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Want So Bad

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CAPÍTULO 1


andava pelo campus procurando pelo dormitório onde moraria pelos próximos anos. Em uma mão, o celular com um “mapa” desenhado por um de seus amigos veteranos - que não estava sendo tão claro quando deveria - na outra, tentava equilibrar a case do violão no ombro enquanto segurava sua mala de rodinhas. Preferiu não levar muitas coisas logo de cara, apenas o essencial, embora ainda faltasse seu vídeo game.
Depois de alguns minutos andando, finalmente encontrou o prédio que o indicaram no e-mail de boas vindas.
Assim que entrou pela porta, encontrou uma mesinha com voluntários onde podia tirar suas dúvidas, caminhou até uma dessas pessoas.
– Olá, meu nome é , recebi um e-mail indicando que este era meu dormitório - Disse em voz um pouco mais baixa, acontecia quando ficava tímido.
– Seja bem vindo - o rapaz lhe respondeu sorridente, parecia ser um dos veteranos. - Deixa eu dar uma olhada aqui se já temos um quarto para você. Por um acaso solicitou quarto privado? - Perguntou enquanto olhava os papéis em procura do nome.
– Não, optei pelos quartos normais compartilhados mesmo.
Ele até cogitou pedir por um quarto privado, mas já haviam lhe dito que geralmente veteranos do último ano tinham prioridade nessa distribuição, então escolheu por tentar a sorte.
– Aqui, encontrei! Seu quarto é o 707, fica no 9 andar, vamos lá, eu te acompanho - disse já se levantando.
– Ah não precisa não, eu consigo encontrar sozinho…
– Relaxa, esse é meu papel aqui, recepcionista e acompanhar os cálculos. - Deu mais um de seus sorrisos largos.
– Aliás, meu nome é Park Doyun, sou um dos monitores do prédio, quando precisar de algo pode me procurar. - Eles entraram no elevador e apertou o andar. - Seu colega de quarto já chegou, ele é do segundo ano, só não lembro o nome dele, já li muitos nomes hoje, minha cabeça fica uma bagunça. - O rapaz riu e o acompanhou.
– Tudo bem, eu pergunto quando chegar.
Não demorou muito a porta do elevador se abriu dando para um longo e escuro corredor onde as luzes iam se acendendo conforme detectava movimentos por ele. O quarto ficava mais ao fim desse corredor, uma luz saia da porta meio aberta. Doyun bateu chamando atenção do rapaz que estava dentro do quarto, ele era um pouco mais alto que , seus cabelos eram escuros e o corpo parecia magro apesar das roupas largas que usava.
– Com licença, vim trazer seu colega de quarto. Vou deixar que vocês se apresentem, se precisarem de algo só pedir para o guarda que fica na porta do dormitório me chamar - disse sorridente.
– Obrigado. - fez uma breve e tímida reverência em agradecimento e logo o rapaz se direcionou para o elevador novamente.
– Oi, eu sou o Lee Minho, vou ser seu colega de quarto, mas não se preocupe, eu costumo passar bastante tempo fora daqui. - Sua expressão não demonstrava muitas emoções, era bem neutra, interpretou como falta de ânimo com a volta das aulas.
– Eu sou , é meu primeiro ano aqui. Também é a primeira vez que divido o quarto com qualquer que não seja meu irmão, então se tiver algo que não goste pode me falar que vou fazer o possível pra ser um bom colega de quarto. - Sua voz estava mais baixa, detestava precisar se apresentar para novas pessoas, apesar do outro não parecer se importar, tinha um sorriso no rosto para parecer uma pessoa amigável.
– Tudo bem, pode entrar, já estou terminando de arrumar minhas coisas, sua cópia da chave está na escrivaninha do seu lado do quarto, Doyun não percebeu que as duas estavam juntas quando me entregou.
– Ah obrigado.
O quarto era maior do que pensou que seria, em cada lado havia uma cama e uma mesa para estudos. Já estava pensando nas possibilidades de personalizar seu lado para ficar mais com sua cara, mas deixaria isso mais pro meio do semestre, até descobrir como as coisas funcionavam por ali e com o colega.
A ideia de dividir o quarto com um estranho deixava meio apavorado, mas optou por viver a experiência completa da faculdade.
– Em qual curso você vai entrar? - puxou conversa se sentando na sua cama, ficando de frente para .
– Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
– Legal, eu faço TI, então provavelmente vamos acabar se encontrando em uma aula ou outra.
– Nossa que coincidência, legal saber disso. - Sorriu para o outro.
– Uhum. - ficou alguns segundos oldo a cara do garoto sorrindo, ele parecia um esquilo, achou isso engraçadinho. - Bom, se precisar de alguma coisa só me dizer, vou sair encontrar uns amigos, até mais.
A porta foi fechada antes mesmo que pudesse lhe responder algo, ele parecia ser meio esquisito, mas nao parecia ser uma má pessoa, pelo menos torcia pra isso.
colocou os fones de ouvido e foi arrumar suas coisas, viu que ao lado da mesa havia uma arara de roupas desmontada, então imediatamente a montou e pendurou algumas de suas roupas ali.
Depois de pouco mais de uma hora, suas coisas já estavam espalhadas pelo local deixando o local com uma cara mais familiar. Se jogou na cama e colocou um anime aleatório para assistir no notebook enquanto pesquisava quais seriam suas aulas no dia seguinte.
Já era por volta das 22h quando decidiu tomar um banho no banheiro compartilhado, pelo menos era um por andar, o que tornava o local um pouco menos insalubre.
Ao voltar ao quarto vestindo sua calça de moletom cinza e camiseta preta surrada enquanto secava os cabelos com a toalha, se deparou com seu colega de quarto jogado na cama.
– Olá - ele disse meio tímido.
– Olá, ficou legal como arrumou o quarto.
– Ah obrigado. - Um leve sorriso apareceu em seu rosto.
– O banheiro está muito cheio? - Sua voz parecia meio arrastada e as bochechas vermelhas, provavelmente tinha saído para beber com os amigos.
– Na verdade está vazio, só tinha eu quando saí de lá. - estendeu sua toalha na cadeira e se jogou na cama.
– Legal, acho que vou lá. - Levantou dando uma leve cambaleada.
– Você está bem?
– Tô sim, obrigado por perguntar. Só tomei mais soju do que deveria. - Deu uma risada baixa, era a primeira vez que o via rindo.
– Se precisar de algo só me chamar.
– Relaxa, não sou de ficar dando trabalho, vou ficar na minha.
– Não foi o que eu quis dizer, eu…
Antes que pudesse terminar a frase ele saiu com uma sacola com seus pertences rumo ao banheiro. Ele parecia ser alguém bem reservado, apesar de puxar conversa. Seu lado do quarto não tinha muitos itens de decoração, apenas o básico para os estudos. Suas roupas também estavam expostas em uma arara, todas em cores neutras, mas em sua maioria cores claras, diferente das de que eram todas em tons de preto, cinza ou branco.
Um tempo depois voltou, estava com o rosto mais sério que antes, mas parecia mais sóbrio. até pensou em puxar assunto perguntando se estava melhor, mas preferiu não incomodá-lo novamente.

