Revisada por: Sagitário♐
Última Atualização: 12/12/12— EDDIE! ACORDA, PORRA, VAI CHEGAR ATRASADO DE NOVO! — Uma voz gritou atrás da porta seguida por algumas batidas.
— Já estou indo, inferno!
Vendo que não conseguiria vencer essa briga, Eddie levantou da cama já de mau humor, pegou a primeira roupa que achou jogada pelo quarto e desceu.
— Achei que não fosse levantar hoje. — O homem que antes batia na porta, agora estava encostado na pia da cozinha com uma xícara de café na mão. Era o tio de Eddie.
— Bem que eu queria mesmo, mas preciso ir pra aula se não eu não consigo pegar a porra do meu diploma — disse ele enquanto comia um pedaço de uma das torradas que estavam encima da mesa.
— Espero que esse ano você finalmente consiga, se continuar repetindo de ano vai morrer no último ano do colegial.
— Eu sei tio, não precisa ficar me lembrando disso todo dia. — Ele revirou os olhos e pegou mais uma torrada, deixando-a entre os dentes enquanto colocava a mochila nas costas. — Não sei que horas volto hoje, não precisa me esperar. — Ele disse já saindo pela porta sem que esperasse qualquer resposta do tio.
Não demorou muito para ele chegar na escola, o estacionamento já quase vazio devido ao fato de que estava prestes a tocar o sinal de início das aulas. Eddie estacionou sua combe velha e grafitada com desenhos inspirados em bandas de rock, carro esse que se destacava muito dos demais estacionados ali.
Correu para a sala de aula rápido o suficiente para chegar antes do professor e não ter a atenção de toda a classe voltada para ele. Se sentou na última carteira no fim da sala, próximo a parede, como de costume. Assim, podia ficar mais "invisível" aos olhos dos professores e ainda podia passar a aula olhando pela janela e permitindo que sua mente vagasse por onde ela quisesse.
O tempo demorou a passar naquela manhã, as aulas se arrastavam. Talvez fosse apenas a ansiedade de Eddie para que aquilo tudo acabasse logo e ele pudesse ir para sua casa.
O sinal ressoou alto, avisando o início do intervalo entre as aulas. A grande maioria das pessoas iam para o refeitório, algumas ficavam espalhadas pelos arredores da escola. Eddie foi em direção a quadra esportiva na esperança que estivesse vazia, o que não aconteceu, então caminhou em direção a algumas árvores que haviam ali ao lado. Em meio às árvores que iam se fechando mais adiante, havia uma mesa de piquenique um tanto quanto abandonada, já que ninguém ia para aquele lugar, ao menos, não que Eddie já tenha visto.
Colocou um cigarro entre os lábios e procurou pelo isqueiro no bolso. Estranhou quando viu uma figura feminina sentada na mesa que costuma a encontrar sempre vazia. A garota se assustou ao ouvir os passos pelas folhas secas no chão, virando e permitindo que Eddie visse seu rosto.
— Chrissy Cunningham? Você… — Eddie iniciou a frase, mas devido a confusão não conseguiu finalizá—la. — Acho melhor eu ir.
— Tudo bem, pode ficar, a não ser que esteja esperando alguém… — ela falou meio sem graça. Eddie riu e voltou o cigarro entre os lábios.
— Se importa? — ele apontou pro cigarro em sua boca. A garota fez um gesto de negação com a cabeça e então ele acendeu, dando uma tragada longa e se sentando de frente pra ela. — Não estou esperando ninguém, mas você deve estar.
— O que quer dizer com isso? — Ela o encarou com a sobrancelha franzida.
— Desculpa, não quis dizer nada pra te insultar. É que sei lá… você é popular, por que estaria aqui e não com seus amigos no refeitório?
— Para me esconder deles, não estou afim das mesmas conversas de todos os dias hoje. — Ela deu de ombros.
— Então temos algo em comum. — Ele sorriu e estendeu a mão para ela. — Eddie Munson, prazer.
— Eu me apresentaria, mas você já me conhece pelo jeito. — Ela sorri meio sem graça e alerta sua mão. Eddie ri e dá outra tragada em seu cigarro.
— Qual é, eu posso ser excluído das atividades da escola e nada popular, mas eu sei das coisas, você é líder das líderes de torcida.
— Então quer dizer que você, o cara esquisitão que é legal demais pra esse universo escolar, já foi em um dos jogos da escola? Afinal, você sabe quem eu sou. — Ela tinha um sorriso presunçoso no canto dos lábios que aumentou ao ver a cara de confuso de Eddie. — Eu também tenho informações. — Ela deu de ombros.
— Não, eu realmente detesto esportes, mas é difícil não saber quem vocês são, o uniforme sabe. — Ele deu de ombros. — E você provavelmente não se lembra, mas fizemos o ensino fundamental juntos, lembro de você com os pompons no show de talentos. — Ele fez um movimento com as mãos imitando movimentos de torcida.
— Você estava estudava comigo? Como eu não lembro de você?
— Tente um cabelo raspado e nada de tatuagens e roupas que me façam parecer tão legal assim. — Ele apontou para as próprias roupas. — Eu tinha uma banda…
— Corroded Coffin! Ah, meu Deus, eu lembro de você! — Ela riu ao encontrar a memória que nem ela mesma sabia que estava ali.
— Uau, você se lembra! — Eddie sorriu largo.
— Claro que sim, vocês fizeram a diretora interromper a apresentação. — Os dois riram. — Mas o cabelo longo fica bem em você, te deixa com um ar mais misterioso, na verdade, eu achava que você era bem diferente.
— Eu também achei que você era diferente, e que jamais estaria aqui sentada sozinha no meu pedacinho do céu e conversando comigo. — Ele riu.
— Desculpa roubar seu esconderijo.
— Tudo bem, desde que não divida ele com seus amigos populares, caso isso aconteça, vou precisar te expulsar daqui. — Ele fez uma careta que a fez rir.
— Não vou contar pra eles daqui, se não eu não teria pra onde ir caso quisesse fugir deles novamente.
— E por que quer fugir deles? Quer dizer, é compreensível, mas você gosta deles, né? — Ela riu e concordou com a cabeça.
— Eu meio que discuti com meu namorado hoje mais cedo, não estava afim de aguentar minhas amigas perguntando inúmeras coisas sobre.
— Compreensível. Mas você tá bem? — Ele a encarava, tentando procurar respostas no rosto dela.
— Agora acho que sim, foi bom ter vindo aqui. — Ela sorriu.
— Desculpa ter atrapalhado seu momento de paz.
— Tudo bem, é bom conversar com alguém que não fale sobre as mesmas coisas sempre.
— Quando precisar, sabe onde me encontrar — Eddie sorriu abrindo os braços.
— Vou me lembrar disso. — Ela sorriu. Ao fundo, foi possível ouvir o sinal anunciando mais uma vez a retomada das aulas. — Acho melhor a gente ir. — Ela disse se levantando.
—— É sim. — Eddie sorriu e se levantou também.
—— Te vejo por aí, Munson. — Ela acenou sorrindo.
—— Até mais, Cunningham. — Eddie sorriu e acenou de volta.
A Corroded Coffin havia sido fundada por Eddie e seu amigo Matt quando ainda estavam no ensino fundamental. A formação tinha mudado um pouco desde então, mas continuavam tocando o que amavam e se propuseram a tocar desde o início: metal.
Não demorou mais de vinte minutos para que a pizza sumisse e eles voltassem a conversar sobre coisas aleatórias. Eddie estava rindo das piadas que faziam com Matt por ele ser um tanto quanto ruim no videogame quando seu celular vibrou, avisando uma nova notificação. Ao tirar do bolso, estranhou ao ver uma solicitação de mensagem de Chrissy Cunningham.
"Olha só, você ainda toca, bom saber! (:"
A mensagem tinha sido enviada em resposta a uma foto postada mais cedo, onde Eddie mostrava sua guitarra e um comentário sobre o ensaio. Ele sorriu vendo a mensagem e respondeu.
"Me stalkeando, Cunningham?"
Voltou a guardar o celular tentando não pensar demais sobre o porquê daquilo.
O relógio em seu pulso já marcava 00h30 quando Eddie finalmente se deitou em sua cama após um demorado banho. Vagou um tempo pelas redes sociais, mas nada de conseguir dormir.
Caminhou até a janela para abri-la e acendeu um cigarro. Era tarde demais pro seu tio subir até seu quarto e lhe encher de sermões sobre como cigarros eram prejudiciais à saúde.
A brisa gelada da madrugada invadiu o quarto fazendo os cabelos longos de Eddie ficarem ainda mais rebeldes, os pensamentos longe nem o fizeram perceber quando outra corrente de vento passou pelo seu peito descoberto devido a ausência de uma camisa, causando arrepios.
Olhou mais uma vez a tela do celular na esperança de algum sinal. Odiava admitir, mas ele estava à espera de alguma outra mensagem de Chrissy, que não responderam mais nada além daquela mensagem vinda do nada.
Era ridículo ele estar a espera de uma mensagem dessa forma, e justo da Chrissy, que tinha muito mais coisas com as quais se preocupar. Ao fim de seu cigarro, os pensamentos estavam um pouco mais calmos e vagando por outro território. Precisava fazer alguma coisa com essa carência, estava começando a imaginar e pensar demais.
**
A primeira aula daquele dia seria biologia, ele também não gostava dessa matéria, mas também não a detestava tanto assim.
— E aí, Harrington — cumprimentou assim se se sentou ao lado de seu colega de laboratório, Steve Harrington.
— Bom dia, Munson. — Steve o encarou.
— Que foi? — Eddie o encarou de volta.
— Você chegando em um horário aceitável sem que algum professor te chute para dentro da sala… isso é estranho. — Steve franziu a testa, segurando o riso apenas pra irritar Eddie.
— Vai se foder, Steve. — Os dois deram risada.
— Mas é sério, você foi abduzido ou algo assim?
— Infelizmente ainda não, aqueles babacas não querem mais voltar pra me buscar. Então só estou tentando me disfarçar e conseguir essa porra de diploma terráqueo pra sumir dessa cidade.
— Agora sim está parecendo com você mesmo. — Steve deu dois tapinhas compreensivos no ombro de Eddie que o respondeu com um dedo do meio.
Logo o professor entrou na sala despejando uma enxurrada de informações como de costume. Por incrível que pareça, Eddie estava prestando atenção nessa aula, apenas se recusava a anotar todas as palavras que eram ditas pelo professor, coisa que Harrington fazia por ele.
Os dois haviam sido juntados no ano anterior por este mesmo professor como dupla de laboratório. No início eles não se deram muito bem, já que Steve era um pouco mais popular com a galera da escola do que Eddie, que era só o esquisitão nerd. Mas ao contrário do que todos esperavam, Eddie e Steve se deram muito bem e acabaram ficando amigos, Steve já até tinha ido em alguns shows de Eddie, não porque ele gostava de Metal, longe disso, mas ele acreditava no potencial do amigo como guitarrista.
O sinal anunciou o final do primeiro período de aulas e os corredores já estavam barulhentos quando eles saíram da sala de aula.
— Ah Munson, festa sábado lá na minha casa, você e os caras da banda estão convidados! — Steve disse colocando a mochila nas costas.
— Acho que passamos, cara, sabe como é…
— Ah qual é, Eddie, não podem ficar evitando a vida social por muito mais tempo! Vai ser legal, e eu prometo ficar de olho em vocês e não deixar os garotos maus encherem o saco de vocês. — Steve riu após Eddie o lançar o dedo do meio novamente.
— Vou falar com eles, mas não prometo nada.
— Espero vocês lá! — Steve saiu andando antes que Eddie desse mais desculpas.
Eddie caminhou até a mesa onde seus outros amigos já se encontravam próximos ao refeitório. Eddie podia ser meio esquisito, mas pelo menos não era o esquisito solitário no refeitório.
Após comentar com os outros garotos sobre a festa na casa de Harrington, decidiram que talvez seria uma boa ideia ir, assim poderiam conhecer mais pessoas e, quem sabe, conseguir uma chance de tocar na próxima festa caso tivesse uma.
O segundo período passou mais rápido. Eddie finalmente estava livre da escola, porém infelizmente ele teria que trabalhar naquele dia. De terça a sexta, Eddie trabalhava no cinema da cidade, emprego este que conseguira graças a ajudinha de Steve, que também trabalhava lá.
Não era o melhor emprego do mundo, mas pagava razoavelmente bem e permitia com que Eddie comprasse suas coisas e ainda conseguisse imprimir alguns folhetos da banda pra divulgar pela cidade.
Pegou o colete no banco de trás da combe e o colocou a caminho da entrada do cinema. Seu almoço naquele dia foi um belo pacote de pipoca que sobrou da sessão anterior. Comia enquanto Steve varria o hall de entrada.
— Harrington, ficou faltando ali, olha. — Eddie apontou um lugar que Steve tinha acabado de varrer e jogou uma pipoca nele.
— Vai se foder, Munson, se não vai ajudar, também não atrapalhe! — ele falou sério, ajeitando o topete sempre impecável.
— Sim senhor, senhor. — Eddie bateu continência segurando o riso, Steve apenas balançou a cabeça e riu baixo.
Uma barulheira do lado de fora anunciava que o público para a próxima sessão estava chegando. Eddie guardou seu saquinho de pipoca debaixo do balcão e prendeu os cabelos em um coque mal feito.
Assim que olhou para a porta, reconheceu os uniformes verde e laranja, eram os babacas do time de basquete da escola. Ótimo, agora seu dia acabava de ficar muito melhor, ironicamente é claro.
Mais ao final do bando estava ela, Chrissy Cunningham de mãos dadas com Jason Carter, o casal clichê de capitão do time de basquete com a capitã das líderes de torcida. Eddie revirou os olhos e respirou fundo antes do primeiro babaca se aproximar para fazer seu pedido e algum comentário zombando de Eddie.
Após atender todos, ele finalmente pode voltar ao seu almoço e pensar o quanto detestava aquelas pessoas. Chrissy não havia falado com ele, é claro, apenas um aceno discreto, caso alguém percebesse que ela pudesse ter algum tipo de contato com Eddie Munson, o mundo popular e perfeito dela poderia ser questionado.
Depois de muito esforço para se manter simpático e atender milhares de pessoas naquele dia, finalmente poderia ir para a sua casa e ficar com a única coisa que ele gostava nesse mundo, sua guitarra.
Seu tio não estava em casa, havia deixado um bilhete na geladeira: "saí com alguns amigos, não precisa me esperar acordado". Não que ele realmente fosse esperar acordado, mas sei tio era um cara legal, dava o máximo de espaço possível para Eddie, o que ele retribuía. Até o avisava quando fosse sair e quanto tempo demoraria às vezes.
Fez uma macarrão instantâneo para comer, sua alimentação era realmente péssima, mas se tentasse cozinhar algo que não fosse isso, as chances da noite acabar com um caminhão de bombeiros na frente de casa eram bem grande.
Após comer e tomar um bom banho, Eddie se deitou com o cigarro entre os lábios e a guitarra nos braços. O amplificador estava bem baixo para que apenas ele ouvisse as notas que dedilhava, a mente vagando longe por qualquer assunto que conseguisse pensar.
Após alguns minutos, ou até mesmo horas naquilo, o sono finalmente começou a aparecer. Eddie voltou sua guitarra em seu suporte na parede, apagou as luzes e não demorou muito para que pegasse no sono.
O telefone de Eddie tocou incansavelmente interrompendo as músicas que saiam pelas caixas de som da van. Ao olhar o visor percebeu que era Matt e o atendeu.
— Fala insuportável — falou enquanto se encostava na van com o telefone ao ouvido.
— Sempre muito simpático, né Munson? O que você está fazendo? — Eddie conseguia imaginar Matt revirando os olhos como sempre fazia.
— Arrumando a van, o que precisa?
— Ensaio hoje às duas, aqui em casa, vê se não se atrasa! — Ele desligou antes mesmo que Eddie pudesse responder. Típico do Matt.
Eddie aproveitou que ainda faltava um tempo para o ensaio e decidiu ir almoçar na lanchonete perto do cinema, que não costumava estar muito lotada nesse horário.
