Autora Independente do Cosmos ✨
Atualizada em: 20/07/2025
you can feel it on the way home
you can see it with the lights out
you are in love
🎧You Are In Love — Taylor Swift
Era um clichê que ela tentou fugir com muito afinco, mas no fim das contas, meio inevitável. Perceber aquilo a deixou em pânico por uma semana e meia, um tempo que durou ignorando as mensagens dele e suas tentativas de ligações, alegando que estava muito atarefada com as coisas da faculdade e do estágio, mas a verdade era que ela não conseguia lidar com a informação recém descoberta e teve medo de denunciar a si própria. Seus dedos tremiam ao digitar qualquer mensagem e ela temeu que a qualquer momento fosse, meio sem querer e impulsivamente, digitar algo tipo “estou apaixonada por você” e enviasse, tomando um caminho sem volta. Mas, para o alívio da mais nova fisioterapeuta, isso nunca aconteceu.
Então, uma semana e meia depois, ela decidiu seguir sua vida. Adormecer os próprios sentimentos talvez fosse a melhor alternativa para continuar com sua amizade, pois mais que isso, também tinha se tornado parte da sua família. Eles cresceram juntos, uma diferença mínima de quatro anos de distância entre os dois, que nunca pareceu ser um problema. Os dois tinham se tornado, ao longo do caminho, mais um para o outro do que conseguiam explicar.
Mas aí existiam aqueles momentos. O que tornava inevitável que o coração dela disparasse muito rápido e com muita força, e as mãos talvez tremessem um pouquinho, mas ela gostava de se enganar pensando que era o nervosismo do momento. Afinal de contas, o que estava acontecendo naquele instante era importante. O estádio lotado e ansioso contemplava o cenário; os sorrisos entusiasmados dos seus colegas de equipe traziam uma euforia que há muito tempo não sentia. Poder vestir o manto do Barcelona novamente era algo que ele estava esperando pelo que pareceu ser uma eternidade, mesmo que só tenha durado, em média, 335 dias desde a sua lesão, que o cortou do meio da temporada passada.
— Tem certeza que você se sente pronto? — questionou.
estava parado bem na sua frente e ela mordeu o lábio, ansiosa. Não sabia dizer se era uma pergunta justa. Ela sabia que ele se sentia mais do que pronto para voltar aos gramados, mas era meio difícil afastar a memória de quando ele se lesionou, caído no chão, a expressão fechada de dor. Ela nunca tinha visto ele daquela maneira, então não podia culpá-la por continuar temendo o pior.
Mas era apenas um medo provocado pela ilusão da mente. sabia, mais do que ninguém, o quanto ele lutou e se esforçou pela própria recuperação. Ela esteve ao seu lado quase o tempo todo, porque ele tinha ficado abalado com a perspectiva de estar tanto tempo fora, mas foi responsável por manter a chama da esperança e positividade acesa.
A partida contra o Sevilla estava tranquila. O Barcelona estava levando a vitória por 4-0, e ele entraria para substituir Pedri, concretizando sua volta oficial. Não era exagero dizer que todo mundo estava esperando por aquilo. Durante todo o seu tempo de recuperação, recebia várias mensagens de fãs na DM do instagram, perguntando por notícias dele, porque era péssimo com redes sociais e ninguém sabia de nada. Ela fez questão de criar um diário para mostrar a evolução dele e, consequentemente, deixar os fãs mais tranquilos por notícias. A maioria dos seus seguidores eram fãs dele, porque era no perfil dela que eles conseguiam conteúdos do sem ser ele repostando fotos publicadas pelo perfil oficial do Barcelona.
— — ele a chamou, com aquele sorriso brilhante iluminando todo o seu rosto, fazendo o coração dela se aquecer com o quão feliz ele estava. Talvez ela não devesse se preocupar tanto assim. — Eu sei que você está ansiosa e provavelmente pensando o pior, mas eu estou bem. E, você sabe, estou mais do que pronto para isso.
Ela soltou um suspiro quando ele tocou seu braço gentilmente. Tentou ignorar o mundo ao seu redor e a agitação que acompanhava o estádio, com o jogo rolando bem atrás deles, mas nenhum dos dois se importou com aquilo. queria focar naquele momento. Nele.
