Revisada por: Sagitário♐
Última Atualização: 17/4/26Depois de alguns minutos andando, finalmente encontrou o prédio que o indicaram no e-mail de boas vindas.
Assim que entrou pela porta, encontrou uma mesinha com voluntários onde podia tirar suas dúvidas, caminhou até uma dessas pessoas.
– Olá, meu nome é , recebi um e-mail indicando que este era meu dormitório - Disse em voz um pouco mais baixa, acontecia quando ficava tímido.
– Seja bem vindo - o rapaz lhe respondeu sorridente, parecia ser um dos veteranos. - Deixa eu dar uma olhada aqui se já temos um quarto para você. Por um acaso solicitou quarto privado? - Perguntou enquanto olhava os papéis em procura do nome.
– Não, optei pelos quartos normais compartilhados mesmo.
Ele até cogitou pedir por um quarto privado, mas já haviam lhe dito que geralmente veteranos do último ano tinham prioridade nessa distribuição, então escolheu por tentar a sorte.
– Aqui, encontrei! Seu quarto é o 707, fica no 9 andar, vamos lá, eu te acompanho - disse já se levantando.
– Ah não precisa não, eu consigo encontrar sozinho…
– Relaxa, esse é meu papel aqui, recepcionista e acompanhar os cálculos. - Deu mais um de seus sorrisos largos.
– Aliás, meu nome é Park Doyun, sou um dos monitores do prédio, quando precisar de algo pode me procurar. - Eles entraram no elevador e apertou o andar. - Seu colega de quarto já chegou, ele é do segundo ano, só não lembro o nome dele, já li muitos nomes hoje, minha cabeça fica uma bagunça. - O rapaz riu e o acompanhou.
– Tudo bem, eu pergunto quando chegar.
Não demorou muito a porta do elevador se abriu dando para um longo e escuro corredor onde as luzes iam se acendendo conforme detectava movimentos por ele. O quarto ficava mais ao fim desse corredor, uma luz saia da porta meio aberta. Doyun bateu chamando atenção do rapaz que estava dentro do quarto, ele era um pouco mais alto que , seus cabelos eram escuros e o corpo parecia magro apesar das roupas largas que usava.
– Com licença, vim trazer seu colega de quarto. Vou deixar que vocês se apresentem, se precisarem de algo só pedir para o guarda que fica na porta do dormitório me chamar - disse sorridente.
– Obrigado. - fez uma breve e tímida reverência em agradecimento e logo o rapaz se direcionou para o elevador novamente.
– Oi, eu sou o Lee Minho, vou ser seu colega de quarto, mas não se preocupe, eu costumo passar bastante tempo fora daqui. - Sua expressão não demonstrava muitas emoções, era bem neutra, interpretou como falta de ânimo com a volta das aulas.
– Eu sou , é meu primeiro ano aqui. Também é a primeira vez que divido o quarto com qualquer que não seja meu irmão, então se tiver algo que não goste pode me falar que vou fazer o possível pra ser um bom colega de quarto. - Sua voz estava mais baixa, detestava precisar se apresentar para novas pessoas, apesar do outro não parecer se importar, tinha um sorriso no rosto para parecer uma pessoa amigável.
– Tudo bem, pode entrar, já estou terminando de arrumar minhas coisas, sua cópia da chave está na escrivaninha do seu lado do quarto, Doyun não percebeu que as duas estavam juntas quando me entregou.
– Ah obrigado.
O quarto era maior do que pensou que seria, em cada lado havia uma cama e uma mesa para estudos. Já estava pensando nas possibilidades de personalizar seu lado para ficar mais com sua cara, mas deixaria isso mais pro meio do semestre, até descobrir como as coisas funcionavam por ali e com o colega.
A ideia de dividir o quarto com um estranho deixava meio apavorado, mas optou por viver a experiência completa da faculdade.
– Em qual curso você vai entrar? - puxou conversa se sentando na sua cama, ficando de frente para .
– Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
– Legal, eu faço TI, então provavelmente vamos acabar se encontrando em uma aula ou outra.
– Nossa que coincidência, legal saber disso. - Sorriu para o outro.
– Uhum. - ficou alguns segundos oldo a cara do garoto sorrindo, ele parecia um esquilo, achou isso engraçadinho. - Bom, se precisar de alguma coisa só me dizer, vou sair encontrar uns amigos, até mais.
A porta foi fechada antes mesmo que pudesse lhe responder algo, ele parecia ser meio esquisito, mas nao parecia ser uma má pessoa, pelo menos torcia pra isso.
colocou os fones de ouvido e foi arrumar suas coisas, viu que ao lado da mesa havia uma arara de roupas desmontada, então imediatamente a montou e pendurou algumas de suas roupas ali.
Depois de pouco mais de uma hora, suas coisas já estavam espalhadas pelo local deixando o local com uma cara mais familiar. Se jogou na cama e colocou um anime aleatório para assistir no notebook enquanto pesquisava quais seriam suas aulas no dia seguinte.
Já era por volta das 22h quando decidiu tomar um banho no banheiro compartilhado, pelo menos era um por andar, o que tornava o local um pouco menos insalubre.
Ao voltar ao quarto vestindo sua calça de moletom cinza e camiseta preta surrada enquanto secava os cabelos com a toalha, se deparou com seu colega de quarto jogado na cama.
– Olá - ele disse meio tímido.
– Olá, ficou legal como arrumou o quarto.
– Ah obrigado. - Um leve sorriso apareceu em seu rosto.
– O banheiro está muito cheio? - Sua voz parecia meio arrastada e as bochechas vermelhas, provavelmente tinha saído para beber com os amigos.
– Na verdade está vazio, só tinha eu quando saí de lá. - estendeu sua toalha na cadeira e se jogou na cama.
– Legal, acho que vou lá. - Levantou dando uma leve cambaleada.
– Você está bem?
– Tô sim, obrigado por perguntar. Só tomei mais soju do que deveria. - Deu uma risada baixa, era a primeira vez que o via rindo.
– Se precisar de algo só me chamar.
– Relaxa, não sou de ficar dando trabalho, vou ficar na minha.
– Não foi o que eu quis dizer, eu…
Antes que pudesse terminar a frase ele saiu com uma sacola com seus pertences rumo ao banheiro. Ele parecia ser alguém bem reservado, apesar de puxar conversa. Seu lado do quarto não tinha muitos itens de decoração, apenas o básico para os estudos. Suas roupas também estavam expostas em uma arara, todas em cores neutras, mas em sua maioria cores claras, diferente das de que eram todas em tons de preto, cinza ou branco.
Um tempo depois voltou, estava com o rosto mais sério que antes, mas parecia mais sóbrio. até pensou em puxar assunto perguntando se estava melhor, mas preferiu não incomodá-lo novamente.
Entregou currículo para vários lugares próximos ao campus, cafeterias, lanchonetes, até mesmo lojas. Agora que não moraria mais com os pais, precisaria do seu próprio dinheiro, eles se dispuseram a lhe ajudar com o que precisasse, mas não queria abusar mais da boa vontade deles.
Ao fim da tarde, quando estava voltando para o dormitório, passou em frente a uma cafeteira, um cartaz de “procura-se atendente e barista” estampada no vidro, imediatamente entrou e conversou com o atendente que chamou o gerente.
– Olá, no que posso ajudar? - Uma moça com um sorriso simpático aparecerá. Seus cabelos loiros estavam preso em um coque coberto por uma rede e um boné, provavelmente protocolo do uniforme, seus olhos eram bem estreitos, quase sumindo ao sorrir.
– Olá, meu nome é , vi que estavam procurando atendente, queria deixar meu currículo para a vaga. - Entregou a ela um envelope.
– E você tem experiência com esse tipo de emprego? - disse ela enquanto tirava o currículo do envelope para dar uma olhada.