CAPÍTULO 2

acordou no dia seguinte e foi logo tomar banho, seu colega de quarto já não estava mais lá. Colocou uma roupa mais neutra, sem muitos acessórios ou estampas, já que iria tentar encontrar um emprego.
Entregou currículo para vários lugares próximos ao campus, cafeterias, lanchonetes, até mesmo lojas. Agora que não moraria mais com os pais, precisaria do seu próprio dinheiro, eles se dispuseram a lhe ajudar com o que precisasse, mas não queria abusar mais da boa vontade deles.
Ao fim da tarde, quando estava voltando para o dormitório, passou em frente a uma cafeteira, um cartaz de “procura-se atendente e barista” estampada no vidro, imediatamente entrou e conversou com o atendente que chamou o gerente.
– Olá, no que posso ajudar? - Uma moça com um sorriso simpático aparecerá. Seus cabelos loiros estavam preso em um coque coberto por uma rede e um boné, provavelmente protocolo do uniforme, seus olhos eram bem estreitos, quase sumindo ao sorrir.
– Olá, meu nome é , vi que estavam procurando atendente, queria deixar meu currículo para a vaga. - Entregou a ela um envelope.
– E você tem experiência com esse tipo de emprego? - disse ela enquanto tirava o currículo do envelope para dar uma olhada.
– Já sim, não foi por muito tempo, mas trabalhei algumas semanas na cafeteira de um conhecido.
– Tem um currículo interessante, . você estaria disponível para um teste amanhã durante o dia? Temos um pouco de urgência em preencher a vaga, as aulas voltaram e isso aqui fica uma loucura.
– Claro, posso fazer o teste no horário que quiser, minhas aulas são no período da noite.
– Ótimo, te vejo amanhã às sete, pode ser? A propósito, meu nome é Song Miji. - Ela lhe estendeu a mão, ele a cumprimentou.
– Prazer, senhorita Song, estarei aqui amanhã às sete.
– Ótimo, nos vemos amanhã. - Ela deu mais um de seus sorrisos largos e voltou para a parte interna da cozinha.
mal podia acreditar nisso, esse seria um ótimo lugar, era bem próximo ao dormitório, e era um emprego com o qual já estava familiarizado.
Estava camindo até a porta com um sorriso estampado no rosto quando ouviu uma voz familiar.
– Hey, ! - Ao se virar, se deparou com um homem acenando freneticamente, um sorriso enorme estampava seu rosto. Era Christopher, o amigo mais velho que lhe havia passado algumas informações sobre a faculdade.
– Hyung! - correu em sua direção recebendo um abraço caloroso assim que encontrou o outro.
– Achei que ainda não tivesse chegado, por que não me mandou mensagem?
– Cheguei ontem, não queria te incomodar, e também estava cansado demais pra pensar depois que terminei de arrumar minhas coisas. - Ambos riram.
– Ah, esse aqui é meu amigo, , a gente tá na mesma turma. - Chris apontou para o rapaz a sua frente.
– Oh! - fez uma cara surpresa ao encontrar seu colega de quarto, ele piscava o olho rápido várias vezes enquanto encara a cara de .
– Vocês se conhecem?
– Somos colegas de quarto - respondeu.
– Sério? Que coincidência!
– Nossa eu jamais imaginei que vocês se conhecessem.
– Por que? Pareço tão antissocial assim? - perguntou com a mesma expressão neutra de quando o conheceu.
– Não, não claro que não, foi só… - percebeu o nervosismo do garoto ao tentar se explicar e acabou dando risada.
– Relaxa, estava brincando.
– Não faz isso com ele coitado, ele se assusta fácil, não tá vendo a carinha de esquilo assustado dele? - Chris disse apoiando a mão embaixo do queixo de , que fez uma careta empurrando sua mão.
– Ele parece mesmo um esquilo, é fofo - disse simplesmente, o que fez corar.
– Mas e aí, o que faz por aqui?
– Vim me candidatar para a vaga que tem ali na janela, vou fazer um teste amanhã.
– Olha só você todo crescido, já vai arrumar até um emprego! Eles crescem tão rápido. - Chris fingiu limpar uma lágrima que escorria.
– Ah, pára com isso, hyung, a gente nem tem tanta diferença de idade assim! - fazia careta, o que fez rir.
– Vou torcer por você, e passarei aqui só pra ser atendido por você.
– Não precisa fazer isso não, eu já vou estar bem enrolado amanhã tentando sobreviver e ter um colapso por ter que falar com pessoas.
– Por isso mesmo vou passar aqui.
– Por que você é um animal? Faz sentido. - deu de ombros fazendo os outros dois gargalharem.
– Ele é um abusado mesmo, um dia ainda vou te bater, !
– Você não tem coragem.
– Não mesmo - concordou e Chris fez cara de que aquilo havia lhe afetado.
– Vai fazer complô com esse aí, ? Isso que vocês mal se conhecem!
– Mas ele tem razão mesmo. Enfim, vou indo que eu ainda tenho aula hoje, vejo vocês depois. - se despediu com um aceno e seguiu caminho para seu dormitório. Os outros seguiram sentados tomando seus cafés.
– Bom saber que vai dividir o quarto com o , ele é um bom menino, meio rebelde sem causa, mas é bom. Pelo menos nenhum de vocês vão precisar viver com babacas.
– É bom saber disso, espero que ele também pense assim, e que não me faça mudar de colega de quarto várias vezes esse ano de novo.
– Relaxa, ele não é assim, você vai gostar dele.
ficou pensativo por um tempo oldo pelo caminho que fizera a alguns minutos quando saiu. Preferiu mudar de assunto, não queria falar daquilo agora.

*

estava voltando para o dormitório, acabaram de ter sua primeira aula da faculdade, isso ainda lhe soava estranho, às vezes era difícil aceitar que a idade adulta havia chegado, mesmo sua família continuando a lhe chamar de infantil.
Queria provar para eles e para si mesmo, que podia viver sua vida e ser adulto, mesmo que isso significasse deixar alguns sonhos de lado, talvez transformar eles em apenas um hobby.
Seu colega de quarto ainda não havia voltado, provavelmente tinha saído com os amigos de novo. Nessas horas, ficava triste por não fazer amigos tão facilmente.
Colocou seu pijama e se jogou na cama, precisava tentar dormir cedo já que devia estar as sete na cafeteira, porém sabia que isso seria uma tarefa difícil graças a sua ansiedade e problema de insônia com os quais lutava desde o início da adolescência.
Ficou deitado vendo animes por um bom tempo até que o sono finalmente o venceu. Era por volta das três da manhã quando ouviu um barulho alto e acordou pulando na cama. Era chegando, ainda mais bêbado que no dia anterior, havia aberto a porta com força e desequilibrado, o que a fez bater com força na parede.
– Ops, foi mal, bom menino, desculpa te acordar, prometo que não vou mais dar trabalho. - Bom menino? Sua voz estava bem mais arrastada hoje.
– Você está bem? - disse com a voz um pouco rouca e sonolenta.
– Ah sim, eu estou ótimo, vai dormir. - Abanou a mão dando a entender que não era nada demais.
Seria difícil de voltar a pegar no sono agora, seu coração ainda estava acelerado devido ao susto. Deu mais uma olhada no colega que agora estava totalmente jogado de qualquer jeito na cama. Era só essa que faltava, acabou em um quarto com um bêbado que vai para a farra toda noite. torceu para que isso não se repetisse todos os dias, ou teriam um problema.


