Duncraig, Austrália, 1995
Os pés de batiam tão fortes quanto uma bateria no banco do carro e as mãos pareciam tentar acompanhar o ritmo frenético do batuque no grande embrulho de presente que ela carregava em seu colo. Apesar de tudo o que acontecia dentro do carro, ela parecia alheia à tudo, acompanhando as casas que passavam em seu olhar.
- Mamãe! – Ela chamou.
- O que foi, meu amor? – Helena falou do banco da frente, desviando o olhar para a menina que usava a maria-chiquinha que era sua marca registrada.
- Será que o Danny vai gostar do presente? – Helena sorriu, virando o rosto para Alexander ao seu lado.
- Claro que vai, meu amor! Ele vai amar! – Seu pai disse, dando um sorriso para a menina pelo espelho.
Após a breve pergunta, que já havia sido feita várias vezes nos dias que antecediam o aniversário de seis anos de seu melhor amigo, os três ficaram quietos, fazendo o som das pernas e mãos de voltar a bater em ansiedade no banco do carro e no embrulho de presente até chegar na casa dentro da cidade da família Ricciardo.
- CHEGAMOS! – deu um grito animado, assustando seus pais que caíram na gargalhada logo em seguida, procurando uma vaga para estacionar na rua, o mais próximo do local da festa.
Dentro da casa número três, Daniel estava emburrado e entediado. Fazer aniversário dia primeiro de julho nunca era legal porque todos seus amigos de escola estavam aproveitando as férias viajando e ele já estava cansado de suas avós, tias e tias-avós apertarem suas bochechas e brincar com seus cachinhos. Só tinha uma pessoa no mundo que podia fazer isso e apertar seu nariz, e essa pessoa era .
Ok, e sua mãe.
Aniversários existem para serem legais, mas a comemoração dos seus seis anos estava tão animada quanto a comemoração dos cinco e dos quatro. A diferença é que não estava ali e aquilo o deixava emburrado. Ela disse que viria.
- Vamos logo! – disse, soltando o cinto de segurança na pressa e seu pai desceu do carro, abrindo a porta ao seu lado e ela deslizou do carro alto, fazendo seu vestido subir e ela puxar a caixa do presente do banco do carro.
- Calma aí, mocinha! – Helena disse. – Deixa eu arrumar você! – Ela se abaixou na frente da filha.
- Deixa eu ir, mamãe! – Ela disse.
- Calma! – Ela passou as mãos nas tranças de , ajeitando os lacinhos de flores na ponta de cada uma delas. – Deixa eu olhar para você...
- Mãe-e-e! – reclamou.
- Ok, ok. Está linda! – Ela deu um beijo na bochecha da filha. – Agora vai!
não esperou mais nada e saiu correndo em direção à casa da família Ricciardo, e ficou na ponta dos pés para tocar a campainha diversas vezes. Helena e Alexander se aproximaram da filha a tempo de Grace abrir a porta.
- Ah, finalmente chegaram! – Grace falou, se abaixando para abraçar .
- Eu demorei para sair do trabalho, desculpa. – Alexander disse.
- Daniel já está irritado.
- Cadê ele? – A voz de subiu acima dos adultos.
- Lá dentro, vai lá! – Grace disse e desviou das pernas de Grace, saindo correndo para dentro da casa, se surpreendo com vários familiares de Daniel ali.
Ela conhecia muito dos parentes de Daniel pela frequência que passava na casa dele, principalmente os avós de Danny e Michelle, mas agora ela não estava com vontade nenhuma de ser simpática com todos. Depois de parabenizar seu amigo, talvez ela fosse falar com o restante do pessoal.
Logo que o primeiro susto passou, ela começou a andar por entre os móveis e as pessoas da parte de dentro da casa a procura de seu melhor amigo. Quando ela o encontrou, emburrado em uma das banquetas da cozinha, ela abriu um largo sorriso e correu em direção a ele.
- DANNY! – Sua voz saiu mais alta que a voz das pessoas e o menino ergueu os olhos.
- ! – Ele pulou da bancada, caindo de joelhos e correu em direção à ela, dando um forte abraço que só não foi mais apertado pela grande caixa de presente entre eles.
- Feliz aniversário, Danny! – Ela disse, animada, com o queixo apoiado no ombro de seu amigo.
- Você demorou! – Ele disse, fazendo um pequeno bico e ela deu um curto sorriso.
- A culpa foi do papai! – Ela disse, apontando para trás, não necessariamente apontando na direção de Alexander que ainda entrava na casa. – Eu queria ter vindo antes, mas não deu.
- Mas você
tá aqui agora. – Ele disse, abrindo o largo sorriso que estava sumido desde o começo da festa.
- Eu trouxe um presente para você! – Ela empurrou a grande caixa para o peito de Daniel.
- Uau! É grande! – Ele disse, animado e ela sorriu.
- Eu que escolhi! – Ela falou. – Tomara que goste!
- Vou gostar! – Ele disse, sorrindo, se sentando no chão entre a divisão da sala de estar com a cozinha, sob os olhares das tias e avós que observavam a emoção crescente do garoto pela presença da menina.
- Ele vai abrir? – Joe cochichou para Grace de longe.
- É o presente da , quer tentar falar para ele que só pode abrir depois? – Grace sussurrou para o marido.
- É... Acho que não. – Ele disse.
- UAU! – Danny gritou, animado. – É um autorama do Senna! – sorriu, batendo as mãos animadas. – MÃE, A GENTE PODE MONTAR?
- Agora, filho? – Grace disse.
- Deixa, querida! Ele está animado. – A avó materna de Daniel sussurrou. – Ele finalmente se empolgou.
- Alex, me ajuda nessa? – Joe perguntou.
- Eu acabei de chegar, cara! – Alex disse, fazendo Helena e Grace rirem. – Não ganho nem uma cerveja antes?
- Uma Coca-Cola, no máximo! – Joe disse, rindo, se aproximando das crianças. – Culpe eles.
- Pai! Ajuda a gente! – Daniel disse, abrindo a caixa, animado.
- Vamos lá para fora! Os dois! – Joe disse, indicando a porta que dava para fora. – Vamos fazer na mesa lá de fora.
- Isso! – Danny falou, animado. – Vem, ! – Ele puxou a amiga pela mão, fazendo as sandálias da menina e os tênis do garoto baterem fortemente pelo chão. Joe se inclinou para pegar a caixa do brinquedo meio aberto no chão e ele e Alexander riram juntos.
- Sobra sempre para gente, já percebeu isso? – Joe disse.
- Claro que já! – Alex disse, rindo, seguindo com as crianças para fora, dando rápidos acenos para os parentes da família Ricciardo. – E já percebeu que vocês poderiam ter literalmente convidado só a para festa que para o Daniel daria na mesma, não?
- Mas é claro que sim! – Joe disse, rindo. – Meus pais vieram da Itália* para isso e o Daniel está mais interessado na . – Alex gargalhou.
- Aposto que teria economizado bastante.
- Muito! – Joe disse, rindo.
- PAI, VEM LOGO! – Daniel disse antes de ajudar a subir no banco alto.
- Estou indo! Estou indo! – Ele apoiou a caixa na mesa. – Deixa eu ver isso aqui. – Joe abriu a caixa, espalhando as peças pela mesa.
- O que estão montando? – Michelle apareceu perto deles, apoiando o braço na mesa.
- Olha o que a me deu! – Daniel falou, animado.
- Uau! É demais, maninho! – Michelle disse, sorrindo.
- A gente pode correr todo mundo junto. – Danny disse, feliz.
- Eu não sei brincar disso. – disse.
- Eu te ensino. – Ele sorriu, fazendo os outros três sorrirem também para ambos.
- Bem, vamos ver como eu monto isso. – Joe desviou o olhar para o manual de instruções, deixando os dois animados sacudirem as pernas embaixo da mesa, empolgado com o presente novo de Daniel.
*O pai de Daniel, Joe Ricciardo, é italiano, ele nasceu na cidade de Ficarra, no sul do país.
MARÇO
Melbourne, Austrália, 2016 – Terça-feira
- Uau!
The Crown Towers! – Falei ao sair da van.
- Nossa casa pelos próximos dias. – Daniel disse ao meu lado, colocando a mochila nas costas.
- Muito bom, Red Bull! – Falei, rindo.
- Vem! – Maria disse e segui logo atrás dela. – Daniel! – Ela indicou os fãs acumulados do lado de fora das grades de contenção.