– Já sim, não foi por muito tempo, mas trabalhei algumas semanas na cafeteira de um conhecido.
– Tem um currículo interessante, . você estaria disponível para um teste amanhã durante o dia? Temos um pouco de urgência em preencher a vaga, as aulas voltaram e isso aqui fica uma loucura.
– Claro, posso fazer o teste no horário que quiser, minhas aulas são no período da noite.
– Ótimo, te vejo amanhã às sete, pode ser? A propósito, meu nome é Song Miji. - Ela lhe estendeu a mão, ele a cumprimentou.
– Prazer, senhorita Song, estarei aqui amanhã às sete.
– Ótimo, nos vemos amanhã. - Ela deu mais um de seus sorrisos largos e voltou para a parte interna da cozinha.
mal podia acreditar nisso, esse seria um ótimo lugar, era bem próximo ao dormitório, e era um emprego com o qual já estava familiarizado.
Estava camindo até a porta com um sorriso estampado no rosto quando ouviu uma voz familiar.
– Hey, ! - Ao se virar, se deparou com um homem acenando freneticamente, um sorriso enorme estampava seu rosto. Era Christopher, o amigo mais velho que lhe havia passado algumas informações sobre a faculdade.
– Hyung! - correu em sua direção recebendo um abraço caloroso assim que encontrou o outro.
– Achei que ainda não tivesse chegado, por que não me mandou mensagem?
– Cheguei ontem, não queria te incomodar, e também estava cansado demais pra pensar depois que terminei de arrumar minhas coisas. - Ambos riram.
– Ah, esse aqui é meu amigo, , a gente tá na mesma turma. - Chris apontou para o rapaz a sua frente.
– Oh! - fez uma cara surpresa ao encontrar seu colega de quarto, ele piscava o olho rápido várias vezes enquanto encara a cara de .
– Vocês se conhecem?
– Somos colegas de quarto - respondeu.
– Sério? Que coincidência!
– Nossa eu jamais imaginei que vocês se conhecessem.
– Por que? Pareço tão antissocial assim? - perguntou com a mesma expressão neutra de quando o conheceu.
– Não, não claro que não, foi só… - percebeu o nervosismo do garoto ao tentar se explicar e acabou dando risada.
– Relaxa, estava brincando.
– Não faz isso com ele coitado, ele se assusta fácil, não tá vendo a carinha de esquilo assustado dele? - Chris disse apoiando a mão embaixo do queixo de , que fez uma careta empurrando sua mão.
– Ele parece mesmo um esquilo, é fofo - disse simplesmente, o que fez corar.
– Mas e aí, o que faz por aqui?
– Vim me candidatar para a vaga que tem ali na janela, vou fazer um teste amanhã.
– Olha só você todo crescido, já vai arrumar até um emprego! Eles crescem tão rápido. - Chris fingiu limpar uma lágrima que escorria.
– Ah, pára com isso, hyung, a gente nem tem tanta diferença de idade assim! - fazia careta, o que fez rir.
– Vou torcer por você, e passarei aqui só pra ser atendido por você.
– Não precisa fazer isso não, eu já vou estar bem enrolado amanhã tentando sobreviver e ter um colapso por ter que falar com pessoas.
– Por isso mesmo vou passar aqui.
– Por que você é um animal? Faz sentido. - deu de ombros fazendo os outros dois gargalharem.
– Ele é um abusado mesmo, um dia ainda vou te bater, !
– Você não tem coragem.
– Não mesmo - concordou e Chris fez cara de que aquilo havia lhe afetado.
– Vai fazer complô com esse aí, ? Isso que vocês mal se conhecem!
– Mas ele tem razão mesmo. Enfim, vou indo que eu ainda tenho aula hoje, vejo vocês depois. - se despediu com um aceno e seguiu caminho para seu dormitório. Os outros seguiram sentados tomando seus cafés.
