu dedo médio e indicador, onde apertava conforme a palma se esfregava e apertava.
Com minha ajuda extra em seu mamilo, seus gemidos ficaram mais altos e seu quadril começou a vir de encontro aos meus dedos, fazendo minha língua deslizar para cima e para baixo em seu ponto sem muito esforço. Sua pele parecia estar mais suada e muito mais quente, seus dedos puxavam ainda mais meus cabelos, como se ela quisesse controlar como eu a lambia. Sentia meus dedos cada vez mais molhados, cada vez mais sendo apertados por ela em cada movimento que fazia em seu interior, me tirando suspiros por ver o quão entregue ela estava a mim, sem objeção, sem implicância, apenas deixando eu cuidar dela.
Percebi que ela estava quase gozando quando um espasmo percorreu seu corpo, e isso fez eu intensificar e aumentar como fodia ela com meus dedos. Voltei a chupá-la, usando mais força nos meus lábios ao fazerem isso, ao mesmo tempo que comecei a movimentar meus dedos dentro dela, metendo com força e os movimentando dentro para incitar ainda mais aquele prazer delicioso. Sentia meus lábios perderem um pouco a força como a sugava devido à região estar cada vez mais úmida, então comecei a lambê-la como se estivesse secando, mas acabei gemendo junto, me deliciando em como ela era fodidamente gostosa e viciante. Aquela mulher ia foder com o restinho de sanidade que ainda me restava, definitivamente.
Como podia ser tão deliciosa daquele jeito?
A ideia de finalmente me entregar ao desejo que sentia por ela era de fato uma péssima ideia pelo simples fator de que eu sabia que ela seria viciante, mas naquele momento estava pouco me fodendo para aquilo. Nada me faria parar até ela gozar bem gostoso para mim e eu ver como ela, com certeza, ficaria ainda mais linda tendo um orgasmo. E, tinha plena certeza, de que se qualquer infeliz entrasse ali até eu mesmo mataria só por pensar em nos interromper.
Apertei ainda mais seu seio com minha mão, amassando-o ao envolver ele todo em minha mão, fazendo questão de esfregar o biquinho enrijecido, e em seguida puxá-lo com meus dedos, pinçando-o com meus dedos. Desci minha boca e retirei meus dedos quando senti ela pulsar novamente e a fodi com minha língua, deixando que ela entrasse no lugar dos meus dedos.
Isso pareceu ser o ápice para ela. Seu corpo estremeceu com minha língua indo fundo em sua entrada molhada, e sua mão apertou minha cabeça segurando ela no lugar. Um gemido alto e fodidamente gostoso de se ouvir, ocupou o lugar dos sons que meus lábios faziam nela e ergui meus olhos para ver ela gozar, sentindo seu gosto na minha boca. A cena parecia ser irreal, quase proibida de se ver, além de gostosa. Sua outra mão soltou seu peito e se juntou com a outra em meus cabelos, mas agora ela fazia um carinho neles, sentindo os espasmos do orgasmo lamber ainda seu corpo.
Senti um sorriso nascer em meus lábios, — os quais tinha certeza que estavam avermelhados — e voltei a passá-los em sua pele agora sensível, pulsante, e ainda mais molhadinha. Passei toda a minha língua ali, lambendo e tomando todo o seu sabor. Então deixei uma trilha de beijos molhados e eróticos por dentro de suas coxas, mordendo também, antes de subir fazendo o mesmo em seu tronco, passando por abdômen, barriga e seios, onde beijei e lambi ambos, até chegar em seus lábios e a beijar mais uma vez.
— Fui útil em te ajudar? — provoquei entre o beijo, sorrindo entre ele.
— Você foi excelente… — sussurrou e chupou minha língua, provando o seu gosto que ainda estava em minha boca. — Mas agora temos um problema, porque eu posso precisar sempre da sua ajuda — sussurrou com um sorriso no canto dos lábios.
me beijou novamente, mas agora o beijo era diferente. Mais lento, íntimo e até delicado, junto com seus dedos que ainda bagunçava meus cabelos diferente de antes.
— Eu sempre vou estar disposto a te ajudar, é só me falar — respondi com a voz mais rouca, passando a língua em seus lábios, brincando com sua língua e a lambendo por baixo quando a senti me tocar. — Precisamos sair daqui — sussurrei, ouvindo movimentações nos corredores.