Assim que terminou seu sanduíche, ficou andando pela rua olhando algumas vitrines e foi até o cinema, e lá estava Steve debruçado no balcão.
— Acorda, Harrington! — Eddie disse batendo no balcão, o que fez Steve dar um pulo pois estava distraído com algo no celular.
— Seu filho da puta! — Steve reclamou ajeitando o cabelo.
— Já estava com saudade de mim aqui não estava? Fala sério! — Ele riu e debruçou no balcão.
— Estava tranquilo sem você enchendo o saco, isso sim. Aliás, o que você está fazendo aqui no seu dia de folga?
— Vim almoçar na lanchonete e estou dando um tempo até o horário do ensaio da banda.
— Legal, cara, vocês tem algum show marcado já?
— Ainda não, mas estamos correndo atrás disso. Devia contratar a gente pra tocar na sua festa hoje, Harrington.
— Acredito no potencial de vocês, mas infelizmente eu tenho uma mínima reputação a manter naquele colégio, cara. — Os dois deram risada.
— Você é um otário, Harrington. Sorte que ainda é legal e me arrumou esse emprego, então não posso te xingar mais.
— Você me ama Munson, eu sei disso. — Steve ria enquanto limpava o balcão. — Te vejo hoje lá na festa?
— Acho que sim. Até mais, Steve — Eddie disse já saindo pela porta. Acendeu um cigarro e caminhou até seu carro.
**
O céu já estava escurecendo quando Eddie entrou em sua casa. Seu tio estava deitado no sofá assistindo a um jogo de Baseball na TV. Ele o cumprimentou e foi direto para seu quarto. Haviam ensaiado por horas naquele dia, seus dedos estavam todos doloridos por causa das cordas da guitarra, mas valia a pena.
Se jogou em sua cama e ficou um tempo rolando pelas redes sociais. Um post chamou sua atenção, uma garota sorria com os pompons verde e laranja para o alto, era de Chrissy. Eddie se lembrou de ter ouvido algo sobre ser dia de jogo do time de basquete da escola, mas ele não se importava, detestava todos daquele time, e dos outros também.
Após tomar um longo banho, Eddie colocou uma calça rasgada, uma camiseta do Metallica preta cortada pela metade e uma jaqueta de couro por cima. Alguns colares e seu coturno preto deixavam o look mais apropriado para uma festa. Se fosse um dia comum, apenas um all star seria bom. Ele não costumava ir a muitas festas, mas sabia como se misturar às vezes.
Passou na casa de Matt e seguiram os dois para a festa na van de Eddie. Matt estava mais animado do que o comum, falando mil palavras por minuto. Ele havia combinado de encontrar a garota que estava a fim na festa. Apesar de ter apenas um ano a mais que Matt, Eddie era como seu irmão mais velho, estava sempre o aconchegando e conversando sobre a vida.
A casa de Steve tinha gente saindo até pelas janelas a hora que estacionaram, pessoas espalhadas pelo jardim davam a entender que estava completamente lotada por dentro.
Pessoas com uniformes do time de basquete e animadoras de torcida andavam pra lá e pra cá, alguns deles organizavam uma fila para encher os copos ao lado do barril de cerveja.
Assim que conseguiu encher seu copo, Eddie atravessou a casa, tentando desviar do máximo de pessoas possíveis até finalmente conseguir chegar na parte de trás onde havia uma piscina. Por incrível que pareça, ainda estava vazia, o que indicava que a festa não havia começado há tanto tempo assim.
Geralmente, quanto mais as pessoas estavam bêbadas, mais cheia ficava a piscina. Matt já havia sumido de seu campo de visão. Próximo à piscina, Eddie encontrou Robert, seu outro colega de banda, então decidiu ficar por lá conversando com mais umas pessoas.
Depois de um bom tempo conversando e fumando, Eddie finalmente viu Steve caminhando em sua direção para cumprimentá—lo. Apenas um oi e já saiu a andar pela festa, Harrington era um bom anfitrião, nunca conhecia metade das pessoas que apareciam, mas sempre as tratava muito bem.
Robert já tinha ido embora com outros amigos, Eddie estava sentado em uma espreguiçadeira mais distante da piscina observando as pessoas dançando e conversando. Era engraçado ver como as pessoas aproveitavam esses momentos, algumas só queriam se divertir com os amigos e conversar, outras aproveitavam para encher a cara e provavelmente não se lembrariam de nada na manhã seguinte. Um tempo depois, Eddie avistou Matt com uma garota de cabelos curtos e pretos indo para um canto ao lado da casa, Eddie rio sozinho sabendo que provavelmente voltaria sozinho pra casa aquela noite, Matt tinha planos.
Já era madrugada quando Eddie decidiu ir embora, mais uma vez, atravessou o mar de pessoas espalhadas pela casa de Steve até chegar à porta de entrada. O encontrou sentado na escadinha da varanda que ligava o jardim com a entrada da casa, Steve estava sentado ao lado de uma garota de rabo de cavalo e uniforme da torcida. Achou ser alguma das ficantes de Harrington mas ao se aproximar mais viu ser Chrissy, ela parecia triste e limpava o rosto nas mangas da blusa de frio.
— Steve, eu vou indo… — Eddie disse mais para anunciar sua presença. — Está tudo bem? — Seus olhos agora estavam em Chrissy que parecia disfarçar.
— Está sim… ela não está muito legal, estava conversando com ela pra levá—la pra casa, você poderia fazer isso pra mim, Munson? — Steve o olhou quase implorando. Os meses de dividir balcão com Harrington no cinema havia lhes dado a habilidade de se entender apenas por olhares, esse era sim desses momentos em que palavras eram dispensadas.
— Claro, se estiver tudo bem pra você, Chrissy, só me dizer onde mora.
— Tudo bem, eu posso ir sozinha… — ela disse já se levantando.
— De jeito nenhum, Cunningham, já está tarde demais pra te deixar andar sozinha por aí, e o Harrington tem uma casa cheia de gente pra tomar conta, eu te levo, não me custa nada — Eddie disse dando de ombros.
— Tudo bem então, eu estou meio bêbada, não ia conseguir chegar muito longe. — Ela rio baixo e caminhou até Eddie.
— Cuida bem dela, Munson, e sem gracinhas, eu saberei! Me avise quando chegar, Chrissy! — Steve e seu instinto materno. Eddie apenas o respondeu dando o dedo do meio enquanto caminhava até sua van.
Ele abriu a porta da van e a ajudou a entrar, não era bem o tipo de carro que ela estava acostumada a andar, deu a volta e entrou dando a partida logo em seguida. Ligou o rádio para que o silêncio não tomasse conta do veículo e deixou em alguma estação de rádio aleatória em volume baixo.
— Tenta não reparar a bagunça, tá, essa lata velha não costuma receber visitas — Eddie disse a fazendo rir.
— Não fala assim, poxa, é um carro legal! Tem personalidade, igual o dono. — Ela sorriu se encostando no banco, parecia estar um pouco mais à vontade.
— Obrigado, eu acho. — Ele riu. — Você está bem?
— Ah… Estou sim, só estava meio cansada, acho que bebi mais do que eu devia, e brigas não ajudam nisso…
— Com certeza não… — ele a olhou assim que parou em um sinal vermelho, o semblante de Chrissy voltará a ficar triste. — Bom, não vamos falar disso… você está com fome? Quer comer algo? Ajuda um pouco com a ressaca.
— Não seria uma má ideia… mas a essa hora, será que tem alguma coisa aberta?
— Fast Food sempre está aí para nos amparar, minha cara! — Ele riu dando a volta no quarteirão mudando a direção do caminho.
Passaram em um drive thru e Eddie fez questão de pagar, isso não impediu Chrissy de reclamar por um bom tempo. Ela só parou quando ele aceitou que ela pagasse em outro dia.
Ele estacionou a van no estacionamento vazio do restaurante que tinham pegado os lanches, Chrissy já tinha o dela em mãos, Eddie ajeitava as coisas pelo banco e painel para ficar meramente parecido com uma refeição em uma lanchonete. Pelo parabrisa era possível ver as estrelas brilhantes no céu escuro da madrugada.
— Esse lanche está mesmo muito bom ou eu só estava com muita fome? — Ela perguntou com a boca meio cheia ainda.
— Não está ruim, mas acho que sua fome deixou ele melhor. — Ele riu e pegou uma batata frita, levando um tapa na mão de Chrissy.
— Tira as mãos das minhas batatas, Munson!
— Ei, era pra gente dividir!
— Mudei de ideia — Ela deu de ombros segurando o riso.
— Sabia que no fundo você tinha um lado cruel, Cunningham. — Ele olhava pra ela com os olhos cerrados, a fazendo rir.
— Você é dramático demais, e eu não sou cruel! — Ela fez um biquinho o que o fez sorrir. Terminaram de comer em silêncio, sendo acompanhados apenas pelo rádio que tocava músicas aleatórias.
— Por que sua van não têm todos os bancos? — Chrissy perguntou virada para a parte de trás da van onde havia um grande espaço vago.
— É para carregar os instrumentos da banda caso a gente tenha algum show.
— Verdade, a banda! Vocês fazem muitos shows? Acho que nunca vi um.
— Claro que não. — Ele riu meio sem graça. — Não somos muito populares, e os lugares que tocamos estão longe de ser um lugar aceitável pra você frequentar. — Ele riu.
— Assim você me faz pensar que vocês tocam em uns estabelecimentos clandestinos onde pessoas que vendem mercadorias ilegais fazem suas transações.
— Ok, isso seria muito mais legal. — Ele riu e ela o acompanhou. — São apenas bares bem pequenos que uma galera que curte rock frequenta, geralmente motoqueiros são os caras mais perigosos que passam por lá.
— Então não é tão ruim assim! Vocês têm algum show marcado?
— Temos um no próximo final de semana, nada demais. — Eddie deu de ombros.
— Que legal Eddie! E eu poderia ir ver vocês tocar? — Ela perguntou, sentando meio de lado, virada para olhar ele.
— Que? — Ele a olhou meio assustado. — Acho que você está realmente meio bêbada Cunningham. — Ele riu.
— É tão impossível assim você me imaginar num show da sua banda, Munson? Você acha que eu sou uma patricinha mimada, não acha? Eu sei que acha.
— Não insuportável igual aquelas de filmes, mas você nem deve curtir o tipo de música que a gente toca.
— Eu decidirei isso, Munson! Me mande depois por mensagem o lugar, data e horário, eu vou e depois eu decido se gosto da sua banda ou não. E pare de me julgar assim, eu sou mais do que só um rostinho bonito, está bem?
— Sim senhora. — Eddie bateu continência fazendo ela rir. — Vou parar de te julgar, então me impressione, Cunningham. Não na parte de piruetas e acrobacias porque eu já te vi fazendo suas coisas de líder de torcida e devo dizer que me impressionou bastante, você é boa nisso. — Ele disse meio sem graça o que a fez rir.
— Viu só! Sem julgamento, apenas nos conhecendo de verdade e comendo uns sanduíches bons. — Ela sorriu e estendeu a mão para ele, Eddie apertou sua mão selando um acordo não propriamente dito. — Sabe o que seria bom agora? Um milk shake de morango… — Ela o olhou com um sorriso parecendo uma criança pedindo por doce.
— Quem te vê magrinha desse gente não imagina que você gosta tanto de fast food assim. — Ele riu. — Mas como dissemos, sem julgamentos, e vamos lá pegar seu milk shake de morango. — Ele sorriu e deu a volta pelo estacionamento voltando ao drive thru.
Os dois pegaram seus milk shakes e seguiram conversando até a casa de Chrissy.
— Bom, chegamos, senhorita Cunningham, sã e salva. — Eddie sorriu.
— Obrigada pela carona Munson, e pelo banquete luxuoso. — eles riram. — Te vejo pela escola na segunda.
— Nós vemos segunda, e não esquece de tomar uma aspirina, vai me agradecer quando acordar com uma ressaca mais fraca amanhã.
— Obrigada pela dica! — Ela sorriu e desceu da van. — Até mais, Munson.
— Até mais, Cunningham. — Eddie acenou e esperou para que ela entrasse em casa antes dele dar a partida e ir para sua casa.
Eddie foi direto para casa, seu tio havia lhe deixado um bilhete avisando que havia saído e não voltaria naquela noite. Então tomou um banho e se jogou na cama, já era bem tarde, tinha sido um longo dia e ele estava louco para dormir. Foi tirado de seus devaneios com o vibrar do celular anunciando uma nova mensagem. Era uma notificação do Instagram, mensagem da Chrissy. Ele abriu e lá havia um número de telefone seguido da mensagem: "aguardo as informações para o fim de semana!"
Ele riu sozinho lembrando da conversa que tiveram mais cedo, salvou o número em sua agenda e enviou uma mensagem.
" Mandarei informações em breve, pronta para virar nossa primeira fã? — Eddie Munson."
Não esperou por uma resposta, afinal, ela provavelmente já estava dormindo, e ele deveria fazer o mesmo. Deixou seu celular próximo ao travesseiro e deixou que o sono tomasse conta de sua mente.
Chrissy e Jason haviam chegado na festa há uma hora e já estavam brigando, ela estava cansada disso, qualquer coisa virava uma discussão.
Ele queria que ela ficasse com ele, que só queria ficar sentado com os amigos bebendo cerveja e falando sobre esportes e mulheres. Ela queria ficar com as amigas cheerleaders, conversando sobre a vida ou apenas dançando, um comportamento comum para festas.
— Eu não vou te obrigar a ficar aqui, Chrissy. Se quiser, bem, se não quiser, some daqui, vai lá ficar com suas amigas — Jason disse já sem paciência.
— Você é um babaca! — Ela saiu sem pensar duas vezes indo pra junto das amigas, virou o resto do conteúdo que se encontrava em seu copo e o encheu novamente.
Estava cansada de sofrer por Jason sendo um babaca com ela, cansada de ser tratada como lixo. Ela só queria estar com alguém que a respeitasse e não impusesse suas vontades sobre ela, e nesse momento, as únicas pessoas possíveis de fazer isso, eram suas amigas.
A música soava alta e o álcool começava a fazer efeito em seu organismo, enquanto dançava com as amigas Jason era uma sombra distante em sua mente. Era bom se sentir livre e leve.
Muitos copos de bebida depois e muitas músicas dançadas, Chrissy finalmente se sentou um pouco para descansar. Gostava de estar com as amigas, principalmente quando estavam longe da escola e todo aquele drama colegial.
Mas uma coisa não estava muito bem, era sua cabeça. Tudo parecia rodar, levantar dali e andar parecia uma tarefa muito difícil. Talvez o álcool tivesse feito efeito demais.
Sentiu uma mão em seu ombro e virou rápido para ver quem era, o que não foi a melhor das ideias. Era Steve Harrington, tinham aula de sociologia juntos, não eram muito próximos, mas o bastante para se comprimentarem pelos corredores.
— Você está bem, Chrissy? Está mais pálida que o normal. — Ele a olhava com um ar de preocupação.
— Oi, Harrington. Vou ficar, só bebi um pouco demais. — Ela riu.
— Tem certeza? Posso chamar o Jason pra te levar pra cas…
— Não, por favor, não chame ele — ela o interrompeu. — A gente meio que brigou, não quero falar com ele agora, não assim.
— Tudo bem então, eu vejo se consigo te levar para casa, vai ser meio difícil tirar meu carro da garagem, mas eu tento.
— Relaxa, Steve, não quero te dar trabalho, eu vejo se alguém pode me levar depois.
Um pouco depois ouviu alguns passos se aproximando, temia que fosse Jason, se ele a visse naquele estado tudo poderia ser pior.
— Steve, eu vou indo… — Para sua felicidade, era apenas Eddie Munson. — Está tudo bem? — Seus olhos agora estavam nela que tentava disfarçar.
— Está sim… ela não está muito legal, estava conversando com ela pra levá—la pra casa, você poderia fazer isso pra mim, Munson? — Steve disse antes que ela pudesse dizer algo. Olhou dele para Eddie, confusa, eles pareciam ignorar sua presença.