- Ei, galera! – Ele disse, animado, indo para os fãs e ri fracamente, seguindo com Maria, Michael, Simon, Christian e a equipe de Kvyat, companheiro de Danny, com seu marketeiro, seu engenheiro, seu treinador e um assistente. Agora não sabia se era igual eu era para Daniel ou era realmente alguém que o ajudava mais.
Estamos em Melbourne. Apesar de ser uma cidade há quase 3500 quilômetros de Perth, estávamos em casa, no nosso país, com a nossa cultura, além das temperaturas altas, então era bom depois de passar frio na Inglaterra e na Espanha. E o melhor de tudo isso, era saber que eu não teria que encarar a primeira corrida do Daniel sozinha, sabia que o restante dos Ricciardo estariam lá.
Maria e o marketeiro de Kvyat cuidaram da parte de
check-in antes de distribuir as chaves. Christian foi o primeiro a sumir com o engenheiro de Daniel e de Kvyat. Agora a equipe de Kvyat e nós ficamos esperando os dois pilotos passarem pelas portas do hotel.
- É estranho. – Comentei alto.
- O quê? – Michael perguntou e suspirei.
- Eu não... Eu não conheço esse Danny famoso, né?! – Ele riu fracamente.
- Você conhece o Danny, . Não o Daniel Ricciardo ou Danny Ric. – Suspirei.
- E tem uma diferença? – Perguntei.
- Eu não vejo. – Ele disse. – Ele só nos deixa sozinhos um pouco para dar atenção aos fãs, mas dá para se acostumar.
- E ele tem bastante fãs? – Perguntei.
- Sim! – Ele disse, rindo e assenti com a cabeça, pressionando os lábios. – Se acostume com isso.
- Eu não disse nada. – Dei de ombros.
- Eu sei, mas sua cara diz tudo. – Engoli em seco.
- O que você quer dizer com isso? – Virei o rosto para ele.
- Da mesma forma que ele não gosta de te dividir, você também não gosta. – Revirei os olhos.
- Não viaja, Michael! – Virei de costas, apoiando o ombro em uma pilastra ali perto.
- Eu não conheço vocês há... 23 anos. – Ele deu de ombros. – Mas eu conheço há 13. – Suspirei. – E depois de um tempo é fácil entender que ninguém se mete na amizade de vocês.
- Mas eu não falei nada! – Falei, rindo.
- Não, mas esse lábio pressionado diz que você não está gostando de algo.
- Ah, cala a boca, Michael. – Revirei os olhos.
- Primeiro circuito e vocês já estão se matando? – Ouvi a voz de Danny e virei para trás.
- Só para não perder o costume. – Falei, dando de ombros.
- Vem, vamos subir! – Maria disse e me desencostei da pilastra, seguindo logo atrás do pessoal. – Quero passar o
briefing para vocês.
Nós quatro entramos em um elevador e ele seguiu para o último andar do hotel. Não era muita novidade eu ficar em hotéis bons quando fazia minhas viagens pela Michelin, mas realmente não era esse nível de hotel.
- Daniel... – Ela entregou uma chave para ele. – Michael. – Ela entregou outra antes de sair do elevador.
- Comigo. – Danny disse e segui logo atrás dele.
- São três horas, tem um tempo para você descansar. – Maria começou a falar com Daniel e eu e Michael seguimos logo atrás. – As sete horas uma van vem te buscar para irmos à festa
da Tag Heuer, tiraremos algumas fotos, você vai conversar com alguns poderosos, interagir com as pessoas, nada demais. – Daniel abriu a porta do quarto e entrou logo seguida de Maria, Michael e fui por último.
Uau!
Foi a única reação que eu tive ao entrar no
quarto. Não era simplesmente um quarto, era uma suíte inteira. Na entrada tinha uma sala relativamente grande com uma janela inteiriça para Southbank e o rio Yarra, a região do hotel.
- Daniel e do lado direito, eu e Michael do lado esquerdo. – Ela disse e assenti com a cabeça, curiosa com o que tivesse do lado direito.
- Posso levar para a festa? – Daniel perguntou e virei o rosto de volta para a conversa.
- É melhor não. – Ela disse na lata e pressionei os lábios, surpresa pela honestidade.
- É uma festa, Maria, qual é! – Danny disse.
- Eu não tenho nada contra você, ...
- Eu não disse nada. – Falei, erguendo as mãos e virando de costas para o corredor do lado direito.
- Já saiu fotos de vocês dois juntos, a imprensa está começando a falar e é só tempo de ligar os pontos.
- Mas somos só amigos! Nós vamos em festas juntos em Perth. – Ouvi a voz de Daniel e suspirei, encontrando dois quartos divididos por uma porta.
- Outro dia! A festa pós-corrida, mas essa não. Você vai a trabalho, vai de uniforme, por favor. – Maria disse e comparei rapidamente o tamanho dos dois quartos, percebendo que eram meio iguais e entrei no primeiro.
Desliguei minha cabeça da conversa acalorada dos dois, repensando se eu ter vindo era realmente uma boa ideia. Não pela questão geral, mas por atrapalhá-lo em seus compromissos. Tenho uma ideia da quantidade de dinheiro que anda nesses lugares só pela quantidade de patrocínios nos uniformes e o hotel em que estávamos hospedados, mas sei que comigo Danny queria agir como se estivéssemos em Perth. Talvez até eu quisesse isso, mas sabemos que não era a questão em si.
- Desculpe por isso. – Virei o rosto para trás, vendo Daniel.
- Ah, aquilo? Ah, não! Não se preocupe. – Abanei a mão, tirando a mochila das costas, colocando-a na cama. – Você está trabalhando, Danny, a viagem foi longa, talvez eu fique aqui ou saia para encontrar um restaurante interessante e trabalhar um pouco, eu não sei...
- Posso ir contigo. – Michael apareceu logo atrás.
- É, claro! – Virei para Danny. – Viu?! Ficaremos bem. – Sorri e ele suspirou.
- Mas por que as pessoas não entendem que homens e mulheres podem sim ser amigos? – Ele resmungou e ri fracamente.
- Talvez eles não possam. – Michael disse, dando de costas e revirei os olhos.
- Relaxa, Danny. Eu vou ficar bem. – Dei de ombros, me sentando na cama. – Estamos na
Straya*, estou em casa. – Suspirei e ele assentiu com a cabeça.
- Me avisa onde vocês estarão, posso encontrar vocês depois. – Assenti com a cabeça.
- Claro. – Dei um curto sorriso.
- Eu vou tomar um banho e deitar um pouco, ok?! Se precisar de algo...
- Eu sei, eu sei! – Sorri. – Vou fazer o mesmo, aproveitar o tempo para ajeitar o cabelo. – Ele sorriu.
- Você está sempre linda, . – Ele bateu a mão na porta e ri fracamente.
-
Daniel! – Ouvi a voz de Maria. –
Briefing!
- Ah, fala! – Ele disse, parando no meio do corredor à minha frente, até que ela apareceu na mesma direção.
- Festa hoje. Amanhã cedo nós vamos para o Albert Park que você tem uma campanha com a
World Run sobre a maratona de Melbourne, você vai dar umas entrevistas também, depois vamos pegar o helicóptero e vamos para o circuito de
Sandown para encontrar com Jamie Whincup, da RBR que corre pela categoria Supercars. Na quinta-feira, você vai para Albert Park fazer o tradicional
midia day, tem a primeira coletiva da temporada, depois no fim do dia você e o Kvyat vão em um evento de divulgação da parceria da
Red Bull com a Aston Martin, além de um encontro com os
fãs. Treino na sexta, classificatória no sábado, corrida no domingo.
- Aí então você larga do meu pé. – Danny disse, brincando, mas sabia que o tom escondia uma grande verdade.
- Até o Bahrein. Mas depende muito do seu desempenho. – Ela disse, sorrindo. – Eu vou ajeitar outras coisas. Sete horas, Daniel.
- Sim, sim! – Ele disse, abanando a mão.
- Boa noite, .
- Boa noite. – Falei fracamente, vendo-a sair. – Fim de semana corrido. – Falei para Danny.
- É... – Ele suspirou. – Você está bem?
- Sim, eu estou bem! – Falei, rindo fracamente. – Olha esse quarto, essa vista, essa cama! – Ele deu um curto sorriso.
- Eu sei quando não está bem. E você não está bem agora.
- Eu só não quero atrapalhar, Danny. – Suspirei. – Sério! – Assenti com a cabeça. – Não precisa me incluir em tudo, não precisa se preocupar comigo. Eu vou aos treinos, eu vou às classificatórias, eu vou à corrida. Sobre o restante, vamos ver como as coisas vão ser. Vivemos bem 10 meses longe do outro. Agora você não quer ficar grudado comigo 24 horas por dia, né?! – Ele riu fracamente.