No momento que eles passaram noites sonhando juntos, dia após dia, e que agora parecia tão surreal. Ele tinha conseguido superar aquela lesão difícil. A mais velha conseguia, além de tudo, enxergar que ele estava com mais sede e mais garra pelo futebol.
— Às vezes é inevitável temer o pior — ela murmurou, segurando a mão do meio campista espanhol. — Porque o que eu senti naquele dia, …
— Ei, ei. — Ele balançou a cabeça e subiu sua mão para a lateral do rosto dela, tocando a bochecha. Seu sorriso aumentou, e ver a sua confiança era o que estava funcionando como tranquilizante para os próprios nervos da mais velha. — É passado, mi estrella. Nós superamos, lembra? Que tal aproveitar o momento agora?
concordou com um aceno lento e abriu um sorriso. Ela estava mesmo precisando relaxar um pouco e aproveitar o momento, apreciar ele finalmente voltando a fazer o que mais amava. Não podia perder aqueles detalhes focando nos seus temores. Não era hora daquilo.
— Como você se sente? De verdade? — ela perguntou, querendo saber.
— Eufórico. Quer dizer, olha em volta — ele respondeu, passando os olhos pelo estádio em volta deles. — É como estar…
— Em casa.
— …em casa.
Os dois completaram ao mesmo tempo, o sorriso se alargando nos lábios de ambos. sentiu seu coração disparar mais rápido que o normal. As mãos suavam, geladas, não pelo frio, mas pela ansiedade da ocasião. Ele poderia dividir aquele momento com todo mundo à sua volta, mas nada seria como a sensação intensa e única de dividir os momentos importantes com sua melhor amiga, a pessoa que mais conhecia o seu eu interior. Nem mesmo sua irmã, Aurora, conhecia tantas camadas suas como a .
Ela se aproximou, envolvendo o pescoço dele com as duas mãos, enlaçando seus corpos em um abraço.
— Estou orgulhosa de você — ela murmurou, inspirando o seu cheiro. — Tipo, muito.
a abraçou de volta, as mãos ao redor da cintura dela. sentiu o beijo dele em sua têmpora, deixando-a um pouco mais calma.
— , está na hora — alguém disse, atrás deles.
Eles se afastaram no mesmo instante, os olhos brilhando junto com o que aquela ocasião significava. Talvez fossem significados diferentes para ambos, mas tinham igualmente a sua importância. soltou o ar pela boca e passou os olhos por ele inteiro, deixando a emoção tomar conta do seu rosto ao vê-lo vestido com o uniforme novamente.
— Obrigado — ele disse, chamando a atenção dela. — Eu não teria chegado tão longe sem você.
O coração da fisioterapeuta deu um salto, os olhos lacrimejando.
— Teria, sim — reforçou, certa daquilo. — Não conheço ninguém mais determinado do que você.
Ele aumentou o próprio sorriso, quase sem saber o que responder. Se ele discordasse sobre ser a pessoa mais determinada que ela conhecia, com certeza seria xingado.
Ele estava lindo, ela pensou. Os olhos brilhando, o sorriso contido, a felicidade estampada nele inteiro. Todo o esforço valeu a pena para estar ali novamente.
— Espera um pouco — ela pediu, puxando o celular do bolso traseiro da calça.
Abriu o perfil do instagram e foi direto no story, apontando a câmera para ele, que não reclamou dessa vez. Ela apertou suas bochechas propositalmente com a outra mão, formando um bico em seus lábios, e ele fez uma careta, mas ela bateu foto dele assim mesmo e postou em seguida.
Provavelmente chegaria diversas notificações, mas ela silenciou para ver tudo depois e voltou a olhar para ele, erguendo o dedo mindinho para o ritual silencioso que eles tinham desde muito novos e do qual nunca abandonaram. Ele entrelaçou seu dedo ao dela e cruzaram, um boa sorte silencioso que ela sempre desejava para ele antes de algum jogo.
— Minha camisa? — ele indicou.
Ainda com os mindinhos cruzados juntos, franziu o cenho, confusa.
— É sempre a sua camisa, — respondeu, como se não houvesse outra resposta.