— Claro, se estiver tudo bem pra você, Chrissy, só me dizer onde mora.
— Tudo bem, eu posso ir sozinha… — ela disse já se levantando.
— De jeito nenhum, Cunningham, já está tarde demais pra te deixar andar sozinha por aí, e o Harrington tem uma casa cheia de gente pra tomar conta, eu te levo, não me custa nada — Eddie disse dando de ombros.
— Tudo bem então, eu estou meio bêbada, não ia conseguir chegar muito longe. — Ela riu baixo e caminhou até Eddie.
— Cuida bem dela, Munson, e sem gracinhas, eu saberei! Me avise quando chegar Chrissy! — ela apenas acenou e agradeceu por estar indo embora daquele lugar antes que visse a cara de Jason novamente.
A van de Eddie estava um pouco bagunçada, mas de fato era um carro cheio de personalidade. Baquetas espalhadas no painel, HQs no porta luvas que já não tinha mais uma porta para fechá—lo, muitos adesivos de bandas das quais muitas ela nunca havia ouvido falar.
— Você está bem?
— Ah… Estou sim, só estava meio cansada, acho que bebi mais do que eu devia, e brigas não ajudam nisso…
— Com certeza não… — Ele a olhou mas não disse nada. Era bom ter alguém por perto que não insistia em falar sobre as coisas ou a julgasse por tudo. Os flashes da noite passaram em sua cabeça, as palavras rudes de Jason mais uma vez a machucando. — Bom, não vamos falar disso… você está com fome? Quer comer algo? Ajuda um pouco com a ressaca. — Eddie a tirou de seus pensamentos, o que ela agradeceu mentalmente.
— Não seria uma má ideia… mas a essa hora, será que tem alguma coisa aberta?
— Fast Food sempre está aí para nos amparar, minha cara! — Ele riu dando a volta no quarteirão mudando a direção do caminho.
Após fazerem os pedidos, pararam no estacionamento para comer os lanches. Era tão bom estar com alguém de "fora da sua realidade" diária.
— Esse lanche está mesmo muito bom ou eu só estava com muita fome? — ela perguntou com a boca meio cheia ainda. Se sentia confortável o bastante para poder agir assim.
— Não está ruim, mas acho que sua fome deixou ele melhor. — Ele riu e pegou uma batata frita levando um tapa na mão de Chrissy. Erro de principiante, ela não gostava de dividir sua comida.
— Tira as mãos das minhas batatas, Munson!
— Ei, era pra gente dividir!
— Mudei de ideia — Ela deu de ombros segurando o riso.
— Sabia que no fundo você tinha um lado cruel, Cunningham. — Ele a olhava com os olhos cerrados a fazendo rir.
— Você é dramático demais, e eu não sou cruel! — Ela fez um biquinho o que o fez sorrir. Terminaram de comer em silêncio, sendo acompanhados apenas pelo rádio que tocava músicas aleatórias.
— Por que sua van não têm todos os bancos? — Chrissy perguntou virada para a parte de trás da van onde havia um grande espaço vago.
— É para carregar os instrumentos da banda caso a gente tenha algum show.
— Verdade, a banda! Vocês fazem muitos shows? Acho que nunca vi um.
— Claro que não. — Ele riu meio sem graça. — Não somos muito populares, e os lugares que tocamos está longe de ser um lugar aceitável para você frequentar. — Ele riu, iam começar os pré julgamentos.
— Assim você me faz pensar que vocês tocam em uns estabelecimentos clandestinos onde pessoas que vendem mercadorias ilegais fazem suas transações. — Ela apenas ignorou os pensamentos ruins e seguiu a conversa com um tom mais leve.
— Ok, isso seria muito mais legal. — Ele riu e ela o acompanhou. — São apenas bares bem pequenos que uma galera que curte rock frequenta, geralmente motoqueiros são os caras mais perigosos que passam por lá. — Era incrível como Eddie parecia ser de um mundo completamente diferente do dela, o que não era completamente mentira.
— Então não é tão ruim assim! Vocês têm algum show marcado?
— Temos um no próximo final de semana, nada demais. — Eddie deu de ombros.
— Que legal, Eddie! E eu poderia ir ver vocês tocar? — Ela perguntou, sentando meio de lado virada para olhar ele. Estava realmente interessada naquilo, gostava de Eddie, ele parecia um cara legal.
— Que? — Ele a olhou meio assustado. — Acho que você está realmente meio bêbada, Cunningham. — Ele riu, Chrissy revirou os olhos e apenas o ignorou.
— É tão impossível assim você me imaginar num show da sua banda, Munson? Você acha que eu sou uma patricinha mimada, não acha? Eu sei que acha.
— Não insuportável igual aquelas de filmes, mas você nem deve curtir o tipo de música que a gente toca. — Ele não estava completamente errado, mas todos podíamos mudar, e apoiar um amigo no que ele fazia nunca era demais.
— Eu decidirei isso, Munson! Me mande depois por mensagem o lugar, data e horário, eu vou e depois eu decido se gosto da sua banda ou não, e pare de me julgar assim, eu sou mais do que só um rostinho bonito, está bem?
— Sim senhora. — Eddie bateu continência fazendo ela rir. — Vou parar de te julgar, então me impressione, Cunningham. Não na parte de piruetas e acrobacias porque eu já te vi fazendo suas coisas de líder de torcida e devo dizer que me impressionou bastante, você é boa nisso. — Ele disse meio sem graça o que a fez rir. Não achava que alguém fora do time de basquete pudesse notar esse tipo de coisa fútil.
— Viu só! Sem julgamento, apenas nos conhecendo de verdade e comendo uns sanduíches bons. — Ela sorriu e estendeu a mão para ele, Eddie apertou sua mão selando um acordo não propriamente dito. — Sabe o que seria bom agora? Um milk shake de morango… — Ela o olhou com um sorriso parecendo uma criança pedindo por doce.
— Quem te vê magrinha desse gente não imagina que você gosta tanto de fast food assim. — ele riu. — Mas como dissemos, sem julgamentos, e vamos lá pegar seu milk shake de morango. — Ele sorriu e deu a volta pelo estacionamento voltando ao drive thru.
Chrissy não conhecia Eddie tão bem assim, mas o pouco tempo que passou com ele, pode perceber que ele era uma pessoa muito legal. Era fácil conversar com ele, era fácil estar ao lado dele. Era diferente de como era com Jason e seus amigos, que ela sempre precisava se preocupar com o que dizia ou fazia porque sabia que seria julgada de alguma forma, ou até mesmo repreendida por não ser algo totalmente aceitável para os populares do colégio.
Depois de tomarem os milk shakes, Eddie a levou direto para a casa. Ela pode perceber a van indo embora apenas depois que ela trancou a porta, Eddie era atencioso e legal, estava feliz por ter podido passar mais tempo com ele. E ele estava certo, o lanche e o açúcar do milk shake haviam ajudado com a confusão que o álcool havia causado.
Se jogou na cama após tomar um longo banho e viu uma ligação perdida de Jason. Revirou os olhos, não estava afim de retornar naquele momento, falaria com ele amanhã. Mas antes que pudesse respirar aliviada, o celular voltou a tocar, era ele novamente.
— Oi Jason. — Ela atendeu já se sentindo mal novamente.
— Onde você está? Te procurei pela festa toda e não estou te encontrando.
— Eu já estou em casa, amanhã a gente se fala.
— Ei… desculpa por hoje mais cedo, eu fui um babaca, eu sei.
— Que bom que você sabe disso Jason, agora precisa parar de agir dessa forma. — Eram sempre as mesmas desculpas, as mesmas conversinhas.
— Eu vou melhorar, eu prometo! — ela suspirou querendo que ele desligasse logo. — Estamos bem?
— Sim Jason, nos falamos amanhã. Boa noite.
— Boa noite amor, eu te amo. — Ela desligou antes que ele pudesse terminar a frase.
Demorou um pouco para pegar no sono, ficou pensando e repensando sobre os acontecimentos da noite e como seu relacionamento com Jason estava complicado.
Lembro que precisava mandar uma mensagem para Munson. Assim que recebeu uma resposta sorriu e salvou seu número. Era bom ter um "mundo alternativo" para o qual fugir às vezes, talvez essa amizade desse certo.
Seguiu até as arquibancadas do campo de futebol, gostava de se esconder debaixo delas às vezes. Porém o que não contava era que estava tendo aula no campo naquele período. Por sorte não havia nenhum professor lá monitorando no momento. Estava seguindo pra trás da arquibancada enquanto acendia seu cigarro quando ouviu alguém lhe chamando.
— Hey, Munson! — Uma voz feminina chamou novamente. Eddie virou rápido para ver quem era, assustado por não reconhecer a voz. Era Chrissy, com seu short bem curto e uma blusa justa, o cabelo no seu característico rabo de cavalo alto, ela conseguia ficar linda até mesmo durante a educação física.
— Hey, Cunningham! — Ele sorriu e seguiu em direção a cerca, ela fez o mesmo. — Tudo bem?
— Tudo sim, você é dessa turma de educação física? Nunca te vi por aqui.
— Na verdade estou matando aula. — Ele deu de ombros e deu uma longa tragada em seu cigarro.
— Você é mesmo um péssimo exemplo, Munson. — Ela fingiu uma cara de decepção, o que o fez rir.
— Sabe como é, eu preciso manter minha reputação. — Ele riu e ela o acompanhou.
— Enfim, senhor badboy, só queria lhe agradecer por aquele dia… na festa. — Ela parecia meio envergonhada, olhava para as mãos enquanto falava. — Foi realmente muito legal ter tomado conta de mim e me levado pra casa.
— Imagina, Chrissy, não foi nada, já disse. Já cuidei de amigos em situações muito piores. — Ele riu, terminando o cigarro. Chrissy jamais admitiria em voz alta, mas achava que esse ato, que um dia achou tão detestável, ficava bem quando era em Eddie.
— De qualquer forma, eu agradeço. — Ela sorriu. — E não pense que esqueci sobre o show, eu estou sóbria agora e ainda quero receber aquele convite. — Ele deu uma gargalhada e se debruçou na cerca baixa ficando mais próximo dela.
— Ah é? Então parece que você está mesmo meio doidinha, não era apenas efeito do álcool. — Ela fez uma cara de alguém que estava ofendida com o que ouviu e lhe deu um tapa no ombro, o que o fez rir mais ainda.
— Você está começando a me fazer querer desistir dessa ideia, do jeito que fala, vocês parecem ser horríveis.
— Olha… não somos horríveis, mas também não posso garantir que somos bons. — Ele fez uma careta e ela riu.
— Você devia acreditar mais em você e na sua banda, Munson. Se não fizer, ninguém vai. — ela piscou pra ele que sorriu sem jeito.
— Tudo bem, tudo bem, prometo que vou tentar. — Ele sorriu
— Muito bem, então. — Ela sorriu e os dois ficaram se encarando por um tempo, não sabiam o que falar um para o outro, mas não queria deixar a conversa acabar.
— Ei Chrissy, amor! — Uma voz chamou a atenção dos dois, quando olharam, era Jason vindo até eles.
— O que foi Jason?
— Eu acho que já vou ind…
— O que está fazendo aqui falando com esse esquisito? — Jason disse antes mesmo que Eddie pudesse terminar sua frase.
— Não te interessa, e ele não é esquisito, ele tem nome — ela disse cruzando os braços.
— De qualquer forma, eu já estava de saída. Tchau pra vocês, casal.
— Está fugindo por quê, Munson? Está com medinho?
— De um babaca como você? Não mesmo. — Eddie riu debochado.
— Do que você me chamou? — Jason avançou em direção de Eddie e Chrissy se colocou em sua frente.
— Para com isso, Jason, volta lá para os seus amigos chatos, deixa o Eddie em paz!
— Não, Christine, ele precisa saber quem manda aqui e onde ele não deve se meter.
— Ah, qual é, cara! Você não manda em nada a não ser no seu timinho de basquete idiota, ela faz o que quiser, você não é dono dela. — Eddie estava mais próximo da grade agora.
— Chega, vocês dois. Eu só estava conversando com ele, não era nada demais. Volta pra lá, Jason, e você Munson, vai pra sei lá onde você estava indo — Chrissy disse já perdendo a paciência.
— Te vejo depois, Cunningham.
— Eu acho bom você ficar longe da minha garota, Munson, ou eu vou te encher de porrada.
— Cala essa boca, Jason! — Eddie ouviu Chrissy dizer enquanto saia dando o dedo meio para Jason.
Eddie seguiu pra mesa isolada no início da mata próxima ao campo, onde encontrou Chrissy há um tempo atrás. Ele não conseguia entender porque ela ainda perdia tempo com aquele babaca do Jason, ela definitivamente era legal demais pra ficar com alguém tão mesquinho.
Eddie decidiu ir embora para sua casa, sabia que aquele dia não seria produtivo, não conseguiria manter seu foco nas aulas. Ficou deitado em sua cama dedilhando melodias aleatórias em sua guitarra. Depois de um tempo ele ouviu seu celular apitar anunciando uma nova mensagem, o nome de Chrissy apareceu na tela. Ao abrir, ele pode ler "Me desculpe pelo Jason, ele é um babaca 🙄".
Ele riu ao ler aquilo e respondeu imediatamente "Disso eu sempre soube, mas você merece coisa melhor que ele, embora isso não seja da minha conta." A resposta não veio, ele tentou deixar tudo aquilo de lado e voltou para sua guitarra.
CHRISSY'S POV
Jason já estava passando dos limites, estava cada vez mais possessivo e ela, cada vez mais cansada dele. Após a discussão com Eddie, Jason voltou para perto de seus amigos e Chrissy tentou esquecer, mas tudo aquilo ficava se repetindo em sua mente. Logo após a aula de Educação Física, voltou para a aula seguinte. Não viu mais Eddie pelos corredores, foi então que decidiu mandar uma mensagem, estava se sentindo mal por ter feito ele passar por aquilo.
"Me desculpe pelo Jason, ele é um babaca 🙄". Ela escreveu e enviou para Eddie.
Não demorou muito e uma resposta já estava aparecendo em sua tela, "Disso eu sempre soube, mas você merece coisa melhor que ele, embora isso não seja da minha conta." Chrissy sorriu, Eddie não era o primeiro a lhe dizer isso, mas por que parecia que dessa vez tinha um peso diferente pra ela?
Tentou seguir seu dia sem pensar em todo o caos que ocorreu naquele período, mas era impossível com as palavras de Eddie ecoando em sua mente. Talvez ela realmente ficaria melhor sem Jason por perto.
EDDIE'S POV
Eddie estava apoiado no balcão com um livro em sua frente enquanto Steve limpava a bagunça que o início de uma nova sessão deixara pelo salão. Por menos público que passasse por lá, a bagunça era sempre a mesma.
Um tempo depois Matt entrou pela porta meio apressado.
— O que é isso, Matthew, viu um fantasma? — Steve disse assim que o garoto chegou ao balcão.
— Conseguimos, temos um show para o próximo fim de semana! — o garoto disse sorridente olhando para Eddie que comemorou.
— Finalmente, cara! Como aconteceu isso? Foi naquele lugar que a gente estava de olho?
— Sim, cara! Naquele barzinho do lado rico da cidade. Sei que não é o lugar mais metal que a gente poderia tocar, mas já é alguma coisa, não vão pagar muito, mas vão pagar! — o garoto dizia mais rápido do que o normal tamanha euforia.
— Vão nos pagar? Caralho, isso é demais! — Eddie e Matt pulavam e comemoravam, Steve apenas ria dos dois parecendo crianças.
— Amigos ganham entrada vip? Afinal, já faz tempo que eu acompanho a barulheira de vocês! — Steve disse encostando no balcão.
— Você é mesmo insuportável Harrington. — Eddie revirou os olhos. — Mas podemos dar uma entrada pra você já que está sempre dando uma força pra gente.
— Precisamos ensaiar mais essa semana, cara. Todos os dias depois que sair daqui, lá na casa do Robert, não esquece! E o show está marcado para às dez horas de sábado! Agora preciso voltar pro serviço ou meu chefe me mata. — Matt acenou e saiu correndo sumindo tão rápido quanto apareceu.