- Só quero você bem. – Sorri.
- Eu estou. Só pelo fato de estar com você e Michael e saber que eu vou ver sua mãe no sábado, vou poder segurar o Isaac, já me deixa mais feliz do que eu estaria se estivesse em... – Pensei por um momento. – Madagascar agora. – Ele riu fracamente.
- É, também acho. – Ele sorriu.
- Vai descansar, depois se arruma que eu vou falar o quão feio está esse bigode. – Ele riu fracamente.
- Ah, ! – Ele abanou a mão, seguindo para o outro quarto e sorri, chutando os pés para os sapatos saírem, antes de virar o corpo na cama, em direção à janela larga, me fazendo suspirar.
*Straya: expressão para "Austrália", muito usada pelos australianos.
Quarta-feira
Daniel
- Ah, cara, eu estou cansado. – Comentei, encostando na parede do elevador.
- Nem só de carros rápidos se vive, Daniel! – Maria disse e suspirei, coçando a cabeça.
- Às vezes somos só nós mesmos. – Falei e ela riu fracamente.
- É, realmente! – Ela disse.
- Tenho mais algum compromisso hoje? – Perguntei.
- Não, só se cuidar, não fazer nenhuma loucura e estar pronto amanhã cedo para o treino. – Assenti com a cabeça.
- Eu vou acordar por volta das seis, sete, fazer meu treino aqui no hotel e te espero às 10? – Falei, vendo o elevador se abrir novamente.
- Sim, vai ter um brinquedinho para você lá embaixo. – Ela disse e ri fracamente, saindo do elevador.
- Assim que é bom! – Sorri, seguindo até a suíte, batendo o cartão na porta.
- Daniel... – Maria me chamou.
- O quê? – Perguntei e ela puxou a porta de volta, travando-a.
- Só quero que você saiba que eu não tenho nada contra a , ok?!
- Eu sei, Maria. É seu trabalho. – Falei.
- Ela está se comportando mais do que seus amigos que costumam vir, mas... – Ela suspirou. – Ela é uma mulher e eles já viram vocês em alguns restaurantes, na luta em Londres, então os boatos começam assim.
- Somos só amigos, Maria. E outra, se fôssemos namorados, qual seria o problema? Tivemos a Jemma por dois anos... – Ela suspirou.
- Não teria problema nenhum, eu sei, mas a expectativa em cima de você fica maior, achar que está se distraindo, perde uma corrida e o povo cai matando em cima... Além da atenção a ela. Os fãs não sabem ser fã só do corredor, eles seguem namoradas, esposas, filhos, familiares... – Ela negou com a cabeça. – É uma atenção que precisa estar preparada para receber. E você me contou a questão dela, acho que antes de colocá-la dentro de uma montanha-russa, é preciso que ela se encontre, não acha? – Suspirei, dando um curto aceno de cabeça. – Eu não vejo problema nenhum entre vocês, a amizade de vocês é muito bonita, de verdade. Vocês são cuidadosos um com o outro e é uma amizade linda de ver. Tão linda que uma foto mal interpretada, um beijo no rosto, mãos dadas e afins, pode causar uma atenção que, como você mesmo disse, não tem nada.
- Entendi, entendi. – Suspirei. – Mas se for preciso dar uma declaração sobre isso, eu dou, porque eu realmente a quero comigo, curtindo tudo o que essa carreira pode oferecer. Ela está passando por uns momentos difíceis, precisando se encontrar e se achando a pessoa mais perdida do mundo. – Pressionei os lábios. – E a não é assim, ela é a melhor pessoa do mundo, ela é bonita, inteligente, tem uma carreira incrível e sempre me faz sorrir. Se possível, me dá umas brechas... – Dei de ombros. – Coloca ela como assistente, mas a coloque comigo, com Michael, no paddock, na garagem... Só deixe-a perto, deixa ela se distrair um pouco. – Maria confirmou com a cabeça.
- Eu vou ver o que eu posso fazer, Daniel. – Confirmei com a cabeça, batendo o cartão na porta novamente, entrando nele.
A sala estava vazia e virando o rosto para os corredores, somente a luz do quarto de estava acesa. Meu relógio de pulso marcava 20:21, o sol começava a se pôr agora e fazia os raios solares entrar pela larga janela da suíte.
- Boa noite, Daniel. – Ouvi Maria.
- Boa noite. – Respondi, dando um curto aceno de mão e segui pelo outro corredor, andando devagar até a porta de , colocando a cabeça para dentro, encontrando-a sentada na cama.
Ela usava um pijama de short e camiseta regata rosa, o computador estava entre suas pernas, uma delas dobrada embaixo do corpo e outra esticada ao lado do computador. Os cabelos estavam molhados, ela usava seus óculos de leitura, e de seu outro lado tinha vários pratos com pequenas porções de comida. Por algum motivo aquilo me fez sorrir.
-
Hey, ! – Falei e ela parou de digitar, virando o rosto para mim.
- Ei, apareceu! – Ela falou, abrindo um sorriso. – Uau!
- O quê? – Falei, tirando os óculos de sol.
- Ah, droga! Eram os
óculos! – Ela riu fracamente. – Dá uma aliviada nesse
look.
- Há, há, há, engraçadinha! – Falei, andando para dentro de seu quarto, fazendo-a rir. – Ia me desculpar por não te ver desde ontem, mas acho que não merece mais.
- Eu gostei disso, me dá aqui! – Ela esticou a mão e lhe entreguei os óculos e ela pulou para fora da cama, trocando os óculos e seguindo para perto do espelho.
- É daquela marca inglesa que eu te dei no Natal. – Comentei, me sentando na cama e roubei um bolinho dos pratos.
- Eu gostei. – Ela virou o rosto para mim, fazendo uma careta.
- Ficou bem em você. – Sorri, mordendo o bolinho e suspirei.
- Posso ficar?
- Não! – Falei, ouvindo-a rir.
- Chato. – Ela disse.
- Isso é bom! – Comentei, colocando a outra parte na boca.
- Eu sei! – Ela disse, empolgada, voltando a se sentar ao meu lado. – Eu pedi pelo iFood e é uma delícia! – Ela suspirou. – Eu estou escrevendo uma revisão, mas vou ter que ir lá, preciso ver como é isso quentinho.
- Eu não me conformo por você não comer tudo isso em cinco minutos. – Peguei outro, fazendo-a rir e desci os olhos para suas pernas descobertas pelo short curto, se acumulando em suas coxas.
- Eu aprecio uma comida, não engulo. – Suspirei. – E você chega literalmente morto de fome, essa é a diferença.
- Mesmo assim! Isso é uma delícia! – Ela sorriu.
- É, deu para aproveitar a noite.
- Sinto por isso. – Falei.
- Pelo quê? Você estava trabalhando, Danny. Deixa disso. – Ela abanou a mão.
- Mesmo assim, não foi só a festa. Quando eu cheguei ontem você já estava dormindo e eu saí antes de você acordar. Foram 24 horas ou mais. – Ela negou com a cabeça.
- Danny, relaxa! – Ela disse firme. – Eu estou bem. Você não se preocupa comigo assim nem quando estou do outro lado do mundo, vai surtar agora que eu estou literalmente no quarto ao lado? – Suspirei.
- Isso foi antes de eu falar contigo nas férias. – Ela apoiou a mão em meu ombro, virando o corpo em minha direção.
- Eu estou bem, Danny! – Ela disse firme. – Posso não ter estado contigo nesses últimos anos, mas eu sei como funciona seu trabalho, sei dessa correria que é, não se preocupe comigo, ok?! Amanhã eu vou contigo, vou ver como funciona sua rotina, vou conhecer seus amigos gatos... – Ri fracamente. – Eu estou bem.
- Você me promete que vai dizer se não estiver? – Perguntei.
- Meu caderno ainda está aqui e você pode pegar sempre que quiser. – Assenti com a cabeça.
- Mas fala comigo também.
- Eu vou. – Ela disse, pressionando os lábios.
- Você tem alguma coisa para fazer?
- Só vou terminar essa revisão e talvez ver algo no Netflix, amanhã começa cedo, né?!
- Eu treino por umas duas horas cedo, faço ioga, alongamento, você pode dormir enquanto isso, mas saímos umas nove. – Falei.
- Ok, vejo o que eu faço. – Ela sorriu. – Como foi seu dia?
- Ah, foi legal, é bom ser o centro das atenções. – Ela negou com a cabeça.
- Delicado, Daniel. Delicado! – Ela disse e rimos juntos. – Achei que tia Grace tinha te ensinado a ser humilde.