CAPÍTULO 3

O celular de despertou às 6h da manhã. Tomou um banho, colocou uma roupa mais apresentável, sem muitas estampas e acessórios e decidiu ir tomar café na loja de conveniência próxima dali. Pegou um sanduíche natural, um copo de café gelado e dois bolinhos de chocolate, que guardaria para seu lanche mais tarde.
Voltou até o quarto para conferir se não havia esquecido nada, ao sair, deu uma olhada em que estava jogado na cama do mesmo jeito que estava quando chegou de madrugada. Sua aparência era péssima, provavelmente acordaria com ressaca.
olhou para os bolinhos em sua mão, pensou um pouco e escolheu deixá-los na escrivaninha próxima a cabeceira da cama de para quando ele acordasse.
Seguiu para a cafeteria do campus, ainda faltavam quinze minutos para as sete, ficou ali sentado com seus fones de ouvido. Alguns minutos depois viu Song Miji se aproximando, os cabelos loiros agora soltos esvoaçantes no vento.
– Olha só, você é muito pontual. — Um enorme sorriso estampava seu rosto.
– Estava com medo de chegar muito em cima da hora. — Ele deu uma risada tímida.
– Isso é ótimo, assim posso te passar algumas orientações antes do pessoal chegar. Vem, vamos entrar.
Ela acendeu as luzes do local que parecia bem diferente do dia anterior, já que estava bem vazio e iluminado pela luz do sol da manhã.
– Vem aqui comigo, vou te mostrar onde ficam os armários.
a seguiu para uma sala aos fundos, lá tinha um sofá surrado e alguns armários, como os de escola, cada um com um nome da porta, alguns sem nome, provavelmente os vagos.
– Aqui a gente pode guardar coisas como mochila, blusas de frio, material pra estudar no intervalo, qualquer coisa. Colocamos os nomes na porta, assim sabemos identificar de quem é. O seu hoje vai ser aquele ali do canto, a chave já está na porta. Pode guardar suas coisas e ficar com a chave, só não perde, por favor. — Ela riu e ele apenas concordou. — Enquanto guardas suas coisas, vou no escritório pegar um uniforme pra você.
Mal terminou a frase ela já não estava mais na sala. Miji era bem agitada e falava rápido, estava mais tímido do que imaginava nesse momento. Guardou a jaqueta e os fones no armário e prendeu o chaveiro da chave no passador da calça, assim não a perderia. Não demorou muito a garota estava de volta com um avental e um boné nas mãos.
– Aqui seu uniforme, o boné não é necessariamente obrigatório, se não quiser pode ficar sem.
– Tudo bem, eu gostei. — Ele sorriu colocando o boné.
– Ótimo. Vem, vou te explicar como funcionam as máquinas. Hoje você vai ficar com a parte dos cafés, mas vou ficar lá te ajudando com isso.
Foram até o balcão, alguns outros funcionários já haviam chegado, Miji os apresentava um por um a . Ela o explicou como funcionava a máquina, não era diferente da outra cafeteria na qual trabalhara, isso o deixou muito mais tranquilo, ele fez uma pequena anotação em um post it e colocou próximo a máquina com as quantidades de cada ingrediente que precisava para alguns dos cafés mais pedidos.
– Pode ir se trocar no banheiro, fica ao lado da sala dos armários.
– Tá bem, eu volto logo.
seguiu até o banheiro, colocou a camisa branca de botões por cima da camiseta branca que usava, ajeitou o cabelo atrás da orelha e colocou o boné que era em um tom marrom escuro, restou apenas a gravata. Isso seria um problema, ele nunca havia aprendido fazer o nó. Colocou em volta do pescoço e guardou sua roupa no armário que havia usado mais cedo e voltou para o balcão.
– Senhorita Song, pode me ajudar com isso? — Apontou para a gravata. — Eu juro que vou fazer o meu melhor para aprender e não precisar mais lhe pedir isso. — Suas bochechas agora estavam vermelhas, Miji riu ao perceber que ele estava envergonhado e talvez com medo de levar bronca.
– Relaxa, isso é sempre um problema mesmo. — Ela imediatamente começou a dar o nó de forma habilidosa. — Se achar muito difícil, mantenha esse nó, só puxe assim — ela demonstrou puxando o nó, deixando a gravata mais solta. — E depois assim. — Segurou a parte mais curta atrás e voltou o nó ao lugar. — E não vai precisar dar outro nó até precisar lavar. — Deu um sorriso satisfeita com a expressão de choque estampada na cara de .
– Nossa, você faz isso parecer muito fácil! Muito obrigada Senhorita Song! — Fez uma pequena reverência em agradecimento.
– Imagina! Se precisar de alguma coisa, só me dizer. Agora vai pro seu lugar, já vamos abrir!
seguiu até a máquina de café e esperou encostado no balcão, suas mãos tremiam um pouco, estava com medo do quão movimentado seria aquele horário. Para sua surpresa, não foi o caos como ele imaginou, não se formou uma fila gigante e todos entraram correndo como uma onda pela porta implorando por café.
Teve sim bastante clientes durante todas as primeiras horas da manhã, mas nada que ele não desse conta. Agradeceu mentalmente por ter tido experiência nisso e ter se dado bem no emprego anterior também.
Song Miji ficou com os pedidos mais complexos que levavam cremes e essências, não eram muitos. fez os que eram apenas café, café gelado e leite, das formas mais variadas, mas todas simples o suficiente para ele não atrasar nenhum pedido sequer.
Realmente o período das 7h às 10h era bem agitado, era o horário que as aulas começavam, então o pessoal acabava passando por lá a caminho de suas salas.
Depois das 10h, Miji dispensou para um intervalo de 10 minutos, ele pegou seu celular no armário e seguiu para um banco embaixo de uma árvore que havia ao lado da cafeteria.
Ficou ali por um tempo comendo um bolinho que havia pegado na cafeteria e mexendo no celular. Um tempo depois recebeu uma mensagem de um número desconhecido, era . havia deixado um post it na escrivaninha do colega de quarto no dia que chegou, com seu número de telefone caso precisasse de algo. Como ele não tinha comentado nada sobre, achou que ele nem sequer tinha dado importância para aquele papel.
“Oi, aqui é o , seu colega de quarto. Foi você que deixou os bolinhos aqui?”
deu risada da mensagem, achou engraçado ele se apresentar pelo nome completo e ir direto ao assunto.
“Foi sim, você parecia mal ontem, achei que ajudaria um pouco ter algo pra comer quando acordasse.”
Não demorou muito, a resposta chegou.
“Foi mesmo, obrigado.”
“De nada.”
se perguntava se algum dia eles ainda seriam amigos, mas achava difícil, eles mal se encontravam, sempre que chegava o outro não estava lá. O tempo de já estava acabando, devolveu o celular ao armário e voltou à cafeteria.
Agora que o período de maior movimento já tinha passado, Miji aproveitou para ensinar mais coisas para , como fazer cafés mais complexos e a diferença entre alguns pratos do menu. Ele anotava algumas informações que achava importante, o que a fazia rir.
– É tão difícil assim? — perguntou.
– Na verdade não, mas tenho medo de esquecer, se faço assim eu decoro melhor e consigo me lembrar das coisas que anotei.
– Interessante. Você parece inteligente, .
– Eu tento fazer meu melhor, mas não sou tanto assim. — Riu sem graça já com as bochechas corando.
– Não fala assim, você tem que se valorizar.
Ambos deram risada do jeito de Miji e voltaram a conversar sobre as coisas do trabalho.
A hora passou rápido naquele dia, quando olhou para o relógio, já marcava 13h, o que significava que o expediente de havia acabado.
, já deu seu horário, pode ir — Miji o alertou.
– Obrigado, o uniforme eu posso levar para lavar e depois trazer de volta?
– Não, ele é seu. Bem-vindo ao time. — Deu um sorriso largo e a acompanhou.
– Muito obrigado senhorita Song, prometo que farei o meu melhor. — Fez uma reverência em agradecimento.
– Deixa disso, você se saiu bem! E pode me chamar só de Miji. — Ela sorriu e voltou para o caixa para atender um cliente.
seguiu para a sala de armários, pegou suas coisas e foi até o banheiro se trocar. Estava muito feliz que conseguiu o trabalho tão rápido e em um lugar que havia gostado e a gerente era legal.
Depois de se trocar, saiu pelos fundos da cafeteria bagunçando o cabelo amassado pelo boné, colocou os fones e o capuz da blusa por cima. Passou pela loja de conveniência, comeu um ramen e seguiu para seu dormitório.
Estava cansado, precisava descansar um pouco já que ainda teria aula. Ao chegar no quarto, se deparou com sentado em sua escrivaninha com alguns livros.
– Olá — disse camindo até sua cama onde se jogou.
– Chegou cedo, como foi o teste?
– A vaga é meio período, e consegui o emprego. — Sorriu e tirou sua atenção dos livros para o olhar.
– Que legal! Parabéns.
– Obrigado. — olhou seu relógio de pulso e voltou a olhar para .
– Quer ir almoçar?
– Acabei de passar pela loja de conveniência e comi, mas obrigado pelo convite.
– Ah, tudo bem, vou sozinho então — disse já se levantando e pegando uma jaqueta jeans que estava nas costas da cadeira.
– Podemos ir amanhã se ainda quiser.
– Tá bom, a gente se fala depois então. — Ele acenou e saiu pela porta.
ainda não conseguia entender ele muito bem, parecia ser uma boa pessoa, mas meio distante, talvez por ainda não se conhecerem direito. Tentou não ficar pensando muito nisso, usou o tempo livre para tirar um cochilo.