— Cara, isso é muito legal, vocês merecem! — Steve deu um tapinha no ombro de Eddie, ele estava sempre encorajando eles, mesmo que não fosse seu tipo de música favorito.
— Valeu, Harrington, você vai levar alguma das suas amiguinhas?
— Talvez, por que a pergunta? — Steve cruzou os braços olhando para Eddie.
— Nada, só curiosidade… — Ele tentou desconversar mas Steve continuou o encarando. — Tá bom, tá bom… Eu tava pensando em chamar uma pessoa, ela disse que queria ir a um show qualquer dia. — Ele deu de ombros tentando disfarçar.
— Hmmm, estaria Munson romanticamente interessado em alguém?
— Você é mesmo um babaca. — Eddie rolou os olhos e abriu o livro que estava lendo antes.
— Tudo bem, não precisa me dizer, mas sim, vou levar alguém só pra você poder se convencer a chamar essa pessoa, agora eu quero saber quem é!
— Caso ela apareça, você saberá.
O restante do dia seguiu com Steve perturbando Eddie para saber quem era a pessoa, mas ele não disse, apenas enviou uma mensagem para Chrissy.
"Chegou sua grande chance de ir a um show da Corroded Coffin! Nesse sábado, às 22, no Julian 's, te vejo lá!"
Assim que saiu do serviço, foi direto para a casa de Robert, onde todos já o estavam esperando. O ensaio saiu melhor do que o normal, ter um show marcado dava um gás a mais para a banda, sem dúvidas.
CHRISSY'S POV
O treino das animadoras havia acabado de terminar. Chrissy estava no estacionamento esperando Jason sair do vestiário, estava saindo de seu treino também. Ela enrolava a barra da saia em seu dedo, estava nervosa por não saber o que falar a Jason, mas sentia que era necessário. Levou um leve susto com o som de uma mensagem sendo recebida em seu celular, era de Eddie. "Chegou sua grande chance de ir a um show da Corroded Coffin! Nesse sábado, às 22, no Julian 's, te vejo lá!"
Ela sorriu, antes que pudesse pensar numa resposta ouviu os caras saindo do vestiário e viu Jason vindo em sua direção, o sorriso aberto como sempre quando a via. O que um dia já a fez se derreter por ele, hoje já não lhe afetava mais.
— Oi, gata, não sabia que estaria me esperando. — Ele sorriu e foi em direção a Chrissy para lhe dar um selinho, mas ela virou o rosto fazendo o beijo pegar em sua bochecha. — O que foi?
— Precisamos conversar, Jason — ela disse séria e respirando fundo.
— Se for sobre hoje mais cedo eu peço desculpas, mas é que aquele idiota do Munson me tira do sério!
— É sempre assim com você, né Jason? Nunca é culpa sua, pode fazer o que bem entender e depois vem pedindo desculpas e acha que tá tudo certo, eu tô cansada disso! — Ela colocou pra fora tudo aquilo que estava entalado em sua garganta por meses.
— O que… O que você está querendo dizer? — Ele agora estava sério, com as mãos fechadas em punhos.
— Eu cansei, Jason. Não dá mais pra mim, eu não quero mais ser tratada como seu brinquedinho que você se desfaz quando quer e corre atrás quando dá vontade, eu cansei!
— É por causa dele, não é? Você está saindo com aquela aberração, Chrissy? Me traiu com aquele idiota? — Jason estava gritando, Chrissy estava começando a ficar preocupada.
— Não, Jason! Não é por causa dele! É por sua causa! Você virou um completo babaca nesse último ano, eu já não te reconheço mais! Não é mais o cara por quem eu me apaixonei! — ela falava alto também, talvez se mantendo no mesmo tom, ele entendesse.
— Você está terminando comigo? É isso?
— Está tão difícil de entender assim? Sim, Jason, eu estou terminando com você! — Ela tirou a aliança de namoro e entregou a ele. — E eu espero que você não me atormente mais, você não tem mais nada a ver comigo a partir de hoje, e eu posso fazer o que eu bem entender, estamos entendidos? — Ela o encarava, ele nunca a havia visto tão irritada assim, já ele parecia apavorado, parecia ter finalmente entendido o que aquilo significava.
— Chrissy, espera, a gente pode superar isso, você não pode me deixar assim! — O tom dele era de súplica, parecia estar querendo forçar um choro, mas ele não era um bom ator.
— Não só posso como estou. Adeus, Jason.
Chrissy segurou sua bolsa e caminhou rápido até o carro, sem olhar para trás. Assim que entrou e fechou a porta, pode sentir seu corpo relaxando no banco e um sorriso tomando seu rosto, um sentimento de alívio e liberdade tomava conta de seu corpo.
Dirigiu rápido para sua casa, ligou o rádio deixando tocar qualquer música e ignorava as ligações que Jason tentava fazer a cada minuto. Então se lembrou da mensagem que havia recebido um pouco antes de toda a discussão.
"Perfeito! Estarei lá, Munson!"
Ela respondeu e sorriu, mudou de caminho e resolveu ir até a casa de sua amiga, queria contar tudo que havia acontecido a alguém.
Chrissy estacionou em frente a casa de sua amiga Sandy e tocou a campainha, não demorou muito para que ela abrisse a porta.
— Chrissy? Achei que fosse sair com o Jason depois do treino. — Sandy a olhava com a sobrancelha arqueada.
— Nós terminamos… — Chrissy mordia o lábio esperando a reação da amiga que a encarava de olhos arregalados e boca aberta.
— Vocês o quê? Vem, entra e me conta isso direito. — A garota a puxava pelo braço. — Ele terminou com você? Você tá bem? — Ela perguntava enquanto as duas se sentavam no sofá.
— Não amiga, EU terminei com ele! E sim, eu estou um pouco perdida ainda mas estou muito bem. — Ela sorria.
— EU NÃO ACREDITO! FINALMENTE! — A amiga pulava e gritava, Chrissy apenas dava risada. — O que aconteceu para você finalmente chutar a bunda daquele babaca?
— Sei lá, eu andei refletindo sobre as coisas que andavam acontecendo. A gente só tem brigado ultimamente, e desde aquele dia que saí da aula depois da gente brigar, eu andei muito chateada com ele. O Jason mudou muito, ele não é mais o cara pelo qual eu me apaixonei.
— Que bom que finalmente teve forças pra largar dele amiga, não faz nem uma hora e você já parece mais leve! — Ela sorria e segurava a mão da amiga. — Você está bem? Ele não te machucou não, né?
— Não, eu nem deixei que ele tivesse tempo para isso. Só despejei tudo que eu tinha guardado no meu peito e saí andando. Ele me tratou como se fosse um brinquedinho dele hoje mais cedo, aquilo foi a gota d'água pra mim.
— Hoje? Que hora? O que ele fez? — As duas agora estavam sentadas uma de frente para a outra.
— Hoje na hora da nossa aula de educação física, eu tinha ido conversar com o Eddie Munson, agradecer ele por ter me deixado em casa no dia da festa. A gente tava conversando de boa até que o Jason chegou e começou a ser um babaca, a agir como se eu fosse propriedade dele e não pudesse conversar com ninguém além dele e aqueles amigos idiotas.
As cenas ainda ecoavam na cabeça de Chrissy e podia sentir toda a raiva voltando.
— Espera aí… Munson? De onde ele saiu nessa história toda? Nem sabia que vocês se conheciam.
— Ah, a gente acabou se encontrando naquela mesinha que eu costumo fugir quando não quero ninguém me enchendo, sabe? No dia que eu e o Jason brigamos. Depois disso nós nos encontramos na festa, o Harrington pediu para ele me levar embora naquele dia, já que eu estava podre de bêbada, brigada com meu namorado e você estava sabe lá Deus onde. — Elas riram.
— Por essa não esperava! Mas o Munson é legal? Ele parece um cara bem esquisito. — Sandy fez uma careta e Chrissy riu.
— É tudo fachada, ele é um cara muito legal, bem diferente do que estamos acostumadas, mas bem legal. — Ela deu um sorriso largo e a amiga ficou a olhando desconfiada. — O que foi? Por que está me olhando assim?
— Esse sorriso aí… você está gostando do Munson?
— Eu? Não! Claro que não! Só acho ele legal, e é bom conversar com alguém que não faz parte desse pessoal do time e que nem faria qualquer coisa para ser amigo do Jason, muito pelo contrário.
— Ele tem alguma coisa a ver com essa sua decisão? De largar o Jason? — Chrissy pareceu pensar um pouco.
— Não diretamente. Eu já estava pensando nisso, mas hoje ele falou algumas coisas que me fizeram acordar, sabe? Acho que ouvir de alguém que está de fora e mal conhece eu e o Jason como um casal, que até ele sabe que aquilo não era saudável, talvez tenha me dado forças pra finalmente encarar isso de frente.
— Uau! Me lembre de agradecer o Munson por finalmente libertar minha amiga depois. — As duas riram.
— Falando nisso… você poderá agradecer ele pessoalmente, no sábado! — Chrissy sorriu.
— O que? Como assim? O que tem sábado? — Sandy parecia completamente confusa com todas as novas informações.
— Eu meio que me convidei, ou ele me convidou, sei lá. — Ela riu ficando um pouco corada. — Eu disse que queria ver um show da banda dele, e então hoje ele me convidou pro show que eles vão fazer sábado. Seria ótimo se você fosse comigo, assim eu não me sentiria tão deslocada sem conhecer ninguém.
— O Munson tem uma banda? Meu Deus, é muita informação pra apenas alguns minutos. — Sandy massageava as têmporas, exagerando como sempre, o que fez Chrissy dar uma gargalhada. — O que ele toca?
— Parece que é algum tipo de rock pesado, não faço ideia, mas deve ser legal. A gente nunca fez nada do tipo amiga!
— Aí meu Deus… eu provavelmente vou me arrepender disso, mas tudo bem, nós vamos! — Ela disse rolando os olhos e Chrissy a abraçou animada. — Mas só porque você finalmente largou o babaca do Jason e eu quero ver qual é a desse Munson aí.
— Sim, senhora. — As duas riram e continuaram conversando por um longo tempo.
O relógio já marcava sete da noite quando Chrissy chegou em casa e foi recepcionada pelo seu irmão Connor que veio correndo até ela e a abraçando.
— E aí, baixinho? Como foi hoje na escola? — Ela sorriu e deixou sua mochila ao pé da escada, subiria com ela depois.
— Foi super legal! A professora de Educação Física ensinou a gente a jogar basquete e disse que eu fui bem! Acho que um dia eu até posso ser um jogador igual aqueles na TV! — ele dizia tudo muito rápido, claramente eufórico, Chrissy não conseguia parar de sorrir.
— É claro que vai! Um dia você vai ser bem alto e vai conseguir fazer mais cesta que todos os meninos da sua idade, e depois vai jogar na faculdade e tudo mais, até chegar na TV!
— Você acha mesmo? — Ele perguntou a ela com os olhinhos brilhando, ela apenas assentiu com a cabeça. — E você ainda vai me chamar de baixinho?
— Claro que vou! Você vai ser sempre meu baixinho. — Ela deu um tapinha em sua cabeça deixando claro seu tamanho, o que o fez bufar e ela riu.
— Não fique enchendo a cabeça do seu irmão com essas bobeiras, Chrissy, sabe que isso é quase impossível de acontecer para alguém de Hawkins — seu pai disse sentado à ponta da mesa de jantar, sem levantar os olhos do jornal que estava lendo.
— Não é impossível, pai, não se ele realmente quiser isso e treinar muito para chegar lá!
— Chega dessa besteira, a comida já está pronta, querida? — ele perguntou se virando para sua mãe.
— Está sim querido, guarde este jornal — ela disse já colocando algumas panelas na mesa.
A família Cunningham era uma família bem tradicional, formada por uma mãe amorosa, um pai rabugento, um irmão mais novo de 6 anos e ela, a mais velha que tentava ser a filha perfeita, mas nem sempre conseguia.
No geral, eles se davam bem, embora Chrissy odiasse quando o pai insistia em lhes dar choques de realidade como havia feito mais cedo. Ele não fora sempre assim, tinha piorado conforme a idade passava, mas ela fazia o máximo que podia para deixar seu irmão sonhar e pensar que tudo era possível. Pelo menos até ele ficar mais velho e descobrir por si mesmo que a vida pode ser mais amarga do que parece.
Ajudou a mãe com a louça após o jantar e em seguida subiu para seu quarto. Colocou uma playlist aleatória para tocar não muito alto na caixinha de som e foi tomar seu banho.
Não percebeu o quanto precisava daquilo até sentir a água morna cair pela sua pele. A tensão de todo o dia indo embora pelo ralo a permitindo finalmente relaxar de verdade.
Quase todo mundo pensava que era fácil ser ela, a garota perfeita com a vida perfeita, líder de torcida, namorada do capitão do time, agora ex—namorada, várias amigas e uma família bem estruturada com pais que ainda se amavam. Ela não negava que de fato era muito privilegiada, mas manter essa aparência de menina estável que estava ao controle de tudo era mais difícil do que parecia.
Após um longo banho, colocou seu pijama e se jogou na cama. Deu play em qualquer que fosse o episódio de Gilmore Girls no qual havia parado e ficou um tempo rolando pelas redes.
Nos stories de Jason, uma foto sem camisa no espelho com a legenda "free now" já podia ser vista, ela revirou os olhos com o quão patético ele podia ser. Era incrível como agora as coisas boas de Jason já pareciam tão distantes que nem pertenciam à mesma pessoa.
Alguns stories depois, um cara de cabelos longos aparecia tocando guitarra e acabava com ele dando o dedo do meio para a câmera rindo. Era Eddie, um vídeo repostado de outra conta, provavelmente um de seus amigos. Em seguida uma foto da guitarra e da bateria com a legenda "ensaiando para sábado" e no story seguinte um folheto sobre o show com uns desenhos meio assustadores, o que fez Chrissy rir.
"Ok, estou começando a acreditar em você, isso parece assustador", ela respondeu ao story com o folheto e seguiu para as outras publicações de pessoas aleatórias.
Não demorou muito para a resposta chegar. "Eu te avisei Cunningham, não sabe onde está se metendo haha tá mais assustador do que o normal também porque foi eu que desenhei, e não sou bom nisso."
Eddie Munson era mesmo cheio de surpresas. "Músico e agora desenhista? Você é realmente cheio de talentos Munson. Aliás, ficou incrível mesmo sendo caveiras macabras haha" ela enviou e quando se deu conta, um sorriso bobo estava em seu rosto.
A conversa com Eddie sempre fluía de forma leve, ela não se sentia pressionada a ser agradável ou se ele a julgaria por ter um fio de cabelo fora do lugar, ou não mandar um emoji correto. Ela só precisava ser ela mesma e dizer o que pensava ou sentia, já era o bastante pra ele, e isso era bom. Os dois ficaram conversando por um tempo até que Chrissy pegou no sono.
— Desculpa, cara, não estava achando a chave de casa — ele disse com a respiração ainda ofegante e tirando os cabelos longos do rosto.
— Eu estava quase te deixando para trás, achei que já tivesse ido. — Eddie saiu com a van e aumentou um pouco o volume do rádio.
— Sabe se o resto do pessoal já está lá?
— Robert mandou mensagem dizendo que sim, só faltava a gente.
Havia finalmente chegado o dia do show da Corroded Coffin, isso explicava toda a inquietação de Eddie. Não era o primeiro show da vida deles, mas definitivamente seria o primeiro em que ele veria Chrissy Cunningham na plateia, isso se ele não tivesse desistido da ideia.
Assim que chegaram, o restante dos meninos da banda foram até a van ajudar a descarregar os instrumentos, o bar ainda estava completamente vazio, era cedo ainda, mas eles precisavam fazer a passagem de som e deixar tudo arrumado para a hora do show.