-
Nah! – Dei de ombros e me levantei. – Não menti! – Ela sorriu.
- Bem vi você na
coletiva, todo solto. Até demais. – Ela disse e sorri.
- Faz parte do trabalho! – Falei.
- Não vejo o Hamilton sorrindo para deus e o mundo.
- É por isso que eu sou mais legal! – Dei de ombros. – Eu vou tomar banho e já volto.
- Ok, vai lá. – Ela disse. – Quer que eu peça algo para você comer ou foi só surto?
- Pode pedir! – Falei. – Mais desse aí! – Indiquei e ela riu fracamente.
- Ok. – Ela se sentou novamente. – Os outros são bons também, menos aquele escuro ali, tem pistache.
- Ainda bem que eu não fui naquele! – Falei e ela riu fracamente.
- Ah, sem pistaches para você! Ainda tenho pesadelos pela última vez. Aquela maldita Jemma... – Ela sussurrou, me fazendo rir.
- Eu logo volto! – Falei.
- Eu estarei aqui! – Ela disse.
- Onde está Michael? – Perguntei.
- Não tenho ideia. – Ela disse, rindo e neguei com a cabeça.
- Depois você tira conclusões erradas de mim. – Ela ergueu as mãos em rendição.
- E você acha que toda risada minha tem pensamentos errados sobre vocês, você conhece o Michael mais do que eu, deve saber onde ele está e se está com alguém. – Ri fracamente.
- Dessa vez você me pegou, . – Ela sorriu.
- Lide com isso, Daniel! – Ela disse, sorrindo, esticando os óculos escuros para mim e peguei-os antes de seguir para meu quarto.
Quinta-feira
Abri os olhos devagar, sentindo os raios solares atingirem em cheio minhas írises e pressionei-o mais algumas vezes antes de apreciar a vista de Melbourne pela janela. Suspirei, me levantando devagar e percebi que estava sozinha na cama. Além da falta de Danny, os pratos haviam sido tirados, a televisão estava desligada e uma coberta fina estava em cima de mim.
Joguei os cabelos para trás, coçando o olho e me sentei na beirada da cama, suspirando. Meus olhos demoraram um pouco para se acostumar com a vista, só depois que eu me levantei e fui até o banheiro. Fui direto para o chuveiro, deixando a água morna cair em meu corpo, me mantendo embalada na preguiça por alguns minutos até eu pegar o sabonete.
Por ter lavado os cabelos na noite anterior, terminei o banho de forma mais rápida. Saí do banheiro enrolada na toalha e escovei os dentes e ajeitei os cabelos em um rabo de cavalo antes de voltar para o quarto. Optei por um short jeans e a blusa do uniforme da Red Bull, sabendo que acompanharia o treino logo mais. Deixei o All-Star no canto da cama e calcei os chinelos antes de sair do quarto.
O cheiro de comida atingiu meu nariz e segui pelo corredor até a grande sala de estar. Quando cheguei lá, Danny e Michael faziam algum tipo de alongamento ou meditação enquanto deitados nos colchonetes. Identifiquei a mesa posta do café da manhã e atravessei a sala em silêncio, fazendo um rápido carinho nos cachinhos de Danny quando passei por ele, vendo-o abrir um dos olhos.
- Bom dia. – Ele disse, sorrindo.
- Bom dia. – Sorri, seguindo até a mesa, me sentando lá.
- Pronta para ficar entediada? – Ele perguntou e ri fracamente.
- Por que entediada? Achei que fosse animado, emocionante...
- Eu tenho muitas entrevistas, reuniões, acaba sendo poucos os horários que realmente fico na pista. – Ele disse.
- Não se preocupe. – Falei. – Faz seus exercícios aí, depois conversamos.
- Você deveria fazer alguns também. – Ouvi a voz de Michael.
- Eu sei, tenho que voltar. – Comentei. – Mas estou agindo como se eu estivesse de férias, aí bagunça um pouco. – Dei de ombros, pegando duas torradas e colocando em meu prato.
- Eu tenho materiais extras, posso fazer um treino para você. – Michael disse.
- Só se o Danny pagar. – Falei, dando de ombros e Danny gargalhou.
- Pago, né?! Fazer o quê? – Sorri, me esticando para pegar a geleia de morango no meio da mesa.
Tomei meu café da manhã devagar, observando o treino que Michael fazia com Daniel, inicialmente o relaxamento, depois eles passaram para os de fortalecimento com o
GS Harness* e a faixa elástica. Danny tinha literalmente uma cara de paisagem nesses exercícios, mas Michael mostrava a força que era deixar o corpo de Danny pronto para as forças de cinco ou seis G que uma corrida pedia.
- Ei, . – Ele apareceu ao meu lado, com o suor deslizando pelo seu rosto.
- Ei. – Falei e ele se abaixou para dar um beijo em minha cabeça.
- Você está pronta? – Ele perguntou.
- Sim, só falta escovar os dentes e passar uma maquiagem. – Ela disse.
- Eu vou tomar um banho, logo saímos.
- Tudo bem. – Sorri e ele seguiu pelo corredor, foi quando Michael se jogou no banco ao meu lado.
- Como você está? – Ele perguntou, pegando um pedaço de queijo.
- Tudo bem e você? – Falei.
- Eu estou bem. Eu quis dizer sobre você e... – Ele deu de ombros.
- Não estava pensando sobre isso até agora, obrigada. – Dei um sorriso sarcástico e ele pressionou os lábios.
- Desculpe. – Ele falou e neguei com a cabeça.
- É como todo mundo disse: preciso perder esse trauma. Então, como algumas pessoas dizem: se estiver com medo, vai com medo mesmo. – Dei de ombros, empurrando a cadeira. – Eu vou terminar de me arrumar.
- Ok. – Ele disse e me levantei.
Segui de volta pelo corredor, espiando dentro do quarto do lado, encontrando Danny descendo a calça jeans pelo corpo seminu e pressionei os lábios pelas costas nuas e musculosas dele.
Shit! Por que eu estou olhando para ele? Pior! Por que eu estou olhando para ele e achando gostoso?
Desviei o rosto para meu quarto, encostando a porta e voltei para o banheiro. Escovei os dentes antes de começar a fazer minha maquiagem. Não sabia como seria o clima, se teria contato com outras pessoas, então me mantive em uma maquiagem leve com uma sombra de tons terrosos e um batom rosado de leve.
-
Começou a chover! – Ouvi a voz de Michael e engoli em seco.
- Ótimo. – Suspirei sarcasticamente, saindo do banheiro e virei o rosto para a larga janela do quarto, vendo o tempo fechado.
Chuva era literalmente a pior coisa que podia acontecer agora no meu processo de calma. Chuva tornava as coisas um pouco pior e foi assim que aconteceu alguns dos piores acidentes da Fórmula 1, Nikki Lauda, Ayrton Senna, e não posso esquecer de Jules Bianchi, amigo do Danny que faleceu ano passado depois de nove meses em coma.
- Respira, . Respira! – Falei devagar, fechando os olhos e tentado manter a respiração. – O ar ruim sai, o bom entra... – Soltei o ar devagar, me fazendo respirar fundo de novo.
- Isso, respira! – Ouvi a voz de Danny atrás de mim e virei o rosto, encontrando-o mais próximo. – É só um pouco de água, logo melhora. – Ele me abraçou pela cintura, apoiando o queixo em meu ombro.
- Não tente tornar essa situação melhor. – Pedi, apertando sua mão e senti sua mão deslizar pela minha barriga, fazendo-a se contrair e ele se encostou na parede à minha frente com o uniforme do dia a dia da RBR.
- Eu tento! Quero você bem! – Ele disse, rindo e percebi seu novo
corte de barba.
- Você conseguiu ficar mais feio. – Falei e ele riu fracamente.
- Quem sabe assim eu te distraio? – Ele disse e sorri.
- É... – Pressionei os lábios.
- Vamos! Pega suas coisas e vamos sair desse buraco.
- Sim, chefe! – Falei, rindo. – Mas posso continuar dizendo como esse corte de barbicha estranho e o bigode não te valorizaram? – Ele revirou os olhos. – E digo isso com todo amor no meu coração.
- Isso vai te deixar melhor? – Ele perguntou.
- Sim! – Falei, rindo.
- Então pode! – Ele deu as costas, me fazendo rir.
Segui pelo quarto e peguei a pequena mochila ali do lado e chequei rapidamente se tinha o que acho necessário para passar o dia inteiro na pista. Coloquei-a nas costas antes de seguir para fora do quarto. Danny e Michael nos esperavam e segui com eles para fora do quarto. Descemos pelo elevador e um Renault esportivo igual ao meu estava na porta do hotel.