CAPÍTULO 4

Duas semanas já haviam se passado desde que tinha começado a faculdade. As coisas estavam indo muito bem no trabalho, já tinha aprendido a fazer praticamente todos os tipos de café do cardápio e estava mais ágil com os pedidos frequentes.
Com os estudos, as coisas não iam tão bem quanto no serviço. Estava tendo um pouco de dificuldade em assimilar tanta coisa nova, mas estava dando seu melhor e estudando no tempo livre.
Quanto ao seu colega de quarto, as coisas não tinham mudado muito, conversaram algumas vezes sobre como estavam as coisas, perguntou sobre o que gostava de assistir, ele falou sobre alguns animes, mas nada além disso.
As noites chegando bêbado haviam diminuído, mas aos fins de semana elas sempre se repetiam. preferia não comentar nada sobre, às vezes deixava algum remédio para dor de cabeça ou um snack, mas só isso.
Era sábado à tarde, tinha acabado de sair do trabalho e estava indo em direção ao dormitório, chegando perto da porta encontrou saindo.
– Oi .
– Oi, quer ir almoçar?
– Claro, espera eu só deixar minha mochila no quarto? Volto rápido — disse apoiando para a mochila onde carregava o uniforme.
– Tá bom, vai lá.
correu até o quarto, deixou a mochila, trocou a camiseta branca por uma preta que não tinha cheiro de cafeteria, colocou um boné também preto e correu de volta até a entrada. estava andando de um lado para o outro chutando pedrinhas do chão.
– Voltei. Onde quer ir?
– Foi rápido. — Ele olhou de cima a baixo, observando que ele havia trocado a blusa, preto combinava mais com ele. — Tem algum lugar em mente?
– Na verdade não, como sempre na loja de conveniência ou no restaurante aqui perto, não conheço muitos lugares ainda. — Ajeitou os óculos no rosto, em parte para esconder que estava meio sem jeito.
– O que acha de a gente ir num restaurante mais longe? Você tem tempo pra isso? — observou que as vezes quando esperava uma resposta ou prestava atenção no que outras pessoas falaram, dava algumas piscadas rápidas, ele achava isso engraçado e um pouco fofo.
– Tenho sim, não tenho mais planos pra hoje.
– Legal, vem, vou te apresentar o melhor Japchae da região, você gosta né?
– Claro, gosto sim. — sorriu, o outro retribuiu e saíram em direção ao metrô.
Chegaram na estação e ainda faltavam alguns minutos para o próximo trem chegar.
– É longe daqui?
– Não, é que de trem a gente chega mais rápido, você deve estar com fome, estava trabalhando.
– Confesso que estou mesmo. — deu risada, o outro o acompanhou e ficou lhe observando.
– Eu também estou, então assim é melhor.
Não demorou muito o trem chegou, estava vazio, aos fins de semana essa estação ficava mais tranquila, principalmente no período da tarde. Eles se sentaram lado a lado, com um espaço entre.
– E como estão as coisas no trabalho? É muito ruim trabalhar lá?
– Até que não. O pessoal é bem legal, e eu já to pegando o jeito de como as coisas funcionam, então tá tranquilo.
– Que bom… Quando disse que iria trabalhar lá, fiquei com um pouco de medo por você, as coisas são bem caóticas nos períodos de início das aulas, aquilo fica cheio de gente. — ele riu.
– Confesso que eu também fiquei nos primeiros dias, mas a Senhorita Song foi bem legal e me ajudou bastante nesse começo.
– Ela é legal mesmo, já trabalha lá há um tempão.
– Sim, se não fosse ela eu acho que teria surtado, mas deu tudo certo. — Os dois riram e o trem deu sinal que estavam chegando na próxima estação.
– Vamos? Já é nessa estação.
– Nossa que rápido!
– Eu disse que não era muito longe.
Saíram da estação e caminharam uma quadra até chegar em um restaurante pequeno, parecia simples, mas pelo estilo da fachada, parecia existir há anos.
Se sentaram numa mesa perto da janela e fez o pedido pelos dois, achou engraçado, mas preferiu não falar nada.
– Nossa, eu nem te deixei escolher o que queria, desculpa, é o costume. — Era a primeira vez que via o rosto de corar um pouco.
– Tranquilo, você já conhece o lugar, sabe o que é bom. Não é muito apimentado não, né?
– Não, eles mandam a pimenta separado, caso você quiser pode colocar.
– Isso é legal! A minha tolerância a pimenta é bem baixa, por isso perguntei. — Ele riu.
– Sério? Bom saber, assim te aviso se algum dia for em um restaurante que não seja separado assim. — deu um pequeno sorriso.
Não demorou muito os pratos chegaram e comeram conversando sobre coisas aleatórias.
Assim que terminaram, decidiram voltar até o dormitório a pé, aproveitou para conhecer melhor a região, já que mal saia da faculdade.
– Já tinha vindo pra cá?
– Não, na verdade eu quase não saio da faculdade. — Riu e colocou as mãos no bolso.
– Você não é muito de sair né? Tá quase sempre no quarto pelo que vejo.
– Gosto de ficar em casa assistindo meus animes e jogando, não sou muito de sair não, só se for com meus amigos.
– Entendi. — olhava os caminhos, tentava evitar dos olhares se encontrarem.
– Você gosta de sair?
– Ah, mais ou menos, não sei. — Deu de ombros.
– Achei que gostasse, sempre sai pra beber com seus amigos não sai? Se eu tiver me intrometendo pode falar, eu fico quieto. — disse imediatamente, o que fez rir.
– É, eu tenho saído bastante, mas não é sempre assim… tem sido melhor do que ficar trancado no quarto pensando besteira.
– Sei bem como é, mas se um dia quiser companhia pra assistir algo, ou sair, ou sei lá, fazer qualquer coisa, pode falar comigo. Eu ando ficando mais quieto também porque tenho um pouco de dificuldade de fazer amizades novas. Sou meio tímido, acho que já percebeu né? — concordou e eles riram.
– Tudo bem, vou tentar ser um colega de quarto e veterano melhor então.
Seguiram conversando até chegar no dormitório, quando o fizeram, cada um foi fazer suas coisas. se jogou na cama para tirar uma soneca, voltou para seus livros.
Já era por volta das cinco da tarde quando acordou de seus cochilo. já não estava mais no quarto, decidiu que passaria um tempo jogando, então se sentou em sua escrivaninha onde seu computador agora ficava, colocou os fones de ouvido e lá ficou imerso no jogo por mais algumas horas. Só se desligou desse seu mundinho quando sentiu alguém encostando em seu ombro, era .
– Desculpa te atrapalhar, vou sair com meus amigos pra beber, você quer ir?
– Ah obrigado pelo convite, mas acho que hoje eu passo. — ele riu.
– Tudo bem, mas da próxima você vai ter que ir!
– Tá bom. — Eles riram, pegou uma jaqueta jeans e saiu, voltou ao jogo.
era uma pessoa muito legal, mesmo as vezes parecendo meio distante e desinteressado, talvez esse só fosse o jeito dele mesmo. Porém não conseguiu deixar de pensar que provavelmente seria uma noite que ele chegaria bêbado como em várias outras.
Já era por volta das onze da noite quando saiu do banho e decidiu ir até a loja de conveniência comprar algo para comer. O dormitório estava bem quieto, provavelmente muito teriam ido para suas casas ou saído com amigos.
comprou um ramen e o levou pra fazer na cozinha do dormitório. Tenha algumas espalhadas pelo prédio, alguns andares dividiam, mas todos sabiam quais eram as certas.
Ele preparou o macarrão e voltou para o quarto, comeu sentado na cama enquanto assistia a um filme aleatório que escolhera. Depois que o filme acabou, escolheu outra coisa para assistir e assim ficou por um bom tempo, já era madrugada quando chegou meio cambaleando.
– Oi, ainda tá acordado?
– Tô sim, domingo é minha folga, estou aproveitando.
– Entendi. — Tirou a jaqueta e se jogou na cama. — Eu preciso parar de beber tanto.
– Pelo jeito a coisa foi boa hoje. — riu.
– Nada demais, só passei do ponto mesmo, como sempre. Preciso parar.
– Às vezes tudo bem beber um pouco a mais.
– Não é bem isso, um dia talvez eu te explique, mas não agora. Boa noite .
– Boa noite .
O que será que ele quis dizer com isso? Bom. Talvez fosse só conversa de bêbado, tentou ignorar e voltou a assistir o que estava vendo. Não demorou muito também caiu no sono.