A banda parecia mais quieta que o normal, o que confirmava que todos estavam igualmente nervosos. Após todos os instrumentos montados e devidamente afinados, começaram a passar o som. A setlist era composta pelas músicas que eles mais gostavam de tocar e com que se divertiam nos ensaios. Assim que foram passando o som, começaram a ganhar mais confiança. Afinal, eles eram bons no que faziam, mesmo que ninguém reconhecesse isso, eles sabiam que eram.
Estavam na última música quando a porta do bar se abriu e todos voltaram a atenção pra ela, era Steve com um largo sorriso no rosto, sua jaqueta jeans e o topete mais alto que o normal.
— Cara, vocês estão cada vez melhores! Dava pra ouvir lá do estacionamento, a galera vai enlouquecer com o show de hoje! — ele dizia enquanto cumprimentava todos com um soquinho.
— Valeu, cara, achei que não viria mais, não mandou mais mensagem — Eddie disse tirando a franja dos olhos.
— Fiquei enrolado com umas coisas em casa, mas cheguei. Precisam de alguma coisa?
— Não, já terminamos, os caras vão buscar as namoradas agora, quer tomar uma cerveja? — Eddie disse tirando a guitarra dos ombros e colocando no suporte.
— Claro, vamos lá. — Steve e Eddie caminharam até o bar, pediram cervejas e saíram do lugar ficando de frente para o estacionamento. Eddie pediu para que Steve segurasse sua cerveja enquanto ele acendia um cigarro. — E você, Munson, não convidou ninguém para o show hoje?
— Na verdade… eu convidei a Chrissy — Eddie disse tão rápido que Steve pensou ter ouvido errado.
— O que? A Cunningham? Por quê? — Steve parecia confuso e com perguntas demais na cabeça.
— É, ela me disse naquele dia que eu levei ela pra casa da sua festa que queria ver um show um dia, então eu a convidei hoje, mas é bem provável que ela nem venha. — Ele deu de ombros soltando a fumaça.
— Então a minha preguiça naquele dia serviu pra alguma coisa. — Steve riu e deu um gole em sua cerveja. — Vocês andam amiguinhos então?
— Ah, cara, não é bem amiguinhos, sei lá. — As bochechas de Eddie estavam mais vermelhas do que nunca, Steve estava se divertindo com aquilo. — A gente conversou algumas vezes. Ela é bem legal, o que eu não esperava já que ela anda com um pessoal chato pra cacete.
— Ela é diferente daquele pessoal, a Chrissy é gente boa, já fiz algumas aulas com ela.
— Acha que tem chances dela vir hoje? — Eddie encarou Steve que deu um sorriso largo.
— Você está gostando dela, Eddie? — O sorriso de Steve aumentava cada vez mais conforme Eddie ficava mais vermelho e encolhido.
— Ah, ela é legal… sei lá, Steve, e para de rir assim, está parecendo um maníaco, credo! — Eddie terminou o cigarro apagando a bituca com o coturno.
— Então a resposta é sim. — Steve deu uma gargalhada. — Ela disse que viria?
— Sim.
— Então acho que ela vem. Vou tentar encontrar ela antes do show começar para deixar ela com menos medo dos malucos que aparecem nesses shows de vocês. — Steve ria e Eddie continuava parecendo nervoso.
— Foi uma péssima ideia convidar ela, não foi? — Eddie fez uma careta, Steve sorriu e depositou a mão no ombro de Eddie.
— Não foi Eddie, vocês são incríveis, certeza que ela vai gostar, e depois que ver a pose de rockstar que você tem em cima de um palco, ela vai ficar caidinha por você. — Os dois riram.
— Você é um babaca mesmo, Harrington, mas obrigado.
*
Faltavam dois minutos para começar o show, o lugar estava lotado, com gente de diferentes estilos e idades, era um misto de nervosismo com animação esperando para entrar no palco. Não demorou, muito um dos caras que trabalhavam no bar subiu no palco anunciando a banda, logo eles entraram ao som dos aplausos e gritos do público.
Ao longe, Eddie pode ouvir alguém gritando seu nome, então olhou para a multidão enquanto colocava sua guitarra no ombro e viu Steve acenando com os braços feito um maluco. Assim que percebeu o olhar de Eddie nele, Steve apontou freneticamente para seu lado direito, e lá estava ela, sorridente e com os cabelos soltos: Chrissy Cunningham. Ela estava mesmo no seu show. Ele acenou para ela, que retribuiu.
Ao ouvir a contagem das batidas na baqueta, o show tinha oficialmente começado, e ele precisava entregar tudo de si naquele palco, mais do que o normal, hoje ele tinha a quem impressionar.
*
O show havia acabado e eles estavam do lado de fora do bar, haviam saído pela porta dos fundos, correndo, gritando, frenéticos. O show tinha sido incrível, a plateia estava igualmente animada e bem receptiva com a setlist, a sensação de dever incrivelmente cumprido dominava cada um deles.
Depois de alguns poucos minutos conversando e tentando se acalmar, as namoradas e amigos de alguns deles apareceram para cumprimentá-los pelo show, aos poucos todos foram voltando para o bar. Eddie preferiu encostar na parede e acender um cigarro, seu coração ainda estava acelerado com toda a adrenalina daquele momento e um sorriso não saía de seu rosto. Durante todo o show, pode ver Chrissy dançando e curtindo, mesmo que não conhecesse nenhuma das músicas.
Quando já estava terminando o cigarro, a porta do bar se abriu, o assustando. Quando se virou, ali estava ela. Chrissy estava linda, os cabelos soltos pelos ombros, uma camiseta larga preta e uma calça jeans clara meio rasgada, nos pés, um all star branco.
— Aí está você, rockstar. — Ela sorriu e o abraçou.
— Nem acredito que você veio. — Ele a apertou um pouco, o cheiro dela era bom, suave e doce.
— Eu disse que viria! Vocês são incríveis Eddie! Pelo que tinha me falado, eu estava duvidando do potencial de vocês, mas nossa, isso foi incrível! — Ela parecia tão animada quanto ele, o que o fez abrir um sorriso largo.
— Como lhe disse, preferia que você mesma tirasse suas conclusões, minha opinião é duvidosa. — Eles riram.
— Mas e agora? O que vocês fazem depois do show?
— Bom, o primeiro passo já foi finalizado. — Ele apontou pro cigarro e jogou fora a bituca. — Agora, geralmente a gente volta pro bar e bebe alguma coisa, conversa um pouco com a galera, essas coisas.
— Legal, vamos lá então, eu larguei a Sandy sozinha com o Harrington, e eu não confio muito nele. — Ela riu e os dois voltaram para o bar.
Ao voltar para onde Chrissy estava, puderam ver Steve e Sandy conversando animadamente, Eddie e Chrissy trocaram um olhar e deram risada, eles haviam pensado a mesma coisa, era melhor deixar eles conversando. Foram até o balcão e pediram duas cervejas.
— Pelo jeito nossas companhias nos abandonaram — Eddie disse apontando para os dois conversando.
— Eu acho que a Sandy sempre teve uma quedinha pelo Steve, só nunca teve uma boa oportunidade de se aproximar, mas hoje desde que a gente chegou os dois estão de conversinha.
— Interessante… ele está mesmo precisando de uma namorada, só assim vai largar um pouco do meu pé — Eddie disse fazendo careta o que fez Chrissy dar uma gargalhada.
— Não sabia que vocês eram tão amigos assim.
— Pois é, a gente fez algumas aulas juntos, mas então eu arrumei um emprego no cinema e meu turno sempre cai junto com o do Steve, então aconteceu o improvável, viramos amigos. — Os dois riram. — A gente meio que se completa sabe, o que eu tenho de quieto e estranho, ele tem de padrão e sociável.
— Você não é tão estranho assim.
— Ah, qual é Chrissy, não precisa ser tão legal, eu sei que sou — ele disse e ela revirou os olhos.
— Você pode até ser, até conversar com você e descobrir que é simpático e muito legal.
— Mas não é sempre assim não, com você foi porque você também é legal e simpática, e não me tratou como um maluco esquisito. — Eles riram.
— Justo, mas enfim, não quer ir curtir a noite com os seus amigos? — ela perguntou dando mais um gole em sua cerveja. Eddie apontou uma mesa do outro lado do lugar, o restante dos colegas de banda em uma mesa cheia de meninas, provavelmente uma para cada. — Você está perdendo as vantagens de ser um rockstar Munson, eu vou chamar a Sandy pra gente ir e deixar você aproveitar.
— Não, fica, não estou afim de ir pra lá, você é muito mais interessante do que aquelas meninas, com todo o respeito a elas e a você. — Ele riu meio sem graça, as bochechas já começando a corar, Chrissy achou aquilo fofo e sorriu.
— Tem certeza? Não vou ficar brava com você se disser que sim Eddie, pode ser sincero.
— Eu estou sendo. — Ele olhos nos olhos dela. — Prefiro ficar aqui conversando com você.
Os dois ficaram se encarando por um tempo sorrindo. Chrissy gostava dos olhos de Eddie, transmitiam o quanto ele era gentil e legal. Foram tirados daquele momento quando Steve se aproximou rindo com Sandy ao seu lado.
— Ei, Munson, o show hoje foi incrível! — Steve disse passando o braço pelo ombro de Eddie que revirou os olhos.
— Valeu, Harrington. Você deve ser a Sandy, é um prazer. — Eddie sorriu pra a garota ao lado dele.
— O prazer é meu. — Ela sorriu. — Vocês foram mesmo ótimos, não é muito o meu tipo de música, mas confesso que não me incomodou por serem tão bons. — Ela riu.
— Sandy! — Chrissy fez uma careta de repreensão para a amiga.
— Está tudo bem, eu sei que não faz o tipo de muita gente. — Ele deu de ombros.
— Nós vamos indo, vou levar a Sandy pra comer alguma coisa, tudo bem pra vocês? — Steve perguntou olhando de Eddie para Chrissy.
— Tudo bem, você se importa de ter que pegar carona comigo, Chrissy? — Eddie perguntou se virando para a garota.
— Não, tudo bem. — Ela sorriu.
— Ótimo então, vamos indo. Até mais, Chrissy, te vejo amanhã, Munson! — Steve disse já saindo de mão dada com Sandy.
— Cuida bem dela hein, Harrington! — Eddie disse.
— Me manda mensagem quando chegar amiga! — Os dois acenaram e continuaram saindo. — Perdemos os amigos, é isso. — Eles riram.
— Quer ir também?
— Pode ser.
— Vamos então, eles já guardaram os instrumentos, depois falo com esses babacas. — Eddie riu e começou a caminhar pelas pessoas.
— Espera, não me deixa pra trás não! — Chrissy segurou a mão de Eddie para não se perder dele. A diferença de altura entre os dois fazia muita diferença na hora de cortar a multidão, Chrissy poderia facilmente se perder ali.
Caminharam até a van e Eddie abriu a porta para ela. Dessa vez a van estava um pouco menos bagunçada, o perfume de Eddie misturado com o cheiro de cigarro estava presente lá, assim como em sua jaqueta.
— Direto pra casa, senhorita? — ele perguntou tirando a jaqueta e colocando no canto do banco.
— Podemos tomar um sorvete antes? Estou te devendo um milkshake!
— Não está me devendo nada não, Cunningham, já disse.
— Vamos logo Eddie, deixa eu ser legal com você, poxa. — Ela fez um bico como uma criança pedindo um brinquedo para os pais, Eddie riu e revirou os olhos.
— Está bem, só porque você pediu com essa carinha de cachorro que caiu da mudança. — Os dois riram e Eddie saiu com a van caminhando para o drive thru mais próximo. Chrissy fez os pedidos dessa vez.
— Podemos ir para algum lugar? Não quero voltar já para casa. — Ela fez careta.
— Seus pais não vão me matar se chegar mais tarde, vão?
— Não, no máximo minha mãe vai reclamar um pouco, mas nada demais. — Ela deu de ombros.
— Tudo bem, para onde quer ir?
— O que acha do antigo Cinema Drive—in?
— Gosto de lá. — Ele sorriu. — Vamos então. — Colocou o milkshake no porta copos e dirigiu até o local.
O antigo Drive—in era um estacionamento enorme, hoje em dia já não funcionava mais como um cinema, também não era uma região tão abandonada da cidade. Graças a uma lanchonete 24 horas que tinha na rua em frente, as ruas ao redor sempre tinham algum movimento, o que não permitia que o lugar fosse perigoso demais para parar tarde da noite. Eddie estacionou e abriu os vidros da van, aumentou um pouco o volume do rádio e pegou seu milkshake.
— Se as músicas estiverem muito ruins, pode mudar de estação, tá? Sei que muita gente não gosta. — Ele riu meio sem graça.
— Tudo bem Munson, é melhor do que os eletrônicos que o pessoal do time e das cheerleaders gostam de ouvir. — Ela riu da careta que Eddie fez.
— É… falando nisso… O Jason não liga de você sair sozinha? — Eddie a encarava e percebeu algo mudar no semblante de Chrissy.
— Ligava… Mas nós terminamos. — Ela deu um sorriso tristonho para Eddie.
— Eu sinto muito, Chrissy, não foi por causa daquele dia não né? Se quiser eu posso me desculpar com aquele babaca se for deixar você bem.
— Não, eu terminei com ele. — Eddie pareceu meio confuso, então ela continuou. — A gente já vinha mal há um bom tempo, brigávamos sempre, e desde a briga na festa do Steve não estávamos nos falando direito. — Ela deu de ombros.
— Eu sinto muito, e como você está com tudo isso? — Ele agora estava sentado meio de lado no bando, virado de frente para Chrissy.
— Por incrível que parece, eu estou bem, é bom poder ser livre sem alguém enchendo o saco sobre o que deve ou não fazer. — Ela riu. — O que disse aquele dia para mim no campo, me ajudou muito com essa decisão. — Ela olhava para ele.
— Sério? Por quê?
— Me fez perceber o que eu evitava enxergar. Você mal me conhece e conseguia ver o quanto meu relacionamento com o Jason era horrível, o que significava que estava mesmo de mal a pior, então eu pensei sobre e tomei a decisão.
— Fico feliz em ter te ajudado de alguma forma, ele é mesmo um babaca. Você merece alguém que te dê valor e te respeite por quem você é, e não por quem ele quer que você seja. — Chrissy olhava Eddie com um sorriso no rosto, ele era sempre tão sincero com ela, não estava acostumada com isso.
— Obrigada, de verdade. — Ela sorriu e terminou de tomar o milkshake.
— Não precisa agradecer. — Ele sorriu e percebeu que a garota passava as mãos pelos braços. — Está com frio?
— Um pouquinho. — Ela riu. — Esqueci minha jaqueta na casa da Sandy.
— Aqui, pode usar a minha. — Eddie entregou a jaqueta a Chrissy que a vestiu.
— Obrigada, prometo que te devolvo quando chegar em casa. — Ela riu.
— Inclusive, acho melhor a gente ir, não quero que arrume problemas com seus pais. — Ela olhou a tela do celular para ver a hora.
— É, acho melhor a gente ir mesmo, está tarde já.
— Então vamos. — Eddie se ajeitou no banco e saiu com o carro.
O caminho pareceu mais curto do que na outra vez que Eddie o fez, eles foram conversando sobre coisas aleatórias.
— Entregue, senhorita Cunningham — Eddie disse ao abrir a porta e a ajudar a descer da van.
— Muito obrigada senhor Munson. — Ela riu. — Aqui sua jaque… — Antes que terminasse a frase Eddie colocou a mão em cima da de Chrissy a impedindo de tirar a jaqueta dos ombros.
— Pode ficar, outro dia me devolve. Está frio, já te fiz chegar tarde, não quero que também fique doente. — Eles riram.
— Obrigada então, te mando uma mensagem pra te devolver depois.
— Ficarei esperando. — Ele sorriu e os dois ficaram um tempo se encarando, por incrível que pareça, aquilo não era desconfortável.
— Obrigada pela carona, pela noite no geral. — Ela sorriu.
— Eu que agradeço por ter ido no show, significou muito pra mim.