- Assim que é bom! – Danny disse, animado e cumprimentei o segurança com um aceno de cabeça.
Deixei que Danny e Michael fossem nos bancos da frente e me escondi no de trás enquanto eles faziam algumas gracinhas para os celulares. O caminho até Albert Park era bem curto, coisa de três quilômetros, então não foi preciso aguentar por muito tempo a cantoria desafinada de Danny. Mas quando nos aproximamos da entrada do circuito, alguns fãs obrigaram o carro a desacelerar.
Eu vinha pouco para Melbourne, fiz faculdade em Sydney, então sempre que eu encontrava com os amigos, era sempre do lado Leste da Austrália, raramente eu ia para o Sul, mas já tendo vindo para cá, foi difícil reconhecer o parque no meio do circuito montado. Infelizmente agora eu estava preocupada com a chuva contínua que caía.
- Vamos para a garagem e fazer sua preparação. – Michael disse logo que saí do carro, sentindo alguns pingos leves em minha cabeça.
- Já vou! – Danny disse, seguindo em direção aos fãs que gritavam seu nome e olhei rapidamente para ele antes de seguir com Michael.
Foi realmente difícil, em um primeiro momento, não ficar surpresa e maravilhada com tudo. Estive em alguns circuitos em minha vida, especialmente na época da Fórmula BMW e na Fórmula 3, até o começo da Fórmula 1 pela HRT, mas o esporte havia evoluído bastante em cinco anos, ou eu que não tinha prestado muita atenção, mas dava para sentir a importância emanando pelo local.
Especialmente quando chegamos na larga rua com os motorhomes de apoio de cada escuderia que Danny me apresentou quando estivemos na Espanha, agora realmente montado para o GP com tudo. Aquilo me deu saudades de quando eu realmente acompanhava Danny no começo da sua carreira quando eu podia, talvez cinco anos tivesse sido muito tempo longe.
A diferença é que agora eu sabia um pouco mais sobre o esporte, apesar do meu afastamento natural, então fiquei surpresa em ver outros corredores famosos como Hamilton*, Button*, Vettel* e Rosberg* andando com suas equipes ali.
- Isso é demais! – Falei, rindo.
- Você se acostuma depois de um tempo. – Michael disse. – Isso que é só o primeiro dia. – Ri fracamente.
- Espero que essa empolgação fique na hora da corrida e o outro lado não ataque. – Falei, sentindo meu corpo inclinar para frente quando Daniel pulou em nossas costas. – Ah, caramba! – Falei, inclinando meu rosto para o outro lado.
- Essa doeu, cara! – Michael reclamou, me fazendo rir.
- O que está achando, ? – Danny perguntou.
- É bem legal, Danny! – Suspirei. – De verdade.
- É assim que se fala! – Ele me sacudiu empolgado, me fazendo rir.
- Fala, Daniel! – Virei o rosto para o chamado, vendo Christian, chefe de Daniel, e outro homem muito lindo passando apressados por nós.
- Oi, gente! – Ele respondeu e sorri.
- Quem é? – Perguntei.
- O Christian. – Danny disse como se fosse óbvio.
- Ele eu sei, o outro! – Falei firme.
- Ah, Toto Wolff*, chefe da Mercedes. – Ele disse.
- Uau, ele é gato! – Falei, rindo e ele revirou os olhos.
- Ah, cara, quando você disse que ia observar os caras, eu achei que estivesse falando dos corredores, não dos caras que são 15, 20 anos mais velhos do que você! – Ele reclamou, me fazendo rir.
- Eu só estou fazendo um comentário. Relaxa! – Ri fracamente. – Além de que não seria nada mal se ele...
- ! – Ele me repreendeu, fazendo Michael gargalhar e eu também. – Ele é velho demais, qual é!
- Levando em conta que a esposa dele é 10 anos mais nova do que ele, acho que ele gosta de alguém mais nova. – Michael cochichou para nós.
- Viu?! – Falei para Daniel, dando de ombros. – Dizer que ele é casado me faz recuar mais do que a diferença de idade, mas ele continua sendo gato. – Pressionei os lábios, andando um pouco mais à sua frente.
- Ah, cara! Falta muito para o fim da temporada? – Ele falou dramaticamente, me fazendo rir.
- Pode reclamar, mas não vou perder a chance de falar o quanto você insistiu para que eu viesse. – Falei, rindo com Michael.
*GS Harness: Um dos aparelhos principais dos corredores, usado para fortalecimento do pescoço para aguentar as altas forças G do carro.
*Lewis Hamilton: piloto britânico da Mercedes, 37 anos, piloto com mais vitórias na Fórmula 1. Ele e Daniel são amigos mais discretos.
*Jenson Button: ex-piloto britânico, 42 anos, campeão mundial em 2009. Possui um ar piadista como Daniel. Constantemente são vistos correndo de kart juntos.
*Sebastian Vettel: piloto alemão, 34 anos, ex-colega da equipe de Daniel em 2014, na história dirige pela Ferrari, ganhou 4 títulos consecutivos pela Red Bull. Ele e Daniel são amigos.
*Nico Rosberg: ex-piloto alemão, 36 anos. Era colega de equipe de Hamilton até sua aposentadoria. A amizade dele com Daniel é mais discreta, mas já teve situações de eles dividirem jatinhos juntos e recentemente Danny esteve no podcast de Nico.
*Toto Wolff: austríaco, 50 anos, atual chefe de equipe da Mercedes, foi piloto em outras categorias. Além de ser lindo, é muito carismático.
Sexta-feira
Daniel
Suspirei antes de me impulsionar para cima e pisei em cima do carro antes de pular para fora. Simon me cumprimentou com um rápido abraço e um largo sorriso antes de eu me livrar do capacete e da balaclava.
- Muito bom, Daniel! – Meu engenheiro disse e abri um sorriso ouvindo os aplausos do pessoal em volta. – É só o primeiro treino, mas você foi muito bem! Conseguimos fazer alguns ajustes, inclusive sobre a nossa estratégia de pneus, mas 1:30.875 é um tempo perfeito.
- Quem está na frente?
- Hamilton com 1:29.725 e Kvyat com 1:30.146.
- Merda! Preciso melhorar isso.
- É só o primeiro, amanhã tem mais, relaxa. Dá uma respirada, temos a reunião mais tarde, aí conversamos sobre as estratégias para amanhã. – Ele disse.
- Não acho que vai chover no domingo, dá para manter com os médios. – Falei.
- Vamos ver como vai estar amanhã antes! E principalmente no sábado. – Ele disse, batendo em minhas costas e Christian esticou a mão para mim.
- Bom trabalho, garoto! – Ele disse. – Vamos melhorar esses números para ver o show da primeira fileira.
- Seria sensacional fazer isso em casa! – Falei, rindo e vi Michael esticando a mão.
- É o jeito perfeito de começar a temporada! – Ele disse, rindo e entreguei o capacete para Michael.
- Vamos fazer isso! – Falei, animado.
- Te espero lá na
casa da árvore*! – Ele disse.
- Claro, já estou indo. – Passei a manga na testa.
- Se hidrata. – Michael me esticou a garrafa e a peguei, colocando o sugador na boca, puxando alguns goles fortes para a boca. – Bom treino.
- Obrigado! – Suspirei após engolir. – É bom estar de volta.
- Vejo uma
pole em casa? – Michael perguntou e gargalhei.
- Ah, cara! Eu quero muito. Minha primeira e em casa? Seria demais! – Falei, rindo. – Acho que já passou da hora. – Comentei, franzindo a testa e dei uma olhada rapidamente para trás. – Onde está ? – Ele suspirou.
- Ela entrou depois que o Rosberg bateu. – Ele pressionou os olhos e arregalei os olhos.
- ROSBERG BATEU? – Perguntei um tanto mais alto, empurrando a garrafa em cima dele antes de correr para o vestiário.
- Ele está bem!
Daniel! – Ele me chamou e empurrei a porta com força, assustando ali dentro.
- Caralho! – Ela disse, se levantando, apressada, colocando a mão no peito.
- Desculpe. – Suspirei, percebendo seus olhos avermelhados. – Você chorou.
- Eu estou bem! – Ela disse, irritada, dando as costas, se sentando na cadeira em que estava antes e virei o rosto para trás, fazendo uma indicação para Michael e ele me entregou o capacete antes de fechar a porta.
- ...
- Eu estou bem! – Ela disse no mesmo tom, apertando a mão no rosto e deixei o capacete em cima da mesa antes de me aproximar dela.