CAPÍTULO 5

estava trabalhando na cafeteria, com seu uniforme e boné, como sempre. Agora já tirava de letra o trabalho: já sabia fazer todas as opções do cardápio, Miji raramente o corrigia nas tarefas simples, já tinha feito amizade com todos do seu turno. O pessoal era bem legal, e mesmo que fosse tímido, depois de um tempo ele ficava melhor em socializar com as pessoas. Estava entre os horários de pico da cafeteria, então estava bem parada, estava reabastecendo alguns potes quando ouviu a porta abrir. Era , ele usava um moletom branco e uma calça jeans, o rosto ainda meio inchado de quem acordara a pouco tempo e o cabelo um pouco molhado.
– Bom dia, como posso lhe ajudar? — disse a moça que estava no caixa.
– Bom dia, oi . — Logo voltou sua atenção para outro garoto que estava mais atrás.
, oi! — Sorridente, ele seguiu até o balcão da frente.
– É seu amigo? — perguntou a moça.
– Ah sim, somos do mesmo dormitório.
– Você atende ele então? Assim aproveito para fazer meu intervalo.
– Claro, pode deixar comigo. — Sorriu e a moça saiu em seguida. — O que vai querer ?
– Hm… — Ele olhava o cardápio na parede com uma cara que achou engraçada e fofa. — Pode ser um iced americano médio por favor.
– Tá bem, já que você é o primeiro cliente que eu atendo, esse é por conta da casa. — Sorriu e ficou lhe olhando por alguns segundos piscando os olhos rápido.
– Não, vai dar problema pra você, aqui. — Estendeu a mão segurando o cartão de crédito, mas a empurrou com cuidado.
– Relaxa, tá tudo certo, pode sentar onde quiser, eu levo pra você.
seguiu para seu lugar próximo a máquina de café e começou a preparar o pedido. se sentou em uma das cadeiras do balcão e observava trabalhar. Ele parecia diferente naquele ambiente, talvez fosse o uniforme com camisa social e gravata, tinha um ar mais sério e mais amigável ao mesmo tempo, mas quando sorria, parecia o mesmo de sempre. Não demorou muito, o café estava servido no balcão em frente ao rapaz.
– Que rápido, muito obrigado! — Sorriu e deu um gole na bebida. — Ficou muito bom!
– Obrigado. — Sorriu com as bochechas ficando vermelhas.
voltou para arrumar as coisas que havia usado, quando voltou, tinha um prato com um bolinho nas mãos, que colocou na frente de .
– Não é bom ficar sem comer e só tomar café. Só tinha de frutas vermelhas, você gosta?
– Gosto, mas não precisa não, eu vou buscar algo na conveniência depois.
– Deixa disso, já está aqui mesmo, se você gosta, pode comer. — ficou um tempo sem reação olhando o rapaz na sua frente.
– Se é assim, muito obrigado. — Fez uma pequena reverência e deu uma mordida no bolinho. — Nossa, isso está uma delícia!
– É bom, não é? Esse é o meu favorito, mas os de blueberry, chocolate e matcha sempre saem primeiro.
– Não sei os outros, mas esse está ótimo.
– Está indo pra aula?
– Não, minhas aulas também são no período noturno.
– Ah, entendi.
– Preciso estudar, mas estava cansado daquele quarto, então resolvi vim aqui, sei que esse horário é mais parado.
– É mesmo, o pouco de calma em meio ao caos. — eles riram juntos.
– Mas você parece se dar bem aqui, o uniforme fica bem em você.
– Sério? Obrigado. — As bochechas de ficaram vermelhas de novo. — Eu gosto dele, só a gravata que incomoda um pouco, mas já estou me acostumando.
– Eu já precisei trabalhar de gravata também, é um saco mesmo. — Seu café já estava quase no fim e a colega de já estava voltando ao caixa. — Bom, vou indo, antes que você leve bronca por minha causa, até depois .
– Até ! — acenou enquanto o outro passava pela porta.

**
Estavam todos numa aula prática no laboratório de informática da faculdade, estava começando a ficar bom nos códigos e todas essas coisas que antes achava complicadas demais. Era cansativo trabalhar de manhã e ter que estudar até tarde, mas ele gostava do curso, então tentava ignorar isso, o período da tarde livre também permitia que tirasse uma soneca para ficar bem e aguentar ficar acordado até tarde.
– Ei ! — Jang, um dos colegas de classe de chamou sua atenção, estava sentado no computador a sua frente, agora, estava virado para trás olhando para ele. — Eu e o pessoal vamos no bar aqui perto sábado, quer ir junto?
pensou algumas vezes, não era tão próximo do pessoal da classe, mas quem sabe essa não fosse a chance que precisava pra fazer novos amigos?
– Sábado? Tá bom, pode ser.
– Isso aí! Aqui, me adiciona no kakao talk que quando decidirmos o horário eu te mando uma mensagem! – disse o rapaz de cabelos pretos curtos apontando o celular com um QR code na tela.
– Pronto!
– Valeu , até sábado então. — Sorriu e voltou a olhar para a frente.
ainda tinha metade da semana para reunir suas forças para encarar aquela social, não seria fácil, a muito tempo não fazia novas amizades, estudou com as mesmas pessoas no fundamental e no colegial. Mas estava quase terminando o primeiro trimestre da faculdade, já estava na hora de fazer isso.
Assim que acabou a aula, passou na loja de conveniência, pegou uns sanduíches e um refrigerante e caminhou quase como um zumbi se arrastando até seu quarto, estava exausto demais para caminhar como um humano normal e funcional.
Deixou a sacola na escrivaninha do quarto, pegou as coisas e seguiu para o banho. Essa era provavelmente a pior parte de morar no dormitório. Usar um banheiro compartilhado, mesmo que não fosse sujo já que faxineiras estavam sempre limpando, ainda assim era desconfortável saber que haviam mais pessoas ali. Mesmo que não pudessem te ver, elas estavam ali.
Quando voltou do banho, estava deitado na cama e assistindo vídeo no celular, sem os fones de ouvido.
– Oi , achei que tivessem saído.
– Estava tomando banho. Tá vendo Castelo animado?
– Nossa, como você sabe? — tinha uma expressão de choque no rosto, deu uma gargalhada. sorriu, a risada dele era daquelas que contagiavam.
– Eu ouvi. É meu filme favorito, então já vi vezes o bastante para saber até as falas.
– Sério? Não achei que gostasse desse tipo de filme.
– Eu amo animações, seja filmes ou animes, acho incrível o processo e essas coisas. — Deu de ombros e bagunçou os cabelos ainda meio molhados.
– Quer assistir comigo? Só tenho o celular mas…
– Se quiser podemos ver no meu notebook…
– Tudo bem então. — sorriu e se sentou na cama, de frente para a cama de , assim sobrava mais espaço para o rapaz se sentar ao seu lado.
pegou o notebook e a sacola da loja de conveniência e se sentou ao lado de .
– Tem sanduíche aqui, eu comprei um a mais, então se gostar desse tipo pode comer.
– Por que você tá sempre me dando comida? — riu, o que fez o outro ficar com as bochechas coradas.
– É que eu tô sempre comendo na verdade, e nunca vejo você comendo, então acabo te oferecendo. Se isso for chato pode falar, eu paro.
– Não, na verdade eu acho fofo… quer dizer, acho legal, ninguém nunca me ofereceu as coisas assim.
– Então aproveita. — sorriu e lhe entregou o sanduíche.
O filme começou, o notebook agora estava entre os dois, mais ao fim da cama. Ambos comiam seus sanduíches e prestavam atenção no filme, às vezes fazendo um comentário ou outro. não imaginou que um dia eles estariam juntos vendo esse filme, pensou que talvez finalmente estavam virando amigos.
Já passava da metade do filme quando se virou para fazer um comentário e encontrou um encostado na parede com a cabeça pendendo para o lado, a boca entreaberta deixava claro que ele havia pegado no sono. não conseguiu segurar o riso.
– Ele fica fofo dormindo assim — falou pra si mesmo enquanto observava o garoto. — , acorda. — Falou em um tom um pouco mais alto.
De nada adiantou, ele continuava dormindo. deu uma leve cutucada na bochecha fofa do garoto. Ele se mexeu um pouco, mas de nada resolveu.
– Ei — falou um pouco mais alto, e dessa vez, ele abriu os olhos, um pouco confuso por ver tão próximo.
– Hm?
– Você pegou no sono. — Ele riu da cara de que agora olhava ao redor tentando entender onde estava.
– Nossa, desculpa . — Sua voz estava um pouco mais grave que o normal, levemente rouca, o que fez piscar algumas vezes o olhando. Nunca havia escutado aquele tom de voz de antes, era diferente, um tanto quanto atraente.
– Imagina, você deve estar cansado. Vai se deitar, outro dia terminamos de ver o filme.
– Tudo bem, boa noite — disse fechando o notebook e se jogando na cama. Assim puxou a coberta para se cobrir, sua respiração ficou pesada de novo, provavelmente já havia pegado no sono.
o observou e sorriu, colocou o notebook na escrivaninha aninha do outro lado do quarto e deitou em sua cama, virado de frente para a cama que ficava do outro lado.
– Boa noite .