– Bom saber que vai dividir o quarto com o , ele é um bom menino, meio rebelde sem causa, mas é bom. Pelo menos nenhum de vocês vão precisar viver com babacas.
– É bom saber disso, espero que ele também pense assim, e que não me faça mudar de colega de quarto várias vezes esse ano de novo.
– Relaxa, ele não é assim, você vai gostar dele.
ficou pensativo por um tempo oldo pelo caminho que fizera a alguns minutos quando saiu. Preferiu mudar de assunto, não queria falar daquilo agora.
*
estava voltando para o dormitório, acabaram de ter sua primeira aula da faculdade, isso ainda lhe soava estranho, às vezes era difícil aceitar que a idade adulta havia chegado, mesmo sua família continuando a lhe chamar de infantil.
Queria provar para eles e para si mesmo, que podia viver sua vida e ser adulto, mesmo que isso significasse deixar alguns sonhos de lado, talvez transformar eles em apenas um hobby.
Seu colega de quarto ainda não havia voltado, provavelmente tinha saído com os amigos de novo. Nessas horas, ficava triste por não fazer amigos tão facilmente.
Colocou seu pijama e se jogou na cama, precisava tentar dormir cedo já que devia estar as sete na cafeteira, porém sabia que isso seria uma tarefa difícil graças a sua ansiedade e problema de insônia com os quais lutava desde o início da adolescência.
Ficou deitado vendo animes por um bom tempo até que o sono finalmente o venceu. Era por volta das três da manhã quando ouviu um barulho alto e acordou pulando na cama. Era chegando, ainda mais bêbado que no dia anterior, havia aberto a porta com força e desequilibrado, o que a fez bater com força na parede.
– Ops, foi mal, bom menino, desculpa te acordar, prometo que não vou mais dar trabalho. - Bom menino? Sua voz estava bem mais arrastada hoje.
– Você está bem? - disse com a voz um pouco rouca e sonolenta.
– Ah sim, eu estou ótimo, vai dormir. - Abanou a mão dando a entender que não era nada demais.
Seria difícil de voltar a pegar no sono agora, seu coração ainda estava acelerado devido ao susto. Deu mais uma olhada no colega que agora estava totalmente jogado de qualquer jeito na cama. Era só essa que faltava, acabou em um quarto com um bêbado que vai para a farra toda noite. torceu para que isso não se repetisse todos os dias, ou teriam um problema.
Voltou até o quarto para conferir se não havia esquecido nada, ao sair, deu uma olhada em que estava jogado na cama do mesmo jeito que estava quando chegou de madrugada. Sua aparência era péssima, provavelmente acordaria com ressaca.
olhou para os bolinhos em sua mão, pensou um pouco e escolheu deixá-los na escrivaninha próxima a cabeceira da cama de para quando ele acordasse.
Seguiu para a cafeteria do campus, ainda faltavam quinze minutos para as sete, ficou ali sentado com seus fones de ouvido. Alguns minutos depois viu Song Miji se aproximando, os cabelos loiros agora soltos esvoaçantes no vento.
– Olha só, você é muito pontual. — Um enorme sorriso estampava seu rosto.
– Estava com medo de chegar muito em cima da hora. — Ele deu uma risada tímida.
– Isso é ótimo, assim posso te passar algumas orientações antes do pessoal chegar. Vem, vamos entrar.
Ela acendeu as luzes do local que parecia bem diferente do dia anterior, já que estava bem vazio e iluminado pela luz do sol da manhã.
– Vem aqui comigo, vou te mostrar onde ficam os armários.
a seguiu para uma sala aos fundos, lá tinha um sofá surrado e alguns armários, como os de escola, cada um com um nome da porta, alguns sem nome, provavelmente os vagos.
– Aqui a gente pode guardar coisas como mochila, blusas de frio, material pra estudar no intervalo, qualquer coisa. Colocamos os nomes na porta, assim sabemos identificar de quem é. O seu hoje vai ser aquele ali do canto, a chave já está na porta. Pode guardar suas coisas e ficar com a chave, só não perde, por favor. — Ela riu e ele apenas concordou. — Enquanto guardas suas coisas, vou no escritório pegar um uniforme pra você.
