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Longfic

West Coast

por

“— Só pensa bem, . O problema não é deixar a pessoa entrar, você sabe disso — murmurou, suspirando. — É não saber o que fazer quando ela decide ficar.”

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Capítulo Onze

— , vem logo! Já tem bastante gente chegando!
disse mais alto que o normal, da varanda, enquanto ainda terminava de arrumar o cabelo em frente ao espelho.
— Já vou! — gritou de volta, mesmo sabendo que provavelmente demoraria mais alguns minutos.
Ajeitou a blusa no corpo, puxando o tecido de um lado e depois do outro enquanto analisava o próprio reflexo. Sentia que faltava alguma coisa para completar o visual, mas não conseguia descobrir exatamente o quê.
Deixou os cabelos soltos, como de costume, prendendo apenas a franja para cima e criando um pequeno volume.
Melhor do que nada — pensou.
se afastou do espelho e começou a andar pelo quarto à procura de algum batom. Abriu uma gaveta, mexeu nas coisas sobre a cômoda e, ao se virar, seus olhos pararam em uma peça jogada sobre a cadeira de madeira.
A camisa xadrez.
O tecido estava um pouco embolado, praticamente pendurado ali. Ela se aproximou e o pegou, o abrindo nas mãos enquanto observava por alguns segundos.
Era de .
E, por algum motivo, estava considerando seriamente em usar.
Por quê?
Bom, era uma ótima pergunta.
Poderia simplesmente dizer que combinava com o que estava vestindo. E combinava, para ser sincera.. Mas sabia que não era exatamente por isso que ainda estava parada no meio do quarto, segurando a camisa e pensando se deveria ou não colocar.
A verdade era que nem ela sabia explicar.
Só sabia que queria usar.
Sem pensar muito, amarrou a blusa ao redor da cintura e virou de novo para o espelho, justamente quando uma sombra surgiu na porta do quarto.
virou o rosto e encontrou encostado no batente.
Deixou um sorriso pequenininho aparecer no rosto assim que o observou. Seu irmão estava impecável, apesar de, claramente, não ter feito nenhum grande esforço para isso. Vestia uma bermuda jeans e uma blusa listrada em preto e branco.
Os cabelos estavam bagunçados para cima e os olhos pareciam ainda mais azuis do que o normal.
— Posso saber por que você tá tão arrumado? — a garota perguntou, semicerrando os olhos enquanto começavam a caminhar para fora da casa.
— Não vem mudando de assunto. Nem tô tão arrumado assim… — rolou os olhos, deixando um sorrisinho divertido aparecer. — Tô de olho em você.
— É claro que tá… — murmurou, já acostumada com aquilo. — E ?
passou um dos braços pelo pescoço da irmã assim que seguiram em direção à casa ao lado. Algumas pessoas já estavam na entrada e, assim que seguiam pelo jardim, o número parecia aumentar ainda mais.
Muitos conversavam animadamente em grupos pequenos, enquanto outros já bebiam e dançavam ao som da música que tocava lá dentro.
— James carregou ela pra cá tem alguns minutos.
balançou a cabeça, imaginando a cena. Não era difícil acreditar.
Assim que entrou na casa, seus olhos passearam pelo lugar. A decoração tinha realmente ficado boa. O cômodo estava cheio de luzes coloridas e balões espalhados por todos os lados, alguns presos e outros flutuando pelo teto. Os copos coloridos também já apareciam por toda parte, assim como as pessoas.
Algumas estavam sentadas no sofá, outras encostadas nas paredes, conversando, e um grupo já tinha conseguido improvisar uma partida de beer pong em uma das mesas.
Uma versão remixada de Five More Hours tomava conta da casa através das caixas de som espalhadas pelo lugar. reconheceu algumas pessoas da escola e outras que já tinha visto pela cidade também.
Parecia que mais da metade de Ocean View estava ali. E aquilo era até surpreendente.
Talvez só naquele momento a ficha tivesse realmente caído de que James era conhecido por praticamente todo mundo naquele lugar.
