All These Things I Hate
“Once more I'll say goodbye to you
Things happen but we don't really know why
If it's supposed to be like this
Why do most of us ignore the chance to miss?”
— All These Things I Hate, Bullet For My Valentine.
— Eu juro! — Tony exclamou, sua voz subindo algumas oitavas.
As risadas ecoaram descompassadas, alguém pareceu ter engasgado e o som esganiçado só fazia com que eles se afundassem mais naquele ciclo interminável de falta de fôlego e dor nas bochechas.
— Era tipo o nosso terceiro show, ou algo assim? — Kalil perguntou, limpando uma lágrima que teimava em tentar escapar dos seus olhos.
revirou os olhos, já sabendo onde aquela conversa iria chegar.
— Não, cara, era o nosso quarto show! — Tony corrigiu com um sorriso largo. — Um maluco da plateia jogou uma garrafa de cerveja em cima do e, pra variar, ele pegou a garrafa, pulou do palco e desceu até o cara, acertando ele com a garrafa na cara!
riu, batendo com a mão na mesa como pudesse liberar o humor de seu corpo à força.
— Foi uma briga das boas — Kalil sorriu, como lembrasse vividamente do momento.
— O cara ficou três dias no hospital — Tony comentou, soltando a gargalhada mais forte, como se ainda estivesse em êxtase pelo evento.
— Gus ficou tão puto... — riu também, lembrando divertidamente da sucessão de eventos que se seguiu depois da agressão.
— Por quê? — perguntou, com os olhos anuviados e o cenho franzido. — Parece ter sido incrível.
deu de ombros, ainda sorridente, como se também não entendesse o porquê da reação do amigo na época. Mais um riso frouxo escapou de seus lábios, tudo bem, ele fingia que não entendia.
— Primeiro porque o nosso amigão aqui estourou a mão inteira socando o cara — Kalil explicou, balançando a cabeça em reprovação. — E a mão dele ficou um lixo, parecia um pedaço de carne moída.
Tony deu uma risada alta e escandalosa, fazendo o vocalista sorrir também.
Quando olhou para o lado encontrou o sorriso sádico de brilhando em sua direção, fazendo com que um frio repentino subisse pelo seu estômago.
Aquilo era tão estranho. Rir com ela não era algo que ele esperasse fazer algum dia, ao menos não tão cedo. Apesar de tudo, ele não conseguia evitar, quanto mais bêbado ficava, mais parecia que não tinha controle sobre o seu próprio corpo e mais ele se sentia à vontade naquela situação.
— Você ficou o quê, umas três semanas sem conseguir tocar? — Tony provocou.
deu um sorriso amarelo, olhando de relance para a guitarrista, antes de responder.
— Duas e meia — corrigiu ele, inflando o peito com uma espécie de orgulho sadomasoquista. — E o Gus tinha certeza de que eu tinha acabado com as nossas chances de viver da música.
— Acho que ele só não quebrou sua cara porque o outro já fez isso por ele — Kalil brincou antes de tomar um gole de sua cerveja.
sorriu de canto, com o olhar afiado.
— Não fui eu quem foi parar no hospital — disse ele, levando seu copo de whisky até os lábios.
— Isso porque você é um tremendo de um cabeça dura — o baterista alfinetou, ainda sorrindo.
— Sigo invicto no meu cartel de lutas — deu uma piscadela.
O grupo quebrou em mais uma sequência de risadas descompassadas, derrubando algumas gotas de bebida sobre a mesa com seus movimentos exagerados. À medida que conseguiram recuperar o fôlego, Tony acendeu um cigarro em meio a um de seus sorrisos travessos, observando os amigos ofegantes através da fumaça que pairava.
— A melhor parte dessa história é que, depois de toda a confusão, passamos três meses sem conseguir fechar um show sequer no King County — continuou o baixista, com uma expressão divertida no rosto.
— Acho que estou perdendo alguma coisa — murmurou, o cenho franzido.
olhou para ela, estreitando os olhos, analisando-a um pouco além do necessário. Estava cada vez mais fácil olhar para ela. A vista nem era tão ruim assim...