Mal terminou a frase ela já não estava mais na sala. Miji era bem agitada e falava rápido, estava mais tímido do que imaginava nesse momento. Guardou a jaqueta e os fones no armário e prendeu o chaveiro da chave no passador da calça, assim não a perderia. Não demorou muito a garota estava de volta com um avental e um boné nas mãos.
– Aqui seu uniforme, o boné não é necessariamente obrigatório, se não quiser pode ficar sem.
– Tudo bem, eu gostei. — Ele sorriu colocando o boné.
– Ótimo. Vem, vou te explicar como funcionam as máquinas. Hoje você vai ficar com a parte dos cafés, mas vou ficar lá te ajudando com isso.
Foram até o balcão, alguns outros funcionários já haviam chegado, Miji os apresentava um por um a . Ela o explicou como funcionava a máquina, não era diferente da outra cafeteria na qual trabalhara, isso o deixou muito mais tranquilo, ele fez uma pequena anotação em um post it e colocou próximo a máquina com as quantidades de cada ingrediente que precisava para alguns dos cafés mais pedidos.
– Pode ir se trocar no banheiro, fica ao lado da sala dos armários.
– Tá bem, eu volto logo.
seguiu até o banheiro, colocou a camisa branca de botões por cima da camiseta branca que usava, ajeitou o cabelo atrás da orelha e colocou o boné que era em um tom marrom escuro, restou apenas a gravata. Isso seria um problema, ele nunca havia aprendido fazer o nó. Colocou em volta do pescoço e guardou sua roupa no armário que havia usado mais cedo e voltou para o balcão.
– Senhorita Song, pode me ajudar com isso? — Apontou para a gravata. — Eu juro que vou fazer o meu melhor para aprender e não precisar mais lhe pedir isso. — Suas bochechas agora estavam vermelhas, Miji riu ao perceber que ele estava envergonhado e talvez com medo de levar bronca.
– Relaxa, isso é sempre um problema mesmo. — Ela imediatamente começou a dar o nó de forma habilidosa. — Se achar muito difícil, mantenha esse nó, só puxe assim — ela demonstrou puxando o nó, deixando a gravata mais solta. — E depois assim. — Segurou a parte mais curta atrás e voltou o nó ao lugar. — E não vai precisar dar outro nó até precisar lavar. — Deu um sorriso satisfeita com a expressão de choque estampada na cara de .
– Nossa, você faz isso parecer muito fácil! Muito obrigada Senhorita Song! — Fez uma pequena reverência em agradecimento.
– Imagina! Se precisar de alguma coisa, só me dizer. Agora vai pro seu lugar, já vamos abrir!
seguiu até a máquina de café e esperou encostado no balcão, suas mãos tremiam um pouco, estava com medo do quão movimentado seria aquele horário. Para sua surpresa, não foi o caos como ele imaginou, não se formou uma fila gigante e todos entraram correndo como uma onda pela porta implorando por café.
Teve sim bastante clientes durante todas as primeiras horas da manhã, mas nada que ele não desse conta. Agradeceu mentalmente por ter tido experiência nisso e ter se dado bem no emprego anterior também.
Song Miji ficou com os pedidos mais complexos que levavam cremes e essências, não eram muitos. fez os que eram apenas café, café gelado e leite, das formas mais variadas, mas todas simples o suficiente para ele não atrasar nenhum pedido sequer.
Realmente o período das 7h às 10h era bem agitado, era o horário que as aulas começavam, então o pessoal acabava passando por lá a caminho de suas salas.
Depois das 10h, Miji dispensou para um intervalo de 10 minutos, ele pegou seu celular no armário e seguiu para um banco embaixo de uma árvore que havia ao lado da cafeteria.