Do seu lado, já mexia o corpo com a batida da música. Assim que avistou o amigo no meio das pessoas, abriu um sorriso e foi em sua direção ainda dançando.
olhou para James de onde estava e não tinha como negar que ele estava bonito.
Os cabelos pretos estavam arrumados do jeito de sempre e um sorriso grande ocupava seus lábios. Vestia uma calça jeans rasgada, uma blusa azul-clara e Air Force claros nos pés.
Também segurava um copo com bebida.
— Five more hours, we're just getting started… — o moreno cantarolou ao ver se aproximando e começou a rir.
Ele ainda não tinha percebido a presença de e conversava animadamente com o amigo, provavelmente comentando alguma coisa sobre a festa.
Mas não demorou muito.
Os olhos castanhos de James desviaram por um segundo até encontrar mais afastada. Sorriu um pouco mais que antes.
Olhou novamente para e entregou o copo em sua mão antes de começar a andar na direção dela. soltou uma risadinha, tomou um gole da bebida e simplesmente saiu dali, deixando os dois sozinhos.
— Ei, . Como você tá? — perguntou assim que se aproximou.
Ela sorriu.
— Você fala isso como se não tivesse me visto há uma hora.
— Ah, você sabe… É costume — riu fraquinho, passando uma das mãos pelos cabelos. — Quer alguma coisa pra beber? A gente pode ir até a cozinha. O freezer tá completamente lotado.
Falou animado enquanto diminuía ainda mais a distância entre eles.
A garota sentiu os dedos dele encostarem nos seus e abaixou o olhar rapidamente. Antes mesmo que pudesse entender direito o que estava acontecendo, James entrelaçou os dedos aos dela e começou a levá-la no meio das pessoas.
Voltou a olhar para ele, sentindo o coração bater um pouquinho mais rápido com a aproximação.
James estava dando em cima dela.
Descaradamente.
E, pior, parecia nem fazer questão de esconder.
conteve o sorriso que ameaçava aparecer e o seguiu, desviando das pessoas e parando algumas vezes para dar passagem a quem atravessava na direção contrária.
Quando chegaram à cozinha, a garota encostou o corpo na bancada de mármore e, sem pensar muito, deu um pequeno impulso com os braços para se sentar ali. James tinha se afastado para buscar os copos vermelhos e, assim que voltou, sorriu de canto, estendendo um deles em sua direção.
Depois, pegou uma garrafa de Jose Cuervo no freezer e colocou em cima da bancada.
— Eu ia pegar alguma coisa mais elaborada, mas achei melhor deixar pra depois.
— Mais elaborada? — arqueou a sobrancelha.
— É. Tem umas coisas ali que merecem uma ocasião certa.
Ocasião certa?
franziu o cenho, o observando por meio segundo.
O que ele queria dizer com aquilo?
— E que ocasião seria essa?
James ergueu o olhar para ela enquanto abria a garrafa.
— Quando chegar, você vai saber — e deu uma piscadela.
Foi impossível conseguir conter o sorriso bobo que surgia no rosto.
O sorriso que ele tinha dado meio segundo depois só piorou a situação.
Colocou um pouco da bebida no próprio copo e ergueu a garrafa na direção dela.
— Quer?
aproximou o copo e ele colocou uma quantidade para ela também.
James se encostou no freezer que ficava bem à frente da bancada, deu um pequeno gole em sua bebida e respirou fundo, olhando para a movimentação ao redor deles.
— E aí, o que tá achando? — perguntou. — Pra ser sincero, não achei que fosse bombar tanto assim.
Ela olhou para as pessoas, observando assim como ele.
Muitos ali dançavam, conversavam e riam, enquanto outras passavam de um lado para o outro com os copos nas mãos. A música alta deixava ainda mais evidente que a festa estava uma loucura.
— Pra minha primeira festa em Huntington? — voltou a encará-lo. — Eu tô achando incrível.
— Só incrível?
Ela riu fraquinho. Fingiu pensar por alguns segundos.
— A música tá boa, a casa ficou bonita, tem bebida suficiente pra derrubar metade da cidade… — o olhou de canto, arrancando uma risadinha dele também. — Só o anfitrião que é convencido demais — fez uma careta. James a empurrou de leve no ombro. — Mas tá muito bom, sério. Obrigada, James.