Não rompi o beijo, apenas a ajudei puxar seu shorts e calcinha para cima novamente.
— Não… — choramingou quando falei para sairmos dali. — Eu nem retribuí, , e eu quero. — Seus olhos buscaram os meus quando ajudei ela a se sentar.
— Eu também quero que retribua, mas acho que nós dois somos capazes de matar alguém se nos interromperem — respondi, me aproximando e beijando seus lábios de novo, sentindo ela retribuir de um jeito gostoso.
Então nos coloquei de pé e tive que ajeitar meu pau extremamente duro naquele moletom largo que só ajudava a marcar ainda mais, fazendo eu puxar a camiseta um pouco mais para baixo.
— Pode ter certeza que eu mataria mesmo — falou enquanto me observava me arrumar, lambendo seus lábios. — Mas tudo bem, podemos achar um lugar que funcione. — Sorriu de canto e pegou suas coisas que havia trazido para o treino.
— Talvez podemos trancar a Nora pra fora, o que acha? — perguntei como se estivesse falando sério, até segurei o sorriso e saí do ringue, puxando meus fios castanhos para trás, sabendo que eles deveriam estar uma zona.
— Mas aí eu teria que matar ela, porque ela ficaria batendo na porta e isso atrapalha também. — Deu de ombros, andando ao meu lado.
— Acho que quando eles fizeram essa sede eles realmente acharam que ninguém ia mais querer privacidade? Ou eles pensam como se fosse uma casa de swing? — Ri nasalado, mas esbocei uma careta.
— Talvez os dois. — Ela ergueu um ombro com seu sorriso malicioso nos lábios. — Mas não deixa de ser uma merda quando queremos ficar sozinhos.
— É, sim, uma merda — concordei, soltando o ar. — Para onde você vai? — perguntei, olhando para ela agora.
— Banho. Estou suada e gozada — falou sem pudor algum e ainda deu de ombros. — Por quê? Quer me fazer companhia?
— Tá me convidando? — Ergui as sobrancelhas, rindo baixo.
— Por que não? Posso te chupar no banho. Quase ninguém usa a última cabine. — sorriu de um jeito safado, passando sua língua e deixando seus lábios lustrosos. — Ou… podemos fazer outras coisas…
— Para de fazer o meu pau pulsar aqui no meio do corredor — mandei, a empurrando pelo ombro e ri nasalado. — Eu deixo você fazer o que quiser… — respondi mais baixo e mordi meu lábio inferior.
— Quero ele pulsando em outro lugar, , e por favor, seja criativo quando for imaginar. — Ela piscou e riu em seguida. — Você não deveria ter me dado tanta liberdade. — Seu tom saiu malicioso. — Porque pode ter certeza que vou fazer mesmo.
— Eu estou com tesão, não consigo ser criativo nos pensamentos, mais nas ações — comentei, colocando as mãos nos bolsos da calça. — Você não gosta de controle? Ele é todo seu. — Pisquei um olho para ela.
Chegamos à porta do banheiro, como se uma força invisível nos puxasse para aquele ponto. Ficamos ali, um de frente para o outro, sem ninguém mais por perto, o som abafado da música do lado de fora se tornando apenas um ruído distante.
Os olhares se encontraram, e a tensão que nos cercava era tão palpável que parecia preencher o espaço entre nós. Os olhos dela estavam cravados nos meus, carregados de algo que ela nem tentava esconder – desejo, fome, uma intensidade que fazia o ar ao nosso redor parecer mais denso. E eu sabia que os meus olhos diziam exatamente a mesma coisa.
Minha respiração estava pesada, mas eu não fiz questão de disfarçar. Passei a língua pelos lábios, meu sorriso crescendo devagar, carregado de intenções que nem precisei verbalizar, afinal nem precisávamos mais.
O som de passos veio do lado de dentro, e a porta se abriu lentamente. Um pequeno grupo saiu, rindo e conversando, sem notar a eletricidade entre nós. Assim que o último cruzou a porta, o silêncio voltou, pesado, e eu não desviei o olhar dela.
Dei um passo para frente, diminuindo a distância entre nós, meu sorriso se tornando ainda mais provocador enquanto meus olhos deslizavam por ela com lentidão, como se cada detalhe estivesse sendo gravado na minha mente.
— Agora somos só nós — murmurei, deixando o sorriso crescer um pouco mais, antes de dar um leve aceno com a cabeça em direção à porta entreaberta.