— Irei mais vezes, pode ter certeza. — Ela sorriu e ele assentiu com a cabeça. — Vou indo então. — Chrissy se próximos e deu um abraço em Eddie que demorou alguns segundo para processar o ato e então a abraçar de volta. — Boa noite. Munson. — Ela deu um beijo no rosto dele e sorriu.
— Boa noite, Cunningham, se cuida. — Ele sorriu com as bochechas vermelhas.
Ela acenou e entrou na casa fazendo o máximo de silêncio que podia, Eddie ficou esperando parado ao lado da van até que viu uma luz no andar de cima se acender. Voltou ao carro e dirigiu para sua casa com a imagem de Chrissy usando sua jaqueta muito maior que algo que ela usaria impregnada na sua mente.
Deitada em sua cama, Chrissy demorou a dormir, a jaqueta de Eddie ao lado de sua cama permitindo que ela continuasse sentindo aquele perfume que a agradava tanto, mesmo misturado com o cheiro do cigarro, que já não era um ato que ela achava tão detestável quanto antes, não em Eddie.
Ao chegar meio correndo no cinema, pôde ver que quem o esperava não era Steve com uma piada pronta, mas sim a garota que cobria o turno antes do deles.
— Belo dia para vocês dois atrasarem hoje, estou indo, já devia ter saído a 10 minutos. — Ela revirou os olhos e saiu tirando o avental.
— Desculpa pelo atraso, achei que Steve já estava aqui.
Foi ignorado pela garota, ela costumava estar sempre de mau humor, já estava até acostumado com isso. Porém, o fato de Steve estar mais atrasado que ele era novidade. Eddie prendeu seu cabelo em um coque bagunçado —apenas para nenhum de seus supervisores encher o saco— e então começou a aspirar o local que estava cheio de pipocas perdidas pelo chão devido ao fim da sessão anterior. Alguns minutos depois, Steve entrou de óculos escuros e o cabelo bagunçado, isso era novidade mesmo.
— Harrington? Está tudo bem?
— Foi ma,l Eddie, acordei atrasado hoje, meu despertador não tocou — ele disse, ajeitando o cabelo e colocando o avental.
— Pelo jeito a noite ontem foi boa mesmo… — Eddie olhou para Steve que sorria feito um bobo.
— Não é nada disso que você está pensando, Munson, nós ficamos só conversando. Até tarde, confesso, mas só conversando!
— Se você está dizendo… — Eddie levantou as mãos em sinal de rendição e os dois riram.
— Mas e você e a Chrissy? Ela parecia bem animada no show, não tirou os olhos de você.
— Sério? Bom saber. — Eddie sorriu e terminou de aspirar o salão. — Ela me disse que terminou com o Jason, fez sentido ela estar lá ontem sem aquele babaca atrás.
— Então agora o caminho está mais do que livre pra você, Munson! Vai poder finalmente desencalhar! — Steve disse animado.
— Cala essa boca, Harrington, ela só me vê como um amigo, nada mais que isso. — Ele deu de ombros colocando a máquina para fazer mais pipocas para a próxima sessão.
— Não foi o que pareceu ontem…
— E você prestou atenção em alguma além da Sandy ontem? — Eddie disse e Steve revirou os olhos.
— Claro que sim, Chrissy Cunningham estava do meu lado vidrada em você e curtindo um show de metal, não é uma cena a se passar despercebida.
— Ela estava mesmo curtindo? Eu tive essa impressão, mas achei que talvez estivesse maluco.
— Estava sim, ela até cantou um pouco dos rocks mais populares que vocês tocaram em meio a setlist!
— Sério? — Eddie deu risada. — Bom, espero que a gente continue se falando depois de ontem, ela é bem legal. Mesmo que não goste de mim dessa forma, é uma pessoa legal de ter por perto, sabe?
— Você está mesmo caidinho por ela. — Steve deu risada e bagunçou o cabelo de Eddie, o que resultou em uma breve discussão sem um real sentido.
*CHRISSY'S POV*
Chrissy acordou com as batidas na porta de seu quarto, era sua mãe avisando que estava no horário de ir a igreja. Ela detestava ser obrigada a frequentar a igreja todo domingo de manhã apenas para manter a imagem de família perfeita que seus pais insistiam em conservar.
Durante o café, claro que o assunto foi sua chegada tarde na noite anterior, ela havia mesmo estranhado o fato de ninguém ter falado nada quando ela chegou. Ouviu tudo em silêncio, já que retrucar seria pior, seu irmão se concentrava em suas panquecas, ignorando o fato do clima já estar desagradável logo de manhã.
Saíram da igreja direto para a casa de sua avó, o teatro teria que se arrastar por mais algumas horas. O motivo dela não tentar fugir de tudo aquilo era seu irmão, Connor era extremamente colado a Chrissy, e para ela era bom ter um escape, seu amor pelo irmão era a única coisa que seus pais vendiam que era completamente sincera.
Após longas horas de comentários desagradáveis vindos de seus parentes, finalmente ela estava de volta a sua casa e estava oficialmente livre das programações da família perfeita Cunningham.
Mandou mensagem para Sandy chamando-a para ir ao cinema, mas a amiga estava envolvida com deveres familiares naquele dia, então decidiu ir sozinha. Embora não fosse seu programa favorito, ainda seria melhor do que ficar em casa.
Ao chegar ao cinema, a fila já não estava mais tão grande, o que era um bom sinal, ou sinal de que o filme estava para começar.
Estava caminhando em direção ao balcão quando viu Eddie Munson concentrado em encher alguns copos com refrigerante. No seu rosto tinha uma expressão de concentração diferente da noite anterior, talvez por dessa vez não estar fazendo algo que realmente amava. O cabelo preso em um coque todo bagunçado deixava seu rosto e pescoço mais à mostra, tornava possível notar seu maxilar marcado e os colares escondidos embaixo de sua blusa.
— Boa tarde, senhor funcionário exemplar — ela disse ao se aproximar do balcão, chamando a atenção de Eddie.
— Cunningham! Você por aqui?! O que vai querer hoje? — ele disse abrindo um sorriso largo, que por sinal, iluminava seu rosto e ela gostava disso.
— Uma pipoca e um refrigerante, ambos médios por favor.
— Pode deixar! — Ele disse se virando para pegar a pipoca e encher o copo. — Como passou de ontem? Levou bronca por chegar tarde?
— Mais ou menos, meus pais são bem chatos, então sempre reclamam de alguma coisa. — Ela deu de ombros e ele a entregou as coisas.
— Sinto muito, me desculpa por isso.
— Tudo bem, não foi culpa sua, além disso, valeu a pena. — Ela sorriu.
— Bom saber. — Ele retribuiu o sorriso.
— Aliás, achei que fosse estar aqui, então te trouxe isso. — Ela lhe entregou a jaqueta de Eddie que ele havia emprestado na noite anterior.
— Muito obrigado! Ainda bem que diferente de alguns dos meus amigos, você devolve as coisas que pega emprestado. — Eles riram. — Veio sozinha? — Ele olhou ao redor procurando alguém.
— Sim, a Sandy não pôde vir, como não queria ficar em casa, resolvi vim sozinha mesmo. — Ela deu de ombros.
— Ver filme sempre é bom, independente da companhia, mas confesso que queria poder te acompanhar hoje, isso aqui tá um caos. — Ele fez careta e ela riu.
— Também gostaria que você pudesse ir comigo. — Ela sorriu e os olhares deles se conectaram por um tempo.
— Eu saio às cinco, provavelmente seu filme vai acabar em um horário próximo a esse, se quiser sair para comer alguma coisa…
— Seria ótimo! — Ela sorriu.
— Ótimo então! Te vejo depois. — Ele sorriu.
— Até depois Munson. — Ela acenou e entrou em uma das salas.
*
Quando o filme acabou, Chrissy esperou que a grande maioria das pessoas saíssem para que fizesse o mesmo. Ao chegar do lado de fora, encontrou Eddie já aspirando o chão para retirar as pipocas que caíram.
— Você está realmente se dedicando ao trabalho hoje — ela disse rindo.
— Sabe como é, às vezes é bom tentar um pouco mais para não perder o emprego. — Ele deu de ombros e os dois riram. — Só vou terminar aqui e podemos ir, isso é, se ainda não mudou de ideia.
— Não mudei, vou sentar ali e espero você. — Ela apontou para alguns bancos espalhados pelo local.
— Prometo que vai ser rápido. — Ela sentiu e se sentou.
Ficou observando Eddie enquanto isso, ele terminou suas tarefas provavelmente muito mais rápido do que costumava fazer, Steve parava às vezes para zoar o amigo, parecia ser comum entre eles. A amizade dos dois parecia ser bem semelhante à dela com Sandy, embora elas se conhecessem há muito mais tempo.
Assim que terminou o serviço, Eddie soltou os cabelos longos e tirou o avental, revelando uma de suas clássicas camisetas preta de banda que ela quase sempre desconhecia.
— Vamos? — ele disse se aproximando. Ela assentiu e o seguiu até a van. Como já era de costume, Eddie abriu a porta para ela, Chrissy gostava desse gesto dele, jamais imaginara que Eddie Munson teria atos de um cavalheiro.
— Para onde vamos hoje? — ele disse entrando na van.
— Hoje você decide, me leva pra algum lugar que você goste.
— Que eu goste?... Tipo, qualquer lugar?
— É, um lugar que você goste de ir pra pensar, passar o tempo, sei lá. — Ela riu. — Tem algum lugar assim?
— Tem sim, e é ótimo para ver o pôr do sol de lá! — Ele sorriu e dirigiu para um caminho que Chrissy não conhecia.
— Melhor ainda então! — Ela sorriu.
Durante o caminho, Chrissy contou a Eddie sobre o filme que acabara de assistir e ele comentou sobre o que ele ouvia das pessoas sobre o mesmo. Eddie era completamente diferente de Jason ou os outros caras com quem Chrissy já havia saído. Era divertido e espontâneo, o que permitia ela ser ela mesma, sem medo de julgamentos.
— Chegamos! — ele disse ao estacionar.
Chrissy desceu da van e percebeu que estavam no mirante de Hawkins, havia ido lá algumas vezes, mas não lembrava da vista ser tão incrível.
— Uau, a vista daqui é incrível.
— Sim, daqui de cima, Hawkins nem parece essa cidadezinha minúscula e detestável, daqui parece linda. — Ele sorria, seus olhos pareciam brilhar ao falar sobre aquele lugar.
— E por que me trouxe aqui? — Ela perguntou se virando para ele.
— Você pediu para te levar a um lugar que eu gostasse, e é aqui que eu venho quando quero pensar, me afastar da minha realidade, entre outras coisas. — Ele deu de ombros e se debruçou no parapeito.
— Obrigada por me trazer aqui, é realmente lindo. — Ela sorriu.
— Acho que nunca contei para ninguém o quanto eu gosto desse lugar, também nunca trouxe ninguém aqui.
— Obrigada por isso então. — Ela passou a mão pelo ombro de Eddie, alguma forma de demonstrar o quanto havia gostado daquele gesto dele, ela não pôde ver, mas o braço de Eddie se arrepiava a qualquer simples toque de Chrissy.
— Não por isso. — Ele sorriu. — Eu disse que o pôr do sol visto daqui era incrível. — Ele disse apontando para o horizonte, o céu antes azul, agora estava coberto por tons de laranja e rosa.
— É mesmo, já tinha vindo aqui antes, mas nunca havia reparado o quanto a vista era linda. — Ela também se debruçou no parapeito.
— É bom vir aqui às vezes, me faz lembrar que nem tudo nesse mundo é horrível e cheio de pessoas cruéis… desculpa, eu sou meio dramático, eu sei. — Ele riu baixo ficando meio envergonhado.
— Não, você é sincero, e eu gosto disso. — Ela sorriu virando seu rosto para olhar para ele. — É difícil encontrar pessoas que sempre falam o que elas pensam sem ter medo do que vão dizer, por muito tempo eu estive com pessoas que sempre julgavam qualquer coisa que eu dizia, pensava ou falava, e só agora passando um tempo com você, eu percebo o quanto eu estava presa dentro das minhas próprias escolhas. — Ele mantinha os olhos nela durante todo o tempo que ela falava.
— Não sabe o quanto é bom ouvir isso vindo de você. Nunca achei que um dia a gente fosse conversar, muito menos que seriam essas conversas sinceras e interessantes. — Ele sorriu com as bochechas meio coradas, provavelmente por estar admitindo aquilo em voz alta. — Por muito tempo que tentei me encaixar, sabe? Tentei fazer parte da sociedade, de clubes mais bem vistos na escola, ser o filho exemplar. Mas então eu percebi, que não importava o que eu fizesse, as pessoas continuariam me julgando de alguma forma, alguma coisa não estaria boa o suficiente para eles, e então decidi agradar a única pessoa que realmente importa: eu mesmo. — Ele suspirou fundo olhando para as próprias mãos, ele brincava com seus anéis.
— E você está completamente certo, Eddie. Eu deveria mesmo passar mais tempo com você, para aprender a ser mais eu mesma. — Ela riu e ele a acompanhou. — Estar aqui com você faz tudo parecer mais fácil e possível, tudo que me preocupa parece tão pequeno, como as grandes casas vistas aqui de cima.
— Eu sinto o mesmo, você faz eu me sentir confortável?… não sei explicar, embora eu seja músico, não sou bom em me expressar com palavras. — Ele riu.
— Tem alguma outra forma que consegue se expressar melhor? — ela disse virando de frente para ele.
— Por música talvez, não sei, isso tudo… — Ele apontou para os dois. — É muito novo para mim.
— Então eu vou tentar do meu jeito.
Após dizer isso, Chrissy se aproximou de Eddie e lhe deu um selinho demorado, que o pegou de surpresa. Depois do choque inicial, ele pôde finalmente perceber o que estava realmente acontecendo.
Chrissy estava prestes a pedir desculpas pelo que havia feito quando Eddie passou seu braço pela cintura dela, puxando-a para perto, e então selou seus lábios em um beijo calmo, cheio de receio, medo de ser recusado. Mas assim que Chrissy deslizou a mão pelo peito dele subindo até sua nuca, ele entendeu que era bem vindo. Aos poucos, o beijo foi se tornando mais intenso, um pouco mais urgente, Eddie tinha vontade de fazer aquilo há um bom tempo, embora nunca tivesse admitido, nem para ele mesmo.
O beijo foi encerrado pela falta de fôlego de ambos, ainda com os olhos fechados e as respirações ofegantes, eles encostaram as testas um no outro, e sorriram largo.
— Nossa, isso foi… — ele começou com a voz baixa e levemente rouca.
— Bom, incrivelmente bom — ela completou e os dois riram.
— Devíamos fazer isso mais vezes.
— Conversar sobre coisas profundas ou se beijar? — ela perguntou e Eddie riu.
— Os dois, mas principalmente nos beijar.
— Concordo plenamente. — Ela sorriu e lhe deu um selinho demorado. — Várias vezes…
— Sempre que possível, talvez… — ele falou baixo passando o nariz pelo de Chrissy e deixando seus lábios próximos.
— Uhum. — E assim Chrissy o puxou para outro beijo.
O beijo agora era menos tímido, mais confiante, os braços de Eddie em sua cintura a segurando firme e colando seus corpos, sua mão envolvendo o cabelo dele que muitas vezes ela havia se perguntado qual seria a textura, suas línguas em perfeita sincronia, tudo parecia bom demais para acabar, porém o ar faltava novamente.
— Por mais que isso seja doloroso para mim dizer, acho que eu deveria te levar para casa, não quero que leve bronca por minha causa de novo — ele disse entre alguns selinhos.
— Não estraga o clima, Munson — ela disse acariciando a nuca dele, o que o deixava arrepiado.
— Acredite, eu mais do que ninguém gostaria de poder ficar aqui com você até que enjoasse de mim, mas é sério, não quero que tenha problemas em casa.
— Tudo bem, por mais que queira discordar, você está certo, e amanhã temos aula. — Ela ajeitou o cabelo dele o tirando do rosto.
— Ah não, não me lembra dessa tortura. — Ele fez careta.
— Prometo que podemos fugir no horário do intervalo e eu te dou um beijo pra compensar esse fardo que é ir para o colégio. — Ela disse e os dois riram.