Mesmo quando ele não jogava pelo Barcelona como titular, ainda usava as camisas com o nome dele atrás. Sempre foi assim, desde quando ele expressou o seu desejo de ser um jogador de futebol.
sorriu, acenando lentamente. Talvez ele tivesse em mente que em algum momento ela usaria a camisa com o nome de outra pessoa, mas por enquanto, gostava que fosse o dele. Ela sempre foi a sua primeira plateia a incentivá-lo e tudo aquilo era muito simbólico para ele, mais do que jamais imaginaria que fosse.
Quando alguém o chamou novamente, ela acenou impaciente para que ele fosse logo e se juntou com os outros meninos na parte de trás do banco de reservas. Logo em seguida, a placa com número 6 foi levantada, o número dele, para que houvesse a substituição, e Pedri foi o escolhido para que ocupasse o seu lugar dentro do campo.
No início da partida, Raphinha entrou como capitão do time, mas quando foi substituído no começo do segundo tempo, ele passou a faixa para Pedri, que agora, simbolicamente, passou para o ao ser substituído. O mais novo estendeu o braço para Pedri, que colocou a faixa de capitão em seu braço, e quando os dois se abraçaram, entrou no campo logo depois, sendo aplaudido não só pelos seus amigos e colegas de time, como também pelo estádio inteiro. A bola parou de rolar apenas um segundo para prestigiar aquele momento.
Parecia exatamente a energia de quando eles marcavam um gol, o som quase ensurdecedor de tão alto que soava.
Mas eles só estavam aplaudindo a volta de .
Como se ele fosse a estrela do momento ocupando o seu palco de volta, depois de tanto tempo fora.
Como se estivessem esperando por isso tanto quanto ela. Quanto ele.
Ela conteve a própria emoção de encarar aquilo. Ele merecia aqueles aplausos e ser ovacionado daquela maneira. Merecia receber a energia e o amor do estádio e dos torcedores, tanto os que estavam presentes, quanto os que não estavam, assistindo aquele momento pela tela da televisão, em suas casas.
Os meses passaram rápido para um milhão de pessoas, mas não para . Aqueles meses, para ela, duraram uma eternidade.
Mas vê-lo sendo recebido daquela maneira esticou os lábios dela em um sorriso que não era capaz de conter por tanto tempo. As coisas estavam, finalmente, começando a se encaixarem. Quando os aplausos dentro do campo cessaram e eles estavam prestes a rolar a bola novamente, ela percebeu ele a procurando no meio de todo mundo do banco reserva.
O meio campista não demorou muito a encontrá-la, o sorriso espelhando o dele de uma maneira única e compartilhada por algo que só duas pessoas que se conheciam desde crianças entendiam.
Ele tinha outra pessoa para manter os olhos ali, sabia, mas para , não havia outra pessoa para quem olhar agora.
O coração dela disparou de uma maneira ridícula; o dele não estava diferente, tomado pela euforia. Ela deixou os ombros caírem e desfez o sorriso afetado, odiando como sempre se lembrava dos sentimentos que tentava repreender.
Os que nutria por ele secretamente, porque não tinha coragem de repensar a amizade para além de algo que pensava sentir sozinha.
suspirou.
Ela ouviu alguém falando algo ao seu lado, mas não prestou atenção, mantendo o sorriso para fingir a plenitude que não sentia, os dedos indo até o pingente de estrela que adornava o seu pescoço, um presente dele.
Se fosse começar a ser sincera consigo mesma, estava começando a ficar difícil resistir.
Continua...
nota estrelada da autora: Eu tô fazendo uma loucura: criando um multiverso com alguns jogadores do barcelona, o que significa que você pode encontrar os personagens daqui em outras histórias que acabou entrando na expedição também. A Pilar, por exemplo, também é a protagonista de Casual, que é um spin-off que explica o envolvimento dela com Martínez, um jogador que também vai aparecer aqui. A leitura não é obrigatória para entendimento da história, no entanto. Pretendo, depois, fazer uma lista e uma linha do tempo para explicar melhor quais são as fanfics que se passam nesse "multiverso." Espero que esteja se divertindo com as leituras. Eu, com certeza, me divirto escrevendo.
Beijão estrelado e até a próxima att! 💫
Beijão estrelado e até a próxima att! 💫
0%