CAPÍTULO 6

Era sábado, tinha acabado de chegar do serviço. Almoçou na loja de conveniência, agora estava sentado de sua cama com seu violão tocando notas aleatórias que passavam pela sua cabeça, de alguma música que não estava muito preocupado em saber qual. Desde que entrou na faculdade, tinha tocado violão uma ou duas vezes só, a correria o deixava exausto demais, porém sentia falta de dedicar mais tempo a isso.
Ficou algum tempo tocando músicas aleatórias até que ouviu entrando pela porta e parou imediatamente.
– Oi, você toca? Nunca tinha visto.
– Eu não tenho tocado muito, mas aproveito horários mais tranquilos que acho ter menos gente por aqui. Pra não atrapalhar, sabe. — Deu de ombros ainda meio sem graça.
– Entendi, mas não precisa parar só porque eu cheguei não, pode continuar. — Se sentou de frente para o amigo.
– Não, já faz tempo demais que tô nisso. Só agora percebi que meus dedos estão todos zoados. — Ele riu.
– Se machucou?
– Não, só está a marca das cordas, mas se continuar pode machucar. — virou as mãos para que visse as marcas nos dedos, que fez uma careta.
– Isso deve doer, quer passar alguma coisa?
– Não, relaxa, eu já tô acostumado com isso. — Sorriu e guardou o violão dentro da capa e o encostou ao lado da escrivaninha.
– Já almoçou?
– Já sim, almocei antes de vir pra cá. Você já comeu?
– Uhum, fui almoçar com uns amigos.
– Você tem bastante amigos aqui, né?
– Na verdade, não tenho muitos, mas eles não gostam de me deixar quieto, então estão sempre me arrastando por aí. — Ele riu e o acompanhou.
– Mas isso é bom, às vezes sinto falta dos meus amigos do colegial, a gente fazia tudo junto.
– Posso te emprestar os meus quando quiser, mas já aviso que são chatos. Inclusive, hoje vamos no bar, quer ir com a gente?
– Eu adoraria, mas o pessoal da minha turma me chamou pra ir num bar também, tentei fugir mas não rolou dessa vez.
– Ah sim, naquele aqui perto?
– Acho que sim.
– Também vamos nesse, nos encontramos lá então.
– Combinado. — Ambos sorriram.