O garoto a encarou brevemente e abaixou o olhar, mexendo distraidamente no copo entre as mãos. Suas bochechas começavam a queimar.
E tinha quase certeza de que, daquela vez, não era culpa do calor que fazia ali dentro.
— Então, já que é a sua primeira festa, tem que ser memorável — James disse, deixando o copo de lado. — Vem. Vamos dançar um pouco.
Antes que ela pudesse responder, o garoto se aproximou e segurou uma de suas mãos.
abaixou o olhar para os dedos dos dois, tentando entender o que exatamente ele pretendia fazer.
— James…
— Só vem, .
deixou uma risadinha escapar, se dando por vencida. Desceu da bancada e foi atrás dele.
Passaram entre as pessoas até chegarem à sala, onde a música parecia ainda mais alta que antes. Ela olhou ao redor, procurando ou até mesmo , mas não conseguiu encontrar nenhum dos dois no meio da multidão.
Fechou os olhos por alguns segundos.
Era melhor nem se preocupar.
James parou à sua frente e, quando um casal passou dançando perto demais, precisou se aproximar ainda mais dele para dar espaço.
Inevitavelmente, prendeu a respiração.
Conseguia sentir a respiração dele próxima ao seu rosto, mas, por algum motivo, não tinha coragem de levantar seu olhar. Só continuou acompanhando as batidas da música, mexendo o corpo devagar, enquanto mantinha os olhos fixos nos próprios tênis.
James pareceu ter percebido. Sua risadinha o entregou.
— Tá com vergonha, ?
A garota levou o rosto no mesmo instante. E aquilo havia sido um erro.
Os olhos castanhos dele já estavam presos aos seus e sentiu as bochechas esquentarem muito mais.
Um sorriso involuntário apareceu em seus lábios, fazendo James sorrir também.
— Não — respondeu, negando com a cabeça.
— Não?
— Não.
— Então olha pra mim.
estreitou os olhos. Ele parecia estar adorando fazer aquilo.
— Você tá mais convencido que o normal hoje.
— E você tá fugindo da minha pergunta — os dois riram.

Girl, you're the one
I want to want me
And if you want, then girl you got me


A música ainda tocava ao redor, misturada com as conversas e risadas altas.
James diminuiu um pouco mais a distância e colocou uma das mãos em sua cintura.
Ela piscou algumas vezes, tentando assimilar o que acontecia.
Aquilo era diferente.
James sempre foi ótimo com ela. Divertido, atencioso, fácil de estar por perto.
Mas, aquela aproximação deixava muito claro que tinha alguma coisa a mais acontecendo.
E ela não sabia muito bem o que fazer com aquilo.
— James, eu… — iniciou. Ele continuava a olhando.
— Ei — a interrompeu, falando um pouco mais baixo. — Não precisa falar nada agora.
Ela o observou.
— Só não quero que você ache que…
— Não tô achando nada — James garantiu, ainda com a mão em sua cintura. — E também não vou fazer nada que você não queira, .
A garota respirou fundo, um pouco mais tranquila. Precisava admitir que só de pensar em se relacionar com James daquele jeito, sua mente virava um furacão.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Só dança comigo — disse, simples. — Só por um tempo.
Como negar um pedido daqueles vindo logo dele?
colocou uma das mãos em seu rosto e deu um sorriso pequeno, acariciando sua bochecha rapidamente. James fechou os olhos e suspirou, como se só de fazer aquilo significasse muito mais do que ela imaginava.
Talvez, para ele, realmente significasse.
Continuaram dançando por um bom tempo. Ele parecia extremamente à vontade com a presença da garota e não podia negar que também estava gostando de estar ali.
Uma música mais agitada que a anterior começou a tocar e os dois começaram a dançar de qualquer jeito, rindo um do outro. E até continuaria, não fosse por alguém segurando seu braço de repente.
Virou o rosto, avistando bem do seu lado.
A expressão da amiga estava estranha. Confusa e desconfiada ao mesmo tempo.