Ficou ali por um tempo comendo um bolinho que havia pegado na cafeteria e mexendo no celular. Um tempo depois recebeu uma mensagem de um número desconhecido, era . havia deixado um post it na escrivaninha do colega de quarto no dia que chegou, com seu número de telefone caso precisasse de algo. Como ele não tinha comentado nada sobre, achou que ele nem sequer tinha dado importância para aquele papel.
“Oi, aqui é o , seu colega de quarto. Foi você que deixou os bolinhos aqui?”
deu risada da mensagem, achou engraçado ele se apresentar pelo nome completo e ir direto ao assunto.
“Foi sim, você parecia mal ontem, achei que ajudaria um pouco ter algo pra comer quando acordasse.”
Não demorou muito, a resposta chegou.
“Foi mesmo, obrigado.”
“De nada.”
se perguntava se algum dia eles ainda seriam amigos, mas achava difícil, eles mal se encontravam, sempre que chegava o outro não estava lá. O tempo de já estava acabando, devolveu o celular ao armário e voltou à cafeteria.
Agora que o período de maior movimento já tinha passado, Miji aproveitou para ensinar mais coisas para , como fazer cafés mais complexos e a diferença entre alguns pratos do menu. Ele anotava algumas informações que achava importante, o que a fazia rir.
– É tão difícil assim? — perguntou.
– Na verdade não, mas tenho medo de esquecer, se faço assim eu decoro melhor e consigo me lembrar das coisas que anotei.
– Interessante. Você parece inteligente, .
– Eu tento fazer meu melhor, mas não sou tanto assim. — Riu sem graça já com as bochechas corando.
– Não fala assim, você tem que se valorizar.
Ambos deram risada do jeito de Miji e voltaram a conversar sobre as coisas do trabalho.
A hora passou rápido naquele dia, quando olhou para o relógio, já marcava 13h, o que significava que o expediente de havia acabado.
– , já deu seu horário, pode ir — Miji o alertou.
– Obrigado, o uniforme eu posso levar para lavar e depois trazer de volta?
– Não, ele é seu. Bem-vindo ao time. — Deu um sorriso largo e a acompanhou.
– Muito obrigado senhorita Song, prometo que farei o meu melhor. — Fez uma reverência em agradecimento.
– Deixa disso, você se saiu bem! E pode me chamar só de Miji. — Ela sorriu e voltou para o caixa para atender um cliente.
seguiu para a sala de armários, pegou suas coisas e foi até o banheiro se trocar. Estava muito feliz que conseguiu o trabalho tão rápido e em um lugar que havia gostado e a gerente era legal.
Depois de se trocar, saiu pelos fundos da cafeteria bagunçando o cabelo amassado pelo boné, colocou os fones e o capuz da blusa por cima. Passou pela loja de conveniência, comeu um ramen e seguiu para seu dormitório.
Estava cansado, precisava descansar um pouco já que ainda teria aula. Ao chegar no quarto, se deparou com sentado em sua escrivaninha com alguns livros.
– Olá — disse camindo até sua cama onde se jogou.
– Chegou cedo, como foi o teste?
– A vaga é meio período, e consegui o emprego. — Sorriu e tirou sua atenção dos livros para o olhar.
– Que legal! Parabéns.
– Obrigado. — olhou seu relógio de pulso e voltou a olhar para .
– Quer ir almoçar?
– Acabei de passar pela loja de conveniência e comi, mas obrigado pelo convite.
– Ah, tudo bem, vou sozinho então — disse já se levantando e pegando uma jaqueta jeans que estava nas costas da cadeira.
– Podemos ir amanhã se ainda quiser.
– Tá bom, a gente se fala depois então. — Ele acenou e saiu pela porta.
ainda não conseguia entender ele muito bem, parecia ser uma boa pessoa, mas meio distante, talvez por ainda não se conhecerem direito. Tentou não ficar pensando muito nisso, usou o tempo livre para tirar um cochilo.