- Olha para mim. – Pedi, me ajoelhando em sua frente e apoiei as mãos em seu colo.
- Danny, por favor. – Seu tom de voz abaixou e apertei minhas mãos em sua cintura.
- Vamos, ... Olha para mim...
- Isso é ridículo, Danny. – Ela disse, deixando suas mãos caírem em seu colo e dei um curto sorriso.
- Nunca é ridículo quando é você. – Falei, tirando uma mecha de cabelo que escapou de seu rabo de cavalo.
- É! Isso não vai dar certo! – Ela suspirou e me levantei, puxando as luvas com força das mãos.
- Você está aqui, já está dando certo.
- Mas você não pode ficar preocupado comigo toda vez que isso acontece. – Ela pressionou os lábios e segurei seu rosto.
- Ele está bem, os mecânicos devem trabalhar um pouco a noite, mas está tudo bem. – Falei, passando os polegares em sua bochecha. – Todo nosso uniforme, tudo é bem protegido para termos o mínimo de impacto possível.
- Eu tenho medo, Danny. – Ela disse.
- O perigo continua se você estiver aqui ou não, . E se algo acontecer, eu vou amar ter você ao meu lado. – Ela negou com a cabeça.
- Eu não quero que nada aconteça contigo. – Ela falou com a voz fina.
- Nada vai acontecer comigo, . E nada aconteceu com Nico também. – Ela respirou fundo, soltando a respiração pela boca. – Respira! Respira!
- Eu estou respirando. – Ela disse, tombando a cabeça para trás.
- E não fica irritada, vamos! – Ela suspirou.
- Você não pode ficar em volta de mim, Danny! As pessoas vão começar a perguntar do seu sumiço e eu não quero você distraído. Estava indo bem até eu ouvir do Rosberg.
- Respira! – Pedi, ouvindo sua respiração forte antes de soltar o ar perto de meu rosto. – Ninguém falou sobre você, Michael segurou até o último segundo e eu estou no meu intervalo. E, me desculpe, mas eu sempre vou me preocupar contigo, ok?! A diferença é que agora eu vou ver seus surtos e tentar controlá-los.
- Você não precisa...
- Eu preciso! – Falei firme, colocando minhas pernas entre as suas. – E não vou ver você assim e deixar rolar. Viva com isso. – Ela suspirou.
- Eu vou melhorar... – Ela disse fracamente e abracei-a, apertando seu rosto em meu peito. – Eu só preciso de mais tempo.
- Temos um ano inteiro. – Falei, ouvindo-a suspirar.
- Eu adoro seus abraços, mas você está pingando suor, Danny.
- Oh, desculpe! – Falei, me afastando dela e a vi esfregar o rosto. – Eu vou trocar de roupa. – Abri o macacão no zíper do centro e puxei as mangas, deixando-as caírem até a cintura.
- Como você foi?
- Terceiro na classificação do dia.
- Isso é bom, certo? – Ela perguntou, passando as mãos no rosto.
- É, é bom, seria melhor ainda se eu passar o Kvyat. – Comentei, apoiando as costas na parede.
- Desacelera, Danny. – Ela disse. – É só o primeiro dia, o primeiro GP. Relaxa.
- Ah, não consigo! – Falei e ela deu um curto sorriso e ouvi duas batidas na porta, vendo-a se abrir e vi Michael.
- Desculpe, mas Christian está te chamando.
- Já estou indo. – Falei e ele fechou a porta de novo.
- Vai trabalhar, Danny. – Ela disse.
- Eu tenho uma reunião agora, na casa da árvore, o escritório aqui atrás... – Ela assentiu com a cabeça. – Você pode vir, sabe?
- Eu não entendo nada dessa parte técnica e estratégica, Danny. – Ela disse.
- Pode começar a entender... – Ela deu um curto sorriso. – Ou sair pela rua e encontrar alguém para te divertir. – Ela riu fracamente.
- Se eu for ficar aqui o ano inteiro, é melhor eu começar a entender. – Abri um largo sorriso.
- Vamos! – Estiquei a mão para ela, sentindo-a pegar e puxei-a para cima para ela se levantar.
*Casa da árvore: além do motorhome de apoio, as equipes costumam ter um prédio exclusivo para reuniões e partes técnicas, normalmente fica à frente do motorhome da equipe no paddock, mas cada equipe pode ter uma configuração diferente.
Fiz um nó com a ponta da blusa e me olhei no espelho de corpo inteiro, tombando a cabeça para o lado com a roupa, mas a pouca pele aparecendo entre a calça jeans e a camiseta de botões me incomodou. Desfiz o nó, bufando quando ficou a marca do nó e dei umas batidinhas no local para tentar desamassar. Juntei a blusa nas costas, deixando-a justa e enfiei a parte de trás para dentro da calça, deixando-a melhor.
Caminhei pelo quarto e calcei os sapatos de salto azuis do mesmo tom da blusa. Apoiei a mão no armário para ajeitar na parte de trás nos pés e voltei a me olhar no espelho. Sorri com o que vi e dei uma passada de dedos nos cabelos escovados, jogando-os para frente e suspirei, relaxando os ombros. Talvez uma saída seja o que eu preciso para dar uma relaxada nesse primeiro fim de semana corrido.
Peguei minha bolsa, apoiando-a no ombro e desliguei a luz do quarto e puxei a porta antes de sair. Chequei se Danny estava no quarto, mas estava fechado da mesma forma. Caminhei até a sala e o encontrei girando em um dos pufes da sala. Ele sorriu quando me viu, se levantando, animado.
Danny fica muito bonito no azul escuro da Red Bull, mas parece que ele ficava melhor com roupas mais claras, especialmente por causa do bronzeado frequente em sua pele, então a calça jeans, camiseta branca, camisa social azul clara aberta junto do Vans branco deixavam-no bem bonito.
- Você está linda, ! – Ele disse, me esticando a mão e segurei a dele, sentindo-o me rodar ao redor do corpo. – Só está mais alta do que eu. – Ele pressionou os lábios, me fazendo rir.
- Não é minha culpa se somos só dois ou três centímetros de diferença. – Falei.
- Três e meio! – Ele frisou, me fazendo rir.
- Tonto! – Passei a mão em seus cabelos, ajeitando-os para trás. – Você só precisa começar a usar roupas do seu tamanho.
- Eu não gosto de roupas apertadas, ok?!
- Mas adora uma calça
skinny, né?! – Falei e ele entreabriu os lábios pensando no que poderia dizer antes de fechá-los. – Foi o que eu imaginei.
- Vamos, eles já estão nos esperando.
- Claro! Michael não vai? – Perguntei.
- Não, ele disse que é só algo da família...
- Ah, claro, imagino que família inclua mais de 20 anos de amizade, 13 é pouco, né?! – Ele deu de ombros.
- Acho que tinha outros planos. – Ele disse.
- Espero que sim. – Segui até a porta. – E sua marketeira?
- Saiu também ou se trancou no quarto. – Ele deu de ombros.
- Não é estranho ficar no mesmo quarto que sua marketeira? – Perguntei, saindo na sua frente.
- Um pouco, mas não é em todo lugar, na Europa não, por exemplo.
- Ficar em um motorhome com ela não deve ser nada fácil. – Comentei, apertando o botão do elevador.
- Alguém morre antes das classificatórias. – Rimos juntos e ele parou ao meu lado.
- Provavelmente você! – Falei e ele jogou a cabeça para trás.
- Previsível demais. – Ele sorriu e dei um passo para dentro do elevador, me encostando na parede quando ele fechou.
- Eles vão nos encontrar lá? – Perguntei.
- Sim... – Ele suspirou. – O restaurante é legal, vai trabalhar hoje? – Ele perguntou.
- Não. Apesar da minha curiosidade, estou com minha família hoje. – Ele sorriu.
- Gosto de saber disso. – Ele apoiou seu ombro no meu e suspirei.
- A vida nos colocou juntos por um motivo, provavelmente sabia que eu precisaria de vocês...
- Independente, é bom. – Ele sorriu no espelho da frente e retribuí, ouvindo a porta do elevador se abrir.
- Vamos. – Ele disse e saímos no estacionamento do hotel.
Caminhamos lado a lado pelo local até chegarmos no carro que a Red Bull tinha oferecido para nós. Danny abriu o carro à distância e depois a porta para que eu entrasse. Ele seguiu para o outro lado e me ajeitei no carro, puxando o cinto de segurança.
- Vamos! – Ele disse, ligando o carro e suspirei, ouvindo uma música do Alexisonfire, uma das bandas favoritas de Danny, tocando.