— Sendo assim, até aceito ir para a aula e ficarei até um pouco feliz.
— Você é um bobo, Munson. — Ela riu.
— Eu sei. — Ele deu um selinho demorado e então voltaram para a van, de mãos dadas.
Seguiram para a casa de Chrissy conversando sobre coisas aleatórias e rindo, ela agora vestia a jaqueta de Eddie novamente, o clima costumava ficar mais frio após o anoitecer em Hawkins e Chrissy sempre esquecia sua blusa de frio, embora gostasse de usar a de Eddie.
Assim que estacionou a van em frente a casa dos Cunningham, Eddie desceu para abrir a porta e ajudar Chrissy a descer.
— Está entregue, espero que não arrume encrenca.
— Eu também. — Ela riu. — Nos vemos amanhã? — Ela passou os braços pelos ombros de Eddie o puxando para mais perto. Ele concordou com um aceno de cabeça e ela selou os lábios dos dois em um beijo rápido.
— Até amanhã, Cunningham.
— Até amanhã, Munson. — Ela sorriu e caminhou para a entrada da casa.
Eddie esperou até que ela entrasse em sua casa e então saiu com a van, ficou pensando em tudo o que havia acabado de acontecer e como parecia apenas uma ilusão de sua mente.
Após tomar um banho e se arrumar para ir para o colégio, Chrissy desceu com sua mochila para tomar café. Na mesa, estava o restante da família Cunningham, seu pai com o jornal como de costume, sua mãe lavando a louça e seu irmão comendo seus cereais vendo desenho no celular.
— Bom dia — disse Chrissy se sentando e servindo um pouco de café e algumas torradas.
— Bom dia — responderam os três juntos.
— Chegou tarde ontem de novo, por onde andou? — Seu pai perguntou sem tirar os olhos do jornal.
— Estava com a Sandy.
— Sério? Não pareceu o barulho do carro da Sandy… ouvi você chegando. — Agora ele havia abaixado um pouco o jornal para poder olhá-la nos olhos.
— Ela estava com o carro do pai dela, e eu cheguei antes das onze, então não estava tão tarde assim.
— Mas era domingo, você sabe que se…
— Chega Roger, não vamos brigar logo de manhã — a mãe de Chrissy o interrompeu antes de terminar a frase. Ele balbuciou algo que Chrissy não havia entendido e voltou a ler o jornal.
Chrissy terminou seu café, se despediu do irmão com o beijo no topo da cabeça e saiu apressada para o ponto de ônibus. Detestava pegar o ônibus, mas não tinha falado com Sandy desde o dia anterior, então não combinaram uma carona. Colocou seus fones de ouvido e ficou olhando pela janela, torcendo para que aquilo ajudasse o tempo a passar mais rápido.
Foi direto até seu armário trocar os livros que estavam em sua mochila, quando tirou os fones de ouvido, ouviu um barulho, parecia alguém lhe chamando sem dizer o nome. Ela olhou em volta, não viu nada, talvez estivesse ficando maluca. Voltou sua atenção ao seu armário até que ouviu de novo, ao olhar para trás, viu uma mão cheia de anéis acenando para ela de dentro da salinha do zelador, conhecia muito bem aqueles anéis. Caminhou até a porta olhando ao redor, tentando não ter uma crise de risos, assim que se aproximou, a mão cheia de anéis agarrou a dela e a puxou para dentro, a encostando a porta assim que foi fechada.
— Bom dia — disse Eddie com um sorriso enorme no rosto, os cabelos soltos e volumosos como sempre.
— O que é isso? Vai ficar me sequestrando agora é? — Os dois riram, as bochechas de Eddie imediatamente ficaram coradas.
— Ah, eu queria te ver, mas não sabia se queria ser vista comigo por aí, sei como é essas coisas você é uma lid… — Eddie foi interrompido pelos lábios de Chrissy lhe dando um selinho.
— Você pensa demais às vezes, Munson. — Ela riu. — Eu não ligo de ser vista com você, bobo, só não sei se é uma boa ideia a gente ser visto aos beijos pelo colégio. Talvez na próxima semana, já vai fazer um tempinho que eu larguei o babaca do meu ex. — Ela revirou os olhos o fazendo rir.
— Tudo bem, eu não tenho pressa, desde que me dê uns beijinhos escondidos às vezes, sei lá… — Ele tinha um sorriso ladino nos lábios.
— Com toda a certeza. — Ela sorriu e passou os braços pelos ombros de Eddie o dando outro selinho.
— Como passou a noite? Arrumou encrenca na sua casa? — Ele perguntou enquanto passava os braços pela cintura dela a abraçando.
— Meu pai começou o interrogatório hoje, mas nada demais, tá tudo bem. — Ela sorriu. — Agora vem aqui. — Ela o puxou pela nuca e selou seus lábios em um beijo.
O beijo de Eddie era diferente, mais gentil, calmo e intenso ao mesmo tempo, era algo completamente novo. O beijo foi ficando cada vez mais intenso, a mão de Chrissy agora estava entrelaçada entre os cabelos macios de Eddie. Sua vontade era ficar ali pra sempre, mas o ar começava a faltar exigindo que o beijo fosse interrompido.
— Nossa… — Chrissy sussurrou, as duas respirações ofegantes em compasso.
— Vamos matar aula hoje, não quero ter que aguentar essa chatice, quero ficar com você. — Eddie disse colocando o cabelo de Chrissy atrás da orelha.
— Confesso que é uma oferta tentadora, mas infelizmente não posso, tenho matéria de prova hoje. — Ela fez uma careta e depois um biquinho que fez Eddie sorrir.
— Tudo bem, nos vemos depois, te mando uma mensagem, pode ser?
— Claro, vou ficar esperando. — Ela sorriu e deu um selinho.
— Boa aula, Cunningham.
— Boa aula, Munson. — Ela sorriu e saiu.
Olhou para os lados e parecia tudo tranquilo, ninguém havia percebido.
— Mas que porra é essa? — Uma Sandy com um olhar de confusão estava de frente para ela, paralisada com o celular na mão. Merda.
— Quieta, sem alarde.
— Você vai me explicar o que estava fazendo ali? E porque sua cara tá toda vermelha? Com quem você…
Antes que ela pudesse finalizar a frase, Eddie saiu da salinha do zelador ajeitando os cabelos, ao perceber o olhar das duas sobre ele, parou e ficou olhando, se perguntando o que deveria fazer.
— Espera aí… — Sandy começou novamente mas Chrissy a arrastou para o banheiro feminino o mais rápido possível.
— Fica quieta que eu vou te contar, mas espera. — Chrissy fechou a porta do banheiro e passou de cabine em cabine se certificando de que não havia ninguém ali.
— Eu vi mesmo o que eu vi ou estou ficando maluca?
— Sim, Sandy, você viu mesmo o que viu. — Chrissy revirou os olhos e a amiga agora tinha um sorriso no rosto.
— Você está pegando o Munson? No armário do zelador? — Era possível perceber na voz de Sandy que ela estava se segurando para não gritar e rir da cara da amiga que agora estava ficando cada vez mais vermelha.
— A gente não tava se pegando, foi só um beijo…
— E quando isso começou? Por que não me contou nada?
— Foi ontem, eu acabei indo no cinema sozinha, ele tava lá e saímos depois… conversa vai, conversa vem, acabou acontecendo. — Ela deu de ombros mas ao lembrar do acontecido, um sorriso involuntário surgiu em seu rosto.
— Obrigada a minha família chata por ter me obrigado a ficar ocupada ontem e ter te dado essa chance. — As duas riram. — E como foi?
— O quê?
— O beijo, Chrissy! Ele beija bem? — Sandy estava cada vez mais animada ao ver a felicidade transparecendo no rosto da amiga, Chrissy exitou um pouco mas logo respondeu.
— Muito bem, foi simplesmente incrível! — Ela riu acompanhada pela amiga. — Sério, o Eddie é incrível, ele é gentil, fofo e beija muito, muito bem mesmo, que pegada! — Suas bochechas voltaram a ficar vermelhas por ter compartilhado um pouco demais.
— Ai meu Deus! — Ela riu. — Olha só sua carinha de boba! Ai amiga, eu estou tão feliz por você! Fazia tempo que não te via bem assim. — Ela sorriu para a amiga.
— Eu sei, está tudo mudando, mas eu não me importo porque está sendo para melhor! O mundo está cheio de possibilidades de novo. — Ela deu um sorriso largo e Sandy a abraçou.
— Como é bom te ter de volta, Chrissy! Agora vamos para a aula antes que não deixem a gente entrar, e depois vai ter que me contar tudo o que andou acontecendo.
As duas caminharam juntas até a primeira aula do dia, Chrissy tentou se concentrar na aula mas estava quase impossível, acabou se perdendo em pensamentos rabiscando coisas aleatórias no caderno. Um tempo depois sentiu seu celular vibrar, era uma mensagem de Eddie.
"Teve problemas com a Sandy? Ela falou alguma coisa?"
Ela sorriu, e lá estava ele, sempre preocupado com ela, logo começou a digitar uma resposta.
"Apenas fez um interrogatório sobre o que aconteceu e o por que não contei para ela antes."
Não demorou muito, chegou uma resposta.
"Ufa, menos mal então. Posso te dar uma carona depois da aula?"
"Claro, mas quando eu me acostumar com um motorista particular, não reclame!"
Ela guardou o celular novamente e tentou voltar sua atenção para a aula ou seja lá o que ela estivesse fazendo antes.
*
Assim que o sinal anunciando o fim das aulas daquele dia, Chrissy seguiu para o estacionamento. A maioria dos carros já não estavam mais ali, e também não era muito difícil ver a van de Eddie, ela se destacava entre os carros caretas e simples do restante da escola.
Caminhou até a van e pode ver que ele estava encostado nela com o cigarro aceso, ela não costumava gostar muito de cigarro, mas não podia negar que Eddie ficava completamente atraente fumando.
— Pronto para minha corrida, senhor motorista?
— Sem dúvidas, senhorita. — Ele sorriu e apagou o cigarro no chão com a ponta do tênis. Caminhou até a lateral da van e abriu a porta para ela.
— Você é sempre tão gentil assim? Um cavalheiro que abre portas? — ela perguntou enquanto se ajeitava no banco e Eddie também entrava na van.
— Apenas com quem merece, e você merece que eu seja assim sempre, então… — Ele deu de ombros e ela sorriu.
— É engraçado isso, as pessoas têm uma imagem completamente diferente de você quando não te conhece, confesso que eu sou culpada nisso também. — Ela riu.
— Eu sei disso, mas sabe, muito faz parte da imagem que eu construí para as pessoas verem, gosto que achem que eu sou esse maluco que só ouve rock pesado e tem gosto peculiares, que odeia o mundo, etc. — Ele deu risada.
— Confesso que você vende essa imagem muito bem. — Ela riu. — Mas eu prefiro esse Eddie que é fofo e simpático, embora roqueiro badboy. — Ela disse mexendo numa mexa do cabelo dele.
— Acho que finalmente encontrei alguém maluca o bastante para gostar de mim por inteiro então. — Ele sorriu desviando os olhos da rua por alguns segundos para olhar para ela.
— Acho que sim. — Ela sorriu e deu um beijo em seu rosto.
Não demorou muito para ele estacionar em frente a casa de Chrissy, como de costume, Eddie abriu a porta para Chrissy descer.
— Quer entrar? — ela perguntou assim que desceu do veículo.
— Infelizmente hoje não posso, preciso ir almoçar e correr para o cinema, tenho turno hoje. — Ele decidiu os olhos.
— Poxa, outro dia você vem então, minha mãe cozinha muito bem.
— Eu imagino mesmo, sua casa tem cara de casa de família que a mãe cuida bem dos filhos e faz todas as refeições de forma maravilhosa — ele disse a fazendo rir.
— Olha… não está completamente errado. — Ela riu. — Mas enfim, a gente se fala mais tarde? — Ela perguntou passando os braços pelos ombros de Eddie que a abraçou pela cintura.
— Uhum, te mando uma mensagem depois, agora vem aqui.
Ele selou os lábios de ambos em um beijo calmo, sua vontade era ficar ali com Chrissy em seus braços o resto do dia, mas infelizmente a vida o chamava para a realidade.
— Até mais, Cunningham. — Ele sorriu dando um selinho.
— Até mais, Munson. — Ela sorriu e correu para a casa.
Eddie ficou esperando até que ela entrasse para poder voltar a van e seguir seu caminho.
Assim que entrou em casa, Chrissy viu sua mãe olhando pela janela.
— Quem era aquele Christine? Era um cara? Você não estava namorando o Jason?
— Você estava me espionando?
— Eu perguntei primeiro. — Ela cruzou os braços.
— Sim, mãe, era um cara, e não, eu não estou mais com o Jason, já faz alguns dias.
— E você não me contou? Por que terminou com o Jason? Ele era tão legal e bonito, vocês faziam um casal lindo!
— Sem essa, mãe, eu não contei porque sabia que seria essa conversa chata. Para vocês o Jason era incrível, mas na verdade ele é um babaca egoísta, não estava funcionando mais.
— Isso é uma pena, e quem era aquele cabeludo lá fora? — ela perguntou tentando disfarçar a careta mas não obteve sucesso.
— O nome dele é Eddie, mãe, e ele é incrível. Agora, posso ir para o meu quarto ou o interrogatório ainda não acabou?
— Tá bem, tá bem, que mau humor! — ela disse voltando à cozinha — Não demora para descer, já está quase pronto.
Chrissy subiu para seu quarto e se jogou na cama. Era claro que sua família iria reclamar por ter largado o babaca do Jason. Todas as vezes que ele a visitava ou jantava com os Cunningham, ele era incrivelmente educado e simpático, nem parecia o mesmo idiota que gritava com ela sem motivo algum.
Era incrível como o Jason era bom em manipular sua imagem por conveniência, não era todas as pessoas que tinham o privilégio de conhecer o verdadeiro Jason, o que era babaca quando a situação não lhe favorecia. Infelizmente, Chrissy era uma dessas.
No começo, ele não era assim, muito pelo contrário, era simpático e carinhoso. Ela não sabia exatamente quando a chave virou e ele passou a ser essa pessoa diferente, mas já não importava mais. Não era mais um problema dela se preocupar com os motivos pelo Jason ser ou não um babaca.
Arrumou as coisas em sua mochila e decidiu ir até a casa de Sandy para ver o que a amiga estava fazendo.
— Mãe, estou indo na casa da Sandy, não volto hoje tá — ela disse pegando sua chave de casa no chaveiro ao lado da porta.
— Ei, que história é essa? Não pede mais a permissão dos seus pais para dormir fora não? — seu pai resmungou do sofá.
— Deixa a menina, amor, ela disse que vai na Sandy, que mal tem nisso? Ela sempre passa a noite lá! — sua mãe a defendeu. — Pode ir filha, qualquer coisa me liga.
— Obrigada, mãe, até amanhã — ela disse e saiu antes que seu pai voltasse a reclamar, mas antes ela pode ouvir através da porta.
— Você tira completamente minha autoridade com essa garota. Se ela se meter em encrenca, você que resolva, eu não vou me meter.
Chrissy apenas revirou os olhos e caminhou até a casa de Sandy, que não ficava tão longe da sua. Gostava de andar pela cidade ouvindo música às vezes, Hawkins podia não ser a melhor das cidades, mas tinha sua beleza aos olhos que a procuravam.
Ao chegar em frente a casa de Sandy, bateu na porta e quem atendeu foi a mãe da garota.
— Olá, Chrissy! Tudo bem? A Sandy está lá no quarto dela, pode subir.
— Oi tia, tudo bem e você? Vou lá então. — Chrissy sorriu e subiu as escadas. — Amiga? — Chrissy abriu a porta após se anunciar.
Ao entrar no quarto viu sua amiga sentada de frente para sua penteadeira, estava terminando de fazer maquiagem.
— Oi, Chrissy, você não disse que viria aqui hoje, ou eu fiquei completamente maluca?