**
O relógio marcava oito da noite, já estava pronto. Vestia uma calça preta rasgada, uma camiseta estampada de uma banda aleatória, jaqueta de couro também preta e os cabelos medianos soltos, caindo um pouco sobre o rosto. No pescoço um colar de corrente com um pingente de cadeado, que combinava com as correntes penduradas na lateral da calça. Era bem diferente do uniforme da cafeteria ou das roupas mais casuais que costumava usar no dia a dia.
Seus amigos avisaram que o esperavam na porta do dormitório, então saiu do quarto. estava tomando banho, não se encontraram antes de sair.
– E ai ! Tá parecendo um rockstar, hein? Alguém tá afim de voltar acompanhado hoje! — Jang gritou assim que o viu saindo do prédio com as mãos no bolso.
– Não fala besteira, cara, eu me visto assim geralmente, é que nunca me viram fora da aula. — Ele riu e os outros acompanharam.
– Bora então, galera?
Todos concordaram e seguiram para o bar. O lugar não era tão pequeno quando imaginava. Tinha um visual mais de bar e lanchonete do que balada, e isso era um ponto positivo.
Se sentaram em uma mesa mais ao fundo, com aqueles bandos estofados que pareciam de cafeteria americana antiga. O lugar tinha uma iluminação baixa, intercalando luzes amarelas para clarear e luzes coloridas para criar uma atmosfera mais misteriosa. Pediram cerveja e soju, ficaria apenas na cerveja, ele era fraco pra bebida, pretendia passar ileso de grandes vergonhas na primeira saída com o pessoal do curso.
– Ah qual é, vocês vão ficar só na cerveja, galera? Se for assim, todo mundo toma uma dose de soju a cada meia hora.
– Eu prefiro ficar só na cerveja mesmo, Jang.
– Deixa de ser frouxo, , pode começar por você então.
– É, vai lá, ! — Todos agora batiam na mesa e faziam coro falando o nome de , para evitar mais constrangimento, resolveu tomar o shot.
– Já aviso que esse vai ser o único, sou meio fraco pra bebida.
– Se cair, a gente te carrega, pode ficar em paz cara!
Continuaram conversando e bebendo, graças ao álcool, já estava menos nervoso ao socializar com aquelas pessoas que mal conhecia.
Algum tempo depois, viu algumas pessoas entrando no bar, eram e os amigos. Ele estava vestido com uma calça jeans mais escura, um suéter azul claro e por baixo dele uma camisa branca, a gola e os punhos por cima do suéter. não conseguiu evitar de perceber como ele estava bonito, era bem diferente do que costumava ver jogado pelo quarto ou quando chegava já bêbado. Um dos amigos que o acompanhavam era Chris, também amigo de , que acenou para ele. Ficou pensando por um tempo se deveria ou não ir até lá. Quando finalmente eles se sentaram em uma mesa um pouco mais distante, criou coragem.
– Já volto, vou cumprimentar uns amigos ali — disse já se levantando da mesa e indo em direção até a mesa onde os outros estavam sentados.
viu caminhando até a mesa e não conseguiu evitar de abrir um sorriso, já que tinha um ainda mais nos lábios. Ele estava todo de preto, agora já sem a jaqueta, um visual mais rockstar que combinava muito bem com ele, principalmente agora que sabia que ele tocava violão.
– E aí, cara! — disse batendo no ombro de Chris e se levantou e o abraçou.
! Quanto tempo que não te vejo! Cê sumiu, menino!
– Tá tudo meio corrido, Oi . — Sorriu ainda mais, o outro o acompanhou.
– Oi, . — Pensou em falar mais alguma coisa, mas Chris já estava apresentando o rapaz ao resto das pessoas sentadas naquela mesa.
– Quer sentar aqui com a gente?
– Não, valeu, tô com uma galera da minha turma, não quero atrapalhar vocês.
– Deixa disso, , mas fico feliz em saber que está fazendo amizades por aqui além do esquisito do .
– Ei! Me respeita, Christopher! — Todos na mesa riram.
– Ele não é esquisito, é bem legal na verdade. — Antes que pudessem responder algo, ouviu alguém o chamando, eram seus amigos na outra mesa. — Pessoal tá me chamando, vou lá, mas foi bom ver vocês. — deu um tapinha no ombro de Chris e acenou para — Até depois.
– Voltei, ficaram com saudades? — disse rindo enquanto se sentava.
– Você é amigo daquela galera?
– Não conheço todos, mas sou amigo do Christopher e do Lee .
– Deixa essa galera pra lá, vai , mais um shot de soju!
– Já falei que só ia tomar um cara, eu já tô todo vermelho. — riu.
– Vai, mais um só! — Jang serviu o copo e colocou em frente a .
– Tá bom, tá bom, mas é o último! — Virou o shot e fez uma careta.
– Você é muito fraco cara, vamos te ensinar a beber direito!
Passaram mais um tempo conversando sobre coisas aleatórias, estava um pouco alto, mas nada demais. Não gostava muito de beber demais, porém o álcool ajudava um pouco a socializar com pessoas que não tinha tanta intimidade.
Às vezes ele olhava a mesa dos outros amigos mais a frente, eles conversavam animadamente rindo do que os outros falavam.
Um tempo depois, 3 amigos da mesa de decidiram ir conversar com algumas garotas que estavam próximas ao bar, ficando apenas e Jang no lugar.
– Ei, , vem cá cara, preciso te falar uma coisa — disse se aproximando.
– Pode falar.
– Conselho de amigo, se eu fosse você, não sairia andando por aí com o Lee não.
– O que? Por que isso?
– Existe uns boatos dele por aí na faculdade que ele é gay, e que andou de caso com um cara do último ano e fez um inferno na vida do cara.
– Sério? Mas o que isso tem a ver? — A expressão no rosto de era de confusão.
– Ah, você sabe, se ficar andando por aí vão falar que você também é gay e que estão tendo um caso. — Jang fez careta.
– Que se foda o que o povo fala, Jang, eu não me importo, e isso tá sendo bem homofóbico da sua parte.
– Qual é, cara, eu não sou isso aí não, só não quero que me confundam com essa galera, nem meus amigos. — balançou a cabeça em reprovação, sem acreditar no que estava ouvindo.
– Quer saber, Jang? Não precisa mais se preocupar comigo não, prefiro andar com gente como o do que preconceituosos como você. — se levantou da mesa antes que o outro falasse algo e ele perdesse completamente o controle. Colocou as mãos no bolso e caminhou até o bar, ignorando os chamados de Jang. Acertou sua parte da conta da mesa que estava e encostou no balcão respirando fundo, tentando esquecer o que acabara de eu vir e pensando se iria embora.
Passou os olhos pelo bar, e Chan ainda estavam lá, caminhou até a mesa deles.
– Posso sentar aqui com vocês? — perguntou, ainda com as mãos nos bolsos.
– Que pergunta é essa, claro que pode! — Chan respondeu abrindo um espaço para se sentar ao seu lado.
– Seus amigos foram embora? — perguntou.
– Não, só não quero mais ficar lá, as pessoas mudam com álcool. — Sorriu meio sem graça, não queria falar sobre a briga na frente do , ele não precisava saber disso.
– Muito bem, seja bem vindo então. Não estava bebendo lá?
– Bebi sim, um pouco demais já inclusive. — Ele riu.
– Não tem problema. Se você cair, eu te carrego ,, pode pedir outra cerveja! — Chan disse o abraçando de lado e riu.
– Tudo bem, mas não posso beber tanto assim, tenho um trabalho pra fazer amanhã.
– Tá bom, tá bom. — Chan pediu uma cerveja ao garçom e logo trouxe.
Logo se sentou melhor e deixou pra trás o que havia acontecido, não ia deixar aquilo arruinar sua noite. O clima com essas pessoas era bem diferente da galera anterior, os assuntos eram mais leves e muito mais a cara de , o pessoal também gostava de jogos, animes e músicas.
Depois de mais duas cervejas, já passavam das onze da noite, e agora um karaokê acontecia no bar. Todos estavam animados e acompanhando quem cantava, mesmo que a pessoa não fosse boa nisso.
, você devia ir, eu já te vi cantando e você é ótimo! — Chan disse.
– Você canta? Ah vai lá então! — Foi a vez de encorajar, assim como o restante das pessoas na mesa.
– De jeito nenhum, eu morro de vergonha.
– Deixa disso, você já bebeu o suficiente, vai lá!
– Vamos lá, eu vou com você. — se levantou e o puxou pela mão até a lateral do palco. tentou impedir, mas ele era bem forte. — Qual música cai cantar?
– Youngblood do 5 Seconds Of Summer.
– Você tem essa aí? — Perguntou para o moço que cuidava da máquina de karaokê, que afirmou.
– Boa sorte, !
– Você não vai comigo?
– Não, mas vou ficar aqui assistindo. — sorriu, estava nervoso, mas subiu assim mesmo, o pessoal da mesa já batia palmas e assobiavam.
A música começou e a seguiu. Era uma música que ouvia muito, seus olhos estavam direcionados para a tela mesmo que soubesse a letra de cor, encarar as pessoas seria muito mais assustador.
O refrão energético chegou e agora muitas pessoas batiam palma e incentivavam , que já estava começando a se soltar. Às vezes ele olhava de relance para , que se mantinha ao lado do palco com um enorme sorriso. Ele nunca imaginou que aquele garoto tímido que morava com ele era tão bom cantando, ele se iluminava cantando, ainda mais do que quando o viu tocando violão.
A música logo acabou, agradeceu ao público e rapidamente desceu do palco de cabeça baixa, conseguia sentir suas orelhas queimando de vergonha.
– Você é muito bom nisso ! Eu não imaginei que cantava tão bem assim, Chris estava certo!
– Obrigado, mas não precisa exagerar.
– E eu não estou! É sério, você devia tentar entrar numa banda ou sei lá.
– Deixa disso . — riu se sentando na mesa.
Ficaram mais um tempo conversando e bebendo, já estava totalmente vermelho graças ao álcool, todos já falavam levemente enrolado.
Já passava das duas da manhã quando decidiram voltar para os dormitórios. Seguiram cambaleando e se apoiando uns nos outros até a porta do dormitório de e , onde eles ficaram e os demais seguiram cada um para seu prédio.
– Me ajuda aqui — disse passando o braço pelos ombros de e se apoiando nele, que o segurou.
– Eu não estou muito melhor que você, cara. — Eles riram.
Cambalearam juntos até o quarto, assim que chegaram, cada um se jogou em sua cama.
– Hoje foi legal, voltar pra casa com você me impediu de pensar merda.
– Eu? Mas por quê? — encarava o teto, enquanto estava deitado de lado olhando para .
– Porque eu não me senti sozinho, e aí eu não penso em quem eu não deveria.
– É por causa de algum ex que você anda bebendo e chegando sempre triste aqui?
– Sim…
– Quer falar sobre isso?
– Não, não quero estragar sua noite com as desventuras da minha vida amorosa —ah. — Ele se surpreendeu com o apelido repentino e com a natureza com a qual o outro havia dito isso.
– Eu não ligo, pode falar se for te ajudar a ficar melhor, às vezes falar alivia o peso.
– Tá bom, então eu vou te contar, mas promete que não vai querer mudar de quarto depois disso? — disse se levantando, parando entre as camas para ouvir a resposta.
– Prometo, eu gosto daqui.
– Então tá bom. — Se sentou na beira da cama de , que chegou mais para o canto deixando um espaço caso o outro quisesse deitar.
– Foi na metade do ano letivo anterior. Eu namorava um cara do último ano do meu curso, a gente se conheceu no laboratório de informática, ele era estagiário por lá durante o dia. A gente começou conversando sobre coisas aleatórias do curso, fomos ficando amigos até que ele começou a dar em cima de mim, ele não sabia, mas eu já tinha interesse nele. Acabamos começando a namorar, mas era meio que escondido. Ele não morava no campus, então a gente sempre se encontrava no apartamento dele, assim não corria risco de ninguém ver. suspirou e se jogou na cama ao lado de , que o observava atentamente ouvindo tudo. — Porém um dia, viram a gente indo embora juntos, e começaram a espalhar os rumores de que éramos gays e estávamos juntos. Eu nunca me importei se alguém saberia, só não sabia que as pessoas se importariam tanto com isso hoje em dia, talvez porque esse cara era meio popular entre o pessoal. E foi aí que tudo começou a desmoronar, porque ele não assumiu, ele negava tudo para todo mundo, e aí viram a gente discutindo, eu chorando feito o idiota que eu sou, e quando ele percebeu, começou agir como se eu fosse um maluco obcecado e ele não tivesse nada a ver com isso. Depois disso tudo piorou pro meu lado, eu já não tinha muitos amigos, os poucos que tinha não queriam mais serem vistos comigo, não queriam arriscar a virarem alvo das fofocas também. E foi assim que acabei sozinho, sofrendo bullying e sofrendo por uma pessoa que nem merecia.
– Eu sinto muito por isso, , esse cara foi um puta babaca com você, podia pelo menos ter tentado amenizar as coisas pro seu lado. Uma pena ele não estar mais aqui pra eu poder dar uma surra nesse idiota. — riu, mesmo algumas lágrimas escorrendo pelos seus olhos.
– Obrigado por ter essa reação, eu tinha medo que se descobrisse isso fosse embora do quarto como outros fizeram.
– Eu jamais faria isso, e esses caras são todos babacas e homofóbicos, essa é a verdade. Você está melhor sem essas pessoas por perto.
– Será? Acho que eles estão melhores sem mim. — A voz dele agora era mais baixa, ainda arrastada, mas com um tom melancólico.
– Lógico que não, você é incrível , e muito engraçado, inteligente também, já me ajudou algumas vezes com as tarefas. Quem perde são eles, acredita em mim.
– Obrigado por isso —ah. Você estava certo, falar sobre ajudou um pouco. — Um leve sorriso estampava seu rosto agora, apesar do olhar ainda ser triste e marejado.
– Pode falar comigo sobre o que quiser sempre que precisar. — sorriu e passou a mão pelos cabelos de .
– Obrigado, de verdade. — abraçou que foi pego de surpresa, assim que o soltou, fechou os olhos.
ainda meio sem reação, ficou o observando por um tempo, até perceber que ele tinha pegado no sono.
– Isso foi rápido. — riu. — Boa noite, . Você não merece passar por essas merdas, muito menos sofrer assim por elas.
saiu da cama com cuidado para não acordá-lo, tirou seus sapatos e o cobriu. Como havia adormecido em sua cama, se mudou para a do amigo, estava cansado demais para pensar em outras alternativas.
Tudo ali tinha o cheiro do perfume de , o que não achava ruim, muito pelo contrário. Não demorou muito, ele também pegou no sono.