— Jimmy, dá licença um minutinho? — pediu, arqueando as sobrancelhas. Então olhou para . — , preciso falar com você.
— E eu com você — respondeu mais baixo.
Precisava contar para a amiga urgentemente o que estava acontecendo ali entre ela e James. Ainda mais que ele era seu primo.
James olhou de uma para a outra, claramente curioso, mas não insistiu. Apenas fez um pequeno gesto com a cabeça para , mostrando que estava tudo bem.
não pensou duas vezes e seguiu pelo meio das pessoas. A amiga praticamente a puxou até a parte externa da casa, parando apenas quando chegaram à varanda.
Assim que ficaram longe o suficiente da música, em um canto mais escondido e escuro, passou uma das mãos pelos cabelos e tomou um gole da bebida.
franziu o cenho.
— O que foi? Você parece nervosa.
— Eu tô — admitiu, olhando ao redor como se procurasse alguém. — Não achei o Kenny, mas… Eu vi ele, .
Piscou algumas vezes, minimamente confusa.
— Viu quem? — a encarou como se a resposta fosse óbvia. Foi então que ela entendeu. E abriu a boca em um “o” perfeito. — O ? Ele veio?
assentiu várias vezes. Como se estivesse assentindo mais para ela do que para a amiga.
arregalou um pouco os olhos.
— Eu vi ele chegando e… — respirou fundo, olhando para a rua. — Bom, olha você mesma.
acompanhou a direção de seu olhar e o viu.
estava na calçada, cercado por alguns garotos. Ria alto, como de costume e bebia como se o que tivesse no copo fosse água.
O que, cá entre nós, com certeza não era.
ainda tinha os olhos presos nele e, para sua sorte, a varanda estava escura o suficiente para que passassem despercebidas, longe das luzes coloridas que piscavam dentro da casa.
parecia relaxado até demais. Levou uma das mãos até o boné cinza, o ajeitando melhor na cabeça e aproveitou para observá-lo com mais atenção.
O garoto vestia uma camisa branca de manga e uma bermuda creme.
Estava arrumadinho.
— Isso tudo é uma droga, sabia? — comentou, amarga. Tomou o restante da bebida de uma vez e encostou na pilastra da varanda. — Depois de tanto tempo, de achar que ia superar, eu tava errada. — soltou uma risada sem humor, voltando os olhos para . — E ele ainda tem a coragem de ficar cada vez melhor.
contorceu os lábios.
— Ei, …
Fez menção de abraçá-la, mas a amiga levantou uma das mãos.
— Não. Tá tudo bem, de verdade, — respirou fundo, finalmente desviando o olhar da rua. — Só não posso continuar mentindo pra mim mesma. E também não quero ficar pensando nisso hoje. Preciso de uma bebida.
arqueou uma das sobrancelhas e segurou seu braço antes que ela pudesse entrar novamente na casa.
— Garota, vai com calma. Você acabou de terminar um copo cheio.
— , qual é — reclamou, deixando escapar uma risada fraca. — Vou me cuidar. Na verdade, James vai fazer isso por mim.
— Isso era pra me tranquilizar?
— Acho que sim? — riu fraquinho. balançou a cabeça em negação. já estava quase voltando para dentro quando parou no meio do caminho, como se tivesse acabado de se lembrar de alguma coisa. — Ah, ?
Dessa vez, havia algo diferente em sua expressão.
O abatimento de segundos antes tinha dado espaço para um sorrisinho que conhecia bem demais.
— Uma moto. Perto da árvore — apontou discretamente para a rua. E então, sumiu dentro da residência.
franziu o cenho, tentando entender. Será que tinha bebido demais e estava alucinando?
Quase riu. Então olhou ao redor, procurando por , mas ele também tinha sumido desde que tinham chegado à festa.
Provavelmente estava ficando com alguém em algum canto da casa.
Rolou os olhos.
Pensou em voltar e terminar de se divertir com James até não ter hora para acabar. Até teria feito exatamente aquilo.
Se não sentisse alguém olhando em sua direção. Por um instante, ficou em dúvida, mas acabou direcionando os olhos para a rua.