Só conseguimos ouvir a primeira música, já que nosso destino ficava literalmente do outro lado do rio Yarra, nas Rialto Towers. Vue De Monde é um dos restaurantes mais caros e bem avaliados de Melbourne. Além de ele ser bastante escondido por ficar no 55º andar das Rialto Towers. É um restaurante perfeito para ser avaliado, mas é muito difícil conseguir vaga em cima da hora, normalmente a lista de espera passa de seis meses, e minhas viagens nunca tinham essa preparação com antecedência. Mas sendo Daniel Ricciardo, um dos australianos mais bem sucedidos, acho que era mais fácil.
O valet do prédio abriu a porta quando Danny parou e apoiei minha mão na porta ao sair de lá. Me senti estranha por um momento, como uma celebridade, na verdade. É uma das torres mais corporativas e importantes de uma das maiores cidades do país, chegando em um Renault esportivo com Daniel Ricciardo dirigindo, foi como se os olhares e os holofotes se virassem para nós.
- Bem-vindo ao Rialto Towers, senhorita. – O homem disse e sorri, vendo Danny aparecer ao meu lado.
- Obrigada! – Sorri e Danny esticou o braço para mim.
Fiquei receosa por alguns segundos, com medo de ter algum fotógrafo por perto, mas ignorei os pensamentos externos e pensei que somos só Danny e , amigos desde 1992, e segurei seu braço. Caminhamos para dentro do prédio mais alto e nos indicaram um dos elevadores, segurando-o para entrarmos.
- 55º andar, por favor. – Danny disse para a mulher dentro dele e sorri, apoiando as costas na parede, mas não deu para eu respirar, pois o elevador subiu muito rápido, abrindo a porta logo em seguida.
Danny manteve o braço no meu e saí com ele, acenando com a cabeça para a mulher quando saímos. O andar do Vue De Monde era inteiramente preto com detalhes em dourado e luzes que deixavam o local mais aconchegante. Tinha uma longa fila na porta e os olhares se viraram para nós novamente, me fazendo engolir em seco.
Não tive coragem de abrir a boca para falar nada, eu estava travada e sabia que eu estava ferrada. Na verdade, ele, eu só era sua acompanhante em um dos lugares mais badalados da cidade com o corredor mais famoso do país, mas ainda era uma situação bem estranha.
Eu sou a amiga dele, gente! Não me olhem assim.
- Reserva para Ricciardo. – Danny disse, me tirando de minha crise interna e a mulher bonita abriu um largo sorriso.
- Me acompanhem, por favor. – Ela disse e o braço de Danny me puxou de novo, acompanhando a mulher.
- Eu estou ficando enjoada. – Comentei baixo para Danny.
- Por quê? Você está bem? – Ele perguntou rapidamente, virando o rosto para mim.
- É assim sair com você na civilização? – Perguntei, engolindo em seco.
- Desculpe por isso. – Ele disse.
- Não vai dar problema para você? – Cochichei.
- Eu lido com isso depois. – Ele disse e suspirei.
- Você deveria ao menos não andar colado em mim...
- Para eles não faz diferença. – Ele pressionou os lábios e ponderei com a cabeça. – Vamos nos divertir um pouco. – Ele disse e virei o rosto para o caminho novamente, sorrindo ao encontrar tia Grace, tio Joe, Michelle, Jason e o carrinho de Isaac.
- Ah, eles chegaram! – Ouvi a voz de Grace e eu e Danny fomos para lados diferentes.
- Oi, gente! – Falei, sorrindo, abraçando Jason primeiro, depois Michelle.
- Ai, que delícia te ver em março! – Michelle me abraçou fortemente, me fazendo rir.
- Ah, nem fala! – Suspirei.
- Como estão as coisas? Relaxando?
- Alongando minhas férias ao máximo! – Rimos juntos.
- Você está bem? – Ela segurou meu ombro.
- Sim, está tudo bem! – Sorri.
- Querida! – Virei para tia Grace, abrindo um sorriso e abracei-a. – Como é bom ver você!
- Ah, nem fala! – Apertei-a fortemente.
- Como estão as coisas? – Ela falou em meu ouvido.
- Está tudo bem, indo devagar. – Ela sorriu.
- Como está a ansiedade?
- Ela ataca de vez em quando, mas está tudo bem. – Ela acariciou meu rosto e sorri.
- Você está mais linda. – Ri fracamente.
- Mais relaxada, talvez. – Ela assentiu com a cabeça.
- Bom, muito bom! – Sorri, erguendo o olhar para Joe e sorri, abraçando-o em seguida.
- Bom ver vocês dois juntos e você sorrindo! – Ele disse, me fazendo rir e apertei-o fortemente.
- Bom ver vocês também. – Sorri, passando por Joe e vi Danny com Isaac no colo.
- Olha a madrinha ali! – Ele apontou para mim.
- Oi, meu lindinho! – Falei para Isaac, vendo-o sorrir.
- Oi, gatinha! – Danny disse, sorrindo e revirei os olhos.
- Ricciardo mais bonito, depois você! – Peguei Isaac. – Como está meu lindinho? – Pressionei os lábios na bochecha de Isaac, fazendo-o rir. – Agora você lembra de mim, né?! – Limpei a bochecha de Isaac suja de batom. – Titia te sujou. – Limpei seu rosto, e Isaac me abraçou, apoiando a cabeça em meu ombro. – Ah, meu amorzinho! – Pressionei os lábios, apoiando minha cabeça na dele. – Te amo, meu amor. – Danny sorriu para mim.
- Vocês dois querem um momento a sós? – Ele perguntou e ri fracamente.
- Isso é ciúmes. – Falei.
- Eu ainda sou o tio mais legal! – Ele sussurrou.
- Mas ele ainda gosta do meu colo. – Lhe mostrei a língua.
- Aí até eu, né?! – Ele deu de ombros, me fazendo rir.
- Vem, crianças! Sentem-se, vamos comer! – Grace disse e Danny puxou a cadeira para mim e firmei minhas mãos em Isaac antes de sentar e Danny se jogou na cadeira ao lado de sua mãe.
- O que pediram? – Danny perguntou e apoiei minha cabeça na de Isaac, passando a mão nos cabelos loirinhos dele.
Daniel
- Nos vemos amanhã? – Perguntei para minha mãe.
- Nós estaremos lá, provavelmente no Paddock Club. – Ela disse.
- Talvez seja bom vocês estarem lá... – Comentei, dando uma olhada em volta, encontrando com minha irmã.
- Ela não está bem? – Minha mãe entendeu o recado.
- Mais ou menos... – Ponderei com a cabeça. – Ela fica bem, mas ainda tem algumas coisas. – Suspirei. – O Rosberg bateu no treino, algo simples, e ela teve uma crise. – Minha mãe assentiu com a cabeça.
- Estaremos lá... – Ela assentiu com a cabeça. – Mas você sabe que depois só nos encontraremos provavelmente em Monaco, não é?
- Eu sei, mas ao menos no primeiro, sabe? Ela sofre sozinha e eu não quero isso. – Suspirei, passando a mão nos cabelos. – E eu não tenho como saber tudo...
- E você nem pode se preocupar com isso no meio da corrida, filho. – Meu pai disse firme.
- Eu sei, pai, mas me sinto responsável...
- Você não precisa se sentir responsável por nada. – Ele falou com firmeza. – Nada do que aconteceu é responsabilidade de nenhum de vocês dois, vocês só podem cuidar um do outro, mas uma coisa de cada vez. – Suspirei. – Você foque no seu trabalho e depois ou antes, ajude-a, ok?! Porque ela também quer te ajudar, não atrapalhar, ela sabe disso.
- Eu sei, mas...
- Danny! – Virei o rosto na pressa, encontrando abraçando Isaac. – Meia-noite.
- Porra! – Falei baixo.
- Toque de recolher? – Meu pai perguntou.
- É! – Suspirei. – E eu já estou atrasado. – Eles riram e minha mãe me abraçou apertado.
- Vai lá, a gente se encontra amanhã! – Dei um beijo em sua bochecha, sentindo outro em retribuição.
- Vamos sim! – Minha mãe sorriu.
- Se cuidem, ok?! – Abracei meu pai.
- Pode deixar, mãe! – Falei, rindo.
- Não foque cem por cento nisso, mas cuida dela. – Meu pai pediu e assenti com a cabeça, suspirando.
- Pode deixar. – Sorri, dando dois tapinhas em seu ombro.
- Vai lá! – Sorri, me aproximando de , que dava vários beijinhos em Isaac.