CAPÍTULO 7

acordou meio atordoado pela dor de cabeça horrível, precisava mesmo parar de beber tanto. Ao abrir os olhos, percebeu que tinha alguma coisa errada. Logo percebeu o que era, não estava em sua cama.
Aos poucos, fragmentos da noite anterior voltavam a sua mente. O bar, no karaokê, a volta pra casa, a conversa com . Seu rosto agora parecia um tomate de tão corado, não conseguia acreditar que tinha passado essa vergonha, ele não costumava ser o bêbado tagarela, por que justo com seu único colega de quarto decente? E ainda dormiu na cama dele!
A cama ao lado que era a que deveria estar deitado estava vazia, porém desarrumada.
– Pelo menos ele não dormiu no chão — pensou em voz alta.
Não demorou muito, um de rosto inchado, óculos escuros e touca entrou pelo quarto.
– Ah, você acordou, bom dia! — disse com uma voz rouca e um pequeno sorriso.
– Bom dia, me desculpe por ontem, . Sério mesmo, não sei o que me deu. Nossa, eu tô com tanta vergonha. — disse apoiando os cotovelos nos joelhos e cobrindo o rosto com as mãos.
– Deixa disso, tá tudo bem , relaxa. — deu um tapinha nas costas dele ao passar para se sentar na escrivaninha ao lado da cama. — E eu fiquei feliz que você resolveu se abrir, assim pode contar comigo quando precisar, se precisar, na verdade. — Deu um sorriso sincero, o acompanhou.
– Obrigado por isso.
– Imagina, quer comer? Trouxe Kongnamul—guk pra ajudar na ressaca, acho que você também deve estar péssimo, ne? — fez uma careta, o outro riu.
– Achei que só eu tinha passado dos limites ontem. Eu quero sim. — Pegou a cadeira da outra escrivaninha e colocou ao lado de .
– Aqui, tem remédio também, não sabia o que você ia preferir — disse entregando uma embalagem de isopor que ainda estava quente, e uma cartela de remédios.
– Você é sempre tão atencioso com as pessoas assim?
– Com quem eu gosto sim, gosto de tratar meus amigos bem. — deu de ombros, sentiu um leve frio no estômago ao ouvir aquilo. — Come, aproveita que tá quente ainda.
Os dois comeram a sopa enquanto conversavam sobre coisas da noite no bar ou sobre coisas que gostavam de assistir.
Depois de um tempo, saiu para algum lugar que não comentou sobre e ficou deitado no quarto assistindo filme. Sentiu seu celular vibrar, era uma mensagem de Chris.
“Tudo bem por aí? Muita ressaca?”
deu risada e respondeu em seguida:
“Tudo certo, já resolvi esse problema.”
havia conhecido Christopher na época do colegial, ambos estavam no clube de música. Chris era mais velho, mas os dois se davam muito bem, tinham gostos parecidos.
“Tá ocupado? Se não, me encontra nesse endereço.”
Havia uma localização em anexo, a abriu e era a umas duas quadras da faculdade.
“O que você quer?”
“Vem e eu te conto 😉”
revirou os olhos, mas ele estava sem nada pra fazer e já estava cansado de ficar deitado no quarto o dia todo. Normalmente ele gostava disso, mas às vezes a ansiedade o deixava inquieto, e esse era um desses dias.
Resolveu tomar um banho e trocar de roupa. Uma camiseta preta com a estampa de algum anime e um jeans rasgado, havia acabado de lavar o cabelo, então tentou o ajeitar com o secador e colocou os óculos de grau.
Foi caminhando até o local que Chris o indicara, com os fones de ouvido em volume consideravelmente alto.
Não demorou muito para chegar ao local, era um café com uma vibe mais descolada que o do campus, com alguns quadros coloridos e interessantes nas paredes. Assim que entrou pela porta, viu Chris acenando para ele e caminhou até a mesa, estava com ele.
– Oi , você veio mesmo!
– Tava entediado já lá no quarto, o que você queria? — disse dando de ombros e se sentando em seguida.
– Nossa, pra que ser tão direto? Me conta, como você tá? Lembra de alguma coisa de ontem? — ele agora estava debruçado na mesa inclinado mais próximo a .
– Sim, eu lembro. — Deu risada.— Não bebi tanto assim, eu sei meus limites.
– Não foi o que pareceu.
– Eu falei pra ele que você estava bem, mas esse chato não acreditou em mim. — explicou revirando os olhos.
– Você é meio mentiroso às vezes, não confia muito nele não, viu !
– Cala a boca, Chris.
– O eu não sei, mas não me parece mentiroso, agora você é outra conversa — disse fazendo os outros rirem, em seguida, pediu um suco à atendente.
– Tá, tá, vamos ao assunto antes que vocês se juntem pra acabar comigo.
– Então tinha mesmo um assunto, que bom. — riu.
– Estava conversando com que o guitarrista da minha banda saiu, ele comentou que você ainda toca, tá afim de entrar pra banda?
– Que? Eu?? — parecia chocado.
– Eu que não sou, não sei tocar nada. — deu de ombros. — E você pareceu tocar muito bem.
– E cantou muito bem no karaokê também.
– É, eu prático no tempo livre, mas eu jamais conseguiria fazer isso num palco na frente de um monte de gente.
– Mas você fez no bar.
– Mas eu estava bêbado. — Eles riram.
– Eu lembro que você mandava bem nas apresentações de show de talento do colegial, eu acho que você dá conta.
– Não sei não, Chris.
– Vem para um ensaio, e aí você vê, toca uma música com a gente e vê o que você acha, se topa ou não entrar, pode ser?
– Tá bom, mas não prometo nada além de um ensaio.
– Ah, eu posso ir também? Quero ver! — disse mais animado que os outros dois.
– Claro, assim você me ajuda a convencer o .
– Ai, eu tô muito ferrado. — fez uma careta e os outros riram.
Depois de um tempo conversando, voltaram os três juntos para o dormitório. Chris seguiu para seu prédio e os outros para seu quarto. Ao chegar, se jogou na cama e tirou os óculos de grau.
– Vai sair hoje, ?
– Hm... acho que não, vou ficar por aqui mesmo.
– Quer assistir alguma coisa?
– Claro, pode escolher.
– Tá bom, tem alguma coisa que não goste?
– Não, eu vejo qualquer coisa.
– Até terror?
– Sim, não ligo muito não.
– Que bom, a maioria dos meus antigos amigos não gostavam, acabava vendo sempre sozinho.
– Enquanto escolhe, vou tomar um banho rapidinho — disse pegando suas coisas.
– Tá bom.
Enquanto isso, ajeitou uma cadeira no meio do quarto, e colocou o notebook ali, de frente para sua cama. Escolheu um filme de suspense que ainda não tinha assistido.
Não demorou muito estava de volta, com uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca bem larga, os cabelos bagunçados e ainda meio molhados. Assim que entrava no quarto, ele ficava tomado por seu perfume, gostava desse cheiro.
– Já até arrumou tudo, que rápido. — Riu. — Quer pedir uma pizza?
– Pode ser, pode escolher o sabor, eu como de tudo.
– Gosta da de pepperoni? — afirmou com a cabeça — Vou pedir então.
– Senta aqui, já escolhi o filme — disse batendo no espaço ao seu lado na cama. ficou um pouco surpreso, mas fez o que ele pediu.
Após pedirem a pizza, deram play no filme. era o tipo de pessoa que gostava de comentar sobre o filme às vezes, não ver em completo silêncio, ficou feliz por ser do mesmo jeito, assim não implicaria com ele como outros faziam.
O filme acabou e continuaram conversando e terminando os pedaços restantes da pizza.
, desculpa por ter me intrometido e falado pro Chris te chamar pra banda — disse encarando as mãos.
– Deixa disso cara, não foi nada. Eu sempre pensei como seria entrar numa banda, mas nunca tive coragem.
– Por quê?
– Eu sempre fui muito tímido, me apavora a ideia de ficar na frente de várias pessoas que vão estar prestando atenção em mim. Mas quem sabe eu finalmente crie coragem pra encarar isso.
– Você cantou muito bem no karaokê, e eu não tô falando isso da boca pra fora, eu realmente achei.
– Sério? Valeu por isso . – deu um sorriso sincero e o acompanhou.
Continuaram conversando por um tempo, mas precisava acordar cedo no dia seguinte, então deixaram um outro filme para um outro dia.
Continua…
Nota da autora
Espero que vocês tenham gostado desse capítulo! Eu tenho amado muito escrever essa fic! Obrigada por ler! 💕 Não esqueça de deixar nos comentários o que achou da história, ou me mande um tweet pelo @poynterofviewx, quero muito saber a sua opinião sobre essa história! Me acompanhe também pelo instagram @jessiescreve que lá estou sempre postando conteúdos relacionados as fics tanto antigas quanto novas!

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