— É, eu realmente vim de intrometida. — Ela riu meio sem jeito, claramente a amiga estava se arrumando para sair. — Mas eu vou indo, pelo jeito você vai sair.
— Sim, eu estava prestes a te ligar, eu tô nervosa, vou sair com o Steve hoje. — Ela deu um sorriso largo.
— E você não me contou isso?! Meu Deus, eu não acredito que o Harrington realmente está te conquistando. — ela riu.
— Aí amiga, não fala assim. O Steve é muito fofo e lindo, um cavalheiro na medida certa. Ele disse que queria ter um encontro decente comigo, então vamos sair hoje. — Era nítido que Sandy estava toda apaixonadinha por Steve só pelo sorriso que havia em seu rosto.
— Eu acho bom ele cuidar bem de você mesmo, ou ele vai se ver com essas armas aqui. — Chrissy levantou os braços como se fosse mostrar os músculos, porém tudo que se via eram os braços finos da garota, o que fez sua amiga gargalhar.
— O mesmo vale para Munson, senhorita Cunningham, e eu ainda quero mais detalhes sobre esse rolinho de vocês! — Ela disse enquanto pegava dois vestidos e colocava em frente ao corpo. — Qual desses, amiga?
— O preto soltinho, fica lindo em você.
— Obrigada, você é um anjo mesmo. — Ela sorriu e seguiu para o banheiro para colocar o vestido.
— Bom, eu vou indo então, não quero te atrapalhar.
— Tudo bem, amiga, me desculpe por não poder ficar com você hoje.
— Sem problemas, eu devia ter te ligado antes de vim. Mas eu estava cansada de ficar em casa. Sabe como é, fim de semana que meus pais ficam em casa, né?
— Sei muito bem. — Ela disse fazendo uma careta. — Por que não vai ver o Munson? Acho que ele quem vai fechar o turno da tarde hoje do cinema, Steve saiu mais cedo.
— É uma boa ideia, talvez eu vá lá.
— O Steve disse que já estava quase chegando, se quiser podemos te deixar lá.
— Não mesmo, não quero estragar o primeiro encontro de vocês. — Ela riu. — Já vou indo, se o Harrington começar a ser um babaca ou tiver spray demais no cabelo, pode me mandar uma mensagem que eu vou te salvar, está bem? — Sandy revirou os olhos e deu risada.
— Está bem, amiga, o mesmo vale pra você. Qualquer coisa pode dizer que está aqui em casa, eu te dou cobertura.
— Sim, senhora, muito obrigada e bom encontro pra vocês. — Chrissy abraçou a amiga.
— Obrigada, amanhã te conto tudo! — Ela sorriu e Chrissy saiu do quarto da amiga, se despediu da mãe da garota e voltou a caminhar pelas ruas da cidade.
O sol já estava baixo, era por volta das seis horas da tarde, e em breve o pôr do sol tomaria conta do céu de Hawkins. A caminhada até o cinema era um pouco mais longa, mas Chrissy estava tão distraída com seus pensamentos que nem percebeu que já havia chegado.
Ao entrar no local, pôde avistar Eddie de costas para ela, ajeitando alguma coisa na parte interna do balcão. Os cabelos rebeldes que geralmente se encontravam soltos, agora estavam presos em um coque mal feito. Ela não lembrava se já o tinha visto assim, mas achou incrível o novo penteado, sua nuca a mostra a fazia querer agarrá—lo bem ali, mas se conteve e apenas se debruçou sobre o balcão.
— Parece que você está precisando de ajuda — ela disse o fazendo se virar em um susto, provavelmente distraído com seus próprios pensamentos. — Sabia que aquele seu amigo do topete devia ser um vacilão. — Eddie deu risada.
— Ele é mesmo, mas anda se dando tão mal que resolvi quebrar o galho dele dessa vez.
— Você é incrível, sabe disso né? — Ela sorriu, ele agora também se debruçava no balcão, deixando uma distância mínima entre seus rostos.
— E você uma boba, eu não fiz nada demais, Harrington já me ajudou várias vezes também.
— Enfim, vai demorar pra sair ainda? — Ela colocou uma mecha solta do cabelo de Eddie atrás da orelha.
— Não, já terminei por aqui. Algum plano?
— Não, só queria ficar um pouco com você. — Ela sorriu e ele deu um beijo em sua mão que ainda estava próxima de seu rosto.
— Ótimo então, eu estava querendo a mesma coisa. — Ele sorriu. — Se importa se eu passar em casa tomar um banho rapidinho? Estou fedendo a pipoca. — Ele fez careta e ela riu
— Mais gostoso ainda, poxa. Mas não, não me importo, eu te espero.
— Então vamos.
Eddie terminou de finalizar as coisas e apagou as luzes. Assim que terminou, seguiu para sua van com Chrissy ao seu lado. Como de costume, ele abriu a porta e esperou que ela entrasse.
— Você sabe que não precisa fazer isso sempre, não sabe?
— Sim, eu sei, porém prefiro fazer mesmo assim. — Ele deu de ombros e fechou a porta, deu a volta na van e entrou no carro dando partida.
Como de costume, Eddie ligou o rádio mas dessa vez em um volume mais baixo, uma de suas mãos estava repousada na coxa de Chrissy que estava sentada ao seu lado. Ela apoiava o braço no ombro do rapaz e mexia em seu cabelo.
— Gostei dele assim.
— Do que?
— Seu cabelo, você fica bonitinho de cabelo preso. — Ela sorriu.
— Bom saber que alguém gosta. — Ele riu. — Não gosto muito, mas sabe como é, por causa do trabalho é preciso, ou eles ficam enchendo o saco.
— Eu também prefiro solto, mas gostei muito assim. — Ela sorriu e deu um beijo na bochecha do rapaz.
— Bom saber. — Ele sorriu e estacionou a van em frente a uma casa simples, não parecia ser muito grande. — Chegamos.
Eles desceram e Eddie abriu a porta com seu chaveiro cheio de coisas penduradas. A casa era bem simples por dentro. À sua esquerda, Chrissy viu a sala com um sofá e uma TV pequena, do outro lado, uma mesa de quatro lugares e uma bancada que separava a cozinha da sala de jantar.
— Não repara a bagunça, é simples mas é limpinha. — Ele riu e ela o acompanhou.
— Você mora sozinho aqui?
— Não, não, moro com meu tio, mas ele não está aqui hoje, foi dormir na casa da namorada dele. — Eddie riu e pegou o bilhete encima da mesa e o mostrou para Chrissy. — Ele sempre deixa recados quando não está.
— Que fofo isso. — Ela sorriu. — Mas agora eu quero ver o lugar mais interessante daqui, o seu quarto. — Ela riu e Eddie fez uma careta.
— Não sei se deveria te deixar entrar lá, se eu soubesse que receberia uma visita tão ilustre teria arrumado tudo, mas tudo bem, vem.
Ele segurou a mão da garota e a levou até a última porta à direita, avisos de "mantenha distância" e "pare" enfeitaram a porta. Ao entrar no quarto, Chrissy viu vários posters de bandas e filmes espalhados pelas paredes, além de desenhos e folhetos da banda de Eddie. Ao lado da cama, exposta na parede estava sua guitarra, a mesma que ele havia tocado no show que ela tinha ido ver. Cada cantinho daquele lugar tinha a personalidade de Eddie, e ela achava isso incrível.
— Uau, seu quarto é incrível, Eddie! — Ela sorriu ainda observando tudo.
— Achou mesmo? É meio bagunçado, eu sei mas…
— Sem mas, é incrível sim, tem sua personalidade em tudo, eu amei. — Ela sorriu e passou os braços pelos ombros de Eddie.
— Obrigado então. — Ele sorriu e deu um selinho.
— Agora vem aqui. — Ela sorriu e o puxou para um beijo.
No início, Eddie sorria entre o beijo, depois deslizou as mãos até a cintura de Chrissy, a blusa curta deixava a mão dele direto em contato com a pele dela, seus anéis gelados a fazendo arrepiar e aprofundar cada vez mais o beijo. Eddie apertava sua cintura, puxando-a mais para perto dele, suas línguas exploravam uma à outra, em completa sincronia. Eles poderiam ficar ali para sempre, mas o ar começava a fazer falta, então ambos partiram o beijo com a respiração ofegante.
— Eu preciso de um banho, talvez bem gelado — ele falou com a respiração ainda falhando o que fez ela rir.
— Tudo bem, posso esperar aqui?
— Sinta—se em casa. — Ele sorriu e correu para o banheiro pegando uma outra roupa pelo caminho.
Chrissy ficou passeando pelo quarto de Eddie, observando cada detalhe de perto. Em um dos cantos, havia um mural com algumas fotos. Uma da banda, uma dos meninos do clube de RPG, uma de um Eddie muito mais novo com a mesma guitarra que estava em sua parede em seus braços, ela sorriu ao ver essa. E um pouco mais distante uma foto de Eddie com um homem mais velho e o cabelo já ralo na cabeça, devia ser seu tio. Após dar uma olhada no lugar, se sentou na cama e esperou que ele voltasse.
Depois de algum tempo e muito barulho de secador depois, Eddie saiu do banheiro com uma calça preta e os cabelos soltos, o fato de estar sem camisa deixava todas suas tatuagens à mostra, inclusive as do peito que antes Chrissy não sabia que existiam, ela devia estar o encarando demais já que as bochechas de Eddie estavam ficando vermelhas.
— Desculpa, eu esqueci de pegar uma camiseta. — Ele riu meio sem graça e caminhou até o guarda roupas.
— Não se desculpe, eu deveria agradecer ao universo por essa visão, isso sim. — Ela riu o deixando ainda mais sem graça.
— Deixa de ser boba, Cunningham. — Ele riu e colocou uma camiseta preta sem estampa.
— É apenas a verdade. — Ela sorriu.
— Agora sim, não estou mais cheirando a pipoca. — Ele se jogou na cama ao lado dela a puxando para se deitar com ele.
— Deixa eu ver então. — Ela o abraçou e passou o nariz pelo pescoço de Eddie sentindo o cheiro de seu perfume e o frescor do banho recém tomado, era a primeira vez que sentia o seu cheiro sem o do cigarro misturado a ele, e era muito bom. — Está muito cheiroso mesmo. — Ela sorriu e depositou um beijo no pescoço dele o fazendo se arrepiar.
— Golpe baixo isso — ele falou baixo rindo.
— Isso o que? — Ela deu outro beijo. — Isso?
— Uhum. — Ele agora se encolhia um pouco, seu corpo cada vez mais arrepiado.
— Você está tão cheiroso, é difícil de resistir. — ela riu e deitou sobre o peito de Eddie, que acariciava suas costas.
— O que faremos hoje?
— Não sei, podemos só ficar aqui, eu não me importo.
— Fazendo nada?
— É, até fazer nada com você é bom. — Ela disse o fazendo rir.
— Concordo que não fazer nada com você é melhor do que muitas coisas.
— Então não faremos nada. — Ela sorriu e deu um beijo no queixo de Eddie, que abaixou um pouco mais o rosto e deu um selinho.
— Você é incrível, sabia? Acho que não te falei isso ainda — ele disse colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
— Não seja bobo. — Ela riu e colocou as mãos em cima dos olhos dele o impedindo de olhar para ela.
— Sou bobo mesmo. — Ele tirou as mãos dela de seus olhos. — E a culpa é toda sua.
— Minha? O que eu fiz.
— Nasceu linda assim e um belo dia perdeu o juízo e decidiu ficar comigo — ele disse fazendo-a rir.
— Para de falar absurdos, vai.
— Me obriga, então. — Eles se olharam por um tempo, riram e então Chrissy selou seus lábios com um beijo.
Era um beijo calmo e delicado no início, mas logo foi se intensificando. Eddie tinha uma das mãos entrelaçadas no cabelo de Chrissy e a outra acariciava sua cintura. A mão dela deslizou pelo pescoço dele chegando até a nuca, ela o puxou mais para perto, como se fosse possível eles estarem mais próximos.
Com um movimento rápido mas sutil, Eddie ficou por cima de Chrissy com uma perna de cada lado de sua cintura. As mãos dela deslizaram pelo corpo de Eddie parando na barra de sua camiseta, a puxando em seguida para que fosse arrancada e pudesse sentir seu corpo mais próximo.
Eddie jogou a camiseta longe em algum canto do quarto e voltou a beijá-la, mas logo interrompeu o beijo ofegante.
— Tem certeza que quer isso? — ele perguntou baixo olhando nos olhos dela.
— Quero sim, e muito. — Ela sorriu e deu um beijo no pescoço de Eddie.
— Se mudar de ideia pode falar, está bem?
— Cala essa boca, Munson. — Ela riu e o puxou para que voltasse a beijar ela.
O beijo agora era mais intenso do que antes, mais do que jamais tinha sido, a mão de Eddie deslizou pelo corpo de Chrissy passando por debaixo de sua blusa apertando sua cintura. Chrissy separou o beijo para que pudesse dar a sua blusa ao mesmo destino que a de Eddie.
Ele sorria olhando para ela, queria memorizar cada detalhe daquele momento, a luz fraca do banheiro iluminando o quarto e por outro lado a luz da lua que invadia sua janela a deixava ainda mais linda. Ela também o encarava com um sorriso no rosto, enquanto isso, tirou seu sutiã e deitou novamente. Eddie seguiu uma trilha de beijos de sua boca descendo pelo seu pescoço, sua mãos que antes estava na cintura dela, agora deslizava até seu seio e o massageava delicadamente enquanto continuava distribuindo os beijos pelo seu pescoço. Chrissy deixou um gemido baixo escapar ao sentir o toque dele, suas mãos agora estavam entrelaçadas nos cabelos bagunçados de Eddie.
Ele continuou a trilha de beijos até o cós da calça de Chrissy, antes de abrir o botão, ele a lançou um olhar para pedir permissão e ter certeza que ela ainda queria aquilo. Ela acenou indicando que sim com a cabeça, e então ele continuou, tirou sua calça e depositou um beijo em seu quadril o que fez o corpo dela se arrepiar. Ela o puxou de volta para perto selando novamente seus lábios, em um movimento rápido ela inverteu as posições para ficar por cima, sua mão deslizou pelo peito de Eddie até sua calça, a desabotoou e jogou pra longe com a ajuda dele.
Agora que seus corpos estavam despidos, podiam sentir a pele um do outro, a eletricidade correndo por todo o corpo, o beijo intenso como nunca antes, Chrissy começou a mover seu quadril devagar, o que arrancou um gemido abafado de Eddie que imediatamente agarrou sua cintura com força. As últimas peças de roupa que restavam já haviam sido tiradas, em um movimento rápido Eddie inverteu as posições novamente ficando por cima. Em um movimento lento e cuidadoso, ele penetrou ela, Chrissy soltou um gemido baixo e longo jogando a cabeça para trás, ele mantinha os movimentos lentos e depositava beijos por todo o pescoço dela.
Os dois agora estavam em completa sintonia, ambos se movendo em sincronia como se fossem um. Gemidos escapavam da boca de ambos expressando o quanto aquilo era bom para os dois. Não demorou muito até que chegassem ao ápice e tudo que podia ser ouvido a seguir eram as respirações ofegantes dos dois preenchendo o quarto.
Eddie se jogou ao lado de Chrissy e a puxou para deixar em seu peito, ela o abraçou e escondeu seu rosto no pescoço dele. Assim ficaram um bom tempo até as respirações se normalizarem.
— Isso foi… — ele começou com a voz meio rouca.
— Incrível? Foi mesmo. — Ela disse com a voz baixa mas já não tão ofegante. Os dois riram baixo.
— Isso mesmo. — ele deu um beijo na testa de Chrissy. — Precisa ir logo?
— Não, disse que ficaria na casa da Sandy hoje.
— Quer passar a noite aqui? — Ele perguntou, meio receoso. Ela sorriu e apoiou o queixo no peito dele para olhar.
— Eu adoraria. — Ela sorriu e ele a acompanhou.
Os dois ficaram ali, juntos conversando sobre coisas aleatórias por horas e horas, até que pegaram no sono, ainda abraçados.