Foi aí que viu.
Uma moto clássica estava estacionada próxima à calçada, debaixo da árvore que tinha mencionado. Era prateada, mas boa parte dela era preta.
Só que não foi exatamente a moto que prendeu sua atenção.
estava encostado nela.
Ele parecia focado no celular, evidente que preferia estar em qualquer outro lugar. De onde estava, conseguiu o observar por inteiro e percebeu quase de imediato que tinha alguma coisa diferente.
A roupa era simples. Uma camisa jeans de manga curta, regata branca por baixo e uma bermuda escura.
Ainda assim, tinha alguma coisa.
Continuou olhando, tentando descobrir. Até que levou a mão ao boné cinza, muito parecido com o do irmão, e o tirou por alguns segundos.
Os olhos dela se arregalaram devagar.
O cabelo.
Antes maior e ondulado, agora estava bem mais curto e bagunçado para cima.
E, céus. Tinha ficado bom. Muito bom.
passou a mão pelos cabelos antes de colocar o boné novamente. Depois mexeu em alguma coisa na boca que ela não conseguiu identificar.
Bufou, desviando o olhar por alguns segundos.
Ótimo. Agora entendia perfeitamente o motivo de ter falado daquele jeito antes de desaparecer.
Será que devia se aproximar? Eles não eram próximos o suficiente para que ela simplesmente atravessasse a rua e começasse uma conversa do nada. Mas, precisava admitir que estava morrendo de vontade de chegar mais perto.
Apertou os lábios, incomodada consigo mesma.
Que merda estava acontecendo?
Ficou alguns segundos pensando, procurando qualquer desculpa minimamente aceitável.
Olhou para ele mais uma vez. continuava no mesmo lugar.
Agora, uma das mãos estava enfiada no bolso da bermuda, enquanto os olhos permaneciam vidrados no celular.
Respirou fundo e desceu os pequenos degraus da varanda, passando por algumas pessoas. Atravessou o gramado, desviou de duas garotas que conversavam no caminho e chegou até a calçada.
Tinha muita gente ali. O que era bom, já que o que estava prestes a fazer não iria parecer tão estranho.
O grupo de continuava ali e também tinha outras pessoas espalhadas do outro lado da rua.
tentou usar aquilo para se convencer de que não estava fazendo nada demais.
Era só uma conversa. Nada demais.
Engoliu em seco ao sentir o coração bater mais rápido.
estava a poucos passos da garota. Talvez fosse melhor voltar. Ainda dava tempo.
Será que ainda dava tempo de sair correndo?
Droga, droga, droga…
— ?
Ela abriu os olhos rapidamente, só então percebendo que tinha ficado alguns segundos com eles fechados. O garoto a encarava, agora com o celular um pouco mais baixo em sua mão.
Parecia curioso.
— Ah… oi, — respondeu, tentando parecer mais tranquila do que realmente estava. Ele olhou rapidamente para as pessoas ao redor antes de voltar a atenção para ela. Diferente de antes, tinha um sorrisinho contido nos lábios. — Não tinha te visto aí.
— Claro — respondeu, ainda segurando o sorriso. — Eu também não. Gosta de conversar à distância?
— O quê?
piscou algumas vezes, sem entender. O sorriso dele aumentou um pouco.
— Você — explicou, apontando discretamente para o espaço que ainda existia entre os dois. — Parece que tá com medo de chegar mais perto.
teve vontade de se dar uns bons tapas naquele momento. Não estava exatamente longe, mas a distância entre eles era grande o suficiente para tornar aquela conversa estranha.
Respirou fundo e finalmente se aproximou, parando ao lado dele, próxima da moto.
levou o copo à boca, bebendo um pouco mais para disfarçar o constrangimento. E quando voltou a olhar para de perto, percebeu que não era apenas o cabelo que estava diferente.
Tinha outra coisa.
Um piercing.
No lábio.
Os olhos da garota ficaram presos ali por alguns segundos antes que pudesse evitar.
Tinha ficado extremamente sexy.
Desviou o olhar antes que percebesse que ela estava praticamente encarando sua boca.