— Depois de três meses sem conseguir nada, o dono do pub... O mesmo onde rolou a briga, nos ligou — ele explicou, os olhos brilhando.
fez uma careta, olhando para o vocalista.
— Meio tarde pra reclamar de alguma coisa, não? — ela brincou com um sorriso largo no rosto. pensou que nunca a tinha visto sorrir daquela maneira antes.
Tão... Sincera.
Impulsionado pelo calor da bebida, o vocalista deu um sorriso malicioso na direção dela.
— O cara estava nos procurando há semanas — Kalil revelou, olhando entre os amigos como quem compartilha um segredo.
e Anthony pareceram entender imediatamente, lembrando-se da melhor parte da história.
— O da briga, no caso — esclareceu, os olhos ainda fixos na guitarrista.
— Aparentemente o cara achou que apanhar do vocalista de uma banda de rock foi a coisa mais foda que tinha acontecido com ele nos últimos tempos — Tony completou com entusiasmo, dando um trago profundo demais no cigarro. — Estava indignado que não voltamos a tocar lá depois da confusão.
riu alto, seu sorriso ainda mais espontâneo do que há alguns minutos, se é que isso era possível. O som fez sentir coisas estranhas que ele não ousou reconhecer.
— Depois disso, começamos a tocar lá uma vez por mês durante um ano — o vocalista disse, orgulhoso, tentando ignorar a sensação que crescia sob sua pele.
— O início de uma carreira de sucesso — Kalil acrescentou, de forma quase épica.
— Eu deveria ter pensado nisso antes... — brincou a guitarrista, os olhos brilhando como se planejasse alguma besteira. Se parar para pensar nessa história, era uma adição perfeita para o conjunto caótico que eles formavam. August teria gostado dela.
Naquele mesmo momento, uma voz conhecida interrompeu a conversa, chamando a atenção do grupo. Todos pararam por um instante, curiosos, antes de voltarem à animada troca de palavras.
— Veja se não é a banda Disclaimer?
percebeu imediatamente a mudança na expressão de . Seu rosto, antes relaxado, se fechou de forma nítida, e uma expressão de irritação tomou conta de seus traços. Ela nem ao menos tentou disfarçar o seu desconforto, os olhos estreitaram-se em uma mistura de desagrado e raiva contida.
— Não sabia que você frequentava lugares como esse, Jennie — Tony disse, com um sorriso irreverente no rosto.
foi imediatamente atraído pelo som do nome dela, tomado por uma curiosidade crescente. Sem pensar, virou-se rapidamente para trás, seus olhos buscando a fonte da voz.
E lá estava ela, a repórter, a poucos centímetros de distância, gostosa como sempre. O brilho nos olhos dela, mesmo em meio à agitação do bar, se destacava de maneira inconfundível. sentiu uma leve sensação de surpresa ao vê-la tão próxima, mas não o suficiente para distraí-lo daquele belo par de seios.
Aparentemente a noite estava prestes a melhorar.
— Lugares cheios de homens bonitos? — Jennie respondeu, franzindo o cenho de forma contemplativa, como se estivesse pensando sobre o assunto. — Esse é definitivamente o meu tipo de lugar.
sentiu um calor se espalhar pelo corpo e não hesitou em lançar para a mulher o seu sorriso mais canalha, ciente do efeito que costumava causar em mulheres como aquela.
— Por que não se junta a nós? — perguntou o vocalista, seu tom de voz cheio de segundas, terceiras e até quartas intenções. — Claro, isso se formos bonitos o suficiente pra você.
Jennie o observou com um olhar curioso, seus olhos percorrendo-o de cima a baixo. percebeu a tensão no ar se intensificando e, ao fundo, ouviu a guitarrista resmungar algo inteligível. Isso seria definitivamente interessante.
— Cam estava mesmo pedindo para eu apresentá-lo ao Tony — ela disse com um sorriso de canto, dando de ombros como se fizesse pouco caso do convite.
Aparentemente ela gostava de jogos.