- Sabe... Você não pode levá-lo conosco. – Falei e ela fez um pequeno bico em minha direção, me fazendo sorrir. – Vamos, você tem o melhor Ricciardo de companhia.
- Até parece! – Ela disse, sorrindo e dei um beijo na cabeça de Isaac que dormia calmamente em seu colo.
- Boa noite, meu menino! – Falei, vendo sorrindo para mim e dei um beijo na bochecha dela. – Vamos sair desse buraco.
- Vamos. – Ela disse e sorri para minha irmã.
- Nos vemos amanhã?
- Acho que só consigo ir domingo. – Ela disse e abracei-a, dando um beijo em sua cabeça.
- Tudo bem, mas vá! – Falei.
- Pode deixar! Se cuidem, hein?! – Ela falou, apontando para mim e para e assenti com a cabeça.
- Pode deixar! – disse, entregando Isaac para ela e minha mão estalou na de Jason.
- Nos falamos depois. – Ele disse e confirmei com a cabeça.
- Vocês estão no Crown? – Jason perguntou.
- Sim, três minutos daqui! – Falei, abanando a mão.
- Sim, sim! Vocês chegam logo! – Virei o rosto, vendo minha e minha mãe se abraçando.
- Nos vemos amanhã ou no domingo, mas apareçam lá! – Falei.
- Pode deixar, maninho! – Michelle disse e abracei-a de lado, dando um beijo em sua cabeça e virei para .
- Vamos? – Perguntei para ela.
- Sim... – Ela disse, confirmando com a cabeça. – Vamos lá!
- Até amanhã, gente! – Falei, acenando e esticando a mão para .
- Tchau! – Ela disse antes de apoiar a mão em meu braço, entrelaçando-os e sorri, dando um último aceno antes de seguir pelo restaurante.
Algumas pessoas nos olharam, mas eu simplesmente ignorei, como eu sempre fazia. As pessoas viam coisas onde não tinham, então precisava fazê-las se acostumar com isso. Foto com é o que não falta no meu Instagram e comigo no seu, e sempre deixando claro os anos de amizade. Fevereiro sempre rola uma inundação de fotos nossas para comemorar os anos de amizade, já que foi quando nos conhecemos em 1992.
Imagino que os fãs estavam acostumados com isso, agora eles precisavam se acostumar com ela me acompanhando nos lugares, assim como se acostumaram com Michael. Ela é minha amiga mais antiga, minha melhor amiga e estou há anos tentando trazê-la comigo, espero não ter mais problema.
- Se divertiu? – Perguntei para ela quando entramos no elevador.
- É, é sempre bom. – Ela sorriu. – Deu para relaxar.
- Pronta para amanhã? – Perguntei.
- Você está? – Ela virou o rosto para mim.
- Sim! – Sorri. – Empolgado para pegar uma boa classificação em casa.
- Uma
pole? – Ela perguntou.
- Esperamos que sim. – Sorri e ela assentiu com a cabeça.
Dei um aceno para a mulher no elevador e segui com para fora do prédio. Estava mais vazio de quando chegamos, mas a iluminação pareceu mais forte. Entreguei meu bilhete para o valet, mas não demorou mais do que um minuto para o carro aparecer em nossa frente. Abri a porta para e ela sorriu antes de entrar. Dei a volta e entrei ao seu lado, não demorando para sair dali.
Chegamos ao hotel em três ou quatro minutos e logo estava com o carro estacionado na garagem, sem problemas e sem precisar atrasar mais meu horário com Maria para atender aos fãs. Eu e seguimos pela garagem até chegar no elevador e aguardamos alguns minutos até ele chegar.
- Você está cansada? – Perguntei.
- Espero que sim. – Ela disse. – Assim eu durmo rápido e não fico pensando besteira sobre amanhã. – Ela seguiu para dentro do elevador e fui logo atrás dela.
- Vai dar tudo certo. – Ela assentiu com a cabeça.
Seguimos em silêncio até o andar e entrei na ponta dos pés no quarto, vendo a sala principal ser iluminada somente pela luz externa. tirou os saltos dos pés e entrou na ponta também, caminhando pelo corredor.
-
Eu consigo te ouvir, Daniel! – Franzi os olhos com a voz de Maria e olhou para trás, fazendo uma careta.
- 12 minutos atrasado, eu sei! – Falei um pouco mais alto, suspirando. – Mas eu estava com minha família, estou sóbrio e vou direto para cama.
-
Espero que vá mesmo, vou saber se não for. – Ela disse e fiz uma careta, fechando a porta sem tanto cuidado.
- Boa noite. – Falei, caminhando pelo corredor.
-
Boa noite! – Ela disse. –
Boa noite, !
- Boa noite. – disse na porta de seu quarto e suspirei, andando até ela. – É melhor você dormir.
- É, só vou me arrumar. – Falei.
- Eu também. – Ela disse, dando dois toques no batente da porta.
- Já venho te dar boa noite. – Falei.
- Ok. – Ela sorriu, seguindo para dentro do quarto.
Fiz o mesmo, encostando a porta um pouco e tirei a roupa que eu usava, seguindo direto para o banheiro. Perdi alguns minutos ali antes de seguir para a pia e perdi mais alguns minutos cuidando dos dentes. Voltei para o quarto, pegando uma bermuda de pijama e fucei no fundo da mala para encontrar uma regata, vestindo-a também.
Fui até minha calça jeans e procurei o celular e a carteira nos bolsos, deixando-os em cima da cama e peguei dois travesseiros, colocando-os embaixo do braço. Peguei meu celular, procurando pelo despertador e conferi que amanhã era outro dia para estar acordado as seis da manhã e começar finalmente a correr.
Saí do quarto, passando devagar pelo corredor e empurrei a porta do quarto de , dando dois toques, vendo-a aparecer no quarto com o pijama que tinha visto ontem e uma toalha em suas mãos.
- O que está fazendo? – Ela pressionou a toalha no rosto, deslizando pela linha do seu cabelo.
- Eu vou dormir contigo. – Dei um curto sorriso, jogando os travesseiros na cama.
- Não precisa, Danny! Qual é! – Ela voltou para o banheiro.
- Você está nervosa, eu provavelmente não vou dormir rápido de empolgação, podemos ficar conversando. – Puxei a coberta, enrolando-a no pé da cama.
- Eu me mexo para caramba para dormir, Danny. Isso se eu dormir, você precisa descansar. – Ela disse, voltando para o quarto, fechando a porta do banheiro.
- Eu vou dormir, relaxa. – Falei. – Direita ou esquerda?
- Danny! – Ela me repreendeu.
- Direita ou esquerda?! – Perguntei novamente e ela suspirou.
- Na janela. – Ela indicou para o lado direito e me joguei na cama, vendo-a revirar os olhos.
Ela foi até a janela, fechando o blecaute e me peguei observando suas pernas pelo short curto mais uma vez, com a mesma tatuagem de uma
rosa dos ventos que eu tenho no calcanhar direito, mas na parte de trás de sua coxa esquerda. A parte estranha é que agora eu me peguei checando sua bunda devido a quão curto era os shorts e abanei a cabeça.
Preciso parar de fazer isso, cara! É !
- Se você roncar, eu te sufoco com o travesseiro. – Ela soltou os cabelos da piranha que os prendia, fazendo seus cabelos ondulados caírem em seu peito, antes de se deitar ao meu lado.
- Depende do meu cansaço. – Falei e ela apertou o botão do ar-condicionado antes de puxar o lençol para cima de seu corpo e me senti obrigado a fazer o mesmo e ajeitar meus travesseiros em seguida.
- Minha promessa é independente do seu cansaço. – Ela disse, virando o corpo para mim, colocando um braço embaixo do travesseiro.
- Você é má, Addams. – Falei, virando para ela, apoiando o braço da mesma forma.
- Sabe quem também era má? – Ela disse e franzi a testa.
- Quem? – Perguntei, franzindo a testa.
- Wandinha Addams. – Ela bateu a outra mão na parede, desligando a luz e revirei os olhos.
- Inteligente, ! Inteligente! – Falei e ela riu fracamente.
- Boa noite, Danny. – Ela suspirou.
- Boa noite, . – Falei e ela fechou os olhos.
Ela fez um sinal da cruz, fazendo uma reza em silêncio e me coloquei em oração também. O pedido é sempre o mesmo: segurança e um bom resultado para amanhã e domingo. Mas dessa vez, olhando rezar com os olhos tão pressionados, só consegui pedir para ela ficar bem e que essa dor fosse embora o mais rápido possível para que ela pudesse aproveitar de verdade a competição.