Ou, pelo menos, esperava que ele não tivesse percebido.
— E então… Você não vai entrar? — perguntou, focando a atenção na casa à frente.
pigarreou baixo, fazendo com que ela o olhasse novamente. Negou com a cabeça.
— Não curto muito festa assim. O praticamente me obrigou a vir, então só vim acompanhar. Não é como se ele fosse voltar completamente sóbrio.
soltou uma risada, olhando rapidamente para mais adiante.
O irmão de bebia como se não houvesse fim.
— É. Parece que ele não tem mais salvação mesmo — riu fraquinho.
também olhou na direção do irmão por alguns segundos antes de baixar o rosto novamente, encontrando os olhos dela.
— E você? — perguntou. — Pelo visto tá aproveitando.
— Se aproveitar significa beber enquanto tento descobrir o que fazer no meio de um monte de gente que mal conheço… — ergueu o copo. — Então sim. Tô aproveitando bastante.
Ele soltou uma risada baixa e rouca. bebeu o restante que ainda tinha no copo e o jogou na lixeira próxima. Quando voltou, acabou encostando na moto também.
Nem percebeu quando aquilo aconteceu. Agora estava do lado de , bem mais próxima do que antes.
— É uma droga mesmo — ele comentou. — Mas acho que podemos resolver isso.
A garota sentiu um arrepio percorrer seu corpo inteiro ao ouvir aquilo. Virou o rosto rapidamente e encontrou os olhos verdes de sobre ela.
— Como? — sua voz quase falhou.
sorriu, deixando uma risadinha escapar.
Deu um pequeno impulso, afastando o corpo da moto e ficando de frente para ela.
O coração de pareceu acelerar ainda mais.
Por meio segundo, a encarou. Então, se afastou, caminhando até o guidão da moto.
franziu o cenho. Não estava entendendo absolutamente nada.
— … — parecia pensar em alguma coisa. — Já andou de moto?
A garota quase prendeu a respiração.
Claro que já tinha andado. Fazia bastante tempo, quando ainda era mais nova, mas já tinha.
O olhar divertido de só a deixava ainda mais nervosa.
— Já — respondeu. — Quando era mais nova.
Tentou fazer parecer que aquilo não era grande coisa. Mas não funcionou muito bem.
— Bom… Conheço um lugar melhor que essa festa.
Ele se aproximou da moto, pegando as chaves do bolso da bermuda.
arqueou levemente a sobrancelha.
O garoto passou uma das pernas por cima da moto e se sentou. Colocou a chave na ignição, pegando o capacete que estava preso ao guidão.
só conseguia ficar parada, observando cada movimento dele.
Aquilo estava realmente acontecendo?
Então, estendeu o capacete para ela.
— Você vem?
Era uma pergunta tentadora. Muito tentadora.
Ela ficou alguns segundos em silêncio, pensando em tudo que tornava aquela ideia completamente errada.
Nem seu irmão e seus amigos sabiam onde ela estava. Seu celular tinha ficado no quarto e, se descobrisse que ela tinha simplesmente subido na moto de um cara que ele mal conhecia para ir sabe-se lá onde, provavelmente teria um ataque.
seria ainda pior.
Tinha acabado de sair de uma conversa sobre e, minutos depois, estava considerando ir embora com o irmão dele.
Definitivamente não parecia uma boa ideia.
Mas justamente por não ser uma ideia, que ela estava considerando tanto ir.
Olhou rapidamente para a casa. A música continuava alta, as luzes piscavam nas janelas e ninguém parecia ter percebido que ela tinha sumido.
Podia voltar. Encontrar James. Procurar . Descobrir onde tinha se metido.
Ou podia só aproveitar.
Já que, para ser sincera, estava certo.
Qualquer lugar parecia mais interessante do que a festa que acontecia.
Ela voltou a olhar para e sorriu.
— Tudo bem. Eu vou.

🌴❤️‍🩹
Nota da autora
Olá! Trouxe mais uma atualização quentinha pra você!
Espero que tenham gostado e não deixem de me contar o que acharam ;)
Se você encontrou algum erro de codificação, entre em contato por aqui.