— Eu não estava! — protestou uma voz atrás da apresentadora, arrancando um sorriso dos demais sentados à mesa. Quer dizer, de todos exceto .
então fixou o olhar no rapaz. Ele era alto, com os cabelos ruivos chamando a atenção, e um corpo magro que parecia quase esguio. O rosto era salpicado de sardas, criando um contraste curioso com sua pele clara. Algo naquelas feições lhe parecia vagamente familiar, como uma lembrança distante que insistia em escapar. Seus olhos percorreram o rosto do rapaz mais uma vez, tentando encaixar a imagem, até que finalmente, uma fagulha de reconhecimento brilhou em sua mente.
— Você trabalhou com a Margot — aquilo não foi uma pergunta.
— No editorial da Adidas — Cam confirmou com um sorriso, visivelmente orgulhoso de seu trabalho.
— Aquele em que você ficou morrendo de ciúmes?! — Tony gritou, rindo da situação.
ficou tenso, sentindo o maxilar trincar de imediato. Maravilha. No entanto, sua reação passou despercebida, engolida pelas risadas que ecoavam ao seu redor. Ao seu lado, permanecia em silêncio, com o olhar distante e os braços cruzados.
— Senta aqui, cara, quero saber de tudo — Tony fez um gesto para o lugar vazio ao seu lado.
Sem esperar muito, se levantou pronto para evitar aquele assunto.
— Pode sentar aqui — ele disse para Jennie, apontando para o lugar que ocupava antes. — Eu vou pegar outra cadeira.
se levantou e foi até o balcão, pegou uma cadeira e a arrastou até o ponto entre e Jennie. Talvez fosse uma boa ideia servir como amortecedor entre as duas, ou ao menos ficar ao alcance de ouvir uma troca de farpas daquelas. O vocalista sentou-se, tentando parecer despreocupado. O resto da turma seguia imersa na conversa, suas vozes altas e animadas, enquanto ele se acomodava em um silêncio cheio de expectativa. Quem ele queria enganar? Estava ansioso para ver a guitarrista com raiva depois da entrevista de mais cedo. Seria bom ver os papeis se inverterem para variar.
— Uma pena que a Margot esteja em Dubai agora — Tony comentou, com um sorriso zombeteiro.
— Coitadinha — ironizou, revirando os olhos em deboche.
se permitiu sorrir com a interação afetada entre os dois, que não perdiam uma oportunidade de exagerar no deboche, nas risadas, nas bebidas, bom, em qualquer coisa. Não podia negar, eles formavam uma boa dupla.
— Do que estamos falando? — perguntou o vocalista, sem conter sua animação. De canto de olho ele pode ver a guitarrista franzir o cenho para ele.
Tudo bem, ele estava ficando alterado.
Tony gesticulou, um gesto preguiçoso ou bêbado, como se pedisse para deixar o assunto para lá.
— Não queremos briga hoje, — o baixista disse embolado.
apenas revirou os olhos, sem se incomodar de fato.
— Quando a Margot decidir aparecer por aqui, podemos marcar um dia só pra dar boas risadas com as histórias dos dois — Kalil sugeriu, um sorriso brincando em seus lábios.
— Ela vai ficar furiosa — Cam, que estava entre o Tony e o baterista, acrescentou, se divertindo.
— Ninguém disse que ela iria se divertir também — Anthony deu uma piscadela maliciosa, os olhos brilhando com o quem planeja algo perverso.
Jennie, que até então parecia imersa em silêncio, finalmente pareceu despertar, mostrando interesse pelo retorno de . Seus olhos se fixaram no vocalista, e a expressão que antes era vaga agora se tornou mais atenta, como se algo tivesse chamado sua atenção.
— E aquela viagem que vocês falaram mais cedo? — ela perguntou, inclinando-se para com interesse genuíno.
— Foi ideia da — Kalil sorriu, dando uma piscadela para a guitarrista. se remexeu procurando uma posição mais confortável sem que pudesse evitar.
— Ela nunca teve um road trip em banda — Tony completou, com um sorriso travesso. — Aposto que fez algum pacto com o diabo pra colocar essa ideia na nossa cabeça.
deu de ombros, sem dar importância para o comentário do amigo.
— Quem precisa de um pacto com o diabo quando se pode ser o próprio demônio? — deliberou a guitarrista, pensativa.
— Você tem um ponto — disse La Rocha, dando uma piscadela para ela antes de tomar um gole da sua bebida.
— O que eu posso fazer se vocês são tão fáceis de manipular? — provocou ela, seu sorriso como uma espécie de doce veneno.
Cameron soltou uma gargalhada alta, olhando para com um brilho de diversão nos olhos.
— Agora entendo por que a Margot gosta tanto de você.
— Quem não gosta da ? — zombou, olhando-a na expectativa de conseguir alguma reação dela.
, já sem paciência, levantou a mão e mostrou o dedo do meio, um gesto claro de descontentamento. O vocalista deixou um sorriso satisfeito desenhar o seu rosto.
Jennie não parecia tão interessada na guitarrista quanto os outros, enquanto tomava um gole de seu drink colorido sem tirar os olhos de . Ele não achou isso ruim, não mesmo.
— Para onde vocês vão? — perguntou a repórter com uma voz arrastada.
— Acho que vamos para Nevada, e quem sabe dar uma passada no Arizona... — deu uma resposta vaga, não é como se ele estivesse muito à par da programação de uma viagem para a qual ele não se importava de verdade.
Jennie inclinou a cabeça, interessada.
— E quando chegam em New York? — ela perguntou, apoiando o rosto sobre a mão sem quebrar o contato visual.
ouviu a risada áspera de , uma sonora explosão de desdém que cortou o ambiente e fez um arrepio correr pelo seu corpo.
— só topou a ideia porque não vamos atravessar o país — debochou a guitarrista, seus olhos faiscando em direção à apresentadora.
Jennie ignorou o tom ríspido de e, com uma expressão curiosa, arqueou uma sobrancelha na direção do vocalista, como se a outra mulher não passasse de um mero inconveniente.
— Qual o problema da costa leste? — ela perguntou divertidamente.
— Eu não... — hesitou. Droga de New York.
Mas antes que o vocalista pudesse se embolar na resposta, Kalil o interrompeu, sua voz descontraída cortando o silêncio, desviando a atenção sobre ele.
— O aniversário de está chegando, não queremos prejudicar a festa — comentou o baterista, dando uma piscadela para o amigo. Tudo que pode fazer foi oferecer um olhar de agradecimento.
— Ah, sim! — os olhos de Jennie brilharam em entusiasmo. — As famosas festas de .
O vocalista deu de ombros, como se aquilo não fosse nada de mais. Sabia que suas festas tinham a sua fama, mas não gostava de ficar se exibindo por causa disso. Não fazia isso pela popularidade, para ele era apenas a sua forma de lidar com a confusão que era a sua mente agitada, fazendo uma bagunça daquelas e deixando para alguém limpar depois, preferencialmente Doc.
— Vocês podem aparecer se quiserem — disse ele meio sem jeito, bagunçando os cabelos ao olhar entre Jennie e Cam com um olhar sugestivo.
, de canto de olho, percebeu se remexer em desconforto. Sua postura, antes tão segura, agora parecia inquieta, claramente incomodada naquela situação. Ela deveria estar amando aquilo.
— Me mande os detalhes no Instagram quando estiver tudo certo — a apresentadora respondeu com um biquinho que acabou observando por tempo além do necessário.
— Não se esqueçam de levar um capacete! — Tony disse divertidamente com o seu tom usualmente alto demais.
— Um capacete? — o modelo perguntou ao seu lado, seu cenho franzido em confusão.
— As coisas tendem a sair um pouco do controle nas festas de — explicou Kalil com um sorriso ladino.
olhou para o baterista com uma expressão indignada, mas logo o tom de brincadeira apareceu em seu olhar. Ele não pôde evitar um sorriso divertido, dando lugar a um ar de provocação.
— Que absurdo! — dramatizou ele, colocando a mão no peito com exagero, como se a ofensa fosse algo insuportável. Seu tom de voz foi carregado de sarcasmo, e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios, quebrando qualquer vestígio de seriedade na cena. — Eu jamais incomodaria meus convidados tentando controlar eles.
O grupo inteiro se entregou à mais uma rodada de risadas descontraídas, exceto , que manteve o rosto impassível, claramente alheia à diversão dos outros. Enquanto os demais se entregavam à risada, ela permaneceu em silêncio, seus pensamentos parecendo estar em outro lugar. Por uma fração de segundo, até sentiu falta da risada dela.
— Parece ótimo! — disse Jennie, na hora perfeita para tirar aqueles pensamentos estúpidos da sua cabeça. Queria mesmo era deixar a guitarrista o mais longe possível da sua zona de conforto, quem sabe assim ela aprendesse a se colocar no seu próprio lugar. A repórter umedeceu os lábios, o encarando o vocalista sem um pingo de pudor. — Eu nunca fui muito chegada às regras mesmo.
, visivelmente impaciente, bufou com força e se levantou abruptamente, a cadeira rangendo ao ser afastada com um movimento rápido. Seu olhar varreu o pub, como se tentasse absorver a atmosfera ao seu redor antes de tomar alguma atitude. Todos imediatamente direcionaram os olhos para ela, o clima leve entre o grupo se transformando com aquele único gesto.
— Kalil, quer dançar? — perguntou ela, seus olhos fixos no baterista. Ela manteve a postura rígida, o cenho franzido, parecia pronta para arranjar algum tipo de problema.
sentiu uma pontada no estômago, como se um nó tivesse se formado ali, apertando-o de forma desconfortável. Ele se lembrou claramente, talvez até demais, do que aconteceu da última vez que eles dançaram juntos. O calor da lembrança o atingiu com força, trazendo à tona uma mistura de emoções que ele preferia não revisitar. O vocalista engoliu em seco, tentando disfarçar o desconforto que o assombrou.
— Claro! — Kalil respondeu, levantando-se com um sorriso de orelha a orelha.
O baterista se aproximou de , depositando a sua mão cuidadosamente na lombar dela e juntos eles caminharam em direção à pista de dança, a leveza de seus passos contrastando com a tensão crescente que atingia na boca do estômago. O vocalista os observou em silêncio, os olhos fixos em Kalil e , tentando não pensar demais sobre o que aquilo significava ou até mesmo sobre as sensações desagradáveis que se sucederam.
Logo, os dois se misturaram à multidão, suas figuras se aproximando de forma íntima, com seus corpos grudados em uma proximidade desnecessária que parecia desafiar qualquer senso de espaço pessoal. Apesar da dança frenética das demais pessoas que ocupavam a pista de dança, não conseguia perder eles de vista, ainda que tentasse. Mesmo sem querer, não conseguia desviar o olhar, observando cada movimento deles, o jeito como pareciam compartilhar de um só ritmo.
— Ela é sempre assim? — ele ouviu Jennie perguntar, sua voz era suave, mas cheia de interesse.
O vocalista suspirou, afastando-se um pouco da mesa para encarar Jennie, enquanto se esforçava para não demonstrar qualquer reação para o que ocorrera antes.
— é uma pessoa difícil — admitiu, com um sorriso cansado.
— Eu não sou — Jennie retrucou, com uma expressão divertida, como se estivesse apenas brincando. Mas algo nos olhos dela mostrava que não estava. Nem perto disso.
a observou com mais intensidade, notando o leve rubor em suas bochechas, que contrastava com a confiança que exalava. Seus lábios entreabertos pareciam convidativos, como se estivesse esperando por algo, algo que ele não conseguia identificar, mas que o atraía irresistivelmente. A combinação de sua beleza sutil e a maneira como ela se comportava o fazia se sentir, de alguma forma, fora de controle. Ela era uma mulher hipnotizante, e, por um momento, se permitiu esquecer de tudo ao seu redor, enquanto encarava a boca dela.
— Você está tentando me causar problemas — sorriu de forma provocante.
— fugindo de problemas? — Jennie brincou, sua voz manhosa de um jeito extremamente sensual, seu olhar fixo nele. — Essa é nova.
deu uma risada baixa, desviando o olhar para se recostar em sua cadeira e tomar um gole da sua bebida.
— Espero que isso não seja um furo no seu próximo programa — ele brincou, passando a língua sobre os lábios para limpar os resquícios do álcool.
Jennie, com um sorriso enigmático, respondeu:
— Eu não sou de sair por aí espalhando fofoca, sabe? — ela falou com a voz suave, mas cheia de uma confiança sutil.
não pôde deixar de sorrir. Aquele sorriso que ele sabia ser capaz de fazer algumas peças de roupa serem jogadas pelo chão.
— Não me leve a mal, mas eu não confio na imprensa — ele respondeu provocante, tentado a entrar no jogo dela.
— Você não precisa confiar para se divertir um pouco — Jennie sugeriu com um sorriso travesso.
a olhou com mais intensidade, seus olhos fixos nela de forma calculada, absorvendo cada detalhe. A forma como ela mordia os lábios combinada com seu brilho no olhar fazia o sangue dele se aquecer, despertando nele um desejo difícil de controlar. Mas ele queria brincar um pouco primeiro.
— Eu estou me divertindo — ele afirmou, soltando uma risadinha logo em seguida, sem deixar de encará-la.
e Jennie se encararam por um momento longo demais. O desejo era quase tangível, pairando no ar com uma intensidade que eles não podiam ignorar, talvez nem quisessem. Os olhares se cruzaram, e algo silencioso passou entre eles, um entendimento compartilhado que tornava o ambiente ao redor quase irrelevante. A tensão cresceu, e cada segundo parecia mais carregado do que o anterior.
— Devemos sair da mesa para deixar os pombinhos? — Tony disse, com um sorriso maroto.
riu, mexendo no copo de bebida ao inclinar a cabeça para olhar para o amigo de forma preguiçosa.
— Não vai ser necessário, ele já estava me dando um fora — Jennie respondeu com sarcasmo, rindo enquanto trocava um olhar rápido com .
Cameron, sempre o observador, se juntou ao riso.
— Não foi um fora, a gente só está conversando — sorriu, tentando desviar o foco da situação.
Jennie levantou uma sobrancelha, seu olhar se tornando mais curioso, como se aquilo estivesse apenas começando.
O grupo continuou a conversa trocando comentários descontraídos sobre a noite, as músicas e as pessoas ao redor. , com movimentos precisos e quase automáticos, tirou do bolso um pequeno estojo de couro desgastado, de onde retirou seda, filtro e uma pitada generosa de erva.
Enquanto ele bolava o baseado, o papo fluía com uma leveza que apenas o álcool e a música ao fundo poderiam proporcionar. Tony fazia piadas, Cameron soltava risadas ocasionais, e Jennie, apesar de não estar completamente inserida no grupo, acompanhava com um sorriso educado, como alguém que observa um zoológico de personalidades.
terminou de enrolar o cigarro com um toque final: lambeu a borda da seda, selando-a com cuidado. Ele girou o baseado entre os dedos e, sem hesitar, acendeu-o com o isqueiro prateado que sempre carregava no bolso.
A chama iluminou brevemente seu rosto, destacando o sorriso despreocupado que ele lançou ao grupo. Ele levou o baseado aos lábios e deu uma tragada longa e generosa, soltando a fumaça devagar, como se saboreasse o momento.
— Nada como o primeiro da noite — murmurou o vocalista, com a voz rouca, enquanto observava a espiral de fumaça dançar no ar antes de se dissipar.
— Você fala isso sobre todos os baseados — Anthony não conteve uma risadinha.
— Eu tenho memória curta — respondeu com um sorriso preguiçoso, arrancando risadas dos demais.
Ele repetiu o gesto, desta vez com mais intensidade, deixando a fumaça encher seus pulmões antes de soltá-la lentamente. Seus olhos semi-cerrados transmitiam uma mistura de relaxamento e introspecção. bateu a guimba do cigarro em um cinzeiro no centro da mesa antes de estendê-lo para Jennie com um sorriso descontraído.
A repórter olhou para ele, erguendo as sobrancelhas, e depois para o cigarro. A hesitação era quase imperceptível, mas ainda assim estava lá, como se ela avaliasse a situação e pesasse as implicações do gesto.
— Obrigada, mas eu não uso drogas — respondeu a apresentadora, com uma expressão que era uma mistura de gentileza e firmeza.
Por um momento, houve um breve silêncio. inclinou a cabeça, seus lábios se curvando em um sorriso travesso, enquanto Tony soltava uma gargalhada alta que cortou a tensão momentânea.
— Todo mundo diz isso até conhecer o — zombou Tony, dando um leve tapa nas costas de .
— Engraçadinho — o vocalista revirou os olhos, mas manteve o sorriso nos lábios.
Jennie apenas riu, balançando a cabeça, enquanto Cameron, sem cerimônias, estendeu a mão e pegou o baseado das mãos de .
— Mais pra mim então — disse Cameron, tragando o cigarro com a experiência de quem já tinha passado por muitas noites como aquela.
— Ela não sabe o que está perdendo — provocou o baixista, ganhando um dedo do meio como resposta dela.
— Ela não sabe o que é lutar com uma carga horária insana — brincou Cameron, tragando o baseado.
— Eu não tenho culpa se tenho direitos trabalhistas — Jennie rebateu com um sorriso ligeiramente presunçoso. , porém, mal ouvia a conversa. Seu olhar estava preso em e Kalil, que dançavam juntos de forma inquietante, seus corpos praticamente grudados em um movimento sincronizado e sensual. Ele tentava se concentrar no que acontecia ao seu redor, mas sua mente insistia em se atentar ao que estava acontecendo do outro lado do pub. Era só o que faltava.
— Eu diria que o dinheiro compensa — comentou Tony, inspirando a fumaça que o modelo soltava ao seu lado como se fosse alguma espécie de aromatizante.
— Não é como se eu não trabalhasse cobrindo eventos como os que vocês fazem — disse Jennie com naturalidade, mas com um leve tom de deboche que foi capaz de despertar o vocalista por um momento.
se obrigou a desviar os olhos da cena ao fundo e focar na apresentadora. Ele ergueu uma sobrancelha, desafiador.
— Você não aguentaria um dia no lugar da Ananda Lewis no Woodstock '99 — provocou ele.
Jennie o encarou de volta, os olhos brilhando de determinação.
— Eu adoraria tentar. Ela é uma lenda na MTV — respondeu, sem hesitar.
— Não se fazem mais festivais como antigamente — comentou com um toque de nostalgia.
— Não posso dizer o mesmo dos músicos — replicou Jennie, mordendo levemente o lábio inferior, um gesto que fez sentir algo se agitar dentro dele.
Mas antes que pudesse reagir, algo ao fundo voltou a capturar sua atenção. Ele viu jogando a cabeça para trás em uma gargalhada sonora, enquanto Kalil a puxava pela cintura. O movimento parecia em câmera lenta, e o mundo ao redor de parou por um instante.
Ele viu lançar um olhar desafiador para Kalil antes de ele entrelaçar os dedos nos cabelos dela e puxá-la para um beijo ardente e explícito.
desviou o olhar, atordoado, apenas para se deparar com Jennie o observando com intensidade. Suas bochechas estavam rosadas pelo efeito da bebida, a boca entreaberta como se ela soltasse o ar que vinha segurando, e seus olhos brilhavam com um misto de desejo e expectativa.
O vocalista umedeceu os próprios lábios, tentando focar no presente.
— Você quer sair daqui? — perguntou ele, a voz rouca.
Jennie não respondeu com palavras, apenas assentiu, um sorriso sugestivo surgindo em seus lábios.
Ele entrelaçou seus dedos aos dela, ignorando as despedidas, e a conduziu pelo mar de corpos na pista de dança até alcançarem a saída.
O vento da costa oeste os atingiu assim que estavam do lado de fora, mas mal o sentiu. Sacou o celular, tocou na tela para pedir um carro, e, ao guardar o aparelho no bolso, notou Jennie observando-o com um sorriso malicioso que o fez esquecer momentaneamente do mundo ao redor.
Por um instante, porém, flashes do sorriso malicioso de vieram à sua mente. Ele sentiu um aperto no peito, um breve embrulho no estômago. Mas antes que pudesse deixar aquilo afetá-lo de verdade ele fechou os olhos.
Sem pensar duas vezes, puxou a apresentadora pela mão, ainda entrelaçada à sua, e selou os seus lábios.